terça-feira, 30 de abril de 2019

Atividade de hoje: Desafio de troca de papéis!



Hoje assisti com o Miguel -- que já tinha visto, sozinho -- ao filme "Sexta-feira muito louca", que foi mencionado no encontro da "Escola da Inteligência", na escola dele. Foi bem interessante, tanto o encontro, quanto o filme e a proposta a partir dele! 

Trata-se da história de uma mãe e de uma filha, que, no momento em que viviam diversos conflitos em sua relação, se viram com os corpos trocados. Enquanto tentam descobrir como fazer para reverter a situação, uma tem que viver a vida da outra, o que gera muita confusão e situações engraçadas. 

Quantas e quantas vezes não nos colocamos no lugar dos nossos filhos, dos nossos  alunos, de qualquer outra pessoa?!? Então vale muito a reflexão... O mundo necessita, com urgência, de EMPATIA! Fica o desafio de, de vez em quando, tentar inverter os papéis... Você consegue?!? Já tentou?!? 

Antes da atividade pode ser interessante firmar os "combinados de convivência", para que tudo flua bem! Tais combinados podem ser feitos, inclusive, no início do ano letivo, entre professores e alunos, entre alunos e alunos... e funciona muito bem! Eu costumo usar! E você?!?

Aproveito a oportunidade para compartilhar um desenho que eu e o meu filhote fizemos sobre essa atividade proposta. Experimente! 


Atividade sobre a crônica "A tática da bolsa", do Luís Fernando Veríssimo


A tática da bolsa

A Jussara estava a fim de um cara e bolou um plano para conhecê-lo. Ou para ele a conhecer. Um plano minucioso, que descreveu para as amigas como se fosse uma operação militar. Em vez de conquistar um reduto inimigo, Jussara conquistaria o cara, que se renderia ao seu ataque. Ela acreditava que, no amor como na guerra, planejamento era tudo. 
Jussara sabia que José Henrique -- o nome do cara era José Henrique -- tinha dinheiro e não tinha namorada firme, duas precondições para seu plano valer a pena. Era bonito, era um intelectual (andava sempre com um livro embaixo do braço) e tinha hábitos regulares. Todos os dias saía do trabalho e sentava-se numa mesa de bar, sempre a mesma mesa, para comer uma empada e tomar uma cerveja (só uma, e ele não fumava nem tinha qualquer outro vício aparente) antes de ir pegar seu carro num estacionamento próximo. Geralmente bebia sozinho e ia direto para casa, onde morava com a mãe viúva.
O ataque, de acordo com a melhor tática militar, deveria ser de surpresa. Mas surpreendente apenas o bastante para ser inesquecível sem assustar o cara. A ideia da Jussara era que, no primeiro contato, ele já descobrisse tudo sobre ela. O que ele faria com essa informação dependeria do que viesse depois. Ou, como disse a Jussara, "dos desdobramentos". Mas no primeiro instante ele teria que saber tudo a seu respeito. Como conseguir isso? 
Com a bolsa. As amigas se entreolharam. Com a bolsa? Com a bolsa. Jussara entraria no bar remexendo na sua bolsa, fingindo procurar alguma coisa com tanta concentração que esqueceria de olhar para frente, e esbarraria no José Henrique, derramando todo o conteúdo da bolsa na mesa à sua frente, ou no chão ao seu lado. 
-- E o conteúdo da bolsa dirá tudo o que ele precisa saber a meu respeito, entendem? Serei eu dentro da bolsa. Tudo o que eu sou, tudo o que eu gosto. Ele vai me ajudar a colocar as coisas de volta dentro da bolsa e em poucos minutos conhecerá minha alma e minha biografia. 
Jussara já sabia o que colocaria dentro da bolsa. Um bonequinho de pelúcia que certamente enterneceria o cara, mostrando seu coração bom e algo infantil. Envelopes com sementes, mostrando sua preocupação com o meio ambiente. E um livro, para ele saber que ela também lia. Mas precisava decidir: que livro? Estava aceitando sugestões. Poesia? Martha Medeiros? Karl Marx? Pornopopeia? O Pequeno Príncipe? Qual faria maior efeito? Escolheram Saramago, desde que não fosse muito pesado. 
E o encontro se deu. Todo o conteúdo da bolsa da Jussara caiu na frente do cara, que ajudou a botá-lo de volta, como previsto. Mas ele nem notou o livro e as outras coisas. Pegou um estojo de maquiagem da Jussara e disse: "Eu uso o mesmo blush!"
A Jussara culpa seu fracasso numa falha que costuma frustrar as operações militares: reconhecimento insuficiente do terreno. 
-- Faltou pesquisa -- lamenta.
(Luís Fernando Veríssimo)

01) Justifique o título da crônica, aproveitando para dizer por que tal texto deve ser classificado como tal gênero: 

02) No que reside, basicamente, o humor do texto? Comente:

03) Copie do texto expressões consideradas cotidianas, coloquialismos: 

04) O que não poderia faltar, para Jussara, nem no amor nem na guerra? O que você pensa a respeito disso? Concorda? 

05) Que outro título você daria ao texto? Por quê?

06) Podemos afirmar que o cara era mesmo intelectual? Comprove sua resposta com uma passagem do texto:

07) Você achou o final inesperado? Justifique sua resposta: 

08) Você acha possível, num primeiro contato, uma pessoa descobrir tudo sobre a outra? Justifique-se:

09) Jussara queria transmitir algo que ela não era, principalmente com relação ao fato de ler. Que passagem do texto revela essa farsa? Comente: 

10) Por que você acha que acabaram escolhendo um livro do Saramago? 

11) Por que motivo o plano de Jussara falhou? Com o que ela não contava? O que isso revela?

12) Explique por que a palavra "blush" encontra-se em itálico:

13) Você concorda que, de fato, "faltou pesquisa"? Justifique sua resposta: 

14) O que você colocaria na sua bolsa, para que as pessoas pudessem traçar um perfil seu? 

15) Que mensagem o texto transmite? Comente:

16) Em "Jussara estava a fim de um cara e bolou um plano para conhecê-lo", o termo destacado mantém uma relação direta com:

(A) plano
(B) cara
(C) Jussara
(D) um
(E) bolou

17)  O ditado popular que mais dialoga com a ideia central do texto é:

(A) "Para um bom entendedor, meia palavra basta".
(B) "Pra quem é, bacalhau basta".
(C) "Em casa de ferreiro, o espeto é de pau".
(D) "Em boca fechada não entra mosca".
(E) "As aparências enganam".

18) No sexto parágrafo, o conectivo destacado expressa a ideia de:

(A) oposição
(B) adição
(C) alternância
(D) tempo
(E) conclusão

19) O trecho que contém um FATO trata-se de:

(A) "... ela acreditava que, no amor como na guerra, planejamento era tudo..."
(B) "o ataque, de acordo com a melhor tática militar, deveria ser de surpresa"
(C) "todo o conteúdo da bolsa de Jussara caiu na frente do cara, que ajudou a botá-lo de volta, como previsto."
(D) "Um plano minucioso, que descreveu para as amigas..."
(E) "Era bonito, era um intelectual..."

(Participação especial do meu querido amigo Sevs Henriques,
 que elaborou as questões objetivas e foi justamente ele que me apresentou tal crônica, 
que eu ainda não conhecia! Obrigada! E viva as parcerias!) 

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Atividade sobre a crônica "Lixo", do Luís Fernando Veríssimo


Lixo

Encontraram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam. 
-- Bom dia...
-- Bom dia.
-- A senhora é do 610.
-- E o senhor do 612.
-- É.
-- Eu ainda não o conhecia pessoalmente...
-- Pois é.
-- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
-- O meu o quê?
-- O seu lixo. 
-- Ah...
-- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
-- Na verdade, sou só eu. 
-- Mmmmmmmm. Notei também que o senhor usa muita comida em lata.
-- É que tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
-- Entendo.
-- A senhora também...
-- Me chame de você. 
-- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignos, coisas assim...
-- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
-- A senhora... você não tem família?
-- Tenho, mas não aqui. 
-- No Espírito Santo. 
-- Como é que você sabe?
-- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
-- É. Mamãe escreve toda semana. 
-- Ela é professora?
-- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
-- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
-- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo...
-- Pois é...
-- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
-- É.
-- Más notícias?
-- Meu pai. Morreu.
-- Sinto muito. 
-- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.  
-- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
-- Como é que você sabe?
-- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo. 
-- É verdade. Mas consegui parar outra vez. 
-- Eu, graças a Deus, nunca fumei. 
-- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
-- Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou. 
-- Você brigou com o namorado, certo?
-- Isso você também descobriu no lixo?
-- Primeiro, o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel...
-- É, chorei bastante, mas já passou.
-- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
-- É que estou com um pouco de coriza.
-- Ah.
-- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
-- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
-- Namorada?
-- Não. 
-- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no teu lixo. Até bonitinha. 
-- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga. 
-- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte. 
-- Você já está analisando o meu lixo! 
-- Não posso negar que o seu lixo me interessou. 
-- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
-- Não! Você viu meus poemas?
-- Vi e gostei muito. 
-- Mas são muito ruins! 
-- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados. 
-- Se eu soubesse que você ia ler...
-- Só não fiquei com eles, porque, afinal, estaria roubando. Se bem que não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela? 
-- Acho que não. Lixo é domínio público. 
-- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é  comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
-- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
-- Ontem, no seu lixo...
-- O quê?
-- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
-- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
-- Eu adoro camarão.
-- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
-- Jantar juntos?
-- É.
-- Não quero dar trabalho. 
-- Trabalho nenhum. 
-- Vai sujar a sua cozinha. 
-- Nada. Num instante se limpa e põe os restos fora. 
-- No seu lixo ou no meu? 
(Luís Fernando Veríssimo)

01) O título e o tema têm relação? Justifique sua resposta:

02) Que outro título você daria a esse texto?

03) O texto é praticamente formado, todo ele, por diálogo. Como foi possível chegar a essa conclusão?

04) Quem são as protagonistas? Por que tais personagens não têm nome? O que isso possibilita?

05) As personagens moravam no mesmo andar do prédio. Elas já se conheciam pessoalmente? Justifique com uma passagem do texto:

06) Como as personagens sabiam tanto uma da outra? Justifique com uma passagem do texto:

07) Enumere os objetos do lixo de cada personagem e explique os indícios dopadrão de comportamento do homem e da mulher na nossa sociedade: 

08) Cada personagem possuída uma espécie de "muleta" para os momentos difíceis. Quais eram esses momentos e suas respectivas "muletas"? 

09) Encontre uma relação entre o sentido da palavra MULETA (dicionarizado) e o empregado na mesma palavra no texto (conotativo):

10) O lixo, no texto, pode ser visto como uma metáfora. Justifique tal afirmativa:

11) "... o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?". Reveja a situação em que a pergunta foi feita no texto e dê a sua opinião sincera: 

12) "Você já está analisando o meu lixo!", disse o rapaz em determinado momento. Pouco depois, ele faz uma "análise" do lixo da moça. O que ele analisa? Você concorda com ele?

13) Se considerarmos o lixo como uma metáfora, o que significaria uma pessoa "apaixonar-se pelo lixo da outra"? Justifique sua resposta:

14) Use 5 adjetivos para caracterizar o homem e mais 5 adjetivos para caracterizar a mulher: 

15) Sinceramente, você acha que há alguma possibilidade de a situação narrada no texto ocorrer na vida real? Por quê? 

16) Podemos afirmar que o texto é uma crônica? Por quê? 

17) O objetivo do texto em questão é mostrar que:

(A) o lixo é importante.
(B) o lixo retrata seu dono.
(C) mexer no lixo é uma atitude saudável.
(D) o lixo é domínio público. 

18) Em que pessoa é feita a narração? Comprove com uma passagem do próprio texto:

19) Observe como o autor estruturou o texto e explique qual é o papel do narrador:

20) Além de um conhecimento mútuo, o que mais o lixo proporcionou aos dois? 

21) Podemos afirmar que há ironia na passagem "Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo"? Explique: 

22) O texto mostra a solidão de duas pessoas. Você acha que nas cidades grandes elas são mais solitárias? Por quê? 

23) Quem você sentiu que começou a provocar uma situação favorável à paquera: ele ou ela? O que isso revela? Comente:

24) Em nenhum momento do texto, o autor descreve suas personagens. Como você imagina que elas são? Descreva-as de acordo com a sua imaginação:

25) Releia a última frase do texto. O que ela sugere ou insinua? 

26) Existe no texto algum desvio gramatical? Se sim, copie e faça a devida adequação: 

27) Explique a brincadeira proposta no trecho "No seu lixo ou no meu?": 

28) Como você se sentiria com alguém analisando o seu lixo? Comente: 

29) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

30) Crie um final bem criativo e interessante para o texto, dizendo se aconteceu ou não o tal jantar com os camarões, como foi... e não se esqueça de manter a estrutura do texto (em forma de diálogo):

31) Transforme o texto em uma HQ (História em Quadrinhos)! Capriche! 

domingo, 28 de abril de 2019

Atividade sobre o texto "O homem insolúvel em água", de Lourenço Diaféria

O homem insolúvel em água

De madrugada o homem acordou com a chuva batendo forte no telhado. 
Rolou na cama, virou pro lado, fingiu que não era com ele. 
Mas não tinha mais jeito de dormir. O homem sabia perfeitamente que aquela chuva grossa, insistente, cabeçuda, turrona, era chuva de encomenda. Aquela chuva era com ele mesmo.
Esticado na cama, enrolado na colcha, quarto abafado, começou a imaginar os estragos que a chuva devia estar fazendo. Sua ideia pulou para a beira do córrego: já devia estar alto, volumoso, barrento e enfurecido. Daí a pouco com certeza ia-se abrir um pedaço do barranco, como uma fatia de bolo arrancada com a mão num corte desigual. E o barranco ia mergulhar na água, desfazendo-se em lodo. A seguir, sob a violência do aguaceiro, tocos apareciam boiando. E folhagens. Plantinhas. 
Haverá galinha morta. As galinhas sempre morrem quando o riacho sobe. São pegas parece de surpresa. Estão lá dormindo no poleiro, distraídas, bem quietas, vem a água, carrega com elas antes que tenham tempo de abrir o bico.
Ou então abrem o bico quando já é tarde.
As galinhas de enxurrada morrem de bico aberto e olho fechado. Chegam gordinhas, pesadonas, mas dá para perceber que faleceram em excelente estado de saúde. Uma boa fervida no tacho, uma cuidadosa depenada, ficam ótimas para o almoço.
O homem sabe que não vai ter tempo de pegar galinha nenhuma na torrente. Há sempre os rapazes mais espertos, que levantam cedo: nessa hora da madrugada, debaixo do temporal, certamente já estão de calção na beira do córrego, assuntando as águas. São os rapazes pegadores de galinha morta. 
Subindo mais meio metro, o córrego vai entrar pelo quintal do homem. E por isso o homem não pode mais pregar o olho. O quintal inundado, a água chegando à porta da cozinha. O barulhão dos pingos no telhado, a janela batendo, sacolejando com o vento.
Próxima preocupação: o poço.
Quando chove assim, desarrazoadamente, loucamente, dá infiltração no poço. Basta soltar o sarilho, descer a caçamba, puxar o balde: é aquela desolação. Uma água impraticável. Cor de tijolo, gosto de gambá podre, um cheiro infeliz. Fica assim uma semana, até duas. O poço minado. Uma droga.
Como é que vai um homem dormir com essas preocupações?
Nem que estivesse bêbado, que tivesse enchido a cara no balcão do bar, entornando a cuca de cachaça. 
A chuva rolando, botando pra quebrar.
E o homem pressentindo o amanhecer cinzento. 
De fora, ao de leve, vai-se escutando o gorgolejar como de uma boca se afogando numa poça. É o ralo de metal. O homem pode adivinhar tudo. O ralo, com a subida do riacho, está funcionando ao contrário. Em vez de engolir o jorro da torrente, está vomitando de volta. 
O rio está entrando sorrateiramente na cozinha. Pelo ralo.
Pula da cama, malandro castigado pela experiência daquela várzea maldita, convoca o garoto mais velho -- deserdado da esperança de roncar até o domingo fazer bico. No que o filho vai estrilar, ainda desmaiado de cansaço, o pai já parte pra xingação. A mãe também levanta, corre a acudir os trempes antes que tudo comece a flutuar no dilúvio que vem baixando. Imprecações. Cruzes-credos.
Pela centésima vez a mulher reclama, quer sair daquela imundícia, largar tudo, lá aquilo é vida?
Ele, enfezado, no resmungo -- Deixa disso, mulher. Me passa o caldeirão.
De caldeirão a família vara a manhã inteira, calção, cueca, saia arregaçada, pinchando fora com os vasilhames à mão a água que, se facilitar, invade o quarto e molha o sofá de curvim, ainda não totalmente pago das prestações. 
Gasta-se assim o dia. Até que a chuva sossega. Então vão todos para a janela, olhar o riachão.
Dia seguinte, quando levanta o sol, esquecem de tudo. 
E recomeça mais um dia no arrabalde da cidade. 
(Lourenço Diaféria)

01) Justifique o título da crônica, aproveitando para criar outro:

02) Copie do texto uma comparação, explicando-a:

03) Transcreva do texto uma antítese, justificando-a:

04) Copie do texto um vocativo:

05) Pinte de verde todos os adjetivos que você encontrar no texto:

06) Pinte de vermelho todos os advérbios encontrados:

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

sábado, 27 de abril de 2019

Atividade sobre Anúncio Publicitário - "Leite Moça e Eduardo Guedes"


01) Qual a função desse anúncio publicitário?

02) A que público-alvo ele se destina? Justifique sua resposta:

03) Por que a palavra "Moça" encontra-se com inicial maiúscula, no anúncio?

04) Por que a frase de efeito utilizada no anúncio veio entre aspas? Ela foi baseada em alguma outra frase conhecida? Se sim, qual?

05) Qual é o produto oferecido? Ele é novo no mercado? Comente:

06) Por que escolheram justamente o Eduardo Guedes como garoto-propaganda?

07) Podemos dizer que há, no anúncio, uma ambiguidade? Se sim, explique-a:

08) Que palavra é responsável pelo duplo sentido?

09) A ambiguidade foi intencional? Por quê?

10) Em que dois argumentos se apoiam o anúncio analisado?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Atividade com a música "Por causa de você", da Kelly Key


Por causa de você

Por causa de você, não uso mais batom
rasguei meu short curto, diminuí meu tom
Troquei os meus amigos por alguém que só me arrasa
Por causa de você, não posso mais entrar em casa.

Por causa de você, perdi minha liberdade
Te entreguei minha vida, só fiz tua vontade
Briguei com o mundo
Larguei tudo e não olhei pra trás
E agora vem me dizendo 
que não quer mais.

É ou não é pra chorar?
É ou não é pra... Diz você! 
É ou não é pra chorar
Quando alguém não sabe amar...?

É ou não é pra chorar?
É ou não é pra... Diz você! 
É ou não é pra chorar?
Se coloca em meu lugar...

O que é amor? Eu não sei.
Sinceramente, pensei. 
Sinceramente, eu não sei
Pra que tem um coração?

(Kelly Key)

(Música sugerida pela querida amiga artemanhosa Angela Lima) 

01) O que a letra de música denuncia? Justifique sua resposta:

02) Tal situação é muito comum de acontecer? Você acha que casos assim aconteciam mais no passado ou agora? Por quê?

03) Você vê como válidas, em algum momento, as três mudanças citadas na música? Justifique sua resposta:

04) Explique a presença do "Diz você!", presente no texto: 

05) O texto também mostra um outro problema comum na nossa sociedade: a falta de empatia. Copie da música um verso em que o eu-lírico faz um apelo quanto a isso: 

06) Para que as pessoas abusivas têm um coração? Comente: 

07) O que fazer quando um relacionamento dá sinais de abusivo? Isso já aconteceu com você? Como lidou com isso? 

08) Que mensagem a música lhe transmitiu? Comente:

09) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto: 

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Atividade sobre Anúncio Publicitário - "O lixo é seu"


01) Qual a finalidade do anúncio acima? Você acha que ela foi cumprida?

02) Destaque no anúncio um verbo no modo imperativo, dizendo sua importância para o contexto e para a intenção do gênero em questão:

03) O que significa a frase "O lixo é seu"? Explique:

04) O que é mais destacado no anúncio: a linguagem verbal ou a não-verbal? Ou ambas? Justifique sua resposta:

05) Por que se cada um cuidar do seu lixo poderemos ter um mundo melhor?

06) Que mensagem o anúncio lhe transmitiu? Que tipo de alerta ele fez?

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Atividade sobre a música "Amei te ver", do Tiago Iorc


Amei te ver

Ahhhhh, quase ninguém vê
Quanto mais o tempo passa, 
Mais aumenta a graça em te viver

Ahhhhh, e sai sem eu dizer
Tem mais do que te mostro
Não escondo quanto gosto de você

O coração dispara, 
Tropeça, quase para
Me encaixo no teu cheiro
E ali me deixo inteiro

Eu amei te ver
Eu amei te ver
Eu amei te ver

Ahhhh, quase ninguém vê
Quanto mais aumenta a graça
Mais o tempo passa por você

Ahhhhh, e sai sem eu dizer
O tanto que eu gosto
Me desmancho quando encosto em você

O coração dispara
Tropeça, quase para
Me encaixo no teu cheiro 
E ali me deixo inteiro

Eu amei te ver
Eu amei te ver
Eu amei te ver

O coração dispara
Tropeça, quase para
Me enlaço no teu beijo
Abraço teu desejo

A mão ampara, acalma
Encosta lá na alma
E o corpo vai sem medo
Descasca teu segredo

Da boca sai, não para
É o coração que fala
O laço é certeiro
Metades por inteiro

Não vou voltar tão cedo
Mas vou voltar porque...

Eu amei te ver
Eu amei te ver
Eu amei te ver... 

(Tiago Iorc) 

01) Justifique o título da canção, sugerindo um outro:

02) Copie do texto uma passagem que traz uma proporção, explicando: 

03) Transcreva da música uma interjeição, dizendo o que ela transmite: 

04) De que verso(s) você mais gostou? Por quê? 

05) Que mensagem a canção lhe transmitiu? Comente: 

terça-feira, 23 de abril de 2019

Atividade sobre a crônica "Recalcitrante", do Carlos Drummond de Andrade

Recalcitrante

-- O senhor aí, cavalheiro, quer cutucar o braço do distinto, pra ele me prestar atenção?
O cavalheiro, vê lá se ia se meter numa dessas, ignorou, olímpico, a marcha do caso terrestre.
Embora sem surpresa, o cobrador coçou a cabeça. Sabia de experiência própria que passageiro nenhum quer entrar numa fria. Ficam de camarote, espiando o circo pegar fogo. Teve pois que sair de seu trono, pobre trono de trocador, fazendo a difícil ginástica de sempre. Bateu no ombro do rapaz:
-- Vamos levantar?
O outro mal olhou para ele, do longe de sua distância espiritual. Insistiu:
-- Como é, não levanta?
-- Estou bem aqui.
-- Eu sei, mas é preciso levantar.
-- Levantar pra quê?
-- Pra quê, não. Por quê. Seu calção está molhado de água do mar.
-- Tem certeza que é água do mar?
-- Tá na cara.
-- Como tá na cara? Analisou?
Forrou-se de paciência para responder:
-- Olha, o senhor está de calção de banho, o senhor veio da praia, que água pode ser essa que está pingando se não for água do mar? Só se...
-- Se o quê?
-- Nada.
-- Vamos, diz o que pensou.
-- Não pensei nada. Digo que o senhor tem que levantar porque seu calção está ensopado e vai fazendo uma lagoa aí embaixo.
-- E daí?
-- Daí, que é proibido.
-- Proibido suar?
-- Claro que não.
-- Pois eu estou suando, sabe? Não posso suar sentado, com esse calorão de janeiro? Tenho que suar de pé?
-- Nunca vi suar tanto na minha vida. Desculpe, mas a portaria não permite.
-- Que portaria?
-- Aquela pregada ali, não está vendo? "O passageiro, ainda que com roupa sobre as vestes de banho molhadas, somente poderá viajar de pé."
-- Portaria nenhuma diz que passageiro suado tem que viajar de pé. Papo findo, tá bom?
-- O senhor está desrespeitando a portaria e eu tenho que convidar o senhor a descer do ônibus.
-- Eu, descer porque estou suado? Sem essa.
-- O ônibus vai parar e eu chamo a polícia.
-- A polícia vai me prender porque estou suando?
-- Vai botar o senhor pra fora porque é um... recalcitrante.
 O passageiro pulou, transfigurado: - O quê? Repita, se for capaz.
-- Re... calcitrante.
-- Te quebro a cara, ouviu? Não admito que ninguém me insulte!
-- Eu? Não insultei.
-- Insultou, sim. Me chamou de réu. Réu não sei o quê, calcitrante, sei lá o que é isso. Retira a expressão, ou lá vai bolacha.
-- Mas é a portaria! A portaria é que diz que o recalcitrante...
-- Não tenho nada com a portaria. Tenho é com você, seu cretino. Retira já a expressão, ou...
Retira, não retira, o ônibus chegou ao meu destino e eu paro infalivelmente no meu destino. Fiquei sem saber que consequências físicas e outras teve o emprego da palavra "recalcitrante".

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Resuma o texto, aproveitando as ideias contidas nas imagens abaixo:

02) Se alguém chamasse você de “recalcitrante”, pensaria ser elogio ou xingamento? Pelo texto, o que pensa que significa tal palavra?

03)  O texto começa com um problema. Qual? E qual foi a causa desse problema?

04) Qual era a opinião do cobrador quanto à participação dos passageiros nos problemas surgidos dentro do ônibus? Você concorda ou não com isso?

05) O cobrador pediu para o rapaz se levantar. Este respondeu e o cobrador corrigiu sua resposta. Escreva qual a diferença entre as duas formas: A) Levantar pra quê? B) Pra quê, não. Por quê.

06) Por que o cobrador pediu para o rapaz se levantar?

07) Qual foi o argumento do rapaz contra a portaria?

08) Qual foi a reação do cobrador?

09) Qual foi a reação do rapaz quando o cobrador o chamou de recalcitrante?

10) Por que ele reagiu dessa forma?

11) Copie a fala do rapaz, que ilustra seu completo desconhecimento da palavra recalcitrante:

12) Neste texto, o narrador participa da historia? Cite um trecho para justificar sua resposta:

13) No final, fica-se sabendo o desfecho da discussão? Por quê?  

14) Você acha que o título do texto reflete sua ideia central? Justifique:

15) Qual o grau de formalidade que predomina no texto? Justifique sua resposta:

16) Copie do texto um exemplo de discurso direto, explicando seu raciocínio:

17) Transcreva do texto expressões que representam a linguagem popular:

18) Circule no texto dois vocativos, explicando o porquê:

19) Transcreva do texto dois exemplos de frase nominal:

20) Analise o sujeito presente nas orações destacadas no texto:

21) Reticências significam pensamento interrompido, dando margem a que o leitor continue a mensagem. Agora, use a imaginação e escreva a continuação destes textos:

a)      – Olha, o senhor está de calção de banho, o senhor veio da praia, que água pode ser essa que está pingando se não for água do mar? Só se...
b)      – Não tenho nada com a portaria. Tenho é com você, seu cretino. Retire já a expressão, ou...

22) Que outro título você daria ao texto?

23) Como você ilustraria o texto de Carlos Drummond de Andrade?

24) Crie um possível desfecho para a história lida! Capriche!

25) Neste texto, o que você acha que o autor tentou transmitir em relação ao uso da língua?

Atividade sobre o paradidático "Fantasma equilibrista"

Li este livrinho com o meu filho Miguel, para a escola dele, o Centro Educacional Vitor Cardoso, que indicou como um dos quatro paradidáticos para este ano. Ele está no quarto ano e eu achei o livro muito bonitinho, com ilustrações formidáveis, leve, divertido de se ler, sem falar que aborda um assunto que tem tudo para ser denso e tenso: os medos que cada um tem! Recomendamos! Alguém já leu? Acabei me empolgando e elaborando algumas questões sobre ele, que discuti com o meu filhote...


Sinopse: Ricardo é um garoto de quase 8 anos que adora dinossauros e está prestes a mudar de escola. Com medo de viver essa nova experiência, começa a sentir estranhas mudanças dentro de si e passa a ser atormentado por um fantasma equilibrista, que se senta bem em cima de sua cabeça, não lhe dando mais sossego. (39 páginas)

01) Justifique o título do livro:

02) Transcreva do livro a parte em que o protagonista é descrito, circulando todos os adjetivos:

03) O que Ricardo mais gostava de fazer nas horas vagas? 

04) O que de repente mudou a rotina do garoto? Você também já se sentiu assim?

05) Copie do livro quatro substantivos próprios: 

06) Como as palavras são usadas nas falas para indicar volume, como a personagem sussurrando ou gritando? 

07) Transcreva do livro um chamamento: 

08) Copie do livro uma onomatopéia, dizendo o que ela representa: 

09) Como Ricardo conseguiu se livrar do fantasma? 

10) Qual o seu maior medo? O que tem feito para superá-lo? 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

RESUMÃO básico das dez classes gramaticais

Fico boba ao ver como os alunos têm taaaaaaanta dificuldade até mesmo para reconhecer as 10 classes gramaticais! Quem dirá classificar cada uma delas, na análise morfológica! Fico pensando: Será que muitos colegas não trabalham mais com isso ou é por que os alunos não se interessam e não aprendem mesmo?!? Fica aqui a indagação...

Mas também fica aqui a tentativa de compartilhar um resumão que fiz para tentar ajudar os meus alunos, mesmo sabendo que não vai ocorrer milagre! Espero que gostem e que tenha alguma serventia para algum colega que esteja aflito por estar passando pelo mesmo problema! 

RESUMÃO DAS 10 CLASSES GRAMATICAIS

01) SUBSTANTIVO: é a palavra que indica o nome dos seres (pessoas, sentimentos, plantas, animais, objetos, lugares, etc.). Classificam-se em: COMUM (nome comum) ou PRÓPRIO (nome particular); CONCRETO (tem existência própria) ou ABSTRATO (depende pra existir); PRIMITIVO  (não deriva de outra palavra) ou DERIVADO (deriva de outra palavra); SIMPLES (uma só palavra) ou COMPOSTO (mais de uma palavra). Existe também o COLETIVO (indica grupos da mesma espécie). 

02) ARTIGO: é a palavra que acompanha um substantivo para definir (DEFINIDO) ou indefinir (INDEFINIDO). 

03) ADJETIVO: é a palavra que indica características dos substantivos. Existe também o PÁTRIO (indica lugar de origem). 

04)  PRONOME: é a palavra que substitui ou acompanha um substantivo. Classificam-se em: PESSOAL (indica as três pessoas gramaticais); POSSESSIVO (indica posse); DEMONSTRATIVO (indica posição, distância); INDEFINIDO (maneira vaga, imprecisa).

05) VERBO: é a palavra que indica ação, estado ou fenômeno da natureza (aparece conjugado, ou então em uma das três formas nominais: GERÚNDIO (-NDO), INFINITIVO (-R) ou PARTICÍPIO (-ADO ou -IDO).

06) ADVÉRBIO: é a palavra que modifica o sentido de um verbo, indicando MODO, LUGAR, TEMPO, INTENSIDADE, NEGAÇÃO, AFIRMAÇÃO ou DÚVIDA.

07) NUMERAL: é a palavra que indica o número ou posição de elementos. Classificam-se em:  CARDINAL (indica contagem), ORDINAL (indica ordem), FRACIONÁRIO (indica divisão, parte de um inteiro) ou MULTIPLICATIVO (indica multiplicação). 

08) PREPOSIÇÃO: é a palavra que LIGA dois termos da oração. 

09) CONJUNÇÃO: é a palavra que LIGA dois termos ou dias orações. 

10) INTERJEIÇÃO: é a palavra que expressa emoções e sentimentos.  

domingo, 21 de abril de 2019

Atividade sobre o texto "A herança e a pontuação" e outros

A herança e a pontuação

Um homem estava muito mal, agonizando, já no seu leito de morte. Dono de uma imensa fortuna, não teve tempo de fazer o seu testamento, então pediu papel e caneta e escreveu, dizendo qual seria a sua vontade e para quem deixaria a sua fortuna. O problema foi que ele não resistiu e morreu, não tendo tempo de pontuar e deixando o seguinte testamento:

DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO A MEU SOBRINHO
JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE NADA DOU AOS POBRES.

Para quem, afinal, você acha que ficou a sua herança? 

(Autor desconhecido)

01) Sua função é pontuar o texto de quatro maneiras diferentes, de modo que, em cada uma delas, a herança fique para uma das quatro pessoas citadas:

02) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre a importância da pontuação:

03) Escreva UM parágrafo relacionando tal texto à chamada intencionalidade:

04) Tente pontuar as frases abaixo de mais de uma maneira, dando mais de um sentido a elas:

a) Matar o rei não é crime.

b) Vou ali comer gente.

c) Fogo não poupe a cidade.

d) Não tenha piedade.

e) Paulo Henrique chegou.

f) Mandei um telegrama para meu irmão que mora em Roma.

05) Leia atentamente o folheto abaixo para entender o poder da vírgula, tão desprezada por tantos, em tantos momentos. Diferencie cada sentido de cada uma das frases:


06) Observe atentamente as imagens a seguir e comente-as: 




 Veja a Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que comprova perfeitamente como UMA VÍRGULA MUDA TUDO:

Vírgula, aquele sinal incômodo que às vezes sobra, às vezes falta, 
e outras vezes muda o sentido do texto.

A vírgula pode ser uma pausa... ou não. 

Não, espere. 
Não espere. 

Ela pode sumir com o seu dinheiro:

R$ 23,4
R$ 2,34

Pode ser autoritária:

Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis:

Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve. 

E vilões:

Este, juiz, é corrupto.
Este juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução:

Vamos perder, nada foi resolvido
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião:

Não queremos saber. 
Não, queremos saber. 

A vírgula pode condenar ou salvar:

Não tenha clemência!
Não, tenha clemência! 

Isto serve para nos lembrar que vírgula não é problema de gramática, mas de informação! 

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação. 

07) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre a importância da vírgula: 

sábado, 20 de abril de 2019

Atividade sobre o causo "O macaco e o manequim de cera"

O macaco e o manequim de cera

Era uma vez um macaco que tinha o hábito de ir, à noite, comer as bananas do quintal de uma velha. Todo dia de manhã, quando abria a porta de casa, a velha espantava-se:
-- Uai, cadê o cacho de bananas que eu deixei aqui ontem?
E a velha ficava intrigada, pensando em quem seria o gatuno.
Pensou, pensou e teve uma ideia: fez um manequim de cera grudenta e pendurou na varanda, perto de um lindo cacho de bananas.
De noite, chegou o macaco, como era seu costume, deu com aquele boneco e foi dizendo:
-- Boneco, me dá uma banana senão lá vai pedrada
O manequim não respondeu coisa alguma, naturalmente, e lá se foi pedra. E o boneco nada. 
Vendo que o boneco não se mexia, o macaco aproximou-se, subiu a escada e ameaçou: 
-- Boneco, me dê uma banana senão eu te dou um tapa! 
Como o boneco não reagisse, o macaco mandou-lhe um tapa. Só que a mão do macaco ficou pregada na cera grudenta do boneco. Furioso, o macaco voltou a ameaçar:
-- Boneco, solta a minha mão senão eu te dou outro tapa! 
Outro tapa e outra mão presa
-- Boneco, solta as minhas duas mãos senão eu te mando um pontapé
Sacudiu um pontapé bem forte no boneco, que nem se mexeu. E sua perna ficou presa também. E depois dessa perna, a outra, até que, no final, muito irritado, o macaco aplicou uma forte barrigada no boneco de cera, o que acabou por prendê-lo totalmente. 
No dia seguinte, de manhã, quando a velha acordou, encontrou pendurado ao manequim de cera um macaco já bem moído de tanto espernear para se despregar do boneco. A velha passou-lhe um bom sabão e lá se foi o macaco, esbodegado e faminto, morto de raiva, procurar outro bananal onde fazer suas artes
(Luís da Câmara Cascudo)

01) Quem são as personagens? 

02) Copie do texto exemplos de oralidade:

03) Por que se repete tanto a palavra MACACO, sem recorrer a sinônimos e pronomes? 

04) Transcreva do texto um exemplo de vocativo, de um chamamento:

05) O que significa a expressão "passar um bom sabão"? Ela se encontra no sentido denotativo ou conotativo? Justifique sua resposta:

06) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

07) O macaco aprendeu a lição, na sua opinião? Por quê? 

08) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto: 

09) Podemos dizer que esse texto é um causo? Justifique sua resposta: 

10) O que você observou com relação às ameaças feitas pelo macaco? 

11) O que representa o ponto de exclamação nos trechos que representam as falas do macaco? 

12) Por que essa história é engraçada? 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Atividade sobre a música "Coisa linda", de Tiago Iorc


Coisa linda

Linda do jeito que é
Da cabeça ao pé
Do jeitinho que for

É, e só de pensar
Sei que já vou estar
Morrendo de amor
De amor...

Coisa linda,
Vou pra onde você está
Não precisa nem chamar
Coisa linda,
Vou pro onde você está...

Linda feito manhã
Feito chá de hortelã
Feito ir para o mar

Linda assim, deitada
Com a cara amassada
Enrolando o acordar
O acordar...

Ahhhh, se a beleza mora no olhar
No meu você chegou e resolveu ficar
Pra fazer teu lar
Pra fazer teu lar

(Tiago Iorc) 

01) Justifique o título dado à canção, sugerindo um outro:

02) Qual é o assunto dessa música? 

03) Podemos dizer que "coisa linda" é um vocativo? Por quê? 

04) Transcreva do texto um exemplo de hipérbole, explicando a intenção do eu lírico ao usá-la? 

05) Circule no texto uma interjeição, dizendo que sentimento ou emoção ela exprime: 

06) De que passagem do texto você mais gostou? Por quê? 

07) Que mensagem a música lhe transmitiu? 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Atividade sobre o texto "No caminho com Maiakovski", de Eduardo Alves da Costa

No caminho com Maiakovski

Na primeira noite eles se aproximam 
e roubam uma flor
do nosso jardim
e não dizem nada. 
Na segunda noite, já não se
escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão
e não dizem nada.
Até que um dia o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e, 
conhecendo o nosso medo, 
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada. 

(Eduardo Alves da Costa)

01) Circule todos os verbos (e locuções verbais) do texto:

02) Divida-o em períodos e depois em orações:

03) Classifique os períodos em simples ou compostos, justificando seu raciocínio:

04) Justifique o título do poema:

05) Quem seriam "eles", que fazem tantas ações?

06) O que o texto critica em nós, em nossa sociedade?

07) Que mensagem o texto transmitiu? 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Atividade sobre a fábula "O escorpião e a rã", de Rubem Alves


O escorpião e a rã

Um dia a floresta pegou fogo. E incêndio não tem medo de rabo de escorpião. Só havia um jeito de fugir da morte: era atravessando o rio, para o outro lado. Os bichos que sabiam nadar pulavam na água, levando seus amigos nas costas. Mas o escorpião nem tinha amigos nem sabia nadar. E não havia ninguém que se arriscasse a oferecer-lhe carona. 
O escorpião então, valentia e coragem sumidas ante o fogo que se aproximava, foi forçado a se humilhar. Dirigiu-se com voz mansa à rã, que se preparava para a travessia.
-- Por favor, me leve nas suas costas – ele disse.
-- Eu não sou louca. Sei muito bem o que você faz a todos que se aproximam de você – replicou a rã.
-- Mas veja – argumentou o escorpião -, eu não posso picá-la com meu ferrão. Se o fizesse você morreria, afundaria, e eu junto, pois não sei nadar.
A rã ponderou que o raciocínio estava certo. Podia ser que o escorpião fosse muito feroz, mas não podia ser burro. Todo mundo ama a vida. O escorpião não podia ser diferente. Ele não iria matar, sabendo que assim se mataria... E, como tinha bom coração, resolveu fazer esta boa ação.
-- Muito bem – disse a rã ao escorpião. – Suba nas minhas costas. Vou salvar sua vida...
O escorpião se encheu de alegria, subiu nas costas lisas da rã, e começaram a travessia.
-- Que coisa – ele pensou – é a primeira vez que me encosto em alguém de corpo inteiro. Antes era só ferrão... E até que não é ruim. O corpo da rã é bem maciinho...
Enquanto isso a rã ia dando suas braçadas tranquilas, nado de peito, deslizando sobre a superfície.
-- E como é gostoso navegar – continuou o escorpião nos seus pensamentos. – Estes borrifos de água, como são gostosos. É bom ter a rã como amiga...
Estavam bem no meio do rio. O escorpião olhou para trás e viu a floresta em chamas.
-- Se não fosse a rã, eu estaria morto neste momento.
E um estranho sentimento, desconhecido, encheu seu coração: gratidão. Nem sempre veneno e ferrão são a melhor solução. A vida estava com a rã, macia e inofensiva, que não inspirava medo a ninguém... 
Sentiu seu corpo descontrair-se. Achou que a vida era boa... Era bom poder baixar a guarda e descansar.
Voltou-se de novo para trás para olhar a floresta incendiada. Mas, ao fazer isto, viu-se refletido, corpo inteiro, na água do rio que brilhava à luz do fogo. E o que viu o horrorizou: seu rabo, dantes ereto, agora dobrado, desarmado. Escorpião de rabo mole... Todos ririam dele. E sentiu um ódio profundo da rã.
-- Espelho, espelho meu, existe bicho mais terrível que eu?
A resposta estava naquele rabo mole, refletido no espelho da água. E a única culpada era a rã...
Sem um outro pensamento enrijeceu o rabo e o enfiou nas costas da rã.
A rã morreu. E com ela o escorpião.

A estupidez do poder é maior que o amor à vida.
(Rubem Alves)

01) Justifique o título dado ao texto, aproveitando para sugerir um outro:

02) Explique a passagem destacada no começo do texto:

03) Que dificuldades o escorpião enfrentava para atravessar o rio?

04) Por que o escorpião foi “forçado a se humilhar”?

05) Por que, num primeiro momento, a rã se negou a ajudar o escorpião? O que você faria no lugar dela? 

06) Qual foi o argumento do escorpião que convenceu a rã a dar-lhe carona?

07) O que deixou o escorpião alegre assim que subiu nas costas da rã?

08) Que sentimento pegou o escorpião de surpresa? Como ele lidou com isso? 

09) Por que o escorpião resolveu dar a ferroada na rã? O que você achou dessa atitude? 

10) Qual era a única alternativa que os bichos tinham para não morrerem queimados?

11) Quando percebeu que precisava da rã, o escorpião mudou seu comportamento. Transcreva uma expressão do texto – formada por um substantivo e por um adjetivo – que demonstra claramente essa mudança de comportamento:

12) Você acha que o argumento do escorpião, de fato, é convincente? Por quê?

13) Além do argumento do escorpião, houve outro fator que contribuiu bastante para que a rã fizesse essa “boa ação”. Que fator foi esse?

14) Ao subir nas costas da rã, o escorpião experimentou uma sensação nova para ele, mas no início ele hesitou em admitir que estava gostando. Transcreva a frase do texto que comprova essa hesitação:

15) A antiga filosofia de vida do escorpião era: veneno e ferrão são a melhor solução. Dessa filosofia deduz-se que:

(A)   O importante era o poder, a qualquer custo.
(B)   O poder não era importante.
(C)   À força vence a solidariedade.
(D)   A solidariedade vence a força.
(E)    Pode-se até matar para se sentir superior.

16) Quando o escorpião achou que a vida estava com a rã, percebeu um princípio novo até então desconhecido dele. Que princípio era esse?

17) Esse começo de mudança de comportamento do escorpião se fez sentir no seu corpo. Que mudança foi essa?

18) Para o narrador, um corpo relaxado e descontraído está associado ao prazer de viver. Então, como deveria ser o corpo do escorpião antes de experimentar essas mudanças?

19) Que sentimento dominou o escorpião, quando  ele decidiu dar uma ferroada na rã?

20) Como você explica a última frase do texto?

21) Que características desse texto comprovam que ele é uma fábula?

22) Qual é o foco narrativo escolhido pelo autor? Que detalhes comprovam isso no texto?

23) “Como não sabia nadar, o escorpião foi forçado a se humilhar e a pedir carona à rã.”  Esse comentário do narrador indica algo importante sobre o caráter do escorpião. O que é?

24) O final da história surpreendeu você? Por quê?

25) O autor quis tornar o texto mais leve e até divertido. Por isso, colocou o narrador brincando com as palavras. Copie duas frases engraçadas que apresentam rimas:

26) Você acha que algumas pessoas poderosas são estúpidas a ponto de fazerem qualquer coisa para manter esse poder? Cite exemplos que você conhece:

27) Que mensagem o texto transmite? Comente: