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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Atividade sobre o texto "Carta aberta ao presidente do Brasil", de Isabel Salgado

Carta aberta ao presidente do Brasil

O Senhor foi eleito democraticamente. Governe democraticamente. 

Meu nome é Isabel, joguei vôlei na seleção brasileira, representei o Brasil por muitos anos. Resolvi escrever essa carta aberta, não para falar de esporte, mas para falar da cultura, porque acredito que só pude ser a jogadora que fui e a pessoa que sou graças aos filmes que vi, aos livros que li, às músicas que ouvi, às histórias que minha avó me contava. 
Minha mãe era professora e escritora, amava os livros, adorava música, e foi ela quem me apresentou a Chico Buarque, Caetano, Cartola, Luiz Melodia, entre tantos grandes compositores brasileiros. Lembro, quando chegava do treino muito cansada, que me deitava no sofá e ela me falava dos poetas que amava: Bandeira, João Cabral, Cecília Meireles, Drummond... Hoje tenho certeza que aquela atmosfera foi muito importante na minha formação. 
Quantas vezes, ouvindo e dançando as músicas de Gilberto Gil com Jacqueline, a grande campeã olímpica, comemoramos vitórias e tentamos esquecer a dor de algumas derrotas. Lembro também do impacto que senti, aos 18 anos, quando assisti ao filme "Tudo bem", de Arnaldo Jabor, com a incrível Fernanda Montenegro e um elenco de craques. Aos 17, assisti a "Trate-me Leão", peça que inspirou toda uma geração. Quantas vezes, os livros me transportaram para outros universos e me permitiram aliviar as tensões das quadras.
Pois é, depois de um ano de governo Bolsonaro, preciso expressar meu horror com o que tem acontecido com a cultura. É muito duro ouvir os insultos que foram proferidos contra Fernanda Montenegro; ver Chico Buarque ganhar o prêmio Camões, maior prêmio da Língua Portuguesa, sem que o presidente cumprimente ou comemore o feito; testemunhar a morte de João Gilberto, um dos maiores compositores brasileiros, sem que nenhuma homenagem tenha sido feita pelo governo. É estarrecedor saber que nosso cinema é premiado lá fora e atacado aqui dentro; ver o ataque brutal à casa de Rui Barbosa, com as exonerações dos pesquisadores que eram a alma e o coração daquela instituição. E, como se não bastassem esses exemplos de barbaridade, assistimos ainda ao constante flerte do governo com a censura. 
Essa carta é só pra dizer que eu me sinto muito ofendida, senhor Bolsonaro. Não sou uma intelectual, sou uma cidadã brasileira que acredita que a cultura é essencial para qualquer pessoa. Ela só existe se for plural, em todas as formas de expressão. Por meio dela, formamos a nossa identidade. Se esse governo não gosta do nosso cinema, da nossa música, dos nossos escritores, eu quero dizer que eu e uma enorme parte dos brasileiros gostamos. Não aguento mais assistir a tantos absurdos calada. Vocês estão ofendendo uma grande parcela do povo brasileiro. 
Aprendi no esporte que é fundamental respeitar as diferenças e saber que elas são enriquecedoras em todos os aspectos. Aprendi que é fundamental respeitar adversários, e não tratá-los como inimigos. Compreendi, vivendo no esporte, o quanto é importante ser democrático. Inspire-se no esporte, senhor presidente! O senhor foi eleito democraticamente. Governe democraticamente, e não apenas para quem pensa como o senhor. Hoje eu pensei muito nos rumos da cultura, porque lembrei da minha querida avó, que me levava, quando menina, para passear nos jardins da casa de Rui Barbosa...

(Isabel - do Vôlei - Salgado)

01) Quem escreveu a carta acima? É uma pessoa pública e famosa? 

02) Com que objetivo tal carta foi escrita? 

03) Por que a autora da carta acima preferiu falar sobre cultura e não sobre esporte? O que você pensa a respeito disso?

04) Segundo ela, quatro ingredientes contribuíram muito para a sua formação. Quais? Isso serviu como pessoa ou como profissional? Por quê?

05) A autora descreve sua trajetória de vida, mencionando fatos e pessoas que foram essenciais para quem ela é. Em que sentido essas informações são relevantes? 

06) Copie do texto um par de antítese, justificando sua resposta: 

07) Que outra jogadora de vôlei ela cita? Com que intenção? 

08) Justifique as aspas utilizadas no texto: 

09) Quais são os sentimentos da autora em relação às atitudes do atual presidente? 

10) Localize na carta um aposto, explicando seu raciocínio: 

11) Circule no texto um vocativo: 

12) De que maneira a autora da carta vê as diferenças? E o presidente, segundo ela? E você? Comente: 

13) Qual a diferença entre adversários e inimigos? Qual o perigo quando essas duas visões se confundem? 

14) Explique a frase destacada no final do texto, posicionando-se sobre ela: 

15) Em tal frase há um verbo na forma imperativa. Justifique seu uso de acordo com o objetivo da carta: 

16) Interprete a passagem "... a cultura é essencial para qualquer pessoa. Ela só existe se for plural...":

17) Na frase "Assistimos ainda ao constante flerte do governo com a censura", qual o sentido da palavra sublinhada? Trata-se de conotação ou de denotação? Por quê? 

18) Por que é importante ser democrático no esporte? E nas demais áreas? 

19) O que levou a autora a pensar ainda mais fortemente na Cultura? 

20) Quais as contribuições das celebridades citadas no mundo artístico, musical e literário no cenário cultural do Brasil? 

21) Por que a autora optou por se identificar no começo do texto? Qual seria a diferença se ela simplesmente tivesse assinado no final? 

22) A quem o pronome de tratamento sublinhado no penúltimo parágrafo se refere? Explique essa mudança pronominal ocorrida: 

23)  Que mensagem o texto transmite? Comente: 

24) Pesquise o significado do termo CULTURA e dê alguns exemplos que representem manifestações culturais: 


25) Que mensagem a imagem acima transmite? Comente:

26) Que trocadilho poético existe nela? Com que intenção?

27) De que forma ela dialoga com a carta aberta? Explique: 

(Atividade feita em parceria com as poderosas amigas 
Maria Aparecida Carvalho e Zizi Cassemiro)

domingo, 19 de julho de 2020

Atividade sobre o gênero "Carta de solicitação"

Pontal de Iguaraçu, 15 d dezembro de 2007.

Às Centrais Elétricas da Rede Estadual -- CERE
Setor de Atendimento ao Consumidor

Prezados Senhores,

Como usuário do sistema de fornecimento de energia elétrica dessa empresa, tomei a iniciativa de comunicar-lhes um sério problema que ocorre no bairro do Rio Doce.
Devido à má conservação da rede elétrica na região, tem havido oscilação de energia durante as chuvas, o que vem causando a queima de eletrodomésticos. Muitos dos moradores não têm recursos para consertar ou adquirir novos aparelhos, portanto solicito que medidas urgentes sejam tomadas para a solução do problema. 
Estou ciente do alto nível de atendimento da empresa, por isso agradeço desde já o interesse e a assistência dispensada a esse pedido e coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos. 

Atenciosamente, 

Afrânio Luiz Rocha

01) Quem é o remetente da carta acima?

02) Quem é o destinatário?

03) Qual é a finalidade da carta?

04) Quais argumentos o remetente emprega para persuadir a empresa? 

05) Você considera esses argumentos convincentes? Justifique sua resposta: 

06) Que variedade linguística foi utilizada? Por quê?

07) O que se observa no uso do vocativo? Circule-o: 

08) Que tempo verbal predomina na carta?

09) Qual a pessoa empregada pelo remetente? 

10) Na conclusão da carta, como o autor foi persuasivo? Comente: 

(Atividade feita em parceria com a amiga Ângela Lima)

sexta-feira, 13 de março de 2020

Atividade sobre a crônica "Gato família", de Moacyr Scliar

Um gato de estimação fez parte, durante cinco meses, da lista de beneficiários do Bolsa Família, em Antônio João (300 km de Campo Grande), um dos municípios mais pobres de Mato Grosso do Sul. O animal, chamado Billy, foi inscrito com nome, sobrenome e data de nascimento por seu dono, Eurico Siqueira da Rosa, coordenador local do programa do governo. Billy tinha número de identificação social, cartão magnético e vinha recebendo R$ 20,00 mensais do Governo Federal como complementação de renda. A fraude foi descoberta durante a visita de um agente de saúde à casa do suposto beneficiário, em novembro passado. Recebido pela mulher do coordenador, o agente quis saber por qual motivo a criança Billy Flores da Rosa não havia sido levada para fazer a medição e a pesagem, exigidas para os cadastrados no programa. A mulher estranhou a pergunta: "Mas o único Billy aqui é o meu gatinho". O agente relatou o diálogo à prefeitura, que abriu sindicância. 

(Folha de São Paulo - 24 de janeiro de 2009)

Gato Família

"SENHOR coordenador do Bolsa Família. Quem lhe escreve esta é, naturalmente, uma pessoa, o meu dono. Melhor dizendo: o senhor o rotularia de "dono", poque ele é uma pessoa e eu sou um gato -- e gatos, ao menos segundo os humanos, costumam ter donos. Na verdade, eu o considero mais um aliado, um amigo que me compreende profundamente. Podemos nos comunicar sem que eu emita sequer um miado. Ele lê os meus pensamentos, senhor coordenador, e a partir daí escreveu esta carta. Que é uma carta de protesto, senhor coordenador. Estou profundamente magoado com o fato de ter sido excluído do Bolsa Família, através do qual recebia a mísera quantia de R$ 20,00 mensais que, como o senhor pode verificar em qualquer pet shop, não paga a mais barata das rações. A alegação para isso é óbvia: o senhor dirá que eu não poderia estar nesse programa governamental, porque sou um gato. 
O que não passa de uma grande injustiça; Eu era considerado, senhor coordenador, um membro da família. Meu dono e sua esposa tinham por mim o maior carinho, carinho este que eu retribuía. Ah, sim, e prestava serviços também. Naquela casa, senhor coordenador, jamais entrou um rato. Ratos sim poderia ser excluídos do Bolsa Família, afinal, são bichos asquerosos, que dão grandes prejuízos. Mas um gato, senhor coordenador! Gatos sempre foram estimados pela humanidade e até imortalizados em livros, em desenhos animados. Pense no Gato de Botas, senhor coordenador, aquele felino bem humorado, tão humano que chegava a se vestir com apuro (as botas que o digam). Pense no espirituoso Garfield. Pense até no Tom -- sim, no Tom, eterna vítima do pérfido Jerry. Pense na simbologia do gato, senhor coordenador. Vocês, humanos, dizem que temos sete vidas, e isso reflete a admiração que vocês têm por nossa vitalidade e resistência.
E agora o detalhe mais importante. Faço, sim, jus ao Bolsa Família. Pela simples razão de que tenho família. Uma só, não. Várias. Como aqueles marinheiros que têm uma namorada em cada porto, eu tinha uma gata (gata mesmo, não é metáfora) em cada telhado desta cidade, e olhe que não são poucos os telhados por aqui. A cada uma das minhas gatas dei carinho, dei afeto e dei gatinhos. Gatinhos que fazem a felicidade de centenas de pessoas. Se a minha Bolsa Família fosse calculada em função das famílias que gerei, o orçamento federal inteiro não seria suficiente para me pagar. Pense nisso, senhor coordenador. E receba meus cordiais miados."
(Moacyr Scliar)

 01) Justifique o título dado à crônica:

02) Podemos dizer que o texto é uma carta ou foi usada alguma máscara textual? Explique seu raciocínio: 

03) Como o Billy faz uma descrição do seu dono? E como o agente de saúde descreveria essa mesma pessoa? Por quê? 

04) Circule no texto todos os vocativos, dizendo sua importância para o contexto: 

05) Copie do texto uma passagem carregada de ironia, explicando:

06) Localize na crônica um trecho repleto de humor, justificando sua escolha:

07) O que você achou da atitude do dono do gato? Como ele conduziu o cadastro de Billy, para que ninguém suspeitasse? 

08) Que mensagem o texto transmite?

09) Explique a intertextualidade existente entre a notícia e a crônica:

10) Escolha uma notícia de jornal para, em seguida, também escrever uma crônica sobre ela:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Atividade sobre o texto "Carta ao Pleistoceno", da Marina Colasanti


Carta do Pleistoceno

Senhores cientistas,
Quem daqui lhes escreve – daqui não sendo o além exatamente, mas uma espécie de ponto de vista – é o mamute. O mamute aquele que vocês trouxeram recentemente à luz lá pelos lados da Rússia – à luz ofuscante dos flashes e dos holofotes de TV, é bom que se diga, porque uma certa luz fraca e opalinada me alcançou sempre através do gelo. E escrevo porque chegou-me a notícia – como chegam depressa as notícias nesse tempo vosso! – de que estão tencionando me clonar.
Estão planejando tirar um pedaço de mim, daquilo que vocês chamam de DNA, manipulá-lo de alguma maneira que para o meu cérebro antigo parece assaz complicada, mas que deveria se concluir com a minha presença implantada num óvulo de elefanta, decorrente gravidez, e posterior nascimento.
Peço-lhes encarecidamente que não façam isso. Poderia invocar os direitos de autor, pois, embora mínimo, qualquer pedaço de mim me pertence, mas receio não estar coberto por vossas leis autorais. Apelo então para aqueles sentimentos caridosos que dizeis habitar vosso coração. E para o bom senso, que infelizmente nem sempre tem esse mesmo endereço.
Estou, como os meus semelhantes, extinto desde o Pleistoceno. Boas razões tivemos para sumir, embora ainda não pudéssemos prever o que vocês aprontariam no planeta. Não sumimos sozinhos. Outras coisas se foram desde então, outros animais. Aparentemente não fizeram falta. Nosso erro, talvez, foi ter deixado o retrato nas paredes das cavernas. Sem querer, alimentamos saudades. E agora nos querem de volta. Mas,nascido outra vez, o que faria eu?
Único da minha espécie, que função me dariam vocês depois de me fazerem atravessar à força 200 mil anos? Uma jaula de zoológico ou um viveiro de laboratório? Serviria para o turismo ou como cobaia? Seria uma peça de museu viva ou criatura que escapou de algum desses filmes de que vocês tanto gostam? E quem embolsaria o cachê pelo uso de minha imagem?
No meu mundo, os homens que me caçavam com suas armas de pontas de pedra me temiam, quase comoa um deus, e à noite, ao redor do fogo, falavam de mim com reverência. No mundo de vocês eu seria apenas um monstro que não inspira respeito a ninguém. Um monstro solitário, sem sequer a possibilidade de apaixonar-me por uma loura e carregá-la para o alto do Empire State Building. Um monstro condenado à vida. 
Como explicar, à elefanta de quem eu nasceria, nosso estranho parentesco?
O desmonte daquilo que fui já começou, antes mesmo do sequestro do meu DNA. Plantado no gelo durante séculos como uma árvore submersa, permaneci, até vossa chegada, com a dignidade de um ser grandioso. Eu era uma estátua da minha era. Intacto. Soberbo. Logo acabaram com isso. Sequer tiveram a elegância de serrar inteiro o bloco que me continha. Serraram apenas o que lhes interessava, a porção que me manteria congelado. Os dentes deixaram de fora.  E assim retangular, como uma embalagem de leite ou uma caixa de polpa de tomate em que alguém tivesse cravado dois garfos, fui içado por um guindaste diante dos olhos do mundo. Eu já não era uma estátua, era um container.
Sei que para vocês eu nem mereço qualquer explicação, mas digam-me, qual é exatamente sua intenção? Esquecendo o brilhareco científico, suspeito que queiram trazer o passado de volta, com a desculpa de estudá-lo diretamente.
Mas se fomos extintos é porque já não nos encaixávamos nas condições ao redor – a evolução ejeta seus antigos parceiros. Para realmente trazer-nos de volta seria preciso clonar muito mais do que o meu DNA, seria preciso duplicar tudo aquilo que nos mantinha vivos. E uma vez recriado aquele universo, como vocês se encaixariam nele?
Permitam-me uma última pergunta: encontrando restos de Homo sapiens dos quais fosse possível retirar o DNA, tentariam vocês igualmente implantá-lo no ventre de uma mulher do século vinte e um?
(Marina Colasanti)


01) Justifique o título dado ao texto:

02) Que características do gênero CARTA são evidentes no texto? 

03) Considerando o texto como uma carta, identifique o locutor, o interlocutor e o assunto: 


04) O texto é realmente uma carta ou consiste em outro gênero textual, que, nesse caso, teria incorporado alguns dos elementos da carta? Justifique sua resposta: 


05) No primeiro parágrafo do texto, logo depois do vocativo, notamos que o mamute não se situa no mundo dos mortos. Explique então o que significa escrever "não de um lugar, mas de um ponto de vista": 


06) No terceiro parágrafo, o mamute apresenta seu pedido aos cientistas e o justifica utilizando três argumentos. Qual é o pedido e quais são os três argumentos? 


07) Explique a ironia presente na frase "Apelo então para aqueles sentimentos caridosos que dizeis habitar vosso coração. E para o bom senso, que infelizmente nem sempre tem esse mesmo endereço":

08) Releia a parte em destaque no quarto parágrafo do texto e responda:


a) Que palavra desse fragmento revela uma avaliação apreciativa por parte do mamute, isto é, um julgamento dele a respeito dos feitos do ser humano? Qual é esse julgamento? 

b) O que é o RETRATO a que o mamute faz referência? 

c) Explique a ironia da última frase do trecho em análise: 

09) No quinto parágrafo, o mamute faz uma série de perguntas aos cientistas e que indicam que eles se esqueceram de algo simples e muito importante. Do que se esqueceram, afinal? Comente: 

10) No sexto parágrafo, o mamute compara os dois mundos: aquele em que viveu e aquele em que supostamente irá viver, caso seja clonado. De que o mamute se ressente mais, na passagem de um mundo para outro? 

11) O mamute tenta compreender as razões de os cientistas quererem cloná-lo e chega à conclusão de que o real desejo deles é "trazer o passado de volta". Do ponto de vista do mamute, isso é possível? Por quê? 

12) O texto lido foi inspirado num dado real: a descoberta do fóssil de um mamute e o desejo dos cientistas de clonar o animal. 

a) O que esse fato revela sobre a visão que o homem tem de si mesmo e dos outros animais do planeta? 

b) A autora, no texto, apoia esse ponto de vista? Justifique sua resposta: 


12) No trecho "O desmonte daquilo que fui já começou, antes mesmo do sequestro do meu DNA", a palavra destacada foi empregada de modo adequado, considerando os fatos mencionados no texto? Por quê? 

13) Compare estes dois trechos do oitavo parágrafo: 

I - "Eu era uma estátua da minha era. Intacto. Soberbo".
II - "Eu já não era uma estátua, era um container".

De acordo com o primeiro trecho, como o mamute se sentia até o momento em que foi descoberto? Como ele se sentiu quando foi retirado na forma de bloco?  

14) Por que algumas palavras e expressões encontram-se em itálico no texto? 

15) Que mensagem o texto transmite? 

16) No último parágrafo do texto, o mamute faz uma pergunta aos cientistas. Que resposta você daria a ele? Por quê? 

domingo, 24 de novembro de 2019

Atividade sobre a música "Carta ao primeiro homem", de Luamarte


Carta ao primeiro homem

Se eu pudesse escrever uma carta
Para o primeiro homem
Para descobrir onde foi que ele errou
Por que nesse mundo um nasce para sorrir
Enquanto o outro só conhece a dor?
Corpos, armas e lágrimas

Estamos todos perdidos
Cobaias de vidro
Sobrevivendo a sacrifícios
Veja, não estamos vivos,
Procurando nos riscos, nos discos, nos livros
A resposta para a nossa solidão
A resposta para a nossa solidão

Soldado de chumbo em tempo de trégua
Mas aqui não há trégua!
Há apenas as guerras
Que não podemos enxergar
Criança!
O medo sempre comprou
O que o amor não pôde dar 

(Afonso Maciel) 

01) Justifique o título dado à música:

02) Qual a intenção do eu lírico a escrever essa "carta"?

03) A quem seria endereçada essa carta? Quem foi o primeiro homem?

04) Onde você desconfia de que ele errou? Por quê?

05) Responda à pergunta feita na primeira estrofe da música:

06) Justifique o emprego do porquê em destaque na canção:

07) Interprete as palavras aparentemente soltas presentes no último verso da primeira estrofe:

08) Você concorda que "Estamos todos perdidos"? Justifique sua resposta:

09) Posicione-se sobre a passagem "Veja, não estamos vivos"? Por que não estamos vivos?

10) Explique a metáfora "Cobaias de vidro", dizendo que sensação transmite a locução adjetiva sublinhada: 

11) Onde, segundo o eu lírico, procuramos respostas? Você concorda com isso? Também busca ali as suas? 

12) Você acha que a solidão é realmente um problema da sociedade atual? Por quê? Você se considera uma pessoa solitária? 

13) Interprete a metáfora "Soldados de chumbo" empregada no texto:

14) Que guerras você acha que não conseguimos enxergar, por exemplo?

15) Explique os dois últimos versos da canção:

16) Que mensagem o texto transmite?

(Participação especial da colega de grupo Gilmara Moreto!)

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Mais um trabalho (que eu batizei de) "Carta & Arte"

Mais um ano que eu recorro a esta atividade que eu acho fantástica e que já desenvolvo há alguns anos! Batizei-a de "Carta & Arte" e a conheci, com adaptações, através da minha amiga querida Rosana Andreia e, de lá pra cá, nunca mais parei. Fui inventando moda. Tem ano que escolho um(a) só pintor(a), tem ano que escolho vários e faço a maior mistureba! Tem ano que peço que elaborem a carta, tem ano que eu dou a carta e peço só para desenharem, enfim... 

Compartilho aqui a atividade que eu fiz em casa, para testar a questão do tempo, da logística e das possíveis dificuldades, afinal de contas, tem colega que inventa mil coisas para o aluno fazer, mas ele mesmo não saberia nem por onde começar, então... Acho desleal e desonesto. Não curto. Penso que temos que servir de exemplo, sempre! O mesmo vale para gabarito, que tanto ficam pedindo aqui no blog (que chatice!). Então...

Eu escrevi a cartinha fazendo a encomenda para a Tarsila do Amaral, da obra "Antropofagia", e propondo umas cinco ou seis mudanças, e, depois eu virei a própria pintora, tentando fazer a releitura... O que acharam?!? 



Ontem eu fiz esse mesmo trabalho com as turmas 3007 (tarde) e 3009 (noite), ambas do Colégio Estadual Doutor Feliciano Sodré, onde eu AMO trabalhar e já há mais de duas décadas! E resolvi compartilhar algumas produções com vocês... As duplas (e alguns trios) trocaram as cartinhas e tiveram que desenhar o que os colegas pediram e não o que elas mesmas propuseram! Espero que gostem! 

Turma 3007 - Sodré - Tarde - Cândido Portinari











Turma 3009 - Sodré - Noite - Tarsila do Amaral


 

sábado, 2 de novembro de 2019

Atividade sobre o texto "A Carta", de Adriana Falcão

A Carta

Prezada Nena, 

Espero que esta lhe encontre gozando de muita saúde, assim como todos os seus.
Nem três meses faz que a gente chegou aqui e já deu pra reparar que as diferenças daí são muitas, porém são muitas também as parecenças. 
Este Rio de Janeiro é tão amostrado, Nena, que parece até que a gente tá na França de tanto canto lindo que aparece. Por outro lado, tem hora que dá pra jurar que aqui é aí, tamanha a desgraceira. O povo daqui, sendo rico ou sendo pobre, fala igualmente alto. Só não sei o motivo de tanta gritaria, se é falta de alegria ou se é falta de tristeza.
O Maracanã é grande mesmo, e se a pessoa for arrodear ele a pé leva meia hora, Nena. 
A Lagoa por fora é uma beleza, infelizmente é estragada por dentro. 
O que você não ia acreditar era em cada túnel, não sei quantos, devido ao fato de aqui ter muita pedra. O Cristo Redentor, quando acende lá em cima, é todinho o Cristo Redentor, exato como ele aparece nas novelas. Já o Pão de Açúcar, esse de fato são dois, o maior e o menor, mesmo tendo nome de um apenas. Se Nossa Senhora me der um tantinho assim mais de coragem, juro que ainda tomo aquele bonde.
O céu daqui fica muito mais perto do chão do que o daí. É só olhar pro topo dos prédios e lá está ele, parado, logo ali em cima, diariamente. Dia que tem nuvem só se enxerga o pé do morro. Noite que tem chuva só se escuta a choradeira.
A gente vai levando como Deus quer e consente, ora é uma coisa, ora outra, ora nem uma coisa nem outra, e é aí que o negócio pega. De trabalho mesmo só me apareceu uma faxina, dia de quarta, na casa de uma mulher que mora em Copacabana. Ela não paga muito não, em compensação tem tanta prata que dá até gosto limpar tudo e depois empilhar bem direitinho.
Avise a Neto que, quando as coisas melhorarem, eu começo a juntar dinheiro pra comprar o celular dele. Quem sabe até o fim do ano eu deposito uns duzentos. Mande dizer o número da conta, mas copie com cuidado, que de outra vez o algarismo veio errado e foi uma agonia de vai no banco e volta não sei quantas vezes, isso que você não avalia o tamanho da fila.
Não fosse a perna de mãe que não desincha nem com antibiótico nem com rezadeira, de resto tudo tá mais ou menos nos conformes. Só não sei dizer o que é pior, se é o custo de vida ou a saudade, pois aqui não tem cheiro de cana, Nena, e até hoje não vi um único pé de algaroba pra chorar mais eu, portanto tenho que chorar sozinha.
Eu continuo procurando um quarto grande que dê nós quatro dentro, pois morar de favor na casa dos outros, além de ser bastante desagradável, ainda por cima é ruim demais. Por mais que se ajude na despesa e no serviço, pensa que resolve? Olhe que se tem coisa que eu não sou é desagradecida, mas tia Carminha vive de cara feia, e as meninas reclamam de tudo, é um aperto danado, imagine só o desmantelo. Tem dia que eu me dano a andar cidade afora somente pra não escutar queixa por queixa. Esquecendo as desavenças, vai se indo.
Para o mês. Mariinha completa quinze anos. Na ausência de festa, faz-se um bolo. Ela está namorando um rapaz muito direito que torna conta de carro em rua de rico, embora eu pense que ela ainda não esqueceu Zé Geraldo aí do posto. Júnior arrumou emprego, mas desarrumou em seguida, e tá parado no momento. Eu mesma já repeti mais de mil vezes pra ele largar de ser desleixado e tratar logo de aprender a mexer em computador, pois hoje em dia quem não se entende com o dito não arranja nada decente nessa vida. Pelo visto ele puxou mesmo ao pai, inclusive na leseira.
Por falar no desinfeliz do pai dele, já bati a cidade inteira e ainda não encontrei o homem.
Também, como é que eu ia adivinhar que o Rio de Janeiro era tão grande? 
Tenho pra mim que ele tava era me enganando o tempo todo com essa conversa de mandar buscar a gente no Natal, ou então não teria escrito o endereço errado, que essa tal rua que ele falou nem existe, Nena. 
Se eu encontrar o triste, ligo a cobrar avisando. Dia de domingo é mais barato. Mesmo não encontrando, ligo de todo modo, uma vez que, com homem ou sem ele, a vida segue.
Nena, não se esqueça de aguar minhas plantas nem de dar de comer à Duquesa. 
Deus lhe pague em dobro tudo que você fez por mim, por mãe e pelos meninos. 
A sorte ajudando, dia desses eu tiro na raspadinha e mando passagem de leito pra você mais Neto virem conhecer o Rio. Reze daí que eu rezo de cá. 
Dê lembranças minhas a todos e aceite todo o carinho da sua eterna amiga,
Doris.
(Adriana Falcão)

01) Justifique o título do texto:

02) Circule no texto todos os vocativos, explicando seu raciocínio: 

03) Transcreva do texto duas antíteses, justificando suas escolhas: 

04) Copie do texto uma hipérbole, explicando seu raciocínio:

05) O texto é uma carta de verdade? Comprove sua resposta com passagens do texto:

06) Copie do texto marcas de oralidade, dizendo a importância delas para o contexto:

07) Qual você acha que é o motivo de o povo do Rio de Janeiro falar alto? Comente:

08) Explique o que a autora quis dizer com a passagem destacada no texto:

09) Qual o destino da tal carta? Qual a região? Que palavras deram essa pista?

10) Quem é o emissor da carta? E o destinatário?

11) Quem seria Neto e o que ele parece ser de quem escreve a carta?

12) Onde a emissora da tal carta está morando? Comprove com uma passagem do texto:

13) Quais seriam as quatro pessoas que morariam no quarto que ela deseja encontrar?

14) Quem seria Júnior? Qual o parentesco dele com a emissora da carta? Comprove com uma passagem do texto que deu a "cola":

15) Quem parece ser a Duquesa, citada na carta?

16) Por que a pessoa resolveu ir para o Rio de Janeiro? Justifique sua resposta com uma passagem do texto:

17) Que mensagem o texto transmite? 

domingo, 18 de agosto de 2019

Atividade sobre a reportagem "Os adversários do bom português"


Os adversários do bom português

Em um mundo em que o sucesso na vida profissional depende cada vez mais do rigor intelectual e do conhecimento, causa perplexidade a bandeira que vem sendo empunhada em escolas públicas e particulares brasileiras por uma corrente de professores de Línguística.
Eles defendem a ideia de que não existe certo ou errado na Língua Portuguesa, mas que a norma culta, ancorada na gramática, é só mais uma entre as várias maneiras de expressar-se. Para esse grupo, chamar a atenção do aluno que infringe tais regras -- papel fundamental de um bom professor -- é "preconceito linguístico".
Adotado nas aulas de português de meio milhão de estudantes do ensino fundamental, o livro "Por uma vida melhor" é uma amostra do que propaga esse círculo de falsos intelectuais. Escreve Heloisa Ramos, uma das autoras:"Você deve estar se perguntando: 'Mas eu posso falar os livro?' Claro que pode." O erro crasso de concordância seria apenas uma "variação popular", segundo a autora. [...]
[...] Essa visão mesquinha deturpa a sociolinguística, ramo de estudo focado nas variações do uso de um idioma -- o que é bem diferente de menosprezar a norma culta e ensinar às crianças que elas podem falar "nós vai" ou "nós pegou o peixe" e que, se alguém as admoestar, é por "preconceito linguístico". [...] "A ideia de que a língua culta é um instrumento de dominação da elite é um absurdo que não se vê em nenhuma outra nação desenvolvida", diz o linguista Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras e autor de dezenas de livros. Um dos expoentes dos talibãs da linguística no Brasil é um certo Marcos Bagno, professora da Universidade de Brasília. [...]
Já é um escândalo planetário que o suado dinheirinho dos brasileiros honestos e trabalhadores esteja sendo usado para sustentar os desvarios dos talibãs acadêmicos. A preguiça mental desses doutores do atraso é sustentada por brasileiros de quem o Fisco arranca a maior carga de impostos do mundo entre os países emergentes, por pais e mães que gastam metade do que ganham para pagar uma boa escola privada aos filhos, suprindo com seu suor o que deveria ser obrigação do estado.
Para a procuradora da República Janice Ascari, está-se diante de um crime "contra nossos jovens... um desserviço à educação já deficientíssima no país". É espantoso que as crianças brasileiras estejam sendo expostas a esse tipo de lixo acadêmico travestido de vanguarda cultural, quando deveriam estar aprendendo as disciplinas obrigatórias e acumulando o conhecimento e as habilidades que as tornarão capazes de enfrentar com sucesso os desafios do mundo real. O crime apontado pela procuradora Janice ocorre em um país em que, ao final do ciclo escolar, 62% dos estudantes são incapazes de interpretar textos, onde 1 milhão de vagas abertas pelas empresas brasileiras não podem ser preenchidas por falta de gente qualificada. Enquanto isso, nas salas de aula das escolas públicas, as crianças brasileiras carentes de "aprender a pescar", no sentido do provérbio, são ensinadas que é certo falar "nós pega o peixe". 

(Renata Betti e Roberta de Abreu Lima)

Cara Renata Betti,

Eu, Isabella Cunha Louzada, uma estudante do Ensino Médio do Colégio [...] de Belo Horizonte, gostaria de lhe informar que o que os professores de hoje em dia ensinam aos seus alunos chama-se "Variação linguística". Esse conteúdo se resume em apresentar a crianças e adolescentes que em uma determinada língua existem diversificações em função de seus elementos.
Os educadores, os quais são chamados de "talibãs" da língua portuguesa em sua reportagem, não ensinaram aos seus alunos que "nois vai" está correto, em hipótese alguma, eles apenas mostram que esse tipo de fala é mais frequente entre pessoas de baixa escolaridade. 
Ensinar variações linguísticas não torna o indivíduo um adversário do "bom português", até mesmo porque este não existe, o português é adaptado a cada situação. 
Situações formais exigem um português culto, situações cotidianas não. 
Portanto, se o seu objetivo é criticar a educação do país, critique, mas com argumentos coerentes, como, por exemplo, o estado da maioria das escolas estaduais e a falta de disciplina. 
Para terminar, gostaria de informar mais uma coisa, a falta de capacidade interpretativa citada anteriormente por você se enquadra no seu caso. 

(Isabella Cunha Louzada)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) A quem o título da reportagem faz referência? O que você pensa a respeito disso? 

03) Copie do texto duas antíteses, explicando seu raciocínio:

04) A quem se refere o pronome destacado no começo do segundo parágrafo?

05) O que seria "preconceito linguístico"? Você concorda com isso? Comente:

06) Como a leitora Isabella se posiciona a respeito dessa expressão? Justifique com trechos da carta dela: 

07) O que seria "Variação linguística"? Defina, com suas palavras:

08) Com qual das duas visões apresentadas no texto você concorda? Justifique sua resposta:

09) Por que Isabella se identificou logo no início na carta? 

10) A partir de que lugar social, de que ponto de vista, a leitora se dirige à jornalista?

11) Por que essa informação é importante para o desenvolvimento da carta?

12) Por que as autoras da reportagem chamam de "talibãs" os professores que, do ponto de vista delas, menosprezam o ensino da norma culta? Você concorda com tal termo? 

13) Observe que Isabella, em sua carta, retoma a palavra "talibãs", mas é com o mesmo sentido? O que ela deseja enfatizar com essa retomada? 

14) A reportagem utiliza outras expressões de valor negativo para se referir aos professores e estudiosos que dão importância à variação linguística no ensino de Língua Portuguesa. Que expressões são essas? 

15) Ao citarem, na reportagem, alguns especialistas, as autoras apontam um de maneira positiva e outro de maneira negativa. Qual é qual? Explique: 

16) Qual a intenção das autoras ao recorrerem a essa tática? Teve eficácia? 

17) Circule na carta da Isabella um vocativo, justificando seu raciocínio:

18) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Atividade sobre o texto "Carta a um jovem que foi assaltado", de Moacyr Scliar

Carta a um jovem que foi assaltado

Foste assaltado. Bem, a primeira coisa a dizer é que isto não chega a ser um fato excepcional. Excepcional é ganhar um bom salário, acertar a loto: mas ser assaltado é uma experiência que faz parte do cotidiano de qualquer cidadão brasileiro. Os assaltantes são democráticos: não discriminam idade, nem sexo, nem cor, nem mesmo classe social -- grande parte das vítimas é das vilas populares. 
É claro que na hora não pensaste nisto. Ficaste chocado com a fria brutalidade com que o delinquente te ordenou que lhe entregasse a bicicleta (podia ser o tênis, a mochila, qualquer coisa).
Entregaste e fizeste bem: outros pagaram com a vida a impaciência, a coragem ou até mesmo o medo -- não poucos foram baleados pelas costas.
Indignação foi o sentimento que te assaltou depois. Afinal, era o fruto do trabalho que o homem estava levando. Não fruto do teu trabalho -- até poderia ser -- mas o fruto do trabalho do teu pai, o que talvez te doeu mais.
Ficaste imaginando o homem passando a bicicleta para o receptador, os dois satisfeitos com o bom negócio realizado. É possível que o assaltante tenha dito, nunca ganhei dinheiro tão fácil. E, pensando nisto, a amargura te invade o coração. Onde está o exército? Por que não prendem essa gente?
Deixa-me dizer-te, antes de mais nada, que a tua indignação é absolutamente justa. Não há nada que justifique o crime, nem mesmo a pobreza.
Há muito pobre que trabalha, que luta por salários maiores, que faz o que pode para melhorar a sua vida e a vida de sua família -- sem recorrer ao roubo ou ao assalto. Mas tudo que eles levam, os ladrões e assaltantes, são coisas materiais. E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que grande, será só material. 
Mas não deves deixar que te levem o mais importante. E o mais importante é a tua capacidade de pensar, de entender, de racionar. Sim, é preciso se proteger contra os criminosos, mas não é preciso viver sob a égide do medo. 
Deve-se botar trancas e alarmes nas portas, não em nossa mente. Deve-se repudiar o que fazem os bandidos, mas deve-se evitar o banditismo.
Eles te roubaram. É muito ruim. Mas que te roubem só aquilo que podes substituir. Que não te roubem o coração.

(Moacyr Scliar)

01) Na frase "Os assaltantes são democráticos", podemos afirmar que a palavra destacada foi usada com ironia? Explique:

02) Que sentimento tomou conta do jovem ao ser assaltado?

03) Como o autor da carta vê o fato de o jovem ter entregado a bicicleta naturalmente, sem reagir? Você concorda com ele? 

04) Que sentimento tomou conta do jovem logo após ser assaltado? 

05) Segundo o texto, após o assalto, o jovem teria ficado imaginando o destino que o assaltante daria à bicicleta. Qual seria esse destino e qual o sentimento do jovem diante disso?

06) Diante da indignação do jovem e concordando com ela, o texto condena de forma radical o crime. Transcreva a frase em que fica evidente essa condenação:

07) O texto tem esse título, remetendo a uma CARTA, porém não tem certas características tradicionais desse gênero. Não aparece o nome da cidade do emitente, a data e a saudação inicial. No final, não aparece a costumeira saudação e a assinatura do remetente. Você acha que existe alguma característica importante de uma carta no texto? Comente:

08) A que gênero textual você acha que tal texto pertence? Por quê? 

09) Você já foi vítima de algum tipo de violência urbana? Comente: 

10) Na sua opinião, que medidas são necessárias, hoje, para que o cidadão tenha maior segurança? 

11) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

sábado, 25 de maio de 2019

Atividade sobre o texto "Carta dos mortos", de Affonso Romano de Sant´Anna


Carta aos mortos

Amigos,
Nada mudou em essência.
Os salários mal dão para os gastos, as guerras não terminaram e há vírus novos e terríveis, embora o avanço da medicina. Volta e meia um vizinho tomba morto por questão de amor. Há filmes interessantes, é verdade, e, como sempre, mulheres portentosas nos seduzem com suas bocas e pernas, mas em matéria de amor não inventamos nenhuma posição nova
Alguns cosmonautas ficam no espaço seis meses ou mais, testando a engrenagem e a solidão. Em cada olimpíada há recordes previstos e, nos países, avanços e recuos sociais. Mas nenhum pássaro mudou seu canto com a modernidade. 
Reencenamos as mesmas tragédias gregas, relemos o Quixote e a primavera chega pontualmente a cada ano. Alguns hábitos, rios e florestas se perderam. Ninguém mais coloca cadeiras na calçada ou toma a fresca da tarde, mas temos máquinas velocíssimas que nos dispensam de pensar.
Sobre o desaparecimento dos dinossauros e a formação das galáxias não avançamos nada. Roupas vão e voltam com as modas. Governos fortes caem, outros se levantam, países se dividem e as formigas e abelhas continuam fiéis ao seu trabalho.
Nada mudou em essência.
Cantamos parabéns nas festas, discutimos futebol na esquina, morremos em estúpidos desastres e volta e meia um de nós olha o céu quando estrelado com o mesmo pasmo das cavernas. E cada geração, insolente, continua a achar que vive no ápice da história. 

(Affonso Romano de Sant´Anna)

01) Justifique o título do texto, relacionando-o ao seu conteúdo:

02) O que o autor quis dizer com a passagem "Nada mudou em essência"?

03) Transcreva do texto a passagem que diz que, apesar de o tempo passar, alguns costumes se permaneceram conosco:

04) Retire do texto uma passagem que mostre que a violência está em nosso cotidiano, tirando-nos o direito de praticar velhos hábitos:

05) Explique o que seriam gerações "insolentes", posicionando-se sobre essa opinião presente no texto:

06) O que levaria cada geração a achar que "vive no ápice da história"? 

07) O texto é uma carta, destinada aos mortos, representados pelo vocativo "Amigos". Quem seriam esses amigos? Explique seu raciocínio:

08) E quem seriam, afinal, os "mortos", de que fala o texto?

09) Transcreva do texto três antíteses, explicando seu raciocínio:

10) Encontre duas possíveis interpretações para a passagem "Mas em matéria de amor não inventamos nenhuma posição nova":

11) Segundo o autor, o que, afinal, mudou hoje em dia? Ele parece preferir qual: o atual ou o antigo? Comprove com uma passagem do próprio texto:

12) Quando o autor diz que "há máquinas velocíssimas que nos dispensam de pensar", a que ele pode estar se referindo? Explique se há algum fundamento nessa afirmação dele:

13) Baseando-se no texto, aponte as diferenças entre a modernidade e a natureza, explicando da melhor maneira possível:

14) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

15) Que crítica o texto faz? A quem? Comente: 

16) Classifique todas as orações destacadas no texto, respectivamente: 

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Atividade sobre "Carta do chefe Seattle" (1855)

Esta carta foi escrita, em 1855, por um índio norte-americano, de nome Seattle, cacique da tribo Duwamish, para o então Presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce: 

 Do cacique ao Presidente - Carta do chefe Seattle

"O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo."

O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas -- elas nunca empalidecem. 
Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia nos parece estranha. Se não possuímos o  frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo reluzente de pinheiro, cada punhado de praia arenosa, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência de meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem -- todos pertencem à mesma família. Portanto, quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. 
O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua proposta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a nossa terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar a suas crianças que é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. 
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão. 
Sabemos que o branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas, como carrneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. 
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto na cidade do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos do homem vermelho. E o que resta da ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros. 
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro -- o animal, a árvore, o homem, todos compartilhamos o mesmo sopro. Pare que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados. 
Portanto, vamos meditar sobre a sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontecerá com o homem. Há uma ligação em tudo. 
Vocês devem ensinar a suas crianças que o solo a teus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem a suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. 
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos -- e o homem branco poderá pensar O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. 
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e, por alguma razão especial, lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de mutios homens e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. 

01) Você acha que de lá para cá (1855) muita coisa mudou? Justifique sua resposta:

02) Qual é a ideia central do texto? 

03) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

03) Que comparação é feita no texto? Explique:

04) Transcreva da carta uma passagem irônica, justificando sua escolha: 

05) Por que era tão difícil par ao chefe indígena aceitar a ideia de vender suas terras? 

06) Em certo momento do texto, o chefe indígena diz que vai considerar a proposta de venda das terras, embora continue preocupado. Com o quê?

07) O chefe Seattle demonstra ter plena consciência da diferença existente entre a maneira de o branco encarar a natureza e a do indígena. Copie o trecjo em que isso é evidenciado:

08) Qual a diferença entre o significado da terra para o branco e para o índio?
 
09) O chefe Seattle faz uma crítica às cidades onde vivem os homens brancos. O que ele diz sobre elas?

10) Que condições que o chefe impõe no que tange à terra, aos rios, ao ar e aos animais? 

11) A que se refere a expressão "fumegante cavalo de ferro"? 

12) Que mensagem o texto transmite? Comente:

13) Que medidas você sugere para preservar racionalmente o meio ambiente?  

sábado, 29 de outubro de 2016

Atividade com o texto "O Isolado", de Elias José

O isolado

Meu caro:

Quando você descer a serra, encontrará uma estrada larga e, depois, um trilho. Vá pelo trilho. Siga sempre em frente. Bem longe de tudo me encontrará. Ando escondido do mundo, mas abrirei as portas para você. Afinal, ainda há muita estima entre nós e isto me fará fazer a exceção. Apresentar um mundo bonito para todos, seria bom. Mas você vai ter pena ao notar como mudei. Não tenho bebidas para oferecer-lhe, talvez um cafezinho ou chá a gente consegue. Já não bebo e das coisas do passado só me restam um livro de Drummond e um disco da Bethânia. Estavam comigo e para aqui vieram também. Não tenho toca-discos, mas a voz vai penetrando pela sala, que é quarto e cozinha, toda vez que toco nele. A vista não me ajuda a ler versos, mas conheço cada página pelo tato. Minto, não há só o livro e o disco. Há também o retrato dela, de perfil, linda demais. A única lembrança dela, do que foi nosso. Ainda gosto muito de lembrar-me: nossas festas, nossas danças, as bebidas. Tudo tão perto-distante, tão longe-perto. Não conta para ela, nem diga que escrevi, que ainda existo. Ela também deve julgar que morri, não é verdade? Acho que morri mesmo. Depois do desastre, não tive mais coragem de me olhar no espelho. Falavam tanto de minha cara, julgando-me inconsciente. Senti as ataduras, as deformações. Fugi antes que algum conhecido chegasse ao hospital. Agora a barba cobre parte do rosto, o cabelo cresceu. Penso que logo ficarei completamente irreconhecível. Vou parecer mendigo ou louco. Penso em aparecer por aí. Vou me encostar nas paredes dos bares em que íamos para rever cada um, sem ser visto. 

Você, eu espero ver logo. Um abraço do sempre amigo. 

(Elias José)

01) De que sentimento este texto fala? Justifique sua resposta:

02) Há no texto um clima de saudade, de nostalgia. De que o autor sente saudade? Por quê?

03) Em dado momento, o autor fala de dois sentidos que são suplantados pelo tato. Quais são eles? Justifique: 

04) Há no texto a constante ausência de pessoas e coisas. O que está ausente na vida do autor?

05) Indiretamente, o autor deixa transparecer o que aconteceu com ele. O que foi? Como ele ficou, física e psicologicamente? 

06) Há uma frase nominal bastante poética no texto. Qual? Comente-a: 

07) O texto traz um parágrafo gigante, o que você sabe que é considerado uma inadequação. Divida o texto em mais parágrafos: 

08) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

09) Que conselho você daria ao autor da suposta carta?

10) Coloque-se no lugar do amigo que recebeu esta carta e, em seguida, responda-a, não deixando passar nenhum detalhe: 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Atividade sobre "Carta de um marido após vazar nudes de Paulo Zulu"

Texto 01:  Carta de um marido após vazar nudes do Paulo Zulu


Hoje preciso usar esse espaço pra fazer um desabafo: tá difícil ser homem. Se já não bastasse o Rodrigo Hilbert ter um programa de TV onde ele cozinha, lava, limpa, constrói e faz de tudo, agora surge uma foto do Paulo Zulu pelado. O nível de comparação ficou muito alto.

Na boa, quando vazaram os nudes do Stênio Garcia tava de boa, mas o Zulu é sacanagem. E eu já ficava P da vida vendo o Tempero de Família. Ainda esses dias falei pra minha noiva que eu queria comprar uma grelha argentina pra colocar na nossa churrasqueira.


Dias depois ela tava assistindo esse maldito programa e o Rodrigo Hilbert FEZ uma grelha argentina. Sim, ele tirou as medidas, cortou os ferros, lixou e soldou peça por peça. E ficou ótima. Pra onde foi minha moral de comprar uma grelha agora?


Não basta o cara ser loiro, alto, bonito e rico, ele ainda cozinha de tudo e constrói tudo que ele precisa. Pior que depois de cozinhar ele ainda lava a louça e limpa toda a bagunça. O mínimo que ele merece é ser casado com a Fernanda Lima. Até eu queria casar com ele.


Mas pra tudo ir por água abaixo de vez, ontem aparece na internet uma foto do Paulo Zulu pelado. Toda mulher deveria ser proibida de ver aquela foto. Na foto só tem ele na frente de um espelho, sem roupa nenhuma e segurando um iPhone. E o pior, ele tem um iPhone 6. Eu tenho um 4. Ou seja, até o iPhone dele é maior que o meu.


Agora faz sentido o cara se chamar "Zulu". É uma nítida referência afrodescendente. Além disso o cara é todo musculoso. Ele tem 53 anos, surfa e malha todo dia. Sem contar que agora tenho certeza que quando ele chega na academia dizendo que vai malhar perna, o personal diz: - Todas as três?


O que ainda me tranquiliza é que o Paulo Zulu mora em Santa Catarina e o Rodrigo Hilbert nasceu e grava todos os programas em Santa Catarina. Eu também nasci e moro em Santa Catarina. Talvez tenha alguma magia aqui no estado e eu tenha salvação.


Então a partir de hoje vou começar a construir coisas, cozinhar, limpar e ir pra academia todos os dias. E só pra garantir, também vou começar a clicar naqueles e-mails de 'aumente seu pênis'."



(http://www.bombounaweb.net/2016/09/carta-de-um-marido-apos-vazar-nudes-do-paulo-zulu.html?m=1)


01) Copie do texto alguns exemplos de linguagem coloquial, transformando-os, se possível, em linguagem formal:

02) Que desabafo o autor do texto faz? Tem fundamento? Qual a sua opinião sobre isso? Comente:

03) No segundo parágrafo, observe que faltaram aspas. Onde? Por quê? 

04) No terceiro parágrafo, há um desvio gramatical. Qual é ele? Justifique sua resposta: 

05) Neste mesmo parágrafo, por que existe uma palavra toda escrita em maiúscula? Qual o objetivo disso? 

06) Transcreva do quarto parágrafo uma frase que ficou engraçada, explicando o porquê: 

07) No quinto parágrafo, o autor compara duas coisas dele com as do Zulu. O que são? Quem sai em desvantagem? 

08) O que os dois homens citados no texto e o autor têm em comum? Você concorda com o argumento utilizado por este para ficar, dentro do possível, otimista? Ou tem outra teoria? Se sim, qual? Explique, em ambos os casos: 

09) O que você pensa a respeito dos nudes? Comente:

10) E a respeito desse tipo de vazamento de fotos de famosos? Explique seu ponto de vista: 


Texto 02: Paulo Zulu confessa ter postado nude em rede social

(Ator havia afirmado ter sido vítima de hackers)


O ator Paulo Zulu admitiu ter postado uma foto sua pelado em seu Instagram, na semana passada. O "nude" passou alguns minutos no ar antes de ser deletado, e Zulu havia dito ter sido vítima de hackers. 

Ele também alegou ter passado um dia inteiro chorando após a repercussão do "vazamento" e desabafou: "Assim como invadiram minha provacidade, estão querendo se passar por mim. Por favor, me ajudem a acabar com esse tipo de oportunismo mesquinho. Obrigado.", disse ele, dias atrás. 

Na tarde da última sexta-feira, o ator, de 53 anos, esteve na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio de Janeiro, mas não prestou queixa. No entanto, no depoimento que deu aos policiais, confessou que a foto foi publicada por engano: a intenção era mandá-la por mensagem privada para uma usuária do Instagram. 

(http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2016/09/22/internas_viver,666260/paulo-zulu-confessa-ter-postado-nude-em-rede-social.shtml)



11) Por que a palavra NUDE está entre aspas na notícia acima? 

12) Por que você acha que o ator disse que havia sido hackeado e só depois assumiu que foi culpa dele mesmo, ainda que por engano? Que diferença isso faz? Comente:

13) O que levaria uma pessoa a postar um "nude por engano" nas redes sociais? 

14) Que mensagem você mandaria para o Paulo Zulu? 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Atividade sobre o texto "Carta verde", de Ignácio de Loyola Brandão



Carta Verde
Daniel e André, 

     Há dias venho tentando montar um texto que represente, no final, uma esperança. Porque não vejo no direito de esmagar na cabeça de vocês a crença que têm na possibilidade de um futuro. Quando ouço os dois a fazerem planos normais de criança – vou ser isto, vou ser aquilo - , planos que mudam a cada temporada e a cada nova descoberta, me ponho a pensar sobre se esse futuro vai existir. Ou de que modo vocês vão sobreviver.
     Quero contar pequenas histórias. O sentido delas será fácil perceber:
     Um dia, vocês nem tinham nascido ainda, sua mãe e eu compramos uma chácara. Pequeno pedaço de terra, imensamente verde. Nesse recanto, durante anos plantamos dezenas de árvores, cada uma com carinho e significado especiais.
     Lembro, por exemplo, uma viagem que fizemos a Minas. Paramos na estrada, no meio da manhã ensolarada, para que a Bia desse de mamar tranquilamente ao Daniel. Enquanto esperava, saí do carro e deparei, à beira da cerca, com uma árvore inteiramente florida. O chão, repleto de vagens secas. Apanhei várias delas, arrisquei plantar, vingaram, fizemos cercas e manchas de árvores floridas. A imagem que associo a estas árvores é a de alimento, nutrição.
     Naquela chácara, havia duas árvores diferentes, com um significado que transcende a tudo: um ipê e um pau-brasil, diretamente ligados à vida de vocês. Quando Daniel nasceu, um amigo chegado levou à maternidade aquele que acabou sendo o presente mais duradouro. Num vasinho, a muda de ipê com um cartão: "Que sua vida tenha a força e duração desta árvore". 
     Quando André nasceu, o avô materno levou a muda de um raríssimo pau-brasil, dizendo: "Que você via, enquanto ele viver.”
     À primeira vista, parecem profecias arriscadas, afinal as mudas poderiam não vingar. Mas a um olhar mais profundo, os dois presentes revelaram a imensa confiança que alguns homens têm na natureza e no que vem dela :o sentido de vida, eternidade, permanência e continuação.
     As árvores, meus meninos, desde o início do mundo tiveram o mais importante dos sentidos: o de representar a vida.

(Ignácio de Loyola Brandão)


01) A quem se destina a carta? O que lhe deu essa dica? 

02) Os filhos são adultos ou crianças? Justifique sua resposta utilizando uma passagem do texto:

03) Como o pai percebe que os filhos acreditam no futuro? 

04) O pai tem a mesma certeza que os filhos de que haverá futuro? Comente:

05) Na sua opinião, o que pode trazer ao pai a incerteza quanto à existência de um futuro? 

06) Mesmo não confiante, o pai resolve escrever uma carta que possa representar uma esperança. Por quê? 

07) Por que o autor associa às árvores a ideia de "alimento, nutrição"?  A que árvores ele está se referindo?

08) Qual a relação entre os meninos e as duas árvores? 

09) O pai cumpriu com o objetivo dele? Por quê? 

10) Que mensagem o texto lhe transmitiu?