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sábado, 19 de setembro de 2020

Atividade sobre o texto "O suicida", de Alexandre Azevedo

O suicida

Resolveu suicidar-se. Andando pelas ruas da cidade, procurou o edifício mais alto. Encontrou. Parou em frente. Olhou para cima e ficou a observar por alguns instantes. Estava mesmo decidido, não vacilou. Dirigiu-se à portaria. Chamou o elevador, que se encontrava no quadragésimo andar. Virou-se de costas e esperou a sua chegada. Chegou. Abriu a porta, apertou o botão que assinalava o número quarenta. Vagarosamente, o elevador subia. Estava sozinho. Parou no vigésimo quinto. Uma senhora de cabelos grisalhos abriu a porta e perguntou:
-- Desce. 
-- Sobe -- respondeu ele friamente. 
Continuou subindo. Parou. Abriu a porta. Estava no último andar de sua vida. Procurou a escada que dava ao terraço. Subiu tranquilo os poucos degraus. Empurrou a porta de ferro. E lá estava a pular para fora da vida. Caminhou em direção ao parapeito. Ficou se equilibrando, suas pernas tremiam. Sentiu uma tontura ao olhar para baixo. Esperou alguns minutos, pensou na vida que levava. Nada o faria desistir. Uma multidão se formou lá embaixo. Pessoas apontavam para cima. Escreveram no asfalto com tinta branca: "Não pule!". Não deu importância àquilo. A queda seria rápida? Em quanto tempo chegaria ao solo? Morreria no meio do caminho? Estava pensativo. A multidão aumentou. Pessoas tentavam de todas as maneiras fazê-lo da ideia de pular. Não quis saber. Pulou...
E a cada janela por que passava, via a vida de cada morador, as suas dificuldades, as suas agonias, os seus sofrimentos. Por que estava fazendo isso, se todas as pessoas eram iguais a ele? Uma lágrima saiu de seus olhos. Ao chegar no segundo andar viu uma criança brincando na sala. 
No primeiro andar, arrependeu-se.  

(Alexandre Azevedo)

01) Justifique o título dado ao texto, dizendo se ele foi ou não bem empregado:

02) Que outro título você daria a ele? 

03) Por que o protagonista precisava do edifício mais alto? 

04) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

05) Circule as frases interrogativas do texto e diga qual a função delas para o contexto: 

06) Justifique as aspas presentes no texto e também as reticências: 

07) Comente o final do texto, completando-o com mais algumas linhas: 

08) Que relação teve o protagonista encontrar com a velhinha na subida e com um bebê na queda? O que essas duas imagens teriam a ver com o tema? 

09) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

10) Localize no texto:

a) um advérbio de intensidade:
b) um advérbio de negação:
c) três numerais:
d) um advérbio de modo:
e) um advérbio de lugar: 
f) dois adjetivos: 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Atividade sobre o curta "A galinha ou eu" (15 minutos)


Sinopse: Denízia, uma criança de cinco anos de idade, morava em uma fazenda, convivendo com os bichos como se eles fossem gente. Um dia, ela ficou com raiva de uma galinha e tentou lhe dar uma surra. A menina perseguiu a ave pelo quintal, até que o animal entrou numa privada. (Duração: 15 minutos).

01) Justifique o título dado ao curta, aproveitando para criar um outro:

02) Por que a narradora diz que não sabe qual a diferença entre ela e a galinha? O que você pensa sobre isso? 

03) Por que a menina ficou com raiva da galinha Rosinete?

04) Que contradição havia na fala da menina, quando dizia que a galinha era amiga?

05) Por que a narradora passar a destestar banho?

06) Posicione-se sobre a frase da idosa: "Remorso de criança e de bêbado não dura nada":

07) Você concorda que "o tempo passa diferente na cabeça das crianças"? Justifique sua resposta:

08) O que significa a expressão "quebra-moresco", utilizada no curta? Você já a tinha escutado?

09) De que parte do curta você mais gostou? Justifique sua resposta:

10) O que você acha que aconteceu com a galinha Rosinete? Por quê?

11) O que significa o almoço da família, depois de anos, ser justamente galinha?

12) Que mensagem o curta transmite? Comente:

quinta-feira, 26 de março de 2020

Atividade sobre o "Corona do Bem"

Hoje a aula online da escola do meu filho Miguel fez uma proposta muito legal, com a professora de Artes: ele deveria criar o "Corona Vitor", já que a escola dele é a "Vitor Cardoso", e poderia ser uma bruxa, uma fada, um rei, uma rainha, um super-herói... enfim, o que a criança quisesse, só que deveria ser um "Corona do Bem", ou seja, amigo! 


Aí está o desenho que o Miguelito fez, e o que alguns (geralmente "bolsominions") podem achar "desrespeitoso com as autoridades e com os mais velhos", eu acho que é criticidade e liberdade de expressão! Penso que respeito é para quem merece, é via de mão dupla, e, cá pra nós, o "digníssimo" presidente está looooonge de respeitar o próprio povo, ainda mais depois do último -- e infeliz -- pronunciamento, dizendo que o Coronavírus causa apenas uma "gripezinha" em quem é "atleta". Desrespeitosa é essa fala, mentirosa, irresponsável, incitando a quebra do isolamento para evitar a contaminação e a morte de tanta gente de respeito! 

Tenho muito orgulho do meu filho, tão novinho, já entender muitas coisas que muitos adultos não enxergam! Não vive em redoma e acompanha os acontecimentos, todos. Chega de alienação! Chega de ditadura! Chega de hipocrisia! Chega de falsas palavras de ordem! Chega de manipulação! E viva a democracia! 


E, como viram acima, não basta ser mãe, mas também tem que participar! Eu também resolvi entrar na dança e fiz o meu desenho, mesmo com o Miguel, sempre bem-humorado (acho que puxou a mim!), zoando e fazendo "bullying" com meu "Corona", dizendo que ficou parecido com o porco do Angry Bird, e dizendo que a minha injeção ficou parecendo um lápis! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Eu tentei, ué! E todas as tentativas valem! Ainda mais em uma época em que se sentem tão à vontade para criticar e tão pouco animados para fazer, participar! Enfim... 


Espero que gostem da atividade, pois nós amamos fazê-la! E ainda pode incrementar a mesma, solicitando uma narrativa contendo ações do protagonista! O que acham?!? De repente alguém pode querer adaptar e colocar em prática, por isso trouxe pra cá! 

sábado, 18 de janeiro de 2020

Atividade sobre a música "Natasha", de Capital Inicial


Natasha

Dezessete anos e fugiu de casa 
Às sete horas da manhã do dia errado
Levou na bolsa umas mentiras pra contar
Deixou pra trás os pais e o namorado

Um passo sem pensar 
Um outro dia, um outro lugar

Pelo caminho, garrafas e cigarros
Sem amanhã, por diversão, 
Roubava carros 
Era Ana Paula 
Agora é Natasha
Usa salto quinze 
E saia de borracha

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

O mundo vai acabar
E ela só quer dançar
O mundo vai acabar
E ela só quer dançar, dançar, dançar... 

Pneus de carros cantam...
Tchuru, Tchuru, Tchuru
Tchuru, Tchuru, Tchuru

Tem sete vidas
Mas ninguém sabe de nada
Carteira falsa 
Com idade adulterada
O vento sopra 
Enquanto ela morde
Desaparece antes 
Que alguém acorde

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

Cabelo verde
Tatuagem no pescoço
Um rosto novo
Corpo feito pro pecado
A vida é bela 
O paraíso é um comprimido
Qualquer barato
Ilegal ou proibido 

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

(Capital Inicial)

01) Justifique o título dado à canção, aproveitando para sugerir um outro:

02) Explique a importância da mudança de nome por parte da personagem:

03) Explique os versos "Às sete horas da manhã / Do dia errado":

04) Quais são os traços marcantes na personalidade de Natasha?

05) Diferencie a Ana Paula da Natasha, utilizando o maior número possível de adjetivos:

06) Que mensagem a música transmite?

07) O que você acha que levou a adolescente a fugir de casa aos 17 anos? Crie hipóteses:

08) Transforme a letra de música em uma HQ:

09) Faça uma análise comparativa entre o perfil da mulher presente nessa canção e o de "Fátima", que se encontra AQUI

(Participação especial da colega Lilian Acunha de Freitas!)

sábado, 14 de dezembro de 2019

Atividade sobre o texto "O arquivo", de Victor Giudice

O arquivo 

No fim de um ano de trabalho, João obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
João transformou-se num arquivo de metal.
(Victor Giudice)


01) Justifique o título empregado no texto em questão:

02) Por que, com exceção da primeira frase do texto, o nome da personagem aparece com letra inicial minúscula? 

03) Aponte quais foram as mudanças sofridas pelo trabalhador "joão" durante toda a vida, tanto no aspecto profissional quanto no pessoal, em tais áreas:

a) Salário: 
b) Cargo:
c) Habitação:
d) Direitos trabalhistas: 
e) Transporte:
f) Alimentação:
g) Vestuário:  

04) Em relação às "promoções" de "joão", responda:

a) Como ele se sentia em relação à situação em que vivia? Cite palavras e/ou expressões do texto que comprovem a sua resposta: 

b) O que há de incomum nesse comportamento do personagem?  

c) Por que você acha que "joão" aceitava tudo isso? Isso é comum de ocorrer em nossa sociedade? 

05) Copie do texto uma passagem extremamente irônica, justificando sua escolha: 

06) Que passagem do texto foi mais incômoda, em sua opinião? Por quê? 

07) Você acha que é possível um trabalhador ser desassalariado? Explique: 

08) O que você pensa, sinceramente, a respeito de alguém ter que pagar para trabalhar? Comente: 

09) Qual a intenção do texto? Você acha que ele cumpriu com o seu objetivo? 

10) Qual o significado do fato de "joão" ter se transformado em um arquivo de metal? 

11) Quem o "joão" do texto representa? Você se identificou com ele em algum momento? 

12) Podemos afirmar que o texto em questão usou e abusou da chamada ironia? Por quê? 

13) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

14) Circule no texto os numerais utilizados, dizendo a importância deles para o contexto: 

(Participação especial da querida amiga Irene Sena nas questões) 

(Recomendo fazer um trabalho intertextual com a música "Comportamento geral", 
do Gonzaguinha, postada AQUI no blog).

domingo, 1 de dezembro de 2019

Atividade sobre a música "Oitavo andar", de Clarice Falcão


Oitavo andar

Quando eu te vi fechar a porta 
Eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar
Onde a Dona Maria mora
Porque ela me adora e eu sempre posso entrar

Era bem o tempo de você chegar no T
Olhar no espelho o seu cabelo, falar com o Seu Zé
E me ver caindo em cima de você
Como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer

E aí só nós dois no chão frio
De conchinha bem no meio fio
No asfalto riscados de giz
Imagina que cena feliz 

Quando os paramédicos chegassem 
E os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon
A gente ia para o necrotério
Ficar brincando de sério, deitadinhos no bem-bom

Cada um feito picolé
Com a mesma etiqueta no pé
Na autópsia daria pra ver 
Como eu só morri por você

Quando eu te vi fechar a porta
Eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar
Em vez disso eu dei meia volta
E comi uma torta inteira de amora no jantar 

(Clarice Falcão) 

01) Justifique o título dado à canção:

02) Por que provavelmente o eu lírico preferiria se jogar da casa de Dona Maria? 

03) O que significa alguém chegar no T? 

04) Pelo contexto, quem seria o Seu Zé? 

05) Explique as duas comparações utilizadas na música, dizendo se elas foram ou não eficazes: 

06) Que palavra encontra-se em itálico na música? Por quê? 

07) Por que estariam os dois riscados de giz no asfalto? O que isso significa? 

08) Transcreva da música uma passagem que contém um certo humor, explicando sua escolha: 

09) Podemos afirmar que o eu lírico é romântico? Justifique sua resposta, acrescentando uma ou mais passagens do texto: 

10) O que significa a tal etiqueta que os dois teriam no pé? Explique: 

11) Podemos associar, de alguma forma, que a letra de música é narrativa? Por quê? 

12) Copie do texto dois numerais, classificando-os e dizendo a sua importância para o contexto: 

13) Com que geração romântica alguns versos da música parecem dialogar? Justifique a sua resposta: 

14) O desfecho da canção foi surpreendente? Por quê?

15) Já aconteceu de você pensar em fazer mil coisas mirabolantes e acabar fazendo algo totalmente diferente e prático? Com que frequência isso ocorre? 

16) Que mensagem a música transmite?

17) Transforme a história contida na canção em uma notícia policial, como se o fato realmente tivesse acontecido:

18) Altere o foco narrativo da história narrada, podendo ser na visão de Dona Maria, do Seu Zé ou até mesmo na do "companheiro" do eu lírico: 

(Agradecimento à Cláudia Abreu, colega de grupo, por ter me apresentado a essa música, carregadinha de implícitos, que eu adorei, e também por contribuir com as duas últimas questões da atividade!)

sábado, 30 de novembro de 2019

Atividade sobre o texto "A arte do assaltado", de Walcyr Carrasco

A arte do assaltado

A inexperiência dos ladrões em início de carreira obriga o assaltado
 a conduzir o roubo para não ser morto.

Saio da padaria e ando rapidamente até o carro. Quero chegar em casa antes da novela. Eles se aproximam quando abro a porta. Percebo imediatamente que não perderei apenas a novela mas também o carro. Já estou suficientemente treinado para entregar as chaves antes que falem qualquer coisa. Olho para os dois, mantenho a calma e digo: 
-- Tu-tu-do-be-bem! 
Sou obrigado a ir no banco do lado. Indico o caminho que leva diretamente à periferia. Ofereço os pãezinhos:
-- Aproveitem, estão quentinhos.
Eles me olham, simpáticos. Faço tudo para que o clima seja o mais agradável possível. tento contar uma piada, mas ninguém ri. Sou deixado num viaduto. Gentis, eles garantem que só querem o veículo para uma fuga. Poderei encontrá-lo no outro dia. Levam os pãezinhos. Quando se vão, respiro fundo. Vitória! Os ladrões ficaram satisfeitos. Nunca mais achei o carro, mas fui elogiado por todos os amigos porque me comportei bem. É uma loucura. A rapinagem está atraindo tal número de meliantes em início de carreira que o assaltado é quem deve administrar o roubo. 
Uma amiga minha, psicóloga, foi retirar dinheiro num caixa automático de uma avenida importante. Início de noite, e o local tinha movimento. Ao sair, abriu cordialmente a porta para o adolescente bem vestido que o esperava. Era o assaltante. Empurrada para dentro por ele e um comparsa, foi obrigada a conduzir o assalto contra ela mesma. Ensinou os dois a usar o cartão magnético e tentou acalmá-los, porque estavam nervosos. Depois explicou que entendia a situação e não tinha nada contra o fato de ser roubada, algo tão normal atualmente. Até avisou: -- Escondam o revólver, que a polícia está passando. 
Tornou-se a cúmplice perfeita. Discordou da ideia de irem embora a pé. Mostrou onde tinha estacionado. Em compensação, negociou o dinheiro do táxi.
E quando a casa é invadida? Um casal que conheço foi mestre na arte de receber diante das escopetas. 
-- Querem um café enquanto meu marido abre o cofre? Ou preferem uma refeição? -- ela ofereceu.
Um deles quis uísque. O marido sugeriu:
-- Meu filho, não beba. Você vai ter de fugir, a rua tem policiamento. É arriscado. Leve a garrafa. 
O líder agradeceu o palpite e pediu bifes. Ao mesmo tempo em que os dois rapazes acompanhavam o proprietário em busca de valores, a mocinha de expressão selvagem foi à cozinha com a hostess. Depois de séculos longe das panelas, esta fez um jantar sofisticado. Serviu na mesa de jacarandá. O casal comeu junto. A certa altura, ela comentou, charmosa: 
-- Desculpem, mas foi só um cardápio rápido. Se pudesse, teria feito uma receitinha francesa que vocês iriam adorar. Mas leva tempo. quem sabe... 
Todos se olharam. Quem sabe uma outra vez, quis ela dizer? Os da rapina ficaram constrangidos. Um deles foi delicado:
-- Não esquenta, dona. Tá muito bão.
Despediram-se cortesmente. (...) 
(Walcyr Carrasco)

01) Justifique o título dado ao texto, dizendo o que o autor quis dizer com ele: 

02) O narrador procura fazer tudo para que os assaltantes se sintam seguros do êxisto do assalto. Transcreva dois momentos em que isso fica claro: 

03) Diante do bom comportamento do narrador durante o assalto, como os ladrões agiram? 

04) Depois do assalto, os ladrões ficaram satisfeitos e o narrador perdeu o carro. Ainda assim, ele comemora. Explique esse aparente contra-senso: 

05) No sexto parágrafo, em que o narrador conta o assalto de que sua amiga psicóloga foi vítima, qual o contra-senso na atitude dos envolvidos? 

06) Identifique semelhanças entre os três episódios de assaltos: 

07) Explique a primeira frase destacada no texto: 

08) Que palavra encontra-se em itálico no texto? Por quê? 

09) Circule no texto dois vocativos: 

10) Copie do texto marcas de oralidade, explicando sua importância para o texto: 

11) Trata-se de uma narrativa estática ou dinâmica? Justifique sua resposta: 

12) Transcreva do texto três frases nitidamente irônicas: 

13) Localize, nos diálogos, uma expressão que deixa clara a diferença social entre assaltantes e assaltados: 

14) Que mensagem o texto transmite? 

15) Na sua opinião, qual a principal causa de a violência crescer cada vez mais? Explique: 

16) De que forma cada indivíduo pode agir para tentar criar uma sociedade mais pacífica? Justifique sua resposta:

(Algumas questões foram retiradas do livro "Aulas de Redação", de Maria Aparecida Negrinho)

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Atividade com HQ e charges - Incoerência humana


01) Dê um título à história acima:

02) O que ela critica? Justifique sua resposta:

03) O que incomoda o homem no primeiro quadrinho?

04) O que ele então decide fazer? O que você pensa a respeito disso?

05) O que ele resolve fazer, utilizando a madeira da árvore? Com que intenção?

06) Transforme a linguagem não verbal presente no último quadrinho em linguagem verbal:

07) Podemos afirmar que há nessa história uma incoerência? Por quê?

08) Que mensangem ela transmitiu? Comente:

09) Que assuntos podemos extrair da charge? Enumere-os:

10) Produza UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre um dos assuntos que você citou na questão anterior:

11) Transforme a HQ em uma pequena narrativa, sem deixar passar nenhum detalhe!


12) O que a charge acima critica? O que você pensa a respeito disso?

13) Falta muito para o que foi retratado na charge realmente acontecer? Por quê?

14) Crie uma proposta de intervenção (nos moldes do ENEM) para o problema retratado:

15) Por que o pintor parece estar satisfeito? Como você se sentiria no lugar dele? Explique:

16) Conte uma pequena história baseando-se na charge, aproveitando todos os detalhes:


17) Que crítica está sendo feita na charge acima? O que você pensa a respeito disso?

18) Que mensagem a charge transmite?

19) Podemos afirmar que todas as três imagens dialogam entre si? Justifique sua resposta:

20) Aproveite a charge acima para criar uma propaganda sobre preservação da flora e da fauna brasileiras: 

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Jogo "Quem conta um conto", da Estrela, usado para Narração


Hoje recebi o jogo "Quem conta um conto", da Estrela, que pedi no site da Americanas, e estou adorando! A princípio, pedi para brincar com o eu filhote Miguel, de 10 anos, mas já vi que vou levar também para as minhas aulinhas, pois podem sair NARRATIVAS beeeeem ricas e interessantes! Dá para trabalhar também com a questão da coesão e da coerência, sem falar que estimula pra caramba a criatividade das pessoas! Super recomendo! 

Podem pedir para que os alunos, em trio, criem histórias, oralmente, ou propor como eu fiz hoje com o meu filho: a gente tinha que escrever a narrativa, sem deixar passar nenhum detalhe, aproveitando tudo, dando título e, ainda, ilustrando! Enfim, há várias maneiras de colocarmos em prática... 

Para vocês conseguirem ter uma ideia mais clara de como o jogo pode funcionar em sala de aula, vou deixar aqui um exemplo-desafio! Que tal? Vou sortear algumas cartinhas do jogo, colocar aqui e cada um vai ter que criar, nos comentários daqui do blog, uma pequena narrativa usando todos os elementos, direta ou indiretamente. Combinado?!? Tal desafio é muito bom, para que a gente sempre  tente fazer primeiro a atividade que passa para os alunos, pois só assim saberemos, de fato, as dificuldades que podem surgir... e o prazer envolvido em tal tarefa também! Vamos lá?!? Sei que sairão histórias incríveis!!!


  • Duas personagens: Uma FADA e um BOBO DA CORTE;
  • Duas características para cada uma delas: é deficiente físico; é mestre em poções;
  • Dois desafios: Nadar no lago azul com as sereias; escalar os altos muros do castelo;
  • Objetivo: Proteger a floresta encantada de uma terrível queimada provocada pelos trolls de lava. 
Para quem quiser comprar o jogo, aqui está o LINK para a Americanas, onde comprei!!!

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Atividade com imagens sobre o tema "Depressão e Suicídio"


01) O que a imagem acima revela? Com que intenção?

02) Qual o objetivo da pedra? E do balão? 

03) Apesar de tão diferentes, o que ambas as personagens têm em comum? 

04) Sobre que assuntos você escreveria se fosse um tema de redação? Que caminhos seriam possíveis? 

05) Que mensagem podemos extrair de tal imagem?

06) Crie um diálogo entre as duas personagens, em que ambas tentem se ajudar: 


07) O que a imagem acima representa?

08) Por que o rapaz estão regando a árvore? Com qual objetivo?

09) A imagem faz, ao mesmo tempo, várias críticas. Quais? A quê? Comente:

10) O que as duas imagens têm em comum? Explique:

11) Escolha uma delas (ou as duas, se quiser) para elaborar uma narração com uma mensagem de otimismo no final: 

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Atividade sobre a música "Geni e o Zepelim", de Chico Buarque de Holanda


Geni e o Zepelim

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato

E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir:

"Joga Pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!"

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme Zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim.

A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do Zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de ideia!"

Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir".

Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!

Mas, de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro.

Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos.

Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão:

"Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni!"

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu saco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco.

Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu Zepelim prateado.

Num suspiro aliviado
Ela se deitou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir:

"Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!"

(Chico Buarque de Holanda)

01) Justifique o título usado na canção acima:

02) Tal música foi composta em 1978, mas, mesmo assim, podemos afirmar que ela é atual? Justifique sua resposta: 

03) Copie da canção uma antítese, explicando-a:

04) Quem, afinal, é a Geni? Como você a definiria?

05) Tal personagem sofre algum tipo de violência? Comprove com uma passagem do texto:

06) Três instituições são criticadas na canção. Quais são elas? Explique seu raciocínio:

07) Geni nos é pintada, aos olhos do autor, de forma pejorativa? Comente:

08) Quem via Geni de forma preconceituosa? Explique sua resposta:

09) Que força superior apareceu de repente na história? Como você interpreta isso?

10) O horror e a iniquidade vinham de Geni ou da cidade? Por quê?

11) Observe que, em um momento, Geni passa de "maldita" para "bendita". Por que isso ocorre?

12) Que crítica encontra-se embutida na canção? Explique: 

13) Que mensagem a música transmitiu? Comente:

14) Podemos afirmar que há uma certa intertextualidade com alguma passagem bíblica? Justifique sua resposta:

domingo, 11 de agosto de 2019

Brincadeira de Facebook em atividade - Hospital psiquiátrico


BORA BRINCAR?!?
Estou em um hospital psiquiátrico:
Colega de quarto: Verônica Tavares e Nilva Aparecida

Lambe os vidros: Carla Andrade e Valéria Ramos
Planejador de fuga: Bebel Vianna e Elizabeth De Souza Pinto
Senta em um canto: Luana Guerra e Nadiolan Ribeiro
Paciente na solitária: Sevs Henriques e Marcito Rodrigues de Carvalho
Fala sozinho: Luana Dias e Baso Da Silva Souza
Ataca as enfermeiras: George Willians Ribeiro e Alex Lequinho
Psiquiatra com diploma falso: Jânio Dutra e Keyla Silva Dos Santos

Copie e cole e apague os nomes... Então digite @ e a primeira letra de cada frase.

(Autor desconhecido)

Acabei de receber, de duas amigas, essa brincadeira no meu mural do Facebook e, depois, claro, morri de rir porque fui marcada por uma como a que não para de gritar e por outra como psiquiatra com diploma falso! Será que devo ficar preocupada?!? (risos)

Depois de me divertir preenchendo e marcando alguns amigos, resolvi (por que não?) transformar tal zoação em atividade! Quase não gosto, né? kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Como fazer isso?!? Propondo a criação de uma história, envolvendo, obrigatoriamente, todas as personagens, de forma muito criativa. Ninguém pode ficar de fora! Tem que ter começo, meio e fim e o cenário, claro, é no hospital psiquiátrico! Quem se arrisca?!? Quem começa?!? 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Atividade sobre cartum do Quino - Tarado da manequim


01) Que título você daria ao cartum acima?

02) Utilizando apenas adjetivos, caracterize o protagonista da história:

03) Onde ele trabalhava? Qual a sua função?

04) Ele sentia prazer no que fazia? Justifique sua resposta: 

05) O que o homem fez para ir parar na cadeia? 

06) Que implícito foi importante para você chegar a essa conclusão? 

07) Você acha que a prisão foi justa ou injusta? Justifique sua resposta: 

08) Crie um balão de pensamento para o homem no último quadrinho: 

09) O que provavelmente a moça no ponto do ônibus fez? O que você faria no lugar dela? 

10) O que o homem deve ter falado para ela, depois, para se explicar? 

11) Mesmo sem a presença da linguagem verbal, a história foi plenamente entendida? Por quê? 

12) Elabore uma página de diário relatando, da cadeia, o que aconteceu: 

13) Crie uma narração do que aconteceu na história do cartum, não deixando escapar nenhum detalhe:

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Atividade sobre o texto "O menino", de Chico Anysio



O menino

Vou fazer um apelo. É o caso de um menino desaparecido. 
Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos. 
É um menino normal, ou seja: subnutrido, desses milhares de meninos que não pediram pra nascer; ao contrário: nasceram pra pedir. 
Calado demais pra sua idade, sofrido demais pra sua idade, com idade demais pra sua idade. É, como a maioria, um desses meninos de 11 anos que ainda não tiveram infância. 
Parece ser menor carente, mas, se é, não sabe disso. Nunca esteve na Febem, portanto, não teve tempo de aprender a ser uma criança-problema. Anda descalço por amor à bola. 
Suas roupas são de segunda mão, seus livros são de segunda mão e tem a desconfiança de que a sua própria história alguém já viveu antes. 
Do amor não correspondido pela professora, descobriu que viver dói. Viveu cada verso de "Romeu e Julieta", sem nunca ter lido a história. 
Foi Dom Quixote sem precisar de Cervantes e sabe, por intuição, que o mundo pode ser um inferno ou uma badalação, dependendo se ele é visto pelo Nelson Rodrigues ou pelo Gilberto Braga.
De seu, tinha uma árvore, um estilingue zero quilômetro e um pássaro preto que cantava no dedo e dormia em seu quarto. 
Tímido até a ousadia, seus silêncios gritavam nos cantos da casa e seus prantos eram goteiras no telhado de sua alma. 
Trajava, na ocasião em que desapareceu, uns olhos pretos muito assustados e eu não digo isso pra ser original: é que a primeira coisa que chama a atenção no menino são os grandes olhos, desproporcionais ao tamanho do rosto.
Mas usava calças curtas de caroá, suspensórios de elástico, camisa branca e um estranho boné que, embora seguro pelas orelhas, teimava em tombar pro nariz. 
Foi visto pela última vez com uma pipa na mão, mas é de todo improvável que a pipa o tenha empinado. Se bem que, sonhador do jeito que ele é, não duvido nada. 
Sequestrado, não foi, porque é um menino que nasceu sem resgate. 
Como você veem, é um menino  comum, desses que desaparecem às dezenas todos os dias. 
Mas se alguém souber de alguma notícia, me procure, por favor, porque... ou eu encontro de novo esse menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim.
(Chico Anysio)

01) O texto é construído como se fosse um anúncio de busca de pessoa desaparecida. 

a) Em que trecho isso fica explícito? 
b) Em geral, o que caracteriza um texto desse tipo?

02) No texto em estudo:

a) Quais são as características do menino? 
b) Qual era a condição social do menino? Retire do texto, fragmentos que comprovem a sua resposta:

03) O texto faz outras caracterizações do menino, além das físicas. 

a) Que elementos dizem respeito ao mundo infantil do menino? E ao romantismo precoce? 

04) Referindo-se ao menino, o narrador diz 'Sonharos do jeito que ele é". Qual personagem citada no texto também é um sonhador?

05) Observe essas referências feitas ao menino: 

"Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos".

Uma pessoa pode aparentar ser mais jovem ou mais magra, mas não pode ser mais ou menos a sua nacionalidade. O que o autor quis dizer ao afirmar que o menino "parece menos brasileiro"?

06) O narrador também faz referências ao menino utilizando expressões como estas: "subnutrido", "nasceram pra pedir", "ainda não tiveram infância", "sem resgate". Que visão da infância se depreende desses trechos: feliz, bem-cuidada ou desprotegida e carente? Explique:

07) Aos poucos, vai ficando claro o tema do texto e sua verdadeira intencionalidade. 

a) Qual é esse tema? Justifique sua resposta:
b) Apesar de o texto abordar um grave problema da realidade brasileira, ele não perde o humor. Explique como se constrói o humor neste trecho: "é de todo improvável que a pipa o tenha empinado":

08) No último parágrafo há uma revelação importante para o desfecho da história. 

a) Qual é essa revelação?
b) Nesse sentido, o menino procurado se perdeu no espaço ou no tempo? Explique:

09) O narrador aponta todas as carências do menino que ele foi, mas, no final do texto, diz: "ou eu encontro de novo esse menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim". Interprete por que o narradordeseja encontrar o menino que ele foi: 

10) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Você também tem vontade de reencontrar a criança que um dia foi? Justifique sua resposta: 

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Atividade sobre o texto "Dois velhinhos", de Dalton Trevisan

Dois velhinhos

Dois inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela do asilo
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um consegue espiar lá fora
Junto à porta, no fundo da cama, para o outro é a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, pergunta o que acontece. Deslumbrado, anuncia o primeiro:
-- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
-- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
-- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remorde-se no seu canto. O mais velho acaba morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela
Não dorme, antegozando a manhã. O outro, maldito, lhe roubara todo esse tempo o circo mágico do cachorro, da menina, do enterro de rico.
Cochila um instante -- é dia. Senta-se na cama, com dores espicha o pescoço: no beco, muros em ruína, um monte de lixo
(Dalton Trevisan)

01) Por que podemos afirmar que o textículo acima é narrativo?

02) Apesar de ser uma narração, há nele passagens descritivas. 

a) Qual o papel da descrição na fala do narrador? 

b) Para o velhinho isolado, qual o papel das descrições feitas pelo outro?

03) A que é comparado o mundo exterior pelo velhinho que sobrevive?

04) Justifique o título empregado no texto, aproveitando para sugerir um outro:

05) O clímax da narrativa nos é dado por uma descrição. Transcreva-a:

06) Que relação o autor procurou estabelecer entre a descrição final e o mundo imaginado pelo velhinho que sobreviveu?

07) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

08) Caracterize os dois velhinhos (com 5 adjetivos para cada um): 

09) Elabore uma espécie de final para o texto: 

10) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra em destaque no texto:


11) De que maneira a imagem acima dialoga com o texto lido? Comente:

12) Que mensagem ela transmite? Justififique sua resposta: 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Atividade sobre o texto "Sofia", de Luiz Vilela

Sofia

tinham brincado muito, e agora estavam reunidos ao pé do poste, pensando numa nova coisa para fazer. 
Ainda era cedo, a noite apenas começara
-- Vamos mexer com a Sofia? -- propôs um. 
Sofia era a dona do mercadinho -- a vítima predileta deles. Pintavam o sete com ela. Sofia assustava-se com nada, e isso os deliciava. Viviam assombrando-a: vozes estranhas chamando lá fora, e ninguém (estavam no telhado), caveira de mamão verde com vela acesa dentro, capas, máscaras horrorosas, o caixote de lixo que sumia, o ferro de abaixar a porta que sumia, ratos, sapos, largatixas aparecendo de repente, minha nossa! quase desmaiava, dessa vez eu chamo o guarda, mas nunca chamava o guarda, e tudo o que fazia era ameaçar os meninos, agitando o braço gordo:
-- Eu vai contar bra seu pai, menino! Eu vai contar pra seu pai! 
Eles riam, alegres, distantes do braço dela. 
-- Raledine baculé, pé de turco tem chulé!
-- Moleques! Sembregonhas! 
-- Sofia guer gombra galinha de raça? Cadê os urubus que ocê comprou, hem Sofia? Cadê as galinhas de raça?
Caíam na risada. 
(Luiz Vilela)

01) Justifique o título do textículo, aproveitando para criar um outro:

02) O que significa a expressão "Pintar o sete", empregada no texto?

03) Copie do texto um vocativo, justificando:

04) Retire do texto exemplos de oralidade:

05) Podemos considerar as falas de Sofia como desvios? Justifique sua resposta:

06) Como ficariam tais falas se fossem registradas no padrão formal da língua portuguesa?

07) Qual parece ser a nacionalidade de Sofia? Comprove com uma passagem do próprio texto:

08) Que mensagem o texto lhe transmtiu?

09) Caracterize Sofia e os dois meninos com 5 adjetivos cada um: 

10) Diga a que classe gramatical cada palavra destacada pertence:

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Atividade sobre o texto "O príncipe que coaxava", de Cora Rónai


O príncipe que coaxava 

Um dia, um dos conselheiros achou que, no fundo, o que estava faltando para o príncipe era uma namorada. Os outros conselheiros concordaram e despacharam mensageiros pelo reino à cata da mais linda princesa
Os mensageiros andaram e andaram, cavalgaram e cavalgaram, falaram com milhares de princesas, fizeram pesquisas de opinião pública e, finalmente, encontraram a mais linda, a mais encantadora de todas as princesas. 
Tinha cabelos pretos e muito compridos, olhos da cor e da doçura do mel, uma pele suave e delicada como as pétalas das rosas. 
Os conselheiros aprovaram a princesa. E, com grande pompa, a vestiram de dourado e foram apresentá-la ao príncipe. 
-- Que tal, Alteza? -- perguntou um deles, muito solícito.
-- Hum -- resmungou o ex-sapo, afundado na poltrona. -- Hum, Grrmmpff.
-- Vossa Alteza não gostou da princesa?  -- perguntou o conselheiro, incrédulo. -- Não gostou?
-- Não. 
-- Mas por quê?! É a mais linda princesa do reino. Seus cabelos são os mais sedosos, seus olhos os mais ternos, a sua tez...
-- Não gostei da cor
-- Perdão, Alteza, mas eu não entendi. Da cor?! Mas se ela tem a cor do pêssego maduro, se os seus lábios têm a cor da romã...
-- Pois é.
-- Ah, entendi. Vossa Alteza gostaria de uma princesa... mais bronzeada...?
-- Não.
-- Então eu não entendi. 
-- Eu queria uma princesa verde e lustrosa.

Constrangidíssimos, os conselheiros deixaram o quarto, convencidos de que o príncipe estava irremediavelmente maluco. Sacudiram a cabeça, entristecidos. Os mais otimistas tentaram descobrir se haveria, em algum canto da Terra, um reino em que as princesas fossem verdes.
E lustrosas. 
(Cora Rónai)

01) Justifique o título dado ao texto acima, aproveitando para sugerir um outro:

02) Que ideia um dos conselheiros do reino teve para acabar com a tristeza do príncipe? O que você achou disso?

03) Que atitude os outros conselheiros tomaram após concordarem com essa ideia?

04) O que os mensageiros fizeram para encontrar a mais linda princesa?

05) Marque no texto as partes descritivas, circulando os adjetivos:

06) Que argumento um dos conselheiros apresentou ao príncipe para convencê-lo a namorar a princesa? Funcionou?

07) Por que o príncipe não gostou da princesa? Justifique sua resposta:

08) Podemos dizer que no texto predomina a narração? Por quê?

09) Podemos dizer que o final foi imprevisível? Justifique sua resposta:

10) Explique o objetivo da repetição de palavras presente no segundo parágrafo:

11) Retire do texto uma comparação, dizendo se ela foi ou não feliz:

12) Existe no texto alguma hipérbole? Se sim, transcreva-a, explicando seu raciocínio:

13) Copie do texto um vocativo:

14) Localize no texto exemplos de oralidade:

15) Qual a função dos travessões utilizados no texto?

16) Justifique o emprego do porquê em negrito, usado na história:

17) Justifique a acentuação do verbo em negrito no texto:

18) Existe no texto alguma onomatopeia? Se sim, copie-a, explicando seu raciocínio:

19) Assinale a opção que melhor expressa a ideia principal do texto:

(  ) Os conselheiros eram solidários com a tristeza do príncipe.
(  ) O sapo virou príncipe, mas continuava com o coração de sapo.
(  ) A linda princesa não conseguiu encantar o príncipe.

20) Numere os fatos na sequência em que ocorrem no texto, de modo a obter um resumo da história:

(   ) O principe andava muito triste.
(   ) O príncipe não gostou da princesa.
(   ) Os conselheiros mais otimistas ainda tentaram encontrar uma princesa que estivesse de acordo com o gosto do príncipe.
(   ) Os conselheiros apresentaram a princesa para o príncipe.
(   ) O príncipe disse que queria uma princesa verde e lustrosa.
(   ) Os mensageiros procuraram e encontraram uma linda princesa.
(   ) Os conselheiros acharam que o príncipe estava maluco.
(   ) Os conselheiros resolveram arrumar uma namorada para o príncipe.

21) Que mensagem o texto transmite? Comente:

22) Classifique morfologicamente as palavras destacadas no texto, respectivamente:

P.S.: Eu costumo parar no "verde e lustrosa" e omito o final para pedir que os alunos criem um. Saem coisas fantásticas! Experimente! E eles ficam ansiosos para saberem o final verdadeiro e se passaram perto... (risos)