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sábado, 17 de outubro de 2020

Atividade sobre o texto "Consumismo na adolescência", de Reinaldo Cafeo

 Consumismo na adolescência 

Os pais e os responsáveis vivem um dilema: atendem ou não todos os pedidos dos adolescentes? Entre vários "sonhos" de consumo está a ditadura da moda, que tem nos produtos de "marca" seus carros- chefes. Além da moda, há o salão de beleza, os ambientes "chics", o lanche da multinacional e uns cem números de outros desejos. 
Quer por status, quer para se sentir incluso, ou ainda para simplesmente ostentar, entendendo que desta maneira será "popular", os adolescentes podem levar famílias ao caos financeiro. 
Tudo isso tem um preço, e caro. A mídia sabe o potencial deste mercado e explora com maestria. Isso leva a desejar, por exemplo, um celular, mas não um simples celular, tem que ser o top, aquele que contempla todos os recursos para a conectividade total. Quando o assunto é ir à praia ou a piscina, na ótica deles, é impossível não ter pelo menos três roupas de banho distintas. Em se tratando de mulheres, são pelo menos três biquínis, de "marca".
O tênis deve ser o mais conhecido. Pouco importa se custa em torno de um salário mínimo. É este, ou nada feito, afinal, o que amigos vão dizer? E pensar que usei conga e kichute na minha adolescência...
Os acessórios são outros desejos de consumo. Brincos, colares, relógios, entre outros, devem mostrar todo o lado fashion das meninas. Os garotos desejam os bonés, roupas transadas e, nas festinhas, sempre bem vestidos para impressionar. A estética está em alta não somente no universo feminino. Os meninos se renderam aos cabelos produzidos, perfumes de "marca", entre outros. O que fazer diante deste quadro? Na prática, os filhos são reflexos dos pais e educadores. Os responsáveis pelos filhos devem desde a infância estabelecer limites de consumo e demonstrar com clareza o quanto é difícil ganhar dinheiro e manter um patamar de consumo elevado. Evidentemente que há aqueles que nasceram em condições financeiras mais vantajosas, mas mesmo estes devem ser educados para a vida financeira. É o que podemos chamar de dar valor às coisas. 
Uma educação completa impõe limites, ensina que o equilíbrio da vida está em utilizar os bens materiais para melhorar a vida e que os verdadeiros valores não estão em possuir, ter coisas, mas sim em ter uma consciência coletiva, em forjar cidadãos que pratiquem a solidariedade e que sabem que o melhor é ser reconhecido pelo que efetivamente a pessoa é. Não é tarefa fácil. Esta geração nasceu digital, se isola, pula etapas na vida, são sedutores desde cedo e cresceram com os descartáveis, com a falta de perenidade. A educação completa passa por ensinar os limites em cada etapa da vida. Se há adolescentes consumistas, muito se deve à permissão que os pais concederam. 
Nunca é tarde para rever essas questões. Isso vale tanto aos pais como para os filhos adolescentes. Viver com mais simplicidade pode ser um primeiro indicativo. 

(Reinaldo Cafeo)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) A que dilema o texto se refere? 

03) Segundo o texto, o que pode levar o adolescente a ser consumista? O que você pensa a respeito disso?

04) Copie do texto uma passagem que comprova que o jovem se importa muito com a opinião dos amigos: 

05) Por que algumas palavras aparecem em itálico no texto?

06) Posicione-se sobre a afirmação que se encontra em negrito no texto, argumentando bem: 

07) Quem é o responsável por tantos jovens consumistas? Como solucionar isso? 

08) Que mensagem o texto transmite? Comente:

09) Que conselho é dado no texto? O que você pensa com relação a isso? 

10) Podemos afirmar que o texto é um artigo de opinião? Por quê? 



11) De que forma a charge acima dialoga com o texto? Explique:

12) Comprove que parte do texto mais fala diretamente com o assunto da charge: 

13) Que crítica social a charge faz? 

14) Aproveite para responder, sinceramente, à pergunta do entrevistador: 

(Atividade feita em parceria com a colega de grupo: Alessandra Gondim)

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Atividade sobre o artigo de opinião "A ética e as redes sociais", de Patrícia Delázari

A ética e as redes sociais 

Hoje é impossível manter-se alheio ao mundo digital que nos cerca. Foi-se o tempo em que o Orkut era uma novidade, antes da avalanche do Facebook a partir de 2004. Na época, temido por muitos, um mundo novo que despontava e urgia ser desvendado nas redes sociais, que em seu início, vieram para participar de alguma forma da vida alheia e como meio de comunicação em tempo real. 
Quantas vezes o Facebook oportunizou a invasão da vida de alguém, para ver o que dizia a respeito de determinado assunto? Até que ponto isso pode ser considerado saudável? Estudos mostram que, em alguns casos, é mais difícil resistir às tentações do Facebook e do Twitter do que dizer não ao álcool e ao cigarro. Logo se percebeu que a par das vantagens que eram oferecidas, a privacidade estava em risco.
A gama de redes estendeu-se e passou a se destinar ao exercício de aproximar interesses dos mais diversos, tecer uma tela de comunicação com conhecidos, resgatar velhas amizades, trocar arquivos de música, de filmes, de literatura, jogar e até encontrar o amor em uma rede social. O grande passo foi dado na busca de emprego, onde os recrutadores, atentos, certamente passaram a pesquisar o perfil do candidato nas redes à disposição, antes de fazer qualquer contratação. Portanto, houve necessidade de se pensar em como queremos que nos enxerguem. [...] 
Parafraseando Cabral de Melo Neto... Uma andorinha só não faz verão!

(Patrícia Delázari)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Ele é um artigo de opinião ou um editorial? Por quê? 

03) Qual é a tese defendida pela autora? 

04) Que argumentos ela usa para sustentá-la? 

05) Posicione-se sobre a afirmação destacada no começo do texto, argumentando bem: 

06) Copie do texto uma passagem que compara as redes sociais a vícios, mencionando se concorda ou discorda dessa informação: 

07) Você concorda que a privacidade está mesmo em risco nas redes sociais? Justifique sua resposta: 

08) A palavra sublinhada no texto trata-se de um advérbio de negação ou de um substantivo? Por quê? 

09) Que expressão deveria ter vindo entre aspas no texto? Explique: 

10) Qual a intenção da autora ao usar tal expressão? 

11) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

12) Parte do texto foi suprimida. Sabendo disso, elabore um parágrafo conclusivo para ele: 

13) Com que finalidade tal texto foi escrito? Ela foi alcançada? 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Atividade sobre o artigo de opinião "Meninos birrentos", de Tiago Holanda

 Meninos birrentos

Não me lembro de uma época em que o trânsito fosse formado por motoristas educados. Se existiu, não "alcancei". Quando se fala nisso todo mundo tem uma visão já bem definida e a máxima comum é: "multem todos eles!". O cômico (e trágico) é a repentina mudança de discurso quando o cidadão é o infrator da vez. Cansei de presenciar berros e xingamentos extremamente constrangedores contra agentes públicos que, apenas exercitando seu dever legal, autuavam cidadãos infratores. 
A reclamação mais descabida de todas, a meu ver, é a velha "ao invés de multar, vocês deveriam educar o povo". Ora, e a autuação de trânsito não é uma medida eficaz de educação? Qualquer motorista minimamente esclarecido concorda que sim. 
Isso me faz lembrar da minha infância e de todas as saudáveis "palmadas" dos meus pais, que me ensinaram valores essenciais cujo discurso racional não foi capaz de convencer-me. Ver cidadãos adultos protestando contra a justa disciplina da lei me faz associá-los a meninos "birrentos" que, no fundo, sabem que estão errados. Porém, me parece, que o nível de maturidade desses ainda não os presenteou com a capacidade de aceitar as consequências dos próprios erros. Punir ainda é, infelizmente, uma medida muito eficaz de educação, especialmente numa cultura em que a maioria gosta de dar um "jeitinho" de burlar as regras em benefício próprio.
Enquanto parte do nosso povo não entender o que significa o termo CIDADANIA em sua plenitude, a medida mais correta contra mandos e desmandos no trânsito será a velha "cutucada" no bolso.

(Tiago Holanda)

01)  Justifique o título dado ao texto e comprove com um trecho dele: 

02) Qual o assunto do texto? Justifique sua resposta: 

03) Qual a tese nele defendida? 

04) Que argumentos foram usados para sustentá-la? 

05) Que trecho revela a incoerência no comportamento dos motoristas infratores de trânsito? O que você pensa a respeito disso? 

06) Em que situação, segundo o texto, os cidadãos são considerados meninos birrentos?

07) O autor afirma que quando o cidadão é o infrator da vez ele muda o seu discurso. Que fato comprova essa afirmação? 

08) Que palavra presente no trecho destacado no texto revela uma OPINIÃO? Explique: 

09) Copie do texto fortes marcas de oralidade: 

10) Por que a palavra CIDADANIA aparece em caixa alta? 

11) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

12) Qual a intenção do autor ao escrevet tão texto? Ela foi alcançada? 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Atividade sobre o texto "Felicidade", de Fernando Bastos de Ávila

Felicidade 

A felicidade é aquilo que todos buscam, adotando, porém, caminhos diversos para alcançá-la. Uns imaginam encontrá-la através das riquezas, porque supõem que com dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como outra qualquer. A verdade, porém, é que há muitos ricos que morrem de tédio, e que as mais altas taxas de suicídio se registram nos países e nas camadas mais ricas. Outros, imaginam encontrar a felicidade na afluência de prazeres; desde os mais altos prazeres do espírito, o prazer da descoberta e da criação intelectual, o prazer estético, até os prazeres que mais de perto confiam com a animalidade: a sexualidade e a glutoneria. Outros, enfim, esperam alcançá-lana fruição da honra, do prestígio que acompanha, em geral, o exercício do poder. No entanto, é certo que o dado mais confirmado na experiência e da sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. Na melhor das hipóteses, quando o homem, mediante os mais penosos esforços, conquistou o poder, os prazeres ou a riqueza, nos quais cria encontrar a chave da felicidade, atingiu já o início de um período de senescência que lhe limita as possibilidades subjetivas de fruição daquilo que ambicionara. Aí reside o que poderíamos chamar o paradoxo ou o equívoco fundamental da felicidade: sempre desejada e nunca realizável. 

(Fernando Bastos de Ávila) 

01) Justifique o título dado ao texto, aproveitando para sugerir um outro:

02) Segundo o autor, quais são os três supostos caminhos que levariam o homem à felicidade?

03) A que conclusão se chega a respeito da "felicidade"?

04) Delimite o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão, resumindo cada uma das partes:

05) Comente e opine sobre o trecho destacado no texto: 

06) Você concorda com tudo o que é afirmado no texto? Se não, esclareça os pontos em que você discorda, justificando bem: 

07) Para você, o que é felicidade? Escreva um acróstico a fim de responder a essa pergunta: 

08) Você é feliz? Por quê? 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Atividade sobre o texto "A milenar arte de educar dos povos indígenas", de Daniel Munduruku


A milenar arte de educar dos povos indígenas

Educar é dar sentido. É dar sentido ao nosso estar no mundo. Nossos corpos precisam desse sentido para se realizar plenamente. Mas também nossos corpos são vazios de imagens e elas precisam fazer parte da nossa mente para que possamos dar respostas ao que se nos apresenta diuturnamente como desafios da existência. É por isso que não basta dar alimento apenas ao corpo, é preciso também alimentar a alma, o espírito. Sem comida o corpo enfraquece e sem sentido é a alma que se entrega ao vazio da existência. 
A educação tradicional entre os povos indígenas se preocupa com esta tríplice necessidade: do corpo, da mente e do espírito. É uma preocupação que entende o corpo como algo prenhe de necessidades para poder se manter vivo. 
Esta visão de educação é sustentada pela ideia de que cada ser humano precisa viver intensamente seu momento. A criança indígena é, então, provocada para ser radicalmente criança. Não se pergunta nunca a ela o que pretende ser quando crescer. Ela sabe que nada será se não viver plenamente o seu infantil. Nada será porque já é. Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância. A ela são oferecidas atividades educativas para que aprenda enquanto brinca e brinque enquanto aprende num processo contínuo que irá fazê-la perceber que tudo faz parte de uma grande teia que se une ao infinito. 
Num mesmo movimento ela vai sendo introduzida no universo espiritual. Embalada pelas histórias contadas pelos velhos da aldeia, a criança e o jovem passam a perceber que em seu corpo moram os sentidos da existência. Este sentido é oferecido pela memória ancestral concentrada nos velhos contadores de histórias. São eles que atualizam o passado e o fazem se encontrar com o presente mostrando à comunidade a presença do saber imemorial capaz de dar sentido ao estar no mundo. 
Este processo todo é alimentado por rituais que lembram o passado para significar o presente. São movimentos corpóreos embalados por cantos e danças repetidos muitas vezes com o objetivo de "manter o céu suspenso". A dança lembra a necessidade de sermos gratos aos espíritos criadores: conta que precisamos de sentidos para viver dignamente; ordena a existência. Cada grupo de idade ritualiza a seu modo. Cada um se sente responsável pelo todo, pela unidade, pela continuidade social.
Educar é, portanto, envolver. É revelar. É significar. É mostrar os sentidos da existência. É dar presente. E não acaba quando a pessoa se "forma". Não existe formatura. Quem vive o presente está sempre em processo. 
É por isso que a criança será sempre criança. Plenamente criança. Essa é a garantia de que o jovem será jovem no seu momento. O homem adulto viverá sua fase de vida sem saudades da infância, pois ele a viveu plenamente. O mesmo diga-se dos velhos. O que cada um traz dentro de si é a alegria e as dores que viveram em cada momento. Isso não se apaga de dentro deles, mas é o que os mantém ligados ao agora. 
Resumo da ópera: A educação tradicional indígena tem dado certo. As pessoas se sentem completas quando percebem que a completude só é possível num contexto social, coletivo. Cada fase por que passa um indígena -- desde a mais tenra idade -- alimenta um olhar para o todo, pois o conhecimento que aprendem e vivem é um saber holístico que não se desdobra em mil especialidades, mas compreende o humano como uma unidade integrada a um Todo Maior e Único. 
Olhar os povs indígenas brasileiros a partir de uma visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e pobreza é, no mínimo, esvaziar os sentidos que buscam para si. 
Pense nisso. 
Xipat Oboré (Tudo de Bom!)
(Daniel Munduruku)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Qual é a tríplice necessidade com que a educação indígena tradicional se preocupa? O que você pensa a respeito disso? 

03) Copie do texto uma antítese, justificando sua resposta:

04) Explique as passagens destacadas no texto, posicionando-se sobre elas, respectivamente:

05) Para o autor, por que a Educação é tão importante?

06) Qual é a preocupação básica da educação indígena?

07) Na educação indígena, qual é a relação entre o brincar e o aprender?

08) A que o autor se refere quando meciona uma "visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e de pobreza"? 

09) Qual a importância do trecho destacado acima para a compreensão global do texto?

10) Qual é a tese defendida pelo autor e quais são os principais argumentos utilizados para sustentá-la?

11) O texto se encerra com um convite aos leitores. Que convite é esse? O que você pensa com relação a isso? 

12) Que mensagem o texto transmite? Comente:

13) Qual a importância das palavras finais para o contexto textual?

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Atividade sobre o texto "Para além da pandemia", de Daniel Munduruku


Para além da pandemia

Tenho sido abordado várias vezes sobre o que penso sobre a pandemia e como ela impacta na vida dos povos indígenas. Nunca tenho resposta para isso ou para qualquer coisa que seja. Gosto de praticar o livre pensar. É isso que farei agora. 
Já faz algum tempo que há "profecias" que nos são lembradas. Quer dizer, são antigas falas de sábios indígenas que foram repetidas muitas vezes e chegaram até nós com essa descrição de serem leituras do futuro. Quando falamos em profecias normalmente estamos pensando que alguém do passado previu algo para o futuro. Quase nunca passa pela cabeça das pessoas que "prever" o futuro é a coisa mais simples do mundo: o "futuro" se escreve no presente. Trata-se puramente de observação da natureza. 
Lembro que quando aconteceu o inacreditável tsunami em 2004, as populações originárias das ilhas afetadas não sofreram quaisquer danos. Por quê? A natureza os avisou com antecedência. Foi apresentando sinais visíveis de que um acontecimento natural iria ocorrer. Dias antes, levas inteiras de formigas se deslocaram para a parte mais alta das ilhas. As pessoas, atentas ao sinal da natureza, perceberam a movimentação e acompanharam-nas ficando a salvo da onda gigante. Este é apenas um exemplo do que pode ser uma "profecia".
Desde a chegada dos europeus em terras brasileiras a natureza foi sendo modificada. Vozes ancestrais foram registradas por viajantes e missionários. Elas perguntavam sobre a voracidade deles em querer acumular bens e riquezas. Essa gente não entendia o motivo de tanta ganância estampada nos olhos daqueles estrangeiros que não davam a mínima importância a elas ou à sua sabedoria. Tudo o que queriam era extrair riquezas, usurpar, trapacear. 
Já àquela época se ouvia da boca dos sábios que um dia a natureza ia se vingar. A história do Brasil é feita dessas "profecias". Elas estavam presentes como fonte de resistência para que os guerreiros e guerreiras não desistissem de lutar. Uma terra sem males havia de existir para além da opressão, da escravização e da morte. 
José Luiz Xavante deixou sua "profecia" estampada na frase: "O branco não sabe o que é natureza, o que é o rio, o que são as árvores, o que é montanha, o que é o mar. Ao invés de você respeitar, destrói, corta pedaço, joga coisas, polui os rios (...). Por que você está estudando? Para destruir a natureza e, no fim, destruir a própria vida?"
A coisa é tão óbvia que nem precisa ter muita ciência para perceber que se a natureza for destruída todos também seremos. E é isso que vem sendo dito por todos os sábios de nossos povos. Não precisa ser profeta para "sacar" que faz tempo que a humanidade está se autodestruindo; que o atual sistema econômico que privilegia o consumo desenfreado, o acúmulo exagerado, a concentração de renda nas mãos de poucos, vai ruir. A própria resistência indígena ao sistema de consumo tem sido o portal para a compreensão de que a humanidade está o caminho da destruição.
Não gosto de ser o profeta do apocalipse, mas acredito que nada vai mudar depois desta pandemia. Ao contrário, acho que vai piorar. Justamente porque o sistema irá sentir-se ameaçado e que vai entrar com todas as armas para se retroalimentar. As perseguições irão aumentar; as novas propostas de lei para a exploração mineral serão apresentadas na surdina; os direitos constitucionais serão questionados em nome da economia; as políticas públicas de inclusão social retrocederão; as bolsas para pesquisadores indígenas e manutenção de estudantes nas universidades serão canceladas e por aí vai. Definitivamente, a humanidade brasileira sairá mais enfraquecida no pós-pandemia. A ideia do progresso e desenvolvimento virão com mais força e aqueles que estiverem contra tudo isso serão acusados e desqualificados, recaindo sobre eles os estereótipos e preconceitos que os acompanham secularmente em nosso país. 
Confesso que não queria que fosse assim, Até posso alimentar a esperança de que parte da sociedade brasileira irá se organizar para reagir e dar uma resposta contrária a essa situação; gostaria de ver a juventude se articulando para não permitir que seu "futuro" fosse estruturalmente modificado. Até desejaria que crianças se organizassem para gritar bem alto que desejam ter árvores e florestas em pé quando se tornassem adultas e pudesse escolher o que lhes parece melhor para si e para seus pares. 
Eu queria, mas não sou profeta para garantir que isso irá de fato acontecer. O que me resta, como viajante do tempo presente, é lutar para que o amanhã seja menos cruel e mais poético e que possa receber nossas crianças e jovens de braços abertos. 

(Daniel Munduruku)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Podemos afirmar que ele se trata de um artigo de opinião? Por quê? 

03) Encontre no texto um par de antítese, explicando seu raciocínio:

04) Justifique os três porquês destacados no texto, respectivamente: 

05) Você, assim como o autor, também acredita que "a natureza sempre dá sinais"? Explique seu raciocínio: 

06) Que exemplo é dado no texto para comprovar a tese acima? 

07) Você acha que se a nossa cultura fosse mais baseada na indígena e não na portuguesa, o mundo estaria diferente? Justifique sua resposta, argumentando bem: 

08) O que você entende por "praticar o livre pensar"? Você também faz uso disso?

09) O que são profecias? Por que tal palavra aparece, no começo do texto, entre aspas?

10) Copie do texto uma passagem que deixa clara a intenção dos estrangeiros que chegaram às terras indígenas:

11) Posicione-se sobre a passagem sublinhada no texto, argumentando bem e citando exemplos que sustentem sua ideia:

12) Segundo o texto, o que tem contribuído para a humanidade se autodestruir? O que você pensa a respeito disso?

13) Qual a opinião do autor com relação ao pós-pandemia? Que argumentos ele usa para defender esse ponto de vista? Você concorda com ele?

14) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

15) O fato de o autor ser índígena acrescenta algo a mais ao texto? Justifique sua resposta:

domingo, 19 de julho de 2020

Atividade sobre o texto "A invisibilidade do magistério brasileiro...", de Márcia Friggi


A invisibilidade do magistério brasileiro no delicado processo de retorno 
às aulas presenciais durante a pandemia

Seguidamente ouvimos debates acerca do retorno às aulas, no Brasil, durante a pandemia. Sobre o assunto, falam os infectologistas, falam os médicos, falam as mães, falam secretários da Educação, falam os prefeitos, vereadores, Ministro da Educação não fala porque não temos (ou temos?). Falam os alunos, falam os repórteres, falam os programas de TV, só os professores não falam. Pior, sequer são mencionados nesse processo, como se não fizessem parte dele. 
Hoje, cruzei pela televisão no horário do programa "Encontro", da Fátima Bernardes, sentei para ver a simulação de um ambiente de sala de aula em que uma tinta foi usada para representar o novo Coronavírus. Detalhe: nessa simulação só havia duas pessoas na sala. Em pouco tempo, mesas e vários objetos ficaram tomados pela tinta fluorescente que representava o vírus. Em seguida, uma especialista foi entrevistada, não prestei atenção no seu nome ou especialidade. Ela falou sobre esse processo de volta às aulas presenciais. Mencionou a importância do retorno escalonado para que as salas não fiquem lotadas. Minimizou o perigo desse regresso ao dizer que as crianças, na maioria, não são infectadas e, quando são, apresentam apenas sintomas leves. Citou também a importância da escola para as crianças, mas não falou dos professores, nunca, uma única vez. 
Por puro vício de linguista que adora "Análise do Discurso", fiquei contando nos dedos as vezes em que ela pronunciava a palavra "Crianças". Perdi a conta. Foram muitas. Ao mesmo tempo em que esperava ansiosamente a inclusão da palavra "Professores", que não houve. A eterna invisibilidade do magistério brasileiro gritava no discurso dessa senhora e me embrulhou o estômago.
Estava ali, naquela fala, vergonhosamente escancarado o desrespeito pelos professores e a visão que a nossa sociedade possui da "escola". 
Quando uma categoria tão fundamental nesse processo sequer é mencionada, é porque não existe para esse sujeito do discurso. Excluídos os professores desse processo, a escola é reduzida a espaço de socialização, depósito de crianças para que os pais trabalhem, tulha para que os adolescentes não fiquem ociosos. A escola passa a ser tudo, menos espaço para a construção do conhecimento. 
A omissão da palavra "Professores" quando se referem a esse retorno é também uma desrespeito pelas nossa vidas, como se a nossa vida, a nossa saúde não fosse importante. Penso no quadro docente da minha escola e, através dele, traço um parâmetro. Poucos não estão no grupo de risco. A maioria possui comorbidades. Entre os jovens e saudáveis, estão as grávidas. Isso sem considerar a carga de trabalho desses profissionais; muitos trabalham em mais de uma escola. Em escolas de cidades diferentes e precisam de transporte público. 
Fico pensando no nosso esforço, na nossa luta para manter a qualidade do ensino neste ano letivo atípico. Fomos pegos de surpresa, como todos. A maioria de nós nunca estudou para dar aulas à distância. Aprendemos na marra, no susto. Nossa casa se transformou em estúdio. Nosso celular em instrumento de trabalho e voz para dez turmas, cerca de quatrocentos alunos e mais seus pais (no meu caso). Em tempos de aulas presenciais, meu celular estava sempre no silencioso para não perturbar, agora também porque muitos alunos e pais não respeitam dia nem horário. Trabalhamos em duas plataformas e quatro frentes: Classroom, WhatsApp, diário on-line e material impresso. Todo dia chega uma nova exigência, a mais nova é postar o plano de aula na íntegra, também no diário online. 
Quando falam em retorno, falam em retorno escalonado para os alunos. E o retorno dos professores também será escalonado? Os teremos de assumir tudo: aulas presenciais e à distância? É sobre isso que nossos sindicatos precisam ficar atentos. Não há como dar conta de aulas presenciais e à distância ao mesmo tempo. Se for assim, os que não morrerem de COVID-19, vão morrer de exaustão. Ainda tem as lives, quase todo dia, para que os professores escutem, escutem, escutem. Quando nos será concedido o lugar de fala nisso tudo? O magistério é silenciado na Educação brasileira desde o Brasil colônia; todas as decisões vêm de cima, de especialistas que já não estão no chão da sala de aula há tempos. Mais do que ouvir, necessitamos também falar e, acima de tudo, precisamos ser ouvidos! 

(Márcia Friggi)

01) O que você achou do título do texto? Explique, dizendo que outro título daria: 

02) De todos os citados no começo do texto, coloque em ordem de importância a opinião: 

03) Você acha importante acrescentar a essa lista de pronunciamento os professores? Explique seu raciocínio, mencionando em que posição eles entrariam:

04) A que gênero textual pertence o texto? Justifique sua resposta: 

05) Copie do texto uma passagem irônica, explicando sua escolha: 

06) Quantas vezes é empregada a palavra "falam"? Com que provável intenção?

07) O que significa a expressão "embrulhar o estômago"? Você costuma usá-la? 

08) Que crítica encontra-se mais fortemente no texto? Copie e comente-a, opinando a respeito: 

09) Justifique todas as aspas utilizadas no texto, respectivamente: 

10) Explique a repetição do verbo no trecho que se encontra em negrito no texto: 

11) Por que existem algumas palavras em itálico no texto? 

12) Que mensagem o texto transmite? Comente:

(Texto enviado pela minha querida amiga Valéria Alves)

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Atividade sobre o texto "Trânsito e cidadania", de Rosely Sayão


Trânsito e cidadania

O comportamento no trânsito, de motoristas e de pedestres, anda deplorável. A todo momento, cenas lamentáveis ocorrem: motoristas insultam e ameaçam outros motoristas ou pedestres e usam o carro como se fosse uma arma. Parece uma guerra. 
E o problema não é só nosso: recentemente, a França realizou o "dia da cortesia do trânsito", em que manter o sangue frio em todas as circunstâncias, sobretudo nos engarrafamentos, e respeitar pedestres, crianças e ciclistas foram orientações dos "dez mandamentos da cortesia ao volante", divulgados nesse dia. 
Um dos motivos desse caos é que as pessoas não entendem que o espaço que usam com seus veículos é público. Ao entrar em um carro, propriedade privada, a fronteira entre o público e o privado, que já anda tênue, parece se dissipar. Ao dirigir ou andar nas ruas, as pessoas agem como se cada uma estivesse unicamente por si: ignoram os outros ou se sentem atrapalhadas por eles. 
As regras e os sinais de trânsito, que existem para ordenar esse espaço público, são desrespeitados  repetidamente. Há movimento intenso no entorno da escola e o filho está atrasado? Poucos pais vacilam na decisão de parar em local proibido ou em fila dupla. Poucos hesitam em fazer um retorno proibido para encurtar o caminho ou mesmo em dirigir em velocidade maior do que a permitida para chegar mais rápido. Até parece que os sinais de trânsito são meros caprichos de um grupo desconhecido de pessoas. Ninguém mais parece entender que as leis de trânsito -- aliás, como todas -- existem para proteger os cidadãos, e não para agredi-los ou restringir suas vidas. Mas a questão é que o direito de cada um no caso do trânsito -- a segurança -- só é garantido quando ele próprio respeita as leis. 
Pelo jeito, o carro deixou de ser um veículo de transporte cujo objetivo é levar as pessoas de um local a outro. Virou sinônimo de poder ou de status. Uma pesquisa britânica mostrou que dois em cada três homens trocariam suas namoradas pelo carro de seus sonhos, vejam só! 
A ideia de cidadania ganhou tom pejorativo por causa do individualismo, e isso pode ser constatado principalmente no trânsito. Cidadania supõe se responsabilizar pelo coletivo e, sobretudo no trânsito, o que vemos são atitudes de confronto e de competição. Creio que não é exagero afirmar que vivemos tempos de barbárie nessa questão: cada um por si, e vale tudo para atingir a meta pessoal.
Quando os adultos se comportam assim, ignoram também que colocam os mais novos em risco. São os jovens as maiores vítimas de acidentes de trânsito ou de brigas por desentendimentos com outros motoristas, pedestres ou motociclistas. Isso sem falar nas lições de incivilidade e de grosseria que são passadas a eles. E os velhos? Eles que não se atrevam a dirigir ou andar pelas ruas. Afinal, lugar de velho e de criança não é mais na rua. Não é isso que temos cultivado?
Precisamos continuamente lembrar -- e praticar -- que, no trânsito, o respeito às leis e os bons modos permitem maior qualidade de vida a todos nós. 

(Rosely Sayão)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Qual é o tema central do texto? Qual é a tese defendidda pela autora?

03) Transcreva do texto uma antítese, justificando seu raciocínio:

04) Copie do texto duas comparações, explicando-as:

05) Localize no texto uma passagem carregada de ironia e espanto:

06) Posicione-se sobre a passagem destacada quase no final do texto:

07) Justifique as aspas usadas no segundo parágrafo:

08) Que forte crítica social é feita no artigo de opinião? Comprove com uma passagem do texto:

09) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

domingo, 21 de junho de 2020

Atividade sobre o texto "Sobre homeschooling", do "Quartinho da Dany"


Sobre homeschooling

E faço parte de um grupo de homeschooling (ensino domiciliar) no Facebook. Na época em que entrei (tem tempo!), achava interessante ver as atividades que os pais criavam para os seus filhos. Depois de um tempo, mais precisamente este mês, comecei a ler comentários muito estranhos.
Um participante postou o link para um curso de História da USP que seria oferecido por doutores da universidade. A chuva de comentários duvidando da qualidade de um curso oferecido por doutores em História da USP me fez ficar com a pulga atrás da orelha: "Imagina a História que vão ensinar", "História na USP, tô fora" e "Imagina o viés desse ensino". É preciso dizer que quem chega ao final do doutorado fez graduação, mestrado (desenvolveu uma dissertação) e o doutorado (desenvolveu uma tese). São pessoas que debruçam sobre estudos cientificos! Negar a importância da ciência no ensino das crianças é de um atraso nebuloso. Talvez esses pais queiram permanecer na superficialidade de dizer que o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral e que a Princesa Isabel foi boazinha com os escravos. 
E como fazer para as crianças terem contato com outra versão dos fatos? Como assegurar que convivam com pluralidade de ideias? Indo à escola! Ensino domiciliar é uma ótima maneira de evitar que seus filhos se relacionem com pessoas diversas, com ideias variadas e vivências diferentes. Quando você diz que um curso oferecido por uma das melhores universidades do país não serve, é porque você não é capaz de conviver com outra forma de pensar que não a sua. E como você quer ensinar a uma criança? Limitando? Blindando? Construindo muros?
Achei que desdenhar de um curso da UPS fosse o ápice, mas não. Ao comemorarmos 50 anos da carreira de Ruth Rocha, uma colega recebeu uma enxurrada de comentários contra a autora. Dentre eles, o primeiro foi estarrecedor: "lixo comunista não recomendável para crianças". Vejam bem, estamos falando de Ruth Rocha, autora de peso para a literatura infanto-juvenil! Autora de nada mais, nada menos que "Marcelo, marmelo, martelo", "Bom dia, todas as cores" e de adaptações como Ilíada  e a Odisseia, de Homero. Privar uma criança de ler as obras de Ruth Rocha porque a considera comunista é enfiar essa criança numa redoma e dizer: você só vai aprender o que EU quero! Egoísta e comodista. 
São pessoas que não querem que o filho aprenda sobre outras religiões, sobre outras versões da História, sobre o próprio corpo, sobre política. Querem filhos bitolados que conheçam apenas o que aquela família tradicional brasileira tem pra oferecer, que é praticamente NADA diante da mutiplicidade da escola. 
Você acha o modelo da escola atrasado? Eu também acho, mas não é trancando meus filhos em casa e fazendo eles cobrirem pontinhos que eu estou ajudando a mudar esse cenário. A escola é o lugar mais democrático onde uma criança pode estar. É lá que ela aprende a interagir, negociar, se defender, ouvir o outro. Podem argumentar que uma pracinha faz as vezes da escola. Não faz! Na pracinha, tem pai e mãe perto, e as crianças precisam estar livres de seus pais durante algumas horas do dia para crescerem autônomas. Por mais que você tente oferecer um ambiente social, uma pracinha nunca vai substituir a escola, onde ela vai ter contato com professores e amigos diversos longe da sua tutela.
Além disso, tem um ponto central que me impede de ser a favor do homeschooling: pai e mãe não são professores.  Vocês podem ter a maior boa vontade do mundo, mas nunca terão a didática, o jogo de cintura e o conhecimento de um professor. Na faculdade, além de estudarmos a matéria que vamos lecionar de maneira muito aprofundada, temos cadeiras como Psicologia, Didática, Filosofia e Sociologia. Nós aprendemos sobre desenvolvimento infantil e isso é fundamental para, por exemplo, não querer alfabetizar uma criança de 4 anos -- prática que vemos demais no homeschooling. Logo, pessoas sem formação adequada ensinando crianças representam um perigo para o indivíduo em formação. 
Além de todos os prejuízos que já citei, tem um que é pouco falado: o ensino domiciliar sobrecarrega a mulher-mãe. É ela quem precisará cuidar do banho, da comida, do mercado, das unhas aparadas, dos dentes escovados e do ENSINO FORMAL dessa criança, que não é um deverzinho de casa, mas a totalidade do aprendizado. É muito. É demais. É DESNECESSÁRIO.

(Extraído da página do Facebook "Quartinho da Dany")



01) Que outro título você daria ao texto acima?

02) O que a autora defende sobre o assunto? O que você pensa a respeito disso? Comente: 

03) Que expressão popular foi usada no texto? O que ela significa? Você costuma usá-la? 

04) Justifique o emprego das aspas no segundo parágrafo: 

05) Copie do texto uma passagem carregada de ironia e crítica, justificando sua escolha: 

06) Posicione-se sobre a passagem destacada no segundo parágrafo, argumentando bem: 

07) Opine sobre o segundo trecho em destaque no texto, explicando seu ponto de vista: 

08) Localize no texto uma ou mais passagem em que as aspas são empregadas e com um objetivo diferente das utilizadas no segundo parágrafo: 

09) Por que a autora considera alguns pais egoístas e comodistas? Você concorda ou não com ela? 

10) Posicione-se sobre a terceira passagem destacada no texto, justificando seu ponto de vista: 

11) No que pracinha e escola se assemelham? E no que elas diferem? Explique:

12) Transcreva do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

13) Qual a sua opinião sobre a última passagem em destaque no texto? Por quê? 

14) Por que você acha que não é aconselhável alfabetizar uma criança de apenas quatro anos? 

15) Você concorda com o último argumento utilizado pela autora? Justifique sua resposta: 

16) Copie do texto marcas de oralidade, mencionando que efeito esse uso causa: 

17) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

18) O que a charge acima denuncia? O que você pensa sobre isso? Comente: 

19) Que crítica a charge acima faz? Esse equívoco tem ocorrido neste período de aulas on-line? 

20) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema, abordando as questões levantadas pelo artigo de opinião e as duas charges: 

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Atividade sobre o texto "Miguel não caiu. Miguel foi empurrado", de Caio Possati Campos

Miguel não caiu. Miguel foi empurrado.

Se um coração bate aí dentro, não é pra você continuar bem ou indiferente depois de saber o que aconteceu com Miguel, menino de 5 anos que morreu ao cair do nono andar de um prédio no Recife, enquanto procurava pela sua mãe, Mirtes. 
E já nem era para estar depois das mortes de Ágatha e do João Pedro, também crianças que perderam a vida depois de serem atingidas por disparos de armas policiais, igualmente responsáveis por assassinarem o músico, Evaldo Souza, e o catador de material reciclado, Luciano Macedo, com "acidentais" 80 tiros no ano passado -- pra não dizer tantos outros casos. 
Só que Miguel não morreu pela brutalidade da força policial. E, acreditem, não foi pela negligência da patroa Sari Côrte Real, que não teve a paciência para cuidar do filho de sua funcionária por alguns minutos e, assim, conduzi-lo para o caminho que destinou à morte da criança. 
Porque não foi um caso isolado. Foi uma coisa montada, construída. 
Miguel morreu pela existência de uma estrutura no Brasil que faz uma mulher negra, quase que na obrigatoriedade de uma lei, passear com o cachorro da patroa, enquanto a patroa livra-se da responsabilidade de cuidar filho da mulher negra com a mesma indiferença que descartamos um objeto de lixo. 
Por uma estrutura que, mesmo em tempos de pandemia e isolamento social necessário, obrigou Mirtes a continuar limpando o chão dos patrões, mesmo depois do marido de Sari, o prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), ter afirmado que testara positivo para a Covid-19.
Por uma estrutura que obrigou Mirtes a levar o filho para o trabalho porque as creches e escolas estão fechadas e ela não teria com quem deixá-lo. Miguel morreu porque, no Brasil, 20 mil reais é o preço que uma pessoa rica paga para responder em liberdade depois de tirar o futuro de uma vida negra. Miguel caiu do nono andar porque a burguesia despreza as classes pobres. Não as toca. É indiferente, tira sarro e é insensível às vidas que não pertencem ao mundo dela e que não circulam nos mesmos espaços, senão as que estão ali para servi-la. 
Uma burguesia que ama se autopromover como humanitária com doações e trabalhos voluntários, mas que torce o nariz para programas sociais do Estado e não vota em governos que propõem planos para diminuir a miséria, a pobreza e a fome. 
Não são todos assim, obviamente. 
Mas sei que existem pessoas que funcionam desse jeito, porque cresci, vivi, vivo e convivo nos biomas das classes média e rica. Já dei risada, joguei bola, estudei, trabalhei e sentei na mesma mesa que elas para comer, e conheci muita gente parecida com a Sari que minha cabeça construiu. 
Só que mesmo vivendo sempre nesse ambiente, não tenho todas as respostas para as perguntas que eu comecei a fazer de uns anos pra cá. E uma delas é: por que os ricos, no bálsamo de uma vida privilegiada e confortável, têm tanto ódio?
Ódio a quê? E ódio a quem? 
Por uma criança de 5 anos  que, dentro de um repertório de linguagem ainda em construção, só tentava expressar o desejo de estar perto de sua mãe? 
Eu não sei. 
E um, ou vários dele, empurrou Miguel. 
Mas sei que esse ódio, racista e muito brasileiro, existe e tem muitos braços -- na polícia, na presidência, na sociedade civil. 

#JustiçaPorMiguel
(Caio Possati Campos)

01) Justifique o título dado ao texto, posicionando-se sobre ele: 

02) Por que o texto é um artigo de opinião? 

03) No que a morte de Miguel difere das outras mortes citadas no texto? 

04) Justifique as aspas utilizadas no segundo parágrafo do texto: 

05) Posicione-se sobre a passagem destacada no texto, argumentando bem: 

06) Copie do texto marcas de oralidade: 

07) O que significa a expressão "torcer o nariz"? Ela encontra-se no sentido denotativo ou conotativo? Por quê? 

08) Transcreva do texto uma antítese, explicando-a: 

09) Copie do texto uma passagem que revela uma incoerência da burguesia, explicando sua escolha: 

10) Por que você acha que os ricos, em geral, têm ódio dos pobres? 

11) Como solucionar essa problemática? Explique:

12) Explique a passagem destacada no final do texto, justificando sua resposta: 

13) A palavra BRAÇOS, também situada no final do texto, encontra-se no sentido denotativo ou conotativo? Por quê? 

14) Copie do texto uma passagem em que o autor dialoga diretamente com o leitor:

15) Transcreva do texto uma comparação, explicando-a: 

16) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

17) Localize no texto:

a) um numeral:
b) quatro substantivos próprios:
c) um advérbio de intensidade: 
d) um pronome de tratamento:
e) um pronome possessivo:
f) dois advérbios de tempo:
g) três substantivos comuns: 

18) Copie um trecho do artigo de opinião que dialoga mais diretamente com a charge abaixo: 

19) Que crítica social a charge faz? Comente: 

20) Pode-se afirmar que existe na charge um paradoxo? Justifique sua resposta: 

(Charge enviada pela querida amiga Cristina Barata!)

terça-feira, 28 de abril de 2020

Atividade sobre o artigo de opinião "Felizes para sempre? Quem dera...", de Gláucia Leal

Felizes para sempre? Quem dera... 

Em tempos de tão pouca tolerância consigo mesmo e com os outros, manter relacionamentos amorosos duradouros e felizes parece um dos objetivos mais almejados entre pessoas de variadas classes sociais e faixas etárias. Fazer boas escolhas, entretanto, não é tarefa fácil -- haja vista o grande número de relações que termina, não raro, de maneira dolorosa -- pelo menos para um dos envolvidos. Para nossos avós o casamento e sua manutenção, quaisquer que fossem as penas e os sacrifícios atrelados a eles, era um destino quase certo e com pouca possibilidade de manobra. Hoje, entretanto, convivemos com a dádiva (que por vezes se torna um ônus) de escolher se queremos ou não estar com alguém.
Um dos pesos que nos impõe a vida líquida (repleta de relações igualmente líquidas, efêmeras), como escreve o sociólogo Zygmunt Bauman, é a possibilidade de tomarmos decisões (e arcar com elas). Filhos ou dependência econômica já não prendem homens e mulheres uns aos outros, e cada vez mais nos resta descobrir onde moram, de fato, nossos desejos. E não falo aqui do desejo sexual, embora seja um aspecto a ser considerado, mas do que realmente ansiamos, aspiramos para nossa vida. Mas para isso é preciso, primeiro, localizar quais são as nossas faltas. E nos relacionamentos a dois elas parecem ecoar por todos os cantos. 
Dividir corpos, planos, sonhos, experiências, espaços físicos e talvez o mais precioso, o próprio tempo, acorda nos seres humanos sentimentos complexos e contraditórios. Passados os primeiros 18 ou 24 meses da paixão intensa (um período de maciças projeções), nos quais a criatura amada parece funcionar como bálsamo às nossas dores mais inusitadas, passamos a ver o parceiro como ele realmente é: um outro. E essa alteridade às vezes agride, como se ele (ou ela) fosse diferente de nós apenas para nos irritar. Surge então a dúvida, nem sempre formulada: continuar ou desistir?
Nesta edição, especialistas recorrem a inúmeros estudos sobre relacionamento afetivo para confirmar algo que, intuitivamente, a maioria de nós já sabe: 1. Nada melhor que dividir alegrias com quem amamos (afinal, de que adianta estar junto se não é para ser bom?); 2. Educação e aquelas palavrinhas mágicas (obrigado, por favor, desculpe) fazem bem em qualquer circunstância, principalmente se acompanhadas da verdadeira gratidão pelos pequenos gestos da pessoa com quem convivemos; 3. Intimidade não vem pronta, é conquistada a cada dia, quando partilhamos nossos medos, segredos e dúvidas; 4. É possível aprender a agir de forma mais generosa consigo mesmo e com nosso companheiro, e essa postura ajuda a preservar o carinho, a admiração e o amor. Óbvio? Nem tanto... Se fosse, não haveria tanta gente em busca da felicidade conjugal...
Boa leitura.
(Gláucia Leal) 

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Qual é a tese defendida pelo texto em questão? 

03) Segundo a autora, o que comprovaria essa ideia? Comente: 

04) Retire do texto um par de antítese, explicando seu raciocínio: 

05) Para a autora, escolher se queremos ou não estar com alguém pode ser uma dádiva ou um ônus. Por quê?

06) Que fatores podem levar as pessoas a decidirem se querem manter ou romper um relacionamento amoroso?

07) No parágrafo final do texto, em dois enunciados seguidos empregam-se as reticências. Localize-as e explique os possíveis sentidos delas:

08) Que mensagem o texto transmite? Comente:

09) Você concorda com os argumentos usados para provar que o que sustenta a felicidade conjugal não é algo tão óbvio? Justifique sua resposta:

10) Posicione-se sobre a afirmação destacada no texto, explicando seu ponto de vista: 

domingo, 12 de abril de 2020

Atividade sobre o texto "A mania nacional da transgressão leve", de Michael Kepp


A mania nacional da transgressão leve

Pequenos delitos são transgressões leves que passam impunes e, no Brasil, estão tão institucionalizados que os transgressores nem têm ideia de que estão fazendo algo errado. Ou então acham esses "miniabusos" irresistíveis, apesar de causarem "minidanos" e / ou levarem a delitos maiores. Esses maus exemplos são também contagiosos. E, em uma sociedade na qual proliferam, ser um cidadão-modelo exige que se reme contra uma poderosa maré ou que se beire à santidade. 
Alguns pequenos delitos -- fazer barulho em casa a ponto de incomodar os vizinhos ou usar as calçadas como depósito de lixo e de cocô de cachorro -- diminuem a qualidade de vida em pequenas, mas significativas, doses. Eles ilustram a frase do escritor Millôr Fernandes: "Nossa liberdade começa onde podemos impedir a dos outros". 
No ano passado, o grupo de adolescentes que furou a enorme fila para assistir ao show gratuito de Naná Vasconcelos, na qual eu e outros esperávamos por horas, impediu nossa liberdade. Os jovens receberam os ingressos gratuitos que, embora devessem ser nossos, se esgotaram antes de chegarmos à bilheteria. 
A frase de Millôr também cai como uma luva para o casal que recentemente pediu a um amigo -- na minha frente, na fila de bebidas, no intervalo de uma peça -- que comprasse comes e bebes para ambos. O fura-fila indireto me irritou não só porque demorou mais para me atenderem, mas também porque o segundo ato estava prestes a começar. Qual é a diferença deles para os motoristas que me ultrapassam pelo acostamento nas estradas e depois furam a fila, atrasando minha viagem? E que dizer daqueles motoristas que costuram atrás das ambulâncias?
Outros pequenos delitos causam danos porque representam uma pequena parte da reação em cadeia que corrói o tecido social. Os brasileiros que contribuem para a rede de consumo de drogas não são apenas os que as compram, mas até os que as consomem de vez em quando em festas. Uma simples tragada liga você, mesmo que de modo ínfimo, ao traficante e à bala perdida, mas atos aparentemente tão inócuos e difíceis de condenar nos forçam a pensar no que constitui um pequeno delito. 
Por exemplo, que dano social pode ser causado pelo roubo de "lembrancinhas" -- de toalhas e cinzeiros de hotel a cobertores de companhias aéreas? Bem, os hotéis e companhias aéreas compensam os custos de substituir esses objetos aumentando levemente o preço. Os varejistas fazem o mesmo para compensar as perdas com pequenos furtos. 
Outros pequenos delitos são mais fáceis de classificar, mas igualmente tentadores de cometer. Veja o caso da pessoa que não diz ao caixa que recebeu por engano uma nota de R$ 50 em vez da correta nota de R$ 10. Ou do garoto que obedece ao trocador, passa por baixo da roleta e lhe passa uma nota de R$ 1 em vez de pagar à empresa de ônibus R$ 1,60. Esse suborno não é igual a pagar à polícia uma propina para se safar? Essas caixinhas não seriam também crias do famoso caixa dois, que já virou uma instituição?
Um dos meus vizinhos disse que alguns desses pequenos delitos, como vários tipos de caixa dois, são fruto da necessidade. Ele escreve, embora não assine, monografias para que universitários preguiçosos / ocupados terminem seus cursos. É assim que põe comida na mesa. Apesar de defender sua atividade antiética dizendo que "A fome também é antiética", ele bem que poderia perder 20 quilos. 
Outro vizinho vendeu sua cobertura no Rio com uma vista espetacular da floresta da Tijuca porque descobriu que, no prazo de um ano, um arranha-céu seria construído, acabando com a vista e desvalorizando o imóvel em R$ 50 mil. Ele disse isso aos compradores? Não. E eu também não considero esse delito tão pequeno diante do valor do prejuízo. 
Apesar de os delitos pequenos estarem institucionalizados demais para notar ou serem tentadores demais para resistir, dizer "não" a eles beneficia a sociedade como um todo. E um "não" vigoroso o bastante pode alertar os distraídos e os fracos de espírito para que, em uma sociedade que se guia pela "lei de Gerson", nossa bússola moral possa nos apontar o caminho.
(Michael Kepp)

01) Justifique o título empregado no texto:

02) Por que tal texto é um artigo de opinião?

03) Justifique o uso das aspas em "miniabusos" e "minidanos":

04) Explique o acento na palavra sublinhada no começo do texto:

05) Posicione-se sobre a frase de Millôr Fernandes, explicando seu ponto de vista:

06) Explique a frase que se encontra em negrito no texto, posicionando-se sobre tal afirmação:

07) Justifique as aspas presentes em "lembrancinhas":

08) Qual a transitividade do verbo sublinhado no terceiro parágrafo do texto? Justifique sua resposta:

09) Responda, sinceramente, à pergunta que se encontra em negrito no texto:

10) Podemos dividir os delitos em quatro grupos. Quais são eles?

11) Localize no artigo dois exemplos de cada tipo de delito: 

12) Copie do texto um trecho carregado de ironia, explicando sua escolha:

13) Posicione-se sobre a frase "A fome também é antiética", justificando sua resposta:

14) O que se entende pela "Lei do Gerson"? Você costuma fazer uso dela? Comente:

15) Que mensagem o texto transmite? Comente:

16) Associe ao texto a charge que o acompanha, explicando bem o seu raciocínio:


17) A charge acima dialoga, de certa forma, com o assunto abordado no texto e na charge anterior? Comente:

18) Que personagens estão cometendo transgressões? Por quê? Você as considera leves ou graves?

sábado, 4 de abril de 2020

Atividade sobre o artigo de opinião "A busca pela imagem perfeita", de Rosely Sayão

A busca pela imagem perfeita

Li uma reportagem na revista "Cláudia" sobre adolescentes que se submetem à cirurgia plástica. Os números são impressionantes: das cerca de 650 mil cirurgias realizadas no ano passado no país, 15% foram em adolescentes entre 14 e 18 anos. E não são as meninas apenas que recorrem a tal recurso; os meninos, pouco a pouco, já aderem ao procedimento. 
Ter nariz perfeito, seios volumosos e corpo sem excesso de gordura é o anseio da moçada. Eles querem ver no espelho uma imagem perfeita. Querem ter um corpo que vista bem uma roupa, não procuram ma roupa para o corpo que têm. 
Tal comportamento é resultado de múltiplas pressões. A sociedade de consumo apresenta a esses jovens a ideia de que quem não tem determinado corpo não consegue ser feliz. A sociedade da aparência e do espetáculo os informa que, para ser notado, é preciso apresentar uma beleza padrão. O depoimento de uma garota na reportagem que citei acima revela bem essa questão. Diz ela: "Quem não tem peitão não é ninguém" e também vivemos na era do imediatismo, da busca de soluções rápidas com um mínimo de esforço. No lugar do empenho pessoal e do compromisso, colocamos o dinheiro. Preferimos comprar o bem-estar e uma autoimagem satisfatória a empenhar energia para melhorar o que temos. E é nesse clima que o abuso de drogas, legais e ilegais, tem crescido entre os jovens e se apresentado cada vez mais cedo. 
À primeira vista, pode parecer que nada há em comum entre os dois temas, mas um olhar um pouco mais atento aponta para uma estreita ligação entre eles. Vejamos: os jovens não têm encontrado grandes obstáculos quando se sentem descontentes com o corpo e a aparência e decidem que podem resolver isso rapidamente, com uma intervenção cirúrgica. Muitos pais até incentivam seus filhos e, inclusive, arcam com o ônus financeiro. É que os pais acreditam que devem promover a felicidade dos filhos, e se o filho acredita que a felicidade é ter esse corpo idealizado, por que não colaborar?
As lições que ensinamos aos jovens ao contribuir, mesmo a contragosto, para que ajam dessa maneira não são, entretanto, as que gostaríamos que eles aprendessem. Ensinamos, primeiramente, que a felicidade não é um bem-estar instantâneo localizado, e não um estado fruto de uma série de eventos somados na vida. Ensinamos, também, que sempre é possível escapar de situações que provocam mal-estares, dissabores, frustrações, sofrimento ou mesmo pequenos incômodos. 
As substâncias químicas fazem parte deste arsenal que promete soluções rápidas e eficazes, e os adultos as usam com bastante frequência. Há comprimidos para tudo: diminuir a fome, suprimir a tristeza e produzir alegria, controlar a ansiedade, aumentar a energia etc. 
Os adolescentes, que vivem de desconforto em desconforto nessa etapa transitória da vida, descobrem rapidamente a oferta generosa de substâncias que prometem aliviar esses mal-estares experimentados na busca de identidade adulta. Afirma-se que essas drogas promovem a tal felicidade imposta a todos nós, mesmo que seja efêmera e com possíveis efeitos futuros pouco saudáveis. Mas o futuro não importa tanto quanto o presente, não é? As cirurgias plásticas em jovens com o corpo em desenvolvimento também podem provocar efeitos indesejados no futuro, mas isso não é considerado pelos jovens nem por seus pais. 
O mundo atual é de uma complexidade incrível, e um ato educativo pode ter repercussões muito mais amplas do que as desejadas. Por isso, para educar é preciso muito mais pensar do que agir. 

(Rosely Sayão)

01) Por que o texto acima é um artigo de opinião? 

02) Retire do texto duas razões que levam os jovens a se preocuparem tanto com a aparência:

03) Segundo o texto, que atitude é comum nos pais desses jovens? Trata-se de uma ação positiva ou não, segundo a autora? Explique sua resposta: 

04) Copie do artigo duas antíteses, explicando seu raciocínio:

05) Justifique as aspas utilizadas no texto, respectivamente:

06) Posicione-se sobre a passagem destacada no texto, explicando bem: 

07) Justifique o emprego do porquê sublinhado no texto:

08) Dê a sua opinião sincera sobre o segundo trecho em destaque no artigo, justificando sua resposta: 

09) Como a autora associa a busca excessiva pela beleza ao uso de drogas? O que você pensa a respeito disso?

10) Qual o objetivo principal desse texto? Comente: 

11) Que mensagem o artigo de opinião transmite? 


12) De que maneira os dois textos dialogam? Comente: 

13) Que crítica a imagem acima faz? O que você pensa a respeito disso? Explique:

14) Por que você acha que muitas pessoas hoje em dia se sentem desanimadas no aspecto intelectual? 

quinta-feira, 12 de março de 2020

Atividade sobre o texto "Mães-meninas", de Flávia Oliveira


Mães-meninas

O direito mais desrespeitado é o de não engravidar: faltam informação e instrução. 

Quando você, leitor, passar os olhos pelas linhas iniciais desse artigo, estará fazendo 48 horas que Ana Vitória, 15 anos, deu à luz Miguel. Mais uma criança deixará o Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, nos braços de outra. Uma nova família vai engrossar as estatísticas nacionais sobre gravidez precoce. A Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE, informa que 11% das adolescentes brasileiras (15 a 19 anos) tinham um ou mais filhos em 2014. Apenas na unidade de saúde da Baixada Fluminense, são 80 partos de meninas de 12 a 18 anos por mês; 30 são mães antes dos 15 anos. 
Muito já se falou e escreveu sobre a combinação nefasta de fatores que explicam a alta incidência de gravidez na adolescência no país. Faltam informações e instrução. Ainda segundo o IBGE, só 14% das mães-meninas completaram o ensino médio ou foram além na escola. Sobram pressões culturais e religiosas. De quebra, pobreza e desestruturação familiar turvam o horizonte de sonhos juvenis e acabam por antecipar a vida adulta. Seis em cada dez mães adolescentes não estudam nem têm trabalho remunerado; 92% se dedicam aos afazeres domésticos. 
O debate sobre mais essa mazela brasileira tem se concentrado nas razões subjetivas, todas com resolução de longo prazo. De lado, fica um par de motivos que poderiam fazer diferença antes: a escassez de métodos contraceptivos de longa duração e a capacitação inadequada de profissionais de saúde. De um lado, não há oferta (ou ela é insuficiente) de DIU, SIU e implantes na rede pública. De outro, residentes médicos sequer aprendem a instalar os dispositivos; ginecologistas e obstetras se expressam de modo incompreensível para as pacientes. Esses dois eixos deram o tom na apresentação de Carolina Sales Vieiras, professora da USP - Ribeirão Preto e uma das grandes especialistas do Hospital da Mulher, autoridades e representantes do movimento social, na manhã da última terça. 
A médica deslocou o eixo de reflexão sobre gravidez na adolescência ao apresentar um punhado de informações sobre o desejo de ser mãe. No Brasil, 55% das mulheres engravidam se querer, entre as adolescentes, a proporção mundo afora varia de 80% a 90%. "Há muita discussão sobre liberação do aborto, mas vemos que o direito mais desrespeitado é o de não engravidar. Mulheres e jovens engravidam sem querer, porque não têm informação nem acesso a métodos seguros de contracepção. Seria melhor e mais barato agir para evitar a gravidez do que recorrer ao aborto ou ter bebês em abrigos", disparou Carolina. Ela estima que o Brasil gasta por ano R$ 4,1 bilhões com gestações indesejadas, ao custo unitário de R$ 2.293. Um implante custa no varejo cerca de R$ 1.100. 
Diretora-clínica do Hospital da Mulher, Ana Teresa Derraik informou que oito em cada dez gestações atendidas na unidade foram indesejadas, segundo questionário respondido por todas as grávidas. É sinal óbvio de que falta orientação sobre planejamento reprodutivo, se falar no uso maciço e ineficiente de métodos de curta duração, como pílula, camisinha, tabela e coito interrompido, em detimento de opções mais seguras. Com aval do diretor-geral da unidade, Helton Setta, ela criou um projeto-piloto de orientação e prevenção da gravidez na adolescência. Procurou o CIEP Lima Barreto, vizinho ao hospital, e consultou a direção sobre número de alunas que engravidaram. De mil estudantes de 12 a 18 anos, 37 engravidaram em 2015; na escola da filha, na Zona Sul carioca, com o mesmo perfil etário, nenhuma gravidez. 
As mulheres engravidam sem querer, principalmente adolescentes e jovens em situação de risco, e acabam buscando métodos escusos para interromper a gestação. Não por acaso, meninas de 15 a 17 anos são predominantes nas estatísticas de mortalidade materna. "O custo médico é alto. O custo social também. Chega a 80% o índice de evasão escolar das adolescentes grávidas. Temos de promover métodos contraceptivos que combinem adesão e eficácia. Se a mulher lembra, ótimo, pode insistir com a pílula. Mas se esquece, precisa de outro método", defendeu. 
A equipe do hospital abriu inscrições para uma roda de conversa com alunas do CIEP sobre gravidez, contracepção, sexualidade, abuso. Previu 50 participantes; 73 jovens de 14 a 18 anos se inscreveram. Vinte delas foram à unidade de saúde para consultas e um conjunto de exames, entre os quais o preventivo e testes de doenças sexualmente transmissíveis. Quinze moças se interessaram pelo implante do hormônio etonogestrel, que inibe a gravidez por três anos. O hospital já conseguiu dez kits. Faltam cinco. O secretário estadual de Saúde, Luiz Antonio de Souza Teixeira Junior, que esteve na apresentação de Carolina Vieira, encomendou projeto de prevenção da gravidez na adolescência e prometeu comprar mil kits do método de longa duração. Pode ser o embrião de uma nova política pública. 

(Flávia Oliveira)


01) Justifique o título empregado no artigo de opinião:

02) A autora inicia o artigo com a exemplificação de uma situação. O que o exemplo dado simbolicamente representa?

03) Qual é a frase usada nesse parágrafo que sintetiza a situação da qual a autora vai falar?

04) Releia o subtítulo do texto e responda por que, segundo a autora, o direito de não engravidar é desrespeitado:

05) Que oposição, ou tese, a autora desse artigo defende a respeito das principais causas da gravidez precoce no Brasil?

06) Segundo ela, o que falta não está sendo proporcionado a quem e por quem?

07) Ao defender seu ponto de vista, a autora lista as consequências da tese que defende. Quais são elas? 

08) Você concorda com a opinião da autora? Por quê? Apresente uma justificativa válida para seu posicionamento:

09) A que tipo de leitor o artigo se dirige? Justifique sua resposta:

10) Quais foram as informações trazidas pela médica Carolina Sales Vieira, citada no artigo?

11) Por que, segundo essa médica, essas mulheres engravidam?

12) Qual é a nova proposta que a médica debate sobre o assunto?

13) Que argumento a médica apresenta para defender sua proposta?

14) Para a autora do artigo, quais são as consequências da gravidez indesejada entre os adolescentes?

15) No último parágrafo, a autora do artigo volta a citar uma experiência ocorrido no mesmo local mencionado no primeiro parágrafo, o Hospital Estadual da Mulher Holoneida Studart. Que experiência é relatada? 

16) A autora termina o artigo com a seguinte frase: "Pode ser embrião de uma nova política pública". De que modo a frase se relaciona com o relato da experiência incluído no parágrafo e qual é essa nova política pública? 

17) De que modo essa frase final se  relaciona com o "direito mais desrespeitado é o de não engravidar", presente no subtítulo? 

(Contribuição especial da colega Adriana Alves dos Anjos!)

quinta-feira, 5 de março de 2020

Atividade sobre o texto "Mulheres no cárcere e a terapia do aplauso", de Bárbara Santos

Mulheres no cárcere e a terapia do aplauso

Elas estão no cárcere. O cárcere não está preparado para elas. Idealizado para o macho, o cárcere não leva em consideração as especificidades da fêmea. Faltam absorventes. Não existem creches. Excluem-se afetividades. Celas apertadas para mulheres que convivem com a superposição de TPMs, ansiedades, alegrias e depressões. 
A distância da família e a falta de recursos fazem com que mulheres fiquem sem ver suas crianças. Crianças privadas do direito fundamental de estar com suas mães. Crianças que perdem o contato com as mães para não crescerem no cárcere. 
Uma presa, em Garanhuns, Pernambuco, luta para recuperar a guarda de sua criança, que foi encaminhada para adoção, por ela não ter familiares próximos. Uma criança de cerca de 2 anos de idade, em Teresina, Piauí, nasceu e vive no cárcere, não fala e pouco sorri, a mãe tem pavor de perdê-la para a adoção. Sua família é de Minas Gerais.
Essas mulheres são vítimas do machismo, da necessidade econômica e do desejo de consumir. São flagradas nas portas dos presídios com drogas para os companheiros; são seduzidas por traficantes que se especializaram em abordar mulheres chefes de família com dificuldades econômicas; também são vaidosas e, apesar de pobres, querem consumir o que a televisão ordena que é bom. 
Um tratamento ofensivo as afeta emocionalmente. A tristeza facilmente se transforma em fúria. Muitas escondem de suas crianças que estão presas. Sentem vergonha da condição de presas. Na maioria dos casos, estão convencidas de que são culpadas e que merecem o castigo recebido. Choram, gritam e se comovem. O cárcere é despreparado e pequeno demais para comportar a complexidade das mulheres. 
Apesar do aumento do número de mulheres presas no Brasil, especialmente nas rotas do tráfico, o sistema penitenciário não se prepara nem para as receber, nem para as ressocializar. Faltam presídios femininos, assim como capacitação específica para servidores penitenciários que trabalham com mulheres no cárcere. 
Falta estrutura que considere a maternidade e que garanta os direitos fundamentais das crianças. 
Assim como na sociedade, no cárcere o espaço da mulher ainda é precário. O sistema é masculino na sua concepção e essência. Em cidades como Caicó, Rio Grande do Norte, não existe penitenciária feminina. As mulheres presas são alojadas numa área improvisada dentro da unidade masculina. Em Mossoró, no mesmo estado, mulheres presas, ainda sem sentença, aguardam julgamento numa área minúscula dentro da cadeia pública masculina. A presença improvisada das mulheres cria problemas legais e acarreta insegurança para servidores penitenciários quanto à garantia da segurança geral e da integridade física das mulheres. 

(Bárbara Santos)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Por que "o cárcere não está preparado" para as mulheres? O que você pensa a respeito disso?

03) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

04) Explique a frase em destaque no primeiro parágrafo do texto, posicionando-se sobre ela:

05) Faça o mesmo com a passagem destacada no quarto parágrafo:

06) Que mensagem o texto transmite?

07) Qual a solução para a problemática apresentada no texto? Comente:

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Atividade sobre o artigo de opinião "Respeitar os idosos é aceitar o próprio futuro", de Rosely Sayão


Respeitar os idosos é aceitar o próprio futuro

O que temos ensinado aos nossos filhos a respeito da velhice? Pelo jeito, não temos passado boas lições sobre o assunto, e quem levantou o tema de nossa conversa de hoje foi o pai de um bebê de dez meses. Em sua correspondência, ele conta que teve de ir a um ambulatório de um hospital e, na sala de espera, encontrou muita gente. Acomodados nas cadeiras disponíveis no local estavam vários jovens e adultos e, em pé, várias senhoras -- com mais de 70 anos --, uma delas cega. Parece que ninguém "viu" as idosas, ou seja, ninguém cedeu o lugar mais confortável a elas.
"O que aconteceu? De quem é a culpa pelo comportamento dessa geração que não se importa se um senhor com bengala está em pé com muito custo? Das escolas? Dos pais, que não ensinam o respeito aos outros -- ou, se ensinam, praticam o oposto?" A indignação e a reflexão de nosso leitor, expressas nessas perguntas, fazem muito sentido. Só que pais e escolas não estão sozinhos nessa história. 
É bom lembrar que vivemos um tempo em que ninguém quer envelhecer: usamos todos os recursos para maquiar a idade e temos bons motivos para isso. O velho não é bem-visto -- nem sequer é visto -- pela sociedade. Quem tem mais de 50 anos tem dificuldade para arrumar emprego, encontrar um parceiro quando está sozinho, ter um programa de lazer adequado e ser respeitado pelas crianças e pelos jovens. A palavra "coroa" deixou de ter um sentido carinhoso -- se é que um dia já teve -- e passou a ser pejorativa. Ofende-se quem é chamado de "coroa", mas a mesma pessoa pode sentir-se orgulhosa quando o adjetivo escolhido é "animal".
Recentemente, pudemos ler a seguinte nota na revista "Veja": "Bruna Lombardi estrela a edição de março da revista "Vip" disposta a provar que uma cinquentona, com a genética e os ângulos certos, pode continuar a ser considerada mulher". O recado social é claro: depois dos 50, perde-se a humanidade e a cidadania. Se não admitimos envelhecer, faz sentido ignorar que é preciso ensinar crianças e jovens a respeitar os idosos, não é? Fazemos de conta que quem é velho já morreu e pronto.
Respeitar o velho -- escondido até na denominação "terceira idade" ou "melhor idade" -- não é apenas uma questão de bons modos. Respeitar o idoso é reverenciar a experiência de vida, o conhecimento, a sabedoria acumulada de quem viveu e aprendeu, de quem sofreu, de quem tem um passado e uma história, de quem colaborou com a construção desse mundo e de quem deu a vida a quem hoje é jovem. Respeitar o velho é preservar nossa memória, aceitar o futuro e reconhecer o passado. Mas parece que o que vale hoje é o presente: viver o aqui e o agora é imperativo. Vivendo assim, como será o amanhã? 
Temos um problema: a população brasileira envelhece, e os dados do censo são prova disso. Que contradição é essa que nos faz cegos a essa realidade? Ensinar e estimular crianças e jovens a conviver com os velhos pode ser positivo para ambos: aos mais novos, para que aprendam sobre a vida e a importância dos vínculos afetivos  e dos compromissos assumidos, e aos mais velhos, para que ganhem um sopro de alegria, de entusiasmo, de esperança.
Uma amiga contou que, no supermercado, observou uma cena interessante. Uma velha senhora fazia suas compras acompanhada da neta de mais ou menos 12 anos, que, consciente da importância de seu papel, desempenhava-o de modo exemplar. Apontava o que a vó precisava, perguntava as preferências dela, dirigia o carrinho, fazia tudo o que fosse necessário para poupar a avó o mais que pudesse. De tão inusitada, a cena chamou a atenção de outra mulher que não se conteve e disse: "Muito bem, ajudando a avó a fazer compras; meus parabéns!"
O lugar destinado ao velho em nossa sociedade se expressa na educação que damos a filhos e alunos, Temos, no mínimo, um motivo bem egoísta para ter mais cuidado com essa questão: vamos envelhecer. E nossos filhos também. Por incrível que pareça. 
(Rosely Sayão)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Por que o texto é um artigo de opinião e não um editorial? Explique:

03) Qual é o assunto do texto?

04) Que fato originou a escrita desse texto?

05) Que fato é narrado no primeiro parágrafo e o causou indignação no leitor?

06) Por que a palavra "viu" encontra-se entre aspas no final do primeiro parágrafo? 

07) Copie do texto um exemplo de fato e outro de opinião, respectivamente:

08) De acordo com a autora, por que as pessoas usam "recursos para maquiar a idade"? O que você pensa a respeito disso?

09) Diga dois benefícios para a sociedade quando há respeito ao idoso: 

10) O que significa dizer que "a população brasileira envelhece"?

11) Para a autora, por que o envelhecimento da população é um problema? Você concorda? 

12) Que mensagem o texto transmite?