sábado, 31 de agosto de 2019

Atividade sobre a música "Do it", do Lenine


Do it

Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, aguenta
Se pediu, aguenta

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance

Se tá puto, quebre
Tá feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Pra moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta

(Lenine)

01) Justifique o título da canção, sugerindo um outro:

02) Por que provavelmente o autor optou por empregar um estrangeirismo no título e não o equivalente em nossa própria Língua ("Faça")?

03) Transcreva do texto um par de antítese, explicando seu raciocínio: 

04) Copie da canção exemplos de oralidade: 

05) Explique o sentido da palavra que se encontra em negrito na música, aproveitando para mencionar se é denotação ou conotação: 

06) O que significa a expressão "se dá pé"? Substitua por uma de uso mais formal, sem que mude o sentido da frase: 

07) O que seria "Correr atrás da lebre"? Explique: 

08) Circule na música todos os verbos no modo imperativo, dizendo sua importância para o contexto:

09) Que mensagem a música transmitiu? Comente: 

10) Escolha um dos temas abaixo para elaborar uma paródia em cima da música analisada: 

a) Proteção dos animais;
b) Doação de órgãos;
c) Contra o uso de drogas;
d) Gravidez na adolescência;
e) Uso excessivo do celular;
f) Preservação da água:
g) Preconceito racial;
h) Violência contra a mulher; 

Atividade sobre o texto "Celular e adolescentes: uma relação perigosa"


Celular e adolescentes: uma relação perigosa

O celular tira o sono de jovens

Uma pesquisa feita em Flandres, na Bélgica, com 1656 estudantes de 13 a 17 anos, revelou que o uso do celular à noite é prática recorrente entre os adolescentes e isso está diretamente relacionado ao aumento do nível de cansaço desses jovens após algum tempo. 
A preocupação maior dos pais no que diz respeito à mídia, é com relação ao tempo que as crianças gastam vendo TV, ouvindo música ou navegando na internet. O celular é visto como um simples aparelho de comunicação, útil em situações de emergência, mas os jovens hoje usam os meios de comunicação modernos de forma que os pais nem imaginam. 
Casos de cansaço excessivo informado pelos adolescentes foram atribuídos ao abuso na utilização do celular, tanto em ligações quanto em trocas de mensagens de texto. Eles gastam muito tempo se conectando com outras pessoas, e alguns deles fazem isso a noite inteira. 
Por outro lado, um melhor rendimento escolar está relacionado a uma boa noite de sono. Estudos revelam que adolescentes que dormem menos estão mais propensos a problemas cognitivos ou comportamentais em sala de aula. Os pais devem estar alerta: é preciso restringir ou proibir o uso do celular após a hora de dormir. 
Especialistas recomendam que crianças e adolescentes tenham entre oito e dez horas de sono por noite para manter uma vida saudável e um bom desempenho durante o dia. Além disso, os pais que desconfiam que seus filhos estejam sofrendo de distúrbios do sono devem recorrer a consultas com pediatras ou especialistas na área. E dar conselhos como: durma bem para melhorar suas notas. 

Uso do celular: uma necessidade ou vício?

É possível afirmar que o celular é o dispositivo mais usado no mundo, ele deixa de ser uma agenda telefônica e passa a ter várias utilidades (notícias, pesquisas, filmes e séries, redes sociais, etc.), podemos perceber que atualmente a utilização do aparelho tornou-se um vício para os indivíduos. O uso de celular durante a aula é um utensílio de desatenção ou de auxílio? 
Através do uso do celular é possível esclarecer dúvidas realizando pesquisas (que anteriormente eram feitas  em bibliotecas), assistir à "vídeo-aulas" e debater sobre determinado assunto por meio de grupos em redes sociais (Facebook, WhatSapp, Messenger). Pode-se destacar também pontos negativos. Segundo a pesquisa do "Hypescience" (hiper ciência), o uso excessivo do celular pode prejudicar a emória, assim afetando também sua saúde. Além disso, fazendo com que o aluno tenha desconcentração, pois com o uso do "smarthphone" (traduzido do inglês: celular inteligente) fica ainda mais difícil de obter a atenção do aluno, assim não tendo absorção completa do assunto. 
Logo, faz-se necessário os filhos terem educação por parte dos pais ou responsáveis para que haja a utilização do dispositivo apenas quando necessário e de forma adequada, deve-se impor regras para o uso moderado, assim beneficiando o professor e o aluno, fazendo a aula fluir melhor. 

(Líria Alves)

01)  Justifique o título do texto: 

02) Explique a ambiguidade presente no primeiro subtítulo: 

03) Responda à pergunta feita no segundo subtítulo: 

04) A que resultado a pesquisa chegou? Isso surpreendeu você ou já era esperado? Por quê? 

05) Qual a preocupação dos pais dos adolescentes? Isso tem fundamento?

06) Quantas horas de sono por noite uma criança ou adoelscente deve ter? 

07) O que acontece quando se dorme, com frequência, menos do que esse tempo necessário?

08) Como você utiliza o celular no seu dia-a-dia? É um uso normal ou abusivo? 

09) De acordo com pesquisas, o que esse uso abusivo do celular pode causar? 

10) O que você aprendeu com a leitura desse texto?

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Atividade sobre a música "Geni e o Zepelim", de Chico Buarque de Holanda


Geni e o Zepelim

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato

E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir:

"Joga Pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!"

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme Zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim.

A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do Zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de ideia!"

Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir".

Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!

Mas, de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro.

Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos.

Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão:

"Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni!"

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu saco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco.

Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu Zepelim prateado.

Num suspiro aliviado
Ela se deitou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir:

"Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!"

(Chico Buarque de Holanda)

01) Justifique o título usado na canção acima:

02) Tal música foi composta em 1978, mas, mesmo assim, podemos afirmar que ela é atual? Justifique sua resposta: 

03) Copie da canção uma antítese, explicando-a:

04) Quem, afinal, é a Geni? Como você a definiria?

05) Tal personagem sofre algum tipo de violência? Comprove com uma passagem do texto:

06) Três instituições são criticadas na canção. Quais são elas? Explique seu raciocínio:

07) Geni nos é pintada, aos olhos do autor, de forma pejorativa? Comente:

08) Quem via Geni de forma preconceituosa? Explique sua resposta:

09) Que força superior apareceu de repente na história? Como você interpreta isso?

10) O horror e a iniquidade vinham de Geni ou da cidade? Por quê?

11) Observe que, em um momento, Geni passa de "maldita" para "bendita". Por que isso ocorre?

12) Que crítica encontra-se embutida na canção? Explique: 

13) Que mensagem a música transmitiu? Comente:

14) Podemos afirmar que há uma certa intertextualidade com alguma passagem bíblica? Justifique sua resposta:

Atividade sobre o texto "Circuito fechado 05", de Ricardo Ramos

Circuito fechado 05

Não. Não foi o belo, quase nunca, nem ao menos o bonito, porque tudo se veio esgarçando em rotina, sombra com vazio. Não foi o plano, o projeto, a lucidez conduzindo, que o mistério se fez magia e baralhou os búzios da vontade. Não foi o imaginado, o sonhado, mas a verdade miúda e comovida sem ter de quê. Não foi o tempo que abarca vastamente, não, deve ser o que se conta aos pedaços, recorta, em mesquinha soma, e medrosa. Não foi o prometido, o esperado, antes foram os enganos, os engodos, os adiamentos sempre roubos, pequenos e de importância. Não foi nada útil, ou de se repartir, apenas o de guardar para comer sozinho. Não foi o brilhante, de anel e de relâmpago, simplesmente a luz no vidro. Não foi o bom, foi o barato, não foi o alegre, foi o pouco a pouco, não foi o claro, foi o difuso, pois os encargos chegam logo, e se aprendem, e ficam. 
Não foi o momento certo, a maior parte aconteceu de repente, ou cedo, ou tarde, afinal não se repetiu. Não foi a viagem, a longa, larga viagem, de recordar, rever, que as paradas e os horários dividiram muito o roteiro, partiram, nublaram, não devolveram. Não foi o encontro nem a memória, não foi a paisagem nem o esquecimento, foi esse passar de pessoas e o seu reverso de imóvel que se isola e não fala, porque não adianta. Não foi a cidade, mas a rua, não foi a figura, mas a boca, não foi a chuva, mas a calha. Não foi o campo, nem a mata, o morro, nem o rio, a relva, nem a árvore, nem o verde, foi a janela de trem, de carro, de longe. Não foi o livro aberto, a oração disfarçada, a primeira lição. Não foi a lâmpada, o linho, a lenda. Não foi a casa, o quintal, o corredor com portas e pé direito. Não foi o que vem de dentro, e sim o que bate, não se anuncia, e força, abre, e entra. Não foi o pacífico, o sem tumulto, foi até mesmo a guerra, ou melhor o combate, a escaramuça, perdidos de mãos nuas, limpas, as armas brancas. Não foi o amor, a certeza, o amanhã, foram as palavras que representam, a ideia de, o conceito, enfim, a sua redução. Não foi pouco nem muito, foi igual. Não foi sempre, nem faltou, foi mais às vezes. Não foi o que, foi como, e onde, e quando. Não, não foi.
(Ricardo Ramos)

01) Dê um novo título ao texto:

02) Copie dele uma antítese, justificando:

03) Observe a palavra que se encontra em negrito no texto, dizendo se ela, ali, é um substantivo ou um adjetivo, explicando e aproveitando para criar uma frase em que pertença a uma classe gramatical diferente da analisada:

04) O que seriam as "armas brancas" de que se fala no texto? Explique:

05) Copie do texto uma espécie de metonímia, explicando seu raciocínio:

06) Que mensagem o texto transmitiu? Que sentimento ou emoção ele ativou em você?

07) Classifique morfologicamente cada palavra destacada no texto:

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Atividade sobre "Combate ao suicídio" - Setembro Amarelo o ano todo

Texto 01:


01) Com qual dos seis motivos para continuar vivo você mais se identificou? Por quê? 

02) Faça um pequeno resumo desses motivos, usando apenas uma palavra para cada quadrinho: 

03) Que conselho é dado? A quem? 

04) Por que o modo imperativo foi usado no título?  

05) Dê continuidade aos quadrinhos acima, colocando mais seis motivos (ou mais) para a pessoa querer continuar vivendo! 

Texto 02: 


06) Que conselho é dado? A quem? 

07) De qual dos quatro lembretes acima você gostou mais? Por quê? 

08) Elabore mais quatro quadrinhos, usando os acima como exemplos, que contenham frases motivacionais para as pessoas depressivas conseguirem a calma necessária para vencerem essa doença! 

Texto 03: 


09) Que título você daria aos quadrinhos acima? 

10) Que mensagem eles transmitem? Comente: 

11) Escreva um pequeno texto completando a seguinte frase: "Eu sou muito maior do que a depressão porque..."

Texto 04: 



12) Por que a vida é comparada a uma história? 

13) A que corresponderia uma vírgula? E o ponto final? 

14) Que conselho é dado no último quadrinho e como isso pode ser associado ao "Setembro Amarelo"? 

15) Por que todos os quadrinhos são amarelos? 

16) De qual texto você gostou mais? Por quê?


17) Assista ao vídeo acima e utilize as informações contidas nele para elaborar UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema em questão: 

Atividade sobre a música "Eu sou problema meu", da Clarice Falcão


Eu sou problema meu

Não sei de ninguém que me vendeu
Por dois camelos pra você
Em um negócio armado no meio da rua

Nem cartório algum reconheceu
Um documento que explicita em papel
Que legalmente eu sou sua

Quando eu disse sim aquela hora
Eu disse sim aquela hora
Eu não disse sim por toda a eternidade

Eu não sei se você tá por fora
Mas eu não tenho registro
Compra e venda feito uma propriedade pessoal

Não me leve a mal
Mas você não me tem
Eu não sou um chapéu
No armário de alguém
Não valho um real
Também não valho cem
Eu sou problema meu

Eu nasci pessoa, gente
Eu não nasci coisa
Eu não sou brinde de criança, nem presente de Natal

Não me espere aí na sua estante
Nem agora, nem por três vezes sem juros
Nem no seu cheque especial

(Clarice Falcão)

01) Justifique o título empregado na canção:

02) Copie do texto três numerais, dizendo a importância deles para o contexto:

03) Transcreva do texto exemplos de oralidade, mencionando o provável porquê disso:

04) Localize na música uma passagem que mostra que o problema não está no valor em si, explicando o que isso quer denunciar: 

05) O que significa, considerando o contexto, alguém dizer que "não nasceu coisa"? 

06) O que o verso em negrito no texto significa? Explique: 

07) Copie da canção uma passagem que faz menção indireta ao casamento, explicando seu raciocínio:

08) O que significa a expressão "Compra e venda" e quando ela é mais empregada? 

09) Transcreva da música um trecho que revela que situações podem ser efêmeras e que possíveis equívocos podem ocorrer em algumas delas: 

10) Circule no texto um advérbio de afirmação, dizendo sua importância para o contexto: 

11) O que a canção critica? O que ela combate? Comente:

12) Que mensagem a música transmitiu?

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Atividade sobre a música "Minha felicidade", de Roberta Campos


Minha felicidade

Tudo aquilo que senti
Guardei por nós neste lugar
Você é um pedaço em mim
Eu quero viver em teus braços
Pra sempre... 

Quero ver o sol nascer de novo aqui
Pra despertar
Tudo aquilo que senti 
Guardei por nós neste lugar
Você é um pedaço em mim
Eu quero viver em teus braços
Pra sempre, pra sempre...

Lembra aquele tempo, amor,
Onde a gente se encontrou
Foi ali que começou 
Minha felicidade 
Lembra aquele beijo, amor
Quando a gente se encontrou
Foi assim que começou
Minha felicidade

Eu, você
O sol, o mar
E mais de mil paisagens pra testemunhar
Que eu seguiria muito bem a vida inteira
Sem me preocupar com a felicidade
Toda paisagem fica cinza sem você
Qualquer declaração de amor tão sem por quê

Hoje é por isso que eu agradeço ao céu
Estar com você, estar com você
Hoje é por isso que eu agradeço ao céu
A felicidade

(Roberta Campos)

01) Justifique o título dado à canção, aproveitando para sugerir um outro:

02) O que seria dizer que a pessoa é "um pedaço em mim"? Você já se sentiu assim?

03) Circule no texto um vocativo, explicando seu raciocínio:

04) Copie da canção uma passagem que remete à memória, às lembranças:

05) O que significa dizer que "a paisagem fica cinza"? Por quê?

06) Pelo contexto, qual seria então o oposto de "cinza"?

07) Transcreva do texto uma hipérbole, explicando:

08) Que mensagem a música transmitiu?

09) E qual seria a SUA felicidade? Comente:

10) Copie do texto exemplos de oralidade, dizendo a sua importância para o contexto:

11) Diga a que classe gramatical pertence cada uma das palavras sublinhadas no texto:

Atividade sobre o texto "Bando de cafonas", da Fernanda Young

Esta foi a última coluna publicada em "O Globo", da poderosa Fernanda Young e que vale muito a pena ler e refletir! 
Bando de cafonas

A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê? Dos cafonas. Do império da cafonice que nos domina. Não exatamente nas roupas que vestimos ou nas músicas que escutamos — a pessoa quer falar do mau gosto existencial. Do que há de cafona na vulgaridade das palavras, na deselegância pública, na ignorância por opção, na mentira como tática, no atraso das ideias.
O cafona fala alto e se orgulha de ser grosseiro e sem compostura. Acha que pode tudo e esfrega sua tosquice na cara dos outros. Não há ética que caiba a ele. Enganar é ok. Agredir é ok. Gentileza, educação, delicadeza, para um convicto e ruidoso cafona, é tudo coisa de maricas.
O cafona manda cimentar o quintal e ladrilhar o jardim. Quer todo mundo igual, cantando o hino. Gosta de frases de efeito e piadas de bicha. Chuta o cachorro, chicoteia o cavalo e mata passarinho. Despreza a ciência, porque ninguém pode ser mais sabido que ele. É rude na língua e flatulento por todos os seus orifícios. Recorre à religião para ser hipócrita e à brutalidade para ser respeitado.
A cafonice detesta a arte, pois não quer ter que entender nada. Odeia o diferente, pois não tem um pingo de originalidade em suas veias. Segura de si, acha que a psicologia não tem necessidade e que desculpa não se pede. Fala o que pensa, principalmente quando não pensa. Fura filas, canta pneus e passa sermões. A cafonice não tem vergonha na cara.
O cafona quer ser autoridade, para poder dar carteiradas. Quer vencer, para ver o outro perder. Quer ser convidado, para cuspir no prato. Quer bajular o poderoso e debochar do necessitado. Quer andar armado. Quer tirar vantagem em tudo. Unidos, os cafonas fazem passeatas de apoio e protestos a favor. Atacam como hienas e se escondem como ratos.
Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom gosto pode salvar este país.
(Fernanda Young)
01) Justifique o título utilizado no texto acima:
02) Quais os principais problemas do país citados no texto? De quais outros você se lembra?
03) O que o texto critica? Explique:
04) O que, para os cafonas, seria "coisa de maricas"? O que você pensa sobre isso?
05) Que outra palavra foi empregada no texto para se referir a "maricas" e a "homossexual"? Foi empregada no sentido pejorativo ou irônico? É a opinião da autora ou ela fez menção indireta a alguém?
06) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:
07) O que seria ter bom gosto, segundo o texto?
08) Você concorda com a frase destacada no texto? Justifique sua resposta:
09) Que mensagem o texto transmitiu? Comente:

Atividade sobre o texto "Adolescência espichada"

Adolescência espichada

Jeans surrados, nenhum compromisso sério e muita farra aos 40 anos: assim são os adultescentes. Sabe aquele amigo que já passou dos 40 anos, mas parece ignorar o curso do tempo, ainda mora com os pais e não leva muito adiante nenhum namoro? Repare se ele abomina assuntos como extrato bancário, mas sabe de cor aquelas letras de rock absolutamente arcanas para quem já passou dos 20. Note se ele vive pulando de um emprego para outro, acha que o bacana mesmo é ter uma banda e o guarda-roupa não tem nada além de tênis, camiseta e um jeans surrado. Se a maior parte dessas características se encaixar em quem você está pensando, são grandes as chances de você conhecer um típico "adultescente". 

O termo define aquelas pessoas cuja carteira de motorista foi tirada antes de 1985, mas ainda não se deram conta de nada disso. O termo surgiu na imprensa britânica e, nos Estados Unidos, se popularizou como grups (contração de grown ups, adultos em inglês). O neologismo foi criado pela revista New York para descrever o fenômeno presente em qualquer grande centro urbano do planeta. "Isso está ligado a uma percepção de que não existe sentido positivo na vida adulta. Para essas pessoas, envelhecer é uma experiência negativa", disse a VEJA o sociólogo britânico Frank Furedi, professor da Universidade de Kent, na Inglaterra, e estudioso de comportamentos da sociedade contemporânea. 

Numa prova de que a criatura pode ajudar o criador, alguns adultescentes assumem com tamanha perfeição o estilo de vida das gerações mais novas que acabam incorporando à fisionomia certo ar de adolescente. A carioca Gisele Freitas tem 42 anos, mas o cabelo preto adornado por uma franja rosa e o ritmo de vida noturna juvenil nem deixam perceber. "Sou meio moderninha, meio pinup de brechó", define ela mesma, que passa a maior parte de suas noites se revezando entre barzinhos e pistas de dança embaladas por música eletrônica. Ao final dessa jornada, lá está ela de volta ao apartamento onde mora com o pai, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. Tudo isso, claro, quando não tem trabalho no dia seguinte. Gisele é cabeleireira num dos salões mais badalados pela tribo de moderninhos do Rio de Janeiro. "Ninguém diz que tenho 42 anos. Me dão, no máximo, 30", garante.

O lado preocupante da adultescência é quando, do ponto de vista psicológico, o que parece ser apenas uma forma despreocupada de levar a vida assume um caráter patológico. Se for apenas um comportamento ligado à aparência, não há grandes problemas. O publicitário paulista Luís Maida, de 43 anos, se vale desse artifício como trunfo em suas conquistas amorosas. De preferência, mulheres na faixa etária que se situa duas décadas abaixo da sua, dispostas a relacionamentos descartáveis. "Meus namoros duram no máximo dois anos, e sempre com mulheres mais jovens, de 20 e poucos anos. Prefiro as mais novas, gosto de crescer junto com elas", diz. Nada de mais. Afinal, trata-se apenas de um estilo de vida. Como diz o técnico de som Maurício Garcia, de 37 anos, "o que envelhece é o corpo". Do alto de sua sabedoria adultescente, Garcia parece saber o que diz. 


01) Justifique o título do texto:

02) Explique o neologismo que se encontra em negrito no começo do texto:

03) Por que algumas palavras aparecem em itálico no texto? 

04) Explique o porquê de o adjetivo SURRADO aparecer ora no plural e ora no singular para se referir ao substantivo JEANS: 

05) Justifique dois empregos diferentes das aspas, no texto:

06) Por que para os adultescentes envelhecer seria algo negativo? Você concorda com isso? 

07) Qual a importância de se acrescentar comentários de especialistas ao texto? 

08) Quais sas vantagens e desvantagens de ser um adultescentes? 

09) Quando se torna algo patológico? Justifique sua resposta: 

10) O texto trata-se de um editorial ou de um artigo de opinião? Justifique sua resposta: 

11) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

12) Retire do texto exemplos de oralidade, de linguagem coloquial: 

13) Localize no texto:

a) um advérbio de tempo:
b) dois adjetivos:
c) um substantivo composto:
d) dois substantivos próprios:
e) um pronome possessivo:
f) uma conjunção adversativa: 

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Atividade sobre o texto "Carta ao sono", de Fernanda Young


Carta ao sono 

Ontem, mais uma vez, esperei horas e você não veio. Hoje, passei a manhã inteira irritada por causa disso. Aí, você me chega depois do almoço, sem a menor explicação, como se isso fosse normal. Eu cheia de coisas para fazer e você querendo me levar para tomar um café. Está querendo acabar comigo, é isso? 

Uma amiga minha me abriu os olhos: nós dois estamos vivendo uma relação doentia. Eu estou me sujeitando aos seus horários e você está desrespeitando os limites. Não é porque eu vou para a cama com você que eu deixei de chefiar o órgão onde você exerce a sua função. 

Você tem faltado muito e estou cansada disso. Quando não falta, demora para chegar e vem disperso, agitado, não ajudando em nada. Eu preciso de você tranquilo, cumprindo seu dever, todos os dias, oito horas por dia, igual a todo mundo. Ou não posso garantir o bom funcionamento da nossa unidade. 

Sono, sinceramente, qualquer probleminha que surge, você some. Tudo serve de desculpa para você não aparecer: uma conta para pagar, uma viagem de negócios, um caso de doença na família. Por mais que eu não queira te prejudicar, não posso aguentar um sono assim, tão inconstante. 

A partir desta noite, não quero mais nenhuma irregularidade sua. Não estou exigindo que você  seja perfeito, mas, na próxima vez que eu tiver de remediar alguma ausência de sua parte, vou tomar medidas extremamente fortes. E não me importam as reações. Desejo uma convivência leve e sadia entre nós, mas prefiro ter você sempre pesado do que sofrer as consequências da atual situação. 

Não posso entender por que você mudou tanto. Lembro das agradáveis noites que passamos juntos -- você eventualmente profundo, muitas vezes superficial, mas sempre presente em minha vida. Mesmo durante o dia, você dava um jeito de estar ao meu lado quando eu ficava deprimida, de cuidar de mim quando eu ficava  com febre, de aliviar meu stress quando eu trabalhava demais. 

Agora, quase nunca posso contar com você. Você só aparece quando bem quer e quando eu menos preciso: num cinema, numa festa, num restaurante. Sua presença, antes tão gratificante, ultimamente só serve para me atrapalhar. Você jamais consegue estar comigo nas horas importantes, tem sempre algo complicado impedindo-o de chegar; mas sei de outras mulheres que dormem com você sem a menor dificuldade. Liguei para uma colega minha, noite dessas, para reclamar de mais uma das suas fugidas, e ela teve o desplanete de dizer que não podia falar comigo porque estava na cama com você.

Enfim, estou com olheiras, e é por sua culpa. Mas sei que necessito dos seus serviços, então lhe dou este ultimato. Ou você toma jeito e volta a me deixar em paz ou você afunda junto comigo. 

Atenciosamente, Fernanda. 
(Fernanda Young - "Revista Cláudia")

01) Justifique o título empregado no texto:

02) Além da estratégia textual de a autora escrever o texto em forma de carta, há um outro recurso que torna o texto interessante e divertido. Qual é ele? Explique: 

03) Transcreva do texto exemplos de oralidade, da linguagem coloquial, dizendo qual a provável intenção: 

04) Como a autora compara o passado com o presente? Explique: 

05) Copie do texto um desvio gramatical, justificando seu raciocínio e adequando-o à norma culta:

06) Transcreva do texto uma passagem em que se perceba que o sono é: 

a) tratante:
b) cara de pau:
c) abusado:
d) folgado: 
e) descomprometido:

07) Que mensagem o texto transmitiu? Comente:

08) Que crítica encontra-se presente no texto? 

09) Localize no texto:

a) dois advérbios de tempo:
b) um advérbio de negação: 
c) um pronome de tratamento:
d) um pronome pessoal do caso reto:
e) um pronome pessoal do caso oblíquo:
f) dois substantivos comuns:
g) dois adjetivos:
h) um numeral, classificando-o:
i) um advérbio de intensidade:

10) De que parte do texto você mais gostou? Por quê? 

11) Como é o seu sono? Justifique sua resposta:

Atividade de correção de redação do ENEM

"Fake news: a areia movediça da política"



01) Identifique no texto acima todos os possíveis desvios gramaticais:

02) Quantos desvios você encontrou? Em que competência isso diretamente afeta?

03) O texto trouxe o chamado repertório sociocultural? Ele foi produtivo? Por quê?

04) Por que na redação foram utilizadas algumas aspas?

05) O título foi bem empregado? Ele foi justificado no decorrer do texto?

06) O texto apresentou proposta de intervenção? Ela foi ou não completa? Justifique sua resposta:

07) A redação defendeu uma tese? Se sim, qual? Que argumentos foram usados?

08) O que você mudaria na redação? Por quê?

09) Agora avalie a redação em cada uma das competências, justificando-as:

10) Qual o total obtido? Foi, afinal, uma nota boa ou ruim?

11) Qual o perigo das fake news?

12) Como identificar e combater as fake news?

13) Pesquise e cite dez fake news mais famosas do Brasil:

14) Crie dez fake news que você gostaria que fossem verdade:

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Atividade sobre o texto "Ao perdedor, as latinhas", de Rogério Menezes

Ao perdedor, as latinhas

Nem a mais visionária das mães-dinás poderia imaginar: o ofício de catador de latinhas tornou-se uma profissão como outra qualquer. Com os ecos da crise econômica se abatendo sobre todos nós, o zé-povinho precisa usar a criatividade para continuar vivo -- ou, pelo menos, emitindo alguns, ainda que mínimos, sinais vitais. Resultado: à Lavoisier, o lixo metálico produzido pelas classes A, B, C e D ajuda a comprar brioches para alimentar a classe Z, aquele lumpesinato que cada vez aumenta mais de consistência e volume nas grandes e pequenas cidades do país. 
Carnaval é festa esperada com ansiedade por essa nova categoria de profissionais que os IBGEs da vida ainda não catalogaram. Nada mais justo: nesse período, de alto consumo de produtos armazenados em invólucros de alumínio, tiram o pé da lama. E o que se viu por aí, pelas ruas do país, foi um aguerrido exército, sempre à espreita para catar aquela latinha que, displicentemente, alguém acabou de jogar no chão. 
Não existe limitaçao de idade para o exercício da profissão de catador de latinhas. Também não exige formação específica, nem o ensino fundamental completo, nem rudimento de alfabetização. O básico para se tornar exímio profissional do setor é aquela condição humana que nos eva a fazer seja lá que diabo for para não virar comida de abutres. 
Salvador, no Carnaval, uma das maiores usinas de geração de latinhas de cerveja e refrigerantes do planeta, é a Meca, o lugar ideal, a cidade dos sonhos de todos esses valentes profissionais que vivem das sobras do lixo ocidental: a Las Vegas deles. 
Os catadores de latinhas podem ser família completa: pai, mãe e muitos filhos, todos imersos na faina diária de coletar o maior número possível de pelas de alumínio para revenda. Ao final de suada semana de trabalho, podem faturar talvez R$ 5,00, talvez R$ 10,00, o que pode parecer pouco para gente como a gente, que está na base da pirâmide invertida, também conhecida como elite. Para eles, não. Serve ao menos para adiar a morte por fome, bala ou vício. 
No Carnaval de Salvador, o espaço nobre para os catadores de latinhas é aquele, virtual, criado entre a passagem de um bloco de trio e outro. Em ritmo de emboscada, espremidos entre as paredes dos prédios e a multidão que saracoteia ao redor, mergulham sem medo no lixo alumínico recém-jogado e enchem muitos sacos com as cobiçadas peças. 
Ser catador de latinhas pode parecer fácil, mas não é. Ok, não precisa de exame vestibular. Muito menos daquela série de documentos que se costuma exigir quando somos admitidos em algum emprego. Mas o exercício dessa profissão requer rapidez, agilidade, disposição física, fôlego e certo estoicismo. Afinal de contas, não deve ser muito reconfortante para o ego viver das sobras do lixo produzido por outros homens, aparentemente tão filhos de Deus quanto. 
De qualquer forma, não será de todo absurdo se, da próxima vez que perguntarmos a alguma criança da periferia das metrópoles o que gostaria de ser quando crescer, ouvirmos: "Quero ser catador de latinhas, tiô!"

(Rogério Menezes - "Revista Época")

01) Justifique o título do texto acima: 

02) Qual o tema central do texto? Justifique sua resposta:

03) Transcreva do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

04) Localize no texto uma expressão utilizada no sentido conotativo (figurado), explicando: 

05) Circule no texto um vocativo, justificando seu raciocínio: 

06) Justifique as aspas utilizadas na frase final do texto e também o ponto de exclamação: 

07) Copie do texto uma passagem carregada de ironia, explicando-a: 

08) O que o autor do texto critica? Justifique-se:

09) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

10) Assinale a ÚNICA alternativa em que as palavras ou expressões NÃO denunciam as condições sub-humanas dos catadores de latinhas:

(A) "profissionais que vivem das sobras do lixo ocidental"
(B) "categoria de profissionais que os IBGEs da vida ainda não catalogaram".
(C) "classe Z".
(D) "aguerrido exército"

11) Assinale a ÚNICA alternativa que NÃO corresponde ao que o autor pensa:

(A) As pessoas são levadas a catar latinhas para não morrerem de fome.
(B) A luta pela sobrevivência nas cidades fez surgir uma nova profissão: catador de latinhas.
(C) Catar latinhas é uma profissão rendosa, pois permite aos seus profissionais comprar brioches.
(D) É humilhante precisar catar latinhas para sobreviver.

12) Copie do texto:

a) dois substantivos compostos: 
b) um advérbio de intensidade:
c) um advérbio de dúvida:
d) dois substantivos próprios: 

Leia o texto a seguir:

"Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir a outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição: a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos.
Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas."

(Machado de Assis - "Quincas Borba")

13) Podemos dizer que os dois textos dialogam? Justifique sua resposta: 

14) Comparando os dois textos, pode-se dizer que:

(A) Os catadores de latinhas e a tribo derrotada na guerra merecem nosso ódio e compaixão.
(B) A paz significa a destruição das duas tribos: da mesma forma a luta de classes deve significar a destruição das classes sociais. 
(C) A classe Z não será exterminada se conseguir sobreviver com o lixo produzido pelas outras classes. 
(D) como perdedores, os catadores de latinhas devem ser suprimidos para que as pessoas de outras classes sociais sobrevivam.

15) As expressões "Ao vencedor, as batatas" e "Ao perdedor, as latinhas" permitem-nos concluir que:

(A) as batatas e as latinhas garantem aos vencedores e perdedores a sobrevivência. 
(B) as batatas e as latinhas vazias são troféus de guerra.
(C) vencedores e perdedores nunca ganham realmente.
(D) as latinhas estão para as batatas assim como as tribos em guerra estão para as classes sociais na batalha do dia-a-dia.

Atividade de criação de rótulos

Rótulos

-- Sou engraçado -- ria.
-- Sou tímido -- ajude-me.
-- Sou surdo -- grite. 
-- Sou mentiroso -- desconfie.
-- Sou criativo -- ouça-me.
-- Sou pouco inteligente -- ignore-me.
-- Sou muito poderoso -- bajule-me.

(Autor desconhecido)

01) A proposta de hoje é, a exemplo dos rótulos acima, elaborar outros! Sei que pode! Vamos lá?!?

02) Ilustre todos os rótulos, os fornecidos e os criados por você!

domingo, 25 de agosto de 2019

Atividade sobre o texto "Prezada mulherzinha", de Fernanda Young



Prezada mulherzinha

Se existe alguém que pode falar o que vou falar para você, sou eu. Então, por favor, tenha a humildade de admitir que sei o que estou falando. Pois o que eu te direi é duro, mas poderá te fazer um bem enorme. Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão.
Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. 
Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea. 
Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzadas de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse.  Que você não é nada tal wild quando se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a Barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa sua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos. 
É triste, amiga mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade. 
(Fernanda Young)

01) Justifique o título do texto:

02) Por que a autora afirma que pode falar sobre o assunto, com certa propriedade?

03) Copie do texto exemplos nítidos de oralidade:

04) Por que o que é dito pode fazer "um bem enorme"?

05) O que, afinal, seria "coisa de mulherzinha"?

06) Circule no texto um vocativo, explicando seu raciocínio:

07) Copie do texto uma passagem carregada de ironia, de deboche:

08) Transcreva do texto duas expressões empregadas com o sentido conotativo, dizendo o que elas quiseram dizer: 

09) Justifique o emprego do itálico em duas palavras do texto:

10) Explique o uso das aspas em "sexo casual":

11) Copie do texto uma antítese, explicando-a:

12) Quando a pessoa conseguirá ter finalmente paz?

13) Posicione-se sobre a passagem em negrito, presente no texto, argumentando seu ponto de vista:

14) O grau diminutivo utilizado na palavra "mulherzinha", inúmeras vezes repetida no texto, denota afeitividade, ironia ou tamanho? Justifique sua resposta:

15) Que mensagem o texto transmitiu?

16) Que crítica o texto traz? Comente:

17) Localize no texto:

a) dois substantivos próprios:
b) um numeral ordinal:
c) um pronome de tratamento:
d) um pronome pessoal do caso reto:
e) um advérbio de modo:
f) dois adjetivos:
g) um pronome demonstrativo:
h) um advérbio de intensidade:
i) uma preposição:
j) um substantivo composto:
k) um pronome possessivo:
l) um verbo no gerúndio:
m) um verbo no modo imperativo:

Atividade sobre as músicas "Carolina", de Chico Buarque de Holanda e Seu Jorge


Carolina

Carolina,
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor:
A dor de todo esse mundo.
Eulhe expliquei que não vai dar.
Seu pranto não vai nada ajudar.
Eu já convidei para dançar.
É hora, sei, de aproveitar.
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu;
Todo mundo sambou;
Uma estrela caiu.
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela: ai, que lindo! 
Mas Carolina não viu.

Carolina,
Com seus olhos tristes
Guarda tanto amor:
O amor que já não existe.
Eu bem que avisei: vai acabar
De tudo lhe dei pra aceitar.
Mil versos cantei pra lhe agradar.
Agora não sei como explicar.
Lá fora, amor,
Uma rosa morreu;
Uma festa acabou;
Nosso barco partiu.
Eu bem que mostrei a ela.
O tempo passou na janela
És ó Carolina não viu! 

(Chico Buarque de Holanda)

01) Justifique o título da canção:

02) Copie do texto um vocativo, justificando:

03) Transcreva uma hipérbole, explicando seu raciocínio:

04) Copie da canção uma expressão carregada de emoção:

05) Que conselhos o eu lírico deu à Carolina? O que você pensa sobre isso?

06) Que mensagem a música lhe transmitiu? 

07) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada na canção:


Carolina

Carolina é uma menina bem difícil de esquecer Andar bonito e um brilho no olhar Tem um jeito adolescente que me faz enlouquecer E um molejo que não vou te enganar Maravilha feminina, meu docinho de pavê Inteligente, ela é muito sensual Te confesso que estou apaixonado por você Ô Carolina, isso é muito natural Ô Carolina, eu preciso de você Ô Carolina, eu não vou suportar não te ver Carolina, eu preciso te falar Ô Carolina, eu vou amar você! De segunda a segunda eu fico louco pra te ver Quanto eu te ligo você quase nunca está Isso era outra coisa que eu queria te dizer Não temos tempo então melhor deixar pra lá A princípio no domingo o que você quer fazer Faça um pedido que eu irei realizar Olha aí, amigo, eu digo que ela só me dá prazer Essa mina Carolina é de abalar, ô... Ô Carolina, eu preciso de você Ô Carolina, não vou suportar não te ver Carolina, eu preciso te falar Ô Carolina, eu vou amar você Carolina, Carolina! Carolina, preciso te encontrar Carolina, me sinto muito só Carolina, preciso te dizer Ô Carolina, eu só quero amar você (2x) Carolina é uma menina bem difícil de esquecer Andar bonito e um brilho no olhar Tem um jeito adolescente que me faz enlouquecer E um molejo que não vou te enganar Maravilha feminina, meu docinho de pavê Inteligente, ela é muito sensual Te confesso que estou apaixonado por você Ô Carolina eu preciso de você Ô Carolina não vou suportar não te ver Carolina eu preciso te falar Ô Carolina eu vou amar você Eu vou amar você, Pois eu vou te dar muito carinho; Vou te dar beijinho no cangote. Ôi Carolina, Menina bela, menina bela Carolina, preciso te encontrar Carolina, me sinto muito só Carolina, preciso te dizer Ô Carolina eu só quero amar você (3x) Carolina, Carolina. Carol, Carol, Carol, ...

(Seu Jorge)

08) Circule na música acima os vocativos, explicando sua importância para a canção: 

09) Retire da canção acima todos os adjetivos que caracterizam Carolina:

10) Localize na letra de música:

a) um substantivo próprio:
b) um pronome pessoal do caso oblíquo:
c) um pronome de tratamento:
d) um advérbio de intensidade:
e) um pronome pessoal do caso reto:

11) O que as duas músicas têm em comum? Explique:

12) De qual das duas você gostou mais? Por quê? 

sábado, 24 de agosto de 2019

Atividade sobre o texto "Degraus da ilusão", da Lya Luft


Degraus da ilusão

Fala-se muito na ascensão das classes menos favorecidas, formando uma “nova classe média”, realizada por degraus que levam a outro patamar social e econômico (cultural, não ouço falar). Em teoria, seria um grande passo para reduzir a catastrófica desigualdade que aqui reina.
Porém, receio que, do modo como está se realizando, seja uma ilusão que pode acabar em sérios problemas para quem mereceria coisa melhor. Todos desejam uma vida digna para os despossuídos, boa escolaridade para os iletrados, serviços públicos ótimos para a população inteira, isto é, educação, saúde, transporte, energia elétrica, segurança, água, e tudo de que precisam cidadãos decentes.
Porém, o que vejo são multidões consumindo, estimuladas a consumir como se isso constituísse um bem em si e promovesse real crescimento do país. Compramos com os juros mais altos do mundo, pagamos os impostos mais altos do mundo e temos os serviços (saúde, comunicação, energia, transportes e outros) entre os piores do mundo. Mas palavras de ordem nos impelem a comprar, autoridades nos pedem para consumir, somos convocados a adquirir o supérfluo, até o danoso, como botar mais carros em nossas ruas atravancadas ou em nossas péssimas estradas.
Além disso, a inadimplência cresce de maneira preocupante, levando famílias que compraram seu carrinho a não ter como pagar a gasolina para tirar seu novo tesouro do pátio no fim de semana. Tesouro esse que logo vão perder, pois há meses não conseguem pagar as prestações, que ainda se estendem por anos.
Estamos enforcados em dívidas impagáveis, mas nos convidam a gastar ainda mais, de maneira impiedosa, até cruel. Em lugar de instruírem, esclarecerem, formarem uma opinião sensata e positiva, tomam novas medidas para que esse consumo insensato continue crescendo – e, como somos alienados e pouco informados, tocamos a comprar.
Sou de uma classe média em que a gente crescia com quatro ensinamentos básicos: ter seu diploma, ter sua casinha, ter sua poupança e trabalhar firme para manter e, quem sabe, expandir isso. Para garantir uma velhice independente de ajuda de filhos ou de estranhos; para deixar aos filhos algo com que pudessem começar a própria vida com dignidade.
Tais ensinamentos parecem abolidos, ultrapassadas a prudência e a cautela, pouco estimulados o desejo de crescimento firme e a construção de uma vida mais segura. Pois tudo é uma construção: a vida pessoal, a profissão, os ganhos, as relações de amor e amizade, a família, a velhice (naturalmente tudo isso sujeito a fatalidades como doença e outras, que ninguém controla). Mas, mesmo em tempos de fatalidade, ter um pouco de economia, ter uma casinha, ter um diploma, ter objetivos certamente ajuda a enfrentar seja o que for. Podemos ser derrotados, mas não estaremos jogados na cova dos leões do destino, totalmente desarmados.
Somos uma sociedade alçada na maré do consumo compulsivo, interessada em “aproveitar a vida”, seja o que isso for, e em adquirir mais e mais coisas, mesmo que inúteis, quando deveríamos estar cuidando, com muito afinco e seriedade, de melhores escolas e universidades, tecnologia mais avançada, transportes muito mais eficientes, saúde excelente, e verdadeiro crescimento do país. Mas corremos atrás de tanta conversa vã, não protegidos, mas embaixo de peneiras com grandes furos, que só um cego ou um grande tolo não vê.  
A mais forte raiz de tantos dos nossos males é a falta de informação e orientação, isto é, de educação. E o melhor remédio é investir fortemente, abundantemente, decididamente, em educação: impossível repetir isso em demasia. Mas não vejo isso como nossa prioridade.
Fosse o contrário, estaríamos atentos aos nossos gastos e aquisições, mais interessados num crescimento real e sensato do que em itens desnecessários em tempos de crise. Isso não é subir de classe social: é saracotear diante de uma perigosa ladeira. Não tenho ilusão de que algo mude, mas deixo aqui meu quase solitário (e antiquado) protesto.

(Lya Luft - Revista Veja, 05 junho de  2012)



01) Justifique o título do texto em questão:

02) Quais os quatro ensinamentos básicos da chamada classe média? 

03) Que crítica a autora faz mais duramente no texto? Você concorda com ela? 

04) De todos os problemas citados pela autora, qual é o mais grave? Como solucioná-lo? 

05) Para evitar repetições de conectivos, substitua o que se encontra em negrito no texto por outro de igual valor semântico: 

06) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

07) De 2012, quando foi escrito o texto, para cá, o que mudou? Explique seu ponto de vista: 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Atividade sobre o texto "Eu não vivo sem você", de Alan Lima

"Eu não vivo sem você". É uma declaração suicida, não de amor.

Dói perder quem a gente ama, eu sei e qualquer criança sabe. Mesmo que ninguém nos informe, sabemos do sofrimento que o desamor causa. Que desgraça foi quando minha primeira namorada iria embora da cidade, morar bem longe! Eu fiquei mal de não querer comer! Não vamos ridicularizar o sentimento de quem sente a falta de alguém. Isso é luto e luto é uma readaptação brusca do ambiente. Repito: dói e dói demais. Porém, nobres poetas doentes de romantismo, essa vida segue sim. 

Quando alguém diz "eu não vivo sem você", soa mais pra mim como uma declaração suicida do que de amor. É um recadinho romântico que diz: "Olha, fique aqui comigo ou eu vou morrer e você será a culpada!" Quantos relacionamentos estão por aí sustentados por esse tipo de ameaça poética? 

Responsabilizar o outro pela sua sobrevivência na Terra não deve ser visto como parte de um amor incondicional. Aliás, quer condição mais nítida para um amor acontecer. "Eu não vivo sem você" também quer dizer que "se você me deixar, eu vou morrer e o amor que eu digo sentir por ti, vai morrer junto comigo". Morrer "por amor" nesse contexto é só uma forma doentia de deixar de amar.

Eu viverei sem as pessoas que eu amo hoje, caso elas precisem partir. Ficarei triste, muito triste, mas minha tristeza não irá guiar minha vida pra sempre. Quem eu amo, amo por não ser meu, por não estar debaixo do meu controle. E a melhor declaração que eu acho possível fazer é "Eu te amo tanto que se você partisse, eu iria me cuidar pra continuar vivo em mim o meu amor por ti". É algo mais saudável, não? Desnecessário justificar sua vontade de morrer usando a partida das pessoas que você ama. Cuidar de si mesmo é a melhor maneira de agradecer a alguém que te fez bem. 

Nessas horas em que sentir vontade de morrer, caso a coisa amada vá embora, escreva suas frases insanas... pode dar boas poesias melancólicas, mas, pela sua saúde, procure um psicólogo. De tempos em tempos, fantasias do tipo podem atravessar suas ideias e minar bons momentos tanto de escovação e limpeza quanto os dentes. 

Claro que uma pessoa pode dizer essa frase sem a intenção ou real vontade de expressar a dependência aqui apontada! Mas se acontecer de alguém lhe dizer com sinceridade e vigor, "sem você eu não sei viver", abrace a pessoa, dê um beijinho na testa e diga com muito carinho: -- Sabe sim, tá? 
(Alan Lima)

01) Justifique o título do texto, dizendo se você, afinal, concorda ou não com a opinião nele contida:

02) Qual a intenção do autor ao dizer, logo no começo do texto, que "qualquer criança sabe"? 

03) Circule no texto um vocativo, explicando seu raciocínio:

04) Você concorda com a definição dada para o LUTO? Justifique sua resposta: 

05) Posicione-se sobre a passagem que se encontra em negrito no texto, explicando seu ponto de vista: 

06) Localize no texto:

a) um numeral ordinal:
b) um advérbio de afirmação:
c) um advérbio de intensidade:
d) um advérbio de lugar:
e) dois adjetivos:
f) três substantivos comuns: 
g) um substantivo próprio:
h) um advérbio de negação:

07) Que mensagem o texto transmitiu? Comente: 

08) Que conselho o autor dá às pessoas? O que você pensa a respeito disso? 

09) Justifique o emprego de uma das passagens entre aspas: 

10) Explique a função das reticências utilizadas no texto: