sábado, 31 de março de 2018

Manchete tendenciosa + artigo de opinião porreta = discussão super válida!

Revoltadíssima é pouco! Nem sei o que eu fiquei quando li a manchete ESCROTA, DESUMANA e TENDENCIOSA abaixo! Só sei que reprogramei as minhas aulas da semana e preparei a atividade abaixo, para discutir nas minhas aulas e provocar (no melhor sentido da palavra) os meus alunos! Espero que gostem, pois eles, ao que tudo indica, gostaram e participaram bastante, graças a Deus! 

Texto 01: PM que matou filha acidentalmente é morto com tiros na cabeça em Cabo Frio



O policial militar Luciano Batista Coelho, do vigésimo quinto BPM (Cabo Frio), foi morto na noite desta quarta-feira no Largo Santo Antônio, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. O cabo foi atingido na cabeça por volta das 19 h por quatro criminosos, que roubaram a arma do policial antes da fuga. 

Policiais do vigésimo quinto BPM foram acionados para o local, mas já encontraram Batista sem vida. Os policiais estão em busca dos envolvidos no assassinato. Testemunhas contam que o cabo tentou impedir uma tentativa de assalto a loja "Casas Bahia", no Centro de Cabo Frio. 



01) O que você achou da manchete do jornal? Na sua opinião, ela foi tendenciosa ou não? Justifique sua resposta: 

02) Qual o objetivo de um jornal? Essa manchete cumpriu com esse objetivo? Por quê? 

03) Aponte o que você acha que deveria ter sido mais explorado na notícia e o que pareceu ter extrapolado: 

04) Quais são os dois fatos explorados na notícia? Que ligação poderia existir entre eles? 

05) Analisando APENAS a manchete, parece que um fato ocorreu há anos ou pode dar a entender que ocorreu no dia do assassinato do PM? Pode ter dado a entender que era uma causa e consequência? Explique: 

06) A matéria condiz com a manchete? Explique seu ponto de vista:

07) Para você, sinceramente, o fato de linkarem uma matéria antiga, relacionada à vida do PM assassinado, foi algo positivo ou negativo? Por quê? 

08) Qual pareceu ter sido o objetivo do autor da matéria ao citar esse acidente antigo da vida do Luciano: exaltar o sofrimento do mesmo, enaltecê-lo como policial ou denegrir, de alguma forma, a imagem dele? Comente: 

09) Utilize a matéria para diferenciar FATO e OPINIÃO, dizendo se pode ou não ter havido uma opinião ali embutida e se isso condiz com um bom jornalismo:

10) Sabemos que a vírgula não é usada para separar o sujeito de seu predicado, porém, na manchete, tal equívoco acontece. Observe e corrija, pois o "repórter" parecia tão empenhado em associar os dois fatos que parece ter se esquecido de regras gramaticais tão básicas: 

11) Que temas de redação poderíamos extrair da matéria em questão? Cite ao menos três viáveis: 

Texto 02: A triste história do PM que morreu duas vezes 

Luciano Batista Coelho era cabo da PM, trabalhava no vigésimo quinto batalhão, em Cabo Frio. Honesto, prestativo, querido pela comunidade, um PM desses que a gente, às vezes, acha que não existe mais por aí. Estava fazendo bico como segurança -- uma forma que policiais têm de sobreviver honestamente e compensar o péssimo salário que recebem (quando recebem). Luciano fazia a segurança de uma farmácia, quando percebeu que a loja ao lado estava sendo assaltada e tentou impedir. Podia ter ficado quieto? Podia. Muitos fariam. Ele não fez. O senso de justiça falou mais alto. Luciano era um só. Os bandidos, quatro. Espalhados, disfarçados e, especialistas em ser bandidos, atiraram. Bem na cabeça, que era para matar. Quando os colegas chegaram, já era tarde demais. Luciano já estava morto, pela segunda vez. Em 2015, Luciano limpava o revólver quando um tiro atingiu Eloá, sua filha de onze meses. 

Eu errei muito, como mãe, inclusive. E morri por dentro, mil vezes, de culpa e remorso. Por falhas e omissões. Por invasões, por me calar, por falar mais do que devia, por não ter suportado um pouco mais ou não ter agido antes. Me corta a alma imaginar a angústia que Luciano precisou suportar pela vida afora. Consegue imaginar a dor? Por isso não me cabe julgar. Nem cogitar se houve falhas. Quem nunca errou na vida que atire a primeira pedra. A mim, só me cabe sentir muito. E dizer que imagino o tamanho do estrago que um acidente desses faz numa vida. Numa família. Como sobreviver a uma tragédia dessas? Nem imagino. Mas Luciano conseguiu, sem perder a doçura e a gentileza; Eu não conseguiria. 

A morte de Eloá foi acidental. Uma dessas surpresas macabras que a vida arma com a gente. Mas a morte de Luciano não foi. Luciano foi assassinado, em Cabo Frio. Maurício Chagas Barros, em Belford Roxo. Felipe Santos Mesquita, na Rocinha. Três policiais em pouco mais de doze horas. Trinta e um só este ano, e ainda estamos em março! Isso não é acidente! 

Imaginem dois times entrando em campo. Um todo equipado, bem treinado, com muitos jogadores. Outro é o time dos sem camisa: a bola é furada, uniforme desbotado, a alimentação é pouca (isso quando não vem estragada). O equipamento é antiquado, quebrado, péssimo. O time é desfalcado, a cada dia mais um pouco. Assim estamos nós, cariocas, lutando contra os péssimos governantes que elegemos, contra o abandono em que fomos jogados. Nós somos os sem camisa na Educação e na Saúde. Os PMs são os sem camisa na Segurança. Uma profissão em que se arrisca a vida, que é tão perigosa que o tipo de sangue precisa vir bordado no bolso: eles estão sem treinamento, sem atualização, sem preparo, sem salários dignos, exaustos e ainda tendo que emendar plantão e fazer bico para pagar as contas. Do outro lado, as quadrilhas armadas até os dentes, preparadas, prontas a atirar sem dó. Gente, isso não pode! Estamos morrendo em cada esquina. Estamos apavorados. Vivemos mergulhados em aflição e angústia. Temos medo de sair às ruas. Saímos e não sabemos se voltamos. Isso é muito descaso! Estamos sucateados, fruto do desgoverno que se instalou no Rio. 

Toda morte importa. Toda morte dói em alguém. Não se pode fingir que esse faroeste em que vivemos seja normal. Vivemos pendurados em gambiarras de esperanças que já mal se sustentam em pé. Até quando? Quantos mais vamos esperar morrer? No gatilho de cada arma que ceifa nossas vidas há a digital do Estado. São culpados todos os que desviaram nossos impostos. Os que só cuidaram dos próprios bolsos. Os que transformaram nosso suor em jantares, mansões, helicópteros e joias. Os que dão declarações sorridentes dizendo que não há verbas. O Estado que não equipa, não treina, não prepara seus policiais, joga a todos nós na jaula dos leões para sermos devorados. Afundamos, a cada dia mais, numa lama de desespero. O Estado que nega Educação de qualidade empurra seus jovens para a bandidagem. O Estado que não cuida da Saúde do seu povo, é um Estado assassino. Assassino por negligência, por omissão, por abandono. 

Não se trata de armar a população. Luciano estava armado e não conseguiu sair vivo. O que garante uma vida de qualidade é dar à população os direitos que todos têm. Investir verdadeiramente em Saúde, Educação e Segurança. Isso é que o traz a paz. Não se iludam. Nossa omissão está também registrada no gatilho de cada um dessas trinta e uma armas. Até quando vamos suportar sem nada fazer? Até quando vamos votar nos mesmos? Até quando vamos simplesmente não acompanhar e cobrar nossos direitos? 

PMs assassinos: presente! Povo assassinado: presente! Poder público: ausente! Como sempre! 

(Mônica Raof El Bayed)

01) Se considerássemos o título desse artigo de opinião como sendo uma manchete, ela teria a mesma abordagem da manchete já analisada? Justifique sua resposta: 

02) Explique a passagem destacada no primeiro parágrafo: 

03) Qual o objetivo dos parênteses utilizados nesse mesmo parágrafo? 

04) Transcreva do texto uma passagem que mostre uma nítida desvantagem de Luciano com relação aos bandidos: 

05) Copie do texto uma passagem que justifique o título do artigo de opinião, explicando: 

06) Você concorda que Luciano morreu mais de uma vez? Por quê? 

07) A autora, assim como quem escreveu a manchete patética e tendenciosa, também utilizou um fato doloroso do passado do Luciano, porém, com outra conotação. Qual? A que conclusão podemos chegar?

08) Copie do texto um exemplo de antítese, explicando seu raciocínio:

09) Copie do texto uma passagem que convida o leitor a refletir, participando, e qual seria o objetivo de tal recurso?

10) Por que você acha que a autora fez questão de repetir, diversas vezes, o nome do PM assassinado e não recorrer a pronomes ou afins? 

11) O assassinato de Luciano, apesar de ter sido o mote do texto, não foi o único a ser explorado. O que mais a autora denuncia e qual a opinião dela quanto a isso? E a sua? Comente: 

12) Copie do texto exemplos de oralidade, dizendo qual é a importância disso para o texto de um modo geral:

13) Segundo a autora, quais são as áreas mais problemáticas do povo carioca? Você concorda com ela? Qual seria a solução imediata para esses problemas? 

14) Para a autora, quem é o culpado por todo esse descaso com a população carioca como um todo? Você concorda com ela? Explique: 

15) No último parágrafo, há uma passagem em destaque, em que a autora levanta uma outra discussão bem polêmica: a questão do armamento, que é a solução para muitos. Qual a opinião dela sobre isso? E a sua? Você concorda? 

16) Tente enumerar três argumentos favoráveis e três desfavoráveis para a questão do armamento: 

17) Você concorda que nós também temos culpa por tudo de ruim que tem acontecido, especialmente no Rio? Justifique sua resposta: 

18) Copie do texto três bons exemplos de FATO e três de opinião: 

19) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Que sentimento ele mais despertou em você? 

20) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra sublinhada no segundo parágrafo do texto: 

quarta-feira, 28 de março de 2018

Atividade de leitura: "Livro na caixa" ou "Filme na caixa"

Conheci essa atividade em um grupo de professores, no Facebook, e ela é muito simples. Basta cada aluno escolher um livro para ler e depois decorar uma caixa de sapato e, dentro, colocar algo que tenha muito a ver com tal leitura, ou seja, que cada um possa ver e imediatamente associar à obra lida, tipo uma maquete! Veja um exemplo show de bola que o aluno de uma colega fez com a obra "O Pequeno Príncipe":



E veja também essa aqui, em cima da obra "A bela e a fera", que gracinha! Já deu para se ter uma ideia?!? 




Se a turma for meio lenta para ler, você também pode pedir para fazer com contos, que são menores e o resultado também pode ser bem eficaz!

Também tem uma variação desta atividade, que é fazer a mesma coisa, só que com filme e não livro! Se bobear, dá até para fazer com uma música! O que acham?!? 

Só sei que essas atividades costumam ser muito bem aceitas e são um verdadeiro sucesso! Os alunos amam e se empolgam! Está esperando o que para colocar em prática, hein?!? 

terça-feira, 27 de março de 2018

Atividade sobre a música "Todo o sentimento", de Chico Buarque de Holanda


Todo o sentimento

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo 
Da gente 
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo o sentimento
E bota no corpo uma outra vez

Prometo te querer 
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente 
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu 
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu.

(Chico Buarque de Holanda e Cristóvão Bastos)


01) Justifique o título dado à música:

02) O primeiro verso da canção está em sentido denotativo? Justifique: 

03) Copie da música um verso que contém uma antítese, explicando bem: 

04) Interprete o verso destacado no texto: 

05) Que mensagem a canção transmite? Comente: 

06) Diga a que classe gramatical cada palavra destacada no texto pertence: 

quarta-feira, 21 de março de 2018

Projeto "Nossas Horas" - Violência contra a mulher

Foi muito interessante o projeto denominado "Nossas Horas" (similar ao programa "Altas Horas", do Serginho Grossman), que ocorreu em uma das escolas em que eu trabalho! Uma das propostas era cada turma criar, com o auxílio do professor-orientador, 5 (cinco) perguntinhas sobre o tema norteador: "Violência contra a mulher", que foram respondidas pelos especialistas convidados! 

Estas aqui foram as que saíram da minha turma 3004, do "Colégio Estadual Almirante Frederico Villar", em Arraial do Cabo (RJ): 

01) Se houve necessidade de se criar "Delegacias da Mulher", provavelmetne por conta do constrangimento das vítimas, por que então existem homens trabalhando nelas, tomando as denúncias femininas?

02) Dos tipos de violência que a mulher sofre -- Sexual, Moral, Psicológica, Física ou Patrimonial --, qual é o mais frequente aqui na nossa região, segundo as queixas feitas? Dependendo de cada caso, altera na pena da Lei Maria da Penha? 

03) O que difere um caso de homicídio do de feminicídio? No que a "Lei do Feminicídio", sancionada pela ex-presidente Dilma Roussef, em 2015, ajudou na "Lei Maria da Penha"?

04) É comum outras pessoas denunciarem casos de violência doméstica, sem ser a própria vítima? Ou a maioria, infelizmente, ainda pensa que "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher"? 

05) O que é "Gaslighting" e como é possível detectá-lo? 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Atividade sobre o artigo de opinião: "Mulheres precisam querer mais" , de Luíza Nagib Eluf

Mulheres precisam querer mais 

O último censo do IBGE mostrou que as mulheres têm, em média, mais dois anos de educação que os homens. Mas, em que pese esse diferencial positivo, os salários pagos às mulheres ainda são, em média, 30% menores que os dos homens, na mesma função. Outra constatação intrigante é a de que, quanto maior o nível educacional, maior a diferença entre os rendimentos masculinos e femininos. 

Sabemos que o patriarcalismo se sustenta na pobreza da mulher. A ideia é que as mulheres não tenham dinheiro nem poder, precisem vender seu corpo para se sustentar, seja pela prostituição ou pelo casamento. Além disso, essa pesquisa mostrou que não basta ter mais educação formal para que a violência doméstica diminua. A correlação de forças entre os gêneros continua desigual e as mulheres permanecem sofrendo discriminações, tanto no espaço público quanto no privado. 

O Brasil tomou várias medidas para promover a igualdade de gênero. Começou pela Constituição Federal, que estabelece direitos iguais, reconhece a união estável, cria a licença-paternidade, equipara os direitos dos filhos independentemente da situação dos pais. Vieram, também, as Delegacias de Defesa da Mulher, o crime de assédio sexual, a Lei Maria da Penha, as Varas de Violência Doméstica. Entendemos que a opressão feminina é milenar e não será banida do dia para a noite, mas com as possibilidades que temos hoje é de espantar que a maioria das mulheres ainda esteja em tamanha desvantagem. Em outras palavras, a marcha para uma vida melhor está devagar demais

A dominação masculina transformou o mundo num lugar hostil às mulheres. Nos mínimos detalhes, as atividades profissionais remuneradas são organizadas para causar desconforto à mulher. Os ambientes são rígidos, os banheiros são sujos, o relacionamento com os outros é impessoal, os termos linguísticos são rudes, a nomenclatura dos cargos de comando está no masculino, as roupas são controladas e criticadas, isso tudo sem falar do assédio secual ou moral, de forma que as mulheres sintam medo de ser mulheres. Assim, diante de tantas dificuldades, muitas desistem antes mesmo de tentar, outras alcançam uma posição razoável e se conformam, apenas algumas poucas ousam lutar para chegar o mais alto possível. É difícil resistir à tentação de se acomodar, de aceitar a subalternidade ou dedicar-se apenas ao marido e aos filhos. 

Sim, gostamos de ser mães, de cuidar da casa e dos outros, mas isso não engloba todos os nossos anseios. Precisamos também de independência financeira, sexual e profissional, de respeito, de dignidade e de reconhecimento social. Para escapar da violência e mudar a correlação de forças temos de estar no poder. Mesmo que esse poder, instalado por homens para o bem dos homens, não seja o nosso ideal de vida. Ainda que pareça difícil suportar as contrariedades do ambiente hostil, não será possível evitar esta etapa evolutiva: ocupar os espaços para depois fazer as transformações. Enquanto as mulheres não tiverem a clareza de que é preciso querer mais, ambicionar o máximo e não se contentar com o mínimo,  os bons níveis de escolaridade não serão suficientes para vencer a imposição de inferioridade. 

Por outro lado, não podemos prescindir da colaboração dos homens nessa árdua jornada. E eles precisam começar modificando a forma como encara as relações afetivas. Sobre esse tema, David Servin-Schreiber, médico francês que escreveu dois livros para contar sua luta contra o câncer, sintetizou o assunto na obra "Podemos dizer adeus duas vezes". Depois de muitas meditações e durante os momentos finais em que passou a rever sua ida, reconheceu que não soube amar as mulheres como gostaria de ter amado. Em suas palavras: "Quando eu era muito jovem, tinha cabeça cheia de ideias imbecis sobre o assunto. Para mim, amor era coisa que o homem impunha à mulher, pois ela era por essência recalcitrante. O único modo de agir era subjugá-la. Uma história de amor era em primeiro lugar uma história de conquista, depois uma história de ocupação. Pura relação de força, na qual o homem tinha interesse em se manter na posição dominante. Nem pensar em deixar-se levar, mesmo depois de ela se render. Como a dominação era ilegítima, ele devia vigiar constantemente sua conquista, devia mantê-la sob sua influência, se quisesse evitar que ela se rebelasse. Impossível imaginar uma relação harmoniosa, uma relação baseada na troca ou numa igualdade qualquer de parceiros. Ainda me pergunto deonde me vinham aquelas ideias idiotas que deterioraram minhas histórias de amor até por volta dos meus 30 anos. Eu me esforçava por me comportar como potência ocupante. Minha busca amorosa se resumia à procura de um território para conquistar. Resultado: eu amava, às vezes loucamente, mas não era amado. Ou mesmo quando o era, não me autorizava a me sentir amado. Porque, nesse caso, precisaria depor as armas. Que tristeza ter perdido tanto tempo e tantas oportunidades de felicidade! Por fim, acabei me desvencilhando daquelas ideias grotescas, dei um salto quântico que me projetou anos-luz, num universo encantado em que as mulheres são dotadas de inteligência e conseguem compartilhar comigo uma infinidade de interesses comuns. Finalmente, fui capaz de viver verdadeiras histórias de amor, com mulheres que eram iguais a mim, humana e intelectualmente. Consegui abandonar o frustrante papel de tutor. Aprendi que há muito mais prazer em dar e receber do que em dominar ou impor-se pela sedução". 

Talvez seja isso que nossas escolas tenham de ensinar para que os níveis de instrução formal possam fazer alguma diferença. 
(Luíza Nagib Eluf) 

01) Que fato deu origem ao texto?

02) Por que esse é um fao relevante, que merece ser discutido com os leitores?

03) Segundo o texto, como são os salários das mulheres em relação aos dos homens? 

04) Que medidas foram tomadas pelo Brasil para promover a igualdade de gênero?

05) A autora do texto afirma que "não podemos prescindir da colaboração dos homens nessa árdua jornada". Que exemplo de colaboração masculina ela apresenta?

06) Esse texto é um artigo de opinião. Com que finalidade ele foi redigido? Essa finalidade foi alcançada? 

07) A autora apenas registra um problema, dá opinião sobre ele e/ou apresenta a opinião de outra pessoa? Justifique sua resposta:

08) Qual é o leitor com o qual o artigo dialoga?

09) O artigo não se limita a abordar a situação da mulher na sociedade, apontando também a do homem. Justifique essa afirmativa: 

10) Que ideia o título lhe transmitiu? Copie um trecho do texto que o justifique: 

11) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

12) Transcreva do texto uma passagem que contenha uma ideia de proporcionalidade: 

13) Justifique o emprego das aspas no texto: 

14) O texto usa um argumento de autoridade? Qual? Explique seu raciocínio:

15) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

16) Diga a que classe gramatical cada palavra destacada no texto pertence: 

17) Leia atentamente o textículo e as imagens a seguir e escreva, em poucas linhas, a sua mais sincera opinião sobre o assunto, com argumentos: 

Discutir assédio em locais públicos também é falar da mulher dona do seu próprio corpo. Nas ruas, ela é alvo do escrutínio alheio por herança do machismo que ainda é prevalente na sociedade. Desde o iníco da campanha "Chega de Fiu Fiu", ficou muito claro como, para muitas pessoas, a noção de que as mulheres são donas de seus corpos simplesmente não existia. A campanha tem objetivo de conscientizar a sociedade de que a prática de cantadas é considerada ofensiva para as mulheres: 83% disseram que já deixaram de fazer alguma coisa com medo de assédio; e 90% afirmaram que já trocaram de roupa também por medo de serem assediadas. 




18) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema abordado, aproveitando, direta ou indiretamente,as charges a seguir e tentando responder à seguinte pergunta: "Qual a importância de haver UM Dia da Mulher?"




quarta-feira, 7 de março de 2018

Atividade sobre a crônica "O que é ser mulher", da Martha Medeiros

O que é ser mulher

Sempre que chega essa época do ano, prometo a mim mesma: minhas próximas férias serão tiradas em março. Vou alugar uma choupana em Ushuaia e só volto quando pararem de falar no "Dia da Mulher". Apenas para evitar a pergunta que tantos pedem que a gente responda: "O que é ser mulher?".
Basicamente, ser mulher é ter nascido com os cromossomos XX. Será que isso responde à questão? Responde, só que de modo desaforado. Espera-se que colaboremos: "Ser mulher é ser mãe, esposa, profissional..." Alguém ainda aguenta essa churumela?
Se é para refletir sobre o assunto, então sejamos francos: ninguém mais sabe direito o que é ser mulher. Sofremos uma descaracterização. Necessária, porém aflitiva. Entramos no mercado de trabalho, passamos a ter liberdade sexual e deixamos para ter filhos mais tarde, se calhar. Somos presidentes, diretoras, empresárias, ministras. Sustentamos a casa. Escolhemos nossos carros. Viajamos a serviço. Saímos à noite com as amigas. Praticamos boxe. O que é ser melhor, nos perguntam. Pois, hoje, ser mulher é praticamente ser um homem. 
Nossa masculinização é um fato. Ok, nenhuma mulher desistirá de tudo o que conquistou. A independência é um ganho real para nós, para nossa família e para a sociedade. Saímos da sombra e passamos a existir de forma plena. E o mundo se tornou mais heterogêneo e democrático, mais dinâmico e produtivo, em suma: muito mais interessante. Mas não nos deram nada de mão beijada, ganhamos posições no grito, falando grosso. E agora está difícil reconhecer nossa própria voz. 
"Sou mais macho que muito homem" não é apenas o verso de uma música de Rita Lee, é pensamento recorrente de cérebros femininos. Alguém ainda conhece uma mulher reprimida, omissa, sem opinião, sem pulso? Foram extintas e deram lugar às eloquentes. 
Nada de errado, repito. Acumulamos uma energia bivolt e isso tem nos trazido inúmeros benefícios -- deixamos de ser um simples acessório, nos integralizamos. Mas essa nova mulher ainda se permitirá um segundinho de "cuida de mim"? Se os homens estão se permitindo ser frágeis, por que não nos permitimos também, nós que temos os royalties dessa condição? 
É no amor que a mulher recupera sua feminilidade. É na relação a dois. Na autorização que dá a si mesma de se sentir cansada e de permitir que o outro tome decisões e a surpreenda. É através do amor que voltamos a confiar cegamente, a baixar a guarda e deixar que nos seduzam -- sem considerar isso ofensivo. Muitas mulheres estão desistindo de investir num relacionamento por se julgarem incapazes de jogar o jogo ancestral: eu, provedor; você, minha fêmea. 
Os homens sabem que já não iremos nos contentar em receber mesada e ficar em casa guardando a ninhada, mas, na intimidade, que tal deixarmos a testosterona e o estrogênio interpretarem seus papéis convencionais?
Um amor sem tanta racionalidade, sem demarcação de território, sem guerra pelo poder. Amolecer de vez em quando, com entrega, com gosto. É onde ainda podemos ressuscitar a mulher que fomos, sem prejuízo à mulher que somos. 

(Martha Medeiros)

01) Justifique o título da crônica: 

02) Responda, com suas palavras, à pergunta feita: "O que é ser mulher?":

03) Por que a cronista afirma que queria tirar férias nessa época do ano? 

04) Copie do texto marcas de oralidade:

05) Responda com suas palavras por que as mulheres sofreram uma descaracterização, possicionando-se sobre a afirmação em negrito no texto: 

06) Transcreva do texto uma expressão utilizada no sentido conotativo, explicando seu raciocínio:

07) Justifique todas as aspas empregadas no texto:

08) Explique por que algumas palavras encontram-se em itálico no texto:

09) O que seria uma energia "bivolt"? Você concorda com isso? Por quê? 

10) Justifique o emprego do porquê, em destaque na crônica: 

11) Explique o que seria o tal "jogo ancestral" a que a cronista se refere: 

12) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

terça-feira, 6 de março de 2018

Atividade sobre Neologismo



01) O que as cinco palavras acima têm em comum?

02) Qual delas você usa na sua rotina?

03) Existem palavras que podem substituir cada uma delas, sem prejuízo no sentido? Se sim, quais?

04) Forme uma frase utilizando cada uma dessas palavras:

05) Que outras palavras você acrescentaria à lista?

segunda-feira, 5 de março de 2018

Atividade sobre o soneto "Psicologia de um vencido", de Augusto dos Anjos


Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme -- este operário das ruínas -- 
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra! 

(Augusto dos Anjos)

01) Justifique o título dado ao texto em questão:

02) Por que podemos afirmar que tal texto é um soneto?

03) Identifique cada elemento como agente ou paciente: verme / carnificina / vida: 

04) Segundo o eu lírico, o que restará após a cação do verme?

05) Identifique no texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

06) O desenvolvimento da Ciência no final do século XIX vulgarizou muitos termos específicos da química, da física e da biologia. Como se percebem, no poema lido, vestígios desse fato?

07) A concepção de vida latente nesse poema diverge da concepção aceita por todas as religiões. Por quê?

08) Que sentido pode-se atribuir à palavra AMBIENTE, localizada na segunda estrofe?

09) ÂNSIA significa AFLIÇÃO, ANGÚSTIA. Essa sensação, para o poeta, se manifesta física ou espiritualmente? Justifique sua resposta:

10) Que relação de semelhança se pode estabelecer entre esse texto e aqueles do Romantismo composto sob influência do mal do século? 

11) Que diferença e que semelhança se pode estabelecer entre a concepção de natureza presente no poema e à concepção de natureza aceita pelos românticos?

12) Nota-se que o poeta procura sensibilizar o leitor através do feio, do horroroso... Você acha que ele conseguiu isso? Comente: 

13) Que mensagem o texto transmite?