segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Atividade sobre a crônica "Ousadia", de Fernando Sabino

Ousadia

A moça ia no ônibus muito contente desta vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:
-- A sua passagem já está paga, disse o motorista.
-- Paga por quem?
-- Esse cavalheiro aí.
E apontou um mulato bem vestido que acabara de deixar o ônibus, e aguardava com um sorriso junto à calçada. 
-- É algum engano, não conheço esse homem. Faça o favor de receber. 
-- Mas já está paga...
-- Faça o favor de receber! -- insistiu ela, estendendo o dinheiro e falando bem alto para que o homem a ouvisse: -- Já disse que não conheço! Sujeito atrevido, ainda fica ali me esperando, o senhor não está vendo? Por favor, faço questão que o senhor receba minha passagem. 
O motorista ergueu os ombros e acabou recebendo: melhor para ele, ganhava duas vezes. A moça saltou do ônibus e passou fuzilada de indignação pelo homem.
Foi seguindo pela rua sem olhar para ele. 
Se olhasse, veria que ele a seguia, meio ressabiado, a alguns passos. 

Somente quando dobrou à direita para entrar no edifício onde morava, arriscou uma espiada: lá vinha ele! Correu para o apartamento, que era no térreo, pôs-se a bater aflita:
-- Abre! Abre aí! 
A empregada veio abrir e ela irrompeu pela sala, contando os pais atônitos, em termos confusos, a sua aventura. 
-- Descarado! Como é que tem coragem? Me seguiu até aqui! 
De súbito, ao voltar-se, viu pela porta aberta que o homem ainda estava lá fora, no saguão.
Protegida pela presença dos pais, ousou enfrentá-lo:
-- Olha ele ali! É ele, venha ver! Ainda está ali, o sem-vergonha. Mas que ousadia! 
Todos se precipitaram para a porta. A empregada levou as mãos à cabeça.
-- Mas a senhora, como é que pode! É o Marcelo. 
-- Marcelo? Que Marcelo? -- a moça se voltou surpreendida.
-- Marcelo, o meu noivo. A senhora conhece ele, foi quem pintou o apartamento. 
A moça só faltou morrer de vergonha:
-- É mesmo, é o Marcelo! Como é que não reconheci! Você me desculpe, Marcelo, por favor. 
No saguão, Marcelo torcia as mãos, encabulado:
-- A senhora é que me desculpe, foi muita ousadia. 
(Fernando Sabino)

01) Justifique o titulo empregado na crônica acima:

02) Quem são as personagens principais da história?

03) Qual é o foco narrativo? Comprove com uma passagem do texto: 

04) Qual é o tema abordado no texto? Justifique sua resposta: 

05) A linguagem empregada no texto foi formal ou informal? Por quê? 

06) Qual foi a situação inicial da crônica?

07) Qual foi o conflito (ou complicação) da história? 

08) Qual foi o clímax dessa narrativa? 

09) O que você achou do desfecho? O que ele revela? 

10) Por que a moça quase morreu de vergonha? O que você faria no lugar dela? 

11) A descrição física do moço é importante para a construção do mal-entendido na história? Por quê? 

12) Que tipo de discurso predominou na crônica? Que efeito esse recurso provoca no leitor? 

13) A crônica faz uma crítica a um comportamento humano muito presente em nossa sociedade. De qual se trata? Justifique sua resposta: 

14) Que mensagem o texto transmite? 

(P.S.: Utilizo muito este texto com meus alunos para criação de final, então entrego apenas a primeira parte, que vai até "Se olhasse, veria que ele a seguia, meio ressabiado, a alguns passos" e peço para que eles inventem desse ponto em diante. Só depois de ler umas cinco produções que revelo o restante do texto! Recomendo!)

Atividade sobre Anúncio Publicitário da Natura


01) O texto acima integra uma revista de divulgação de comésticos de uma determinada marca. Qual é ela? 

02) Tal texto se organiza a partir de um substantivo, seja para caracterizá-lo, especificá-lo ou restringi-lo. Qual? 

03) O texto intencionalmente apresenta muitas repetições. Apesar disso, algumas palavras estão subentendidas. No trecho "Gente que se emociona e não sente vergonha. Que dá e aceita opinião", que palavras estão subentendidas? Que qualidade o texto ganha com a omissão desses termos? 

04) Copie do anúncio uma antítese, explicando seu raciocínio:

05) A passagem "Olha no olho" é ou não um pleonasmo? Por quê?

06)  A "GENTE" caracterizada pelo texto corresponde a uma única pessoa ou a diferentes pessoas? Explique seu ponto de vista:

07) Levante hipóteses: Quem você acha que é a GENTE?

08) Por que a última frase do anúncio encontra-se em destaque?

09) Que relação existe entre a marca do produto e a figura que a representa?

10) Abaixo da marca do anunciante, em letras menores, se lê a expressão "Bem estar bem". Que sentidos essa expressão tem no contexto?

11) Que semelhança existe entre essa expressão com o trecho final do texto?

12) Considerando o fato de que o texto aparece no início de uma revista que vende cosméticos, assinale a afirmação que expressa a finalidade desse anúncio:

(A) Transmitir a noção de que "gente bonita de verdade" não precisa de cosméticos para se embelezar.
(B) Por meio de argumentos de que o povo brasileiro se cuida e gosta de gente bonita, estimular o leitor a consumir produtos dessa marca de cosméticos. 
(C) Convencer o leitor, com argumentos objetivos, de que a beleza é algo objetivo, uma mercadoria como outra qualquer que se compra. 

Atividade sobre a música "A cura", do Lulu Santos



A cura

Existirá, em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá todo farol iluminará
Uma ponta de esperança

E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá toda certeza vã, não sobrará
Pedra sobre pedra

Enquanto isso 
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noçao
Na qual se crê
Que o inferno é aqui

Existirá e toda raça então experimentará
Para todo mal, a cura

(Lulu Santos)


01) Justifique o título empregado na canção acima:

02) Copie do texto versos que remetem ao inesperado, justificando:

03) O que hoje em dia mais lhe dá uma "ponta de esperança"? Comente:

04) O que significa "não sobrará pedra sob pedra"? Isso é algo positivo ou negativo? Justifique-se:

05) O que seriam "certezas vãs"? Você as possui?

06) Você acredita que "o inferno é aqui"? Explique seu raciocínio:

07) De que cura você mais necessita neste exato momento? E o mundo?

08) Que mensagem podemos extrair da música analisada? Comente:

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Atividade sobre a crônica "Psiu", de Luís Fernando Veríssimo

 Psiu

Era uma vez uma donzela que caminhava pela beira de um rio quando ouviu um "psiu". Parou e olhou em volta e não viu ninguém. Viu uma floresta de conto de fadas e um límpido rio de antigamente, e um céu de puro azul com nuvens brancas e muitos pássaros, mas não viu ninguém. Recomeçou a caminhar e de novo ouviu um "psiu". E então descobriu que quem fazia "psiu" era um sapo. Levou um susto, mas o olhar do sapo era tão triste e a donzela era tão boa que ela se curou para ouvi-lo. E o sapo contou que era, na verdade, um príncipe amaldiçoado. Fora transformado em sapo por uma bruxa vingativa com poderes mágicos, que fazia qualquer coisa virar qualquer coisa, e só se transformaria de novo em príncipe se uma donzela boa o beijasse. A donzela acreditou e beijou o sapo, que se transformou num príncipe lindo que a levou para o seu castelo feudal. E os dois viveram felizes para sempre, explorando os camponeses.
Anos depois, outra donzela, caminhando pela beira do mesmo rio, ouviu o mesmo "psiu". Olhou em volta, temendo que fosse um dos tantos salteadores que, com o fim do feudalismo, infestaram a floresta, mas descobriu que quem fazia "psiu" era um sapo, que contou a mesma história. Era um príncipe transformado em sapo por uma bruxa vingativa com poderes mágicos, que fazia qualquer coisa virar qualquer coisa, e só se transformaria de novo em príncipe se etc etc. A donzela concordou, com uma condição:  
-- Beijo de língua, não! 
E o príncipe a levou para seu castelo, e os dois viveram felizes para sempre, vendendo a prataria e os móveis e tudo que restara do fausto medieval. 
O episódio seguinte aconteceu muitos anos mais tarde, depois da revolução industrial. Uma donzela desempregada caminhava pela beira do mesmo rio, no meio da mesma floresta quase toda abatida para fazer carvão para os fornos, quando ouviu o "psiu" do sapo. A mesma história. Bruxa com poderes mágicos, maldição, tudo. Só que quando o sapo se transformou de novo em príncipe, era um príncipe muito feio, deformado por gerações e gerações de casamento consanguíneo. A donzela protestou que esperava um príncipe mais bonito e o príncipe fez pouco de seu desdém. 
-- , pra quem beijou sapo! 
Mas foram morar na cidade, onde o príncipe ganhava a vida explorando seu título para tirar dinheiro da burguesia nascente, e foram felizes para sempre. 
Já neste século. Anos 20. A mesma história. "Psiu", sapo, bruxa com poderes mágicos. A única diferença que o beijo foi atrasado por uma questão técnica levantada pela moça.
-- Precisa ser donzela?
Aparentemente não precisava, porque o beijo funcionou, e o príncipe e a mulher ganharam muito dinheiro no comércio de chapéus, armamentos e Fords e foram felizes para sempre.
Anos 60. A história é a mesma com uma variação: a mulher que caminhava pela beira do rio poluído era feminista. Quando ouviu o que a bruxa vingativa com poderes mágicos, que fazia qualquer coisa virar qualquer coisa, fizera ao príncipe, concluiu:
-- Alguma você andou aprontando! -- solidarizou-se com a bruxa e chutou o sapo. 
Jovem com espírito empresarial caminhando pela beira do rio artificial do seu condomínio fechado ouve um "psiu", depois a conversa do sapo, a história da bruxa vingativa que faz qualquer coisa virar qualquer coisa, e mais que ligeiro coloca o sapo no bolso do jeans. Diante dos protestos do sapo -- "Um beijo, um beijo, e você será a mulher de um príncipe!" 
Ela raciocina em voz alta:
-- Um príncipe, hoje, não vale muita coisa, Mas você faz ideia do que eu posso ganhar com um sapo falante, só em cachês?
E ela fez fortuna em contratos publicitários, e viveu feliz para sempre. 
Variação final. Foi anteontem. Jovem ouviu proposta do sapo, mas não decidiu em seguida. Procurou seu consultor financeiro, que sempre lhe dizia que era preciso saber interpretar um relatório e lhe lembrou que nada é mais valioso no mercado do que a informação privilegiada. Ou seja:
-- Esquece o sapo e encontra essa bruxa! 
Só o que ela ganharia transformando nominativas em preferenciais seria uma fábula

(Luís Fernando Veríssimo)

01) Justifique o título dado à crônica acima:

02) Qual o assunto central do texto? Justifique sua resposta: 

03) O que a pergunta "Precisa ser donzela?" revela? 

04) Justifique as aspas na palavra "psiu":

05) Copie do texto fortes marcas de oralidade: 

06) Qual a finalidade da expressão em negrito no texto? 

07) Que mudanças ocorreram, ao longo da narração e do tempo, com relação:

a) ao principe?
b) à donzela?
c) à floresta?
d) à sociedade? 

08) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

09) De que parte do texto você mais gostou? Por quê? 

10) Diga a que classe gramatical pertence cada uma das palavras em destaque no texto: 

Atividade sobre o conto "Restos de carnaval", de Clarice Lispector

Restos de Carnaval 

Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.
No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé da escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.
E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.
Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma das minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça — eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável — e pintava minha boca de batom bem forte, passando ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.
Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.
Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga — talvez atendendo a meu apelo mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel — resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara do material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.
Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas — à ideia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha — mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola. Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve de ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem.
Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.
Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto, essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge —minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa — mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil — fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.
Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me.
Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns doze anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos, de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de oito anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.
(Clarice Lispector)
01) Justifique o título empregado no conto:
02) Explique a passagem que se encontra em destaque no final do primeiro parágrafo: 
03) O último carnaval traz à memória da autora os carnavais de sua infância. Na primeira parte do texto, ela nos fala daqueles carnavais em geral. Na segunda parte, de "um carnaval diferente dos outros". O que fez a diferença?
04) A afirmação "eu fora desencantada" (presente no décimo parágrafo) resume o sentimento da autora diante do modo como tudo acabou acontecendo naquele carnaval diferente. Como podemos interpretar a afirmação? 
05) No último parágrafo, a autora nos diz que "só horas depois é que veio a salvação". Por que o gesto do menino acabou sendo tão importante para a menina? 
06) No nono parágrafo, a autora diz que coisas piores lhe aconteceram e ela perdoou, mas que o acontecido naquele carnaval diferente "não posso sequer entender agora". Por quê? 
07) Por que a autora diz, no segundo parágrafo, que "Ah, está se tornando difícil escrever"? Qual é a razão para esse desabafo nesse ponto do texto?
08) Que mensagem o texto transmite? Comente: