sexta-feira, 31 de maio de 2019

Atividade sobre charge - Só acontece com os outros!


01) O que a charge acima critica? Comente:

02) Transcreva da charge uma interjeição, dizendo que sentimento / emoção ela expressa:

03) Copie da charge uma onomatopeia, dizendo o que ela representa:

04) O que os brinquedos jogados no chão indicam? 

05) Por que o ladrão trouxe um pirulito? Podemos afirmar, pelos implícitos, que ele pode ser um pedófilo? 

06) Que falhas os pais estão cometendo? Explique-as: 

07) Como solucionar essa problemática tão comum em nossa sociedade? 

08) Que manchete aparece na televisão? O que vc pensa a respeito disso?

09) A charge comprova ou desmente a fala do casal? Por quê? 

Atividade sobre a crônica "Histórico escolar", do Lourenço Diaféria

Histórico escolar

No começo me chamavam Juquinha e tinha um seio redondo e cheio que me matava a fome. Depois o seio secou. Ganhei uma chupeta.
Depois me levaram a chupeta. Fiquei com o dedo na boca. Até que um dia meu irmão, diz que sem querer, prensou meu dedo no berço. E eu fiquei sem a unha.
Depois levaram meu pai. Eu não estranhei. Nunca via meu pai a não ser quando ele chegava daquele jeito. Ele não fez falta a não ser à minha mãe.
Depois levaram um tio meu que ajudava minha mãe - ela dizia sempre: "Pede a bênção pro tio, filho, ele é que ajuda a gente" -, mas um dia o tio deve ter-se aborrecido e voltou para a terra dele. Deixou uma foto e a carta que minha mãe não mostrava a ninguém.
Depois levaram o pé de caqui e um caramanchão de chuchu que havia no fundo do quintal, onde meu irmão, minhas irmãs e eu brincávamos o tempo todo. .
Depois levaram o quintal. Acharam que quintal não servia para nada a não ser para juntar com outros quintais e construir uma fileira de sobradinhos.
Depois levaram a mesa de fórmica, e o rádio, e as quatro cadeiras.
Depois levaram a gente para o outro lado do rio.
Depois me levaram para vender amendoim nos trens da Rede Ferroviária e observar quem tinha correntinha no pescoço, ou relógio no pulso, e voltar para avisar o moço que ficava encostado na porta do terceiro carro.
Depois me mandaram ficar encostado na porta do terceiro carro e ficar olhando bem como é que se faz.
Depois levaram minha mãe. Nem quis ver. Tenho nojo de defunto.
Depois levaram os campos da várzea onde a molecada batia bola. 
Depois levaram meu pente e meu cinto.
Depois me levaram para a escola. Fiz até o segundo ano. Não fui além por falta de lápis de cor; e porque a escola tinha uns caras que ficavam gozando da minha cara, até que eu esquentei.
Depois levaram uma caixa de papelão cheia de coisas que eu estava juntando fazia tempo.
Depois eu levei a caixa de engraxate dum pivete e ele disse que ia me acertar. Mas eu acertei primeiro.
Depois eu levei um tempo não indo mais pro centro da cidade para não dar bandeira.
Depois eu levei carrinhos de freguesas em supermercados e levava minhas gorjetas.
Depois eu levei uma fechada de um bacana no volante e o fulano olhou para mim com cara de quem está desconfiado de que o carro não é meu e de que eu não tenho carta.
Depois eu levei um tiro, que passou longe.
Depois eu levei uma Mauser enrustida na bolsa de plástico.
Depois levaram o Circo Garcia.
Mas antes eu levei o dinheiro da bilheteria.
Depois eu levei um susto. Eles chegaram e foram pedindo documento.
Depois é o depois.
Depois tem gente que fala que não existe o destino. Se eu tivesse lápis de cor. Se não tivessem acabado os campos da várzea e as traves. Se eu não tivesse que vender flor de noite em restaurante, hoje bem que eu podia ter tirado curso no Senai, ou ter barraquinha de fruta, ou jogar no time do Santo André. O problema é que eu fui obrigado a parar no segundo ano. Naquele tempo todo mundo me chamava de Juquinha, vê se pode.
(Lourenço Diaféria)

01) Por que o texto acima é uma crônica? 

02) Como percebemos que Juquinha foi crescendo? 

03) Justifique o título do texto, aproveitando para sugerir um outro:

04) O relacionamento de Juquinha com seu pai era bom? Explique:

05) Quantas pessoas compunham a família do protagonista?

06) Juquinha era muito ligado á mãe? Justifique sua resposta:

07) Como é feita a marcação do tempo? Comente:

08) À medida que o tempo vai passando, o que você vai notando sobre a vida de Juquinha?

09) O texto pode ser dividido em quatro partes. Quais são elas? Dê um título a cada uma delas: 

10) Qual é a única época da vida de Juquinha em que ele é feliz? Quanto tempo ela dura?

11) A partir daí, sua vida pode ser resumida como uma sequência de perdas. Quando conta como perde sua unha, afirma: "Até que um dia meu irmão, diz que sem querer, prensou meu dedo no berço". A oração em destaque quer insinuar o quê?

12) "Nunca via meu pai a não ser quando ele chegava daquele jeito."A que jeito refere-se o narrador? Qual a opinião dele sobre o pai?

13) Por que a mãe de Juquinha não mostrava a carta do "tio" a ninguém?

14) Juquinha atribui seu fracasso escolar à falta de lápis de cor. Você concorda com ele? Por quê?

15) Qual o verdadeiro significado da palavra "rio" no oitavo parágrafo?

16) "Depois é o depois". Como você traduziria esse parágrafo?

17) Releia o último parágrafo. Juquinha diz que acredita no destino. Foi o destino que o impediu de formar-se em algum curso, estabelecer-se? Qual sua opinião?

18) A maioria dos verbos utilizados pelo autor está na terceira pessoa do plural: levaram, me mandaram. A quem seria possível atribuir as ações que os verbos expressam?

19) Circule no texto um vocativo: 

20) A história de Juquinha poderia ser a de alguém que você conhece? Quem?

21) Copie do texto uma passagem irônica, explicando-a:

22) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

23) Retire do texto em questão:


a) dois numerais ordinais:

b) dois substantivos próprios:
c) dois advérbios com classificações diferentes:
d) um numeral cardinal:

24) Localize no texto uma palavra em itálico, explicando por que assim ela se encontra:


(Agradecimento à amiga artemanhosa Else Portilho, que me apresentou a esse tão interessante texto e tb a algumas questões! Amo essas trocas!)

Atividade com várias charges - Elaboração de perguntas e de respostas!

Mais um ano que eu invisto no trabalho com charges! Selecionei umas 50, bem atuais, com os mais variados temas, e levei para as minhas turmas. Imprimi e já levei recortadas, para ganhar tempo, distribuindo uma para cada dupla.

Em seguida, solicitei para que elaborassem 4 (quatro) perguntas "inteligentes" sobre a charge recebida e, claro, as respondesse, da forma mais completa possível. E eles fizeram, de maneira super séria, criativa, animada, e o resultado foi muuuuuito bom, como sempre! Recomendo!

E agora vou lá terminar de corrigir a minha última turma... Até mais! ;-)

Minha turma 1005 - Noite (Frederico Villar) 


Turma 3004 - Noite (Frederico Villar) 


Turma 3007 - Tarde (Feliciano Sodré)  


Turma 3009 - Noite ( Feliciano Sodré) 


quinta-feira, 30 de maio de 2019

Atividade sobre charge e vídeo - Racismo



01) O que a charge acima denuncia? Posicione-se sobre isso:

02) O que a fala do policial deixa nítido?

03) Justifique as duas palavras em destaque nas frases:

04) Que palavra da primeira fala do policial revela falta de certeza?

05) Por que, na opinião do policial, a pessoa que ele parou parecia um ladrão? O que você pensa a respeito disso?

06) Que frase do policial costuma ser bastante utilizada para tentar fingir que o racismo não existe? Que outras existem?

07) Podemos associar tal charge a algum episódio recente acontecido em nossa sociedade e bastante explorado na mídia? Se sim, qual? Comente:

08) Como solucionar essa problemática apresentada?

09) Que mensagem a charge lhe transmitiu?

10) Que título você daria a ela?

11) Diga o que os conectivos "porque" e "mas" indicam, considerando o contexto:

12) Observe as fisionomias das personagens e diga o que elas deixam transparecer, explicando se elas têm ou não razão de estarem dessa forma:


13) O vídeo acima coloca o agressor frente a frente com a vítima de racismo. Associe o mesmo à charge analisada e crie uma proposta de intervenção completa para esse tipo de problema, seguindo os moldes do ENEM: 

Atividade sobre minicontos do Dalton Trevisan

47

A mãe para a nora:
-- Com a morte do João, naquele dia, você morreu para mim. Acompanhei o enterro dele de você. Lá no cemitério foi enterrada no mesmo caixão. Pra mim é morta duas vezes. 

(Dalton Trevisan)

01) O que significa a passagem "Acompanhei o enterro dele de você"? 

02) Por que a nora foi morta duas vezes?

03) Por que a sogra provavelmente sentia isso? Levante hipóteses: 

04) Você continuaria considerando como nora? Justifique sua resposta: 


73

Tic, tic, tic,lá vem o ceguinho, óculo preto e bengala branca.
Alguém bate bola na calçada – Tac, tac, tac --, como ele sabe que é menina? Tic, tic, segue em frente.  Na esquina, quem batuca na caixinha de fósforo – tec, tec, tec? O vento lhe sopra que é um malandro? Tic, tic, tic, nada o distrai.
Quem arrasta a sandália de couro – chap, chap, chap? Você lhe disse que é uma pobre velhinha? Tic, tic, sempre adiante.
Agora o salto alto retinindo na pedra – toc, toc, toc. Uma voz lhe conta que é uma mocinha e bonita? Tic, tic, ti... a bengala no ar titubeia e para. Lá vai o saltinho faceiro, toc, toc, toc. Ele faz meia volta.
Tic, tic, tic, tic. Depressinha.
Toc.
Tic, tic, tic.
Toc.
Tic, tic.
Toc, tic. Toc, tic. Toc, tic. 
(Dalton Trevisan)

05) A personagem principal é identificada já no início do conto pelo som: tic, tic, tic.

a) Quem é a personagem? 
b) A que se refere esse som que identifica a personagem?
c) A onomatopeia é um recurso de linguagem que reproduz os sons que ouvimos no dia-a-dia. Quais são as presentes nesse miniconto? 

06) A cada som, corresponde uma personagem:  tac, tec, toc, chap. Não é possível conhecer cada uma das personagens apenas por esses sons porque eles indicam ações, mas não pessoas. As pistas sobre as personagens são dadas ao leitor no decorrer do texto. De que forma isso ocorre? Transcreva um exemplo:

07) Identifique quem  são as personagens e de onde vem o som que as identifica:

a) Tac:
b) Tec:
c) Toc:
d) Chap: 

08) Qual a provável intenção de evidenciar os sons, as onomatopeias para identificar todas as personagens?

09) No conto há o narrador intruso, ou seja, um narrador que não toma parte dos acontecimentos, mas que se intromete e expressa suas opiniões na narrativa. Transcreva um exemplo dessa intromissão: 

10) No quinto parágrafo está o clímax do miniconto. Que acontecimento pode ser considerado esse clímax? Transcreva uma expressão que justifique sua resposta:

11) Releia o desfecho e diga, com suas palavras, o que aconteceu:

12) Além do tamanho, podemos observar no miniconto uma outra característica bem marcante desse gênero. Qual? Explique seu raciocínio:


189

Ao sair do banheiro, ele cruza com ela na cozinha.
-- Oi – ela diz.
Já na porta, sem se virar: -- Oi – ele diz.
Assim ano após ano até que, um dia, ela se vai. Toda manhã ele entra na cozinha e diz “Oi”. Mas você responde? Nem ela.
(Dalton Trevisan)


13) Explique o que você entendeu sobre o texto, explorando os detalhes: 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Atividade com charge - Facilitação da posse de arma


01) Qual é o tema abordado na charge acima?

02) O que a charge critica? Comente:

03) A fala da mulher traz um bom argumento? Por quê? 

04) Copie da charge um vocativo, explicando seu raciocínio:

05) Explique a crítica feita pela esposa ao comparar o uso da arma com o uso do vaso sanitário, dizendo se foi ou não um argumento válido, convincente:

06) Explique o emprego do verbo na forma infinitiva que foi destacado no texto:

07) Em que consiste o humor da charge? Comente:

08) Transcreva da charge um pronome indefinido, mencionando qual a relevância dele para o contxto:

09) Justifique o título do texto, aproveitando para sugerir um outro:

10) Considerando que a palavra "Acertar" é polissêmica, ou seja, apresenta dois significados diferentes em diferentes contextos, qual o significado de "acertar" na fala de cada personagem?

11) Qual parece ser a opinião do chargista sobre o tema? Justifique sua resposta:

12) A charge levanta um questionamento quanto à segurança das pessoas a partir da posse de armas. Reflita sobre essa questão e escreva um parágrafo dissertativo-argumentativo se posicionando contra ou a favor da posse de armas, conforme regulamentado pelo decreto 9.785/19: 

13) Veja que interessante o vídeo da galera da "Porta dos Fundos" sobre esse assunto e crie um parágrafo dissertativo-argumentativo a respeito do que entendeu dele: 



(Participação especial das queridas artemanhosas Nadiolan Ribeiro, Maria Regina BragaNalva Kássia e Christiane Sheyla na elaboração das questões! Muito obrigada!) 

Atividade sobre o texto "O menino", de Chico Anysio



O menino

Vou fazer um apelo. É o caso de um menino desaparecido. 
Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos. 
É um menino normal, ou seja: subnutrido, desses milhares de meninos que não pediram pra nascer; ao contrário: nasceram pra pedir. 
Calado demais pra sua idade, sofrido demais pra sua idade, com idade demais pra sua idade. É, como a maioria, um desses meninos de 11 anos que ainda não tiveram infância. 
Parece ser menor carente, mas, se é, não sabe disso. Nunca esteve na Febem, portanto, não teve tempo de aprender a ser uma criança-problema. Anda descalço por amor à bola. 
Suas roupas são de segunda mão, seus livros são de segunda mão e tem a desconfiança de que a sua própria história alguém já viveu antes. 
Do amor não correspondido pela professora, descobriu que viver dói. Viveu cada verso de "Romeu e Julieta", sem nunca ter lido a história. 
Foi Dom Quixote sem precisar de Cervantes e sabe, por intuição, que o mundo pode ser um inferno ou uma badalação, dependendo se ele é visto pelo Nelson Rodrigues ou pelo Gilberto Braga.
De seu, tinha uma árvore, um estilingue zero quilômetro e um pássaro preto que cantava no dedo e dormia em seu quarto. 
Tímido até a ousadia, seus silêncios gritavam nos cantos da casa e seus prantos eram goteiras no telhado de sua alma. 
Trajava, na ocasião em que desapareceu, uns olhos pretos muito assustados e eu não digo isso pra ser original: é que a primeira coisa que chama a atenção no menino são os grandes olhos, desproporcionais ao tamanho do rosto.
Mas usava calças curtas de caroá, suspensórios de elástico, camisa branca e um estranho boné que, embora seguro pelas orelhas, teimava em tombar pro nariz. 
Foi visto pela última vez com uma pipa na mão, mas é de todo improvável que a pipa o tenha empinado. Se bem que, sonhador do jeito que ele é, não duvido nada. 
Sequestrado, não foi, porque é um menino que nasceu sem resgate. 
Como você veem, é um menino  comum, desses que desaparecem às dezenas todos os dias. 
Mas se alguém souber de alguma notícia, me procure, por favor, porque... ou eu encontro de novo esse menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim.
(Chico Anysio)

01) O texto é construído como se fosse um anúncio de busca de pessoa desaparecida. 

a) Em que trecho isso fica explícito? 
b) Em geral, o que caracteriza um texto desse tipo?

02) No texto em estudo:

a) Quais são as características do menino? 
b) Qual era a condição social do menino? Retire do texto, fragmentos que comprovem a sua resposta:

03) O texto faz outras caracterizações do menino, além das físicas. 

a) Que elementos dizem respeito ao mundo infantil do menino? E ao romantismo precoce? 

04) Referindo-se ao menino, o narrador diz 'Sonharos do jeito que ele é". Qual personagem citada no texto também é um sonhador?

05) Observe essas referências feitas ao menino: 

"Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos".

Uma pessoa pode aparentar ser mais jovem ou mais magra, mas não pode ser mais ou menos a sua nacionalidade. O que o autor quis dizer ao afirmar que o menino "parece menos brasileiro"?

06) O narrador também faz referências ao menino utilizando expressões como estas: "subnutrido", "nasceram pra pedir", "ainda não tiveram infância", "sem resgate". Que visão da infância se depreende desses trechos: feliz, bem-cuidada ou desprotegida e carente? Explique:

07) Aos poucos, vai ficando claro o tema do texto e sua verdadeira intencionalidade. 

a) Qual é esse tema? Justifique sua resposta:
b) Apesar de o texto abordar um grave problema da realidade brasileira, ele não perde o humor. Explique como se constrói o humor neste trecho: "é de todo improvável que a pipa o tenha empinado":

08) No último parágrafo há uma revelação importante para o desfecho da história. 

a) Qual é essa revelação?
b) Nesse sentido, o menino procurado se perdeu no espaço ou no tempo? Explique:

09) O narrador aponta todas as carências do menino que ele foi, mas, no final do texto, diz: "ou eu encontro de novo esse menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim". Interprete por que o narradordeseja encontrar o menino que ele foi: 

10) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Você também tem vontade de reencontrar a criança que um dia foi? Justifique sua resposta: 

terça-feira, 28 de maio de 2019

Atividade sobre o artigo de opinião "Meninas normais"

Meninas normais

Gostamos de saber que Lily Allen virou garota-propaganda de calcinha. Isso tudo porque ela escreveu em seu blog que se achava gorda. 

Lily não é gorda, mas, como a maioria das mulheres, se acha meio fora de forma. Os fãs da cantora postaram mensagens de apoio, falando o que toda amiga diz quando você diz que está gorda: "É claro que você não está". Sim, às vezes é mentira. E daí?

Não sabemos se ela se preocupou ou não, se fez regime, drenagem ou reza braba. Mas a marca de lingerie Agent Provocateur resolveu capitalizar em cima e contratar Lily por causa de sua "aparência natural". Essa jogada de marketing terá apelo com as mulheres. 

E o que seria uma aparência natural? Do jeito que as coisas andam, até ser normal virou esquisito, pelo menos para a indústria de celebridades. Se você não é anoréxica nem colocou um peito de silicone gigante, já é logo chamada de pessoa com "aparência natural", o que, convenhamos, não é nada natural. E também tem uma conotação pejorativa, pois é usado como contraponto a mulheres bonitas dos comerciais glamorosos. 

Detalhe: as tais normais das propagandas têm sempre a pele ótima, lisa, e os cabelos sedosos. Elas são bem mais perfeitas do que a maioria das mulheres, sim, senhor. Porque até a sua aparência natural passou pela equipe de direção de arte. E o mundo, que nos desculpem os estetas, não tem direção de arte. 

Por isso, propomos agora um desafio. Queremos ver se algum produto vai ter coragem de chamar uma garota realmente normal para ser garota-propaganda. Mas normal MESMO. Para isso, ela terá que estar com o cabelo um pouco despenteado, a unha meio descascada e com uma espinha pequena no rosto. E com olheira, é claro. Porque é assim que somos na vida real. E muito importante: comercial de iogurte para prisão de ventre não vale!

Duvidamos que eles tenham coragem! 

P.S.: Queridas, não se sintam humilhadas. Pensem a quantas chapinhas aquela menina normal da publicidade foi submetida. Fora o Photoshop, é claro. 

(Jô Hallack e Nina Affonso)

01) Ao elaborar um artigo de opinião, o locutor-emissor leva em consideração as características do leitor-modelo, pois pretende convencê-lo de algo. Quem é esse leitor-modelo desse artigo? Justifique sua resposta:

02) Qual o fato gerador para a escrita desse artigo?

03) Identifique, no artigo, um posicionamento a respeito de uma ideia sobre a aparência das modelos nos anúncios publicitários:

04) O artigo em estudo está dividido em três partes: parágrafo de introdução, em que foi apresenteada a tese; parágrafo de desenvolvimento, em que foram arrolados argumentos; e o parágrafo de conclusão. Divida cada uma dessas partes no texto:

05) Por que algumas palavras apareceram em itálico? 

06) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

07) Localize no texto:

a) dois substantivos próprios;
b) três adjetivos (dizendo a que substantivo cada um se refere):
c) um vocativo:

08) Por que algumas palavras e expressões aparecem entre aspas? Justifique cada um dos casos:

09) Copie do texto uma passagem irônica, explicando seu raciocínio:

10) Transcreva do texto exemplos de oralidade:

11) Justifique o emprego da palavra que se encontra toda em caixa alta (em maiúsculas):

12) Qual o desafio feito no texto e qual a intenção dele? Você acha que alguma empresa fará isso? Que resultado isso provocaria?

13) Posicione-se sobre cada afirmação feita no texto e devidamente sublinhada, explicando:

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Atividade "Estranhando as palavras"

Parte I: Leia as palavras seguintes, sem se preocupar com seus significados. Apenas sinta seu aspecto gráfico, sua sonoridade... Que ideias vêm à sua cabeça? Escreva um significado para cada uma delas:

01) Falácia  --
02) Hermeneuta  --
03) Traquinagem –
04) Plúmbeo –
05) Defenestração –
06) Muxuango –
07) Vituperada –
08) Perfunctório –
09) Bisonho –
10) Sibilino –

Parte II: Você agora vai criar um pequeno texto utilizando todas as palavras citadas acima, tentando torná-lo o mais engraçado possível! Capriche!!!

Parte III: Agora você deverá procurar no dicionário o significado VERDADEIRO dessas palavras e analisar se o sentido passou perto ou se não teve nada a ver!  E o de seus colegas? Veja como o dicionário explica cada palavra! Divirta-se!!!

Atividade sobre charge - Desmatamento


01) Qual o tema presente na charge acima?

02) O que ela denuncia? Comente:

03) Há a presença da linguagem verbal nesta? Por quê? Isso dificulta ou facilita o entendimento? Por quê? 

04) Podemos afirmar que o personagem está fazendo uma boa ação? Justifique sua resposta mencionando todos os elementos implícitos encontrados:

05) O que mais comprovou a ação duvidosa do homem: o machado ou as tantas outras árvores cortadas? Explique: 

06) Podemos afirmar que a charge remete a um paradoxo? Por quê? 

07) Crie uma fala para o personagem presente na charge: 

08) Caracterize, fisica e comportalmente, esse personagem, com um número mais variado possível de adjetivos: 

09) Que mensagem a charge lhe transmitiu?

Atividade sobre a música "Mudei", de Kell Smith


Mudei

Eu achava coisas que eu não acho mais 
Cabia em roupas, 
Sentimentos
Que não me servem mais
O tempo corria e eu me sentia
Sempre um passo atrás

Na pressa em busca do que me traria paz
Preencher vazios
Tornar sonhos reais
Mas o medo é sim
Meu inimigo
De outros carnavais

Tudo muda 
Até as estações
Serve de esperança 
Aos corações

O ontem passou
E o amanhã ainda não é meu
Tudo o que mudou
Me transformou
No que hoje sou eu

Eu achei que nunca fosse superar
A dor que é perder alguém
E ter de continuar
Mas sou bem mais forte
Do que eu poderia imaginar

Pensei mais de um milhão de vezes
Sem parar
Em desistir de mim
Por não acreditar
E hoje eu sou o meu
Melhor motivo pra comemorar

E o presente é o presente que a vida me deu...!!!

(Kell Smith)

01) Justifique o título dado à música:

02) Circule no texto um verbo que se refere simultaneamente a elementos concretos e abstratos, explicando a importância disso para o contexto:

03) O que seria "se sentir sempre com um passo atrás"? Você já se sentiu assim? Comente:

04) Qual o desejo do eu lírico? E o que impedia isso de oorrer? É um sentimento novo?

05) O que significa ser "um inimigo de outros carnavais"? Você tem algum assim? Se puder, diga qual: 

06) O que faz o eu lírico se lembrar de que tudo muda? Isso tem fundamento?

07) Por que a mudança, segundo o texto, traz esperança aos corações? Você concorda com isso?

08) Copie da canção uma antítese, justificando seu raciocínio:

09) O que os momentos dificeis mostraram ao eu lírico? Você ja passou por algo semelhante?

10) Transcreva do texto uma hipérbole, explicando seu raciocínio:

11) Por que o eu lírico hoje é o melhor motivo para comemorar? A que entendimento ele chegou?

12) Comente o trocadilho existente no último verso da canção: 

13) Que mensagem a música lhe transmitiu? Comente:

domingo, 26 de maio de 2019

Missão eterna: tentar combater "sanguessugas"!!!


Hoje decidi deixar de fazer parte de um grupo de professores no Facebook-- cuja proposta é beeem parecida com a do "Arte e Manhas da Língua", que existe há anos, desde a época do Orkut -- e até gostava muito de participar de lá, de CONTRIBUIR, salvo o incômodo (cada dia maior) de ver como o mundo está repleto de profissionais preguiçosos, folgados, oportunistas, beirando ao "analfabetismo funcional"! 

Não consigo fingir que não percebo certos abusos... nem quero aprender! De boa! Muitas vezes até me estresso mais do que gostaria, mas tais pessoas são como um câncer, que se alastra rapidamente se não forem contidas, combatidas. Faço parte do grupo de combate, da resistência, com muito orgulho, e isso, para quem me conhece, não é de hoje! 

Tanta gente por lá pedindo mais do que "filho de cego" e sem contribuir com nada, muitas vezes nem com um "obrigado(a)", tratando colegas que participam como "escravos", cobrando gabarito (como acontece também aqui no blog, diga-se de passagem), pedindo pra mandar por e-mail algo que poderia facilmente baixar, pedindo para escanear livros que não querem comprar (e o salário até dá, pois sou a prova cabal disso!) e pior: não leem o que está escrito nas postagens... Tudo isso já seria deprimente vindo de qualquer usuário da Língua, mas piora ainda mais vindo de professores de Língua Portuguesa, aqueles que, muitas vezes, reclamam do desinteresse do aluno, da preguiça do mesmo, do "copie e cole" mecanicamente, do colocar o nome no trabalho sem nem saber do que se trata, da falta de leitura, etc, etc, etc... São tantas as queixas, inúmeras, mas vai ver a causa é uma só: os alunos estão tendo "bons" professores quanto a tudo isso!

Não me silencio diante disso, doa em quem doer, e hoje parece que doeu muito nos FOLGADOS, que não queriam perder a "boquinha", of course! Previsível. Eles são muitos. E alguns beeeem cara de pau, ô! E aí vem o que não dá pra aturar: o certo passa a ser o errado e o errado se vitimiza tanto que passa a ser o coitadinho... Ai, meu Deus, que dó, né? Mas levar pra casa ninguém quer... nem quereria que fosse professor do filho, do sobrinho, do neto... mas eles estão por toda a parte! M-E-D-O!

Aí vem gente desinformada falando do que não sabe porque não viu, porque não acompanha nada, ou que prefere a confortável e pacífica cegueira (pois como enxergar às vezes dói, né? Mas como também libeeeeeeerta!), seguida de gente que julga as pessoas por elas... que enxerga nos outros um oportunismo que está transbordando dela mesma... e que tenta ocultar a verdade, por mais que ela grite, e fora que a "carapuça" entrou tooooooda, pelo visto! Dizer a verdade agora é tumultuar ou polemizar... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


E foi por isso que eu saí: para deixar os "folgados" em paz... Às vezes faz bem! Ando preferindo ter paz a ter razão... e a razão eu tenho na minha consciência e isso me basta! Esse mundo mascarado não vai me mudar, não vai alterar a minha visão de mundo nem meu senso de justiça, não vai, de forma alguma, me tornar mais uma hipócrita. Isso nunca!

E pro autor do recado acima, um FOLGADO sim (ele saberá que é pra ele, certeza!), eu deixo apenas um recado: este blog já existe há aaaaaanos, recebe em torno de 1000 visitas por dia, até mesmo quando eu não o atualizo, ou seja, é um sucesso e foi até indicado pela SEEDUC! Então acha mesmo que eu precisava de "carona" de grupo que tem milhares de figurantes exploradores de uns poucos que, de fato, produzem e amam o que fazem?!? Pelo amor de Deus!!!! Recolha-se à sua insignificância e continue lá, apagadinho, no anonimato, SUGANDO as atividades, muitas delas, aliás, compartilhadas por mim... e continuarão por aqui! Sabe por quê? Porque eu ADORO produzir material e trocar. Faço por prazer, sem ganhar nada com isso, a não ser a gratidão de muitos colegas! E quem é você?!? Fique à vontade! Sou tão boazinha que saí do grupo para que você ficasse... bem à vontade... pois PRECISA mais de lá do que eu!

No mais, podem acabar com as flores, mas nunca acabarão com a primavera. E eu tento ser toda PRIMAVERA, o tempo todo, aqui, lá, por onde passo... pois passo com empatia e meiguice por quem merece (sentirei falta de alguns colegas de lá, que trocavam, de verdade, e que me enchiam de orgulho e me faziam ter esperança, mas espero que eles pintem por aqui... serão sempre bem-vindos!!!); porém, também aponto as ervas daninhas e combato as SANGUESSUGAS, desmascarando-as e entrego pro Universo, pois ele sim se encarrega do resto. Gente recalcada se lasca sozinha... É isso!!!! É vida que segue...  ;-)

Atividade com charge - Inclusão de deficientes?



01) O que a charge acima critica? Comente:

02) Basta apenas criar leis para haver, de fato, inclusão dos deficientes na sociedade? Justifique sua resposta:

03) Por que a palavra "eficiência" encontra-se entre aspas?

04) Que título você daria à charge em questão?

05) Que sentimento transparece no rosto de cada uma das personagens?

06) O que deveria estar no lugar da escada, por exemplo, para facilitar a inclusão do cadeirante?

07) Como poderia o cadeirante mostrar a sua eficiência diante de tal quadro?

08) Justifique o emprego do verbo no modo imperativo, na fala do homem que carrega a pasta:

09) Elabore uma fala ou um pensamento para cada personagem da charge:

10) Como solucionar esse sério problema da inclusão?

Atividade sobre a música "Padaria", de Pedro Salomão


Padaria

Não precisa mais 
Fingir que está bem
Que eu sei reconhecer o seu olhar

Três segundos antes 
Da lágrima cair
Eu sei o que se passa com você

Então passa lá naquela padaria
E traz o sonho que você quiser
Eu tô te esperando com poesia
E a água esquentando pro café

Pra sonhar 
Basta estar 
Com você

Seu café
Minha fé 
Pra viver

Na real
Só assim 
pra esquecer

Então passo lá naquela padaria
E levo o sonho que você quiser
Tô te esperando com poesia
E a água esquentando pro café

Então vem, vem pra cá
Morar comigo
Vem, meu bem
Que eu te prometo

Então passa lá naquela padaria...

(Pedro Salomão)

01) Justifique o título empregado na canção:

02) Que outros títulos você também acha aceitáveis, pelo contexto? Cite dois:

03) Você acha que uma pessoa conhecer tão bem a outra é perigoso? Por quê?

04) Copie do texto um numeral cardinal, explicando a importância dele para o contexto:

05) Analise o verso em destaque no texto e diga se a palavra SONHO pode ser ou não conter uma ambiguidade, explicando seu raciocínio:

06) Você gostaria de ser esperado pela pessoa amada com café e poesia? E se precisasse escolher apenas um deles? Qual seria? Por quê?

07) Que mensagem a música lhe transmitiu?

08) De que versos você mais gostou? Justifique sua resposta: 

sábado, 25 de maio de 2019

Atividade sobre o texto "Carta dos mortos", de Affonso Romano de Sant´Anna


Carta aos mortos

Amigos,
Nada mudou em essência.
Os salários mal dão para os gastos, as guerras não terminaram e há vírus novos e terríveis, embora o avanço da medicina. Volta e meia um vizinho tomba morto por questão de amor. Há filmes interessantes, é verdade, e, como sempre, mulheres portentosas nos seduzem com suas bocas e pernas, mas em matéria de amor não inventamos nenhuma posição nova
Alguns cosmonautas ficam no espaço seis meses ou mais, testando a engrenagem e a solidão. Em cada olimpíada há recordes previstos e, nos países, avanços e recuos sociais. Mas nenhum pássaro mudou seu canto com a modernidade. 
Reencenamos as mesmas tragédias gregas, relemos o Quixote e a primavera chega pontualmente a cada ano. Alguns hábitos, rios e florestas se perderam. Ninguém mais coloca cadeiras na calçada ou toma a fresca da tarde, mas temos máquinas velocíssimas que nos dispensam de pensar.
Sobre o desaparecimento dos dinossauros e a formação das galáxias não avançamos nada. Roupas vão e voltam com as modas. Governos fortes caem, outros se levantam, países se dividem e as formigas e abelhas continuam fiéis ao seu trabalho.
Nada mudou em essência.
Cantamos parabéns nas festas, discutimos futebol na esquina, morremos em estúpidos desastres e volta e meia um de nós olha o céu quando estrelado com o mesmo pasmo das cavernas. E cada geração, insolente, continua a achar que vive no ápice da história. 

(Affonso Romano de Sant´Anna)

01) Justifique o título do texto, relacionando-o ao seu conteúdo:

02) O que o autor quis dizer com a passagem "Nada mudou em essência"?

03) Transcreva do texto a passagem que diz que, apesar de o tempo passar, alguns costumes se permaneceram conosco:

04) Retire do texto uma passagem que mostre que a violência está em nosso cotidiano, tirando-nos o direito de praticar velhos hábitos:

05) Explique o que seriam gerações "insolentes", posicionando-se sobre essa opinião presente no texto:

06) O que levaria cada geração a achar que "vive no ápice da história"? 

07) O texto é uma carta, destinada aos mortos, representados pelo vocativo "Amigos". Quem seriam esses amigos? Explique seu raciocínio:

08) E quem seriam, afinal, os "mortos", de que fala o texto?

09) Transcreva do texto três antíteses, explicando seu raciocínio:

10) Encontre duas possíveis interpretações para a passagem "Mas em matéria de amor não inventamos nenhuma posição nova":

11) Segundo o autor, o que, afinal, mudou hoje em dia? Ele parece preferir qual: o atual ou o antigo? Comprove com uma passagem do próprio texto:

12) Quando o autor diz que "há máquinas velocíssimas que nos dispensam de pensar", a que ele pode estar se referindo? Explique se há algum fundamento nessa afirmação dele:

13) Baseando-se no texto, aponte as diferenças entre a modernidade e a natureza, explicando da melhor maneira possível:

14) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

15) Que crítica o texto faz? A quem? Comente: 

16) Classifique todas as orações destacadas no texto, respectivamente: 

Atividade sobre a música "Máscara", da Pitty


Máscara

Diga quem você é, me diga!
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida

Tira a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser

Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer consciente, inconsequente
Sem se preocupar em ser adulto ou criança

O importante é ser você
Mesmo que seja estranho, seja você!
Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro...
Mesmo que seja estranho, seja você!
Mesmo que seja...

Meu cabelo não é igual
A sua roupa não é igual
Ao meu tamanho não é igual
Ao seu caráter não é igual
Não é igual, não é igual, não é igual...

(Pitty) 

01) Justifique o título da canção, aproveitando para sugerir um outro que também tenha a ver com o contexto:

02)  Você acredita que hoje em dia muitas pessoas usam máscaras ou permitem ser elas mesmas? Justifique sua resposta:

03) Você acha que as pessoas precisam ou preferem usar máscaras? Comente:

04) Você já se sentiu usando máscara em algum momento? Quando? O que sentiu? Valeu a pena?

05) A palavra "Máscara", no texto, encontra-se no sentido denotativo ou conotativo? Por quê? 

06) Qual o propósito dos verbos no modo imperativo usados no texto?

07) As diferenças apontadas na canção têm valor pejorativo ou positivo? Por quê? 

08) Que mensagem a música lhe transmitiu?

09) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra em destaque no texto:

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Atividade sobre a música "Atrás da porta", de Chico Buarque de Holanda e e Francis Hime


Atrás da porta 

Quando olhaste bem
Nos olhos meus 
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei sobre o teu corpo
E duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pêlos
Teu pijama
Nos teus pés
Ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me entregar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua...

(Chico Buarque de Holanda e Francis Hime)

01) Justifique o título dado à canção, aproveitando para sugerir um outro:

02) O eu lírico é feminino ou masculino? Comprove com uma ou mais passagens do texto:

03) Relacionando o texto lido às cantigas medievais, como você o classificaria? Justifique sua resposta:

04) Como você interpreta o verso "Te adorando pelo avesso"? Explique bem:

05) Temos a predominância da função emotiva ou poética? Por quê? Aproveite para diferenciá-las da melhor maneira possível: 

06) Retire do texto uma passagem que exemplifique o chamado polissíndeto, explicando:

07) Tal canção foi escrita em 1972 e, na época, havia a chamada censura, tanto que o verso "nos teus pés ao pé da cama" era, originalmente, "nos teus pêlos ao pé da cama". Você acha justificada tal mudança? Achou o verso original impróprio ou indecente? Comente:

08) Copie da música verso(s) que demonstre(m) um desespero do eu lírico, que não deseja perder a pessoa amada:

09) O que você pensa da atitude acima? Acha válida? Por quê?

10) Justifique a presença da palavra "inda" em vez de "ainda":

11) Que mensagem o texto transmite? Comente:

12) Como essa canção ficaria usando, por exemplo, usando uma das variantes linguísticas abaixo:

a) Português arcaico? 
b) Regionalismo?
c) Gírias de surfista? 

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Atividade sobre a crônica "Brasil, 2063", do Stanislaw Ponte Preta

Brasil, 2063

O filho perdera o foguete das sete para o colégio e passara o dia inteiro em casa, chateando. Agora pedia para ir brincar um pouco lá fora, antes do jantar, e a jovem senhora concordou. Ajeitou a camisa de plástico antirradioativo do garoto e recomendou: -- Mas brinque aqui mesmo na Terra, hein?! Seu pai não gosta que você atravesse a galáxia sozinho.
Voltou para o quarto e sentou-se desanimada diante do espelho. Depois começou a passar o removedor atômico no rosto. A folhinha eletrônica em cima da mesinha marcava a data: 30 de julho de 2063. Fazia trinta anos naquele dia e se sentia uma velha, apesar de sua bela aparência. E pôs-se a pensar no presente de aniversário que o marido lhe dera: uma bonita vitrola superestereofônica tridimensional. "Não sei onde vamos parar com esses preços" -- disse para si mesma, pois sabia que o marido, pelo plano Creditex, dera dois bilhões de cruzeiros de entrada.
Ouviu o videofone tocar e logo depois sentiu a presença do mordomo invisível no quarto. A voz respeitosamente informou que era para ela. Mandou que o empregado ligasse a tomada para o seu quarto e, enquanto sentia que ele se retirava, considerou que precisava chamar a atenção do mordomo para o bafo alcoólico que deixava no ar. Provavelmente dera outra vez para chupar dropes de uísque durante as horas de trabalho.
 Agora a voz familiar de sua amiga Mariazinha dizia "alô" e logo depois sua cara gorda aparecia no retângulo do videofone: -- Querida -- dizia ela --, eu te videofonei para dar os parabéns pelo dia de hoje.
A outra agradeceu e ficaram a conversar sobre essas coisas que as mulheres vêm conversando há séculos sem o menor esmorecimento. De repente, a cara gorda se iluminou com um sorriso: -- Você sabe que eu descobri uma decoradora formidável e baratíssima? -- E frisou: -- Baratíssima! -- E, vendo o interesse da amiga, contou que mandara restaurar o radar da sala de jantar e que a decoradora fizera um trabalho que é um amor.
-- Me dá o endereço -- pediu a aniversariante.
-- Local X 120 HV, 985o andar. -- E como a amiga não se lembrasse onde era o Local X 120, esclareceu: 
-- Antiga praça San Thiago Dantas. 
Conversaram ainda sobre problemas domésticos e Mariazinha ficou sabendo que a amiga estava sem cozinheira. Mandara a antiga embora, porque dera para queimar as pílulas do jantar a ponto de tornar a refeição intragável. Tanto assim que iam aproveitar o aniversário para comer fora: -- Vamos à pílula-dançante do Country. -- Isso, naturalmente, se o marido chegasse em casa cedo, o que era improvável, pois o helicóptero dele estava na oficina e, na hora do *rush*, sabe como é, esses aviadores somem e não há um helicóptero de aluguel para servir as pessoas. 
Mariazinha ainda conversou um pouquinho. Contou o escândalo da véspera, quando um deputado se desentendera com o Corbisier Neto e puxara uma pistola atômica para alvejar o político petebista. Felizmente a turma do deixa-disso impedira que o coitado fosse desintegrado no plenário. Em seguida Mariazinha se despediu.
Desligando o videofone, voltou à sua toalete mais animada um pouco pela conversa da outra. Mariazinha era uma mulher decidida, que nunca perdia o bom humor, apesar da tragédia de que fora vítima: o marido cometera "sexídio". Tomara um remédio para virar mulher.
E estava na sala a ler o romance de um escritor do século passado -- um clássico novecentista -- quando o marido chegou. Vinha esfalfado, com uma cara de quem fizera um esforço fora do comum.
-- Já sei que não vamos à pílula-dançante -- disse ela.
-- De jeito nenhum, minha filha -- respondeu o marido. -- Imagine que o cérebro eletrônico do escritório enguiçou e eu passei o dia inteiro pensando sozinho.
A mulher suspirou de desânimo e murmurou chateada: -- Com esse governo que anda aí, nada funciona direito no Brasil.

(Stanislaw Ponte Preta)

01) Por que o menino ficou o dia inteiro em casa? Você acha que ele realmente teve motivo para isso ou havia uma outra solução? Comente:

02) Qual a preocupação da mãe quando o menino foi brincar fora de casa? O que você achou disso?

 03) O que fez a mãe depois que o menino saiu para brincar? Que característica da mãe é ali revelada?

04) Que personagens participam da história?

05) O que você pôde observar a respeito do nome dado à antiga Praça San Thiago Dantas?

06) O casal não iria mais à pílula-dançante. Qual foi a causa dessa desistência?

07) Qual foi a conclusão da esposa? Posicione-se sobre ela:

08) A família descrita no texto tem alguma semelhança coma família de hoje? Como você imagina a vida em 2063?

09) Reflita sobre a seguinte passagem do texto: “—Imagine que o cérebro eletrônico enguiçou e eu passei o dia inteiro pensando sozinho!”

10) O que é mesmo uma crônica? Explique: 

11) Esse texto apresenta a família do futuro de uma maneira irônica. A ironia consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, provocando o humor. Neste caso, o humor surge do contraste entre a vida de uma família de classe média hoje e no futuro. Além do humor, percebe-se também uma intenção crítica. Na sua opinião, quais as críticas que faz o autor ao comportamento da classe média?

12) Que parte do texto você considerou engraçada, interessante, que tenha chamado mais a sua atenção? Justifique sua resposta:

13) Justifique o título dado à crônica, aproveitando para sugerir um outro: 

14) Que mensagem o texto transmite? Comente: