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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Atividade sobre a música "Uai", de Marcelo Costa


Uai

Sou brasileiro que nasceu na roça
Num lar modesto, mas de muito amor 
E não me zango quando fazem troça
Com meu sotaque do interior 

A vida toda vou falar uai, uai!
A vida toda vou falar ocê 
Assim falava o meu avô, meu pai
Sou caipira, logo já se vê 

Ai que saudade do meu tempo de criança 
Correndo pelo pasto pra pegar a esperança 
Com um cabestro eu armava um barbicacho,
Depois montava a pelo
Cavalgava pro riacho

Aí então eu voltava pro arraial
Empinava a esperança pra mostrar que era o tal
Maria Rosa, a menina que eu gostava,
Sorrindo toda prosa da janela me acenava

A vida toda vou falar uai, uai!
A vida toda vou falar ocê 
Assim falava o meu avô, meu pai
Sou caipira, logo já se vê 

Vim pra cidade, trabalhei e estudei 
E por isso atualmente já me chamam de doutor
Mas o sotaque que eu sempre carreguei
Não deixa enganar: eu vim do interior 

Mas não faz mal, só assim eu sou matuto
Meu ocê não é fajuto, sai assim ao natural
E se me espanto meu sotaque logo trai 
Pois surpreso, do meu canto, sem querer eu digo uai 

(Marcelo Costa) 

01) Justifique o título da canção:

02) Qual é o tema abordado na música? Justifique sua resposta: 

03) Você já ouviu falar na expressão "fazer troça"? O que ela significa? 

04) Observe o verso destacado no refrão e diga se a palavra UAI pertence ou não à mesma classe gramatical, explicando bem: 

05) Copie do texto fortes marcas de oralidade: 

06) Tem valor polisssêmico o verso em destaque na terceira estrofe?  Se sim, que palavra é responsável por isso? 

07) Que crítica encontra-se embutida no verso destacado na última estrofe? Comente: 

08) Transcreva da canção passagens que comprovem o orgulho do eu lírico em ser do interior: 

09) Localize no texto exemplos de regionalismos: 

10) Por que a infância foi tão significativa para o eu lírico? 

11) Que recordações dessa fase ele mais tem saudade?

12) Se a música estivesse em linguagem culta causaria a mesma receptividade no leitor? Justifique:

13) Copie do texto uma passagem que indica uma desilusão amorosa: 

14) Que mensagem a música transmite? Comente:

15) Por que é tão comum "implicarem" com o sotaque do interior? Levante hipóteses: 

16) Existe algum desvio gramatical no texto? Justifique sua resposta: 

17) Essa música configura um bom exemplo de variação linguística? Por quê? 

(Atividade feita em parceria com a querida amiga Zizi Cassemiro)

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Atividade sobre a música "Xote das meninas", com Marisa Monte


Xote das meninas

Mandacaru quando fulora na seca
É o siná que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjoa da boneca
É siná que o amor já chegou no coração...
Meia comprida não quer mais sapato baixo
Vestido bem cintado, não quer mais vestir chitão

Ela só quer 
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar

De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando, sonhando acordada
O pai leva ao dotô a filha adoentada
Nao come, nem estuda, não dorme, não quer nada

Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar

Mas o dotô nem examina
Chamando o pai do lado
Lhe diz logo em surdina
Que o mal é da idade
Que prá tal menina
Não tem um só remédio
Em toda medicina...

Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar

(Luiz Gonzaga)

01) Justifique o título dado à música:

02) Quantas estrofes e quantos versos tem a canção?

03) Qual é o primeiro sinal de que vai chover no sertão?

04) Quais são os indícios de que uma menina está se tornando adolescente?

05) Por que o pai considera a filha adoentada e a leva ao médico?

06) O que o médico quer dizer que "o mal é da idade"?

07) Copie da música marcas fortes de oralidade:

08) Por que você acha que os pais costumam se preocupar com os filhos que se tornam adolescentes? O que você pensa a respeito disso? 

09) Que variação linguística predomina no texto? Explique:

10) Que mensagem a música transmite? Comente: 

(Atividade feita em parceria com as queridas Ana Voug e Maria Aparecida)

domingo, 5 de julho de 2020

Atividade sobre o texto "Língua Brasileira", de Kledir Ramil

Língua Brasileira

"Outro dia eu vinha pela rua e encontrei um mandinho, um guri desses que andam pela rua sem carpim, de bragueta aberta, soltando pandorga. Eu vinha de bici, descendo a lomba pra ir na lancheria comprar umas bergamotas..."
Se você não é gaúcho, provavelmente não entendeu nada do que eu estava contando. No Rio Grande do Sul a gente chama tangerina de bergamota e carne moída de guisado. Bidê, que a maioria usa no banheiro é o nome que nós demos para a mesinha de cabeceira, que em alguns lugares chamam de criado mudo. E por aí vai. A privada nós chamamos de patente. Dizem que começou com a chegada dos primeiros vasos sanitários de louça, vindos da Inglaterra, que traziam impresso "Patent" número tal. E pegou.
O Brasil tem dessas coisas, é um país maravilhoso, com o português como língua oficial, mas cheio de dialetos diferentes. 
No Rio é "e aí merrmão! CB, sangue bom! Vai rolá umach parasach". Até eu entender que merrmão era "meu irmão" levou um tempo. Em São Paulo eles botam um "i" a mais na frente do "n": "ôrra meu! Tô por deintro, mas não tô inteindeindo". E no interiorrr falam um erre todo enrolado: "a Ferrrnanda marrrcô a porrrteira". Dá um nó na língua. A vantagem é que a pronúncia deles no inglês é ótima. Em Mins, quer dizer, em Minas, eles engolem letras e falam Belzonte, Nossenhora e qualquer objeto é chamado de trem. Lembrei daquela história do mineirinho na plataforma da estação. Quando ouviu um apito, falou apontando as malas: "Muié, pega os trem que o bicho tá vindo". (...)
No Nordeste é tudo meu rei, bichinho, ó xente. Pai é painho, mãe é mainha, vó é vóinha. E pra você conseguir falar com o acento típico da região, é só cantar sempre a primeira sílaba de qualquer palavra numa nota mais aguda que as seguintes. As frases são sempre em escala descendente, ao contrário do sotaque gaúcho.
Mas o lugar mais interessante de todos é Florianópolis, um paraíso sobre a terra, abençoado por Nossa Senhora do Desterro. Os nativos tradicionais, conhecidos como Manezinhos da Ilha, têm o linguajar mais simpático da nossa Língua Brasileira. Chama lagartixa de crocodilinho de parede. Helicóptero é avião de rosca (que deve ser lido rôchca). Carne moída é boi ralado. Se você quiser um pastel de carne precisa pedir um envelope de boi ralado. Telefone público, o popular orelhão, é conhecido como poste de prosa e a ficha de telefone é pastilha de prosa. Ôvo eles chamam de semente de galinha e motel é lugar de instantinho. Dizem que vem da colonização açoriana, inclusive a pronúncia deliciosa de algumas expressões, como 'si quéisch quéisch, si não quéisch, disch'. Se você estiver por lá, viajando de carro, e precisar de alguma informação sobre a estrada pra voltar pra casa, deve perguntar pela 'briói', como é conhecida a BR-101.
Em Porto Alegre, uma empresa tentou lançar um serviço de entrega a domicílio de comida chinesa, o Tele China. Só que um dos significados de china no RS é prostituta. Claro que não deu certo. Imagina a confusão, um cara liga às 2 da manhã, a fim de uma loira, e recebe a sugestão de Frango Xadrez com Rolinho Primavera. Banana caramelada! Tudo isso é muito engraçado, mas às vezes dá problema sério.
A primeira vez que minha mãe foi ao Rio de Janeiro entrou numa padaria e pediu: "Me dá um cacete!!!" Cacete pra nós é pão francês. O padeiro caiu na risada, chamou-a num canto e  tentou contornar a situação. Ela ingenuamente emendou: "Mas o senhor não tem pelo menos um cacetinho?"

(Kledir Ramil)

01) Justifique o título dado ao texto, mencionando que outro você daria:

02) Posicione-se sobre a passagem destacada no texto, argumentando bem:

03) Transcreva do texto uma passagem carregada de humor:

04) O autor se simpatiza mais com que variação linguística? Justifique sua resposta:

05) E você gostou mais de que dialeto? Por quê?

06) Copie do texto marcas de oralidade:

07) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

sábado, 13 de junho de 2020

Atividade sobre o vídeo "Santo Antônio casamenteiro" (5 minutos)


O vídeo acima faz parte do filme "A marvada carne" e aborda a questão de o Santo Antônio ser considerado casamenteiro... aí muuuuuita gente apela para ele! E ainda fica irritada quando ele demora a agir! (risos) 

Sobre ele saiu esta atividade maaaaara e divertida, e aproveito para perguntar se alguém por acaso tem alguma história para contar, se já fez alguma simpatia, essas coisas. Estou curiosa! Eu uma vez vi minha irmã fazendo e resolvi copiar. Eu tinha uns 9 anos, acho. Colocamos papeis com nomes de nossos "pretendentes", dobramos todos, e colocamos dentro de uma prato com água. Ficou lá a noite toda. De manhã, o que estivesse aberto seria o "cara"!!! Acho que dobrei tão bem dobrado que nenhum abriu. Ou será que Santo Antônio não ia muito com a minha cara?!? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

01) Justifique o título dado ao recorte do filme "A marvada carne":

02) Que título você daria ao vídeo, considerando as cenas assistidas? Justifique:

03) Descreva os personagens que aparecem e caracterize-os física e psicologicamente:

04) Qual crendice popular está relacionada à imagem? Qual o nome do santo?

05) Descreva a relação entre a personagem feminina e a imagem do santo:

06) Que tradição religiosa apresentada no vídeo persiste até hoje?

07) Qual o desejo da menina Carula? Que reclamação ela faz ao santo? O que isso representa no nosso contexto histórico / cultural? 

08) Que castigos ela decide dar ao santo? O que você pensa a respeito disso?

09) Que mensagem o vídeo transmite? Comente:

10) Caracterize o cenário e informe qual a região onde as cenas ocorrem:

11) Qual é a época retratada? Justifique sua resposta:

12) Os personagens utilizam uma variação linguística típica de determinada região. Qual é essa variedade? Cite exemplos retirados das falas dos personagens que justifiquem sua resposta: 

13) Comente quais os aspectos humorísticos nos trechos do vídeo:

14) O que o final do trecho sugere? O que você acha que aconteceu depois? Elabore uma continuaçao dessa história: 

15) Comente as notáveis semelhanças e as diferenças do comportamento feminino com relação ao namoro e casamento descrito no vídeo e nos dias atuais: 

16) Que tipo de sentimento ou sensação o vídeo provocou em você? Comente:

17) Você acredita que um santo seja capaz de "ajudar" ou "acelerar" determinados acontecimentos na vida das pessoas? Explique bem seu ponto de vista: 

18) Transforme o vídeo em uma história em quadrinhos bem engraçada:

(Atividade feita em parceria com a querida e talentosa amiga Zizi Cassemiro!)

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Atividade sobre a música "ABC do sertão", de Luiz Gonzaga


ABC do sertão

Lá no meu sertão pros caboclo lê
Tem que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê i o ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto ê:

A, bê, cê, dê
Fê, guê, lê, mê
Nê, pê, quê, rê
Tê, vê e zê

(Zé Dantas / Luiz Gonzaga)

01) Justifique o título dado à canção acima:

02) Copie da letra de música o que poderia ser motivo de preconceito linguístico, explicando:

03) O eu lírico fez uso da linguagem formal ou coloquial? Comprove com alguns exemplos:

04) Você acha que existe, no nosso país, mais de um ABC? Explique seu ponto de vista:

05) Que mensagem a música transmite?

06) Crie um "dicionário do sertão", de A a Z:

(Música indicada pela colega de grupo: Kédma Araújo)

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Atividade sobre o texto "Baseado em fatos reais", de Ferréz

Baseado em fatos reais

-- E aí, truta, tudo pela ordem?
-- Tudo, de onde eu te  trombo mesmo? 
-- Lá do Jardim Ângela, cê deu uma palestra na minha escola. 
-- Pode crê.
-- Então, Ferréz, eu queria te trombar mesmo, oh! 
-- E o que pega, trutinha? 
-- Tem uma história pra ti, é curta, mas foi comigo mesmo que aconteceu. 
-- Truta, eu posso tá ouvindo, vamos tomar um refri ali no bar.
-- Tá legal. 
-- E essas marcas aí no seu rosto?
-- Isso tem a ver com a história.
-- Coca-cola ou guaraná?
-- Dolly, que é mais barato e vêm 2 litros. 
-- Certo, mas, e aí, o que tá pegando?
-- É o seguinte, minha mãe tá desempregada, né, e cê sabe que a gente tem que fazer uns corre aí pra viver. 
-- Mas você ainda é novo. 
-- Que nada, já tenho 16, e nessas eu tava fazendo umas fitas lá naquele mercado grande.
-- Vichi! Mó barato sinistro, hein.
-- Pro cê vê, ~tava pensando se eu roubar uns barato miúdo eu não viro um dinheiro para a coroa, então peguei logo um litrão de Whiski.
-- Ahã.
-- Logo o gerente me pegou no flagra.
-- E aí?
-- me levou para trás no galpão dos estoque, disse no telefone que era um código X10, isso quer dizer que eles devem chamar todo mundo da loja pra ver. 
-- E foi todo mundo te ver?
-- Isso num é vergonha, só que ele começou a me esmurrar, truta, ele me deu um soco tão grande na cara, que o resto eu nem senti.
-- Filho da puta. 
-- E os gambé do mercado só olhando, ele me pegava pelo pescoço e gritava: "Você é louco? Vem roubar meu mercado?". Eu nunca pensei que ia apanhar desse jeito, no rosto dos funcionários eu ainda notei o dó, porra! Até eu tive dó de mim.
-- E aí, como ficou?
-- Depois, ele passou para os gambé bater também, só que um era preto que nem eu e teve meio dó, dava umas porradinhas meio na moral.
-- Sabia que isso dá processo, tru?
-- Dá nada, Ferréz, essas lei aí é só pra eles, tô errado mesmo, só que, se um dia eu trombo um só parecido com ele, eu arrebento. 
-- Pensa assim, não, tru, faz o seguinte, deixa o nome dele comigo, na hora certa nóis faz ele passar uma vergonha grande, uma pá de gente vai saber quem é esse patrão bom batedor. 
-- Só que ele não é o dono nem de nada, o mercado é de um boyzão, aquele que tá andando com o presidente, e o maluco aí era só gerente. 
-- Eu sei, tru, é o que mais dói.
(Ferréz)

01) Justifique o título do texto, dizendo se há nele ou não um pleonasmo:

02) Circule no texto todas as gírias, na ordem nele encontrada:

03) Localize no texto exemplos de vocativo, explicando seu raciocínio:

04) Copie do texto marcas de oralidade:

05) Há no texto algum palavrão? Ele é pejorativo, ofensivo, ou indica afetividade? Explique seu raciocínio:

06) Você acha que o uso desses palavrões empobreceram o texto? Justifique sua resposta:

07) Por que existe no texto uma palavra em itálico? O que ela significa? Como foi construída?

08) Tente converter todo o texto para a norma culta padrão da Língua:

domingo, 12 de abril de 2020

Atividade sobre Variação Linguística

01) O texto abaixo é a transcrição de um depoimento oral de uma senhora de 54 anos, não-escolarizada, moradora do Distrito de maria Quitéria, feira de Santana. Faça a leitura:

"Eles tivero aqui quando... foi quando mãe morreu, dipois eles nunca mais viero mi vê, e assim qui vendero o terreno eles foi imbora, nunca mais veio, e aí pegô tudo, meu irmão é um sabichão, pegô tudo minha parte e vendeu, e aí eu fiquei sem tê onde morá, sem morada, aí eu vivia assim: passava uns dia na casa de minha irmã Regina, depois ficava aqui com Lurde, depois ia pra casa cum minha subrinha, aí na data qui o governo deu aí uns terreno, aí... a escrivã lá... duô um terreno pra mim, aí num tinha quem... um irmão meu apareceu pá fazê a casa, aí minha irmã pegô e mandô vendê e vendeu e feiz esse quarto aí, aí as têa, a parede, aí os tijolo é meu, a portinha mais o terreno é dela, aí eu fiquei, não tinha lugá assim certo pra mim ficá, sabe? Aí quando... aí ficô assim... aí ele vendeu, aí meu irmão sabido passô a parte, passô a linha na parte que era minha, aí cumeu e si mandô..." 

a) Reescreva o texto, procurando eliminar os elementos que estejam em dissonância com a norma culta, bem como as marcas de oralidade:

b) Faça um comparativo entre a modalidade oral e a modalidade escrita da língua: 

02) Observe o texto abaixo. É a resposta de uma jovem ao repórter que lhe fez a seguinte pergunta: -- O que é, para você, ser feliz? 

"Sei lá o que te dizer sobre esse negócio de ser feliz, mas acho que, pra todo mundo encontrar a felicidade, a gente tem que dizer um não bem grande pras coisas ruins que acontecem pra gente na vida". 

Faça a transposição dessa frase para uma forma adequada ao português escrito culto: 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Atividade sobre poema de cordel "Ai! Se sesse...", de Zé da Luz

Ai! Se sesse...

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém se acontecesse
De São Pedro não abrisse
A porta do céu e fosse
Te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse 
E tu cum eu insistisse
Pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse 
Tarvez que nois dois ficasse
Tarvez que nois dois caísse
E o céu furado arriasse
E as virgi toda fugisse

(Zé da Luz) 

01) Você teve alguma dificuldade para compreender o texto acima? Justifique sua resposta:

02) Sobre o que ele fala?

03) Justifique o título dado ao texto: 

04) Identifique no texto as palavras que você consegue perceber que estão escritas de forma diferente daquela que você costuma encontrar em textos de livros, jornais e revistas: 

05) Reescreva todo o texto seguindo a norma formal culta da língua e compare-os, dizendo qual parecia mais expressivo: 

segunda-feira, 16 de março de 2020

Atividade com tirinhas do Chico Bento - Variação linguística

Tirinhas para variação linguística


01) Que variação linguística está sendo usada por Chico Bento e seu pai, na tirinha acima? Justifique sua resposta:

02) Que tipo de linguagem é usada nos quadrinhos: verbal, não verbal ou mista? Comente:

03) Copie da tirinha dois exemplos de vocativo, explicando suas escolhas:

04) Reescreva todas as falas fazendo uso da variedade padrão:

05) Que conselho você daria ao pai do Chico Bento, para resolver o problema por ele citado?

06) Na tirinha acima, Chico Bento e a professora utilizam o mesmo tipo de variedade linguística? Explique da melhor forma possível:

07) Reescreva as falas consideradas inadequadas com relação à norma padrão:

08) Foi preciso fazer alguma alteração na fala da professora? Por quê?

09) Circule na tirinha os vocativos:

10) Invente uma possível fala para a professora, após a confissão de Chico Bento:

domingo, 15 de março de 2020

Atividade sobre o texto "Causo de mineirim", de Autor Desconhecido

Causo de mineirim

Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomano uma pincumel e cuzinhano um kidicarne cumastumate pra fazer uma macarronada cum galinhassada. Quascaí dessusto quanduvi um barui vindedenduforno, parecenum tidiguerra. A receita mandopô midipipoca denda galinha prassá. O forno isquentô, o mistorô e o fiofó da galinhispludiu! Nossinhora! Fiquei branco quineim um lidileite. Foi um trem doidimais! Quascaí dendapia! Fiquei sem sabê doncovim, proncovô, oncotô. Oiprocevê quelocura! Grazadeus ninguém semaxucô! 

(Autor Desconhecido)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Tal texto apresenta aspectos interessantes de variação linguística. Que dialeto é utilizado para construir o humor do texto?

03) Observando a escrita de algumas palavras do texto, deduza: o que caracteriza esse dialeto? 

04) Também é possível observar variações de registro, especialmente quanto ao modo de expressão. Há mais marcas da linguagem escrita ou da linguagem oral? Dê alguns exemplos que justifiquem sua resposta: 

05) Faça uma "tradução" do texto em questão, analisando qual dos dois foi mais expressivo: 

06) O que você aprendeu com a leitura de tal texto? 

segunda-feira, 2 de março de 2020

Atividade sobre o texto "Santos nomes em vão", de Raul Drewnick

Santos nomes em vão 

Drama verídico e gerado por virgulazinhas mal postas, cúmplices de tantas reticências. 

Praxedes é gramático. Aristarco também. Com esses nomes não poderiam ser cantores de rock. Os dois trabalham num jornal. Praxedes despacha as questiúnculas à tarde. Aristarco, à noite. Um jamais concordou com uma vírgula sequer do outro, e é lógico que seja assim. Seguem correntes diversas. A gramática tem isso: é democrática. Permitindo mil versões, dá a quem sustenta uma delas o prazer de vencer.
Praxedes é um santo homem. Aristarco também. Assinam listas, compram rifas, ajudam quem precisa. E são educados. A voz dos dois é mansa, quase um sussurro. Mas que ninguém se atreva a discordar de um pronome colocado por Praxedes. Ou de uma crase posta por Aristarco. Se a conversa ameaça escorregar para os verbos defectivos ou para as partículas apassivadoras, melhor escapar enquanto dá. Porque aí cada um deles desanda a bramir como um leão. [...]
Para que os dois não se matem, o chefe pôs cada um num horário. Praxedes, mais liberal (vendilhão, segundo Aristarco), trabalha nos suplementos do jornal, que admitem uma linguagem mais solta. Aristarco, ortodoxo (quadradão, segundo Praxedes) assume as vírgulas dos editoriais e das páginas de política e economia  [...]
Sempre estiveram a um passo do quebra-pau. Hoje, para festa dos ignorantes e dos mutiladores do idioma, parece que finalmente vão dar esse passo. É dia de pagamento e eles se encontram na fila do banco. Um intrigante vem pondo fogo nos dois há já um mês e agora ninguém duvida: nunca saberemos quem é o melhor gramático, mas hoje vamos descobrir quem é o mais eficiente no braço. 
Aristarco toma a iniciativa. Avança e despeja:
-- Seu patife, biltre, poltrão, pusilânime. 
Praxedes responde à altura:
-- Seu panaca, almofadinha, calhorda, caguincha. 
Aristarco mete o dedo no nariz de Praxedes:
-- É a vossa progenitora! 
Praxedes toca o dedo no nariz de Aristarco:
-- É a sua mãe! 
Engalfinham-se, rolam pelo chão, esmurram-se. 
Quando o segurança do banco chega para apartar, é tarde. Praxedes e Aristarco estão desmaiados um sobre o outro, abraçados, como amigos depois de uma bebedeira. 
O guarda pergunta à torcida o que aconteceu. Um boy que viu tudo desde o início explica:
-- Pra mim, esses caras não é bom de bola. Eles começaram a falá em estrangeiro, um estranhô o outro, os dois foram se esquentando, esquentando, e aí aquele ali, ó, que também fala brasileiro, pôs a mãe no meio. Levô uma bolacha e ficô doido: enfiô o braço no focinho do outro. Aí os dois rolô no chão. 
Para a sorte do boy, Aristarco e Praxedes continuavam desacordados. 

(Raul Drewnick)

01) Justifique o título dado ao texto em questão:

02) Segundo o texto, por que a gramática é democrática? Você concorda com isso? 

03) O que os protagonistas têm em comum? O que eles têm de diferente? 

04) Copie do texto uma passagem irônica, explicando a sua escolha: 

05) Transcreva da crônica uma hipérbole, explicando seu raciocínio: 

06) Localize no texto uma comparação, explicando-a:

07) Transcreva da crônica uma expressão utilizada com sentido conotativo, justificando sua resposta: 

08) O que você achou engraçado na briga dos dois? Comente: 

09) Por que há, no texto, uma palavra em itálico? Por que tal escolha? 

10) Por que uma das personagens pensou que um dos protagonistas fosse "estrangeiro"? E por que ele achou que o outro falava "as duas línguas"?

11) O que você reparou na fala do "boy"? Ele conseguiu explicar o que havia acontecido? O que isso revela? 

12) Explique (bem) a última frase da crônica: 

13) Circule no texto todas as palavras que eram desconhecidas para você e procure-as no dicionário: 

14) Que mensagem o texto transmite? 

15) Ao longo da crônica, o narrador faz pequenos comentários e emprega determinadas palavras e expressões que revelam o posicionamento dele em relação aos dois personagens. 

a) O narrador é favorável ou contrário ao modo como Praxedes e Aristarco veem a gramática? Justifique com passagens do texto:

b) No quinto parágrafo, o narrador usa a expressão "dos ignorantes e dos mutiladores do idioma". Levando em conta a resposta do item anterior, explique se esse posicionamento é parte do discurso do próprio narrador ou se ele faz uma paródia do discurso dos gramáticos: 

16) Com quem você simpatizou mais: Praxedes ou Aristarco? Por quê?

17) Você acha que o tal "boy" sabe ou não gramática? Justifique sua resposta: 

(Texto recomendado pela querida amiga artemanhosa Ângela Lima)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Atividade sobre receita com variações linguísticas

Moi de reôi nu ái iói

Ingridientes:

5 den di ái
3 cuié di ói
1 cabêss di repôi
1 cuié di mastumati
Salagosto

Mé qui fais?

Casca u ái, pica u ái e soca o ái cum sali. 
Squentuói;
Foga o ái no ói quentim.
Pica o repôi beem finim;
Foga o repôi.
Poim a mastumati e mesh cacuié pra fazer o môi.
Prontim! 
(Autor desconhecido)

01) Podemos afirmar que o texto acima pertence ao gênero "receita culinária"? Por quê? 

02) O nosso país é muito extenso e, por isso, temos variedades regionais que devem ser respeitadas e valorizadas. Você conseguiu entender todo o texto? Como ele foi construído?

03) De que lugar do nosso país você acha que veio tal receita? Quais foram as "pistas textuais" que permitiram descobrir isso?

04) Faça a adequação do mesmo, seguindo a norma culta da Língua: 

05) Que diferenças você percebeu entre o original e o "traduzido"? Comente:

P.S.: Confesso que fiquei surpresa ao ler algumas colocações estranhas, de alguns colegas, em um grupo, com relação à "receitinha" acima, já que eles "torceram o nariz", acusando-a de incentivar a ridicularização e o preconceito linguístico. Já eu, assim como tantos outros colegas, vi exatamente como o contrário: como uma valorização do regionalismo, que torna ainda mais rica e expressiva a linguagem! Enfim... Tudo depende da maneira como se vê determinado assunto e também, claro, vai depender da maneira como cada um conduz as aulas, as atividades! Eu usarei, certamente, com meus alunos! Adorei! Agradeço pela sugestão! 

(Texto sugerido pela colega de grupo, Eliana Aparecida da Silva Gava,
 e atividade feita em parceria com a amiga Maria Ruth Barbosa!)

Atividade sobre a anedota "Tipos de assaltantes", de Paulo Seixas

Tipos de assaltantes - De acordo com a região

Assaltante cearense:

Ei, bixim... Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula nem faça munganga... Passa vexado o dinheiro senão eu pranto a pexeira no teu bucho e boto teu fato pra fora... Perdão, meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia...

Assaltante mineiro: 

Ô sô, prestenção... Isso é um asssartin, uai... Levanto os braço e fica quetin que esse trem na minha mão tá cheio de bala... Mió passá logo os trocados que eu num tô bão hoje... Vai andando, uai, tá esperando o quê, uai? 

Assaltante gaúcho:

Ô gurí, ficas atento... Báh, isso é um assalto... Levantas os braços e te aquieta, tchê! Não tente nada e tome cuidado que esse facão corta que é uma barbaridade, tchê! Passa as pilas prá cá! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala! 

Assaltante carioca: 

Seguiiiiiiiiinte, bicho... Tu tá lascado, isso é um assalto... Passa a grana e levanta os braços, rapá... Não fica de bobeira que eu atiro bem pra cacete... Vai andando e se olhar pra trás vira presunto...

Assaltante baiano:

Ô meu rei... (longa pausa) Isso é um assalto... Levanta os braços, mas não se avexe não... Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado... Vai passando a grana, bem devagarinho... Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado... Não esquenta, meu irmãozinho, vou deixar teus documentos na próxima encruzilhada...

Assaltante paulista:

Ôrra, meu... Isso é um assalto, cara... Alevanta os braços, meu... Passa a grana logo, ô meu... Mais rápido, ô meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra comprar o ingresso do jogo do Curintia, meu... Pô, se manda, meu... 

Assaltante candango (Brasília):

Caro povo brasileiro, no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas: energia, água, esgoto, gás, passagem de ônibus, IPTU, IPVA, licenciamento de veículos, seguro obrigatório, gasolina, álcool, imposto de renda, IPI, ICMS, PIS, COFINS...

(Paulo Seixas) 



01) De que assaltante você mais gostou? Por quê? 

02) Circule em cada assaltante as palavras características de cada região: 

03) Além da linguagem, o texto também revela comportamentos ou hábitos que supostamente caracterizam o povo de diferentes estados ou regiões. Diga o que caracteriza, por exemplo, o nordestino, o baiano e o paulista:

04) Que mensagem a anedota nos transmite? 

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Atividade sobre o texto "O fax de Nirso" (Autor Desconhecido)

O fax de Nirso

O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores:
"Seo Gomis, o criente de belzonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor toma as providenssa. Abrasso, Nirso."
Aproximadamente uma hora depois recebeu outro:
"Seo Gomis, os relatorio di venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo que manda treiz miu pessa. Amanha to xegando. Abrasso, Nirso." 
No dia seguinte:
"Seo Gomis, num xeguei pucausa de que vendi maiz deis miu em Beraba. To indo pra Brazilha."
No outro: 
"Seo Gomis, Brazilha fexo 20 miu. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora." 
E assim foi o mês inteiro. O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa, levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. O presidente, um homem muito preocupado com o desenvolvimento da empresa e com a cultura dos funcionários, escutou atentamente o gerente e disse:
-- Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias. 
E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no mural da empresa, juntamente com os faxes do vendedor:
"A parti de oje nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si preocupá menos em iscrevê serto mod a vendê maiz. Acinado, o Prizidenti". 

(Autor Desconhecido) 

01) Justifique o título empregado no texto: 

02) Copie do texto uma passagem irônica, explicando seu raciocínio:

03) Que problema o gerente identificou no Nirso? Você também ficaria preocupado com isso?

04) Qual a preocupação do presidente da empresa? Você acha que ele está certo? Por quê?

05) Embora os "erros" ortográficos chamem imediatamente a atenção de quem lê, o problema percebido pelo gerente nos textos do "Nirso" pode ser entendido de outra maneira. Explique: 

06) Em que reside o humor do texto?

07) Por que a piada reflete uma visão linguística preconceituosa?

08) Que mensagem o texto transmite? Explique:

09) Que tipo de preconceito é ilustrado no texto? O que você pensa a respeito disso? Comente:

10) Justifique as aspas utilizadas no texto:

11) O desfecho foi surpreendente? Justifique sua resposta:

12) Que reação você acha que os funcionários tiveram com relação ao aviso do presidente?

13) O comportamento do gerente deixa implícita sua opinião sobre as diferentes variedades da língua portuguesa. Que opinião é essa?

14) De que maneira a atitude tomada pelo presidente da empresa demonstra que o uso de uma variedade não pode ser associada à avaliação que se faz do falante que a utiliza?

15) Faça as devidas adequações ortográficas em todos os faxes de Nirso e observe que mudanças elas acarretaram ao texto:

(Agradecimento especial à amiga Elaine Casagrande, que me indicou tal texto!)

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Atividade sobre o texto "Geração 'tipo assim'"


Geração 'tipo assim'

Imagens comparativas e novas gírias reacendem a discussão sobre a erosão 
da linguagem entre os jovens

Ao adolescente dos anos 90 que não consegue entender o que se conversa numa roda de contemporâneos, resta o consolo de não pertencer aos grupos acusados de promoverem a chamada erosão da linguagem. Para esses grupos, segundo estudiosos como o poeta, tradutor e ensaísta José Paulo Paes, tem sido cada vez mais cômodo seguir o caminho das imagens comparativas, evitando expor o próprio potencial intelectual ao risco de um raciocínio elaborado. Não é à toa que um dos recursos mais usados hoje para facilitar a explicação de uma ideia é o "tipo assim" ("Ele é um cara tipo assim..."). [...]
Enquanto a discussão volta a mobilizar estudiosos, novas gírias são criadas e absorvidas numa velocidade impressionante. [...] "A conversa de adolescentes é feita de diálogos exclamativos e sem fluência, próprios de quem apenas reafirma um comportamento de grupo", alerta Paes. O poeta reconhece, no entanto, que "existem gírias muito saborosas". Mas restringe: "Gíria é coisa de moda. Muitas vezes você substitui uma boa intenção verbal de gírias anteriores sem que haja ganhos expressivos."
Em outra vertente, o escritor Affonso Romano de Sant´Anna acha normal que cada grupo social crie sua própria linguagem. "E os jovens que passaram a existir socialmente a partir dos anos 60, com a emergência do poder juvenil, também tem a sua linguagem", diz. "Esse é um fato que não recrimino nem reprovo, mas sua constatação é inevitável." O escritor vê a leitura como única solução para as divergências entre as linguagens usadas por jovens e adultos. "É lendo que você aumenta seu vocabulário", sugere. 
Affonso Romano observa que hoje os jovens não são a única tribo a usar uma linguagem própria, de difícil entendimento por quem está de fora: "O mesmo acontece, por exemplo, com o pessoal que mexe com computador. Sua linguagem é restrita, falava em códigos" [...]
Os adolescentes não veem problema no uso de gírias e expressões recém-criadas, e julgam seu vocabulário "inofensivo". "As gírias são um meio muito legal de se comunicar e simplificar as coisas. Além disso, é irado falar de um jeito que os professores e o pessoal lá de casa não entendam", diz Thiago, 16 anos. 
"A moda não muda? A decoração não muda? Qual é o problema de atualizar também o vocabulário?", questiona Tatiana, 17 anos. Sua colega Maíra, 16 anos, tenta explicar o uso frequente de expressões, como o tipo assim: "Você quer falar alguma coisa e descobre uma expressão que consegue resumir seu pensamento. O tipo assim é o espaço que a gente usa para pensar e articular as palavras. É impossível contar uma história sem usar pelo menos um ."
"As gírias mudam e não vão deixar de existir. A gente não fala mais "é uma brasa, mora?" , que era moda nos anos 70. No lugar disso, falamos outras coisas", justifica o estudante Marcos, 17 anos. "O mais legal disso tudo é que ampliamos o nosso vocabulário", opina Thiago, afirmando em seguida: "Eu também sei falar formalmente, mas não gosto. Não me dirijo ao padre do colégio com um "aí, velhinho". Estou apto a usar a linguagem formal, quando necessário."
A babel de gírias também afeta os diferentes grupos da mesma geração. "Tenho amigos que convivem com o pessoal que frequenta bailes funk. Eles usam gírias próprias e eu não entendo nada", conta Tatiana. "Não vejo problema nenhum no fato das tribos não se entenderem. A gente traduz e aprende cada vez mais", assegura Gabriel, 17 anos. 

(Jornal do Brasil - Caderno B)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Qual é o sentido da expressão "erosão da linguagem"? Encontra-se no sentido denotativo ou conotativo? Por quê? 

03) O que, afinal, significa a expressão "tipo assim"? Você costuma usá-la? 

04) Há argumentos de autoridade presentes no texto? Justifique sua resposta: 

05) Você acha que usar expressões como "tipo assim" revelam um vocabulário pobre, típico de quem não tem o hábito de ler? Explique seu ponto de vista: 

06) Com qual das pessoas citadas no texto você concorda mais? Por quê? 

07) Que consolo resta ao adolescente, segundo o texto? Por que isso é um consolo? 

08) Affonso Romano de Sant´Anna pensa de forma semelhante ao José Paulo Paes? Explique: 

09) Que diferença Affonso Romano vê entre a linguagem dos jovens e a dos adultos? 

10) Há uma contradição entre a opinião de tal autor a respeito da linguagem dos jovens e a proposta de uma solução. Qual é essa contradição? 

11) Dê exemplos de pessoas a quem o Thiago, citado no texto, poderia dirigir o cumprimento "Aí, velhinho": 

12) O que será que ele diz ao padre do colégio? 

13) Thiago garante que sabe usar a linguagem formal, "quando é necessário": em que situações é necessário usá-la? Comente: 

14) Thiago diz que sabe falar formalmente, mas não gosta. Em sua opinião, por que ele não gosta de falar dessa maneira? E você? 

15) Que mensagem o texto transmite? Comente:

16) Utilize as palavras a seguir em um único texto, com sentido, após criar um pequeno e rápido dicionário com o significado que você acha que cada uma delas tem:

a) Tetrarca:
b) Sincecura:
c) Cancro:
d) Convescote:
e) Obtemperar:
f) Protonotária:
g) Pudica:

(P.S.: O texto e algumas questões foram extraídas de um livro da Magda Soares)

domingo, 20 de outubro de 2019

Atividade sobre a música "Zaluzejo", de O Teatro Mágico


Zaluzejo

Ah, eu tenho fé em Deus... né?
Tudo que eu peço Ele me ouci... né?
Aí quando eu tô com algum pobrema eu digo:
"Meu Deus! Me ajuda que eu to com esse pobrema!"
Aí eu peço muito a Deus... aí eu fecho os olhos... né?
E Deus me ouci na hora que eu peço pra ele, né?
Eu desejo ir embora um dia pra Recife
Não vô porque tenho medo de avião, de torroristo
Aí eu tenho medo, né?
Corra tudo bem... se Deus quisé... se Deus quisé...

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
Graxite, vrido, zaluzejo...
"Eu sou muito divertida"
Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
Graxite, vrido, zaluzejo...
"Não sei falar direito"
Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
Graxite, vrido, zaluzejo...
"Não sei falar"

Tomar banho depois que passar roupa mata
Olhar no espelho depois que almoça entorta a boca
E o rádio diz que vai cair avião do céu
Senhora descasada namorando firme pra poder casar de véu

Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
Graxite, vrido, zaluzejo...
"Não sei falar"

Quando for fazer comprar no Gadefour:
Omovedor ajactu, sucritcho, leite dilatado, leite intregal,
Pra chegar na bioténica, rua de parelepídico
Pra ligar da doroviária, telefone cedular
Pigilógico, tauba, cera lítica, sucritcho,
Graxite, vrido, zaluzejo...
"Não sei falar"

Quando fizer calor e quiser ir pra praia de Cararatatuba,
Cuidado com o carejandrejo
Tem que tá esbeldi, não pode comer pitz, pra tirar mau hálito
Toma água do chuveiro
No salão de noite, tem coisa que não sei
Mulé com mulé é lésba e homi com homi é gay
Mas dizem que quem beija os dois é bixcional...
Só não pode falar nada
Quando é baile de Carnaval

Pra não ficar prenha e ficar passando mal, copo d´água
E pírura de ontemproccional
Homem gosta de mulher que tem fogo o dia inteiro,
Cheiro no cangote, creme rinsa no cabelo
Pra segurar namorado morrendo de amor
Escreve o nome num pepino e guarda no refrigelador,
Na novela das otcho, Torre de Papel,
Menina que não é virge, eu vejo casar de véu! 

Se você se assustar e tiver chilique,
Cuidado pra não morrer de palaladi cadique
Tenho medo da geladeira, onde a gente guarda yogute,
Porque no frio da tomada se cair água pode dá cicrutche
Tô comprando um apartamento e o negócio tá quase no fim
O que na verdade preocupa é o preço do condostim
O sinico lá do prédio, certa vez, outro dia me disse:
"Que o mundo vai se acabá no ano 2000, é o que diz o acalipse!"

Tenho medo de tudo que vejo e aparece na televisão
Os preju do Carajundu fugiram em buraco cavado no chão
Torrorista, assassino e bandido, gente que já trouxe muita dor
O que na verdade preocupa é a fuga do seucrostador
Seucrosta quem não tem dinheiro, quem não tem emprego e não tem condução
Documento eu levo na proxeca porque é perigoso carregar na mão!

Mas quando alguém te disser tá errado ou errada
Que não vai S na cebola e não S em feliz
Que o X pode ter som de Z e o CH pode ter som de X
Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz!

"E eu sou uma pessoa muito divertida...
Eles não inventamnada... eu gostava de inventar as coisa
Não sei falar direito...
Inventar uma piada, inventar uma palavra, inventar uma brincadeira...
Não sei falar
"Me dá um golinho... me dá um golinho..."

É com muito prazer que eu convido agora todos aqueles
Que estão ouvindo esta canção
Pra entorar em uníssono o cântico: Omovedor, Carejangrejo
Vamos aquecer a nossa voz cantando assim:
Iô, iô, iô, iô, iô, iô, iô, eu digo:
"Omovedor, Carejangrejo, Omovedor, carengangrejo... Omovedor!
"Omovedor, carenjangrejo... Só isso que eu tenho pra falar falar!"

(O Teatro Mágico)

01) Justifique o título da canção:

02) O começo da música reflete como algumas pessoas com baixo poder econômico e baixa escolarização se expressam. Reescreva-o de acordo com a norma padrão da língua: 

03) Circule na canção todas as palavras que correspondem a variações linguísticas e, em seguida, diga a palavra correspondente cada um teria seguindo a norma culta:

04) Você teve dificuldade para entender alguma delas? Se sim, quais? Por quê?

05) Além dessas palavras, o texto traz espécies de crendices. Quais são elas?

06) Justifique as aspas utilizadas na canção:

07) Por que, segundo a música, não se pode falar nada quando é baile de Carnaval?

08) Posicione-se sobre a passagem que se encontra em negrito na canção, argumentando bem:

09) Que mensagem a música transmite?

10) Você acha que quem utiliza esse tipo de linguagem mostrada na música sofre o chamado preconceito linguístico? O que você pensa disso? Comente:

11) Você acha que as variações linguísticas enriquecem ou empobrecem a nossa Língua? Por quê? 

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Atividade sobre variações linguísticas - File de ciri


01) O que o texto da placa acima revela a respeito do contato de seu autor com as práticas de escrita?

02) Com base na escrita da placa, que é possível inferir sobre o perfil do autor?

03) O autor, apesar das impropriedades linguísticas presentes na placa, do ponto de vista da norma culta, parece buscar adequar o seu texto à forma escrita. Considere suas respostas anteriores e imagine uma explicação possível para essa atitude do autor: 

04) Efetue as alterações necessárias para que a escrita fique de acordo com a norma culta: 

05) O que você aprendeu com essa atividade? Comente: 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Exercícios sobre Variação Linguística / Oralidade

01) Observe a linguagem utilizada na frase abaixo, tirada de uma propaganda:



a) Identifique as gírias que aparecem na frase manuscrita:

b) Como você escreveria essa frase sem usar gíria?

c) A propaganda de onde esse texto foi tirado anuncia um guia de redação. A quem ela deseja atingir?

d) Que efeito o emprego da gíria cria na frase principal da propaganda?

e) Você deixou de entender o recado por causa das gírias?

02) Imagine que uma adolescente escrevesse este e-mail para o diretor da escola (pedindo providências para um campeonato esportivo): 

Ô meu, vc precisa dar um gás no campeonato de vôlei e fazer algo manero para os mano da escola. Não fique bolado, deixe de ser presepeiro, senão vai pagar mico. Tá ligado? 
Falô, broder. 

E, para o namorado, enviasse a seguinte mensagem: 

Prezado senhor, 

Temos em nossa agenda muitas datas sem compromisso marcado, motivo pelo qual manifestamos interesse em acompanhá-lo em sua próxima ida ao cinema. Caso haja interesse da sua parte, colocamo-nos à disposição para novos contatos, nos quais possamos detalhar nossa proposta. Atenciosamente,
Maria Margarida de Sousa Leite

a) Comente a linguagem dos textos acima e explique a reação que provavelmente causariam aos destinatários: 

b) Reescreva ambos os textos, adequando-os a cada situação e aos seus respectivos destinatários: 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Atividade sobre a música "Chopis Centis", dos Mamonas Assassinas


Chopis Centis

Eu "di" um beijo nela
E chamei pra passear
A gente fomos no shopping
Pra "mode" a gente lanchar.
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim
Até que "tava" gostoso, mas eu prefiro aipim.

Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade é um crediário nas
Casas Bahia.

Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho.
Pra levar a namorada  e dar uns "rolezinho",
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime.
Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger
E também o Van Damme. 

(Dinho e Júlio Rasec) 

01) Justifique o título empregado na música:

02) Por que aparece "di" no primeiro verso? Qual a intenção? E qual seria a forma verbal correta?

03) Existem desvios gramaticais no texto? Copie alguns, adequando-os à norma culta: 

04) Por que você acha que esses desvios ocorreram? 

05) Segundos as pistas textuais, responda:

a) o grau de escolaridade da pessoa? 
b) a profissão?
c) a classe social dela?
d) os filmes a que normalmente assiste?

06) O que significa a palavra em negrito na canção? Que outra palavra  poderia substituí-la, sem causar prejuízo no sentido?

07) Por que existem algumas palavras entre aspas? 

08) Por que há no texto uma palavra em itálico?

09) O texto apresenta um uso intencional da variedade linguística regional. Apesar disso, esse uso compromete a compreensão do texto? Justifique sua resposta:

10) Que efeito a canção provoca, ao substituir a norma culta pela variedade linguística regional? 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Atividade sobre o filme "O Auto da Compadecida" (104 minutos)


Sinopse: O filme em questão conta a divertida história de João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. Uma dupla de nordestinos trapaceiros, ardilosos e espertalhões que se envolve numa série de aventuras. Ambos lutam pelo pão de cada dia e passam por vários episódios, sempre enganando a todos da cidade em que vivem – o vilarejo de Taperoá, sertão da Paraíba.

01) Justifique o título dado ao filme: 

02) De que personagem você mais gostou? Justifique sua resposta:

03) Qual a parte do filme que mais atraiu a sua atenção? Explique bem: 

04) COMPADECIDA é o particípio do verbo COMPADECER, com valor de adjetivo e que, portanto, qualifica a pessoa:

(   ) que sofreu por longo tempo;
(   ) de quem a gente se compadece;
(   ) que muito se compadece;
(   ) que raramente se compadece;

05) O “Compadecida” do título do filme é usado para realçar a vitória suprema da: 

(   ) justiça;
(   ) paz;
(   ) misericórdia;
(   ) pobreza;

 06) Justifique bem a opção escolhida na questão anterior:

07) O que fez o padre mudar de ideia e fazer o enterro da cachorra em Latim? O que isso mais revela?

08) Pelo que se pôde notar no filme, a sociedade nordestina da época só NÃO parece: 

(   ) rural;
(   ) conservadora;
(   ) igualitária;
(   ) injusta;

09) A crítica social mais direta e mais forte do Auto dirige-se aos: 

(   ) negociantes e donos de terra;
(   ) revoltados contra a sociedade;
(   ) religiosos mundanos e sem amor;
(   ) que têm preconceito de raça;
(   ) julgamentos falhos da Justiça;

10) Que parte do filme usaria para JUSTIFICAR a opção marcada na questão acima? Comente: 

11) Que lição o filme transmite? Comente: