Mostrando postagens com marcador Neologismos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Neologismos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Atividade sobre a crônica "Vende frango-se", de Martha Medeiros


Vende frango-se


Alguém encontrou esta pérola escrita numa placa em frente a um mercadinho de um morro do Rio: "Vende frango-se". É poesia? Piada? Apenas mais um erro de português? É a vida e ela é inventiva. Eu, que estou sempre correndo atrás de algum assunto para comentar, pensei: isto dá samba, dá letra, dá crônica. Vende frango-se, compra casa-se, conserta sapato-se.
Prefiro isso aos "q tc cmg?" espalhados pelo mundo virtual, prefiro a ingenuidade de um comerciante se comunicando do jeito que sabe, é o "beija eu" dele, o "que vim aqui casa?" de tantos.
Vende carne-se, vende carro-se, vende geleia-se. Não incentivo a ignorância, apenas concedo um olhar mais adocicado ao que é estranho a tanta gente, o nosso idioma. Tão poucos estudam, tão poucos leem, queremos o quê? Ao menos trabalham, negociam, vendem frangos, ao menos alguns compram e comem e os dias seguem, não importa a localização do sujeito indeterminado. Vive-se.
Talvez eu tenha é ficado agradecida por este senhor ou senhora que anunciou-se de forma errônea, porém inocente, já que é do meu feitio também trocar algumas coisas de lugar, e nem por isso mereço chicotadas, ao contrário: o comerciante do morro me incentivou a me perdoar. Esquecer o nome de um conhecido, não reconhecer uma voz ao telefone, chamar Gustavos de Olavos, confundir os verbos e embaralhar-se toda para falar: sou a rainha das gafes, dos tropeços involuntários. Tento transformar em folclore, há que falta de educação não é. Conserta destrambelhada-se. Eu me ofereço pro serviço. Quem não? Sabemos todos como é constrangedor não acertar, mas lá do alto do seu boteco, ele nos absolve. Ele, o autor de um absurdo, mas um absurdo muito delicado.
Vende frango-se, e eu achar graça é uma coisa boa, sinal de que ainda não estamos tão secos, rudes e patrulheiros, ainda temos grandeza para promover o erro alheio a uma inesperada recriação a gramática, fica eleito o dono da placa o Guimarães Rosa do morro, vale o que está escrito, e do jeito que está escrito, uma vez que entender, todos entenderam. Fica aqui minha homenagem à imperfeição. 

(Martha Medeiros)

01) Justifique o título dado à crônica acima:

02) Em que a autora encontrou inspiração para escrever tal texto?

03) Copie um trecho da crônica em que a autora demonstra a sua opinião sobre a forma como a oração "Vende frango-se" foi escrita:

04) Quais são as justificativas utilizadas pela autora após dizer que noso idioma é "estranho a tanta gente"?

05) Qual seria a maneira correta de escrever a placa elaborada pelo comerciante?

06) Por que a autora diz "não importa a localização do sujeito indeterminado"?

07) O título da crônica apresenta sujeito indeterminado? Justifique sua resposta:

08) Qual o objetivo do questionamento destacado no terceiro parágrafo?

09) Qual o sentido da palavra "pérola", utilizada logo no começo do texto?

10) Justifique as aspas usadas no primeiro parágrafo da crônica:

11) Qual das três opções dadas pela autora, em forma de pergunta, logo no parágrafo inicial, você escolheria? Por quê?

12) Em "É a vida e ela é inventiva", há uma opinião ou um fato? Por quê? O que você pensa a respeito disso?

13) Que crítica a autora faz à forma de escrever de alguns? Você concorda com ela?

14) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

15) Transcreva da crônica marcas de oralidade:

16) Que favor quem escreveu a placa fez à autora? Explique bem:

17) Pesquise sobre o autor Guimarães Rosa e explique por que ele foi citado pela autora:

18) Por que a autora faz uma "homenagem à imperfeição"?

19) Segundo a autora, a placa cumpre uma das principais funções da Língua. Qual é ela? Justifique sua resposta, utilizando uma passagem do texto:

20) Que mensagem a crônica transmite? Comente:

(Atividade feita em parceria com a querida amiga Maiara Batista)

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Atividade sobre a reportagem "Pandemia de fake news", de Hellen Leite


Pandemia de fake news: Estudo lista principais boatos sobre Covid-19

 Para o secretário da ONU, Antônio Guterres, a desinformação generalizada tem abrangido 
"desde conselhos prejudiciais à saúde até ferozes teorias de conspiração"

Em meio a pandemia de Covid-19 chama atenção o surgimento de uma segunda mazela: a desinfodemia. O termo foi cunhado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e é definido como "desinformação básica sobre a doença de Covid-19". A ONU considera as fake news sobre o novo Coronavírus "mais mortais que qualquer outra desinformação". Para os especialistas, diante do cenário atual, o acesso à informação confiável pode significar a vida ou a morte em tempos de Coronavírus. 
Segundo a pesquisa publicada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o International Center for Journalists (ICFJ), o principal tema da desinfodemia está relacionado à origem e à disseminação do novo Coronavírus. Enquanto cientistas identificaram o primeiro caso da Covid-19 ligado a um mercado de animais na cidade chinesa de Wuhan, teorias da conspiração acusam outros autores. Isso vai desde culpar as redes 5G até responsabilizar os fabricantes de armas químicas. 
Outras fakes news recorrentes estão relacionadas aos sintomas, diagnóstico e tratamento do vírus, estatísticas falsas, os impactos na sociedade e no meio ambiente, e sobre a repercussão econômica causada pela pandemia. "Esse último tema inclui a divulgação de informações falsas sobre os impactos da pandemia na economia e saúde, sugestões de que o isolamento social não é economicamente justificado e a afirmação de que a Covid-19 está criando empregos", detalha o estudo.
O estudo é assinado por Julie Posetti, diretora global de pesquisa do ICFJ e pesquisadora sênior do Centro de Liberdade de Mídia da Universidade de Sheffield (CFOM) e Universidade de Oxford. [...]
Para o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, o jornalismo é essencial para ajudar a neutralizar os danos causados pelo que classifica como "pandemia da desinformação". Em um vídeo veiculado por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa no dia 3 de maio, o mandatário defendeu o segmento, destacando-se como crucial para a tomada de "decisões fundamentadas", no âmbito do combate à Covid-19.
Segundo Guterres, a desinformação generalizada tem abrangido "desde conselhos prejudiciais à saúde até ferozes teorias de conspiração". Ele avalia que, apesar das notícias e análises verificadas, científicas e baseadas em fatos", que fazem com que a imprensa desempenhe um papel imprescindível na atualidade, os jornalistas têm sofrido cerceamento no exercício de suas funções. 

Métodos e fakes

A desinformação sobre a Covid-19 emprega, ainda, uma ampla variedade de configurações, desde memes até sites elaborados e campanhas orquestradas. "Esses formatos frequentemente infiltram mentiras na consciência das pessoas, apelando para crenças e não para a razão e para os sentimentos, em vez da dedução", diz Posetti. 
Um mapeamento feito pelo Instituto Reuters e pela Universidade de Oxford detalhou alguns dos principais tipos, fontes e reivindicações de desinformação sobre a pandemia. Quase 70% das informações divulgadas sobre a Covid-19 tinham como fonte principal influenciadores digitais, incluindo políticos, celebridades e figuras públicas e redes sociais. Desse total, 20% das informações eram fake news. [...]

Checagem dos fatos

No Brasil, o Ministério da Saúde criou uma página especial para combater fake news sobre a Covid-19. A pasta disponibilizou um número de WhatsApp (61-99289-4640), para que a população envie fatos duvidosos veiculados nas mídias sociais e aplicativos de mensagens, para serem checados por uma equipe técnica do ministério. No site, as informações são classificadas em duas listas, de acordo com os selos "Isto é fake news" ou "Esta notícia é verdadeira". Também são reunidos dados sobre prevenção, transmissão do vírus e atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é possível acessar um podcast sobre a pandemia, produzido pelo próprio ministério. 

(Hellen Leite - "Correio Braziliense")

01) Justifique o título dado ao texto acima, aproveitando para se posicionar sobre ele:

02) A que gênero textual pertence tal texto? Quais as características nele encontradas que apontaram para isso?

03) Retire do texto um neologismo, explicando como ele foi formado e o que significa:

04) Por que algumas palavras aparecem em itálico no texto?

05) Justifique, respectivamente, as aspas utilizadas no texto:

06) Transcreva do texto um par de antítese:

07) Fatos podem ser verificados, têm fontes e podem ser comprovados por autoridades no assunto. Sabendo disso, quais seriam os indícios de que o texto analisado usa fatos para nos informar sobre o tema? Quais seriam as fontes e as autoridades no assunto que ele cita?

08) Qual o impacto na sociedade de se divulgar tantas fakes news sobre o tratamento da Covid-19? Que consequências isso pode ter? Explique:

09) Qual é o papel do jornalismo no combate às fake news? E o nosso?

10) Por que essas notícias falsas apelam para os sentimentos das pessoas? O que você pensa sobre isso?

11) Quais seriam, para você, os motivos que levam uma pessoa a criar e divulgar fake news?

12) Na sua opinião, a pessoa que compartilha uma fake news é responsável por ela ou apenas quem a cria que é responsável? Por quê?

13) Podemos considerar fake news como sendo uma opinião? Justifique sua resposta:

14) Como podemos lidar com tanta notícia falsa que recebemos? Como é possível identificá-las e combatê-las?

15) Copie a linha-fina da reportagem e diga qual é a sua função:

16) Que mensagem a reportagem transmite?

17) Aproveite para acessar o "Quiz do Coronavírus", com 20 afirmações sobre a Covid-19, para você dizer qual é FATO e qual é FAKE. Vamos lá??? Diga aqui quantos pontos você fez... 

(Atividade feita em parceria com a querida amiga Ana Paula Rodrigues)

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Atividade sobre a poesia "Além da Terra, além do Céu", de Carlos Drummond de Andrade

Além da Terra, além do Céu

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
Até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos! 
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver. 

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Justifique o título dado à poesia:

02) Existe, no texto, alguma antítese? Justifique sua resposta:

03) Transcreva do poema um polissíndeto, explicando no que consiste tal figura:

04) Que efeito a figura de linguagem acima dá ao texto?

05) Copie do texto exemplos de neologismos, explicando o que eles estão significando no contexto:

06) Que convite o eu lírico faz? O que você pensa a respeito disso?

07) Que mensagem a poesia transmite? Comente:

08) Que característica do Modernismo tal poesia apresenta? Explique:

09) Cite duas palavras do poema que exemplificam a ideia de "transcendente":

10) Copie do texto um exemplo de rima interna, explicando o que mais se pode observar nessas duas palavras: 

11) Que crítica é feita à gramática? Comente:

12) Localize no texto:

a) um substantivo composto:
b) um advérbio de lugar:
c) um advérbio de intensidade:
d) um adjetivo:
e) dois substantivos comuns:

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Atividade sobre a música "Inclassificáveis", de Arnaldo Antunes


Inclassificáveis

Que preto, que branco, que índio o quê? 
Que branco, que índio, que preto o quê? 
Que índio, que preto, que branco o quê? 

Que preto branco índio o quê?
Branco índio preto o quê?
Índio preto brando o quê? 

Aqui somos mestiços mulatos
Cafuzos pardos mamelucos sararás
Crilouros guaranisseis e judárabes

Orientupis orientupis
Ameriquítalos luso nipo caboclos
Orientupis orientupis
Iberibárbaros indo ciganagôs

Somos o que somos
Inclassificáveis

Não tem um, tem dois
Não tem dois, tem três
Não tem lei, tem leis
Não tem vez, tem vezes
Não tem deus, tem deuses

Não há sol a sós

Aqui somos mestiços mulatos
Cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
Americarataís yorubárbaros

Somos o que somos
Inclassificáveis

Que preto, que branco, que índio o quê? 
Que branco, que índio, que preto o quê? 
Que índio, que preto, que branco o quê? 

Não tem um, tem dois
Não tem dois, tem três
Não tem lei, tem leis
Não tem vez, tem vezes
Não tem deus, tem deuses
Não tem cor, tem cores
Não há sol a sós

Egipciganos tupinamboclos
Yorubárbaros carataís
Caribocarijós orientapuias
Mamemulatos tropicaburés
Chibarrosados mesticigenados
Oxigenados debaixo do sol

(Arnaldo Antunes)

01) Justifique o título dado à canção:

02) Você concorda que somos "inclassificáveis"? Justifique sua resposta:

03) Que recurso foi empregado para compor as duas primeiras estrofes da canção? Que efeito ele causou? 

04) Que misturas de raças são citadas na música? O que elas revelam?

05) Além dessas misturas de raças, ainda aparecem neologismos, que também indicam outras misturas. Quais são elas e o que significam? 

06) Explique a importância das interrogativas usadas na canção:

07) Mencione o valor expressivo graças ao uso dos numerais e dos plurais, dizendo em que estrofe isso ocorre: 

08) Interprete o verso "Não há sol há sós", posicionando-se sobre tal afirmação:

09) Que mensagem a música transmite?

terça-feira, 6 de março de 2018

Atividade sobre Neologismo



01) O que as cinco palavras acima têm em comum?

02) Qual delas você usa na sua rotina?

03) Existem palavras que podem substituir cada uma delas, sem prejuízo no sentido? Se sim, quais?

04) Forme uma frase utilizando cada uma dessas palavras:

05) Que outras palavras você acrescentaria à lista?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Atividade sobre o texto "Catar feijão", de João Cabral de Melo Neto


Catar feijão

Catar feijão se limita com escrever: 
Jogam-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na da folha de papel;
E depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
Água congelada, por chumbo seu verbo:
Pois para catar esse feijão, soprar nele, 
E jogar fora o leve e oco, palha e eco. 

Ora, nesse catar feijão, entra um risco:
O de entre os grãos pesados entre
Um grão qualquer, pedra ou indigesto,
Um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
A pedra dá à frase seu grão mais vivo:
Obstrui a leitura fluviante, flutual,
Açula a atenção, isca-a com o risco.

(João Cabral de Melo Neto)

01) Justifique o título dado ao poema acima:

02) O poema, de fato, fala sobre catar feijão, ao pé da letra? Justifique sua resposta:

03) "Catar" poderia ser substituída por que outras palavras, sem perda do sentido? 

04) De quantas estrofes e versos o poema é composto? 

05) Com que o ato de catar feijão é comparado? Faz algum sentido para você? Explique:

06) Que palavra é omitida no terceiro verso? 

07) Localize no texto outras construções em que palavras são omitidas, explicando:

08) Dentre as classes de palavras, por que o eu lírico referiu-se a VERBO? 

09) Que risco há no catar feijão? Comente: 

10) Como são os grãos de feijão considerados bons? Onde eles ficam durante a escolha? 

11) Como são as palavras consideradas boas? Como elas são obtidas? 

12) Que efeito foi conseguido com a presença das palavras "oco" e "eco" no mesmo verso?

13) As palavras destacadas no texto não são dicionarizadas. Que significado elas possuem no texto? Como elas podem ter sido criadas? 

14) Identifique o tema do poema e qual a função da linguagem que nele se destaca:

15) Que mensagem o texto transmite? Comente:

16) Que características parnasianas existem no poema? Explique: 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Atividade sobre a poesia "Neologismo", de Manuel Bandeira

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana. 
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo.
Teodoro, Teodora. 

(Manuel Bandeira)

01) Justifique o título dado à poesia:

02) Os verbos BEIJAR e FALAR são intransitivos ou transitivos, no texto? Justifique sua resposta:

03) Reescreva o primeiro verso do poema, transformando em transitivos esses dois verbos citados na questão anterior: 

04) Qual o sujeito das primeiras orações do texto? Classifique-o, justificando seu raciocínio: 

05) No poema, o verbo INVENTAR é transitivo ou intransitivo? 

06) Qualquer pessoa pode "teadorar" ou apenas o eu lírico do poema pode praticar essa ação? Por quê?

07) TEADORAR e ADORAR apresentam a mesma transitividade? Justifique sua resposta: 

08) Qual foi o neologismo, afinal, criado pelo poeta? 

09) Como tal palavra foi formada? 

10) O neologismo criado tem uma relação apenas de sentido, ou tem também uma relação sonora com o nome da mulher? Por quê? 

11) Por que há uma vírgula separando as duas palavras existentes no último verso do poema? 

12) A que classes gramaticais pertencem essas duas palavras? 

13) Copie do texto um exemplo de vocativo:

14) Que passagens do poema falam do sentimento do amor? 

15) Que mensagem o poema transmite? Comente: 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Atividade sobre o texto "O homem; as viagens", de Carlos Drummond de Andrade


O homem: as viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno,
Chateia-se na Terra,
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a Lua
Desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
Planta bandeirola na Lua
Experimenta a Lua
Coloniza a Lua
Civiliza a Lua
Humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
Pisa em Marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus
Vê o visto – é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
Proclamar justiça junto com a injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do sola a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
(Carlos Drummond de Andrade)

01) O poeta insere palavras ou expressões da gíria, tornando assim, seu poema bem ao gosto popular.  Substitua as gírias abaixo por palavras equivalentes:

a) ... que lugar quadrado!  
b) O homem funde a cuca... 
c) ... repetir a fossa
d) ... que chato é o Sol. 

02) Ao poeta é facultativo transgredir certas normas. Chama-se isso de licença poética. Sabendo disso, explique o provável motivo para justificar as seguintes construções poéticas no texto de Drummond:

a) Col-onizar: 
b) Con-viver: 

03) Há casos em que o poeta até inventa palavras – neologismos!  Então tente, explorando o contexto, encontrar explicações para as seguintes invenções:

a)  Tever: 
b)  Insiderável: 
c) Dangerosíssimo:  

04) Nos versos de 9 a 13, os verbos aparecem com complementos; nos versos de 18 a 21, sem complementos; nos versos de 29 a 31, nem se mencionam mais os verbos, lê-se apenas “idem” (= a mesma coisa). Claro que o poeta tinha algum motivo para ir suprimindo palavras. O que será que ele quis dar a entender com isso? 

05) À medida em que o homem avança em suas conquistas, o poeta modifica as expressões “desce cauteloso na Lua”, “desce em Marte”, “põe o pé em Vênus”. Qual seria o motivo dessas alterações? 

06)  “O homem, bicho da Terra...” . Por que o poeta empregou o  termo bicho

07) “... se não for a Júpiter proclamar justiça com a injustiça”.  Por que o autor lembra justiça e injustiça em relação a Júpiter, não o fazendo com a Lua, Marte e Vênus? 

08) “...Sol, falso touro espanhol domado”. Por que o Sol é comparado a um “falso touro espanhol domado”? 

09) Releia o poema e responda:

a) Por que o homem parte para a conquista do espaço? 

b) Quais as consequências dessa conquista? 

c)  Qual a ideia central do texto? Que mensagem ele transmite? 

d) Em quantas partes é aconselhável dividir o poema e de que se trata cada uma dessas partes, cada uma dessas viagens? 

10) Responda às perguntas seguintes, justificando bem:

a) O que teria motivado o autor a escrever  o poema? 

b) Você concorda com os gastos exorbitantes para a conquista do espaço? Por quê?

c) O que é mais importante: o homem conquistar outros mundos ou conquistar a si mesmo?  Justifique-se: 

d) Em “...estará equipado?”, de que equipamento o homem precisa para a viagem de “si a si mesmo”? 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Atividade sobre a fábula "O escularápio", de Millôr Fernandes

O escularápio

Um escularápio foi chamado para tratar de uma rica senhora que sofria de catarata. Sendo, porém, desonesto, o nosso querido amigo, sempre que ia visitar a rica velha, furtava-lhe um objeto precioso. Quando acabaram os objetos preciosos, ele começou, despudoradamente, a levar-lhe também os móveis, um a um. 
Afinal, certo dia, não tendo mais o que roubar, deixou de visitar a velha. Mas, não contente com isso, sapecou-lhe em cima uma conta terrível, capaz de abalar mesmo a fortuna do mais rico catarático. 
A velha protestou, dizendo que não pagava, e a coisa foi para o tribunal. E foi no tribunal que a velha declarou o motivo de sua recusa em pagar. Disse: 
"Não posso pagar a conta do senhor escularápio, do doutor médico, porque eu estou com a vista pior do que quando ele começou a me tratar. No início do tratamento eu ainda via alguma coisa. Mas agora não consigo enxergar nem os móveis lá da sala". 

MORAL: A extrema desonestidade acaba visível mesmo para um cego. 
(Millôr Fernandes)

01) Justifique o título dado ao texto acima:, aproveitando para explicar bem o neologismo:

02) Explique por qual processo de formação de palavras ele foi formado:

03) Qual a finalidade discursiva de tal texto? Comente:

04) Copie do texto uma passagem que contém ironia, explicando seu raciocínio:

05) Dê um sinônimo para o advérbio destacado no texto, aproveitando para classificá-lo:

06) Que mensagem o texto transmite?

07) Posicione-se com relação à moral presente no texto:

08) Podemos afirmar que o texto é uma fábula? Justifique sua resposta:

09) Explique a presença das aspas no texto:

10) Crie uma espécie de final para o texto em questão:

11) O que ficou subentendido na fala da velhinha? O que isso revela?

12) Localize no texto:

a) três adjetivos:
b) um numeral:
c) um artigo definido:
d) um advérbio de negação:
e) um advérbio de intensidade:
f) um pronome possessivo:
g) um advérbio de lugar:

domingo, 25 de setembro de 2011

Atividade de Produção textual: "Quando o século XVIII se apaixona pelo século XXI..."

Imagine o que aconteceria se um belo rapaz do século XVIII escapasse de um texto da época e se apaixonasse por uma jovem saída das páginas de um texto de ficção científica?!? O rapaz com uma linguagem fora de uso e a jovem com as palavras novas, os neologismos, de sua época. Use os dois tipos de linguagem para caracterizar as personagens! Você pode, ainda, dramatizar o seu texto! Capriche! Quero ver o que vai sair daí dessa cabecinha... 

sábado, 25 de junho de 2011

Atividade sobre o texto "Correspondência", do Millôr Fernandes

"Aquele rapazinho escreveu esta carta para o irmão:

Querido mano,

Anteontem futebolei bastante com uns amigos. Depois cigarrei um pouco e nos divertimos montanhando, até que o dia anoiteceu. Então desmontanhamos, nos amesamos, sopamos, arrozamos, bifamos, ensopadamos e cafezamos. Em seguida, varandamos. No dia seguinte, cavalamos muito.

Maninho

O irmão respondeu:

Maninho,

Ontem livrei-me pela manhã, à tarde cinemei e à noite, com papai e mamãe, teatramos. Hoje colegiei, ao meio-dia me leitei e às três papelei-me e canetei-me para escriturar-te. E paragrafrarei finalmente aqui porque é hora de adeusar-te, pois ainda tenho que correiar esta carta para ti e os relógios já estão cincando.

De teu irmão,
Fratelo"

(Millôr Fernandes)


01)  Os irmãos criaram palavras para se comunicar. Por que elas fizeram isso?

02)  Qual é a classe gramatical dessas palavras novas?

03)  Reescreva as cartas usando comente palavras desconhecidas! Arrase!