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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Atividade sobre a música "Memórias", da Banda Malta


Memórias

Hoje eu vejo que não consigo entender
O que houve entre nós
Eu ainda consigo ouvir sua voz
Me dizendo o que eu já sei

Tudo tem um começo e um fim
Eu vejo a dor em seu olhar
E mesmo sem querer eu te deixo partir
Pra que possa tentar ser feliz
Outra vez recomeçar

Quando eu me perco em suas memórias
Vejo um espelho contando histórias
Sei que é difícil de esquecer essa dor
E quando penso no que vivemos
Fecho os olhos, me perco no tempo
Pra mim não acabou

E quando eu me perco em suas memórias
Vejo um espelho contando histórias
Sei que é difícil de esquecer essa dor
E quando penso no que vivemos
Fecho os olhos, me perco no tempo
Pra mim sei que você vai seguir

Mas eu não vou desistir
Eu espero que você se entregue nesse amor
Sei que você vai seguir
Mesmo com a dor vai lembrar de mim

(Banda Malta) 

01) Justifique o título dado à música:

02) Copie da canção uma antítese, explicando seu raciocínio:

03) Transcreva da música uma prosopopeia, justificando sua resposta:

04) Por que você acha que o eu lírico deixa a pessoa amada partir?

05) Copie do texto exemplos de oralidade:

06) Que mensagem a canção transmite? Comente:

Atividade sobre o vídeo sobre "Objetos perdidos" (6 minutos)


01) Justifique o título dado ao vídeo acima:

02) O que a velhinha mostra ao senhor? O que ela deseja com isso?  Teve êxito?

03) Qual a segunda imagem que ela mostra? Com que objetivo? Conseguiu alcançá-lo?

04) O que ela mostra ao senhor que o faz tão rapidamente querer atender ao pedido?

05) Cite os próximos objetos por ela procurados:

06) Explique por que o curta já não perde mais tanto tempo mostrando cada um deles:

07) O que é usado, no curta, para marcar o tempo?

08) O que quebra um pouco a rotina dos personagens? Por quê? Levante hipóteses:

09) O que o senhor vai fazendo com todas as fotografias apresentadas?

10) Que objeto foi capaz de ativar a memória de ambos? Justique sua resposta:

11) Que mensagem o vídeo transmite? Comente:

12) Que objetos perdidos você gostaria de recuperar? Justifique sua resposta:

(Vídeo indicado pela colega de grupo: Vilma Inocêncio

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Atividade sobre a crônica "Fim de linha", de Lourenço Diaféria


Fim de linha

Linha férrea. Os trilhos com casca marrom de ferrugem. Capim, touceiras, uma cabra. A cancela derrubada. As casas com as paredes descascadas ao lado do desvio, a plataforma de cimento com o teto desbeiçado, telhas furadas. Um velho e amarelo anúncio do Biotônico. Cachorro vadiando, galinhas, pintos -- eis o que restou da Estação. 
A Estação. A imagem do trem aparecendo na curva, soltando a fumaça branca do apito que se misturava à fumaça mais escura da lenha junto à caldeira. 
Gente importante. O chefe da Estação tinha debrum dourado no quepe, dava ordens. Sem sua bandeirada e seu gesto, sem o seu sopro na latinha, o trem não se punha em marcha. 
Revejo agora a Estação: reduzida a destroços, sucata, vagões abandonados onde moram pessoas sem nenhuma autoridade e sem nenhuma esperança. Ninguém aguarda mais o trem. Ninguém reclama. Ninguém chega com jacás de frangos. Ninguém conta as novidades da roça. Gente na beira da estrada e à beira da vida. 
Olho e sinto falta de alguma coisa. 
Roubaram o trem da minha infância, o que corria nos trilhos e o pai disse que ia trazer e não trouxe, que esperasse, talvez na semana seguinte, nem na semana seguinte, nem nunca: o trem não chegou. Trem de corda custava caro. Elétrico, então, nem pensar. O negócio que o pai tinha em vista não deu certo, ele não falou por pudor, para não magoar o filho, mas desmanchou-se no ar o sonho do trenzinho. 
Havia em compensação o trem maior, de ferro e de verdade, palpável, vigoroso, maciço, barulhento e perigoso. -- Não encosta que lá vem o trem, cuidado! -- E as crianças se afastavam do vapor que espirrava por cima e por baixo, se afastavam dos ferros e das engrenagens que trovejavam, e tudo era maravilhoso quando se podia subir no trem e viajar duas, quatro, seis estações, horas intermináveis, pois o trem tinha fôlego para vencer distâncias infinitas, parecia que a força dele vinha das nuvens e da erva-cidreira. 
Um dia descobri o pretão da Central, mineiro sabido, que era a força do trem: o foguista. [...] Era soberbo e ao mesmo tempo humilde, tinha músculos que tremiam nos braços, e com a pá ele jogava -- o que seria mesmo, lenha ou carvão?
A memória do homem da locomotiva. 
Chamava-se Tião. Uma vez me levou a São João Del Rey, Barbacena, Congonhas do Campo, me ensinou a gostar das minas e de seu povo geral, acho que devo isso a ele. Fizemos baldeação em Barra do Piraí, eu saí pela janela junto com a mala, de noite as luzes dos vagões se apagavam, comia-se frango com farofa e bebia-se água de garrafão. O trem era uma aventura. 
Espio agora a Estação abandonada. Tenho certeza de que Tião morreu. Ele não suportaria ver a Estação e a linha férrea neste fim de picada, e continuar vivo. 

(Lourenço Diaféria)

01) Justifique o título dado à crônica:

02) Do que o narrador lamenta? Comprove com uma passagem do texto:

03) O que ele queria ganhar quando era criança? Por que não ganhou?

04) Copie do texto cinco adjetivos que se referem a um mesmo substantivo, dizendo qual é ele:

05) Transcreva da crônica uma antítese, justificando sua resposta:

06) Por que o narrador tem certeza de que Tião morreu? O que você pensa sobre isso?

07) Que mensagem o texto transmite? Comente:

08) Qual o sujeito da oração sublinhada no texto? Classifique-o, justificando:

09) Localize do texto:

a) dois substantivos próprios:
b) dois advérbios de tempo:
c) um advérbio de negação:
d) três numerais:
e) um substantivo composto:
f) um advérbio de intensidade:

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Atividade sobre o texto "Livro: a troca", de Lygia Bojunga Nunes


Livro: a troca

Para mim, livro é vida: desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida. 
Foi assim: eu brincava de construtora; livro era tijolo; em pé, fazia parede; deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro. 
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pra parede). Primeiro, olhando desenhos; depois decifrando palavras. 
Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação. 
Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava. 
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que -- do meu jeito de ver as coisas -- é a troca da própria vida: quanto mais buscava no livro, mais ele me dava. 
Mas como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia alargar a troca: comecei a fabricar tijolo para em algum lugar uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.

(Lygia Bojunga Nunes)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Que posição do livro chamou mais ainda a sua atenção? Por quê?

03) Para a autora, quantas possibilidades existem no livro, além de servir para ler?

04) O que significa "de tanto olhar pra parede", que se encontra entre parênteses no texto?

05) Interprete a passagem "derrubei telhados com a cabeça":

06) Copie do texto uma antítese, explicando sua escolha:

07) Transcreva do texto uma passagem que indica proporção, justificando:

08) Explique o efeito causado pela repetição do verbo COMER no penúltimo parágrafo: 

09) Que profissão escolheu a autora? Comprove com uma passagem do texto: 

10) A autora afirma que os livros lhe deram casa e comida. Explique essa afirmação: 

11) Por que a autora, com o tempo, foi se esquecendo de construir novas casas? 

12) Como o livro pode levar alguém a morar no mundo inteiro? Você concorda com isso? 

13) Que tipo de tijolo a autora passou a fabricar? Está no sentido denotativo ou conotativo? Explique:

14) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

15) Podemos afirmar que o texto faz uso de metáforas? Explique bem, dando exemplos: 

16) O texto tem caráter narrativo e / ou dissertativo? Por quê? 

17) Você gosta de livros? O que busca neles? 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Atividade sobre o texto "A casa do meu avô", de Danuza Leão


A casa do meu avô

Meu avô paterno, que se chamava Heródoto, tinha dois irmãos, Kociusko e Aristóbulo; sua casa era bem diferente da casa da minha avó materna. 
Eram também 11 tios e tias, mas todos nervosos, desobedientes, brigões e barulhentos. Falavam alto, discutiam e davam grandes gargalhadas -- tudo ao mesmo tempo. Depois que minha avó morreu, meu avô se casou de novo; os três filhos do primeiro casamento odiavam a madrasta, é claro, e eram correspondidos com intensidade, coisa de uma família normal. Sendo assim, seus enteados -- entre eles meu pai -- tinham muita liberdade: para fazer e sobretudo para pensar. 
Todos adoravam comer e, como a casa era perto do mar, havia sempre grandes peixadas, muito mexilhão, muito camarão de rio e de mar e muita lagosta. No quintal, um canteiro só de pimenta malagueta, e a família se fartava. Comia-se macarrão com pimenta, ovo frito com pimenta, pão com pimenta, sempre tirada na hora, do pé -- em conserva, nem pensar. A pimenta era amassada com a faca e espalhada sobre o que se ia comer. Todo mundo saía da mesa fungando, e meu avô dizia: "Se não chorar, não vale". Os mais velhos, quando iam à casa de outros parentes, levavam pimentas num vidrinho, para o que desse e viesse. 
No quintal, um monte de galinhas soltas, e também um galo grande, lindo, de penas ruivas, e um galinho garnisé branco. A primeira percepção de vida que senti -- sem entender -- foi quando segurei pela primeira vez um ovo que a galinha tinha acabado de botar. O ovo era quente, mas um quente diferente, perturbador; um quente vivo
Havia uma mangueira e os mais novos amarravam um saquinho na ponta de uma vara para tirar as mangas ainda verdes; as frutas eram massageadas para que parecessem maduras e vendidas numa rua longe de casa -- espertos, os meninos. Quando se comia galinha, o que era raro, era ao molho pardo, e a garotada não perdia a cena, com direito a muito cacarejo e muito sangue. A briga na mesa era pela moela, o objeto de desejo de todos. O pescoço era jogado para um cachorro vira-lata que não tinha dono e sempre aparecia para descolar alguma sobra de comida. Ah, na casa do meu avô nunca se falou em religião, nem nunca ninguém foi à missa. 
Lá não havia muita disciplina; a madrasta de meu pai não conseguia mandar nos que não eram seus filhos e, como os dela queriam fazer o que os meios-irmãos faziam, o resultado era uma confusão permanente. Um dia, a família resolveu se mudar e, quando chegaram à casa nova e contaram, notaram que faltava uma criança; foi preciso voltar para buscá-la. 
Quando meu avô ficou tuberculoso, o médico recomendou uma cidade de bom clima, e a família mudou-se para Barbacena. Fomos visitá-lo uma vez; seu prato, seu copo e seus talheres eram separados dos dos outros, e não se podia chegar perto para não pegar a doença. Ele ficava o dia todo na varanda, triste, numa cadeira de vime, com as pernas cobertas por uma manta, tomando leite, coitado. 
Era especial, meu avô, e com ele não havia essa de economizar nos sentimentos: quando eu nasci, mandou fazer meu nome em metal, bem grande, e botou na fachada da casa onde morava. Ah, meu avô querido. 
Depois que ele morreu, a família se dispersou, mas ainda guardo dele a mais linda carta que já recebi, contando um sonho que havia tido comigo, querendo me abraçar e não conseguindo. 
O tempo passou, mas ainda sei trechos dessa carta de cor -- e continuo gostando muito de comer pimenta. 
E, como ele dizia, se não chorar, não vale. 

(Danuza Leão)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Por que a figura do avô paterno foi tão marcante para a autora?

03) De que "primeira vez" fala a autora? Justifique sua resposta com uma passagem do próprio texto:

04) O que os nomes próprios citados no texto têm em comum?

05) Que mensagem o texto transmite?

06) Justifique as aspas utilizadas no texto:

07) Interprete a passagem destacada no texto -- "um quente vivo":

08) Que lembranças você tem dos seus avós? Comente:

09) O que era tão cobiçado quando a comida era galinha? E o que era desprezado?

10) Copie do texto duas interjeições, dizendo o que elas transmitem:

11) Transcreva do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

12) Localize no texto:

a) um advérbio de modo:
b) seis adjetivos:
c) quatro numerais:
d) dois pronomes possessivos:
e) dois advérbios de intensidade:
f) um substantivo derivado:
g) dois advérbios de tempo:
h) um advérbio de negação:
i) um advérbio de lugar:

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Atividade sobre o texto "Lembrança", de Luiz Vilela

Lembrança

Lembro-me de que ele só usava camisas brancas. Era um velho limpo e eu gostava dele por isso. Eu conhecia outros velhos e eles não eram limpos. Além disso eram chatos. Meu avô não era chato. Ele não incomodava ninguém. Nem os de casa ele incomodava. Ele quase não falava. Não pedia as coisas a ninguém. Nem uma travessa de comida na mesa ele gostava de pedir. Seus gestos eram firmes e suaves e quando ele andava não fazia barulho. 
Ficava no quartinho dos fundos e havia sempre tanta gente e tanto movimento na casa que às vezes até se esqueciam da existência dele. De tarde costumava sair para dar uma volta. Ia só até a praça da matriz que era perto. Estava com setenta anos e dizia que suas pernas estavam ficando fracas. Levava-me sempre com ele. Conversávamos mas não me lembro sobre o que conversávamos. Não era sobre muita coisa. Não era muita coisa a conversa. Mas isso não tinha importância. O que gostávamos era de estar junto.
Lembro-me de que uma vez ele apontou para o céu e disse: "olha". Eu olhei. Era um bando de pombos e nós ficamos muito tempo olhando. Depois ele voltou-se para mim e sorriu. Mas não disse nada. Outra vez eu corri até o fim da praça e lá de longe olhei para trás. Nessa hora uma faísca riscou o céu. O dia estava escuro e uma ventania agitava as palmeiras. Ele estava sozinho no meio da praça com os braços atrás e a cabeça branca erguida contra o céu. Então pensei que meu avô era maior que a tempestade. 
Eu era pequeno, mas sabia que ele tinha vivido e sofrido muita coisa. Sabia que cedo ainda a mulher o abandonara. Sabia que ele tinha visto mais de um filho morrer. Que tinha sido pobre e depois rico e depois pobre de novo. Que durante sua vida uma porção de gente o havia traído e ofendido e logrado. Mas ele nunca falava disso. Nenhuma vez o vi falar disso. Nunca o vi queixar-se de qualquer coisa. Também nunca o vi falar mal de alguém. As pessoas diziam que ele era um velho distinto. 
Nunca pude esquecer sua morte. Eu o vi, mas na hora não entendi tudo. Eu só vi o sangue. Tinha sangue por toda a parte. O lençol estava vermelho. Tinha uma poça no chão. Tinha sangue até na parede. Nunca tinha visto tanto sangue. Nunca pensara que uma pessoa se cortando pudesse sair tanto sangue assim. Ele estava na cama e tinha uma faca enterrada no peito. Seu rosto eu não vi. Depois soube que ele tinha cortado os pulsos e aí cortado o pescoço e então enterrado a faca. Não sei como deu tempo dele fazer isso, mas o fato é que ele fez. Tudo isso. Como eu não sei. Nem por quê. 
No dia seguinte ainda tornei a ver sua camisa perto da lavanderia e pensei que mesmo que ela fosse lavada milhares de vezes nunca mais poderia ficar branca. Foi o único dia em que não o vi limpo. Se bem que sangue não fosse sujeira. Não era. Era diferente. 
(Luiz Vilela)

01) Justifique o título dado ao texto, aproveitando para sugerir um outro:

02) O autor explora a simbologia das cores, o que torna o texto muito cromático, visual. Comente os possíveis valores que essa simbologia assume no contexto em que é apresentada:

03) Procure no texto uma comparação, dizendo se ela tem caráter objetivo ou subjetivo:

04) Faça uma lista dos adjetivos e das ações que caracterizam o avô e, em seguida, elabore seu retrato físico e psicológico: 

05) Copie do texto um trecho narrativo, explicando seu raciocínio:

06) Transcreva do texto uma parte descritiva, justificando sua escolha:

07) Copie do texto uma antítese, explicando-a:

08) Localize na crônica um exemplo de polissíndeto, justificando:

09) Justifique as aspas utilizadas no texto:

10) Que mensagem o texto transmite?

11) Todos nós temos lembranças e algumas são boas e outras nem tanto. Considerando isso, comente sobre esses dois tipos de lembranças, especialmente se forem relacionadas a seus avós (se com eles conviveu):

(Participação especial da amiga Ana Cristina Pires, com a última questão!)

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Atividade sobre a crônica "A visita", de Walcyr Carrasco

Tenho MUITO amor por esse texto do Carrasco e, assim como ele, tenho MUITO carinho e gratidão a todos os professores que passaram pela minha vida, e olha que não foram poucos! Agradeço até àqueles em que eu não via muito comprometimento, pois me fizeram ver o que eu NÃO queria ser! O não-exemplo também tem sua serventia, e muito! E espero ser assim especial feito a dona Thelma para alguns tantos alunos que já passaram pela minha vida em tantos anos exercendo com amor, mesmo aos trancos e barrancos, essa profissão que me escolheu! FELIZ DIA DO PROFESSOR a todos esses loucos que acreditam na Educação! 

A visita

Há pessoas que ficam guardadas na alma da gente. De repente minha memória ilumina um sorriso, uma palavra, um gesto de alguém que não vejo há muito tempo. No último Dia das Mães, resolvi rever minha antiga professora de Ciências, dona Thelma. Estudei com ela no Instituto de Educação Monsenhor Bicudo, em Marília, no interior de São Paulo, no tempo em que o ensino médio era chamado de ginásio. Mas perdi o contato: fui criado na cidade somente até os 15 anos. Quando minha família se mudou, veio completa. Não deixamos parentes a quem visitar. Durante mais de quarenta anos, não voltei a Marília. Sempre me lembrava de dona Thelma, mas, contraditoriamente, nunca a visitei. 
Uma ex-colega de classe, Malau, que também só revi recentemente, localizou seu endereço. Minha mãe raramente comparecia às festas escolares quando eu era garoto. Em um Dia das Mães os alunos receberam rosas para oferecer. Entreguei a minha a dona Thelma, que, às vezes, eu chamava de mãe, um pouco por malandragem. Certa vez, na fila do cinema, dona Thelma chegou com o filho pequeno e me pediu para comprar seu ingresso. O funcionário proibiu:
-- Não pode comprar, ela tem de ir para o fim da fila!
Gritei, muito espertinho: -- Mas ela é minha mãe! 
-- Ah, se é mãe, pode! 
Passei a chamá-la de mãe e sempre recebia um sorriso cúmplice de volta! 
Em suas aulas contemplei a beleza das células através do microscópio. Apaixonei-me pela teoria da evolução das espécies. Ela me ensinou a pesquisar por conta própria, já que gostava tanto do tema. 
Assim, um pouco me sentindo como um molequinho, apareci de surpresa em sua casa, em Marília. Em dúvida sobre o presente adequado, levei uma caixa de bombons e o meu livro "Anjo de quatro patas". Ela me recebeu com o mesmo sorriso e os gestos leves, divertidos, juvenis apesar dos seus 77 anos.
-- Nem estou arrumada! Entre, entre! 
Adorou os bombons, autografei o livro. Serviu café com bolo. Quis saber da minha carreira. Eu, de sua vida: teve cinco filhos. O mais velho mora nos Estados Unidos, a mais nova com ela. Aposentada, dedica-se a seu marido, João Décio, professor de Literatura da Unesp, autor de quatro livros. 
Falou da juventude, dos tempos de pobreza durante a faculdade. Da vida de professora. Lembramos meus tempos de escola. Muitas vezes, na época, eu a visitava. Ela me dava xerox das poesias que o marido usava como material para as aulas na universidade. Assim conheci Fernando Pessoa e Florbela Espanca.  
Mas durante todo o tempo da visita tinha a sensação de que deveria ter levado um presente mais valioso. De repente confessei:
-- Odiamos quando você começou a nos dar aulas!
-- Verdade?
-- Ainda me lembro da primeira prova. Decorei tudo. Só caíram perguntas que exigiam raciocínio! Foi um desastre.
Ela riu.
-- Sempre fui contra a decoreba.
-- Depois eu comecei a juntar uma coisa com a outra. Você também me mostrou como fazer pesquisa.
Fiz uma pausa, procurando as palavras certas. 
-- Tudo o que aprendi com você me  acompanha até agora, Thelma. Sabe, você me ensinou a pensar. Eu não teria me tornado quem sou hoje se você não tivesse sido minha professora.
Compreendi que meu verdadeiro presente estava além do material. Era meu profundo agradecimento por ela ter existido em minha vida. O brilho dos seus olhos me disse quanto se sentiu gratificada. Eu também, pela oportunidade de dizer que ela se tornou inesquecível não só para o garoto que eu fui, mas também para o homem em que me transformei. 

(Walcyr Carrasco)

01) Justifique o título empregado na crônica, aproveitando para sugerir um outro: 

02) Que sentimentos ele, agora adulto, ainda cultiva em relação a sua professora?

03) Por que ele perdeu o contato com sua ex-professora?

04) Por que ele considera contraditório nunca tê-la visitado? Você concorda com ele? 

05) Por que ele se lembrou da professora e resolveu revê-la justamente no Dia das Mães? 

06) De que ele mais gostava em sua professora? 

07) Do que ele não gostou? Por quê?

08) Em relação ao que não gostou em dona Thelma, hoje ele ainda pensa assim?

09) Qual a profissão do narrador? Em que medida a professora pode ter contribuído para que ele despertasse para essa profissão?

10) Em certo momento da conversa, ele procura "as palavras certas". No contexto, o que isso significa?

11) Você acha que existem mesmo "palavras certas"? Justifique sua resposta:

12) O que o narrador estava imaginando que fosse "um presente mais valioso"? E depois o que ele percebeu que já estava dando a ela um presente ainda mais valioso? Qual era ele?

13) Ele, que foi levar um presente à sua professora, também foi presenteado? Explique:

14) Que mensagem o texto transmitiu? 

15) Você também teve um professor especial, que marcou a sua vida? Comente: 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Atividade sobre o texto "As cocadas", de Cora Coralina


Cocadas

Eu devia ter nesse tempo dez anos. Era menina prestimosa e trabalhadeira à moda do tempo.
Tinha ajudado a fazer aquela cocada. Tinha areado o tacho de cobre e ralado o coco. Acompanhei rente à fornalha todo o serviço, desde a escumação da calda até a apuração  do ponto. Vi quando foi batida e estendida na tábua, vi quando foi cortada em losangos. Saiu uma cocada morena, de ponto brando, atravessada de paus de canela cheirosa. O coco era gordo, carnudo e leitoso, o doce ficou excelente. Minha prima me deu duas cocadas e guardou tudo mais numa terrina grande, funda e de tampa pesada. Botou no alto da prateleira.
Duas cocadas só... Eu esperava qatro e comeria de uma assentada oito, dez, mesmo. Dias seguidos namorei aquela terrina, inacessível de noite, sonhava com as cocadas. De dia as cocadas dançavam pequenas piruetas na minha frente.Sempre eu estava por ali perto, ajudando nas quitandas, esperando, aguando e de olho na terrina. 
Batia os ovos, segurava a gamela, untava as formas, arrumava nas assadeiras, entregava na boca do forno e socava cascas no pesado almofariz de bronze.  
Estávamos nessa lida e minha prima precisou de uma vasilha para bater um pão de ló. Tudo ocupado. Entrou na copa e desceu a terrina, botou em cima da mesa, deslembrada do seu conteúdo. Levantou a tampa e só fez: Hiiiii... Apanhou um papel pardo, sujo, estendeu no chão, no canto da varanda e despejou de uma vez a terrina. 
As cocadas moreninhas, de ponto brando, atravessadas aqui e ali de paus de canela e feitas de coco leitoso e carnudo guardadas ainda morenas e esquecidas, tinham se recoberto de uma penugem cinzenta, macia e aveludada de bolor. 
Aí minha prima chamou o cachorro: Trovador... Trovador... e veio o Trovador, um perdigueiro de meu tio, lerdo, preguiçoso, nutrido e abanando a cauda. Farejou os doces sem interesse e passou a lamber, assim de lado, com o maior pouco caso. 
Eu olhando com uma vontade louca de avançar nas cocadas. 
Até hoje, quando me lembro disso, sinto dentro de mim uma revolta -- má e dolorida -- de não ter enfrentado decidida, resoluta, malcriada e cínica, aqueles adultos negligentes e partilhado das cocadas bolorentas com o cachorro. 

(Cora Coralina)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) No segundo parágrafo, a personagem narra todo o trabalho de fazer o doce e seu aspecto depois de pronto e termina dizendo onde a prima gardou as cocadas. 

a) Explique com que intenção foram dadas essas informações:
b) Comente a escolha dos adjetivos usados para descrever a cocada pronta e o coco com quem foi feita:

03) Compare o comportamento da prima e o sentimento da menina em relação às cocadas estragadas: 

04) Volte ao texto e releia a descrição do cachorro e da forma como ele lambe as cocadas. Que sentimento essa descrição lhe despertou? 

05) Localize no texto:

a) dois numerais, classificando-os:
b) cinco adjetivos, dizendo a que substantivo se referem:
c) um substantivo derivado, dizendo de que palavra ela derivou:
d) dois pronomes, classificando-os:

06) Copie do texto uma passagem que possui uma carga de desapontamento:

07) Que mensagem o texto transmite? Comente:

08) Sobre a frase "O coco era gordo, carnudo e leitoso, o doce ficou excelente", responda:

a) Quais são os verbos desse período? Quantas orações ele possui? Divida-as:
b) Circule os adjetivos nela presentes, fazendo uma setinha para o substantivo a que se referem:
c) Por que foi usada a primeira vírgula? E a segunda?

09) Elabore duas questões sobre o texto lido, respondendo-as:

domingo, 7 de julho de 2019

Atividade sobre o texto "A casa materna", de Vinícius de Moraes

A casa materna

Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se oculta num lugar onde só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e úmido que os demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias que a mão filiarl, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste.

É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem. Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras primaveras. as coisas vivem como em prece, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando as mãos maternas careciam sonhar.

A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que o olhar filial admirava ao tempo em que tudo era belo: o licoreiro magro, a bandeja triste, o absurdo bibelô. E tem um corredor à escuta, de cujo teto à noite prende uma luz morta, com negras aberturas para quartos cheios de sombra. Na estante junto à escada há um "Tesouro da Juventude" com o dorso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial primeiro viu a forma gráfica de algo que passaria para ele a forma suprema da beleza: o verso. 

Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos maternos a presença dos passos filiais. Pois a casa materna se divide  em dois mundos: o térreo, onde processa a vida presente, e o de cima, onde vive a memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa: roquefort amassado, ovos frescos, mangas-espada, untuosas compotas, bolos de chocolate, biscoitos de araruta -- pois não há lugar mais propício do que a casa materna para uma boa ceia noturna. E porque é uma casa velha, há sempre uma barata que aparece e é morta com uma repugnância que vem de longe. Em cima ficam os guardados antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno oratório em frente ao qual ninguém a não ser a figura materna sabe por que queima às vezes uma vela votiva. E a cama onde a figura paterna repousava de sua agitação diurna. Hoje, vazia. 

A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu violão dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como que se marca ainda na velha poltrona da sala e como que se pode ouvir ainda o brando ronco de sua sexta dominical. Ausente para sempre da casa materna, a figura paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos maternas se fazem mais lentas e as mãos filiais mais unidas em torno à grande mesa, onde já agora vibram também vozes infantis. 
(Vinícius de Moraes)

01) Justifique o título do texto em questão:

02) Copie a passagem de que você  mais gostou, dizendo o porquê: 

03) Justifique as aspas utilizadas em "Tesouro da Juventude": 

04) Apenas no último parágrafo o cronista faz referência à morte do pai. Entretanto, ele realça a presença paterna. Cite dois fortes indícios dessa presença: 

05) O que se pode concluir da linha final dessa crônica? 

06) Pinte de azul todos os adjetivos presentes no texto: 

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

08) Ilustre essa belíssima crônica, colorindo-a: 

09) A crônica lida evoca a memória do passado, da infância, buscando na casa materna os indícios de um tempo de amor e segurança. Ela explora os espaços que marcaram a forte presença da mãe e do pai -- portas, fotos, louças -- compondo uma belíssima página de recordação. Como seria a sua memória com relação à casa materna? Capriche! 

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Atividade sobre a crônica "A máquina", de Lúcia Carvalho


A máquina

                Morreu uma tia minha. Ela morava sozinha, não tinha filhos. A família toda foi até lá num final de semana, separar e dividir as coisas dela para esvaziar a casa. Móvel, roupa de cama, louça, quadro, livro, tudo espalhado pelo chão, uma tremenda confusão.
                Foi quando ouvi meus filhos me chamarem.
                — Mãe! Maiê!
                — Faaala.
                Eles apareceram, esbaforidos.
                — Mãe. A gente achou uma coisa incrííível. Se ninguém quiser, essa coisa pode ficar para a gente? Hein?
                — Depende. Que é?
                Eles falavam juntos, animadíssimos.
                — Ééé... uma máquina, mãe.
                — É só uma máquina meio velha.
                — É, mas funciona, está ótima!
                Minha filha interrompeu o irmão mais novo, dando uma explicação melhor.
                — Deixa que eu falo: é assim, é uma máquina, tipo um... teclado de computador, sabe só o teclado? Só o lugar que escreve?
                — Sei.
                — Então. Essa máquina tem assim, tipo... uma impressora, ligada nesse teclado, mas assim, ligada direto. Sem fio. Bem, a gente vai, digita, digita...
                Ela ia se animando, os olhos brilhando.
                — ... e a máquina imprime direto na folha de papel que a gente coloca ali mesmo! É muuuito legal! Direto, na mesma hora, eu juro!
                Ela jurava / fiquei muda. Eu que jurava que não sabia o que falar diante dessa explicação de uma máquina de escrever, dada por uma menina de 12 anos. Ela nem ai comigo. Continuava.
                — ... entendeu como é, ô mãe? A gente, zupt, escreve e imprime, até dá para ver a impressão tipo na hora, e não precisa essa coisa chatérrima de entrar no computador, ligaaar, esperar hóóóras, entrar no world, de escrever olhando na tela e sóóó depois mandar para a impressora, não tem esse monte de máquina tuuudo ligada uma na outra, não tem que ter até estabilizador, não precisa comprar cartucho caro, nada, nada, mãe! É muuuito legal. E nem precisa de colocar na tomada! Funciona sem energia e escreve direto na folha da impressora!
                — Nossa, filha...
                — ... ah, mas só tem duas coisas que são meio chatas: não dá para trocar a fonte e nem aumentar a letra, mas não tem problema não. Vem, que a gente vai te mostrar. Vem...
                Eu parei e olhei, pasma, a máquina velha. Sensacional pensar assim. Eles davam pulinhos de alegria.
                — Mãe. Será que alguém da família vai querer? Hein? Ah, a gente vai ficar torcendo, torcendo para ninguém querer para a gente poder levar lá para casa, isso é o máximo! O máximo!
                Bem, enquanto estou aqui escrevendo nesse meu antiquado "teclado", ouço de longe o plec - plec da tal máquina maravilhosa, que, claro, ninguém da família quis, mas que aqui em casa já deu até briga. Está no meio da nossa sala de estar, em lugar nobre, rodeada de folhas e folhas de textos "impressos na hora" pelos meus filhos. Incrível, eles dizem, plec - plec - plec, muito legal essa máquina mesmo, plec - plec - plec.
                Céus. Achei que tinha acabado, quando a minha filha vem de novo falar comigo, toda decidida e animada, com um texto recém escrito (sem ligar nada na tomada) na mão.
                — Mãe. Me ajuda a fazer uma coisa muito legal que eu morro de vontade de fazer?
                — O que é?
                Ela deu um sorriso, com um ar sonhador.
                — Ah, eu queria tanto colocar isso dentro de uma carta... no correio, com envelope, selo colado... nunca fiz isso, mãe... ahhh, me ajuda?
(Lúcia Carvalho)

01) A crônica gira em torno da descoberta de uma antiga máquina de escrever pelas crianças. Por que esse fato mereceu ser explorado na crônica?

02) Como as crianças reagiram diante dessa descoberta? Por quê?

03) A cronista explora o lado pitoresco e engraçado dessa situação: o que é antigo (a máquina de escrever) parece moderno e o que é moderno (o computador) parece ultrapassado. Que elementos da máquina de escrever são valorizados pelas crianças? O que você pensa a respeito disso?
04) A utilização da máquina para escrever cartas e a necessidade de colocá-las no correio despertaram o interesse de uma das crianças. A partir dessa informação, responda: O que é possível deduzir sobre o meio que ela, provavelmente, utiliza para se comunicar por escrito?
05) A autora reproduz o jeito como a menina fala ao explicar como era a máquina de escrever, e diz que ela “zupt, escreve e imprime” e o computador precisa “ligaaar, esperar hoooras”, “e sóóó depois mandar para a impressora”. O que essa forma de registro revela sobre o que a menina concluiu?
06) Ao descrever a máquina, a menina diz “é uma máquina, tipo um... teclado de computador”. O que o emprego das reticências indica nesse trecho? Copie do texto um trecho que indique essa mesma situação:
07) O assunto dessa crônica nos leva a refletir sobre a velocidade dos avanços tecnológicos no mundo moderno e a capacidade inventiva e criadora do homem. Na sua opinião, que outras máquinas ou objetos podem ser uma “novidade” para as crianças de hoje?

08) Copie do texto dois exemplos de vocativo, justificando sua resposta:

09) A repetição das vogais no trecho “...ligaaar, esperar hoooras,...” pretende realçar:

(A) o som de eco, dada a amplitude da casa da menina.
(B) o pouco tempo que o computador demora para inicializar.
(C) a falta de qualidade na impressão de um documento.
(D) o longo tempo de inicialização do computador.

10)  Encontramos o registro da linguagem informal em:

(A) “Morreu uma tia minha.”
(B) “Eles apareceram esbaforidos.”
(C) “Ela nem aí comigo.”
(D) “E nem precisa colocar na tomada.”

sábado, 30 de março de 2019

Atividade sobre o filme "Narradores de Javé" (1 h 40 min)


Sinopse:  Somente uma ameaça à própria existência pode mudar a rotina dos habitantes do pequeno vilarejo de Javé. É aí que eles se deparam com o anúncio de que a cidade pode desaparecer sob as águas de uma enorme usina hidrelétrica. Em resposta a essa notícia tão devastadora, a comunidade adota uma ousada estratégia: decide preparar um documento contando todos os grandes acontecimentos heróicos de sua história, para que Javé possa escapar da destruição. Como a maioria dos moradores é analfabeta, a primeira tarefa é encontrar alguém que possa escrever as histórias. 

01) Qual a importância da tradição oral para um povo?

02) A lógica da oralidade se aplica totalmente à escrita? Justifique sua resposta:

03) As narrativas dos moradores se conflitavam? Explique:

04) Você concorda que "lembrar é presentificar o passado"? Comente:

05) "Uma coisa é o fato acontecido, outra coisa é o fato escrito". Em que esse contexto se encaixa na história do filme? 

06) Qual o tema do filme? O que os realizadores do filme tentaram nos passar? Eles, afinal, conseguiram? 

07) Para os personagens do filme por que era importante resgatar a memória e escrever a história daquele vilarejo?

08) Do que você mais gostou nesse filme? Por quê?

09) Comente especialmente sobre o final do filme:

10) O que significa fazer o "papel de escriba"? E qual seria esse papel em especial naquela comunidade?

11) Analise as práticas de letramento da referida comunidade:

12) Como você percebe a relação entre ser alfabetizado e ser letrado no contexto do filme?

13) Que lição de vida podemos aprender com esse filme?

14) Como você considera a importância da memória para uma sociedade?

15) Relacione ao filme ao ditado popular "O povo aumenta, mas não inventa":

16) Como você, em poucas palavras, registraria a história de Javé?

17) De 0 a 10, que nota você daria ao filme em questão? Por quê?

18) Ainda no começo do filme, quando surge o primeiro "flashback", vê-se a imagem de um sino tocando e, logo depois, de pessoas correndo em direção à igreja. O que essas imagens querem nos revelar?

19) Escreva UM parágrafo envolvendo a construção de barragens e a consequente desconstrução de memórias de um povo:

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Atividade sobre o texto "A casa da minha avó", de Danuza Leão

A casa da minha avó

Era um sobrado; na parte de baixo, o armazém do meu avô, onde se vendia um pouco de tudo. Tecidos, renda, sianinha, botões, fumo de rolo, açúcar, feijão e grãos de um modo geral - não em pacotes, mas em sacos grandes, que ficavam no chão. No andar de cima, onde morava a família, era a casa de minha avó -- nunca do meu avô.
No armazém havia um balcão onde os mais chegados iam toda tarde conversar, com direito a um copinho de cachaça -- um só. Meu avô, italiano, se vestia de terno, gravata e colete, e em casa se concedia o direito de tirar o paletó, mas sempre de gravata e colete.
Em cima, dando para a praça, havia uma sala de visitas que só era aberta em ocasiões muito especiais -- que nunca aconteciam --, com sofá, cadeiras estofadas e um piano. Mais para dentro uma grande sala de jantar onde todos almoçavam e jantavam à mesma hora -- 11h30 e 19h; em cada quarto, três ou quatro camas, e banheiro era um só, para os avós, 12 filhos e os netos que passavam grandes temporadas.
Minhas oito tias só tinham um objetivo na vida: arranjar um marido, e bastava que ele fosse um rapaz bom e trabalhador. Das oito, só uma trabalhava: era professora, e ia a cavalo, todos os dias, dar aulas. Foi a única que ficou solteira. As outras se casaram e para suas filhas só havia um objetivo na vida: casar, ter filhos. E assim corria a vida.
Nos fundos da casa, havia uma varanda virada para o rio; ao lado, a cozinha com uma janela de onde se tinha a vista mais bonita da casa; por essa janela a empregada jogava o lixo. A palavra ecologia ainda não existia e da varanda nós, crianças, ficávamos vendo as cascas de laranja e banana sendo levadas pela correnteza.
A grande aventura era dormir no chão duro. Os menores imploravam para ter o privilégio de dormir com um lençol em cima dos tacos e um travesseiro. Era essa a grande farra.
Uma vez por semana vinha um homem lavar o chão da casa; ele jogava baldes de água, passava sabão, depois enxaguava, tirava o excesso com um rodo e secava com um pano. Só a sala da frente era encerada e o brilho dado na mão, com uma flanela. Quando o trabalho estava pronto ficava um cheiro de casa de gente honesta, de gente direita. Onde foram parar esses cheiros?
As comidas eram de interior: galinha quase todo dia e, para dar uma corzinha ao refogado, colorau. Os legumes eram de roça: abobrinha, jiló, couve, repolho, chuchu. Às vezes uma tia perguntava: "Você quer um ovo frito?" Esse privilégio só acontecia às vezes e só para os netos que estavam de visita.
As sobremesas eram doce de banana em rodelas e de mamão verde. Esse meu lado da família (da minha mãe) não era muito de comer. Lá pelas 21h tinha um lanche modesto: café com leite, pão e manteiga; aos domingos havia biscoitos, e cada uma das crianças tinha o direito de fazer um do feitio que quisesse, que era sempre o mesmo: uma lagartixa e no lugar dos olhos, dois feijões.
Uma ou duas vezes por ano o rio subia sem violência, tranquilamente, e inundava a cidade; as pessoas saíam de casa de bote para fazer compras ou uma visita. Uma enchente era melhor do que qualquer coisa, e as pessoas tiravam retratos nos botes.
Havia muitas visitas a tias, avós e primas longínquas. Os laços familiares eram cultivados com cuidado, mas o melhor de tudo era quando as tias moravam do outro lado do rio, porque aí a gente atravessava a ponte o que era, sempre, uma emoção. E ainda havia a ponte de ferro por onde passava o trem, que era um perigo. O sonho de todos nós, crianças, era atravessar essa ponte pulando sobre os dormentes, e a minha falta de coragem para desobedecer e atravessar a ponte de ferro é uma frustração até hoje não superada. Outra: nunca ter tomado um banho no rio.
São belas as lembranças de quem passou parte da infância em uma cidade do interior com um rio e uma ponte -- duas, aliás.
E melhor ainda é lembrar
(Danuza Leão)

01) Justifique o título dado à crônica:

02) Explique a passagem destacada no primeiro parágrafo do texto, aproveitando para mencionar se ali houve ou não um certo "feminismo": 

03) Que ideia a autora quer reforçar com a expressão em negrito localizada no segundo parágrafo? 

04) O que a terceira passagem em negrito quer dizer? O que isso significa? Que conselho nos dá? 

05) Você vê a questão dos horários rígidos, na passagem em destaque no texto, como sendo algo bom ou ruim? Justifique sua resposta: 

06) A casa ter um só banheiro era, para a autora, considerado um problema? Por quê? Comprove com uma passagem do próprio texto:

07) Há, no texto, alguma crítica com relação ao comportamento das mulheres na época? Se sim, qual? Transcreva do texto a passagem, explicando seu raciocínio:

08) Explique a quinta passagem em destaque no texto, dizendo se isso foi uma crítica embutida ou apenas uma observação da autora: 

09) Copie do texto uma passagem que revela que certas ideias são passadas de geração a geração, dizendo o que você acha, sinceramente, disso:

10) Transcreva do texto uma crítica feita pela autora à falta de consciência ecológica da época, mencionando quem era a pessoa da casa que errava e o provável porquê de isso acontecer:

11) O que seria "cheiro de casa de gente honesta, de gente direita"? Comente: 

12) Podemos afirmar que na sexta passagem destacada no texto existe uma ambiguidade? Explique-a, aproveitando para responder à pergunta feita pela autora: 

13) Observe a sétima passagem destacada no texto. Você acha que há um tratamento diferenciado para quem é "de casa" e para quem está só de passagem, de visita? Por quê? 

14) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente: 

15) Localize no texto:

a) um substantivo no grau diminutivo:
b) um substantivo derivado:
c) um adjetivo pátrio:
d) dois numerais:
e) um verbo no gerúndio:

16) A autora menciona oito tias, mas nada diz sobre os tios. Apesar disso, há um dado no texto que nos permite inferir que eles eram quatro. Que dado é esse? Transcreva-o: 

17) Qual era a frustração da autora? E qual é a sua, se tiver? 

18) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto, numerando-as, para facilitar: 

sábado, 13 de agosto de 2016

Atividade sobre o filme "Divertida Mente" (1 h 35 min)


Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, especialmente cinco, sendo a líder deles a Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle - e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.

01) Justifique o título do filme, explicando de que duas maneiras podemos entendê-lo:

02) Quais são os sentimentos que participam ativamente da história? Como eles se relacionam uns com os outros?

03) Que cores cada sentimento tinha no filme? Você as manteria ou substituiria por outras? Quais?

04) Você acha que se pode se sentir feliz e triste ao mesmo tempo? Justifique sua resposta: 

05) Para que servem as memórias-base? Quais a menina mais usava antes de se mudar? Qual você acha que mais usa em sua vida?

06) Que mudança brusca ocorreu na vida da protagonista? Como ela lidou com isso? Que sentimento predominou nesse momento?

07) Que problema a Riley acha que vai conseguir solucionar ao fugir de casa? Por que ela estava enganada? O que poderia ter acontecido a ela se levasse o plano até o fim?

08) De que parte do filme você mais gostou? Por quê?

09) Que sentimento você achou mais interessante? Justifique sua resposta:

10) Que mensagem o filme transmite? Comente:

11) Escreva um momento da sua vida para representar cada um dos sentimentos presentes no filme:

12) Faça um desenho com todos os seus sentimentos, dando mais espaço ao que está predominando neste momento: 

sábado, 15 de outubro de 2011

Minhas memórias - Quando tudo começou...


Tentei forçar o HD da memória a fim de me lembrar da minha primeira aula, do meu início como PROFESSORA! Nessa estranha corrida no tempo, alguns momentos chegaram primeiro, e com tamanha vantagem com relação a outros. Poderia citar aqui o seminário que eu dei ainda no Ensino Médio (que, na época, ainda se chamava Segundo Grau), ou as aulas de reforço que eu dava aqui em casa a fim de faturar uns trocadinhos, ou aquela aula que eu dei para a minha própria turma, ou as aulas exigidas no período de estágio, ou a primeira aula que eu dei para a minha primeira turma no Colégio de Aplicação da  FERLAGOS, quando nem formada eu ainda era e havia um "estagiária" no meu contrato em vez de "professora".


Poderia, acho, considerar a primeira aula que dei quando entrei para o Estado, depois do juramento feito na formatura (que me deixou tão emocionada a ponto de chorar e que eu até hoje levo a sério)  e quando a tal "estagiária" deixou de existir para ganhar o peso da "professora". Só que nenhuma dessas lembranças, confesso, respondeu à pergunta "Quando tudo começou?" e aí descobri que, antes mesmo de eu me dar conta, já me pegava sendo professora, quando colocava minhas bonecas enfileiradas e tentava ensinar para elas todas as novidades que eu aprendia na escola. Houve um tempo em que as bonecas se tornaram silenciosas e apáticas demais... e então passei a substituí-las pelas crianças da vizinhança! Recordo-me que, apesar de eu sempre querer aprender, tudo, NUNCA aceitei ser aluna nesse tipo de brincadeiras, o que é curioso. A professora que havia em mim gritava e eu precisava ouvi-la, mesmo que, ao mesmo tempo, planejasse ser veterinária, advogada, psicóloga.
Apesar dos pesares, AMO a minha profissão e ainda me acho não só útil, mas também uma AMEAÇA a todos aqueles que sonham com um mundo repleto de seres tomados pela cegueira, pela alienação, pela submissão, pela manipulação. VIVA OS PROFESSORES QUE AINDA ACREDITAM EM MUDANÇAS! Felizmente alguns ainda me fazem companhia nesta luta! Graças a Deus!