quarta-feira, 31 de julho de 2019

Atividade de volta às aulas - Motivacional - A jornada do herói

Vídeo 01


01) Quem mais marcou a sua vida em termos de herói ou heroína? Justifique sua resposta:

02) Justifique o título dado ao vídeo: 

03) Segundo ele, quantas são as fases da jornada do herói e quais são elas? 

04) Faça um rápido resumo sobre cada uma delas: 

05) Em que fase o herói verdadeiramente surge?

06) Qual a importância de se sair da "zona de conforto"? Você faz isso com facilidade?

07) Quais seriam os seus aliados? E o seu "elixir"? Em que fases eles aparecem? 

08) Que mensagem se pode extrair do vídeo? 

Vídeo 02



09) O que acontece em cada uma das doze horas na jornada do herói? Em qual delas você está? Justifique sua resposta: 

10) Qual a hora mais obscura do herói? Justiifique sua resposta:

11) De que fase do herói você acha que está neste exato momento? Por quê?

12) O que os dois vídeos têm em comum? Comente:

13) De qual dos dois vídeos você mais gostou? Por quê?

14) Por que você também é um herói (ou heroína)?

15) Quem poderia ajudar você em sua jornada? Justifique sua resposta:

16) Posicione-se "Na caverna que você tem medo de entrar está o tesouro que você tanto busca", justificando bem a sua resposta: 

17) Que mensagem, de forma geral, os vídeos lhe transmitiram? O que você aprendeu com eles?

Atividade sobre o filme "O menino que descobriu o vento" (1 h 53 min)


Sinopse: Sempre esforçando-se para adquirir conhecimentos cada vez mais diversificados, o jovem William Kamkuamba, de apenas 13 anos, de Malawi, na África, se cansa de assistir a sua família e todos os colegas de seu vilarejo passando por dificuldades. Uma forte seca toma conta da sua região e, com isso, nenhuma plantação consegue se desenvolver. Para ele, ir para a escola é a grande oportunidade de mudar de vida e ajudar os seus pais, porém, como a família não consegue vender a plantação, faltam recursos para pagar a mensalidade. É aí que ele decide aprender sozinho e começa a desenvolver uma inovadora turbina de vento e de bombeamento de água que transforma a vida dos moradores de sua aldeia. 

01) De que forma o filme comprova que o sistema educacional muitas vezes é muito injusto?

02) Qual foi a atitude do menino quando ele não poderia mais ir à escola? O que isso revela?

03) Qual era a única forma de o protagonista do filme mudar a sua vida? O que você pensa a respeito disso? Comente: 

04) Quando e como o homem passou a utilizar a energia oriunda dos ventos (energia eólica)?

05) Quais os países do mundo que mais têm investido nesta fonte de energia? E o Brasil, como se destaca neste cenário?

06) Utilize cinco adjetivos para caracterizar o protagonista do filme:

07) De que parte do filme você mais gostou? Por quê?

08) Que problemas sociais são mais denunciados no filme? 

09) Que mensagem o filme lhe transmitiu? Comente:

10) O que você mudaria no filme? Justifique sua resposta:

(Participação especial da colega artemanhosa Nadiolan Ribeiro)

Atividade sobre o conto "As formigas", de Luiz Vilela


As formigas

Foi a coisa mais bacana a primeira vez que as formigas conversaram com ele. Foi a que escapuliu da procissão que conversou: ele estava olhando para ver aonde que ela ia, e aí ela falou para ele não contar pro padre que ela tinha escapulido – o padre ele já tinha visto que era o formigão da frente, o maior de todos, andando posudo.
Isso aconteceu numa manhã de muita chuva em que ele ficara no quentinho das cobertas, com preguiça de se levantar, virado para o outro canto, observando as formigas descendo em fila na parede. Tinha um rachado ali perto por causa da chuva, era de lá que elas saíam, a casa delas.
Toda manhã aquela chuva sem parar, pingando na lata velha lá fora no jardim, barulhinho gostoso que ele ficava ouvindo, enrolado no cobertor, olhando as formigas e conversando com elas, o quarto meio escuro, tudo escuro de chuva.
A conversa ficava interessante quando ele lembrava de perguntar uma porção de coisas, e elas também perguntavam pra ele. (Conversavam baixinho, para os outros não escutarem). Mas às vezes não lembrava nada para conversarem, e ficava chato, ele acabava dormindo – formiga tinha hora que era feito gente mesmo.
O bom é que ninguém precisava gritar, nem também mentir, como as pessoas estavam sempre fazendo. E também poder ficar olhando assim, sem falar nada, só olhando, sem precisar falar. Gente, se tinha outra perto, logo uma tinha que falar, ninguém agüentava ficar calado: vaca amarela, pulou a janela, cagou na tigela, mexeu, mexeu, quem falar primeiro, come a bosta dela: logo uma falava ou ficava fazendo hum hum e ria – ninguém agüentava. Ficar assim olhando, tão bom que nem sabia direito se estava acordado mesmo ou sonhando, as formigas uma atrás da outra, descendo, a fila certinha.
Uma tarde entrou no quarto e viu a mancha de cimento novo na parede, brutal, incompreensível.
-- Pra quê que o senhor fez isso? Pra quê que o senhor fez assim com minhas formigas?
O pai não entendia, e o menino chorando, chorando. Então o pai deu no espalho. Mas a mãe pediu para ele ter paciência: nesse tempo de chuva as crianças ficam muito excitadas porque não podem sair à rua e não têm onde brincar.
De manhã o menino acordava e olhava para a mancha de cimento na parede. Ficava olhando, até que sentia um bolo na garganta, e cobria a cabeça com o cobertor.
 (Luiz Vilela)

 01) Que tipo de narrador aparece no texto lido? Justifique sua resposta com uma passagem do texto:

02) Copie do texto palavras que só são usadas coloquialmente:

03) A palavra ISSO aparece duas vezes no texto. Encontre tais momentos e diga a que fatos tal palavra se refere:

04) Quando o menino diz “minhas formigas”, há uma relação entre o eu que fala e as formigas. Que relação é essa?

05) Que críticas o menino faz ao mundo “das pessoas”?

06) Que procedimento “de pessoa”, no texto, justifica essas críticas?

07) Que aspecto da relação humana, em especial nesse conto, é caracterizado nos três últimos parágrafos?

08) Justifique o título dado ao texto e aproveite para sugerir um outro:

09) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

10) Qual foi o conflito ocorrido no conto?

11) Comente o desfecho desse conto, aproveitando para criar um outro: 

12) A reação da mãe do menino é diferente da reação do pai. Como você interpreta essa diferença?

13) Que palavras do texto mostram que o menino considerou o conserto da rachadura na parede um ato de violência? 

Atividade com o CADERNO DE PERGUNTAS - O retorno

A proposta feita na postagem AQUI foi muito bem aceita por todas as minhas turmas! TODOS responderam ao CADERNO DE PERGUNTAS e levaram super a sério! Ameeeeeei o resultado! Compartilho hoje uma pequena amostragem da turma 3007, com a participação de 34 alunos e eu fui o número 35, finalizando a atividade. Fiquei, inclusive, pensando se deveria ser a primeira a responder, para meio que dar o exemplo, porém, logo abdiquei dessa ideia por receio de os alunos acharem que, por eu ser mais experiente, poderia estar mais certa do que eles em alguns pensamentos! 

Pedi ajuda ao aluno-representante para fazer uma listagem, como controle, de quantos dias cada um poderia ficar com o caderno. Usamos um bimestre todo para que todos eles respondessem! Dei até 2,0 pontos nessa atividade, como extra, dependendo do desenvolvimento de cada pessoa! Lembrei-os de que leria TUDO, avaliando capricho, seriedade, senso de coletividade, respostas completas... O mais legal foi que todos eles curtiram muito  responder e também ficaram curiosos, querendo ler a resposta de cada colega! Foi uma ótima experiência, que pretendo repetir nos próximos anos! Ri de alguns relatos, chorei com outros, me emocionei com algumas coisas, enfim, foi um momento de maior proximidade entre cada um! Fantástico! 




 



Atividade sobre o texto "De quem são os meninos de rua"?, da Marina Colasanti


De quem são os meninos de rua?

Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.
Talvez não fosse um Menino De Família, mas também não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua. Menino De Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão.
Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que as coisas se passam muito naturalmente, uns nascendo De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e não uma família, não um pai e uma mãe, ou mesmo apenas uma mãe os tivesse gerado, sendo eles filhos diretos dos paralelepípedos e das calçadas, diferentes, portanto, das outras crianças, e excluídos das preocupações que temos com elas. É por isso, talvez, que, se vemos uma criança bem-vestida chorando sozinha num shopping center ou num supermercado, logo nos acercamos protetores, perguntando se está perdida, ou precisando de alguma coisa.
Mas se vemos uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma caixa de chicletes na mão, engrenamos a primeira no carro e nos afastamos pensando vagamente no seu abandono.
Na verdade, não existem meninos De Rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua. E por quê.
No Brasil temos 36 milhões de crianças carentes. Na China existem 35 milhões de crianças superprotegidas. São filhos únicos resultantes da campanha Cada Casal um Filho, criada pelo governo em 1979 para evitar o crescimento populacional. O filho único, por receber afeto "em demasia", torna-se egoísta, preguiçoso, dependente, e seu rendimento é inferior ao de uma criança com irmãos. Para contornar o problema, já existem na China 30 mil escolas especiais. Mas os educadores admitem que "ainda não foram desenvolvidos métodos eficazes para eliminar as deficiências dos filhos únicos".
O Brasil está mais adiantado. Nossos educadores sabem perfeitamente o que seria necessário para eliminar as deficiências das crianças carentes. Mas aqui também os "métodos ainda não foram desenvolvidos".
Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a história de João e Maria, dois irmãos filhos de pobres lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em que, não havendo mais comida nenhuma, foram levados pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os 7 milhões de crianças brasileiras abandonadas conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem talvez nem vissem a semelhança. Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e sapatos. João e Maria tinham começado a vida como Meninos De Família, e pelas mãos do pai foram levados ao abandono.
Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando dizemos "crianças abandonadas" subentendemos que foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência, enquanto tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles que "nos pertencem".
Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos pais, ou duas ou dez crianças possam ser abandonadas pela família, 7 milhões de crianças só podem ser abandonadas pela coletividade. Até recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo, e responsabilizá-lo. Mas, em tempos de Nova República*, quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas passar adiante a responsabilidade. A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram deixadas.
(Marina Colasanti)

01) O que fez a autora se sentir constrangida e repensar o seu gesto?

02) Na sua opinião, por que a autora destacou em letra maiúscula as expressões Menino De Família e Menino De Rua?

03) Em que passagens do texto se pode comprovar que a narradora se inclui entre as pessoas cujo comportamento ela discrimina?

04) O que mais surpreende a narradora quanto a essa divisão de classes entre os meninos?

05) Qual a sua opinião sobre a pergunta feita pela autora já no título do texto?

06) Explique a diferença no uso das preposições em “Menino DE Rua” e “Meninos NA Rua”:

07) Qual é a intenção da narradora no último período do texto?

08) Relacione esse texto da Marina com o texto “Meu guri”, de Chico Buarque. Pesquise sobre ele!

09) Que mensagem podemos extrair do texto em questão? Comente:

10) Associe a charge abaixo ao texto lido:



11) A que gênero textual pertence o texto? Qual o seu objetivo principal?

12) De acordo com o texto, de quem seria a culpa por existirem tantas crianças abandonadas no Brasil?

13) Indique uma possível solução para esse problema brasileiro: 

terça-feira, 30 de julho de 2019

Atividade sobre cartum do Quino - Polícia, humorista e repressão


01) O cartum acima retrata um diálogo entre um desenhista e um policial. Das instituições sociais (Igreja. Estado ou Governo, Família, etc.) qual delas o policial representa?

02) Nos países democráticos, as pessoas têm o direito de expressar livremente suas ideias, seja por meio da fala ou da escrita, seja por meio da arte. Nas ditaduras, entretanto, o Estado proíbe a liberdade de expressão e instaura a censura.

a)    Conclua: O desenhista e o policial vivem num país democrático ou numa ditadura? Por quê? 
b) O departamento de polícia a que pertence o policial comprova ou nega sua resposta anterior? Justifique sua resposta:

03) O policial não vê graça nos trabalhos do humorista.

a) Que temas o humorista explora? O que você pensa a respeito disso? 
b) Pelos comentários do policial, como provavelmente ele acha que deve ser o trabalho humorístico? 

04) Nos quadrinhos que o desenhista mostra, vemos Mafalda, personagem de Quino. Isso nos faz crer que a personagem desenhista do cartum seja o próprio Quino. Nas tiras mostradas pelo desenhista ao policial, as personagens são crianças, o que cria a expectativa de que os temas abordados serão leves, e não sociais. Essa expectativa se confirma? Justifique sua resposta: 

05) O humorista brasileiro Ziraldo afirma:

"O humor, numa concepção mais exigente, não é apenas a arte de fazer rir. Isso é comicidade, ou qualquer outro nome que se escolha. Na verdade, humor é uma análise crítica do homem e da vida."
Relacione as duas visões de humor expressas no cartum (a do policial e a do desenhista) à afirmação de Ziraldo.

a)    Qual delas se identifica com comicidade? Justifique:
b)    E qual se identifica com humor? Justifique:

06) Veja o que afirma o humorista Zélio a respeito do cartum:

"Um cartunista jamais poderá ser a favor do governo. Não pode haver cartum a favor. É uma condição, porque a razão pela qual existe o cartum é a força da sátira, e o poder nunca, jamais ou quase nunca, que eu me lembre, esteve a favor do povo."

Observe as cenas finais do cartum. Que semelhança você vê entre elas e o comentário de Zélio? 

07) Milton Nascimento, em uma de suas canções, proclama: “Todo artista tem de ir aonde o povo está”. E o humorista Zélio afirma: “O humorista, o artista, o grafista é um homem como outro qualquer, que sofre as consequências da sociedade e que analisa o que observa”. Levando em conta esses comentários, explique a relação existente entre os artistas do humor e o povo: 

08) Crie UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema “Nenhuma forma de governo tem humor”, lembrando que você pode concordar ou discordar disso: 

Atividade sobre Anúncio - "Pegadas no Pantanal"



01) De quem são essas pegadas?

02) Qual a finalidade desse anúncio?

03) Qual o público-alvo de tal propaganda?

04) Que mensagem o anúncio lhe transmitiu?

05) Mesmo sendo uma propaganda super antiga (de 1990), ela continua atual? Por quê?

06) Qual é o sujeito da oração presente no anúncio? Classifique-o, justificando sua resposta:

07) Copie da frase um substantivo comum e um próprio, diferenciando um do outro:

08) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o problema  abordado no anúncio:

Atividade sobre a crônica "A regreção da redassão", de Carlos Eduardo Novaes

A regreção da redassão

Semana passada recebi um telefonema de uma senhora que me deixou surpreso. Pedia encarecidamente que ensinasse seu filho a escrever.
-- Mas, minha senhora - desculpei-me -, eu não sou professor.
-- Eu sei. Por isso mesmo. Os professores não têm conseguido muito.
-- A culpa não é deles. A falha é do ensino.
-- Pode ser, mas gostaria que o senhor ensinasse o menino. O senhor escreve muito bem.
-- Obrigado - agradeci -, mas não acredite muito nisso. Não coloco vírgulas e nunca sei onde botar os acentos. A senhora precisa ver o trabalho que dou ao revisor.
-- Não faz mal - insistiu -, o senhor vem e traz um revisor.
-- Não dá, minha senhora - tornei a me desculpar -, eu não tenho o menor jeito com crianças.
-- E quem falou em crianças? Meu filho tem 17 anos.
Comentei o fato com um professor, meu amigo, que me respondeu: "Você não deve se assustar, o estudante brasileiro não sabe escrever". No dia seguinte, ouvi de outro educador: "O estudante brasileiro não sabe escrever". Depois li no jornal as declarações de um diretor da faculdade: "O estudante brasileiro escreve muito mal". Impressionado, saí a procura de outros educadores. Todos me disseram: acredite, o estudante brasileiro não sabe escrever. Passei a observar e notei que já não se escreve mais como antigamente. Ninguém mais faz diário, ninguém escreve em portas de banheiros, em muros, em paredes. Não tenho visto nem aquelas inscrições, geralmente acompanhadas de um coração, feitas em casca de árvore. Bem, é verdade que não tenho visto nem árvore.
-- Quer dizer - disse a um amigo enquanto íamos pela rua - que o estudante brasileiro não sabe escrever? Isto é ótimo para mim. Pelo menos diminui a concorrência e me garante emprego por mais dez anos.
-- Engano seu - disse ele. -- A continuar assim, dentro de cinco anos você terá que mudar de profissão.
-- Por quê? - espantei-me. - Quanto menos gente sabendo escrever, mais chance eu tenho de sobreviver.
-- E você sabe por que essa geração não sabe escrever?
-- Sei lá - dei com os ombros -, vai ver que é porque não pega direito no lápis.
-- Não, senhor. Não sabe escrever porque está perdendo o hábito da leitura. E quando o perder completamente, você vai escrever para quem?
Taí um dado novo que eu não havia considerado. Imediatamente pensei quais as utilidades que teria um jornal no futuro: embrulhar carne? Então vou trabalhar num açougue. Serviria para fazer barquinhos, para fazer fogueira nas arquibancadas do Maracanã, para forrar sapato furado ou para quebrar um galho em banheiro de estrada? Imaginei-me com uns textos na mão, correndo pelas ruas para oferecer às pessoas, assim como quem oferece hoje bilhete de loteria:
-- Por favor, amigo, leia - disse, puxando um cidadão pelo paletó.
-- Não, obrigado. Não estou interessado. Nos últimos cinco anos a única coisa que leio é a bula de remédio.
-- E a senhorita não quer ler? - perguntei, acompanhando os passos de uma universitária. – A senhorita vai gostar. É um texto muito curioso.
          -- O senhor só tem escrito? Então não quero. Por que o senhor não grava o texto? Fica mais fácil ouvi-lo no meu gravador.
         -- E o senhor, não está interessado nuns textos?
         -- É sobre o quê? Ensina como ganhar dinheiro?
         -- E o senhor, vai? Leva três e paga um.
         -- Deixa eu ver o tamanho - pediu ele.
         Assustou-se com o tamanho do texto:
       -- O quê? Tudo isso? O senhor está pensando que sou vagabundo? Que tenho tempo para ler tudo isso? Não dá para resumir tudo em cinco linhas?
(Carlos Eduardo Novaes)


01) Justifique o título da crônica em questão, aproveitando para sugerir um outro:

02) Que conclusão você pode tirar, a partir do efeito provocado pelo seu título, a respeito do ato de escrever?

03) Retire dois argumentos que comprovem a sua conclusão:

04) Que fato deixou o cronista surpreso e motivou escrevê-lo o texto? 

05) Observe a primeira passagem em destaque no texto e opine sobre ela: a culpa é ou não dos professores? Justifique sua resposta: 

06) É verdade que, como diz no texto, "o estudante brasileiro não sabe escrever"? Comente: 

07) Transcreva do texto uma crítica do autor acerca de um outro assunto, além do principal: 

08) Copie do texto exemplos de oralidade: 

09) Circule no texto um vocativo, explicando seu raciocínio:

10) A passagem "meu amigo", destacada no texto, é um aposto ou um vocativo? Justifique sua resposta:

11) O que significa a expressão "dar de ombros", empregada no texto?

12) Modificando os elementos verbais, em destaque, de forma que não haja alteração de sentido, reestruture o período: “Quanto menos gente sabendo escrever, mais chance eu tenho de sobreviver.”

13) Você acha que o hábito da leitura realmente ajuda a escrever? Comente: 

14) Copie do texto o motivo dado para os estudantes não saberem escrever. Você concorda com o argumento? 

15) Considerando a resposta dada acima, o que poderia ser feito para reverter esse quadro? 

16) Transcreva do texto uma passagem carregada de humor e também de ironia: 

17) Que hábitos de antigamente, segundo o autor, ajudavam na escrita? Você já  teve algum?

18) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente: 

19) Localize no texto:

a) um advérbio de negação:
b) um advérbio de intensidade:
c) um pronome de tratamento:
d) um advérbio de modo:
e) um adjetivo pátrio:
f) um advérbio de tempo:
g) um numeral:
h) dois adjetivos:

20) Justifique o emprego dos três porquês presentes no texto, respectivamente:


(Participação especial da amiga Maria Aparecida de Carvalho)

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Atividade sobre a música "Pra ser sincero", da Marisa Monte



Pra Ser Sincero

Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo o que eu quis
Confesso a minha dor

E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal

E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu voe

E o que passou, calou
E o que virá, dirá
E só ao seu lado, seu telhado
Me faz feliz de novo

O tempo vai passar
E tudo vai entrar no jeito certo de nós dois

As coisas são assim
E se será, será
Pra ser sincero, meu remédio é te amar, te amar

Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo o que eu sinto longe de você

(Marisa Monte e Carlinhos Brown)

01) Justifique o título da canção:

02) De que se trata a música? Comprove com uma passagem do texto:

03) Circule no texto um vocativo: 

04) Existe alguma antítese na canção? Explique o seu raciocínio: 

05) Que mensagem a canção lhe transmitiu? Comente:

06) Explique as passagens destacadas na música, respectivamente: 

Atividade para a volta às aulas - "Torcida", de Liliana Barabino


Torcida

Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. Tinha gente que torcia para você ser menino. Outros torciam para você ser menina. Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para você ser perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então? 
E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel. Torcia o nariz para o quiabo e a escarola. Mas torcia por hambúrguer e refrigerante. Começou a torcer até para um time. Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você. 
Seus pais  torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana. 
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana. 
Nessas horas, você só torvia para não ter nascido. E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. Depois começou a torcer pela sua liberdade. Torcia para viajar com a turma,  ficar até tarde na rua. Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. 
Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as ideias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço. Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Torceu para ser médico, músico, advogado. Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol. Seus pais torciam para passar logo essa fase. 
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você. Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina. 
E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela. 
Primeiro torceu para ela não ter outro. Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. Descobriu que ela torcia igual a você. E de repente vocês estavam torcendo para bão acordar desse sonho. Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida. Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele. 
Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas. Mas muita gente ainda torce por você! Eu sou uma delas! 

"Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) do mundo, mas a poesia (inexplicável) da vida", já dizia Carlos Drummond de Andrade. 

(Liliana Barabino)

01) Dê um outro título ao texto:

02) Por quem e pelo que você torce? Enumere:

03) Copie do texto duas antíteses, explicando seu raciocínio:

04) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente:

05) Por que a autora provavelmente recorreu a uma citação de Drummond?

06) Há, no texto, significados diferentes para o verbo TORCER. Explique-os:

07) Localize no texto:

a) um numeral, classificando-o:
b) um pronome de tratamento:
c) um advérbio de negação:
d) um pronome demonstrativo:
e) um substantivo composto:
f) um advérbio de tempo:

Atividade sobre o artigo de opinião "Saudade pra quê?", de Sérgio Groisman

Saudade pra quê? 

Existem jovens que sentem nostalgia por não terem sido jovens em gerações passadas. Saudade do enfrentamento com os militares dos anos 70, da organização estudantil nas ruas, do sonho socialista-comunista-anarquista-marxista-lenista. Ter saudade da ditadura é ter saudade de conhecer a tortura, o medo, a falta de liberdade e a morte. Ser jovem naquela época era coexistir com a morte, ver os amigos serem tirados das salas de aula para o pau de arara, para o choque elétrico, para as humilhações. Da mesma forma, quem sente nostalgia dos anos 80 se esquece do dogmatismo limitante das tribos daqueles tempos, fossem punks, góticos ou metaleiros. Hoje, é a vez dos mauricinhos-patricinhas-cybermanos-junkies, das raves, do crack, da segurança dos shoppings e do Beira-Mar. Um cenário que pode parecer aborrecido ou irritante para muita gente que tem uma visão romântica de outras décadas. Mas nada melhor que a liberdade que temos hoje para saber qual é a real de uma junventude e de uma sociedade. Hoje, a juventude é mais tolerante com as diferenças. Hoje, existem ferramentas melhores para a pesquisa e a diversão. Hoje, a participação em ONGs é grande e isso mostra um país que trabalha, apesar do Estado burocrático. O país está melhor. Falta muito, mas o olhar está mais atento, e até o sexo está mais seguro. Não temos hinos mobilizadores, mas nem precisamos deles.
O jovem de hoje não precisa mais lutar pelo fim da tortura ou por eleições diretas, pois outras gerações já fizeram isso. Se o país necessitar, é verdade, lá estarão eles de cara limpa, pintada, o que for. Mas é bobagem achar, como pensam os nostálgicos, que tudo já foi feito. Há muito por realizar pelo país. Seria bom, por exemplo, se a juventude participasse de forma mais efetiva na luta pela educação e pela leitura. Sim, porque lemos pouco, muito pouco. Ler mais vai fazer a diferença. Transformar a chatice da obrigação de ler Machado de Assis no prazer absoluto de ler Machado de Assis. Repensar a escola também é fundamental. Dar ao aluno mais responsabilidade pelo próprio destino e a chance de se autoavaliar e avaliar seus professores. Reformular o sistema de avaliação e transformar a escola numa atividade de prazer: trazer para dentro dos colégios os temas da atualidade, além de transformar numa atividade doce o trinômio física-química-biologia.
Vivemos num país que mistura desdentados com marombados, famintos com bad boys, motins em prisões com raves na Amazônia, malabares nos cruzamentos com gatinhas tatuadas, crianças com 15 anos na Febem e outras 15 na Disney. É Macunaíma dando passagem aos tropicalistas, numa maçaroca que é o samba-enredo chamado Brasil. E um país com muitas diferenças -- e acabar com elas é papel dos jovens. A juventude deve, acima de tudo, saber desconfiar das verdades absolutas. Desconfiar sempre é ser curioso, pesquisador, renovador, transgressor. Seja intransigente na transgressão. Sempre diga não ao não -- e desafine o coro dos contentes
(Sérgio Groisman)

01) Justifique o título utilizado no texto acima:

02) Qual é a tese, o ponto de vista defendido pelo autor?

03) Qual é o público-alvo desse texto?

04) A que estrutura obedece o texto? Explique a função de cada parte para o seu êxito: 

05) Informe o assunto abordado no texto, explicitando o ponto de vista defendido pelo autor: 

06) Trata-se de um editorial ou de um artigo de opinião? Por quê? 

07) Segundo o texto, o jovem da atualidade deve lutar em prol de quê? Exemplifique:

08) No último parágrafo, o autor insere em seu texto algumas comparações. Com que intenção ele as apresenta? 

09) Posicione-se sobre as duas passagens que se encontram em negrito no texto, respectivamente:

10) Por que algumas palavras se encontram em itálico? 

11) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente: 

domingo, 28 de julho de 2019

Atividade sobre o poema "Ficção científica", de José Paulo Paes

Já faz um bom tempo que não trabalho com o Ensino Fundamental, já que tal segmento não existe mais nas escolas em que eu trabalho, ambas do Estado, e confesso que sinto falta! Adorava dar aula para essa faixa etária, ainda mais para sétimo, oitavo e nono anos! Então, a partir de hoje, também compartilharei aqui algumas atividades mais voltadas para essas séries e de repente até algo para o Ensino Fundamental I, já que meu filho está no quarto ano e vejo como são escassas as atividades legais que contemplem tal série! Espero que gostem! Até mais! 

Ficção científica

Depois de uma viagem
pelo espaço sideral,
o astronauta chegou
ao seu destino final:

Um planeta diferente
cujo em-cima estava em-baixo
e o atrás ficava na frente.

Um planeta tão estranho
que a sujeira era limpa
e a água tomava banho.

Um planeta mesmo louco 
onde o muito era nada
e o tudo muito pouco.

Um planeta dos mais raros: 
o seu ouro era de graça,
o lixo custava caro.

O astronauta não gostou
e foi-se embora. Quando
pensou estar muito longe,
viu-se outra vez chegando

num planeta onde, aliás, 
o em-baixo ficava em-cima
e a frente estava por trás...

(José Paulo Paes)

01) Justifique o título dado ao poema acima, aproveitando para sugerir um outro:

02) Quantas estrofes ele possui? Quantos versos? 

03) Transcreva três exemplos de rima presentes na poesia:

04) Nas estrofes iniciadas por "Um planeta...", o substantivo em destaque aparece modificado por diferentes adjetivos. Quais são eles?

05) Esses adjetivos atribuídos ao planeta se justificam? Por quê?

06) Na caracterização do planeta aparecem vários antônimos, ou seja, palavras que têm significação oposta. Cite três pares utilizados no texto:

07) Após seguir viagem novamente, o astronauta chegou a outro planeta. Esse outro planeta é igual ou diferente do primeiro planeta visitado? Explique sua resposta:

08) No primeiro planeta visitado pelo astronauta, o "ouro era de graça, o lixo custava caro". Se o Brasil se tornasse igual a esse planeta, quem ficaria pobre e quem ficaria rico? 

09) Você gostaria de viver num planeta como o visitado pelo astronauta? Por quê?

10) As palavras em negrito no texto estão corretas em termos de grafia? Justifique sua resposta:  

11) No poema, temos apenas um astronauta viajando solitariamente pelo espaço. Reescreva todo o poema com uma alteração: agora serão três astronautas viajando na mesma nave! 

12) Que mensagem o poema transmite? Comente: 

13) Preste atenção na expressão do rosto de cada personagem da HQ abaixo, nos gestos de cada um, nos objetos que formam o cenário e crie uma história, com coesão e coerência, dando uma fala para cada um deles! Capriche! 


Atividade sobre a música "Solar", de Milton Nascimento


Solar

Venho do sol
A vida inteira no sol
Sou filho da terra do sol
Hoje escuro
O meu futuro é luz e calor

De um novo mundo eu sou
E o mundo novo será mais claro
Mas é no velho que eu procuro
O jeito mais sábio de usar
A força que o sol me

Canto o que eu quero viver
É o sol
Somos crianças ao sol
A aprender a viver e sonhar
E o sonho é belo
Pois tudo ainda faremos
Nada está no lugar
Tudo está por pensar
Tudo está por criar

Saí de casa para ver outro mundo, conheci
Fiz mil amigos na cidade de lá
Amigo é o melhor lugar
Mas me lembrei do nosso inverno azul

Eu quero é viver o sol
É triste ter pouco sol
É triste não ter o azul todo dia
A nos alegrar
Nossa energia solar
Irá nos iluminar
O caminho.

(Milton Nascimento e Fernando Brandt)


01) Justifique o título empregado na canção, aproveitando para sugerir um outro: 

02) A ideia de claridade simbolizando algo positivo está presente em todo o texto. Transcreva as palavras que contêm essa ideia:

03) Há várias metáforas no texto. Copie dois exemplos e explique o que elas querem dizer:

04) Que figura de linguagem está presente em “Fiz mil amigos na cidade de lá”? Por quê?

05) Como você interpretaria a passagem “hoje escuro”?

06) De acordo com o texto, qual é a relação entre o “novo mundo”  o “velho mundo”?

07) Você concorda com a ideia de que observar a experiência dos mais velhos pode ser útil para as gerações mais novas? Por quê?

08) Qual é o tema do poema? Justifique sua resposta: 

09) Observe os dois versos em negrito na música e responda se a inversão das palavras "mundo" e "novo" indicam alguma mudança em suas classificações e em seus sentidos: 

10) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

11) Que mensagem a canção transmite? 

12) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra sublinhada no texto: 

Atividade sobre o artigo de opinião "Onde está o meu emprego?", de Roberto Shinyashiki

Onde está o meu emprego?

Os empregos estão mudando de característica. A mão-de-obra foi substituída pelo computador, a força, pela criatividade, e o medo começa a ser trocado pela motivação. O trabalho em equipe minou o individualismo, ou pelo menos está quase chegando lá. O setor de serviços tem crescido exponencialmente, e novas competências são exigidas pelas empresas. Resumindo: os empregos não estão onde sempre estiveram, e o mais dramático é que a maioria das pessoas disponíveis no mercado está desatualizada, vive correndo atrás de empregos que não existem mais.

A tecnologia que chegou para facilitar nossa vida criou uma nova "encrenca" em nossa carreira. As planilhas de custos substituíram muitas pessoas nas empresas de contabilidade, o sintetizador eletrônico substituiu muitos músicos nas gravações. Lembra aquela orquestra com dezenas de músicos? Hoje, só há um tecladista com um computador. Os caixas eletrônicos, por exemplo, estão demitindo muitos bancários. Essa é uma realidade à qual não há retorno. Precisamos nos acostumar a essas mudanças e não ficar lamentando o "leite derramado".
Quando falo em evolução tecnológica, não falo de algo necessariamente sofisticado, uma simples rede de pesca pode mudar a vida de uma vila de pescadores. Imagine a seguinte cena: uma vila onde os pescadores usam vara de pescar e conseguem, em média, 2 kg de peixe por dia. Cada um come 1 kg e vende o outro quilo por R$ 5. No fim do mês, cada um fatura algo como R$ 100, o que é mais do que suficiente para a sobrevivência da família. Tudo em perfeita harmonia.
Até que um dia, Renato, um dos pescadores, aparece com uma rede e consegue pescar 100 kg de peixe por dia. Ele come 1 kg e vende o restante por R$ 1 o quilo. Fatura R$ 99 por dia, uma pequena fortuna naquela vila.
Resultado: o equilíbrio em que a comunidade vivia foi para o espaço. Agora, os compradores não estão mais dispostos a adquirir o peixe dos outros pescadores por R$ 5. Adianta reclamar? Não, a rede do Renato matou os empregos dos pescadores que usavam vara de pescar, e outros trabalhos surgiram, então: vendedores de peixe em outras cidades, peixarias especializadas, franquias, restaurantes. Uma simples rede bagunçou a vida de muita gente. A mesma coisa acontece nas empresas.
Há muitas redes de pescar aparecendo todos os dias nos escritórios, nas fábricas, nas multinacionais. Uma revolução tecnológica, por mais simples que seja, traz sempre novas perspectivas e diferentes empregos.
Mais importante do que reclamar é fazer a si mesmo a pergunta: "O meu emprego ainda existe?". Ele só vai ter boa expectativa de vida se você souber se reciclar e estiver aberto às novidades. Não há outra saída: é assumir o controle da sua carreira e investir pesado na sua evolução profissional. Quem estaciona morre em águas turbulentas. Cresça dia-a-dia, espelhe-se em profissionais bem-sucedidos e desafie-se.
Fique de olho em alguns detalhes fundamentais:

1. Procure conhecer o mundo fora da sua empresa! Seus concorrentes vão lhe motivar a avançar.
2. Estude! Estude sempre.
3. Aprenda com as derrotas e comemore as suas vitórias.
4. Abra sua cabeça! Valorize teatro, cinema, música, literatura, a inspiração vem de sua riqueza interior e de experiências de vida.
5. Seja feliz, realize os seus sonhos, dê atenção à sua família, aos seus amigos, tenha atividades lúdicas e, principalmente, dê um tempo para você.


(Roberto Shinyashiki - "Folha de São Paulo")

01) Qual é o tema do texto?

02) Justifique o título do texto, dizendo se ele foi ou não bem empregado:

03) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

04) Trata-se de um artigo de opinião ou de um editorial? Por quê? 

05) Responda à pergunta feita no título do texto: 

06) Dê a sua opinião sobre a frase em negrito logo no começo do texto, justificando:

07) Explique as aspas utilizadas na palavra "encrenca" e na expressão "leite derramado", ambas situadas no segundo parágrafo:

08) O autor recorre a uma exemplificação para expor a sua ideia. Qual foi ela? Ela foi bem empregada? Por quê? 

09) De qual dica, "conselho",  você mais gostou? Justifique a sua resposta: 

10) Observe a passagem destacada no final do texto e diga se "redes de pescar" encontra-se no sentido denotativo ou conotativo, deixando claro o porquê: 

sábado, 27 de julho de 2019

Atividade sobre Anúncio - "Bebida e direção"


01) Qual o objetivo desse cartaz?

02) Que tipo de linguagem foi utilizada?

03) Quais são os órgãos responsáveis pela campanha?

04) Observe a imagem do cartaz e descreva-a:

05) O que essa imagem lhe sugere?

06) Por que o motorista está ausente?

07) O que sugere o tamanho do copo?

08) Explique a ambiguidade presente na passagem "Não deixe a bebida mudar o seu destino":

09) Há alguma explicação no fato de o carro ser vemelho e não uma outra cor? Explique:

10) Qual o modo verbal predominante na propaganda? Qual o objetivo?

11) Qual é a função de linguagem que predomina no anúncio? Qual foi a pista?

(Participação especial das amigas Sandra Prado, Maria Aparecida
e Marisa Silveira em algumas questões!)

Atividade sobre o texto "Meio-dia e meia", de Rubem Braga

Meio-dia e meia

Acho muito simpática a maneira de a Rádio Jornal do Brasil anunciar a hora: "onze e meia" no lugar de "vinte e três e trinta", "um quarto para as cinco" em vez de "dezesseis e quarenta e cinco". Mas confesso minha implicância com aquele "meio-dia e meia".
Sei que "meio-dia e meio" está errado; "meio" se refere à hora e tem de ficar no feminino. Sim, "meio-dia e meia" está certo. Mas a língua é como a mulher de César: não lhe basta ser honesta, convém que o pareça. Aquele "meia" meideia de teste de colégio para pegar estudante distraído. Para que fazer da nossa língua um alçapão?
Lembrando um conselho que me deu certa vez um amigo boêmio quando lhe perguntei se certa frase estava certa ("olhe, Rubem, faça como eu, não tope parada com a gramática: uma voltinha e diga a mesma coisa de outro jeito"), eu preferiria dizer "doze e meia" ou "meio-dia e trinta", sem nenhuma afetação. Aliás, a língua da gente não tem apenas regras: tem um espírito, um jeito, uma pequena alma que aquele "meio-dia e meia" faz sofrer. E, ainda que seja errado, gosto da moça que diz: "Estou meia triste..." Aí, sim, pelo gênio da língua, o "meia" está certo.
(Rubem Braga)

01) Justifique o título do texto: 

02) Explique o emprego das aspas presentes no texto:

03) Qual a implicância do cronista? O que você pensa a respeito disso? 

04) Responda, sinceramente, à pergunta em negrito, feita pelo cronista: 

05) Circule no texto um vocativo, explicando seu raciocínio:

06) O que significa a expressão "não tope parada com a gramática"? 

07) O que significa a palavra "alçapão", no texto? Está no sentido conotativo ou denotativo? Por quê?

08) O que você aprendeu com o texto? Comente: 

09) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra em destaque no texto: 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Atividade com charge - Motorista daltônico


01) Qual a crítica abordada na charge acima?

02) Quais os verbos nela presentes?

03) Existe na charge alguma antítese? Justifique sua resposta:

04) Localize na charge:

a) um pronome demonstrativo:
b) um verbo de ligação:
c) um substantivo comum:
d) um pronome pessoal do caso reto:
e) um adjetivo, dizendo a que substantivo ele se refere:
f) uma conjunção, classificando-a:
g) um artigo definido:
i) um numeral, classificando-o:

05) O que você faria no lugar do guarda?

Atividade sobre "Pasárgada", de Manuel Bandeira e Millôr Fernandes

Texto 01: Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


(Manuel Bandeira)

01) Sabendo que Pasárgada é o nome de uma cidade da antiga Pérsia, responda: 

a) A que se referem os advérbios de lugar "lá" e "aqui"? 
b) Por que ocorre, no poema, a repetição enfática do verso "Vou-me embora pra Pasárgada"?

02) Caracterize Pasárgada, evidenciando seus aspectos positivos rem relação a:

a) amizades e amores:
b) diversões e esportes:
c) progresso:

03) Se existe o desejo de ir para Pasárgada, fica implícita a ideia de que "aqui" o eu lírico não tem o que encontrará naquela cidade. Como é a realidade de onde ele se encontra?

04) Pasárgada é real? Justifique sua resposta:

05) A viagem a Pasárgada vai alterar os sentimentos do eu lírico? Justifique, considerando em especial o fim do poema: 

06) Existe alguma relação semântica entre o conteúdo do poema e o uso reiterado de verbos no futuro? Explique bem: 

07) Mesmo sendo modernista, o texto lembra o estilo romântico ou o realista? Por quê? 

08) Que verso atenua a hierarquia entre o poeta e o rei, eliminando as diferenças convencionalmente repressoras?

Texto 02:  Vou-me embora de Pasárgada

Vou-me embora de Pasárgada
Sou inimigo do rei
Não tenho nada que eu quero
Não tenho e nunca terei
Vou-me embora de Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
A existência é tão dura
As elites tão senis
Que Joana, a louca da Espanha,
Ainda é mais coerente
Do que os donos do país.

A gente só faz ginástica
Nos velhos trens da central
Se quer comer todo dia
A polícia baixa o pau
E como já estou cansado
Sem esperança num país
Em que tudo nos revolta
Já comprei ida sem volta
Pra outro qualquer lugar
Aqui não quero ficar,
Vou-me embora de Pasárgada.

Pasárgada já não tem nada
Nem mesmo recordação
Nem a fome a doença
Impedem a concepção
Telefone não telefona
A droga é falsificada
E prostitutas aidéticas
Se fingem de namoradas.

E se hoje acordei alegre
Não pensem que eu vou ficar
Nosso presente já era
Nosso passado já foi.
Dou boiada pra ir embora
Pra ficar só dou um boi
Sou inimigo do rei
Não tenho nada na vida
Não tenho e nunca terei
Vou-me embora de Pasárgada.

(Millôr Fernandes)

09) Aponte as principais diferenças e semelhanças entre os dois textos lidos:

10) É possível identificar o país representado no segundo texto? Justifique com uma ou mais passagens dele:

11) A primeira estrofe fala sobre rei, elites, donos do país; a segunda, sobre a polícia e a economia; a terceira, sobre a realidade cotidiana. Há pontos positivos destacados?

12) O eu lírito tem perspectiva de um futuro melhor? Por quê?

13) A intertextualidade entre os dois textos aponta para uma paródia? Justifique sua resposta:

14) De que texto você mais gostou? Por quê?