terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Atividade sobre intertextualidade - "Maçã", de Manuel Bandeira


Texto 01: Maçã

Por um lado te vejo como um seio murcho
Pelo outro como um ventre de cujo umbigo pende ainda
o cordão placentário

És vermelha como o amor divino.

Dentro de ti em pequenas pevides
Palpita a vida prodigiosa
Infinitamente

E quedas tão simples
Ao lado de um talher
Num quarto pobre de hotel.

(Manuel Bandeira)

Texto 02: Curiosidades sobre a maçã

- 25% do volume de uma maçã é ar. Por isso, ela faz um barulho crocante quando a mordemos -- são os "colchões de ar" que se rompem. 
- Uma maçã tem 12 substâncias que prvinem e combatem o câncer. Todas estão na casca. 
- Além de batizar os computadores mais famosos do mundo, a maçã Macintosh é uma das variedades mais comuns nos lanches escolares dos EUA. 
- A produção anual da China equivale a 39 anos de consumo de maçã no Brasil. 
- Nenhuma vez a maçã é citada na Bíblia como o fruto proibido. Aliás, a expressão "fruto proibido" também não está no Gênesis. 
- Não mastigue as sementes. No seu estômago, elas liberam cianeto. Ninguém sabe exatamente quantas sementes são necessárias para prejudicar sua saúde. 

01) Os textos lidos têm em comum a temática: a maçã. No primeiro, Manuel Bandeira reflete sobre o fruto. A respeito do texto 01, responda:

a) Onde o eu lírico encontrava-se quando escreveu o seu texto?

b) O autor fala sobre a maçã sobre uma perspectiva conotativa. Ele vê o fruto partido e observa duas imagens. Quais são elas? 

c) O texto é literário ou não literário? Justifique: 

02) O texto 02 foi retirado de um site de uma empresa que comercializa frutas. A respeito dele, responda: 

a) Qual o objetivo de um produtor de maçãs ao escrever um texto de curiosidades sobre a fruta?

b) O texto é literário ou não literário? Por quê? 

(Contribuição da querida amiga Lívia Pimenta

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Atividade sobre a crônica "Confuso", do Luís Fernando Veríssimo

Confuso

O consumidor acordou confuso. Saíam torradas do seu rádio-despertador. De onde saía então - quis descobrir - uma voz do locutor? Saía do fogão elétrico, na cozinha, onde a empregada, apavorada, recuara até a parede e, sem querer, ligara o interruptor da luz, fazendo funcionar o gravador na sala. O consumidor confuso sacudiu a cabeça, desligou o fogão e o interruptor, saiu da cozinha, entrou o banheiro e ligou seu barbeador elétrico. Nada aconteceu. Investigou e descobriu que a sua mulher, na cama, é que estava ligada e zunia como um barbeador. Abriu uma torneira do banheiro para lavar o sono do rosto. Talvez aquilo tudo fosse só o resto de um pesadelo. Pela torneira jorrou um café instantâneo.

Confuso, o consumidor escovou os dentes com o novo desodorante e sentou na tampa da privada - fazendo soar a campainha da porta - para pensar. Acendeu um batom Roxo Purple (nova sensação), da mulher. O que estaria acontecendo? Resolveu telefonar para o amigo. Saiu do banheiro e foi para a sala.

Quando girou o disco do telefone a televisão a cores começou a funcionar. Pensou com rapidez. Foi até o televisor e, no selecionador de canais, discou o número do amigo. Saiu laranjada do telefone. Apagou o batom num cinzeiro e voltou para o quarto. A mulher acabava de acordar e, sonolenta caminhava na direção do banheiro. Viu a mulher fechar a porta do banheiro e dali a pouco ouviu a campainha da porta tocar de novo. Esperou. Quando a mulher abriu a porta do banheiro e, confusa, lhe disse: "Querido..." ele antecipou:

-- Já sei. Saiu café da torneira da pia.
-- Não. Liguei o chuveiro e uma voz disse "Alô?".
Era o amigo.
-- Deixe que eu falo com ele.
         
Foi até o chuveiro falar com o amigo. Contou tudo que estava acontecendo. O amigo disse que na sua casa era a mesma coisa, saía música do condicionador de ar e a televisão corria atrás das crianças dizendo bandalheira; era o fim do mundo.

Foi quando o consumidor, confuso, viu que o novo secador de cabelo descia sozinho da sua prateleira, atravessava o chão do banheiro como um pequeno mas decidido tanque e saía pela porta. Disse para o amigo que o chamaria de volta, desligou o chuveiro e saiu correndo. O secador encaminhava-se lentamente para a cozinha, onde a mulher e a empregada, assustadas, testavam todas as utilidades domésticas. A janela da máquina de lavar roupa transmitia o padrão do canal 10, e o fogão, agora, dava o noticiário das oito. O consumidor chegou a tempo de evitar que o secador atacasse sua mulher por trás. Atirou o secador com força contra a parede. Ouviu-se um berro de dor e fúria partindo dos alto-falantes do estéreo, na sala, e ao mesmo tempo a geladeira começou a movimentar-se pesadamente na direção do consumidor, da mulher e da empregada.

-- A chave! - gritou o consumidor.

Saíram todos correndo pela porta da cozinha. Chegaram até a chave geral. O consumidor abriu a portinhola, puxou a alavanca e ouviu nitidamente que se ligava o motor do Dodge Dart na garagem. O melhor era fugir!

Correram para a garagem, entraram no carro, o consumidor botou em primeira, apertou o acelerador e um Boeing caiu em cima da casa.

01) Justifique o título do texto, aproveitando para sugerir um outro:

02) Qual foi a primeira coisa estranha que ocorreu na rotina do protagonista?

03) Que parte do texto você achou mais engraçada? Justifique sua resposta:

04) Comprove por que o texto é uma crônica:

05) O que você faria se tudo isso acontecesse com você? Justifique sua resposta:

06) Podemos afirmar que o desfecho foi trágico? Explique:

07) Que crítica a crônica faz à sociedade? Comente:

08) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

09) Que tal tentar transformar o texto em questão numa divertida HQ?!? Topa?!?