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domingo, 20 de setembro de 2020

Atividade sobre o poema "Prisão", de Cecília Meireles

Prisão 

Nesta cidade
Quatro mulheres estão no cárcere.
Apenas quatro. 
Uma na cela que dá para o rio, 
Outra da cela que dá para o monte,
Outra na cela que dá para a igreja
E a última na do cemitério
Ali embaixo.
Apenas quatro.

Quarenta mulheres noutra cidade, 
Quarenta, ao menos,
Estão no cárcere. 
Dez voltadas para as espumas,
Dez para a lua movediça,
Dez para pedras sem resposta,
Dez para espelhos enganosos.
Em celas de ar, de água, de vidro
Estão presas quarenta mulheres, 
Quarenta ao menos, naquela cidade. 

Quatrocentas mulheres
Quatrocentas, digo, estão presas:
Cem por ódio, cem por amor, 
Cem por orgulho, cem por desprezo
Em celas de ferro, em celas de fogo,
Em celas sem ferro nem fogo, somente
De dor e silêncio,
Quatrocentas mulheres, numa outra cidade, 
Quatrocentas, digo, estão presas. 

Quatro mil mulheres, no cárcere,
E quatro milhões -- e já nem sei a conta,
Em cidades que não se dizem,
Em lugares que ninguém sabe,
Estão presas, estão para sempre 
-- sem janela e sem esperança,
Umas voltadas para o presente, 
Outras para o passado, e as outras
Para o futuro, e o resto -- o resto,
Sem futuro, passado ou presente, 
Presas em prisão giratória,
Presas em delírio, na sombra, 
Presas por outros e por si mesmas, 
Tão presas que ninguém as solta, 
E nem o rubro galo do sol 
Nem a andorinha azul da lua
Podem levar qualquer recado 
À prisão por onde as mulheres 
Se convertem em sal e muro. 

(Cecília Meireles) 

01) Justifique o título dado ao poema acima:

02) Qual é o tema central do poema? Justifique sua resposta: 

03) Explique o verso destacado na primeira estrofe do texto, e a sua repetição: 

04) Copie da poesia duas antíteses, explicando seu raciocínio: 

05) Podemos afirmar que há uma gradação no poema? Justifique sua resposta: 

06) Qual a importância dos numerais para o entendimento da história? Explique: 

07) O que seriam "lua movediça", "pedras sem respostas" e "espelhos enganosos"?

08) O que essas três expressões transmitem? 

09) Interprete os versos em destaque na terceira estrofe: 

10) Que mensagem o texto transmite? Comente: 


11) De que forma a imagem acima dialoga com o poema de Cecília? 

12) Copie do poema uma passagem que dialoga mais diretamente com ela: 

13) Quem o passarinho está representando, se o considerarmos uma metáfora?

14) Por que poderia a liberdade se tornar um dos maiores medos? 

15) Como associar o tema em questão à realidade de muitas mulheres que sofrem abusos (de todos os tipos)? Explique: 

(Texto sugerido pela querida amiga Luciene Gomes) 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Atividade sobre o texto "Os Estatutos do Homem", de Thiago de Mello


Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional permanente)

ARTIGO I:

Fica decretado que agora vale a verdade,
Que agora vale a vida,
E que, de mãos dadas,
Trabalharemos todos pela vida verdadeira. 

ARTIGO II:

Fica decretado que todos os dias da semana, 
Inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
Têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

ARTIGO III:

Fica decretado que, a partir deste instante, 
Haverá girassóis em todas as janelas,
Que os girassóis terão direito 
A abrir-se dentro da sombra;
E que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
Abertas para o verde onde cresce a esperança.

ARTIGO IV:

Fica decretado que o homem 
Não precisará nunca mais 
Duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
Como a palmeira confia no vento,
Como o vento confia no ar,
Como o ar confia no campo azul do céu. 

PARÁGRAFO ÚNICO:

O homem confiará no homem 
Como um menino confia em outro menino.

ARTIGO V:

Fica decretado que os homens
Estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
A couraça do silêncio
Nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
Com seu olhar limpo
Porque a verdade passará a ser servida
Antes da sobremesa.

ARTIGO VI:

Fica estabelecida, durante os séculos da vida, 
A prática sonhada pelo profeta Isaías,
E o lobo e o cordeiro pastarão juntos
E a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

ARTIGO VII:

Por decreto irrevogável fica estabelecido
O reinado permanente da justiça e da claridade, 
E a alegria será uma bandeira generosa
Para sempre desfraldada na alma do povo. 

ARTIGO VIII:

Fica decretado que a maior dor
Sempre foi e será sempre
Não poder dar-se amor a quem se ama
Sabendo que é a água 
Que dá à planta o milagre da flor. 

ARTIGO IX:

Fica permitido que o pão de cada dia
Tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
O quente sabor da ternura.

ARTIGO X:

Fica permitido a qualquer pessoa,
A qualquer hora da vida,
O uso do traje branco. 

ARTIGO XI:

Fica decretado, por definição,
Que o homem é um animal que ama
E por isso é belo, 
Muito mais belo que a estrela da manhã. 

ARTIGO XII:

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
Tudo será permitido,
Inclusive brincar com os rinocerontes
E caminhar pelas tardes
Com uma imensa begônia na lapela. 

PARÁGRAFO ÚNICO:

Só uma coisa fica proibida:
Amar sem amor. 

ARTIGO XIII:

Fica decretado que o dinheiro
Não poderá nunca mais comprar 
O sol das manhãs vindouras.
Expulso o grande baú do medo, 
O dinheiro se transformará em uma espada fraternal. 
Para defender o direito de cantar
E a festa do dia que chegou. 

ARTIGO FINAL:

Fica proibido o uso da palavra liberdade, 
A qual será suprimida dos dicionários
E do pântano enganoso das bocas. 
A partir deste instante 
A liberdade será algo vivo e transparente 
Como um fogo ou um rio,
E a sua morada será sempre 
O coração do homem. 

(Thiago de Mello) 

01) Justifique o título do poema, dizendo se realmente se trata de um "estatuto": 

02) Qual é o assunto abordado nele? 

03) Quantas estrofes compõem o poema? 

04) Explique os versos destacados no texto, no parágrafo único:

05) Copie do texto três comparações, dizendo o que elas significam: 

06) Transcreva do poema uma passagem que vê problema nos excessos, seja de um lado ou de outro: 

07) O que significa dizer que "a verdade será servida antes da sobremesa"? 

08) Localize no poema um verso que revela um clima de paz entre seres opostos:

09) Copie do texto dois pares de antítese, explicando seu raciocínio:

10) Em que artigo aparece uma metáfora? Qual é ela? 

11) Transcreva do poema uma passagem que contém uma sinestesia, explicando: 

12) Qual é, na verdade, a única coisa proibida pelo eu-lírico? O que você pensa a respeito disso? 

13) O que é "amar sem amor"? Há aí um paradoxo? Por quê? 

14) Copie do texto uma forte crítica ao ter, ao materialismo, ao dinheiro: 

15) Que mensagem o poema transmite? Comente: 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Atividade sobre a poesia "Protesto", de Carlos de Assumpção


Protesto

Mesmo que voltem as costas
Às minhas palavras de fogo
Não pararei de gritar
Não pararei 
Não pararei de gritar

Senhores,
Eu fui enviado ao mundo 
Para protestar
Mentiras ouropéis nada
Nada me fará calar

Senhores, 
Atrás do muro da noite
Sem que ninguém o perceba
Muitos dos meus ancestrais
Já mortos há muito tempo
Reúnem-se em minha casa
E nos pomos a conversar
Sobre coisas amargas
Sobre grilhões e correntes
Que no passado eram visíveis
Invisíveis, mas existentes
Nos braços, no pensamento 
Nos passos, nos sonhos na vida
De cada um dos que vivem
Juntos comigo enjeitados da Pátria

Senhores, 
O sangue dos meus avós
Que corre nas minhas veias
São gritos de rebeldia

Um dia talvez alguém perguntará 
Comovido ante meu sofrimento 
Quem é que está gritando?
Quem é que lamenta assim? 
Quem é?

E eu responderei:
Sou seu irmão
Irmão tu me desconheces
Sou eu aquele que sendo homem
Foi vendido pelos homens
Em leilões em praça pública
Que foi vendido ou trocado
Como instrumento qualquer 
Sou eu aquele que plantara
Os canaviais e cafezais 
E os regou com suor e sangue
Aquele que sustentou 
Sobre os ombros negros e fortes
O progresso do País
O que sofrera mil torturas
O que chorara inutilmente 
O que dera tudo o que tinha 
E hoje nem dia não tem nada
Mas hoje grito não é
Pelo que já se passou
Que se passou é passado
Meu coração já perdoou
Hoje grito, meu irmão, 
É porque depois de tudo 
A justiça não chegou.

Sou eu quem grita, sou eu 
O enganado no passado
Preterido no presente
Sou eu quem grita, sou eu
Sou eu, meu irmão, aquele 
Que viveu na prisão 
Que trabalhou na prisão
Que sofreu na prisão 
Para que fosse construído
O alicerce da nação
O alicerce da nação
Tem as pedras dos meus braços
Tem a cal das minhas lágrimas
Por isso a nação é triste
É entre tanta gente triste
Irmão, sou eu o mais triste

A minha história é contada
Com tintas de amargura
Um dia sob ovações e rosas de alegria
Jogaram-me de repente 
Da prisão em que me achava
Para uma prisão mais ampla
Foi um cavalo de Tróia
A liberdade que me deram
Havia serpentes futuras
Sob o manto do entusiasmo
Um dia jogaram-me de repente
Como bagaços de cana 
Como palhas de café
Como coisa imprestável
Que não servia mais pra  nada
Um dia jogaram-me de repente 
Nas sarjetas da rua do desamparo
Sob ovações e rosas de alegria

Sempre sonhara com a liberdade
Mas a liberdade que me deram
Foi mais ilusão que liberdade

Irmão, sou eu quem grita 
Eu tenho fortes razões
Irmão, sou eu quem grita
Tenho mais necessidade
De gritar que de respirar
Mas, irmão, fica sabendo:
Piedade não é o que eu quero
Piedade não me interessa 
Os fracos pedem piedade
Eu quero coisa melhor
Eu não quero mais viver
No porão da sociedade
Não quero ser marginal 
Quero entrar em toda parte 
Quero ser bem recebido
Basta de humilhações
Minh´alma já está cansada
Eu quero o sol que é de todos 
Ou alcanço tudo o que eu quero
Ou gritarei a noite inteira
Como gritam os vulcões 
Como gritam os vendavais
Como grita o mar
E nem a morte terá força
Para me fazer calar.

(Carlos de Assumpção)

01) Justifique o título do texto em questão:

02) O que seriam "palavras de fogo"? 

03) Circule no texto os vocativos, explicando o seu raciocínio: 

04) Copie do texto dois pares de antítese, justificando: 

05) Quem seriam os "senhores" a que o eu lírico tanto se dirige? E os "irmãos"?

06) Interprete o verso destacado no texto, explicando bem: 

07) Explique a importância das interrogações para o contexto: 

08) Você concorda que "a justiça ainda não chegou"? Por quê? 

09) Transcreva do poema versos que remetem à escravidão: 

10) Que crítica social o texto faz? Explique-a, dizendo como fazer para combater tal problemática: 

11) Por que o sangue dos avós são "gritos de rebeldia"? Posicione-se sobre isso:

12) Copie do texto uma passagem que revela que a abolição não serviu para muita coisa, dando a sua opinião sincera sobre isso:

13) Com que intenção o autor menciona a expressão "Cavalo de Tróia"? 

14) Explique a passagem "o alicerce da nação", posicionando-se sobre ela: 

15) Você acha que na passagem "sofrera mil torturas" existe ou não uma hipérbole? Justifique sua resposta: 

16) Transcreva do texto um trecho que revela fortemente o desejo de igualdade: 

17) Copie da poesia três comparações, explicando a que elas se referem e a expressividade nelas presentes: 

18) Que mensagem o texto transmite? Comente:

(Texto enviado pela querida colega de grupo: Luciana Barao)

terça-feira, 9 de junho de 2020

Atividade sobre o poema "A tecelã", de Mauro Mota

A tecelã

Toca a sereia na fábrica
e o apito como um chicote
bate na manhã nascente
e bate na tua cama
no sono da madrugada.

Ternuras de áspera lona
pelo corpo adolescente.
É o trabalho que te chama.
Às pressas tomas o banho,
tomas teu café com pão,
tomas teu lugar no bote
no cais do Capibaribe.

Deixas chorando na esteira
teu filho de mãe solteira.
Levas ao lado a marmita,
contendo a mesma ração
do meio de todo o dia,
a carne-seca e o feijão.

De tudo quanto ele pede
dás só bom dia ao patrão,
e recomeças a luta
na engrenagem da fiação.

Teces tecendo a ti mesma
na imensa maquinaria,
como se entrasses inteira
na boca do tear e desses
a cor do rosto e dos olhos
e o teu sangue à estamparia.

Vestes as moças da tua
idade e dos teus anseios,
mas livres de maldição
do teu salário mensal,
com o desconto compulsório,
com os infalíveis cortes
de uma teórica assistência,
que não chega na doença
nem chega na tua morte.

Com essa policromia
de fazendas, todo dia, 
iluminas os passeios,
brilhas nos corpos alheios.

Toca a sereia da fábrica
e o apito como um chicote
bate neste fim de tarde,
bate no rosto da lua.
Vais de novo para o bote.
Navegam fome e cansaço
nas águas negras do rio.

Há muita gente na rua, 
parada no meio-fio.
Nem liga importância à tua
blusa rota de operária.
Vestes o Recife e voltas
para casa, quase nua. 

(Mauro Mota)

01) Justifique o título dado ao poema:

02) Dê três características que comprovem por que ele é um poema:

03) Que problema social é apresentado nesse texto? 

04) Que fatos do poema demonstram que ele possui um tema social?

05) O que pode significar o verso destacado no poema? 

06) Copie do texto uma comparação, explicando-a: 

07) Quantas estrofes e quantos versos compõem o poema? 

08) Interprete o verso "brilhas nos corpos alheios", situado na sétima estrofe: 

09) A tecelã sempre volta tarde para casa. Justifique esta afirmativa com passagens do texto: 

10) Que palavra usada no poema contrasta com "Vestes o Recife..."? 

11) Que figura de linguagem aparece em "Navegam fome e cansaço nas águas negras do rio"? Explique bem: 

12) Que mensagem o texto transmite?

P.S.: Essa atividade combina bem com ESTA AQUI, que traz o conto "A moça tecelã", da Marina Colasanti, para quem quiser explorar a questão da intertextualidade! O que acham? 

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Atividade sobre a poesia "A borboleta", de Olavo Bilac


A borboleta

Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda! É toda preta, 
Com listras douradas na asa.

Tonta, nas mãos de criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fugir, voa, cansa,
E treme, e respira a custo.

Contente, o menino grita:
"É a primeira vez que apanho,
Mamãe! Veja como é bonita! 
Que cores e que tamanho! 

Como voavam no mato! 
Vou sem demora pregá-la
Por baixo do meu retrato,
Numa parede da sala."

Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz: "Que mal te fazia,
Meu filho, esse animalzinho,
Que livre e alegre vivia?

Solta essa pobre coitada! 
Larga-lhe as asas, Alfredo! 
Veja como treme assustada...
Veja como treme de medo...

Para sem pena espetá-la
Numa parede, menino,
É necessário matá-la:
Queres que isso aconteça"

Pensa Alfredo...  E, de repente, 
Solta a borboleta... E ela
Abre as asas livremente,
E foge pela janela.

"Assim, meu filho! perdeste
A borboleta dourada,
Porém ouvistes o conselho 
Da tua mãe adorada...

Que cada um cumpra a sorte
Das mãos de Deus recebida:
Pois só pode dar a Morte
Aquele que dá a Vida."

(Olavo Bilac)

01) Justifique o título dado à poesia, aproveitando para sugerir um outro:

02) Como vivia a borboleta antes de Alfredo capturá-la? 

03) Como ela ficou nas mãos do menino?

04) O que o menino desejava fazer com a borboleta? 

05) Transcreva do poema uma passagem descritiva, sublinhando os adjetivos utilizados: 

06) Circule no texto os vocativos, justificando sua resposta: 

07) Copie do poema uma antítese, explicando seu raciocínio: 

08) Localize no texto um polissíndeto, justificando bem: 

09) Copie do texto um trecho que revela cansaço e desistência: 

10) Justifique as aspas utilizadas no poema: 

11) Explique o sentido obtido através das reticências usadas na oitava estrofe: 

12) O texto é formado por quantas estrofes? Quantos versos em cada? E no total?

13) Que mensagem o texto transmite? Que lição aprendemos com ele? 

sábado, 16 de maio de 2020

Atividade sobre o texto "Festa da natureza", com Fagner


Festa da natureza

Chegando o tempo do inverno 
Tudo é amoroso e terno
No fundo do pai eterno
Sua bondade sem fim

Sertão amargo esturricado
Ficando transformado
No mais imenso jardim
Num lindo quadro de beleza

Do campo até na floresta
As aves se manifestam
Compondo a sagrada orquestra
Da natureza em festa

Tudo é paz, tudo é carinho
No despertar de seus ninhos
Cantam alegres os passarinhos
O camponês vai prazenteiro

Plantar o seu feijão ligeiro
Pois é o que vinga primeiro
Nas terras do meu sertão
Depois que o poder celeste

Mandar a chuva pro Nordeste
De verde a terra se veste
E corre água em borbotão

A mata com seu verdume
E as fulô com seu perfume
Se enfeita com vaga-lumes
Nas noites de escuridão

Nesta festa alegre e boa
Canta o sapo na lagoa
O trovão no ar reboa

Com a força desta água nova
O peixe e o sapo na desova
O camaleão que se renova
No verde-cana que cor

Grande cordão de borboletas
Amarelinhas brancas e pretas
Fazendo tanta pirueta
Com medo do bem-te-vi

Entre a mata verdejante
Seu pajé extravagante
O gavião assartante
Que vai atrás da juriti

Nesta harmonia comum
Num alegre zum-zum-zum
Cantam todos os bichinhos...

(Patativa do Assaré e Gereba)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Podemos afirmar que essa canção dialoga com a temática do Arcadismo? Por quê?

03) Transcreva da música uma onomatopeia, dizendo o que ela representa:

04) Copie do texto marcas de oralidade:

05) Que mensagem a canção transmite? Comente:

06) Copie da música uma oração com sujeito composto, explicando seu raciocínio:

07) Localize no texto um exemplo de predicado verbo-nominal, justificando sua escolha:

08) Diga a que classe gramatical pertence cada uma das palavras sublinhadas no texto: 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Atividade sobre o poema-visual "Pássaro em vertical", de Libério Neves

Pássaro em vertical 

Cantava o pássaro e voava
                   cantava para lá 
                                                            voava para cá
                                                            voava o pássaro e cantava
                                                            de
                                                                 repente
                                                                         um 
                                                                             tiro
                                                                                 seco 
                                                                         penas fofas
                                                                                   leves plumas
                                                                              mole espuma
                                                                         e um risco
                                                                            surdo 
                                                                              n
                                                                              o
                                                                              r
                                                                              t
                                                                              e
                                                                              -
                                                                              s
                                                                              u
                                                                              l

(Libério Neves)

01) Justifique o título do poema:

02) O que tem de diferente a sua forma?

03) Que versos indicam o movimento do pássaro?

04) Copie do texto duas antíteses, explicando-as:

05) Por que podemos afirmar que é um exemplo de poema-visual?

06) Divida o poema em três partes, explicando-as:

07) Que significado se pode dar às duas últimas palavras do poema?

08) Que sentido se pode deduzir dos versos que diminuem de tamanho na segunda parte do poema e visualmente dão a impressão de "desarranjados"?

09) Que significado o traçado geral do poema sugere?

10) Que mensagem o texto transmite? Que sensação ele desperta em você?

11) Localize no texto:

a) dois advérbios de lugar:
b) um advérbio de tempo:
c) dois adjetivos:
d) seis substantivos comuns:

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Atividade sobre a poesia "Além da Terra, além do Céu", de Carlos Drummond de Andrade

Além da Terra, além do Céu

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
Até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos! 
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver. 

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Justifique o título dado à poesia:

02) Existe, no texto, alguma antítese? Justifique sua resposta:

03) Transcreva do poema um polissíndeto, explicando no que consiste tal figura:

04) Que efeito a figura de linguagem acima dá ao texto?

05) Copie do texto exemplos de neologismos, explicando o que eles estão significando no contexto:

06) Que convite o eu lírico faz? O que você pensa a respeito disso?

07) Que mensagem a poesia transmite? Comente:

08) Que característica do Modernismo tal poesia apresenta? Explique:

09) Cite duas palavras do poema que exemplificam a ideia de "transcendente":

10) Copie do texto um exemplo de rima interna, explicando o que mais se pode observar nessas duas palavras: 

11) Que crítica é feita à gramática? Comente:

12) Localize no texto:

a) um substantivo composto:
b) um advérbio de lugar:
c) um advérbio de intensidade:
d) um adjetivo:
e) dois substantivos comuns:

domingo, 10 de maio de 2020

Atividade sobre o haicai e obra de arte de Van Gogh

("O moinho da Galette" - 1886 - Van Gogh)

01) Que sensação a obra de arte em questão desperta em você? Justifique sua resposta:

02) Você gostaria ou não de fazer parte dessa paisagem? Por quê?

03) A imagem dá ideia de movimento? Justifique sua resposta:

Haicai

Tempestade faz
As três pás do moinho
Perderem a paz. 

(Estela Bonini) 

04) O que é um haicai? Comente: 

05) Qual é o aspecto explícito da pintura que foi escolhido como tema do haicai? 

06) Que elementos da pintura podem ser considerados opostos à ideia de tempestade? 

07) Que palavras utilizadas no poema rimam? 

08) Copie do texto um exemplo de prosopopeia, explicando seu raciocínio: 

09) O haicai quase sempre faz um flagrante de um momento. Qual é o que a autora quis, provavelmente, expressar? 

10) Podemos afirmar que as duas obras dialogam? Explique sua resposta: 

terça-feira, 28 de abril de 2020

Atividade sobre o poema "Esse Corona!", de Verena Venâncio

A atividade de hoje tem um quê todo especial, pois, além de o poema-base ter sido escrito, com toda expressividade, por uma poeta que eu amo muito e que é minha amiga querida, ainda tive o imenso prazer de elaborar, com ela, algumas questões sobre ele! Quanta honra! Espero que gostem e que abracem, muito e virtualmente, essa querida chamada Verena Venancio

Esse Corona! 

Ah, esse Corona! 
Que tão de repente chegou
Na vida de muitos se instalou
E a nossa rotina mudou.
Aqueles que antes abraçávamos,
Agora,
De longe nos olhamos.
O toque, há muito, distante,
No momento, é inoperante.
Esse Corona,
Que veio sem convite,
Algo pode nos ensinar?
De que forma nos tratar?
Se longe das pessoas nos obriga a ficar.
Se o abraço é capaz de salvar
Quem precisa dele, 
Como se curar?
Vão dizer que isso é passageiro
É até conter o pico inteiro.
Mas, se as pessoas gostarem,
Dessa distância forçada,
Vão quebrar a mazela
Da ausência de carinho?
Vai haver um retorno ao ninho?

(Verena Venancio)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Ele é formado por quantas estrofes e versos? 

03) De acordo com o eu poético, nos quatro primeiros versos, quem chegou de repente e que consequências trouxe? 

04) Pesquise no dicionário o termo INOPERANTE e diga qual o significado que se encaixa ao contexto do poema, explicando seu raciocínio:

05) Por que o termo Corona está escrito com letra inicial maiúscula? Classifique-o: 

06) Copie do texto uma interjeição, dizendo o que ela expressa: 

07) Interprete o último verso do poema, tentando responder a interrogativa: 

08) Por que o eu lírico afirma que o Coronavírus veio sem convite? Como seria um convite então para ele se retirar do nosso país? Escreva-o: 

09) Explique o verso que se encontra em destaque no poema, aproveitando para "chutar" até quando esse isolamento vai persistir: 

10) Que mensagem o poema transmite? Comente: 

11) Qual o objetivo do poema: apenas entreter o leitor ou levá-lo a uma reflexão? Justifique sua resposta:

12) Quais as principais mudanças provocadas pelo Coronavírus na nossa rotina? 

13) Você acredita que o Coronavírus pode nos ensinar algo? Explique:

14) Você acha que o abraço pode curar alguém? Comente: 

15) Qual será a primeira ação que você fará quando a quarentena finalmente terminar?  

16) Você acredita que seremos os mesmos depois que tudo isso acabar? Justifique sua resposta: 

17) O que você tem feito para driblar esse distanciamento das pessoas que ama? 

18) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra sublinhada no texto: 

19) Transforme o poema em uma narrativa e depois produza uma história em quadrinhos: 

20) De que maneira a imagem a seguir dialoga com o poema lido? Explique, aproveitando para explicar a ambiguidade presente em tal frase e em que palavra ela se concentra: 


21) Crie uma mensagem (bem criativa) de incentivo para que as pessoas obedeçam a quarentena e enfrentem esse momento: 

(Atividade feita em parceria com a queridíssima amiga Verena Venancio 
e Maria Aparecida Carvalho)

domingo, 19 de abril de 2020

Atividade sobre o poema "Igual-desigual", de Carlos Drummond de Andrade

Igual-desigual

Eu desconfiava:
Todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais. 
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todas as experiências de sexo são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais 
e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores são iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima. 
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém.
Todo ser humano é um estranho. 
Ímpar.

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Justifique o título dado ao poema acima:

02) Que figura de sintaxe se destaca no poema? E que ideia expressa no poema é reforçada por esse recurso? 

03) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

04) Por que existe no texto uma palavra em itálico?  Que outra poderia substituí-la? 

05) Onde aparece a primeira interrupção na estrutura do poema? Que diferença foi essa? Houve também alguma modificação na ideia do eu lírico? Explique: 

06) Que verso marca a segunda mudança na estrutura do poema? Que relação você vê entre essa mudança e o conteúdo dos quatro últimos versos? 

07) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

08) Justifique os dois pontos utilizados logo no começo do texto:

09) Escolha uma afirmação do texto para você reforçar a opinião e outra para você discordar, explicando em ambos os casos: 

10) Localize no texto:

a) um advérbio de modo:
b) um substantivo composto:
c) três adjetivos:
d) seis substantivos comuns:
e) uma conjunção alternativa: 
f) um advérbio de negação: 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Atividade sobre a poesia "Chovem duas chuvas", de Cecília Meireles

Chovem duas chuvas

Chovem duas chuvas 
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e de nuvens.

Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.

E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens. 

(Cecília Meireles)

01) Justifique o título da poesia em questão:

02) Que duas chuvas são essas citadas no poema?

03) Que mensagem a poesia transmite?

04) Ilustre a poesia:

05) Associe a obra de arte abaixo, chamada "Golconda", feita por Rene Magritte, em 1953, à poesia:


06) Crie uma releitura de tal obra: 

(Atividade elaborada em parceria com o amigo Jefferson Salles)

Atividade sobre a poesia "A chuva", de Arnaldo Antunes


A chuva

A chuva derrubou as pontes. 
A chuva transbordou os rios. 
A chuva molhou os transeuntes.
A chuva encharcou as praças.
A chuva enferrujou as máquinas. 
A chuva enfureceu as marés. 
A chuva e seu cheiro de terra.
A chuva com sua cabeleira. 
A chuva esburacou as pedras. 
A chuva alagou a favela. 
A chuva de canivetes.
A chuva enxugou a sede.
A chuva anoiteceu de tarde.
A chuva e seu brilho prateado.
A chuva de retas paralelas sobre a terra curva. 
A chuva destroçou os guarda-chuvas.
A chuva durou muitos dias. 
A chuva apagou o incêndio. 
A chuva caiu. 
A chuva derramou-se. 
A chuva murmurou meu nome. 
A chuva ligou o pará-brisa. 
A chuva acendeu os faróis. 
A chuva tocou a sirene. 
A chuva com a sua crina. 
A chuva encheu a piscina.
A chuva com as gotas grossas. 
A chuva de pingos pretos.
A chuva açoitando as plantas. 
A chuva senhora da lama. 
A chuva sem pena. 
A chuva apenas. 
A chuva empenou os móveis. 
A chuva amarelou os livros. 
A chuva corroeu as cercas. 
A chuva e seu baque seco.
A chuva e seu ruído de vidro. 
A chuva inchou o brejo. 
A chuva pingou pelo teto.
A chuva multiplicando insetos. 
A chuva sobre os varais.
A chuva derrubando raios. 
A chuva acabou a luz. 
A chuva molhou os cigarros. 
A chuva mijou no telhado. 
A chuva regou o gramado. 
A chuva arrepiou os poros. 
A chuva fez muitas poças. 
A chuva secou ao sol. 

(Arnaldo Antunes)

01) Justifique o título do poema, aproveitando para sugerir um outro:

02) Qual o sujeito presente em todas as ações presentes no texto?

03) Que efeito se conseguiu com a repetição desse sujeito em todo o poema?

04) Copie do texto todas as frases nominais, explicando seu raciocínio:

05) Transcreva do poema uma antítese, justificando sua resposta:

06) Localize no texto um verso que você achou engraçado, explicando sua escolha:

07) Circule no poema todos os adjetivos nele presentes:

08) Interprete o último verso presente no texto:

09) Existe algum caso de personificação no texto? Explique bem o seu raciocínio:

10) Explique o verso "A chuva anoiteceu de tarde":

11) Transcreva do texto uma excelente ação da chuva, justificando sua escolha:

12) Que poder é dado à chuva? Quem teria capaz de, certa forma, vencê-la? Por quê?

13) Que mensagem a poesia transmite? Comente:

14) Escolha três versos do poema para você transformar em uma notícia e ilustrar:

15) Escolha mais dois versos do texto para criar um pequeno texto narrativo, usando e abusando de detalhes: 

16) Crie um pequeno poema tendo como protagonista agora o SOL: 

(Poema indicado pelo querido amigo Jefferson Salles!)
(Agradecimento à professora Maria Rita Pazini pelas ideias nas questões 9 e 15)

sexta-feira, 27 de março de 2020

Atividade sobre o poema "Drumondana", de Alice Ruiz

Drumondana

e agora, maria?
o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia

que você sonhou
apagou
à luz do dia
e agora, maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria

(Alice Ruiz)

01) Justifique o título dado ao poema:

02) Circule no texto um vocativo:

03) Que mensagem o texto transmite?

04) Qual foi o objetivo da autora com esse poema? 

05) Encontre no texto uma anáfora, explicando sua função: 

06) O poema faz referência ao de Drummond. Que pistas nos permitem tirar essa conclusão?

07) Além da intertextualidade com o texto drummondiano, há uma outra em "maria vai com as outras". Que sentido essa intertextualidade acrescenta ao texto? 

08) Que características modernistas encontram-se presentes no poema? Comente: 

segunda-feira, 23 de março de 2020

Atividade sobre o poema "Curar", de Kitty O' Meara

Curar

E as pessoas ficaram em casa
E leram livros e ouviram música
E descansaram e fizeram exercícios
E fizeram arte e jogaram
E aprenderam novas maneiras de ser
E pararam 
E ouviram mais fundo 
Alguém meditou
Alguém rezava
Alguém dançava
Alguém conheceu a sua própria sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente
E as pessoas curaram.

E na ausência de gente que vivia
De maneiras ignorantes
Perigosos, perigosos
Sem sentido e sem coração,
Até a terra começou a curar
E quando o perigo acabou
E as pessoas se encontraram
Elas ficaram tristes pelos mortos
E fizeram novas escolhas
E sonharam com novas visões
E criaram novas maneiras de viver
E curaram completamente a terra
Assim como elas estavam curadas. 

(Kitty O´Meara)

01) Justifique o título dado ao poema acima, aproveitando para sugerir um novo: 

02) Qual é o tema central do poema? Justifique sua resposta:

03) Explique o efeito conseguido através da repetição da conjunção "e" em muitos versos:

04) Que nome se dá a essa figura de linguagem? 

05) Interprete o verso em negrito no poema:

06) Copie do texto um exemplo de anáfora, explicando-a:

07) Por que vocês acham que as pessoas se curaram? Como conseguiram isso?

08) Você se considera em processo de "cura"? Poderia ser uma espécie de "cura coletiva"? "Cura" de que tipo de doenças? 

09) Por que a terra também se curou? Como isso foi possível? 

10) Por que as pessoas se entristeceram? A que conclusão elas chegaram? 

11) O que cada estrofe transmite? Explique seu raciocínio:

12) Que mensagem o texto transmite? Comente:

13) Ilustre o poema acima, dizendo que sentimento ele despertou em você:

14) Reescreva tal poema no presente do Indicativo e diga que mudança isso tal mudança provocou: 

(Atividade criada em parceria com as colegas de grupo: Hervana Grandsire,
Alexandra De Paula Santos e Raquel Lucachaque )

segunda-feira, 9 de março de 2020

Atividade sobre o soneto "Amanhã", de Patativa do Assaré

Amanhã

Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira. 

Desta forma, na vida passageira, 
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.

Com o belo amanhã que ilude a gente, 
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.

Com o peito repleto de esperança, 
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã. 

(Patativa do Assaré)

01) Justifique o título dado à poesia acima:

02) Podemos dizer que o texto é um soneto? Por quê? 

03) Copie do texto uma sinestesia, explicando seu  raciocínio:

04) Que comparação é usada no texto? Com que intenção?

05) Que mensagem o texto transmite? Comente:

06) Localize no texto:

a) um advérbio de tempo:
b) um advérbio de intensidade:
c) dois adjetivos:
d) um pronome possessivo:
e) um artigo definido: 

sexta-feira, 6 de março de 2020

Atividade sobre a poesia "A estrela", de Manuel Bandeira

A estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria! 
Vi uma estrela luzindo 
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta! 
Era uma estrela tão fria! 
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia. 

Por que da sua distância 
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?  

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia. 

(Manuel Bandeira) 


01) Justifique o título dado à poesia, aproveitando para sugerir um outro:

02) Em que tempo estão os verbos do texto?

03) O texto estabelece uma relação entre dois seres. Quais são eles?

04) Qual o desejo do eu lírico no que diz respeito à estrela? Isso é possível?

05) Justifique o emprego do porquê destacado no texto:

06) O poema expressa vários sentimentos profundos do eu lírico. Cite-os:

07) A situação exposta no poema se resolve? Justifique sua resposta:

08) Que mensagem o texto transmite?

09) Você já se sentiu assim meio solitário(a) como o eu lírico? Comente:

10) Para você, de 0 a 10, o quão importante é a esperança? Por quê?

11) Diga a que classe gramatical pertence cada uma das palavras sublinhadas no texto:

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Atividade sobre a poesia "Metade", de Oswaldo Montenegro

Sempre fui MUITO apaixonada por esse texto, aí, num belo dia, tive a ideia de, no final de UM DIA MUSICAL, levá-lo para meus alunos conhecerem. Não satisfeita, abusada que sou, senti, ainda, vontade de apagar as luzes da sala de aula e pedir para que os alunos fechassem os olhos e deixassem que a música e as palavras penetrassem com profundidamente neles... bem lá na alma... sem vergonha ou qualquer preocupação... 

Para a minha surpresa, quando acendi as luzes, a grande maioria estava chorando, emocionada, e eu me senti a pessoa mais má do mundo, péssima, por ter provocado tanta sinestesia em meus alunos... e depois não saber ao certo como lidar com ela...!!! Só sei que me veio à cabeça, do nada, pedir para que escrevessem num papel o que tivessem vontade, de forma livre e espontânea, o que a música fez brotar neles... sem medo... que abrissem mesmo o coração... 

E foram relatos lindos, profundos, e alguns beeeeem tristes e dolorosos, como o de uma aluna que contou que foi violentada durante anos pelo padrasto e que a mãe não acreditou nela, quando contou, e o de um aluno que não conseguia perdoar o pai porque ela sempre batia na mãe... 

Fiquei mexida durante meses com tudo o que acabei provocando, mesmo sem ter a real intenção nem noção da intensidade... Escrevi uma cartinha para cada um, pois senti que precisava dar um retorno para tudo o que confiaram a mim. Me esgotei. E confesso que não sei se tenho mais CORAGEM de fazer a atividade do jeito que eu ousei fazer. Mexer nas emoções e nos sentimentos alheios é como pisar numa areia movediça... Perigoso! Muito perigoso, mas senti que, naquele ano, foi indispensável, para ajudar a assombrar alguns fantasmas, que arrastavam pesadas correntes, e fechar feridas há tanto tempo abertas... Foi, enfim, como Deus quis, eu creio!!!  


Metade

Que a força do medo que tenho 
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca,
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada,
Mesmo que distante,
Porque metade de mim é partida,
A outra metade é saudade.

Que as palavras que falo 
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos,
Porque metade de mim é o que ouço,
A outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço.
E que essa tensão que me corrói por dentro 
Seja um dia recompensada,
Porque metade de mim é o que eu penso,
A outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
Que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso 
Que me lembro ter dado na infância,
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria 
Pra me fazer aquietar o espírito
Que o teu silêncio me fale cada vez mais,
Porque metade de mim é abrigo,
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte aponte uma resposta mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar,
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer,
Porque metade de mim é platéia,
A outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor,
E a outra metade... também! 

(Oswaldo Montenegro)

01) Justifique o título dado à poesia:

02) Copie do texto uma metáfora, explicando o seu raciocínio:

03) A passagem que se encontra em negrito na primeira estrofe contém uma antítese ou um paradoxo? Explique seu ponto de vista: 

04) Posicione-se sobre o trecho em destaque na quinta estrofe, mencionando se tem sido algo difícil ou não de ocorrer em nossa sociedade, pelo que você observa: 

05) Que lembrança marcante e alegre você tem da sua infância? Cite uma: 

06) Opine sobre a passagem que se encontra em negrito na sétima estrofe, explicando bem: 

07) Explique os dois versos finais do texto: 

08) Que mensagem a poesia transmite?

09) O que ela despertou em você? Que tipos de sentimentos e emoções?

10) De que parte você mais gostou? Por quê?

sábado, 21 de setembro de 2019

Atividade sobre o poema "Via Láctea", de Olavo Bilac


Via Láctea

"Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direis, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas." 

(Olavo Bilac)

01) Justifique o título empregado na poesia acima:

02) Podemos afirmar que se trata de um soneto? Por quê?

03) Para o eu lírico, qual é a condição para se ouvir e entender as estrelas? Qualquer pessoa pode conversar com elas? 

04) Como o eu lírico reage à visão do céu deserto, "ao vir do sol"?

05) Como vêm marcados os versos que reproduzem o diálogo entre o eu lírico e seus interlocutores?

06) Segundo o eu lírico, como esses interlocutores reagiriam ao saber de seu hábito de conversar com as estrelas?

07) Que palavras ou expressões revelam a conclusão a que você chegou na questão anterior?

08) Que marcas linguísticas comprovam que o eu lírico se dirige a um ou a vários interlocutores?

09) Com base no significado da palavra "Pálio", que é uma espécie de manto sagrado, que imagem é possível construir na Via Láctea nesse momento do texto?

10) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

11) Cite duas características parnasianas presentes no texto:

12) Você acha que a música combinou com o poema? Justifique sua resposta: