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domingo, 23 de agosto de 2020

Atividade sobre o texto "Na fila da liberdade", de Mário Prata


Na fila da liberdade

É interessante notar as diferenças em filas, de um lugar para o outro. Em Florianópolis, por exemplo, tanto nas filas de banco como de supermercado, as pessoas ficam conversando, com calma, esperando. Mesmo no Rio de Janeiro, enfrenta-se uma fila com mais humor.
Na cidade de São Paulo, a fila é uma tortura. A fila é triste e interminável. Parece que, se fosse possível, a gente mataria aqueles quatro ou cinco que estão na nossa frente. E, se alguém conversa com alguém, o assunto é a própria fila. Uns chegam a dizer palavras chulas. Xingam, como se a culpa fosse da pobre mocinha que está do outro lado da fila, muito mais aflita que os filenses. 
Pois foi numa dessas filas que o fato se deu. 
Era uma bela fila, de umas dez pessoas. E em supermercado, com aqueles carrinhos lotados, a gente ali olhando a mocinha tirar latinha por latinha, rolo por rolo de papel higiênico, aquela coisa que não tem fim mesmo. E naquela fila tinha um garotinho de uns dez anos, que existe apenas uma palavra para definir a figurinha: um pentelho. Como muito bem define o Houaiss: "pessoa que exaspera com sua presença, que importuna, que não dá paz aos outros". 
Pois ali estava o pentelhinho no auge de sua pentelhação. Quanto mais demorava, mais ele se aprimorava. E a mãe, ao lado, impassível. Chegou uma hora que o garoto começou a mexer nas compras dos outros. Tirar leite condensado de um carrinho e colocar no outro. Gritava, ria, dava piruetas. Era o reizinho da fila. E a mãe, não era com ela. 
Na fila do lado (aquela de velhos, deficientes e grávidas), tinha um casal de velhinhos. Mas velhinhos mesmo, de mãos dadas. Ali, pelos oitenta anos. A velhinha, não aguentando mais a situação, resolveu tomar as dores de todos e foi falar com a mãe. Que ela desse um jeito no garoto, que ela tomasse uma providência. No que a mãe, de alto e bom tom:
-- Educo meu filho assim, minha senhora. Com liberdade, sem repressão. Meu filho é feliz. É assim que se deve educar as crianças hoje em dia. 
A velhinha ainda ameaçou dizer alguma coisa, mas se sentiu antiga, ultrapassada. Voltou para a sua fila. Só que não encontrou o seu marido, que havia sumido. 
Não demorou muito e se aproximou da mãe do pentelho, abriu e entornou tudo na cabeça da mulher.
 -- O que é isso, meu senhor?
O velhinho colocou o vasilhame (que palavra antiga) no seu carrinho e, enquanto a mulher esbravejava e o pentelho morria de rir, disse bem alto: 
-- Também fui educado com liberdade!!! 
Foi ovacionado. 

(Mário Prata) 

01) Justifique o título dado à crônica acima:

02) Qual é o tema do texto? Justifique sua resposta:

03) Explique o emprego das aspas no texto:

04) Copie do texto um vocativo:

05) O que você faria no lugar da mãe do menino? Justifique sua resposta:

06) O que você achou da ideia do velhinho? Será que ela surtiu o efeito desejado?

07) Que ditado popular se adequa ao texto lido? Por quê?

08) Que mensagem o texto transmite? Comente:

09) Você também teria coragem de, assim como a velhinha, reclamar com a mãe do pentelho? Explique:

sábado, 22 de agosto de 2020

Atividade sobre o texto "Vizinha fake news", de Nádia Coldebella


Vizinha fake news

A primeira fake news da vida de Ana chegou quando ela devia ter três, quatro anos:
-- Menina, não aponta o dedo pro céu pra contar estrela que vai nascer verruga -- era a vizinha quem dizia. 
Isso foi terrível, primeiro porque ela não queria ter verruga nos dedos, depois porque amava contar estrelas. E ela tinha contado muitas estrelas aquele dia. Junto com a filha da vizinha. 
Foi dormir e o sono não foi tranquilo. Estava muito preocupada com a quantidade de verrugas que iriam nascer nos seus dedos.
-- Será que vai ser uma verruga para cada estrela? -- pensou no meio da noite, desatando a chorar. 
Felizmente, em seus dedos nenhuma verruga nasceu. Alguns dias depois, percebeu que os dedos da filha da vizinha estavam infestados de bolinhas estranhas. Anos mais tarde, Ana descobriu que isso era comum em crianças ansiosas, o que fazia todo o sentido em se tratando da filha da vizinha, que tinha uma mãe como aquela. 
Ana cresceu e passou a subir escondida no telhado da casa. Gostava de ficar lá, só olhando o céu e imaginando de onde teria vindo. Porém, nunca mais em sua cida contou estrelas. 
Depois dessas, outras fake news vieram, geralmente da mesma fonte. Não entendo porque algumas crianças gostam tanto de ouvir disparates, talvez porque aguça a imaginação fértil. Ana escutava muito a vizinha, sem perceber, na época, que ela dizia o que dizia com um prazer cruel estampado no rosto. 
As fakes news mais ouvidas eram as que a faziam sofrer, geralmente relacionadas com a possível morte de alguém de sua família. Ela se tornou obcecada em deixar o chinelo milimetricamente arrumado ao lado da cama, fora do caminho. de qualquer um. Se ele estivesse virado, provavelmente sua mãe morreria. E protagonizou uma briga farônica com o filho da vizinha, criativamente apelidado pela mãe de Mindinho -- embora ele fosse bem grande. O Mindinho a acusou de querer matar a própria mãe, porque Ana brincava de andar para trás. Essa era uma das únicas brincadeiras em que ela e a irmã não brigavam,mas que foi cortada do seu rol de diversões porque não poderia conviver com a culpa de ser a responsável pela morte da mãe. 
Na medida em que crescia, Ana resolveu testar algumas das histórias plantas pela vizinha entre a criançada da rua e que, ao seu ver, eram menos perigosas. 
Saiu várias vezes de casa, escondida, em dia de chuva, procurando um arco-íris acessível. Tinha esperança de passar por debaixo dele e voltar logo depois, só pra ver por alguns instantes como era ser menino. Vivia deitada no chão pedindo para os irmãos passarem por cima dela, só para não crescer. 
Assim, foi desvendando pouco a pouco as mentieas de que vinha sendo vítima. Quando a vizinha aparecia em casa, Ana insistentemente colocava a vassoura atrás da porta, bem a sua vista. 
-- Para com isso, Ana -- dizia a mãe. Mas a menina se fazia de surda. Esperava que a vizinha percebesse o recado e errasse o rumo da sua casa. Logo a mãe entendeu e, já farta de tantas fake news espalhadas pela abominável criatura, parou de abrir a porta de sua casa para ela, sempre inventando alguma desculpa para estar ocupada exatamente naquela hora, fosse que hora fosse. 
Depois disso, Ana passou algum tempo sem saber da vizinha. Mas já era tarde. As fake news da vizinha alteraram para sempre sua espontaneidade infantil. Anos depois marcaram, de forma muito cruel, o fim de sua adolescência, quando aquele ser humano foi responsável por mergulhar sua jovem vida numa nova onda de falsas notícias, completamente assombrosas, chaadas fofoca. 
É que a vizinha nunca havia esquecido da vassoura atrás da porta. 
Quero esclarecer que existem dois tipos de fofoca e duas intenções que a acompanham. Um tipo de fofoca é falar mentiras sobre a vida de alguém a terceiros, como se estas mentiras fossem verdades; o segundo tipo é divulgar os fatos verídicos da vida de uma pessoa, sem que essa pessoa tenha dado consentimento para isso. Das intenções, uma se trata de um simples comentário, pretensamente "inocente"; a outra intenção tem finalidade maligna da difamação. 
No caso de Ana foi o primeiro tipo de fofoca com a segunda das intenções. 
Faço aqui um parêntese: se algum leitor deseja saber como é o inferno, sugiro que prove o efeito da fofoca sobre sua vida. Vejam o que aconteceu com Ana. 
Dia após dia, a vizinha batia na porta de sua família para contar o que havia descoberto sobre a Ana.
-- A menina não estava na escola. Não! Não estava, não... Ela estava por aí, se é que você me entende. 
Ou então: 
-- Ela não tá trabalhando não. Vocês nem imaginam o que ela está fazendo agora. 
Embora os pais conhecessem a fama da boca maldita da rua, passaram a sondar a pobre adolescente e logo, para sua própria segurança, Ana passou a ter os passos vigiados. A vizinha foi desmascarada quando sugeriu que, noite dessas, Ana teria fugido de casa na madrugada e voltado antes de os pais acordarem. Curiosamente, essa foi a mesma noite em que Ana foi levada ao hospital pelo pai por conta de uma forte febre. 
Ana só se livrou da velha boca suja quando foi embora, estudar, em outra cidade. Levou anos para juntar os cacos das fake news do início da vida. Ela não só sobreviveu, como superou e esqueceu da vizinha. 
Recentemente, porém, Ana procurou uma psicóloga. Precisava de ajuda. O trauma havia voltado com força. É que ela tem acompanhado as notícias nas redes sociais e reconhece o padrão. Não fala nada para ninguém por medo de ser chamada de louca, mas tem certeza de que a vizinha anda dando consultoria em fake news por aí. 

(Nádia Coldebella)


01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Qual foi a primeira fake news da vida de Ana? Que sentimento isso gerou na menina? 

03) As fake news eram, na verdade, superstições. Qual a diferença entre uma e outra? Comente:

04) Você já tinha escutado falar nas superstições citadas no texto? Quais? Você conhece mais alguma?

05) Por que os dedos da filha da vizinha estavam infestados de "bolinhas estranhas"?

06) O que fez Ana passar a deixar o chinelo arrumado ao lado da cama? 

07) O que a menina deixou de fazer para não conviver com a "culpa pela morte da mãe"?

08) Como Ana descobriu que as histórias contadas pela vizinha não eram reais?

09) Por qual motivo a garota colocava a vassoura atrás da porta quando a vizinha aparecia em sua casa? 

10) De acordo com o texto, quais são os tipos de fofoca que existem? Qual deles você considera mais grave? Por quê? 

11) Qual dos tipos de fofoca a vizinha passou a fazer a respeito de Ana quando a garota atingiu a adolescência? Por que a mulher fazia isso?

12) Como os pais de Ana descobriram que as histórias contadas a respeito dela eram mentirosas? 

13) Explique o trecho em destaque no final do texto, comentando por que Ana tem certeza de que a vizinha está "dando consultoria": 

14) Circule no texto todos os vocativos:

15) Por que há palavras em itálico no texto? Que palavras poderiam substituí-las? 

16) Qual o sentido transmitido pela conjunção utilizada na primeira passagem em destaque no texto? 

17) O pronome ISSO (sublinhado no início do terceiro parágrafo) retoma o quê? 

18) Copie do texto um adjetivo utilizado para caracterizar a vizinha de Ana: 

19) Qual é a mensagem transmitida pelo texto? Comente: 

20) Localize no texto:

a) três numerais, classificando-os:
b) um advérbio de negação:
c) três marcas de oralidade:
d) dois substantivos próprios:
e) dois advérbios de tempo:
f) um pronome possessivo: 
g) dois adjetivos: 

(Atividade feita em parceria com a querida amiga Maiara Batista)

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Atividade sobre a crônica "Vende frango-se", de Martha Medeiros


Vende frango-se


Alguém encontrou esta pérola escrita numa placa em frente a um mercadinho de um morro do Rio: "Vende frango-se". É poesia? Piada? Apenas mais um erro de português? É a vida e ela é inventiva. Eu, que estou sempre correndo atrás de algum assunto para comentar, pensei: isto dá samba, dá letra, dá crônica. Vende frango-se, compra casa-se, conserta sapato-se.
Prefiro isso aos "q tc cmg?" espalhados pelo mundo virtual, prefiro a ingenuidade de um comerciante se comunicando do jeito que sabe, é o "beija eu" dele, o "que vim aqui casa?" de tantos.
Vende carne-se, vende carro-se, vende geleia-se. Não incentivo a ignorância, apenas concedo um olhar mais adocicado ao que é estranho a tanta gente, o nosso idioma. Tão poucos estudam, tão poucos leem, queremos o quê? Ao menos trabalham, negociam, vendem frangos, ao menos alguns compram e comem e os dias seguem, não importa a localização do sujeito indeterminado. Vive-se.
Talvez eu tenha é ficado agradecida por este senhor ou senhora que anunciou-se de forma errônea, porém inocente, já que é do meu feitio também trocar algumas coisas de lugar, e nem por isso mereço chicotadas, ao contrário: o comerciante do morro me incentivou a me perdoar. Esquecer o nome de um conhecido, não reconhecer uma voz ao telefone, chamar Gustavos de Olavos, confundir os verbos e embaralhar-se toda para falar: sou a rainha das gafes, dos tropeços involuntários. Tento transformar em folclore, há que falta de educação não é. Conserta destrambelhada-se. Eu me ofereço pro serviço. Quem não? Sabemos todos como é constrangedor não acertar, mas lá do alto do seu boteco, ele nos absolve. Ele, o autor de um absurdo, mas um absurdo muito delicado.
Vende frango-se, e eu achar graça é uma coisa boa, sinal de que ainda não estamos tão secos, rudes e patrulheiros, ainda temos grandeza para promover o erro alheio a uma inesperada recriação a gramática, fica eleito o dono da placa o Guimarães Rosa do morro, vale o que está escrito, e do jeito que está escrito, uma vez que entender, todos entenderam. Fica aqui minha homenagem à imperfeição. 

(Martha Medeiros)

01) Justifique o título dado à crônica acima:

02) Em que a autora encontrou inspiração para escrever tal texto?

03) Copie um trecho da crônica em que a autora demonstra a sua opinião sobre a forma como a oração "Vende frango-se" foi escrita:

04) Quais são as justificativas utilizadas pela autora após dizer que noso idioma é "estranho a tanta gente"?

05) Qual seria a maneira correta de escrever a placa elaborada pelo comerciante?

06) Por que a autora diz "não importa a localização do sujeito indeterminado"?

07) O título da crônica apresenta sujeito indeterminado? Justifique sua resposta:

08) Qual o objetivo do questionamento destacado no terceiro parágrafo?

09) Qual o sentido da palavra "pérola", utilizada logo no começo do texto?

10) Justifique as aspas usadas no primeiro parágrafo da crônica:

11) Qual das três opções dadas pela autora, em forma de pergunta, logo no parágrafo inicial, você escolheria? Por quê?

12) Em "É a vida e ela é inventiva", há uma opinião ou um fato? Por quê? O que você pensa a respeito disso?

13) Que crítica a autora faz à forma de escrever de alguns? Você concorda com ela?

14) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

15) Transcreva da crônica marcas de oralidade:

16) Que favor quem escreveu a placa fez à autora? Explique bem:

17) Pesquise sobre o autor Guimarães Rosa e explique por que ele foi citado pela autora:

18) Por que a autora faz uma "homenagem à imperfeição"?

19) Segundo a autora, a placa cumpre uma das principais funções da Língua. Qual é ela? Justifique sua resposta, utilizando uma passagem do texto:

20) Que mensagem a crônica transmite? Comente:

(Atividade feita em parceria com a querida amiga Maiara Batista)

sábado, 2 de maio de 2020

Atividade sobre o texto "A fêmea do cupim", de Manuel Bandeira


A fêmea do cupim

Tenho um amigo, cujo filho pretendeu entrar para a diplomacia. Não que tivesse vocação para a carreira; a vocação dele era para o turismo, mas como para quem é pobre a maneira mais fácil de arranjar viagem é fazer-se diplomata, candidatou-se ao curso do Instituto Rio Branco. Foi reprovado em português no vestibular. Os leitores hão de imaginar que ele redigia mal, ou que havia na banca um funcionário do DASP que lhe tivesse perguntado, por exemplo, o presente do indicativo do verbo "precaver". Foi pior do que isto: um dos examinadores saiu-se com esta questão absolutamente inesperada para um candidato a diplomata: qual o nome da fêmea do cupim? O rapaz embatucou e o mais engraçado é que ignora até hoje, inquiriu todo o mundo, ninguém sabia. 
Eu também não sabia, mas tomei o negócio a peito. Saí indagando dos mais douto. O dicionarista Aurélio decerto saberia. Pois não sabia. O filólogo Nascentes levou a mal a minha  curiosidade e respondeu aborrecido que o nome da fêmea do cupim só podia interessar... ao cupim! Uma minha amiga professora, sabidíssima em femininos e plurais esquisitos, foi mais  severa e me perguntou se eu estava ficando gagá e dando para obsceno! 
Vi que tinha de me arranjar sozinho. Fui para casa, botei a livraria abaixo. Nada de fêmea do cupim. De repente me lembrei da enciclopédia Delta-Larousse, cujos quatro últimos volumes -- primorosos! -- acabo de receber. Corri ao índice geral. Ó beleza! Lá estava: "Cupins, pág. 6.436". Li muita coisa interessante sobre a fêmea do cupim. Assim, que ela apresenta a mais monstruosa hipertrofia abdominal que se possa imaginar: atinge o volume de uma salsicha e põe sem parar, noite e dia, um ovo por segundo, ou seja, cerca de trinta milhões por ano, cento e cinquenta no curso de sua  vida. E uma porção de minúcias. Mas sobre o nome da bicha, neca! 
Isto, pensei comigo, é problema que só poderá ser resolvido por algum decifrador de palavras cruzadas, gente que sabe que o ferrinho onde se reúnem as varetas do guarda-chuva se chama "noete", que o pato "grasna", e o tordo "trucila", a garça "gazeia", e outras coisas assim. Telefonei para minha amiga Jeni, cruzadista exímia. "Jeni, me salve! Como se chama a fêmea do cupim?" E ela, do outro lado do fio: "Arará".
Fui verificar nos dicionários. Dos que eu tenho em casa, só um trazia a preciosa informação: "Arará, s.m. (Bras.) Ave aquática do Rio Grande do  Sul; fêmea alada do cupim". 
Mestre Aurélio, a fêmea do cupim se chama "Arará", está no meu, no teu, no nosso dicionário -- o Pequeno Dicionário brasileiro da Língua Portuguesa.

(Manuel Bandeira)

01) Justifique o título da crônica acima:

02) Qual o foco narrativo do texto? Comprove com palavras ou passagens do mesmo:

03) O texto critica uma determinada maneira de estudar a Língua Portuguesa. Qual? Comente:

04) Copie do texto uma passagem carregada de humor:

05) O autor fala da conjugação de um verbo no presente do indicativo. Que verbo é esse e como ele se conjuga nesse tempo?

06) Para caracterizar esse modo de estudar a língua, o autor apresenta algumas palavras cujo conhecimento, embora muitas vezes exigido em situações de avaliação, em nada melhora nosso poder de comunicação. Quais são essas palavras? O que têm em comum esses exemplos dados? 

07) "O repertório de uma pessoa pode revelar o grau de leitura e cultura". Você concorda com essa afirmação? Por quê? 

08) Você acha que o repertório muito culto facilita ou dificulta a transmissão da mensagem? Por quê?

09) Para você, como deve ser o ensino da nossa língua: deve-se dar ênfase ao ensino da gramática e da linguagem culta, deve-se trabalhar apenas com a linguagem coloquial, ou deve-se buscar um meio termo entre essas duas posições? Justifique sua resposta:

10) Transcreva da crônica um trecho que contenha ironia, explicando-a: 

11) Localize no texto uma antítese, justificando sua resposta:

12) Justifique todas as aspas utilizadas no texto:

13) Que mensagem o texto transmite?

14) Você sabia como se chamava a fêmea do cupim? Em que isso mudou a sua vida? A que conclusão se pode chegar diante disso? 

15) Invente uma pequena história em que a personagem utilize palavras pouco conhecidas, de modo que delas resultem dificuldades de comunicação, mal entendidos, situações cômicas. Se for preciso, pesquise as palavras no dicionário! Capriche! 

terça-feira, 7 de abril de 2020

Atividade sobre o texto "Os Patológicos", de Millôr Fernandes


Os Patológicos

A estupidez parece se desenvolver tão bem quanto a lucidez

Uma bela pata, das antigas, que acreditava na prole e na responsabilidade familiar, acabando de dar à luz uma maravilhosa ninhada de quatro patinhos, e preocupadíssima com sua educação rápida -- e eclética -- num mundo em que a competição é verdadeiramente patológica, levou os filhinhos, certa manhã, à beira dum lago, para que iniciassem suas aulas de natação, prática fundamental ao orgulho da espécie. 
-- Vejam só, amados filhinhos! -- disse ela, depois de verificar com uma das patas se a temperatura da água era adequada. -- Reparem bem a maneira correta e elegante de entrar na água.
Dizendo isso, atirou-se na correnteza, espadanando água pra todos os lados e começando a nadar, no que supunha ser o supremo da elegância. E ficou boiando, esperando, bobamente feliz, que os filhos a acompanhassem. 
Mas os patinhos, em vez de acompanharem a mãe, numa natural compulsão bioecológica, permaneceram na margem onde estavam, dando risadinhas e tapando a boca, virando a cara para rir mais, numa atitude estranha e flagrantemente desrespeitosa. A mãe, severa, apelou para o máximo de sua autoridade moral, berrando para que todos a acompanhassem. Ao que o mais atrevido dos patinhos, feito porta-voz dos outros, dirigiu-se a ela da seguinte maneira (ora, vejam só!):
-- Mãe, você deve mesmo ser uma velha supremamente idiota supondo que vamos arriscar nossas vidas tão tenras dessa maneira primária e amadorística, mergulhando em apneia quando já existem aparelhagens maravilhosas, de proteção total. Que você não tenha aprendido nada através da existência, não entenda bulhufas de pressão e descompressão, e não saiba o risco que corre atirando in natura num elemento estranho e imprevisível, ou está se arriscando porque sabe que lhe resta muito pouco tempo de vida, é problema seu. Mas nós, os jovens de hoje, não nos atemos nem à filosofia do absolutismo biossocial, nem às besteiras de condicionamento genético. Nos recusamos ao texto sem salvaguarda adequada. Isso que você demonstra pode ser coisa absolutamente individual. Flutua confortavelmente é verdade (apesar do seu peso, gorda como está, mais para pâte de foie gras do que pra Silvia Pfeiffer), mas isso pode não acontecer conosco. Nos atirarmos à água pode ser fatal. Portanto, madame, esteja certa de que só aceitaremos essas experiências aquáticas a partir de conhecimento mais profundo (o duplo sentido é involuntário), do líquido elemento. No momento, porém, dispensamos sua orientação e permanecemos seguros, aqui em terra. Tchau, bela! 
Terminando, o patinho líder, seguido dos irmãos, saiu correndo, veloz e alegremente, em direção à granja. Mas, quando iam atravessando a estrada, foram todos esmagados por um caminhão. 

MORAL: Quase sempre a gente evita o perigo errado.
(Millôr Fernandes)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Qual a característica da mãe que a fez querer logo levar os patinhos para suas aulas de natação? 

03) Transcreva do texto o trecho que mostra que a mãe estava temerosa com o bom desempenho dos filhos em uma sociedade como a dos dias atuais: 

04) Circule no texto todos os vocativos: 

05) Por que o narrador pede desculpas? Explique sua resposta:

06) O que significa dizer que a "competição é verdadeiramente patológica"? 

07) Podemos afirmar que o texto é uma fábula? Por quê? 

08) Explique o subtítulo utilizado no texto, opinando sobre ele:

09) Com suas palavras, explique a moral do texto, posicionando-se sobre ela: 

10) Localize no texto uma passagem carregada de humor, explicando sua escolha: 

11) Por que existem expressões no texto em itálico? 

12) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

13) O desfecho foi surpreendente ou imprevisível? Explique: 

sexta-feira, 20 de março de 2020

Atividade sobre a crônica "A idade da pedra", de Carlos Eduardo Novaes

A idade da pedra

A juventude parece ter descoberto algo de que sempre desconfiei: a vida é um recreio. Como disse uma gatinha de 17 anos entrevistada por um semanário: "só há duas coisas na vida: som e patins". Sendo assim, a juventude Zona sul vai em frente exibindo o seu invejável realce existencial. "O mundo seria muito mais saudável", afirma outra gatinha, "se os nossos governantes andassem de tênis e camiseta". Infelizmente, porém, a terra dos adultos continua sendo aquela coisa árida, sinistra e plúmbea. E é nesta praia que a garotada vai acabar desembarcando quando terminar a pilha da juventude. Tenho certeza de que esse é o momento mais difícil na vida de um jovem de hoje: atravessar a fronteira da juventude para a idade adulta, duas terras que nunca estiveram tão distantes. Sei que a experiência é traumatizante porque tenho um amigo que a viveu com seu filho de 20 anos. O garotão, Otávio, tinha trancado matrícula na faculdade havia dois anos e não queria nem saber: vivia na  dele, curtindo adoidado um rock, praia, windsurf, patinação, gatinha, invariavelmente metido dentro do uniforme oficial dos gatões, jeans, camisetas e tênis. O mundo para ele era do tamanho de uma lantejoula. No dia em que fez 21 anos, o pai o chamou para uma conversa.
-- Escuta, filho, nós precisamos conversar. 
O garotão deslizava na sala de um lado para o outro experimentando seus novos patins. Nem era com ele. 
-- Escuta, filho -- repetia o pai, falando como se assistisse a um jogo de tênis: cabeça pra lá, cabeça pra cá --, nós precisamos ter uma conversinha. Você afinal está fazendo 21 anos e....
Otávio continuava patinando como se estivesse sozinho na sala. 
-- Filho, eu já estou ficando tonto. Quer fazer o favor de...
O garotão parou a um canto, fechou os olhos e começou a se contorcer, como se acompanhasse alguma música. O pai olhou à volta, apurou o ouvido e não escutou nada. A mulher entrou na sala. 
-- Cristina, ou o teu filho tá maluco ou eu tô ficando surdo. Olha só o jeitão dele...
A mãe foi ao filho, determinada, e tirou-lhe o headphone dos ouvidos. 
-- Tatá. escuta o  seu pai que ele tem uma coisa muito importante para lhe dizer.
O garotão deu um muxoxo e fez uma expressão de "que saco!"
-- Escuta, filho, eu não sei como lhe dizer... você está fazendo 21 anos... sei que é duro, mas... mas a vida é assim mesmo e...
-- Desembucha logo, coroa. Qual é? Hiiiiii...
-- O que quero lhe dizer, meu filho, é que agora... agora você já é um... como direi?... um adulto! 
A face de Otávio se contraiu como se tivesse recebido a pior notícia do mundo. Seus lábios ficaram brancos, os olhos arregalaram. Botou as mãos na cabeça e caiu num pranto convulso.
-- Não! Não! -- berrava. -- Um adulto, não! Eu não quero ser adulto. Eu não quero! Mamãe, eu não quero.
Correu para os braços da mãe e começou a chorar em seu ombro.
-- Eu lhe disse, Alfredo -- resmungou a mãe acariciando o filho soluçante. -- Você tinha que dar a notícia com cuidado... você traumatizou o garoto. 
-- Algum dia ele teria que saber, Cristina. 
-- Mas não é assim. Você tinha que ir preparando o garoto aos poucos. Você pensa que é fácil para um jovem que vê o mundo de um ringue de patinação, de cima de uma prancha de windsurf, de repente ouvir que já é um adulto? Saber que vai ter de votar? Preencher declaração de Imposto de Renda? Trabalhar? É duro, Alfredo, é duro... 
-- Mãe, eu não quero -- disse Otávio enxugando as lágrimas --, eu ainda não tô preparado para ser um adulto... deixa eu ficar mais uns cinco anos com a minha juventude... aos 26 eu prometo que serei um adulto... juro que serei um adulto... e dos bons. 
O pai foi inflexível.
-- Não, filho. Você tem que conhecer o outro lado da vida... A vida não é só som e patins. Eu arranjei um emprego. 
-- Um emprego? Mas pra quê, pai? Você ainda está trabalhando... Você ainda goza de boa saúde. Nós temos sido tão felizes assim: você e mamãe trabalhando e eu me divertindo. Alguém precisa se divertir nessa casa. 
-- Sinto muito, filho, mas não vou ficar sustentando um marmanjo de 21 anos. 
-- Por que não? -- esbravejou o garotão. -- Você me botou no mundo. Eu não tive escolha. Agora aguenta. Além do mais, você devia se sentir orgulhoso de financiar a minha vida: sou o melhor patinador que tem no Roller. 
O pai, um economista influente, disse que ele iria trabalhar no gabinete da presidência da Petrobrás. Acrescentou que começaria hoje no trabalho, portanto deveria tirar o calção e vestir uma roupa para se apresentar ao chefe do gabinete. Otávio, sem conseguir esconder o pânico por ter virado adulto, foi ao quarto e voltou de jeans, camiseta e um tênis todo sujo. 
-- É assim que você tá pensando em se apresentar na Petrobrás?
-- Por que não? Vou assim a todos os lugares. Nunca usei outra roupa.
-- Escuta, filho -- disse o pai tentando manter a calma --, você ia assim a todos os lugares quando era jovem. Agora você é um adulto...
-- Não precisa me lembrar isso toda hora, pai -- respondeu Otávio ameaçando chorar novamente. 
-- O mundo dos adultos é diferente -- prosseguiu o pai explicativo. -- Para você poder entrar, ele exige traje passeio completo. Vai lá dentro e bota o terno que sua mãe comprou. 
Mas eu nunca botei um terno... Por quê? Por que tem que ser de terno? Eu não entendo... por quê? 
-- Porque é assim que os adultos andam, filho. Os adultos são pessoas sérias, honestas, incorruptíveis, democráticas, pacifistas... devem usar roupas adequadas...
-- Ou será que os adultos usam essas roupas exatamente para dar a impressão de que eles são tudo aquilo que não são?
-- Vai, vai, filho. Depois nós conversamos sobre isso. Vamos ter muito que conversar. Você é um recém-chegado no mundo dos adultos. Está confuso, ainda tem muito que aprender. Vá botar o terno.
Novamente o filho foi e voltou. Finalmente estava tudo no seu lugar, apesar de o garotão andar todo torto. 
-- Excelente, filho. Agora estou orgulhoso de você, você tá com cara de adulto. Pode ir para o seu trabalho... e boa sorte. 
O garotão saiu caminhando todo duro. O pai foi ao seu quarto, colocou um tênis, uma camiseta, um jeans, pegou os patins de Otávio e foi saindo de mansinho. A mulher flagrou-o da porta da cozinha. 
-- Que é isso, Alfredo? Aonde é que você vai assim? 
-- Cristina, alguém precisa se divertir nessa casa. 
(Carlos Eduardo Novaes)

01) Justifique o título dado à crônica acima:

02) É possível perceber qual a opinião do narrador a respeito do relacionamento de pais com seus filhos adolescentes? Justifique sua resposta: 

03) Segundo a afirmação do narrador, por que a vida para os jovens é "um recreio"?

04) Em sua opinião, por que, no mundo adulto, os valores são tão diferentes daqueles cultivados pelos jovens? 

05) Como se explica a reação de Otávio ao ser notificado pelo pai de que já era um adulto?

06) Quanto à mãe de Otávio, qual é a sua posição na narrativa?

07) Compare o estilo de vestir de Otávio ao de seu pai:

08) Você concorda com Otávio quando diz que os adultos usam roupas sérias para provar que têm todas aquelas qualidades, quando não as têm? Explique bem:

09) Explique a atitude do pai, no final do texto, ao assumir o lugar do filho: 

10) Copie do texto marcas de oralidade: 

11) Circule no texto todos os vocativos:

12) Que mensagem o texto transmite?

quarta-feira, 18 de março de 2020

Atividade sobre o texto "Hastile com hastile se brala"

Hastile com hastile se brala

Numa floresta, havia um diolito de águas jampreas e borbulhantes e, sob um guanimbo de capim, estava parada uma antiretóide. Ela tinha muita castilha e inclinou-se para grimbeler água, mas rotuberou e caiu no diolito. 
Everretida pela correnteza, a antiretóide foi arrastada e, por mais que escolhinhasse, não conseguia colevitar para a margem.
Nesse momento, uma estrelacutita passou voando e, doilando o terrível gonjo da antiretóide, escolhinhou ajudá-la. A estrelocutita partiu um toquetinho de árvore e estravelou-o na água. A antiretóide, asculhivamente, subiu no toquetinho e conseguiu revolucar à margem. 
Não muito depois disso, a antiteróide saiu para vorvejar e encontrou nebelamente com a estrelacutita. Um caçador estava escolhinhando rubolir a estrelocutita com uma fular rede. Vendo o que ia convebelar, a antiretóide dentarou o calcanhar do munulo, que uivolou espantado. 
A estrelacutita parelocou, rebelivou e voou. 

Mitívilo da história: Hastile com hastile se brala. 
(Autor Desconhecido)

01) Circule no texto acima todas as palavras desconhecidas:

02) Substitua cada uma delas por palavras existentes em nossa Língua e que façam o texto ter total sentido: 

03) As palavras desconhecidas deixaram você incomodado(a)? Ou se sentiu desafiado(a) diante delas? Comente: 

04) Explique o título da história e sua moral: 

terça-feira, 17 de março de 2020

Atividade sobre a crônica "A carreira do momento", de Carlos Eduardo Novaes

A carreira do momento

Como diz a nostálgica tira da Bardahl, chutando uma latinha da Esso: "Os tempos estão mudados". No passado, um garotão de quinze, dezesseis, dezessete anos da classe média carioca que pretendesse abandonar os estudos para se dedicar à música era logo encaminhado a um psiquiatra ou ameaçado de colégio interno. Hoje, não há família na zona sul do Rio de Janeiro que não tenha um representante tocando num dos milhares de conjuntos de rock que se debatem para chegar às paradas de sucesso. Atualmente no Rio forma-se um conjunto de rock a cada meia hora.
Lembro-me na adolescência do meu amigo Bebeto que sob a influência dos bill halleys da vida decidiu parar os estudos para se entregar de corpo e alma ao ofício de tocar bateria. 
Quando anunciou a novidade em casa, a mãe pediu os sais, a avó verificou se ele estava com febre e o pai cortou-lhe a mesada. 
-- Ficou maluco, menino? Você vai tratar é de estudar -- disse o pai de dedo em riste. -- Estou pagando seu colégio para você ter uma profissão decente: médico, engenheiro, advogado... Baterista! Onde já se viu?
-- Por que não, pai?
-- Porque isso é coisa de juventude transviada! 
O velho só faltava babar de ódio. Todos os filhos de seus amigos e parentes estudavam direitinho para chegar à universidade e serem alguma coisa na vida. Não sabia de nenhum que quisesse ser -- ora vejam -- baterista. Para ele baterista era coisa de suburbano pobre. No seu modo de ver as coisas, um baterista não diferia muito de um camelô ou um punguista. 
-- Qual é o futuro de um tocador de bateria?
-- Bem, nós vamos fundar um conjunto de rock'n roll e sair por aí.
-- Onde vocês estão pensando ensaiar?
-- Aqui em casa.
O velho deu um pulo de dois metros.
-- O queeeê? Ter que aturar essa barulheira o dia todo? -- berrou a mãe. -- Negativo. Enquanto você morar aqui vai tratar de estudar para tirar um diploma. Depois, se quiser estudar bateria, o problema é seu... Aluga um quarto no Catete e vai...
Atualmente tudo mudou. Os tocadores de bateria, guitarra, teclados se alastram pela cidade como uma praga. Três garotos se conhecem numa esquina e vão logo tratando de formar um conjunto de rock. A posição da família também mudo. Agora dá status ter um filho roqueiro. Antes, a ambição era ver o filho doutor. Hoje, é vê-lo tocando no Rock in Rio.
Conheço um casal que anda preocupado com o menino de dezesseis anos que só pensa em estudar. Outro dia, os pais tiveram uma conversinha com ele:
-- Escuta, filho, seu aniversário está chegando e nós gostaríamos de saber o que você quer de presente. 
-- Uma enciclopédia médica! 
Os pais se entreolharam apreensivos:
-- Você não preferia uma guitarra ou uma bateria?
-- Não curto muito música, pai. Quero ser médico! 
O pai olhou para a mãe como se dissesse: "assim vai mal".
-- Tem certeza, filho? É uma profissão tão ingrata. Veja o que aconteceu com o Pinotti! Experimente pegar uma guitarra... você vai gostar, filho! 
A mãe tratou de dar força à sugestão do pai:
-- Olha seu vizinho do 401! Não tem nem quinze dias que começou a tocar guitarra e já vai se apresentar no Disco Voador! 
-- Medicina não dá dinheiro, filho. -- disse o pai. -- Volta e meia os médicos estão fazendo greve. Você já ouviu falar em greve de bateristas ou guitarristas?
O garoto balançou sob o fogo cruzado:
-- Não tenho a menor inclinação para a música. 
-- E daí, filho? A maioria dessa garotada que está tocando por aí também não tem! 
A mãe ilustrou a tese do pai:
-- Veja o filho da minha amiga Dora. Depois do desastre de moto ficou sem movimento em três dedos da mão direta. No entanto é tido como um dos melhores bateristas da cidade. Já gravou até um compacto! 
O filho resistia:
-- Não! Eu quero é estudar!
-- Estudar pra quê, Paulinho?
-- Bem, acho importante ter um diploma! 
-- Esquece isso, filho. O que é um diploma? Um pedaço de papel que não vale nada. O futuro está nos conjuntos de rock! 
-- Um futuro que pode chegar numa semana -- concluiu a mãe. 
Os pais decidiram o seguinte: comprar uma guitarra e uma bateria para o filho. Ele experimentaria as duas e ficaria com o instrumento que se sentisse melhor. 
Paulinho ainda tentou argumentar dizendo que iria fazer uma barulheira infernal.
-- Ora, filho, qual é o problema? Essa casa anda tão silenciosa...
Paulinho aniversariou e ganhou uma guitarra de presente. Quando vibrou a primeira corda do instrumento, apareceram vários garotos na porta da sua casa convidando-o para formar um conjunto.
Para a alegria dos pais, Paulinho resolveu abandonar os estudos e virar guitarrista. Seus pais já não se sentiam deslocados diante dos outros pais.
Quando deram uma festa na sua cobertura na Vieira Souto e os outros pais começaram a contar histórias dos conjuntos de rock de seus filhos,  eles bateram no peito orgulhosos e falaram de Paulinho:
-- O nosso é guitarrista do conjunto "Marimbondos de Fogo". Agora mesmo está tocando num baile em Rocha Miranda. 
Um casal perguntou como eles tinham conseguido convencer o filho a se dedicar ao rock. Os pais de Paulinho se entreolharam como se dissessem: "Só Deus sabe o que passamos". O casal então fez um apelo. 
-- Será que vocês não poderiam ter uma conversa com o nosso filho? Ele insiste em querer ser advogado. 
(Carlos Eduardo Novaes)

01) Justifique o título dado à crônica acima:

02) Qual é o assunto do texto? Justifique sua resposta:

03) Como pensavam os pais de outrora em relação ao futuro dos filhos?

04) E hoje em dia, segundo o autor, qual é a preocupação dos pais?

05) Quais as profissões que os pais antigamente sonhavam para os filhos?

06) Que profissão antes era desvalorizada e hoje tem um certo prestígio e status? O que você pensa com relação a isso? 

07) A quem antes eram comparados os que seguiam essa carreira, de acordo com o texto?

08) Outras profissões também têm se tornado o "sonho dourado" de muitos jovens, que se baseiam no grande sucesso financeiro de alguns profissionais. Quais delas também poderiam ser objeto da crítica do texto?

09) Circule na crônica os vocativos: 

10) Posicione-se sobre a passagem destacada no texto, argumentando da melhor forma possível:

11) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

12) Os pais conseguiram mudar a opinião de Paulinho? Comente:

13) Determine, de acordo com o texto:

a) O que é ser baterista, segundo o pai de Bebeto?

b) O que é ser médico, segundo o pai de Paulinho?

c) A opinião do narrador sobre ter um filho roqueiro nos dias de hoje:

14) Que mensagem o texto transmite?

15) Dê a causa de cada um dos fatos mencionados abaixo, de acordo com o texto:

a) Os pais de Paulinho se entreolharam apreensivos.

b) A avó de Bebeto verificou se ele estava com febre.

c) O pai de Bebeto só faltava babar de ódio:

d) O velho deu um pulo de dois metros:

16) Qual você acha que é a carreira do momento? Por quê?

domingo, 15 de março de 2020

Atividade sobre a crônica "O sonho do feijão", de Carlos Eduardo Novaes

O sonho do feijão

Dona Abgail sentou-se na cama, sobressaltada, acordou o marido e lhe disse que havia sonhado que iria falta feijão. Não era  a primeira vez que esta cena ocorria. 
Dona Abgail, consciente de seus afazeres de dona de casa, vivia constantemente atormentada por pesadelos desse gênero. E de outros gêneros, quase todos alimentícios. Ainda bêbado de sono, o marido esticou o braço e apanhou a carteira sobre a mesinha de cabeceira: "Quanto é que você quer?" A mulher pensou um pouco e pediu o suficiente para comprar 15 quilos, "depois se a situação se agravar você me dá para comprar mais 15". Levantou-se rápida, mudou de roupa e ligou para sua amiga, dona Etelvina, que era uma espécie de líder das donas de casa de Irajá.
-- Alô, Etelvina? Eu estou com o pressentimento de que vai faltar feijão.
-- Feijão também? Então deixa eu avisar rápido às outras.
Em menos de cinco minutos a notícia se espalhou por toda a cidade. As donas de casa possuem uma misteriosa rede de comunicação por onde os boatos se propagam com a rapidez de um Boeing-747. É só alguém dizer que vai faltar, por exemplo, azeite, no Leblon, que em três minutos já se forma uma fila no Méier.
Ao sair para comprar o feijão, dona Abgail atrasou-se um pouco para deixar seus quatro filhos na escola. Quando parou na porta do supermercado, viu uma fila enorme que se estendia por mais de 80 metros. Perguntou a uma das enfileiradas.
-- Que fila é essa?
-- É a do feijão.
Perfilou-se arrependida por ter revelado o seu sonho. Se não tivesse espalhado a notícia poderia fazer sua compra tranquilamente, pois ninguém saberia que o feijão ia faltar. Depois, dona Abgail começou a encontrar outras amigas, estabeleceu-se um animado bate-papo e acabou achando que aquela fila estava ótima. Era uma das melhores que já frequentara.
Existem algumas donas de casa que têm uma atração toda especial por fila. Para muitas há qualquer coisa de heroico numa fila: a espera, a paciência e o que é mais importante, a entrada triunfal em casa sobraçando o tão disputado produto. Esta é a realização suprema da dona de casa, daí elas não permitirem que suas empregadas as substituam nas filas.
Quando chegou a sua hora de comprar, dona Abgail percebeu que as prateleiras já estavam vazias. Voltou-se para dona Etelvina ao seu lado e comentou: "Eu não disse que iria faltar feijão?"
Ao sair notaram que já havia mais três filas formadas:
-- Essa fila é de quê?
-- De pasta de dentes.
-- E essa?
-- Essa é de papel higiênico.
-- E essa? É pra quê?
-- Pra nada. É pra quem não tem o que fazer.
Dona Abgail, que já não arranjara o feijão, pensou que deveria levar alguma outra coisa. Entrou na fila do papel higiênico e convidou dona Etelvina para acompanhá-la, "assim a gente aproveita e conversa um pouco". Dona Abgail comprou 30 rolos de papel higiênico e voltou para casa. Deu de cara com o marido que assustou-se ao vê-la chegar assim carregada e não resistiu em perguntar:
-- Tem alguém desarranjado aqui em casa?
Com um apartamento pequeno, dona Abgail ficou sem saber onde colocar aqueles 30 rolos. Resolveu recorrer à sua vizinha dona Olga, companheira de mais de 10 anos de fila:
-- Olga, será que eu posso deixar uns 10 rolinhos de papel higiênico em sua casa?
-- Pode. Mas por quê?
-- Porque como vai faltar eu resolvi estocá-lo.
-- Vai faltar? Não me diga. E você não me avisou nada?
Dona Olga se arrumou rapidamente e correu ao supermercado. Já tinha oito filas, sendo que três ela só de papel higiênico. Para provar sua organização, as donas de casa fizeram uma fila para papel branco. Outra para papel rosa e outra para o azul. Dona Olga entrou na fila do azul que combinava com os azulejos de s eu banheiro. Comprou 20 rolos (dona Olga era viúva e não tinha as mesmas condições econômicas de dona Abgail, que podia comprar 30 rolos), cumprimentou algumas conhecidas de fila e perguntou:
-- Alguém aí sabe o que vai faltar amanhã?
-- Não sei -- disse uma senhora que parecia ser a coordenadora da fila -- mas parece que vai faltar azeitona.
-- Verde ou preta?
-- Ainda não decidimos.
-- Se for verde você me telefona que eu venho.
A coordenadora informou também a dona Olga que provavelmente faltaria arroz. Dona Olga retornou à sua casa e tratou de avisar a dona Abgail que faltaria arroz.
-- Oba -- gritou dona Abgail -- essa fila é das boas. E correu ao quarto para botar o despertador para as cinco horas.
Dia seguinte levantou-se, fez o café do marido e saiu. A fila ainda estava pequena. Entrou e, caminhando lentamente, foi esbarrar no balcão de enlatados: "Ué, mas eu vim para a fila do arroz".
-- Mas o arroz não vai faltar -- disse-lhe um empregado -- não aqui. Parece que está faltando em Bangu.
-- E o senhor sabe se tem fila por lá?
-- Olha, até as seis horas a fila dava a volta no quarteirão.
Dona Abgail não pensou duas vezes. Pegou um táxi e foi para Bangu. Realmente a fila estava gigantesca. Saltou e indagou: "Essa é a fila do arroz?"
-- Não, é do óleo de soja.
-- Mas como do óleo de soja? Não tem óleo de soja.
-- Eu sei -- respondeu uma enfileirada -- mas quando chegar nós já estamos na fila.
A fila foi andando, andando, e quando dona Abgail encostou no balcão o óleo de soja ainda não havia chegado. Aí dona Abgail não teve outra alternativa, pensou um pouco e comprou mais 30 rolos de papel higiênico. 
(Carlos Eduardo Novaes)

01) Justifique o título empregado na crônica acima:

02)  Por que a fila imensa do feijão estava enorme? O que isso significa?

03) Copie do texto uma passagem em que uma das personagens se arrependeu, dizendo de quê: 

04) Por que depois dona Abgail acabou gostando da fila enorme? O que você pensa sobre isso? 

05) Por que as patroas não permitem que as empregadas as substituam  nas filas de mercado?

06) Justifique as aspas utilizadas no texto:

07) Circule no texto todos os vocativos:

08) Copie do texto uma passagem carregada de humor, explicando sua escolha: 

09) Por que, de fato, o feijão começou a faltar? O que você pensa sobre isso? 

10) Explique os dois porquês destacados no texto, respectivamente:

11) Transcreva da crônica uma passagem que contenha exagero, explicando sua escolha:

12) Justifique o uso dos parênteses usados no texto:

13) Explique a passagem que se encontrar em negrito na crônica: 

14) Copie do texto uma interjeição, dizendo o que ela expressa:

15) Localize na crônica:

a) dois numerais:
b) pronome demonstrativo:
c) quatro substantivos próprios:
d) um advérbio de modo:
e) dois adjetivos: 
f) um substantivo composto: 
g) um advérbio de tempo: 
h) um advérbio de intensidade: 
i) um advérbio de lugar:
j) um advérbio de negação: 


16) Um dia você estava numa fila e ouviu uma conversa entre duas donas de casa. Reproduza esse diálogo, sendo bem criativo e coerente: 

17) O que tem faltado atualmente nos mercados por conta da pandemia causada pelo Coronavírus? O que você pensa sobre isso? Pode ter alguma relação com o assunto contido na crônica lida? Comente: 

18) Podemos afirmar que as donas de casa faziam uso, ainda que inconscientemente, das chamadas "fake news"? Justifique sua resposta: 

19) Que produto tem sido tão procurado em época de Coronavírus? A que ele é comparado na charge abaixo? Explique: 

20) Que "atualização" aparece na imagem abaixo? Que crítica encontra-se embutida nela? Explique: 


(Crônica sugerida pelas queridas amigas Else Portilho e Zizi Cassemiro!)

segunda-feira, 9 de março de 2020

Atividade sobre o texto "Nunca beba antes de um discurso", de Jô Soares


Nunca beba antes de um discurso 

Minhas senhoras e meus senhores. Endes de nais mada, puando fui convidado para homejanear som um dissurco neste mui nigdíssimo canbete o meu zeprado aguimo cujo mone me lhafa a moméria, achei idiematamente, pedois de pensar tasbante, que eu era dem súvida a sepoa incadida, a não ser naturalmado que o homenagemente escolhoutro esse odaror. Desde ciancra, foi ele um mos dais goricatezados emelentos, tendo muito mais latento e integilência do que meram enos todados do que ele. Nevo de seus atós, o mogenameado é também pilho dos seus fais, sertempendo cesde dedo a fua samília. Veio ao mundo na sua nidade tanal, exatamente no dia do seu assinervário. Em nemino, era tivo amembro da insânfia, tendo sapado para a aloscedência na bepuedade. Depois, ficou atuldo e, num gasro nocrolígico, agintiu a daiomirade aos dezoito anos. 
Homem de várias habilidades, é perito nalico que de felhor maz. Mua memória é tão tancástifa que ele se melbra perteifamente de tudo que não oldivou. É uma pessoa de penteramento sódil e vuasse, a não ser quando se etalsa, e só se sanca em memontos de exaustão. Domina com serfeipão lodas as tínguas que lafa sem ficuldidade e, quando conversa, usa prense a laprava, deixando anepas para redigir tudo o que esfreque. Já foi ao mim do fundo. Conhece topas as dartes do napleta, a não ser os gulares onde neve estunca. Além disso, lando labata, trabulha. 
Finalmente, revo delevar que no pano assado, neste mesmo dia, este cau meríssimo amigo era dois manos ais jovem do que será pro nóximo. Não quero ser profefa mas bardem bem as pinhas malavras: de hoje a uma cédaca ele verá que dez anos sete-ão sapado. 
Tenho dito. 
(Jô Soares)

01) Justifique o título dado ao texto, dizendo se ele foi ou não importante para entender o contexto:

02) Reescreva todo o texto, se isso for, claro, possível: 

03) O que gera o efeito de humor no texto? Explique: 

04) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

terça-feira, 3 de março de 2020

Atividade sobre a texto "Conto de fadas para mulheres modernas", de Luís Fernando Veríssimo

Conto de fadas para mulheres modernas

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então a rã pulou para o seu colo e disse:
-- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu me transformei nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: 
-- Eu, hein? ... nem morta! 

(Luís Fernando Veríssimo)

01) Justifique o título dado à crônica acima, utilizando passagens do texto:

02) O que a princesa dessa história tem de diferente das dos antigos contos de fada? O que você pensa com relação a isso?

03) Que parte da fala da rã provavelmente deve ter espantado a princesa? Por quê?

04) Se a princesa não fosse moderna, ela gostaria da proposta da rã? Justifique sua resposta:

05) Transcreva do texto um vocativo, explicando seu raciocínio:

06) Que parte do texto você achou mais engraçada? Justifique sua escolha:

07) Que mensagem o texto transmite?

08) O final do texto foi inesperado? Que implícitos encontramos nele? Justifique sua resposta:

09) Copie do texto exemplos de discurso direto, explicando:

10) Por que há, no texto, uma expressão em itálico?

11) Circule no texto todos os adjetivos que você encontrar:

11) Copie do texto marcas de oralidade:

12) Justifique o uso das reticências no texto:


13) Podemos afirmar que a charge acima dialoga, de certa forma, com o conto de Veríssimo? Justifique sua resposta:

14) Copie da charge uma forte marca de oralidade:

15) Posicione-se sobre a afirmação do homem da charge:

16) Você acha importante haver comemoração no "dia da mulher"? Por quê?



17) Como você explicaria para o menino o que é machismo?

18) Podemos afirmar que o pai foi machista? Por quê?

19) Qual o objetivo da charge? Que crítica social ela faz?

20) Na charge está presente a linguagem verbal e/ou não verbal? Justifique sua resposta:

21) O que a fisionomia da mãe revela?

22) Copie da charge um vocativo:

23) Elabore uma possível fala para a mãe:

24) Transcreva da charge uma forte marca de oralidade:

25) Como solucionar esse problema do machismo em nossa sociedade? 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Atividade sobre a crônica "Empatia", da Martha Medeiros


Empatia

As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas poucos se esforçam para serem empáticas, e algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não nos identificar com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer e os direitos que ele tem. 
Nada impede?
Desculpe, foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão auto-focada que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um segundo olhar. "Narciso acha feio o que não é espelho". Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima. Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.
Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não circulam, não têm amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que tenha hábitos diferentes dos seus será criticado em vez de aceito e considerado. Os ignorantes têm medo do desconhecido, e o evitam. 
E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima de todos e trabalham só para si mesmos, e aí os exemplos se empilham: políticos corruptos, empresários que só visam ao lucro em respeitar a legislação, pessoas que usam sua posição social para conseguir benefícios que deveriam ser conquistados pelos trâmites usuais, sem falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo Facebook, faltar a compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas "coisinhas" que são feitas no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado. 
É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc e tal. Só que, para muitos, ser gentil é puxar uma cadeira para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair. Sim, todos gentis, mas colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia. Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de acertos e de responsabilidade. Colocar-se no lugar do outro não é uma gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato. 

(Martha Medeiros)

01) Justifique o título da crônica acima, aproveitando para sugerir um outro:

02) Segundo a crônica, que características de personalidade impedem que alguém desenvolva a empatia? 

03) Que efeito de sentido tem a interrogação presente no segundo parágrafo? 

04) No terceiro parágrafo, o que foi "força de expressão"? A que a autora está se referindo e que sentido ele tem? 

05) De acordo com o quarto parágrafo, quais as consequências da ignorância para as pessoas? 

06) Cite alguns exemplos de mau-caratismo segundo a cronista, dizendo se você concorda ou não com ela: 

07) Justifique o uso das aspas na palavra "coisinhas" e também o emprego do diminutivo:

08) Podemos afirmar que, no último parágrafo, a autora faz uma crítica às pessoas gentis e que agem com polidez? Justifique sua resposta:

09) Explique a passagem "É que Narciso acha feio o que não é espelho", presente no terceiro parágrafo do texto e também na música "Sampa", de Caetano Veloso:

10) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

11) Transcreva do final da crônica uma passagem em que a autora valoriza a empatia como uma atitude socialmente mais necessária ainda do que a simpatia, posicionando-se sobre isso: 

12) Você se considera uma pessoa empática? Justifique sua resposta:

13) A quem corresponderiam os pronomes destacados no texto?

14) Faça uma ilustração que, para você, represente bem a palavra EMPATIA:

15) Sobre a tirinha abaixo, responda:


a) Justifique as aspas utilizadas acima:
b) Circule na tirinha um vocativo:
c) Explique o emprego das reticências em cada quadrinho:
d) Qual é a classe gramatical da palavra EMPATIA? Por quê?

16) Responda ao que se pede sobre a próxima tirinha:


a) Qual conceito de empatia visto na tirinha anterior que melhor se enquadra no exemplo acima? Por quê?
b) Copie da tirinha um vocativo:
c) Por que o Armandinho disse que "vê as coisas de outra forma!"? Isso é bom ou ruim, afinal?
d) Por que você acha que o Pudim não aceitou o convite do amigo?
e) Transcreva da tirinha dois advérbios, classificando-os:
f) Copie da tirinha um pronome possessivo:

17) Sobre a tirinha a seguir responda ao que se pede:


a) Por que a menina diz que "empatia não é pra qualquer um!"?
b) Você concorda com ela? Justifique sua resposta:
c) Elabore uma fala para o Armandinho, no último quadrinho:
d) Das exigências citadas, qual você considera mais difícil? Por quê?
e) Copie da tirinha um advérbio, classificando-o:

18) O que todas as tirinhas têm a ver com o texto em questão? Explique:

(Participação especial das queridas MaiaraMaria Aparecida de Carvalho)

domingo, 5 de janeiro de 2020

Atividade sobre a crônica "Kni e Giv", de Carlos Eduardo Novaes

Kni e Giv

Desde que a nave espacial VIKING amartissou (é isso mesmo?), Juvenal Ouriço e o Boca não deslocam o ouvido do rádio. Parecem dois paraíbas de obra depois do expediente. Juvenal aguarda com a maior ansiedade a notícia de que  há vida em Marte. E afirma que quando a informação chegar vai dar uma festa. Causa-lhe uma profunda ansiedade a ideia de que “nós, terráqueos, somos os únicos seres viventes em trânsito pela Via Láctea”.
-- Já imaginou a sensação de solidão universal?  -- diz arregalando os olhos.
-- Eu já não gosto de me sentir só nem em casa, que dirá no planeta?
Haverá vida em Marte? Tudo indica que sim, pois ao mesmo tempo que enviamos daqui a VIKING, os marcianos mandavam de lá a nave GNIKIV, movidos pela mesma curiosidade: haverá vida na Terra? As duas naves, por sinal, se cruzaram ali pelo quilômetro 46 milhões 578 mil 300 da estrada do Sol.  A VIKING viaja por instrumentos. A GNIKIV, porém, traz dois cosmonautas a bordo: KNI e GVI. Quando KNI olhou pela escotilha e viu a nossa nave passando, berrou para o companheiro:
-- Ei, GVI, olhe. Que é aquilo? Um disco voador?
-- Disco voador o quê, rapaz! Que mania a sua de pensar que todo objeto que se move no espaço é disco voador. Disco voador não existe!
-- Para mim existe. E lhe digo mais: é tripulado por seres da Terra.
-- Duvido muito.
-- Duvida por quê? Você não acha possível que exista uma civilização adiantada na Terra?
-- Não sei nem se há vida na Terra...
-- Claro que há. Pode não ser muito antiga, mas há. Alguns cientistas suspeitam de que a vida na Terra começou em 1945. Foi a partir dessa época que eles passaram a observar a formação de gigantescos cogumelos luminosos.
-- Deixa de bobagem. Aquilo eram explosões provocadas pelo choque de meteoritos com a superfície do planeta.
-- Então esse negócio que passou ali veio de onde?
-- Sei lá. Olha aí no mapa. Qual é a outra estação depois da Terra?
-- Vênus.
-- Vênus não deve ser. Tem outra?
-- Tem Mercúrio, uma estaçãozinha pequena.
-- Também não creio que seja de lá. E depois? Vem o quê?
-- Depois acaba. Mercúrio é o fim da linha.
Os dois ainda discutiam a procedência da VIKING quando a GNIKIV trepidou um pouco, perdeu altura e surgiu sob o céu do Rio de Janeiro. KNI observou lá de cima e comentou com GIV:
-- Creio que nos distraímos e saímos da rota.
-- É mesmo? Por que você diz isso?
-- Está cheio de crateras lá embaixo. Acho que estamos sobrevoando a Lua.
Os dois tornaram a consultar os mapas, refizeram os cálculos e constataram, surpresos, que estavam realmente sob a Terra.
-- Engraçado – disse KNI – nossos mapas estão todos errados. Eu nunca soube que havia tanta cratera na Terra!
-- Quem sabe não são erupções vulcânicas que ocorreram após nossa saída de Marte?
-- Não creio. Não daria tempo. É muita erupção para pouca viagem. Você se esqueceu de que viemos praticamente dali da esquina? Foram apenas 384 milhões de quilômetros.
O módulo da VIKING amartissou auxiliado por três foguetes e um pára-quedas em 3 h 20 min. A GNIKIV demorou menos. Pouco mais de meia hora. Bem verdade que já nos movimentos finais a nave foi auxiliada em terra por dois crioulos que orientavam as manobras.
-- Dá ré, agora vira tudo para a direita, isso, chega um pouquinho para frente, ta bom aí.
Os marcianos saltaram e um dos crioulos logo perguntou:
-- Posso tomar conta?
A nave desceu num local ermo, próximo à Favela da Rocinha. Ao botar os pés na Terra, GIV farejou o ar, respirou fundo e observou:
-- Estou sentindo um cheirinho de nitrogênio!
-- Eu também – disse KNI puxando o ar – mas pra mim está misturado com oxigênio. E se você respirar na direção do vento ainda vai sentir um leve aroma de argônio. Sentiu?
-- Senti. Acho que com essa composição é muito difícil haver vida na Terra.
A atmosfera em Marte é quase toda composta de anidrido carbônico. Sua temperatura é mais baixa que a nossa. Os marcianos estranharam o calor. O crioulo ao lado sorriu e disse:
-- Os senhores não são os primeiros, tudo quanto é gringo reclama do nosso calor!
KNI virou-se para o crioulo e foi direto ao assunto:
-- Será que você pode nos informar se existe vida na Terra?
O crioulo pensou alguns segundos, encavalou o lábio inferior no superior e balançou a cabeça negativamente.
-- Não sei não, senhor.
-- Ele não sabe de nada – aparteou o outro crioulo – é completamente analfabeto.
-- E você sabe? Sabe se existe vida na Terra?
-- Eu? – perguntou o outro crioulo que era meio folgado – Eu acho que não tem não, mas não posso dar certeza.
Explicou que estava começando o MOBRAL agora, mas...
-- Se os senhores quiserem a gente pode perguntar ao meu irmão que tem algum estudo.
Os três iniciaram então uma caminhada pelo atalho (o outro crioulo ficou tomando conta da nave) até o barraco. Enquanto andavam, KNI E GIV assediavam o crioulo com perguntas:
-- Você sabe se há mais alguma coisa no ar, aqui, além de nitrogênio, oxigênio e argônio?
-- Não sei dizer não, senhor. Dizem que há muita poluição, mas eu mesmo nunca vi.
-- E de que é a camada que cobre a superfície da Terra?
-- De que é? De asfalto.
-- Isso que nós estamos pisando é asfalto?
-- Não, senhor, aqui é a terra.
-- Que é a Terra eu sei. Vocês são quantos aqui?
-- Na Rocinha?
-- Não. Na Terra.
-- Toda?  -- perguntou o crioulo fazendo uma bola com os braços – Não sei não, senhor, mas deve ser mais de 2 milhões.
Os três chegaram ao barraco. O crioulo apresentou aquelas figuras (cada um imagina o seu marciano como quiser) ao irmão explicando antes que “estes senhores acabaram de chegar de... de onde mesmo? Nevoer quê?”
-- Não. Nós viemos de Marte.
-- Pois é – prosseguiu o crioulo na maior tranquilidade, provavelmente imaginando que Marte ficasse ali depois de Nova Iguaçu – esses senhores chegaram de Marte e estão querendo saber se existe vida na Terra. Eu não soube responder. Você sabe?
-- Bem – disse o irmão do crioulo meio indeciso – eu acho que existe.
-- De que forma?  -- perguntou KNI – São moléculas?
-- Isso eu não sei.
-- Claro que não – intrometeu-se o crioulo folgado – Eu me lembro de que quando era garoto as pessoas chegavam pra mim e diziam: “Não faça isso, seu molécula!”
KNI e GIV se entreolharam e cheios de dúvidas pediram maiores explicações ao irmão do crioulo. Os quatro sentaram-se em volta de uma mesa (uma mesa de dois pés). O irmão do crioulo, então, foi desfiando toda a sua existência, desde o dia em que nasceu naquele mesmo barraco. Ao terminar, KNI, incrédulo, perguntou-lhe:
-- Isso que você acabou de contar: é essa a vida que existe na Terra?
O irmão do crioulo disse que sim.
-- Não. Não é possível – disse Kni – Você está brincando! Isso não é vida!
Os dois saíram. Voltaram à nave e de lá informaram à Marte que não havia vida na Terra.

(Carlos Eduardo Novaes)


01) Justifique o título empregado na crônica acima:

02) Que coincidência existe entre a visão que temos de discos voadores e a visão de GIV?

03) Que relação há entre os nomes VIKING e GNIKIV? Por que o cronista teria usado esse recurso?

04) Por que motivo os cientistas marcianos teriam observado formação de cogumelos luminosos na Terra a partir de 1945?

05) Localize a ironia utilizada pelo cronista no parágrafo 28 e explique-a:

06) O que levaria os crioulos a não se darem conta de que estavam diante de um disco voador e de marcianos e não de simples gringos?

07) O que pretendia  o cronista ao colocar aqueles crioulos ignorando se há vida na Terra?

08) Os irmãos receberam os marcianos com naturalidade. Se a nave tivesse aterrissado num local mais central, a recepção seria a mesma? Explique:

09) Com base em que os marcianos concluíram que não havia vida na Terra? Eles têm ou não razão?

10) O modo como o autor construiu o texto fez com que um drama virasse comédia. Concorde ou discorde, justificando-se bem:

11)  Que mensagem o texto transmite? Comente:

12) Na sua opinião, qual a importância da escolaridade para a visão que se tem do mundo que nos cerca? Comente:

13)  Classifique o sujeito da oração situada no quarto parágrafo: “Haverá vida em Marte?”  Justifique sua resposta:

14) Qual é o sujeito contido na oração “Duvido muito”?  Por quê?