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domingo, 25 de outubro de 2020

Atividade sobre a crônica "A mulher sem medo", de Moacyr Scliar

 A mulher sem medo

"Cientistas americanos estudam o caso de uma mulher portadora de uma rara condição, 
em resultado da qual ela não tem medo de nada". 

(Folha de São Paulo)

Ele não sabia o que o esperava quando, levado mais pela curiosidade do que pela paixão, começou a namorar a mulher sem medo. Na verdade havia ali também um elemento interesseiro; tinha um projeto secreto, que era o de escrever um livro chamado "A vida com a mulher sem medo", uma obra que, imaginava, poderia fazer enorme sucesso, trazendo-lhe fama e fortuna. Mas ele não tinha a menor ideia do que viria a acontecer. 
Dominador, o homem queria ser o rei da casa. Suas ordens deveriam ser rigorosamente obedecidas pela mulher. Mas como impor sua vontade? Como muitos ele recorria a ameaças: quero o café servido às nove horas da manhã, senão... E aí vinham as advertências: senão eu grito com você, senão eu bato em você, senão eu deixo você sem comida. 
Acontece que a mulher simplesmente não tomava conhecimento disso; ao contrário, ria às gargalhadas. Não temia gritos, não temia tapas, não temia qualquer tipo de castigo. E até dizia, gentil: "Bem que eu queria ficar assustada com suas ameaças, como prova de consideração e de afeto, mas você vê, não consigo". 
Aquilo, além de humilhá-lo profundamente, deixava-o completamente perturbado. Meter medo na mulher transformou-se para ele em questão de honra. Tinha de vê-la pálida, trêmula, gritando por socorro. 
Como fazê-lo? Pensou muito a respeito e chegou a uma conclusão: para amedrontá-lo só barata ou rato. Resolveu optar pela barata, por uma questão de facilidade: perto de onde moravam havia um velho depósito abandonado, cheio de baratas. Foi até lá e conseguiu quatro exemplares, que guardou num vidro de boca larga. 
Voltou para casa e ficou esperando que a mulher chegasse, quando então soltaria as baratas. Já antegozava a cena: ela sem dúvida subiria numa cadeira, gritando histericamente. E ele enfim se sentiria o vencedor. 
Foi neste momento que o rato apareceu. Coisa surpreendente, porque ali não havia ratos, sobretudo um roedor como aquele, enorme, ameaçador, o Rei dos Ratos. Quando a mulher finalmente retornou encontrou-o de pé sobre uma cadeira, agarrado ao video com as baratas, gritando histericamente. 
Fazendo jus à fama, ela não demonstrou o menor temor; ao contrário, ria às gargalhadas. Foi buscar uma vassoura, caçou o rato pela sala, conseguiu encurralá-lo e liquidou-o sem maiores problemas. Feito que ajudou o homem, ainda trêmulo, a descer da cadeira. E aí viu que ele segurava o vidro com as quatro baratas. O que deixou-a assombrada: o que pretendia ele fazer com os pobres insetos? Ou aquilo era um novo tipo de perversão? 
Àquela altura ele já nem sabia o que dizer. Confessar que se tratava do derradeiro truque para assustá-la seria um vexame, mesmo porque, como ele agora o constatava, ela não tinha medo de baratas, assim como não tivera medo do rato. O jeito era aceitar a situação. E admitir que viver com uma mulher sem medo era uma coisa no mínimo amedrontadora. 

(Moacyr Scliar)

01) O que inicia a crônica do Moacyr Scliar? Como a notícia dialoga com o texto? 

02) Justifique o título dado ao texto: 

03) Como o homem encarava o fato de a mulher não sentir medo de nada? 

04) Por que o homem pensou logo em ratos e baratas? 

05) No que resultou essa experiência? Quem, afinal, tinha medo disso tudo?

06) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

sábado, 10 de outubro de 2020

Atividade sobre o texto "A carregadora de pedras", de Sônia Biondo

 A carregadora de pedras 

Desde que conquistou o direito à jornada dupla de trabalho, a chamada mulher moderna ainda parece estar longe de conseguir desfazer o mal-entendido que provocou a briga pela igualdade profissional com os homens. Não era bem isso o que desejava. Mas, no afã de se liberar de outras opressões, ela acabou partindo para o mercado de trabalho como se ele fosse a solução de todos os problemas financeiros, conjugais, maternais e muitos outros "ais". E pagou o preço da precipitação, claro. 
Agora não adianta chorar sobre o leite derramado -- até porque a maior parte das vezes continua sendo ela que vai limpar, ah, ah! Falando sério, todas nós sabemos que há muito a fazer para promover alguns ajustes e atualizações nessa relação de direitos e deveres de homens e mulheres. Como falar sobre isso ajuda, vamos lá. 
Em primeiro lugar, a questão do tempo livre. Que não existe, de fato. Aquele ditado "descansa carregando pedras" foi feito para ela. Trabalhando fora ou dentro de casa, a mulher dificilmente se livra da carga das tarefas domésticas, mesmo que não se envolva pessoalmente. Costuma ser dela a responsabilidade pela arregimentação das empregadas, faxineiras, babás, jardineiros, lavadeiras, passadeiras, prestadores de serviço em geral, sem falar no abastecimento da casa. (...)
Depois, com o desaparecimento gradual da parceria patroa / empregada doméstica, homens e mulheres terão, mais cedo do que pensam, que lidar com a administração do caos doméstico. Sem privilégios. E a primeira providência para esse futuro cor-de-rosa começa com a educação progressista dos filhos, os novos maridos e esposas que contarão com uma boa ajuda de um arsenal de maravilhas eletrônicas -- entre elas, a de empregada-robô. Que não enguiça. Porque, se enguiçar, já sabem quem vai mandar consertar. Ou não? 
(Sônia Biondo)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Qual é o tema abordado? Justifique sua resposta: 

03) O que parece ter dado errado na luta pelos direitos iguais? Como solucionar isso, segundo a autora? 

04) De que outras opressões a mulher queria se livrar? Cite-as: 

05) Copie do texto um ditado popular, que não aparece entre aspas, dizendo com que intenção ele foi usado: 

06) Transcreva do texto uma passagem irônica: 

07) Localize no texto dois pares de antíteses, explicando seu raciocínio: 

08) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

09) Que resposta se espera para a pergunta feita no final do texto? 

10) Com que objetivo ela foi empregada? Surtiu efeito? 

domingo, 20 de setembro de 2020

Atividade sobre o poema "Prisão", de Cecília Meireles

Prisão 

Nesta cidade
Quatro mulheres estão no cárcere.
Apenas quatro. 
Uma na cela que dá para o rio, 
Outra da cela que dá para o monte,
Outra na cela que dá para a igreja
E a última na do cemitério
Ali embaixo.
Apenas quatro.

Quarenta mulheres noutra cidade, 
Quarenta, ao menos,
Estão no cárcere. 
Dez voltadas para as espumas,
Dez para a lua movediça,
Dez para pedras sem resposta,
Dez para espelhos enganosos.
Em celas de ar, de água, de vidro
Estão presas quarenta mulheres, 
Quarenta ao menos, naquela cidade. 

Quatrocentas mulheres
Quatrocentas, digo, estão presas:
Cem por ódio, cem por amor, 
Cem por orgulho, cem por desprezo
Em celas de ferro, em celas de fogo,
Em celas sem ferro nem fogo, somente
De dor e silêncio,
Quatrocentas mulheres, numa outra cidade, 
Quatrocentas, digo, estão presas. 

Quatro mil mulheres, no cárcere,
E quatro milhões -- e já nem sei a conta,
Em cidades que não se dizem,
Em lugares que ninguém sabe,
Estão presas, estão para sempre 
-- sem janela e sem esperança,
Umas voltadas para o presente, 
Outras para o passado, e as outras
Para o futuro, e o resto -- o resto,
Sem futuro, passado ou presente, 
Presas em prisão giratória,
Presas em delírio, na sombra, 
Presas por outros e por si mesmas, 
Tão presas que ninguém as solta, 
E nem o rubro galo do sol 
Nem a andorinha azul da lua
Podem levar qualquer recado 
À prisão por onde as mulheres 
Se convertem em sal e muro. 

(Cecília Meireles) 

01) Justifique o título dado ao poema acima:

02) Qual é o tema central do poema? Justifique sua resposta: 

03) Explique o verso destacado na primeira estrofe do texto, e a sua repetição: 

04) Copie da poesia duas antíteses, explicando seu raciocínio: 

05) Podemos afirmar que há uma gradação no poema? Justifique sua resposta: 

06) Qual a importância dos numerais para o entendimento da história? Explique: 

07) O que seriam "lua movediça", "pedras sem respostas" e "espelhos enganosos"?

08) O que essas três expressões transmitem? 

09) Interprete os versos em destaque na terceira estrofe: 

10) Que mensagem o texto transmite? Comente: 


11) De que forma a imagem acima dialoga com o poema de Cecília? 

12) Copie do poema uma passagem que dialoga mais diretamente com ela: 

13) Quem o passarinho está representando, se o considerarmos uma metáfora?

14) Por que poderia a liberdade se tornar um dos maiores medos? 

15) Como associar o tema em questão à realidade de muitas mulheres que sofrem abusos (de todos os tipos)? Explique: 

(Texto sugerido pela querida amiga Luciene Gomes) 

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Atividade sobre placas interessantes - Valorização da Mulher

Placa 01:


Placa 02:


Placa 03: 


Placa 04: 


Placa 05: 


Placa 06: 


Placa 07: 


Placa 08: 


01) Por que cada placa começa utilizando o gênero masculino?

02) O fato de vir uma informação relacionada à mulher surpreende? Por quê?

03) Explique a escolha das cores das letras utilizadas em cada uma delas:

04) O que todas as placas têm em comum? Justifique sua resposta:

05) Associe as placas ao "Agosto Lilás":

06) Qual foi a provável intenção de quem criou as placas? Ela foi alcançada? Comente:

07) Quem é o anunciante? Que implícitos ele traz para o contexto?

08) Qual placa chamou mais a sua atenção? Por quê?

10) Faça uma pesquisa e responda de forma sucinta às perguntas abaixo:

a) Quem é a mulher indiretamente citada na placa 01?

b) O que o fato de ela ser nordestina acrescenta a tal homenagem?

c) Quem foi a mulher que inventou o GPS, contemplada na placa 02?

d) E que outra informação ajuda a quebrar ainda mais paradigmas?

e) Que atriz ganhou mais vezes o Oscar? Qual a importância disso?

f) Quem é a mulher citada na placa 04? Comente:

g) De quem se trata a mulher da placa 05? O que acrescenta o fato de ela ser japonesa?

h) Quem é a mulher presente na placa 06? Que palavra usada ajuda a quebrar ainda mais preconceitos?

i) Cite a mulher a que se refere a placa 07 e o que isso revela em termos comportamentais: 

j) Quem inventou a cerveja, na placa 08? Isso causou alguma surpresa? Por quê? 

11) Que placas você adicionaria? Crie pelo menos duas, seguindo o mesmo esquema das placas analisadas: 

(Atividade feita em parceria com as amigas Cristina Barata,
Else Portilho e Maria Aparecida)

terça-feira, 24 de março de 2020

Atividade sobre a música "Opinião", de Elza Soares


Opinião

Podem me prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro, eu não saio, não.

Se não tem água, eu furo um poço
Se não tem carne, eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixo andar, deixo andar

Falem de mim o que quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor,
Estou pertinho do céu. 

(Elza Soares)

01) Justifique o título da música, aproveitando para sugerir um outro:

02) Circule no texto um vocativo:

03) Existe na canção algum exemplo de anáfora? Justifique sua resposta:

04) Que formas de "convencimento" são citadas no texto? O que você pensa a respeito disso?

05) O que significa a expressão "deixo andar"?

06) Que sentimentos os versos destacados no texto transmitem? Por quê?

07) Copie da música uma passagem que mostra que o eu lírico não liga para a opinião alheia:

08) E você? Costuma se importar com o que pensam a seu respeito? Comente:

09) Por que o eu lírico está pertinho do céu?

10) Que mensagem a canção transmite? Comente: 

11) Você acha que não mudar de opinião é bom ou ruim? Explique seu raciocínio: 

domingo, 8 de março de 2020

Atividade sobre o conto "Entre a espada e a rosa", de Marina Colasanti

Entre a espada e a rosa 

Qual é a hora de casar, senão aquela em que o coração diz "quero"? A hora que o pai escolhe. Isso descobriu a Princesa na tarde em que o Rei mandou chamá-la e, sem rodeios, lhe disse que, tendo decidido fazer aliança com o povo das fronteiras do Norte, prometera dá-la em casamento ao seu chefe. Se era velho e feio, que importância tinha frente aos soldados que traria para o reino, às ovelhas que poria nos pastos e às moedas que despejaria nos cofres? Estivesse pronta, pois breve o noivo viria buscá-la. 
De volta ao quarto, a Princesa chorou mais lágrimas do que acreditava ter para chorar. Embotada na cama, aos soluços, implorou ao seu corpo, a sua mente, que lhe fizesse achar uma solução para escapar da decisão do pai. Afinal, esgotada, adormeceu. 
E na noite sua mente ordenou, e no escuro seu corpo ficou. E ao acordar de manhã, os olhos ainda ardendo de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Com quanto medo correu ao espelho! Com quanto espanto viu cachos ruivos rodeando-lhe o queixo! Não podia acreditar, mas era verdade. Em seu rosto, uma barba havia crescido. 
Passou os dedos lentamente entre os fios sedosos. E já estendia a mão procurando a tesoura, quando afinal compreendeu. Aquela era a sua resposta. Podia vir o noivo buscá-la. Podia vir com seus soldados, suas ovelhas e suas moedas. Mas, quando a visse, não mais a quereria. Nem ele nem qualquer outro escolhido pelo Rei. 
Salva a filha, perdia-se porém a aliança do pai. Que tomado de horror e fúria diante da jovem barbada, e alegando a vergonha que cairia sobre seu reino diante de tal estranheza, ordenou-lhe abandonar o palácio imediatamente. 
A Princesa fez uma trouxa pequena com suas jóias, escolheu um vestido de veludo cor de sangue. E, sem despedidas, atravessou a ponte levadiça, passando para o outro lado do fosso. Atrás ficava tudo o que havia sido seu, adiante estava aquilo que não conhecia.
Na primeira aldeia aonde chegou, depois de muito caminhar, ofereceu-se de casa em casa para fazer serviços de mulher. Porém ninguém quis aceitá-la porque, com aquela barba, parecia-lhes evidente que fosse homem. 
Na segunda aldeia, esperando ter mais sorte, ofereceu-se para fazer serviços de homem. E novamente ninguém quis aceitá-la porque, com aquele corpo, tinham certeza de que era mulher. 
Cansada, mas ainda esperançosa, ao ver de longe as casas da terceira aldeia, a Princesa pediu uma faca emprestada a um pastor, e raspou a barba. Porém, antes mesmo de chegar, a barba havia crescido outra vez, mais cacheada, brilhante e rubra do que antes. 
Então, sem mais nada pedir, a Princesa vendeu suas jóias para um armeiro, em troca de uma couraça, uma espada e um elmo. E, tirando do dedo o anel que havia sido de sua mãe, vendeu-o para um mercador, em troca de um cavalo. 
Agora, debaixo da couraça, ninguém veria seu corpo, debaixo do elmo, ninguém veria sua barba. Montada a cavalo, espada em punho, não seria mais homem, nem mulher. Seria guerreiro.
E guerreiro valente tornou-se, à medida que servia aos Senhores dos castelos e aprendia a manejar as armas. Em breve, não havia quem a superasse nos torneios, nem a vencesse nas batalhas. A fama da sua coragem espalhava-se por toda parte e a precedia. Já ninguém recusava seus serviços. A couraça falava mais que o nome. 
Pouco se demorava em cada lugar. Lutava cumprindo seu trato e seu dever, batia-se com lealdade pelo Senhor. Porém suas vitórias atraíam os olhares da corte, e cedo os murmúrios começavam a percorrer os corredores. Quem era aquele cavaleiro, ousado e gentil, que nunca tirava os trajes de batalha? Por que não participava das festas, nem cantava para as damas? Quando as perguntas se faziam em voz alta, ela sabia que era chegada a hora de partir. E ao amanhecer montava seu cavalo, deixava o castelo, sem romper o mistério com que havia chegado. 
Somente sozinha, cavalgando no campo, ousava levantar a viseira para que o vento lhe refrescasse o rosto acariciando os cachos rubros. Mas tornava a baixá-la, tão logo via tremular na distância as bandeiras de algum torreão. 
Assim, de castelo em castelo, havia chegado àquele governado por um jovem Rei. E fazia algum tempo que ali estava. 
Desde o dia em que a vira, parada diante do grande portão, cabeça erguida, oferecendo sua espada, ele havia demonstrado preferi-la aos outros guerreiros. Era a seu lado que a queria nas batalhas, era ela que chamava para os exércitos na sala de armas, era ela sua companhia preferida, seu melhor conselheiro. Com o tempo, mais de uma vez, um havia salvo a vida do outro. E parecia natural, como o fluir dos dias, que suas vidas transcorressem juntas. 
Companheiro nas lutas e nas caçadas, inquietava-se, porém, o Rei vendo que seu amigo mais fiel jamais tirava o elmo. E mais ainda inquietava-se, ao sentir crescer dentro de si m sentimento novo, diferente de todos, devoção mais funda por aquele amigo do que um homem sente por um homem. Pois não podia saber que à noite, trancado o quarto, a princesa encostava seu escudo na parede, vestia o vestido de veludo vermelho, soltava os cabelos, e diante do seu reflexo no metal polido, suspirava longamente pensando nele. 
Muitos dias se passaram em que, tentando fugir do que sentia, o Rei evitava vê-la. E outros tantos em que, percebendo que isso não a afastava de sua lembrança, mandava chamá-la, para arrepender-se em seguida e pedia-lhe que se fosse. 
Por fim, como nada disso acalmasse seu tormento, ordenou que viesse ter com ele. E, em voz áspera, lhe disse que há muito tempo tolerava ter a seu lado um cavaleiro de rosto sempre encoberto. Mas que não podia mais confiar em alguém que se escondia atrás de ferro. Tirasse o elmo, mostrasse o rosto. Ou teria cinco dias para deixar o castelo. 
Sem resposta, ou gesto, a Princesa deixou o salão, refugiando-se no seu quarto. Nunca o Rei poderia amá-la, com sua barba ruiva. Nem mais a quereria como guerreiro, com seu corpo de mulher. Chorou todas as lágrimas que ainda tinha para chorar. Dobrada sobre si mesma, aos soluços, implorou ao seu corpo que lhe desse uma solução. Afinal, esgotada, adormeceu.
E na noite sua mente ordenou, e no escuro seu corpo brotou. E ao acordar de manhã, com os olhos inchados de tanto chorar, a Princesa percebeu que algo estranho se passava. Não ousou levar as mãos ao rosto. Com medo, quanto medo! Aproximou-se do escudo polido, procurou seu reflexo. E com espanto, quanto espanto! Viu que, sim, a barba havia desaparecido. Mas em seu lugar, rubras como os cachos, rosas lhe rodeavam o queixo. 
Naquele dia não ousou sair do quarto, para não ser denunciada pelo perfume, tão intenso que ela própria sentia-se embriagar de primavera. E perguntava de que adiantava ter trocado a barba por flores, quando, olhando no escudo com atenção, pareceu-lhe que algumas rosas perdiam o viço vermelho, fazendo-se mais escuras que o vinho. De fato, ao amanhecer, havia pétalas no seu travesseiro. 
Uma após a outra, as rosas murcharam, despetalando-se lentamente. Sem que nenhum botão viesse substituir as flores que se iam. Aos poucos, a rósea pele aparecia. Até que não houve mais flor alguma. Só um delicado rosto de mulher. 
Era chegado o quinto dia. A Princesa soltou os cabelos, trajou seu vestido cor de sangue. E, arrastando a cauda de veludo, desceu as escadarias que a levariam até o Rei, enquanto um perfume de rosas se espalhava no castelo. 
(Marina Colasanti)

01) Justifique o título dado ao conto acima:

02) Segundo o texto, qual é a hora de casar?

03) Em troca de que o Rei daria a Princesa em casamento? O que você pensa a respeito disso?

04) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

05) O que a mente da princesa ordenou? Qual foi a consequência disso?

06) Qual foi a reação do Rei? Por que ele agiu dessa maneira? O que você faria no lugar dele?

07) O que a princesa levou consigo ao deixar o castelo?

08) Por que ela precisou vender as suas jóias?

09) Quais foram os serviços que a Princesa procurou e por que ela foi rejeitada?

10) Quanto tempo a princesa ficava em cada reino? E quando ela sabia que já era a hora de partir?

11) O que tinha de diferente no reino do jovem Rei? Como ele a tratava?

12) Do que o Rei fugia? Por quê?

13) Depois disso, o que o jovem Rei ordenou? O que você pensa a esse respeito?

14) Durante muitas passagens do texto, há referência à cor vermelha. Por quê?

15) Que mensagem o conto transmite? Comente:

16) Elabore um final para a história lida:

Atividade sobre Dia da Mulher - Mulher Maravilha

01) Que título você daria ao cartum acima? Por quê?

02) Por que usaram a figura da Mulher Maravilha para representar essa mulher moderna, atual?

03) Quantos braços, aparentemente, a mulher possui? E como isso é possível? O que isso representa?

04) Diga o que representa cada um desses objetos na mão da mulher, em termos de cobrança, dizendo de quem vêm cada uma delas, em geral: 

a) Livro:
b) Frigideira:
c) Celular:
d) Secador:
e) Mamadeira:
f) Pesinho de ginástica:
g) Espanador:
h) Pasta:
i) Monociclo:

05) Que expressão você percebe na mulher? Justifique sua resposta:

06) Que mensagem o cartum transmite? Comente:

07) Posicione-se sobre o bordão "A mulher faz tudo que o homem faz só que de salto alto", explicando seu ponto de vista:

Aproveitando para desejar um FELIZ DIA DA MULHER, hoje e todos os dias!!!

quinta-feira, 5 de março de 2020

Atividade sobre o texto "Mulheres no cárcere e a terapia do aplauso", de Bárbara Santos

Mulheres no cárcere e a terapia do aplauso

Elas estão no cárcere. O cárcere não está preparado para elas. Idealizado para o macho, o cárcere não leva em consideração as especificidades da fêmea. Faltam absorventes. Não existem creches. Excluem-se afetividades. Celas apertadas para mulheres que convivem com a superposição de TPMs, ansiedades, alegrias e depressões. 
A distância da família e a falta de recursos fazem com que mulheres fiquem sem ver suas crianças. Crianças privadas do direito fundamental de estar com suas mães. Crianças que perdem o contato com as mães para não crescerem no cárcere. 
Uma presa, em Garanhuns, Pernambuco, luta para recuperar a guarda de sua criança, que foi encaminhada para adoção, por ela não ter familiares próximos. Uma criança de cerca de 2 anos de idade, em Teresina, Piauí, nasceu e vive no cárcere, não fala e pouco sorri, a mãe tem pavor de perdê-la para a adoção. Sua família é de Minas Gerais.
Essas mulheres são vítimas do machismo, da necessidade econômica e do desejo de consumir. São flagradas nas portas dos presídios com drogas para os companheiros; são seduzidas por traficantes que se especializaram em abordar mulheres chefes de família com dificuldades econômicas; também são vaidosas e, apesar de pobres, querem consumir o que a televisão ordena que é bom. 
Um tratamento ofensivo as afeta emocionalmente. A tristeza facilmente se transforma em fúria. Muitas escondem de suas crianças que estão presas. Sentem vergonha da condição de presas. Na maioria dos casos, estão convencidas de que são culpadas e que merecem o castigo recebido. Choram, gritam e se comovem. O cárcere é despreparado e pequeno demais para comportar a complexidade das mulheres. 
Apesar do aumento do número de mulheres presas no Brasil, especialmente nas rotas do tráfico, o sistema penitenciário não se prepara nem para as receber, nem para as ressocializar. Faltam presídios femininos, assim como capacitação específica para servidores penitenciários que trabalham com mulheres no cárcere. 
Falta estrutura que considere a maternidade e que garanta os direitos fundamentais das crianças. 
Assim como na sociedade, no cárcere o espaço da mulher ainda é precário. O sistema é masculino na sua concepção e essência. Em cidades como Caicó, Rio Grande do Norte, não existe penitenciária feminina. As mulheres presas são alojadas numa área improvisada dentro da unidade masculina. Em Mossoró, no mesmo estado, mulheres presas, ainda sem sentença, aguardam julgamento numa área minúscula dentro da cadeia pública masculina. A presença improvisada das mulheres cria problemas legais e acarreta insegurança para servidores penitenciários quanto à garantia da segurança geral e da integridade física das mulheres. 

(Bárbara Santos)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Por que "o cárcere não está preparado" para as mulheres? O que você pensa a respeito disso?

03) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

04) Explique a frase em destaque no primeiro parágrafo do texto, posicionando-se sobre ela:

05) Faça o mesmo com a passagem destacada no quarto parágrafo:

06) Que mensagem o texto transmite?

07) Qual a solução para a problemática apresentada no texto? Comente:

quarta-feira, 4 de março de 2020

Atividade sobre a música "Ela é bamba", de Ana Carolina


Ela é bamba

Ela é bamba 
Ela é bamba
Ela é bamba...

Ela é bamba essa preta do Pontal
Cinco filhos pequenos pra criar
Passa o dia no trampo pau a pau 
Ainda arranja um tempinho pra sambar
Quando cai na avenida ela é demais
Todo mundo de olho, ela nem aí 
Fantasia bonita ela mesmo faz
Manda todas, não erra a mira:
Mãe, passista, atleta, manicure, diplomata
Dona da boutique, enfermeira, acrobata

Ela é bamba
Ela é bamba
Ela é bamba...

Ela é bamba essa índia da Central
Vai no ombro um cestinho com neném
Oito quilos de roupa no varal
Ainda vende cocada nesse trem
Toda sexta ela fica mais feliz
Vai dançar numa boate no Jaú
Faz um jeito e já pensa que é atriz
Cada dia inventa um nome:
Dora, Isaura, Emília, Terezinha e Marina
Ana, Rita, Joana, Iracema e Carolina
Laura, Lígia, Luma, Lucineide, Luciana
Quer seu nome escrito numa letra bem bacana

Ela é bamba
Ela é bamba
Ela é bamba...

Ela é bala, a mestiça é todo gás
Cada braço é uma viga do país
Abre o olho com ela, meu rapaz
Ela é quase tudo que se diz
Quando compra uma briga, ela é demais
Vai no groove e não deixa desandar
Ela é pop, ela é rap, ela é blues e jazz
E no samba é primeira linha
Ana, Rita, Joana, Iracema e Carolina
Quer seu nome escrito numa letra bem bacana

Ela é bamba
Ela é bamba
Ela é bamba...

(Ana Carolina)

01) Justifique o título dado à canção:

02) Que três raças são homenageadas na letra de música? Cite-as, dizendo o que elas têm em comum: 

03) Justifique a inserção da passagem destacada na segunda estrofe:

04) Explique a importância da enumeração dos nomes próprios presentes na música:

05) O que significa "ser bamba"? Explique com suas palavras:

06) Interprete o verso em negrito na quarta estrofe:

07) Transcreva do texto um trecho que remete a vários ritmos, dizendo a importância disso para o contexto: 

08) Circule na música um vocativo:

09) Copie do texto marcas de oralidade:

10) Explique o verso destacado na sexta estrofe, posicionando-se sobre ele:

11) Que mensagem a música transmite?

12) Localize no texto:

a) dois numerais, classificando-os:
b) um substantivo derivado:
c) um advérbio de tempo:
d) um advérbio de intensidade:
e) um advérbio de lugar:

(Especialmente para a colega de grupo que sugeriu essa música: Lenice Honorato

terça-feira, 3 de março de 2020

Atividade sobre a texto "Conto de fadas para mulheres modernas", de Luís Fernando Veríssimo

Conto de fadas para mulheres modernas

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então a rã pulou para o seu colo e disse:
-- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu me transformei nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: 
-- Eu, hein? ... nem morta! 

(Luís Fernando Veríssimo)

01) Justifique o título dado à crônica acima, utilizando passagens do texto:

02) O que a princesa dessa história tem de diferente das dos antigos contos de fada? O que você pensa com relação a isso?

03) Que parte da fala da rã provavelmente deve ter espantado a princesa? Por quê?

04) Se a princesa não fosse moderna, ela gostaria da proposta da rã? Justifique sua resposta:

05) Transcreva do texto um vocativo, explicando seu raciocínio:

06) Que parte do texto você achou mais engraçada? Justifique sua escolha:

07) Que mensagem o texto transmite?

08) O final do texto foi inesperado? Que implícitos encontramos nele? Justifique sua resposta:

09) Copie do texto exemplos de discurso direto, explicando:

10) Por que há, no texto, uma expressão em itálico?

11) Circule no texto todos os adjetivos que você encontrar:

11) Copie do texto marcas de oralidade:

12) Justifique o uso das reticências no texto:


13) Podemos afirmar que a charge acima dialoga, de certa forma, com o conto de Veríssimo? Justifique sua resposta:

14) Copie da charge uma forte marca de oralidade:

15) Posicione-se sobre a afirmação do homem da charge:

16) Você acha importante haver comemoração no "dia da mulher"? Por quê?



17) Como você explicaria para o menino o que é machismo?

18) Podemos afirmar que o pai foi machista? Por quê?

19) Qual o objetivo da charge? Que crítica social ela faz?

20) Na charge está presente a linguagem verbal e/ou não verbal? Justifique sua resposta:

21) O que a fisionomia da mãe revela?

22) Copie da charge um vocativo:

23) Elabore uma possível fala para a mãe:

24) Transcreva da charge uma forte marca de oralidade:

25) Como solucionar esse problema do machismo em nossa sociedade? 

segunda-feira, 2 de março de 2020

Atividade sobre a poesia "Descompasso", de Hilma Ranauro

Descompasso

Me querem mãe
E me querem fêmea.
Me querem líder
E me fazem submissa.
Me fazem omissa
E me cobram participação.
Me impedem de ir
E me cobram a busca.
Me enclausuram nas prendas do lar
E me cobram conscientização.
Me tolhem os movimentos
E me querem ágil.
Me castram os desejos
E querem em cio.
Me inibem o canto 
E me querem música. 
Me apertam o cinto
E me cobram liberdade.
Me impõem modelos
Gestos
Atitudes
E comportamentos
E me querem única. 
Me castram 
Podam 
Falam 
E decidem
Por mim. 
E me querem plena... 

(Hilma Ranauro)

01) Justifique o título dado à poesia acima:

02) Qual o assunto principal do texto? Justifique sua resposta:

03) Resuma, com suas palavras, o que a sociedade deseja com relação à mulher:

04) Copie do texto uma incoerência que mais lhe chamou a atenção, explicando:

05) A palavra destacada no poema foi empregada em sentido denotativo ou conotativo? Por quê?

06) Que mensagem a poesia transmite?

07) Cite três aspectos da vida da mulher nos quais ela costuma ser castrada:

08) Por que as prendas domésticas enclausuram a mulher?

09) Existe algum desvio gramatical no poema? Justifique sua resposta:

10) É possível a mulher se sentir plena? Por quê?

domingo, 1 de março de 2020

Atividade sobre o conto "Se ele tivesse nascido mulher", de Eduardo Galeano

Se ele tivesse nascido mulher

Dos dezesseis irmãos de Benjamin Franklin, Jane é a que mais se parece com ele em talento e força de vontade.  
Mas na idade em que Benjamin saiu de casa para abrir seu próprio caminho, Jane casou-se com um seleiro pobre, que a aceitou sem dote, e dez meses depois deu à luz seu primeiro filho. Desde então, durante um quarto de século, Jane teve um filho a cada dois anos. Algumas crianças morreram, e a cada morte abriu-lhe um talho no peito. Os que viveram exigiram comida, abrigo, instrução e consolo. Jane passou noites a fio ninando os que choravam, lavou montanhas de roupa, banhou montões de crianças, correu do mercado para cozinha, esfregou torres de pratos, ensinou abecedários e ofícios, trabalhou ombro a ombro com o marido na oficina e atendeu os hóspedes cujo aluguel ajudava a encher a panela. Jane foi esposa devota e viúva exemplar; e, quando os filhos já estavam crescidos, encarregou-se dos próprios pais, doentes, de suas filhas solteironas e de seus netos desamparados. 
Jane jamais conheceu o prazer de se deixar flutuar em um lago, levada à deriva pelo fio de um papagaio, como costumava fazer Benjamin, apesar da idade. Jane nunca teve tempo de pensar, nem se permitiu duvidar. Benjamin continua sendo um amante fervoroso, mas Jane ignora que o sexo possa produzir outra coisa além de filhos. 
Benjamin, fundador de uma nação de inventores, é um grande homem de todos os tempos. Jane é uma mulher do seu tempo, igual a quase todas as mulheres de todos os tempos, que cumpriu o seu dever nesta terra e expiou parte de sua culpa na maldição bíblica. Ela fez o possível para não ficar louca e buscou, em vão, um pouco de silêncio. 
Seu caso não despertará o interesse dos historiadores. 
(Eduardo Galeano)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Por que Jane casou-se com o seleiro?

03) Explique a passagem que se encontra em negrito no final do texto:

04) O que significa "trabalhar ombro a ombro com o marido na oficina"?

05) Localize no texto uma sequência de ações de Jane, dizendo a importância disso para o contexto:

06) Qual o objetivo do autor ao comparar Jane com o seu irmão famoso? E a vida dos dois?

07) Por que o caso de Jane, segundo o autor, "não despertará o interesse dos historiadores"? O que você pensa a respeito disso?

08) Observe que a palavra fio aparece em dois momentos do texto. Explique se os sentidos são os mesmos:

09) Explique, com suas palavras, as seguintes expressões do texto:

a) "... abrir seu próprio caminho":

b) "... abriu-lhe um talho no peito":

c) "... encher a panela":

10) Você acha que a vida de Jane foi menos importante do que a do seu irmão Benjamin Franklin? Justifique sua resposta: 

11) O que Benjamin, já idoso, fazia e sua irmã nunca pôde fazer? O que você pensa com relação a isso? 

12) Que mensagem o texto transmite?

13) Dê a sua opinião sobre o que teria acontecido a Benjamin Franklin, se ele tivesse nascido mulher: 

14) Posicione-se sobre a passagem sublinhada no final do texto:

15) O trabalho doméstico feito pela dona de casa não é remunerado. Qual a importância dele para a manutenção da família e da casa? Você acha que isso deveria ser revisto? Comente: 

16) Localize no texto:

a) dois numerais cardinais:
b) um numeral ordinal:
c) um numeral fracionário:
d) dois advérbios de tempo:
e) dois substantivos próprios:
f) dois adjetivos:
g) um aposto:
h) um verbo no gerúndio:

(Texto sugerido pela colega de grupo: Janaína Chaves!)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Atividade sobre o samba-enredo da Mocidade 2020 - Elza Deusa Soares

Já não estou mais naquela fase de ouvir os sambas-enredo até decorá-los, muito menos na fase de  gostar de sambar, aliás, nem tenho mais me animado para o Carnaval, ainda mais porque a minha cidade fica insuportavelmente lotada! Todo mundo querendo vir pra cá e quem aqui mora só querendo fugir ou se "ilhar"! Porém, fiquei arrepiada ao ouvir esse samba em homenagem -- merecidíssima -- à poderosa Elza Soares! Muito importante esse tipo de carinho e valorização ocorrer ainda em vida, e com uma vitalidade invejável para os seus 89 anos

Pra mim, essa mulher é um exemplo de superação, em muuuuuitos termos! Favelada, mulher, negra... se casou obrigada pelo pai (aos 13 anos), ficou viúva aos 21, perdeu quatro dos sete filhos que teve (dois  vítimas da fome), trabalhou numa fábrica de sabão, disputava restos de comida com urubus, se apaixonou por um homem casado (o jogador Garrincha), foi vítima de violência doméstica, perdeu a mãe em um acidente de carro, foi perseguida pela Ditadura Militar, se separou e um ano depois o seu grande amor morreu. Teve depressão. Namorou um homem 47 anos mais novo que ela e depois um que era 52 anos mais novo... transgressão total! Fênix e guerreira, ela sempre ressurgiu das cinzas... Tem a minha sincera admiração! Deusa, de fato! 

Pretendo digitar várias informações e curiosidades sobre ela, imprimir, recortar e distribuir para os alunos. Cada um lerá a que recebeu, para todos. Depois vou trabalhar o samba-enredo com minhas turmas, utilizando as questões que eu acabei de elaborar. O que acham?!? Estou pensando, ainda, em imprimir algumas fotos da cantora em folhas A4 e recortar, como um quebra-cabeças, para animar um pouco mais as aulas!!! 

Para saber um pouquinho mais sobre a vida dessa diva, LEIA AQUI!!! 


Elza Deusa Soares

Lá vai, menina
Lata d´água na cabeça
Esquece a dor que esse mundo é todo seu
Onde a "Água Santa" foi saliva
Pra curar toda ferida que a história escreveu

É sua voz que amordaça a opressão
Que embala o irmão
Para a preta não chorar
(Para a preta não chorar)
Se a vida é uma "aquarela"
Vi em ti a cor mais bela
Pelos palcos a brilhar

É hora de acender 
No peito a inspiração 
Sei que é preciso lutar 
Com as armas de uma canção
A gente tem que acordar, 
Da "lama" nasce o amor
Quebrar as "agulhas" que vestem a dor 

Brasil, esquece o mal que te consome
Que os filhos do "Planeta Fome"
Não percam a esperança em seu cantar
Ó nega, "sou eu que te falo em nome daquela"
Da batida mais quente, o som da favela
A resistência em oração 

"Se acaso você chegar" 
Com a mensagem do bem
O mundo vai despertar, 
Deusa da Vila Vintém
És a estrela...
Meu povo esperou tanto pra revê-la!

Laroyê Ê Mojubá... 
Liberdade! 
Abre os caminhos pra Elza passar... 
Canta a Mocidade! 
Essa nega tem poder, é luz que clareia
É samba que corre na veia...

(Sandra de Sá, Igor Vianna & Cia)

01) Pesquise e explique todas as aspas utilizadas no samba-enredo acima:

02) Circule no texto os vocativos empregados, dizendo a importância dos mesmos:

03) Copie da música marcas fortes de oralidade:

04) Transcreva da canção palavras e/ou expressões que se relacionam ao campo semântico da "superação":

05) Você acha que os termos "preta" e "nega" foram empregados com sentido pejorativo? Justifique sua resposta: 

06) Copie da canção uma metáfora, explicando-a: 

07) Localize no texto duas palavras de origem iorubá, dizendo o que ambas significam: 

08) Que conselho é dado à "menina" Elza Soares na música?

09) Retire do texto quatro exemplos de frases com sentido figurado e explique seu raciocínio:

10) Comente o título, deixando claro por que a palavra "Deusa" aparece grafada com inicial maiúscula:

11) Que mensagem a música transmite? Que sentimentos ela provoca? Qual foi sua reação ao lê-lo?

12) Pelo pouco que você conheceu da vida da Elza Soares, achou a homenagem merecida? Justifique sua resposta:

13) De que parte do samba-enredo você mais gostou? Por quê?

14) Copie do texto passagens que revelam a importância que a música teve na vida da homenageada e a ajudou a superar as dificuldades:

15) Você acha que a música pode ser mesmo assim tão salvadora na vida de uma pessoa? Explique seu ponto de vista:

16) Elza foi vítima de violência doméstica, como muitas mulheres, ainda hoje, sofrem. O que mudou da época dela para os dias de hoje? O que ainda precisa mudar?

17) Pesquise e mencione outros exemplos de mulheres que passaram por grandes provocações e venceram, assim como a Elza Soares:

(Agradecimento especial às queridas amigas Maria Aparecida e Zizi Cassemiro pela parceria!)

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Atividade sobre a música "Mina", de Negra Li


Mina

Hoje eu acordei, me olhei no espelho
E ele me disse que eu tava tão linda
Botei aquele meu batom vermelho
Soltei o cabelo e fiquei mais ainda 
Saí na rua e o sol não parava de me olhar
Como se fosse o meu holofote particular
E até os passarinhos começaram a cantar
Anunciando a minha vinda

E eu só quero brindar a vida
Baby, hoje nada vai me impedir
De sorrir, de cantar, de beijar a sorte
Toda vez que eu a vir

E eu só quero brindar a vida
Sem ter com que me preocupar
E, a cada amanhecer, o sol vai me dizer:
Hoje é dia de brilhar! 

Mina, bota o seu melhor batom
Escolha o seu melhor som
Joga esse cabelo pro ar e deixa estar
E deixa estar, e deixa... 

Mina, não deixe ninguém te dizer
O que você pode fazer
Você que sabe o seu lugar e deixa estar
E deixa estar, e deixa...

Nem todo mundo quer te ver sorrir
Nem todo dia o céu está azul
Você pode até não controlar a previsão do tempo,
Mas ainda dá tempo de ser Maju
De ser sol como a América do  Sul
Diva como Érika Badu
Líder como Winnie Mandela
Quem manda é ela
Viemos pra quebrar tabu! 

Pois a riqueza de ser mulher
É a beleza de poder ser o que bem quiser
Então bota a melhor roupa e seu afro hair
O mundo é  seu e não importa o que alguém disser
Só vai! 

(Negra Li)


01) Justifique o título empregado na canção:

02) Transcreva da música um exemplo de prosopopeia, explicando seu raciocínio:

03) Copie do texto verbos no modo imperativo, mencionando a sua importância para o contexto:

04) Copie do texto marcas de oralidade e um vocativo, dizendo a quem ele se refere:

05) Quem é a Maju citada na música? Qual a intenção ao fazer tal citação?

06) Que outros nomes são citados na canção? Com qual objetivo? Pesquise sobre elas:

07) Explique o verso em destaque na música, posicionando-se sobre tal passagem:

08) Por que existem palavras em itálico no texto?

09) Que mensagem a música transmite? Comente:

(Agradecimento especial à colega Amanda Silva, que me indicou essa música!)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Atividade sobre a música "Não precisa ser Amélia", de Bia Ferreira


Não precisa ser Amélia

Estrela que brilha, clareia a trilha
Ilumina e guia o meu caminhar
Alumeia um pouquinho esse meu caminho
Me uma luz, tá difícil enxergar

Quanto mais eu ando, mais escuro fica
Me dê uma dica pra poder seguir
Não sei o que faço
Se ando, se paro, se corro, se sigo, se fico aqui

Tome minha boca pra que que eu só fale
Aquilo que eu deveria dizer
A caneta, a folha, o lápis
Agora que eu comecei a escrever
Que eu nunca me cale

O jogo só vale quando todas as partes puderem jogar
Sou Frida, sou preta, essa é minha treta
Me deram um palco e eu vou cantar

Canto pela tia que é silenciada
Dizem que só a pia é seu lugar
Pela mina que é de quebrada
Que é violentada e não pode estudar

Canto pela preta objetificada
Gostosa, sarada, que tem que sambar
Dona de casa limpa, lava e passa
Mas fora do lar não pode trabalhar

A dona de casa limpa, lava e passa
Não precisa ser Amélia pra ser de verdade
Cê tem a liberdade pra ser quem você quiser
Seja preta, indígena, trans, nordestina
Não se nasce feminina, torna-se mulher
E não precisa ser Amélia pra ser de verdade...

(Bia Ferreira)

01) Justifique o título empregado na canção:

02) Posicione-se sobre as duas passagens em negrito na música, argumentando:

03) Copie do texto uma passagem que mais incomodou, de alguma forma, você, explicando sua escolha: 

04) Que críticas são feitas com relação à visão de como a mulher é vista pela sociedade? Cite-as:

05) Copie do texto marcas de oralidade:

06) Que passagem faz uma intertextualidade com outra música? Comente-a:

07) Que mensagem a música transmite?

08) A que classe gramatical pertence cada palavra sublinhada na canção?

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Atividade sobre a música "Mulher do fim do mundo", com Elza Soares


Mulher do fim do mundo

Meu choro não é nada além de Carnaval
É lágrima de samba na ponta dos pés
A multidão avança como vendaval
Me joga na avenida que não sei qualé 

Pirata e Super Homem cantam o calor
Um peixe amarelo beija minha mão
As asas de um anjo soltas pelo chão
Na chuva de confetes deixo a minha dor

Na avenida deixei lá
A pele preta e a minha voz
Na avenida deixei lá
A minha fala, minha opinião
A minha casa, minha solidão
Joguei do alto do terceiro andar
Quebrei a cara e me livrei do 
Resto
Dessa
Vida
Na avenida
Dura
Até 
O fim

Mulher
Do fim
Do mundo
Eu sou
Eu vou
Até o fim
Cantar

(Rômulo Fróes e Alice Coutinho)


01) Justifique o título da música:

02) Explique o que significa o primeiro verso da canção:

03) Copie da música uma comparação, explicando e dizendo se ela foi ou não bem empregada:

04) Transcreva do texto marcas de oralidade:

05) Podemos afirmar que o primeiro verso, destacado na segunda estrofe da música, possui uma antítese? Justifique sua resposta: 

06) Por que o eu lírico faz questão de dizer a cor do peixe que beija sua mão?

07) Explique a importância do numeral ordinal para o contexto:

08) Interprete o terceiro verso da segunda estrofe da canção, que se encontra destacado:

09) Transcreva os seis substantivos mais significativos presentes na terceira estrofe:

10) Copie da música uma expressão empregada no sentido conotativo, explicando seu raciocínio:

11) Que mensagem a canção transmite?

12) Que sensação a letra de música despertou em você? Por quê?

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Atividade sobre a música "Todxs putxs", de Ekena


Todxs putxs

Quem cê tá pensando que é? 
Pra falar que eu sou louca? 
Que a minha paciência anda pouca pra você?
Para de vir me encher! 

Quem cê tá pensando que é? 
Pra falar da minha roupa,
Do jeito que eu corto o meu cabelo
Se olha no espelho! 
Você não anda valendo o esfolado
Do meu joelho esquerdo! 

Eu tenho pressa e eu quero ir pra rua
Quero ganhar a luta que eu travei
Eu quero andar pelo mundo afora
Vestida de brilho e flor
Mulher, a culpa que tu carrega não é tua
Divide o fardo comigo dessa vez
Que eu quero fazer poesia pelo corpo
E afrontar as leis que o homem criou pra dizer: 

Quem cê tá pensando que é 
Pra falar pra eu não usar batom vermelho?
Quem cê tá pensando que é
Pra maldizer até as manas que eu tenho?

Vai procurar tua turma e o que fazer
Que de gente  como você o mundo anda cheio
Quem cê tá pensando que é?
Quem cê tá pensando que é?

(Que se usa decote, é puta!
E se a saia tá curta, é puta!
E se dá no primeiro encontro, é puta!
Se raspa o cabelo, é sapa!
E se deixa crescer os pelos, é zoada!
Se tem pau entre as pernas, é trava!
Mas se bota salto alta, é santa!
E se usa 44, é gorda!
Mas se usa 38, é muito magra!
Se sai depois das onze, vai voltar arrombada!
Porque ela pediu, né? Tava na cara!
Olha a roupa que ela saiu de casa!
E todo discurso machista continua:
"Menina, você devia usar uma roupa menos curta!")

Eu tenho pressa e eu quero ir pra rua
Quero ganhar a luta que eu travei
Eu quero andar pelo mundo afora
Vestida de brilho e flor
Mulher, a culpa que tu carrega não é tua
Divide o fardo comigo dessa vez
Que eu quero fazer poesia pelo corpo
E afrontar as leis que o homem criou pra dizer: 

Quem cê tá pensando que é 
Pra falar pra eu não usar batom vermelho?
Quem cê tá pensando que é
Pra maldizer até as manas que eu tenho?

Vai procurar tua turma e o que fazer
Que de gente  como você o mundo anda cheio
Quem cê tá pensando que é?
Quem cê tá pensando que é?

(Ekena)

01) Justifique o título dado à canção:

02) Circule na música um vocativo, dizendo qual a função dele:

03) O que seria andar por aí "vestida de brilho e flor"? Explique:

04) Por que o eu lírico demonstra ter pressa?

05) Pelo contexto, que tipo de abusos o eu lírico parece não querer aceitar? O que você pensa a respeito disso?

06) Explique a passagem "Mulher, a culpa que tu carrega não é tua": 

07) Localize na música uma passagem carregada de empatia, explicando sua escolha:

08) Copie do texto nítidas marcas de oralidade:

09) Transcreva da canção

10) Que mensagem a música transmite? Comente:

11) Explique a ironia presente na parte falada da canção (entre parênteses):

12) Qual a função das aspas utilizadas no texto? O que você pensa de frases assim? Como combatê-las?

13) Que parte da música mais mexeu com você ou incomodou? Por quê?

(P.S.: Atividade NÃÃÃÃO recomendada aos puritanos de plantão! 
Não gostou? Não use! Simples assim!)

Atividade sobre a música "Triste, louca ou má", de Francisco, el hombre

Há exatamente um ano, justo nesta data, eu infelizmente entrei para as estatísticas de mulheres agredidas por ex-companheiros, e, de lá pra cá, como sofri! Os hematomas, embora dolorosos, não demoraram muito a sumir, mas as dores da alma me acompanham até hoje e acredito que me acompanharão até meus últimos dias, feito tatuagens e que alcançam mais camadas da pele do que deveriam... entranham...!!! 

Além da já citada dor,reconheço que foi um ano de muita reflexão, introspecção, catarse, amadurecimento, limpeza e cura! Choro pelas que não tiveram a sorte de poderem contar as suas histórias... e agradeço a Deus por eu estar viva, renascendo todos os dias, e firme e forte na LUTA diária que é ser mulher num país tão machista e que deseja nos tornar menores, que insiste em nos podar... em vão... porque a gente brota, verdinha, mais forte ainda depois que tentam nos arrancar, e a gente compreende um monte de coisa... principalmente que é URGENTE deixar de lado o medo e dizer NÃO a todo e qualquer abuso, por menor que ele pareça! Nenhum ato de violência deve ser tolerado ou ignorado, NENHUM, em hipótese alguma! 

Sou mãe de menino e tenho OBRIGAÇÃO de estar sempre atenta e ensiná-lo a respeitar toda e qualquer mulher, e lamento que todos os machistas e agressores também tenham (ou devem ter tido) uma mãe, mas que em vez de ensinar o que é certo, de repente passou (ou passa) excessivamente "a mão na cabecinha" e tentam justificar o injustificável! Ou que talvez tenham achado "bonitinho" quando começaram a posar de "macho alfa", "cheios de atitude"! 

Também vale refletir sobre as mães de meninas que as criam submissas e que têm que agradar ao marido, aceitando "puladas de cerca" e que "homem é assim mesmo" ou que "um dia vai melhorar" ou qualquer coisa do tipo. Vocês podem, sem se darem conta, estar cavando a cova de suas filhas... 

Enfim, que me perdoem a expressão (e o palavrão), mas mulher é o sexo frágil é o caralho! E não somos tristes nem loucas nem más... GASLIGHTING não funciona mais, meu querido, pois somos esclarecidas, emponderadas... somos guerreiras, princesas, ogras, donzelas, putas, mães, amantes, amigas... o que QUISERMOS ser e não o que querem que sejamos! E é isso! E ponto final. 

Recomendo MUITO lerem esse artigo AQUI


Triste, louca ou má

Triste, louca ou má
Será qualificada
Ela quem recusar
Seguir receita tal

A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina

Só mesmo rejeita
Bem conhecida receita
Quem, não sem dores,
Aceita que tudo deve mudar

Que o homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar

O homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar

Ela desatinou 
Desatou nós
Vai viver só

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Eu não me vejo na palavra
Fêmea: alvo de caça
Conformada vítima

Prefiro queimar o mapa
Traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar

E o homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar

Ela desatinou
Desatou nós

(Francisco, el hombre) 

01) Justifique o título empregado na canção acima:

02) Que rótulos são citados na música? Quando a pessoa o recebe? Com que intenção? O que você pensa a respeito disso? 

03) Que receita cultural se espera que as mulheres sigam? O que isso revela?

04) Copie do texto um verso que faz menção a um papel exercido por muitas mulheres, durante muitos anos, explicando seu raciocínio: 

05) Transcreva da música uma passagem que remete que tentar mudar também dói:

06) Qual o objetivo do autor com a repetição do  verbo destacado no texto?

07) Pesquise o que é gaslighting e tente associá-lo a alguma passagem da música, explicando bem o seu raciocínio:

08) Copie da canção uma passagem que indica que a mulher não precisa de homem para ser feliz, explicando sua escolha: 

09) Explique o verso "Ela desatou nós", dizendo que possíveis "nós" seriam esses:

10) Explique as mudanças presentes nas estrofes destacadas, comparando-as:

11) Copie do texto uma passagem que revela que a mulher não aceita ser um objeto sexual:

12) O que você entende por "queimar o mapa"? Explique:

13) Que mensagem a música transmite?

14) De que passagem da canção você mais gostou? Por quê?

(Agradecimento especial à colega de grupo Dani Bertollo 
por ter me apresentado a essa música!)

sábado, 26 de outubro de 2019

Atividade sobre a música "Respeita", de Ana Cañas


Respeita

Você que pensa que pode dizer o quiser
Respeita aí, eu sou mulher! 
Quando a palavra desacata, mata, dói
Fala toda errada que nada constrói
Constrangimento
Em detrimento de todo discernimento
Quando ela diz: Não
Mas eu tô vendo
Eu tô sabendo, eu tô sacando
O movimento e a covardia do momento
Quando ele levanta a mão

Ela vai, ela vem
Meu corpo, minha lei
Tô por aí, mas não tô à toa
Respeita, respeita,
Respeita as mina, porra! 

Diversão é um conceito diferente
Quando todas as partes envolvidas consentem
E o silêncio é um grito de socorro
Escondido pela alma, pelo corpo 
Pelo que nunca foi dito
Ninguém viu, ninguém vê
Ninguém quer saber
A dor é sua 
A culpa não é sua 
Mas ninguém vai te dizer 
E o cinismo obtuso
Daquele cara confuso,
Mas eu vou esquecer:
Abuso!

Refrão! 

Violência por todo mundo
A todo minuto, por todas nós
Por essa voz que só quer paz
Por todo luto 
Nunca é demais 
Desrespeitada, ignorada
Assediada, explorada
Mutilada, destratada
Reprimida, explorada 
Mas a luz não se apaga
Digo o que sinto
Ninguém me cala

Refrão! 

(Ana Cañas)

01) Justifique o título da canção:

02) O que o texto denuncia? O que você pensa a respeito disso? Comente:

03) Copie da música duas antíteses, explicando seu raciocínio:

04) Transcreva da canção marcas de oralidade:

05) Copie da música exemplos de rimas internas:

06) O que você pensa sobre o palavrão utilizado na música? Ele foi justificado pelo contexto? Por quê? 

07) Existe algum desvio gramatical na canção? Se sim, qual? Ele se justifica? 

08) Explique a mudança da forma verbal no verso em negrito na música:

09) Copie da canção um verso que indica extremo egoísmo, explicando seu raciocínio:

10) Observe os adjetivos enumerados no final da música, dizendo a importância deles para o contexto e também a repetição de um deles, em especial: 

11) Que mensagem a canção transmite?

12) De que passagem você mais gostou? Por quê?

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Atividade sobre a música "Respeita as mina", de Kell Smith


Respeita as mina

Short, esmalte, saia, mini blusa, brinco, bota de camurça e o batom? Tá combinando! 
Uma deusa, louca, feiticeira, alma de guerreira, sabe que sabe e já chega sambando!
Calça o "tenizin" se tiver a fim, toda toda swag, do hip hop ao reggae
Não faço pra buscar aprovação alheia
Se fosse pra te agradar, a coisa tava feia
Então mais atenção com a sua opinião!
Quem entendeu levanta a mão! 

Respeita as mina! 
Toda essa produção não se limita a você!
Já passou da hora de aprender: que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser!
Respeita as mina! 
Toda essa produção não me limita a você!
Já passou da hora de aprender que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser!

Sim, respeito é bom! Bom, flores também são. Mas não quando são dadas só no dia 08/03
Comemoração não é bem a questão. Dá uma segurada e aprende outra vez! 
Saio e gasto um "dim", sou feliz assim, me viro, ganho menos e não perco um "rolezin"
Cê fica em choque por saber que eu não sou submissa e quando eu tenho voz cê grita:
"Ah lá a feminista!"
Não aguenta a pressão, arruma confusão
Para que tá feio, irmão! 

Respeita as mina! 
Toda essa produção não me limita a você
Já passou da hora de aprender que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser
Respeita as mina! 
Toda essa produção não me limita a você
Já passou da hora de aprender que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser 

Não leva na maldade não, não lutamos por inversão
Igualdade é o "x" da questão, então aumenta o som!
Em nome das Marias, Quitérias, da Penha Silva
Empoderadas, revolucionárias, ativistas
Deixem nossas meninas serem super heroínas,
Pra que nasça uma Joana D´arc por dia! 
Como diria Frida: "Eu não me Kahlo!" 
Junto com o bonde, saio pra luta e não me abalo.

O grito antes preso na garganta já não me consome
É pra acabar com o machismo e não pra aniquilar os homens! 
Quero andar sozinha porque a escolha é minha, 
Sem ser desrespeitada e assediada a cada esquina
Que possa soar bem correr como uma menina,
Jogar como uma menina, dirigir como uma menina, ter a força de uma menina.
Se não for por mim, mude por sua mãe ou filha! 

Respeita as mina! 
Toda essa produção não me limita a você
Já passou da hora de aprender que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser
Respeita as mina! 
Toda essa produção não me limita a você
Já passou da hora de aprender que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser 

(Kell Smith)

01) Justifique o título da canção: 

02) No primeiro verso da música aparece uma certa cobrança feminina. Qual é ela? O que você pensa a respeito disso?

03) A parte que aparece em negrito na primeira estrofe faz uma intertextualidade com uma música antiga da cantora Rosana. Descubra-a e copie para cá:

04) Por que a palavra "tenizin" encontra-se entre aspas?

05) Transcreva marcas de oralidade da música, dizendo sua importância:

06) Por que você acha que se optou por escrever "as mina" e não "as minas"? Comente, deixando claro se isso configura ou não um desvio gramatical:

07) Que forte crítica é feita no primeiro verso da terceira estrofe? Justifique sua resposta:

08) Por que algumas palavras encontram-se em itálico na música?

09) Circule no texto um exemplo de vocativo, explicando:

10) Quando uma mulher geralmente é rotulada de "feminista"? O que é ser, de fato, feminista?

11) Copie da música versos que revelam que as mulheres não querem superioridade e sim igualdade:

12) Faça uma pesquisa sobre a vida de cada exemplo de mulher citado no texto:

13) Explique os versos em negrito na sexta estrofe:

14) De que forma são utilizadas, em geral, as expressões "como uma menina" e afins? O que a música propõe de diferente?

15) Que mensagem a música transmite?