domingo, 30 de setembro de 2018

Atividade sobre o poema "Toada de ternura", de Thiago de Mello

Toada de ternura

Para Leonardo, um menino meu amigo. 

Meu companheiro menino, 
Perante o azul do teu dia,
Trago sagradas primícias
De um reino que vai se erguer
De claridão e alegria. 

É um reino que estava perto,
De repente ficou longe;
Não faz mal, vamos andando,
Porque lá é nosso lugar. 

Vamos remando, Leonardo,
Porque é preciso chegar. 
Teu remo ferindo a noite,
Vai construindo a manhã.
Na proa do teu navio, chegaremos pelo mar. 

Talvez cheguemos por terra, 
Na poeira do caminhão,
Um doce rastro varando 
As fomes da escuridão.
Não faz mal se vais dormindo,
Porque teu sono é canção. 

Vamos andando, Leonardo,
Tu vais de estrela na mão,
Tu vais levando o pendão, 
Tu vais plantando ternuras
Na madrugada do chão. 

Meu companheiro menino,
Neste reino serás homem,
Um homem como teu pai,
Mas leva contigo a infância,
Como uma rosa de flama
Ardendo no coração:
Porque é de infância, Leonardo, 
Que o mundo tem precisão. 

(Thiago de Mello)

01) Justifique o título dado à poesia:

02) O eu-lírico do poema se dirige a um interlocutor. Quem é?

03) O que o vocativo revela quanto aos sentimentos do eu-lírico em relação ao menino?

04) O que você entende pela imagem "azul do teu dia"?

05) O que pode ser o reino a que o eu-lírico se refere? Levante hipóteses:

06) O que pode ter tornado o reino distante de repente?

07) Quais são os três meios de chegar a esse reino?

08) Copie do texto duas antíteses, explicando seu raciocínio:

09) Que palavra da quinta estrofe sugere que o menino está vencendo "as fomes da escuridão"?

10) O pendão anuncia a guerra? O que o menino leva em sua jornada?

11) Qual é a diferença entre o reino de Leonardo e aquele em que vive seu pai?

12) A que a infância é comparada? Como você explica essa imagem?

13) Por que o mundo precisa da infância? O que você tem a dizer com relação a isso?

14) Que mensagem o poema transmite? Comente:

(Atividade feita em parceria com a amiga Telma Karina Braum)

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Atividade sobre a música "O sol", do Jota Quest


O sol

Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

Ei, medo
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol 
É pra lá que eu vou

E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol
É pra lá que eu vou...

(Jota Quest)

01) Justifique o título da música, aproveitando para sugerir um outro:

02) Com quem o eu lírico conversa? A quem ele se dirige?

03) O que o sol, além do sentido normal, pode estar simbolizando na letra de música? Comente:

04)  Circule na música dois vocativos, explicando seu raciocínio:

05) Existe algum desvio gramatical no texto? Justifique sua resposta:

06) Podemos afirmar que existem prosopopéias na música? Explique bem:

07) Você concorda que a dor e o medo não levam a nada? Eles não servem para nada mesmo?

08) Que mensagem a canção transmitiu?

Atividade sobre a música "Substantivo", da Banda Sujeito Simples


Substantivo

Substantivo é a classe variável
Que nomeia objetos, pessoas,
Sentimentos, lugares

Primitivo e derivado: jornal e jornalista
Simples e composto: sol e girassol
Próprio e comum: Pedro e café
Concreto e abstrato: pedra e alegria

E os coletivos: alcateia, fauna, flora
Galeria, assembleia, esquadrilha e legião
Mais coletivos: bateria, batalhão, colmeia, cordilheira
Revoada e multidão

(E quanto ao gênero?)
Gênero biforme: masculino e feminino.
Exemplo de biforme: menina ou menino.
Gênero uniforme: apenas uma forma
E pode ser epiceno: 
A cobra, a onça, o gavião, a girafa e o jacaré

Comum de dois: jornalista, pianista, jovem, artista
Sobrecomum: a pessoa, o indivíduo, o cônjuge e a testemunha.

(Banda Sujeito Simples)
https://sujeitosimples.com.br/2017/11/25/substantivo/


01) Utilize outros exemplos para cada um dos tipos de substantivos: 

02) Quantos substantivos coletivos são citados na canção?

03) Diga a que se refere cada um desses substantivos coletivos citados na música: 

04) Dê dois exemplos de substantivo do gênero biforme:

05) Dê dois exemplos de substantivo do gênero uniforme:

06) Explique, com suas palavras, o que seriam substantivos epicenos: 

07) Explique o que seriam substantivos comum de dois gêneros e como diferenciamos o masculino e o feminino, nesses casos:

08) Explique o que seria um substantivo sobrecomum: 

09) Agora aproveite para diferenciar esses dois últimos substantivos: 

10) De qual tipo de substantivo você gostou mais? Por quê? 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Atividade sobre o vídeo "Dia Mundial da Gentileza" (3 minutos)


01) O que você sentiu diante da indiferença do homem?

02) Que situação ignorada por ele incomodou mais você? Por quê?

03) O que você achou do comportamento inicial da velhinha?

04) Por que o homem magicamente se transformou depois do contato com a idosa?

05) O que mudou na vida dele, além de ajudar as pessoas?

06) Por que o homem parado na rua incomodou tanto o protagonista?

07) Que ideia ele teve para quebrar esse ciclo? Você acha que funcionou?  Por quê?

08) Que mensagem o vídeo transmite? Comente:

09) Que título você daria a esse vídeo? Justifique sua resposta:

10) Você acha que uma pessoa pode mesmo transformar, do nada, a vida de outra? Explique seu ponto de vista: 

11) Você se considera uma pessoa gentil? De 0 a 10, o quão gentil você é? Por quê? 

12) Que atos gentis você tem praticado ultimamente?

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Atividade sobre a música "Gentileza", de Marisa Monte

Utilizei a música "Gentileza", da Marisa Monte, no projeto "Gentileza gera Gentileza", em uma das minhas escolas. Os alunos adoraram conhecer a história do Profeta Gentileza e depois cantá-la... Também passei dois documentários sobre a vida de tal Profeta e uma entrevista linda com a cantora, inspiradíssima, falando como "nasceu" a música! Os alunos ficaram encantados, eu também e até meu filho Miguel, de 9 anos, ficou apaixonado e aprendeu a cantar a música! E ainda teve o depoimento lindo da minha amiga, professora e socióloga Sônia Jobim, que chegou a conhecer o  lindo Profeta! 




Além disso, fizemos várias outras atividades, como confeccionar plaquinhas de madeira para espalharmos pela escola, para nos lembrarem de sermos gentis uns com os outros, sempre, afinal, gentileza se aprende!!! Também fizemos um vídeo com alguns alunos entregando rosas nas ruas e nas lojas, para vermos a reação das pessoas ao receberem, do nada, esse gesto tão gentil e carinhoso... enfim, a experiência foi linda e emocionante! Recomendo!!!  Compartilho...!!!


Gentileza

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos, apressados,
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
A vocês no mundo:
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria?

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor: palavra que liberta
Já dizia o Profeta.

(Marisa Monte)

01) Justifique o título da canção:

02) Qual o sujeito das duas primeiras orações do texto? Classifique-os, justificando seu raciocínio:

03) Podemos afirmar que a passagem que se encontra em negrito no texto possui uma ambiguidade? Explique: 

04) Responda à pergunta feita pelo eu lírico na canção: 

05) Comente sobre as duas metáforas utilizadas no texto, posicionando-se sobre elas: 

06) O que a música denuncia? Comente: 

07) Que mensagem a música lhe transmitiu?

08) Localize na canção:

a) dois substantivos próprios:
b) um advérbio de lugar:
c) três substantivos comuns:
d) dois adjetivos:
e) um advérbio de intensidade:
f) um advérbio de tempo:

09) Posicione-se sobre os últimos versos da canção, argumentando bem:

10) Faça uma pesquisa sobre o Profeta Gentileza, ilustrando-a:

11) Crie classificados poéticos gentis, oferecendo seus "serviços":

(Participação especial da colega  Priscila Silva, com a proposta linda da questão 11!!!)

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Atividade sobre a música "Interjeição", da Banda Sujeito Simples


Interjeição

Interjeição é a palavra invariável que expressa estados emotivos:
Veja alguns exemplos então:
De animação: Avante! Coragem!
De saudação: Bom dia! 
De silêncio: Bico calado!
De alegria: Oba! 
De impaciência: Puxa vida! 
De desejo: Quem me dera! 
De despedida: Adeus! 
De desculpa: Perdão! 

Locução interjeitiva: é o grupo de duas ou mais palavras,
que funcionam como uma interjeição.
Veja alguns exemplos então:
Ora bolas! Pelo amor de Deus! 


01) Por que as interjeições são invariáveis? 

02) De qual interjeição citada na música você mais gostou? Por quê? 

03) Elabore uma frase com cada uma das interjeições mencionadas na canção:

04) Tente elaborar um pequeno texto utilizando o maior número possível de interjeições: 

05) Crie UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre a interjeição e a expressividade textual: 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Atividade de interpretação: "Você só se diverte bebendo?"



01) No texto acima, não há indicação dos parágrafos. Como você justificaria esse fato? Isso corresponde a um desvio, como ocorreria, por exemplo, em uma redação para o ENEM?

02) O texto pode ser dividido em duas partes. Delimite cada uma e diga como você caracterizaria cada um delas:

03) Transcreva do texto dois exemplos de oralidade, ou seja, passagens que parecem que o autor está conversando com o leitor:

04) Qual seria a intenção do autor do texto ao fazer uso dessas marcas de oralidade citadas na questão anterior?

05) Adilson Citelli, em seu livro "Linguagem e persuasão", comenta que um dos recursos persuasivos é o apelo à autoridade, isto é, o apoio a alguém que valide o que está sendo afirmado. O texto faz uso desse recurso? Comente: 

06) Copie do texto um trecho que explora o recurso da ambiguidade, ou seja, do duplo sentido, explicando, da melhor forma possível, que dois sentidos são esses: 

07) Qual a finalidade do texto? Você acha que ele cumpriu com esse objetivo?

08) Por que existem algumas passagens destacadas no texto? 

09) Elabore uma proposta de intervenção completa para a problemática apresentada no texto, não se esquecendo dos elementos exigidos no ENEM: agente, ação, modo, efeito, detalhamento: 

10) Você acha que, a exemplo dos cigarros, os rótulos e as mensagens publicitárias de bebidas alcoólicas também deveriam trazer advertências ao consumidor? Justifique sua resposta: 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Atividade sobre a crônica "MInha esposa tem a senha do meu celular", de Fabrício Carpinejar

       Minha esposa tem a senha do meu celular

Minha mulher tem a senha do meu celular e eu tenho a dela. Nunca conversamos a respeito - simplesmente aconteceu. Assim como não conservamos a certeza de quem falou o primeiro “eu te amo”, talvez tenha sido junto.
Não há o que esconder do outro. Às vezes assistimos vídeos lado a lado, ela me mostra o que recebeu no grupo e eu apresento por onde estou navegando e peço a sua opinião sobre as notícias - os aplicativos existem para puxar conversa em vez de agravar o isolamento.
Celular não é para ser um cofre, um segredo, uma conta privada. É apenas mais um recurso para falar com os amigos.
Os aparelhos estão sempre acessíveis. Ou carregando ou virados para cima. Se surge algo na tela, qualquer um pode espiar sem escândalo. Se entra uma ligação, o primeiro que enxergar avisa quem é.
O celular é como um antigo telefone de casa, coletivo, impessoal. Não é maior do que a nossa relação. Não tem nada lá dentro que alguém necessite manter distância.
O respeito físico e virtual são iguais. Ela pode abrir Facebook, Instagram, e-mail e somente vai encontrar a minha decência.
Tem noites que saímos com um único celular. Sorteamos: hoje é o meu ou hoje é o seu?, e rimos com a divertida alternância.
Telefono com o celular dela. Ela telefona com o meu celular. Ninguém fica tenso com alguma mensagem que possa surgir.
E é uma das mais deliciosas sensações do amor: a confiança. Não se proteger, não se ocultar, não usar desculpas, não ser agressivo para omitir conversas incriminadoras, não suar frio pela deslealdade online.
Não devemos nada, não corremos o risco de uma afronta.
Ela não invade a minha privacidade, faço questão de convidá-la.
(Fabrício Carpinejar)


01) O título utilizado no texto lhe despertou alguma surpresa? Hoje em dia é comum esse tipo de comportamento entre os casais? Comente:

02) Você daria a senha do seu celular para o(a) seu(sua) parceiro(a)? Justifique sua resposta:

03) Segundo o texto, qual a razão possível para que muitos casais não forneçam a senha um para o outro? Que outras razões poderiam existir?

04) Posicione-se sobre a passagem destacada no texto, explicando esse seu ponto de vista:

05) Copie do texto uma passagem que esteja em desacordo com as normas gramaticais, adequando-a e explicando o seu raciocínio:

06) Você concorda que o respeito físico e virtual são iguais? Ou há diferença entre esses dois campos? Comente:

07) Quais os benefícios da confiança, segundo o texto? Você concorda com isso?

08) Que provérbio se aplicaria ao texto, como um todo? Justifique sua resposta:

09) O celular, como outros meios que dão acesso às redes sociais, tem sido a causa de muita briga e separações entre casais, alguns chegam a matar por ciúme. O que você pensa sobre isso? Dê a sua opinião, usando argumentos convincentes:

10) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

11) Posicione-se sobre a afirmação abaixo, explicando o seu raciocínio: 



12) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema abordado:

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Atividade sobre "Carta do chefe Seattle" (1855)

Esta carta foi escrita, em 1855, por um índio norte-americano, de nome Seattle, cacique da tribo Duwamish, para o então Presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce: 

 Do cacique ao Presidente - Carta do chefe Seattle

"O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo."

O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa da nossa amizade. Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas -- elas nunca empalidecem. 
Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia nos parece estranha. Se não possuímos o  frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada torrão desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo reluzente de pinheiro, cada punhado de praia arenosa, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência de meu povo. A seiva que circula nas árvores carrega consigo as recordações do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem -- todos pertencem à mesma família. Portanto, quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. 
O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua proposta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a nossa terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar a suas crianças que é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. 
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão. 
Sabemos que o branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas, como carrneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. 
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto na cidade do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos do homem vermelho. E o que resta da ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros. 
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro -- o animal, a árvore, o homem, todos compartilhamos o mesmo sopro. Pare que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados. 
Portanto, vamos meditar sobre a sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontecerá com o homem. Há uma ligação em tudo. 
Vocês devem ensinar a suas crianças que o solo a teus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem a suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. 
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos -- e o homem branco poderá pensar O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. 
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e, por alguma razão especial, lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de mutios homens e a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. 

01) Você acha que de lá para cá (1855) muita coisa mudou? Justifique sua resposta:

02) Qual é a ideia central do texto? 

03) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

03) Que comparação é feita no texto? Explique:

04) Transcreva da carta uma passagem irônica, justificando sua escolha: 

05) Por que era tão difícil par ao chefe indígena aceitar a ideia de vender suas terras? 

06) Em certo momento do texto, o chefe indígena diz que vai considerar a proposta de venda das terras, embora continue preocupado. Com o quê?

07) O chefe Seattle demonstra ter plena consciência da diferença existente entre a maneira de o branco encarar a natureza e a do indígena. Copie o trecjo em que isso é evidenciado:

08) Qual a diferença entre o significado da terra para o branco e para o índio?
 
09) O chefe Seattle faz uma crítica às cidades onde vivem os homens brancos. O que ele diz sobre elas?

10) Que condições que o chefe impõe no que tange à terra, aos rios, ao ar e aos animais? 

11) A que se refere a expressão "fumegante cavalo de ferro"? 

12) Que mensagem o texto transmite? Comente:

13) Que medidas você sugere para preservar racionalmente o meio ambiente?