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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Atividade sobre a poesia simbolista "Antífona", de Cruz e Sousa

Antífona

Ó formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neve, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turibulos das aras...

Formas do Amor, constelarmente puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas...

Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgão flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos
Com a chama ideal de todos os mistérios.
(...)

(Cruz e Sousa)

01) Justifique o título empregado na poesia acima:

02) Repare que o poema tem por tema o próprio processo de criação poética e utiliza uma linguagem pouco convencional, com fortes traços simbolistas. Para reconhecer esses traços, identifique:

a) O verso da primeira estrofe que apresenta elementos litúrgicos, religiosos:

b) Os adjetivos dessa mesma estrofe que caracterizam as "Formas" invocadas pelo eu lírico, mostrando que se trata de realidades impalpáveis, transcendentais:

03) Além de impalpáveis, transcendentais, as "Formas" da poesia simbolista são sensoriais, isto é, apresentam elementos que pertencem ao universo dos sentidos - muitas vezes por meio de sinestesia. 

a) Identifique os versos da terceira estrofe em que ocorre sinestesia, explicando seu raciocínio:

b) Que sentidos são evocados nesses versos?

04) As assonâncias (repetição de sons vocálicos) e as aliterações (repetição de sons consonantais) são alguns dos recursos que contribuem para uma das principais características simbolistas: a musicalidade. Por meio dela, reforça-se o tom misterioso e metafísico dessa poesia, que sugere em vez de descrever e simboliza em vez de nomear. 

a) Que estrofe evidencia mais claramente o parentesco entre a poesia simbolista e as realidades ocultas, misteriosas, metafísicas, por meio da referência à poesia como mistério, e da invocação dos espíritos como modo de realizá-la? 

b) Dê um exemplo de assonância e um exemplo de aliteração presentes nessa estrofe:

05) Qual é a função linguística das reticências nas quatro estrofes iniciais do poema? Como o seu uso indica o caráter simbolista do texto?

06) Que mensagem o texto transmite? Comente:

(Algumas questões foram retiradas do Livro "Novas Palavras" - Volume 03 - FTD)

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Atividade sobre o texto "Meninos carvoeiros", de Manuel Bandeira


Meninos carvoeiros

Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
-- Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.

Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido).

-- Eh, carvoero! 
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria! 
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis! 
-- Eh, carvoero! 

Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados. 

(Manuel Bandeira)

01) Justifique o título do texto:

02) No texto predomina a narração ou a descrição? Por quê?

03) No poema aparece a palavra "carvoero", uma forma popular da forma culta: "carvoeiro". Por que o poeta usou a primeira e não a segunda? 

04) No poema é retratada uma cena comum em nossos dias ou uma cena antiga? Justifique sua resposta: 

05) Por que os meninos carvoeiros voltam montados nos burrinhos, mas não vão montados na ida? 

06) Explique com suas palavras o verso "Pequenina, ingênua miséria!":

07) Copie do texto uma interjeição, dizendo o que ela representa: 

08) No final do poema, os meninos carvoeiros são comparados a espantalhos. Justifique essa comparação: 

09) O poema pode ser dividido em quatro partes. Delimite-as: 

10) Que mensagem o poema transmite? 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Atividade sobre a poesia "O retrato", de Adélia Prado

O retrato 

Eu quero a fotografia,
Os olhos cheios d´água sob as lentes,
Caminhando de terno e gravata,
O braço dado com a filha. 
Eu quero a cada vez olhar e dizer:
Estava chorando. E chorar.
Eu quero a dor do homem na festa de casamento,
Seu passo guardado, quando pensou:
A vida é amarga e doce?
Eu quero o que ele viu e aceitou corajoso,
Os olhos cheios d´água sob as lentes. 

(Adélia Prado)

01) Explique o título utilizado na poesia:

02) A que lentes se refere o poema? Quais foram as "pistas textuais" encontradas? 

03) Copie da poesia duas palavras empregadas como contrárias, dizendo a que elas se referem e como isso pode ocorrer: 

04) O poema apresenta características narrativas, ou seja, o poema monta uma cena. Que cena é essa? 

05) A dor do homem pode ser considerada um sofrimento físico? Justifique sua resposta:

06) O que foi que o pai viu e aceitou corajoso? 

07) Como se organiza o poema quanto aos versos e estrofes? 

08) Que mensagem a poesia transmite? 

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Atividade sobre a poesia "Mais duas dúzias de coisinhas à-toa que fazem a gente feliz", de Otávio Roth

Mais duas dúzias de coisinhas à-toa que fazem a gente feliz

Passarinhos na janela
Pijama de flanela
Brigadeiro na panela.

Gato andando no telhado
Cheirinho de mato molhado
Disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã
Dropes de hortelã
O grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso
Jogar pedrinha no poço
Um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa
Pisar em tapete persa
Eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão
Dias quente de verão
Descer pelo corrimão.

Almoço de domingo
Revoada de flamingo
Herói que fuma cachimbo.

Anãozinho no jardim
Lacinho de cetim
Pegar você pra mim.

(Otávio Roth)

01) Justifique o título do poema:

02) De que estrofe você mais gostou? Por quê? 

03) Localize os diminutivos na poesia e explique a importância deles para o contexto: 

04) Por que o Tarzan estaria presente no poema? 

05) Quem você acha que seria o "herói que fuma cachimbo"? 

06) Que mensagem o poema transmite? Comente: 

07) O que foi responsável pela sonoridade presente no poema? Comente: 

08) Crie mais uma estrofe para completar o poema, seguindo o esquema utilizado pelo autor: 

Atividade sobre a poesia "Duas dúzias de coisinhas à-toa que fazem a gente feliz", de Otávio Roth


Duas dúzias de coisinhas à toa que fazem a gente feliz

Pintinho saindo do ovo
Começar caderno novo
Alegria do meu povo.

Espaguete ao dente
Um pé de meia quente
Melancia sem semente

Acordar com cafuné
Vista pela chaminé
Estalar os dedos do pé

Queijinhos vindo da França
Menina loura com trança
Dom Quixote e Sancho Pança

Barquinho na enxurrada
Queijo com goiabada
Beijinhos na namorada

Joaninha no nariz
Fazer um amigo feliz
Respingo de chafariz

Estrelinha piscando no céu
Melar o dedo no mel
Abrir clipe de papel

Alguém sempre por perto
Um saco de bombom aberto
Uma rima que deu certo

(Otávio Roth) 

01) Justifique o tíulo dado ao poema:

02) Copie do texto exemplos de diminutivo, dizendo sua importância para o contexto e o que eles indicam: 

03) Retire do poema dois addjetivos, dizendo a que substantivos eles se referem:

04) Copie do texto dois três nomes próprios:

05) Você sabe quem foi Dom Quixote e Sancho Pança? Pesquise e explique a importância deles para o poema: 

06) De qual coisinha à-toa você mais gostou? Por quê?

07) Que coisinhas à-toa você acha que faltaram? Tente criar um terceto rimando, seguindo o esquema do poema: 

08) Que mensagem o poema transmite? Comente:


terça-feira, 22 de outubro de 2019

Atividade sobre a poesia "Aula de português", de Carlos Drummond de Andrade

Aula de português

A linguagem 
na ponta da língua,
tão difícl de falar 
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras, 
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. 

Já esqueci a língua em que comia, 
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Justifique o título do poema:

02) Retire do texto uma metáfora, explicando-a:

03) Observe que o autor faz uma brincadeira entre língua e linguagem. Como?

04) Cite pelo menos duas características entre uma e outra:

05) A expressão "na ponta da língua" é denotativa ou conotativa? Por quê?

06) Qual a possível razão de o português ser dois? A qual dos dois ele se refere?

07) Por que ele afirmou que o outro é mistério? Você concorda com ele?

08) Que mensagem o texto transmite? Comente:

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Atividade sobre o soneto "Círculo Vicioso", de Machado de Assis


Círculo vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto o vagalume:
"Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme: 

"Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!"
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:

"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela 
Claridade imortal, que toda a luz resume!"
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

"Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"

(Machado de Assis)

01) Justifique o título do poema:

02) Qual é o "círculo vicioso" presente no texto?

03) Podemos afirmar que o texto é um soneto? Por quê?

04) Quais são os personagens envolvidos? Que sentimento cada um deles revela? O que eles têm em comum?

05) Qual o primeiro personagem a aparecer na história? E o último? Comente:

06) O que o verso em destaque no texto revela? Justifique sua resposta:

07) Podemos afirmar que os personagens representam pessoas? Por quê?

08) Você já quis, por alguma razão, ser outra pessoa? Explique:

09) A que figura de linguagem a sequência "vagalume, estrela, lua, sol" corresponde? Justifique sua resposta: 

10) Que mensagem o texto transmite?

11) O que a imagem abaixo tem a ver com o poema machadiano que você leu? Explique:

P.S.: Dá pra fazer um trabalho bem legal de INTERTEXTUALIDADE com esse texto postado AQUI. Confira só! 

terça-feira, 16 de julho de 2019

Atividade sobre a poesia "Profundamente", de Manuel Bandeira

Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

-- Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo 
Profundamente.

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
-- Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

(Manuel Bandeira)

01) Justifique o título dado à poesia acima:

02) Quantas estrofes possui o texto? E quantos versos?

03) Divida o texto em duas partes: passado e presente. Onde começa uma e termina outra?

04) Copie do texto uma comparação, explicando-a:

05) Transcreva do texto 04 (quatro) substantivos próprios:

06) Circule no poema todos os advérbios, respectivamente, classificando-os:

07) Localize no texto um numeral, classificando-o:

08) Transcreva do poema dois pronomes que indicam posse:

09) Podemos afirmar que o verbo "dormir", no final do texto, tem sentido diferente desse mesmo verbo no começo? Justifique sua resposta:

10) Existe no texto algum eufemismo? Explique seu raciocínio:

11) Que recordações da infância o poema traz?

12) Identifique características do Modernismo presentes no texto:

13)  Localize no poema características de Manuel Bandeira:

14) Que mensagem o texto transmite? Comente:

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Atividade sobre o poema "Canção amiga", de Carlos Drummond de Andrade

Canção amiga

Eu preparo uma canção
Em que minha mãe se reconheça,
Todas as mães se reconheçam,
E que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
Que passa em muitos países.
Se não me veem, eu vejo
E saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
Formam umdiamante.
Aprendi novas palavras
E tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
Que faça acordar os homens
E adormecer as crianças.

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Justifique o título da poesia, aproveitando para sugerir um outro:

02) Retire do texto uma antítese, explicando:

03) Que mensagem o poema lhe transmitiu?

04) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto:

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Atividade sobre a poesia "Soneto de separação", de Vinícius de Moraes


Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente,
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente. 

(Vinícius de Moraes)

01) Justifique o título do poema, aproveitando para dar um outro:

02) Por que o texto é um soneto?

03) Transcreva da canção duas antíteses, explicando seu raciocínio:

04) Que substantivo no texto possui dois adjetivos a ele se referindo? Quais são esses adjetivos?

05) Explique a comparação utilizada na canção:

06) Os versos em negrito no poema são exemplos de antítese ou de paradoxo? Podemos afirmar que neles parece haver uma troca de elementos? Explique:

07) De que verso(s) você mais gostou? Por quê?

08) Que mensagem a música lhe transmitiu?

09) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra sublinhada no texto:

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Atividade sobre o texto "Operário em construção", de Vinícius de Moraes


Operário em construção

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: 
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 
E Jesus, respondendo, disse-lhe: 
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 
(Lucas, cap. V, vs. 5-8.)

Era ele que erguia casas 
Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 


De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 

Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 

De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 

Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 

Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 

E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 

E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 

Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 

E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 

Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 

Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 

Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 

Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 

Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 

- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 

E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 

Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.

(Vinícius de Moraes) 

01) Justifique o título do texto:

02) Copie do texto uma antítese, justificando sua resposta: 

03) O que significam os versos em negrito na segunda estrofe? 

04) Explique a passagem "Que o operário faz a coisa e a coisa faz o operário": 

05) Transcreva do texto versos que comprovem o momento exato em que o operário finalmente "acorda" e reconhece o seu valor: 

06) Copie do texto um trecho que demonstra que é necessário haver união entre os semelhantes: 

07) Podemos afirmar que existe um paradoxo na passagem em negrito na primeira estrofe? Justifique sua resposta da maneira mais completa possível: 

08) Localize no texto uma passagem carregada de injustiça, explicando seu raciocínio: 

09) Transcreva versos que contenham um sentimento de revolta, justificando seu ponto de vista: 

10) Copie do texto uma comparação, dizendo se ela foi ou não bem empregada: 

11) Transcreva do texto uma passagem que contém uma certa ironia: 

12) O que seria encontrar "a dimensão da poesia"? Explique: 

13) Que mensagem o texto transmitiu? Comente: 

14) Localize no texto:

a) um numeral ordinal:
b) um advérbio de lugar: 
c) uma conjunção adversativa:
d) um advérbio de negação: 
e) três substantivos:
f) uma interjeição:
g) dois adjetivos, dizendo a que substantivo cada um se refere:
h) um advérbio de tempo:
i) uma conjunção explicativa: 
j) um pronome possessivo:

P.S.: Dá para fazer um trabalho bem legal de intertextualidade com a atividade sobre a obra "Operários", de Tarsila do Amaral, abordada AQUI neste blog, com a da música "Cidadão", com o Zé Ramalho, presente AQUI, e, ainda, com a música "Construção", do poderoso Chico Buarque, que também temos AQUI, para quem se interessar! 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Atividade sobre o texto "Lembrança do mundo antigo", de Carlos Drummond de Andrade

Lembrança do mundo antigo

Clara passeava no jardim com as crianças,
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo em redor de Clara. 

As crianças olhavam para o céu: não era proibido. 
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos,
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!! 
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!! 

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Em que tempo estão os verbos do texto?

02) O que indica o pretérito imperfeito? E perfeito? 

03) Qual a relação entre o emprego desses tempos verbais e o título da poesia?

04) É possível estabelecer uma relação entre o nome da personagem e o texto?

05) Como você classificaria os perigos temidos por Clara?

06) A poesia, ao recordar e descrever o mundo antigo, trabalha, nas entrelinhas, com um contraste, uma oposição. Qual seria o contraste?

07) Em "As crianças olhavam para o céu: não era proibido", atente para o jogo dos contrastes e para o ano em que ela foi publicada (1940), e responda: como poderia ser interpretado o verso destacado?

08) O texto apresenta elementos descritivos? Justifique sua resposta:

09) Faça um desenho que ilustre, em detalhes, o poema de Drummond: 

10) Faça a análise morfológica de cada palavra destacada no texto:

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Atividade com "O meu olhar é nítido como um girassol", de Alberto Caeiro


II

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança, se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

(Alberto Caeiro)

01) Quantas estrofes e quantos versos temos no poema acima?

02) No poema, o eu-lírico compara a nitidez de seu olhar a um girassol. O que lhe permite aproximar esses dois elementos?

03) A atitude do eu-lírico diante das coisas do mundo assemelha-se à da criança ao nascer, mas apresenta uma diferença. Que atitude é essa e no que ela se diferencia do recém-nascido?

04) Na segunda estrofe do poema, o eu-lírico contrapõe o “ver” ao “pensar” e afirma: “Pensar é estar doente dos olhos”. O que ele parece querer dizer com isso?

05) A penúltima estrofe do poema expressa uma contradição. Explique-a:

06) O eu-lírico diz amar a natureza. Ao declarar esse sentimento, de quem ele se aproxima mais: do “bom selvagem” de Rousseau ou do próprio Rousseau? Justifique sua resposta:

07) Em que medida seria possível pensar em um “homem em estado de natureza”?

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Atividade sobre o texto "Quadrilha", de Carlos Drummond de Andrade , e outros


Quadrilha

João amava Tereza
que amava Raimundo
que amava Maria
que amava Joaquim
que amava Lili
que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Tereza para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história. 

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Justifique o título empregado no texto acima:

02) Qual a visão do poeta em relação ao relacionamento amoroso: crítica, irônica ou trágica? Justifique sua resposta:

03) De acordo com o texto, a que se compara um relacionamento amoroso? Por quê?

04) Essa forma de interpretar o relacionamento amoroso pode ser considerada moderna? Por quê?

05) Qual a importância dos nomes próprios para o contexto do poema? 

06) Onde houve uma quebra na linearidade da história? Qual o provável objetivo disso?

07) O que significa "ficar para tia"? O que está subentendido nisso?

08) Quem teve, na sua opinião, o pior desfecho? E o melhor? Explique ambos os casos:

09) Que mensagem o poema nos transmite?

10) A HQ seguinte mostra o poema de Drummond contado de outra maneira, ou seja, através de outro gênero textual. A proposta é que você consiga tomá-la como exemplo para fazer tal transposição, explorando um novo gênero! Mãos à obra! 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Atividade sobre o texto "Poema de circunstância", do Mário Quintana

Poema de circunstância

Onde estão os meus verdes? 
Os meus azuis?
O Arranha-Céu comeu! 
E ainda falam nos mastodontes, nos tiranossauros,
Que mais sei eu... 
Os verdadeiros monstros, os Papões, são eles, os Arranha-Céus!

Daqui 
do fundo
das suas goelas,
só vemos o céu, estreitamente, através de suas gargantas ressecas,
para que lhes serviu beberem tanta luz?!
Defronte
à janela onde trabalho
Há uma grande árvore...
Mas já estão gestando um monstro de permeio!
Sim, uma grande árvore... 
Enquanto há verde,
Pastai, pastai, olhos meus...
Uma grande árvore muito verde... Ah! 
Todos os meus olhares são de adeus
Como o último olhar de um condenado!

(Mário Quintana)

01) Que fato leva o eu lírico a perguntar-se sobre o destino das árvores e do céu?

02) Na comparação com mastodontes e outros gigantescos monstros extintos, os arranha-céus mostram-se mais cruéis. Copie o trecho o verso que comprova essa afirmativa:

03) O eu lírico confessa que, do lugar onde se acha, ainda resta uma possibilidade de observar o verde. Que "monstro" está sendo gestado entre ele e o verde? Diante disso, o que ele aconselha a seus próprios olhos?

04) Qual o melhor significado para o verbo PASTAR no contexto? 

05) O poema todo está estruturado em torno de uma personificação. Explique como aparecem personificados os arranha-céus e os olhos:

06) Entre as inúmeras entidades do folclore, o poeta decidiu associar o arranha-céu ao Bicho-Papão, criando uma prosopopeia. Por que ele teria escolhido essa figura do folclore? 

07) Por que podemos associar este poema ao estilo literário chamado Arcadismo? 

08) Segundo alguns estudiosos, nenhum país poderá atingir o progresso sem causar sérios danos ao meio ambiente. Você concorda com essa afirmativa? Justifique sua resposta: