segunda-feira, 17 de julho de 2017

Atividade sobre o filme "A caixa" (1 h 55 min)


Sinopse: O casal Norma e Arthur enfrenta um dilema moral ao receber um presente que carrega consequências irrevogáveis. Com o simples pressionar de um botão, a caixinha de madeira concederá um milhão de dólares. Entretanto, ao mesmo tempo, um estranho morrerá em algum lugar. A caixa será deles por apenas 24 horas. Enquanto as horas passam, Norma e Arthur confrontam as profundezas de sua natureza humana na tentativa de decidir o que fazer. (Duração: 1 h 55 min)

01) Justifique o título do filme:

02) O que você faria se deixassem uma caixa na sua porta, como aconteceu no filme? 

03) Qual a possível intenção do aluno ao perguntar sobre o porquê de a professora estar mancando? O que você faria no lugar dela? 

04) Você acha que hoje em dia as pessoas se deixam levar mais pela aparência? Quais os prós e os contras disso? 

05) Você concorda com o ditado popular "Amor com amor se paga", presente em uma parte do filme? Justifique sua resposta: 

06) Você acha que existem muitos médicos irresponsáveis, cujos pacientes acabam sendo vítimas, como a Sra Lewis e a perda de seus quatro dedos do pé? O que se poderia fazer para alterar isso? 

07) Como você interpreta o fato de o mensageiro não ter a metade do rosto? 

08) Coincidência ou não, muitas coisas ruins passaram a acontecer com o casal protagonista. Como você justificaria isso? 

09) Por que os fatos ocorrem justamente na época do Natal? Que simbologia pode haver nisso? 

10) "Por que precisamos de dinheiro se somos felizes?" Você acha que essas duas coisas são mesmo inconciliáveis? Justifique sua resposta: 

11) O que a chegada da caixa mudou na vida das pessoas que a receberam? 

12) O que é realmente conhecer alguém? Você me conhece? Você se conhece? 

13) Um milhão de dólares paga a vida de algum ser humano? Justifique sua resposta: 

14) O que há de amedrontador na fala do "mensageiro" quando ele diz que a oferta será feita a alguém que eles não conhecem? Por que, nesse caso, isso não foi um alívio? 

15) O casal parecia ter se arrependido de ter apertado o botão? Já se arrependeu de algo que você fez? Por que nem sempre há conserto? Que lição podemos extrair disso? 

16) Por que Arthur meio que relutou ao abrir a caixa de presente? O que pode ter passado pela cabeça dele? 

17) Por que provavelmente o nariz de algumas pessoas sangra? Interprete tal fato: 

18) Você apertaria o borão após saber de tudo o que aconteceu, no filme, na vida das pessoas? E antes de sabê-lo, quando Norma o botão também apertou? Por quê?  

19) "Há duas formas de se entrar na cãmara final: livre... ou não livre... A escolha depende de nós", já dizia Sartre. Concorde ou discorde dessa afirmação, explicando bem: 

20) O que o filme critica? Comente:

21) Que mensagem o filme transmitiu?

22) Elabore uma resenha crítica sobre o filme assistido: 

Atividade sobre a música "Me deixa", de O Rappa


Me deixa

Pode avisar, pode avisar
Invente uma doença que me deixe em casa pra sonhar
Com novo enredo, outro dia de folia

Eu ia explodir
Mas eles não vão ver os nossos pedaços por aí

Hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero e mais justo comigo

Podem os homens vir, que não vão nos abalar
Os cães farejam o medo, logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem, mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo pra cantar 

Me deixa que hoje eu tô de bobeira, bobeira
Me deixa que hoje eu tô de bobeira, bobeira... 

(O Rappa)

01) Justifique o título dado à canção:

02) O que é "estar de bobeira"? Explique:

03) Interprete o trecho "Eu ia explodir", explicando por que o eu lírico desistiu disso:

04) Copie do texto marcas de oralidade:

05) Que vantagens o eu lírico percebe nele hoje?

06) Explique o trecho destacado na canção:

07) Que mensagem a música transmite? Comente:

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Atividade sobre o texto "Chuchu", de Manuel Bandeira


Chuchu

Joanita,em sua última carta escrita de Haia: "Mas que saudades de chuchu com molho branco". 
Eu sei que toda gente despreza o chuchu, a coisa mais bestinha que Deus pôs no mundo, “Cucurbitácea” reles que medra em qualquer beirada de quintal. Não tenho também nenhuma ternura especial pelo chuchu, mas já reparei que há uma certa injustiça em considerar insípido um prato que é insípido só porque raras são as cozinheiras que sabem prepará-lo. 
Sei ainda que os médicos nutricionistas banem o chuchu de todas as suas dietas, dizem que o chuchu não vale nada, é uma mistura de água e celulose, desprovida de qualquer vitamina ou sal. O chuchu é meu eterno pomo da discórdia com meu querido amigo Dr. Rui Coutinho. Quando ele desfaz do chuchu em minha presença, salto logo em defesa do humilde caxixe. Argumento assim: "Antigamente, antes da descoberta das vitaminas, se dizia o mesmo da alface. Mas o sabor da planta, a boniteza de sua folha verdinha, ou talvez o instinto secreto da espécie sempre levaram o homem a comer a aristocrática Lactuca sativa. Um dia se descobriu que a alface é rica em vitamina A, cálcio e ferro. Então a alface deixou de ser água e celulose, e entrou nos menus autorizados e recomendados pelos nutricionistas. 
Quem me dirá que um dia, próximo ou distante, não se descobrirá no chuchu um elemento novo, indispensável à economia orgânica? O que me parece inexplicável é que nós brasileiros persistamos em comer sem quase nenhum deleite essa coisinha verde e mole que se derrete na boca sem deixar vontade de repetir a dose.” 
Rui Coutinho sorri cético. 
Enquanto isso, na Holanda, Joanita, podendo comer os pratos mais saborosos do mundo, tem saudade é de chuchu com molho branco. Que desforra para o chuchu! 

(Manuel Bandeira)

01) Justifique o título dado ao texto acima, aproveitando para sugerir um outro:

02) A passagem destacada no início do texto pode ser considerada uma frase? Justifique sua resposta:

03) Ainda com relação à passagem que abre o texto, nela há dois segmentos. O segundo, sozinho, pode ser considerado uma frase? Por que ele vem isolado por aspas? 

04) Exlique por que "Lactucasativa" e "menus" aparecem destacados no texto: 

05) Quanto ao gênero, como você classificaria o texto? Que fato serviu de motivo para o autor escrevê-lo? 

06) No texto, há um trecho dissertativo. Que palavra introduz a dissertação? 

07) Qual é o principal argumento utilizado na defesa do chuchu? O que você pensa a respeito dele? Convenceu? 

08) Encerrado o texto, o autor afirma: "Que desforra para o chuchu!". Esse enunciado constitui uma frase? Justifique: 

09) Qual é o significado do adjetivo "insípida" em cada uma das frases seguintes: "O chuchu é uma comida insípida" e "Era uma insípida noite de verão"? 

10) Na linguagem coloquial, a expressão "pra chuchu" tem sentido de abundância. Que expressão do texto comprova esse sentido dessa expressão popular? 

11) Na frase "O chuchu é meu pomo da discórdia com meu querido amigo Dr. Rui Coutinho", qual é o sentido da expressão destacada?

12) O autor usa vários termos para se referir ao chuchu, mas a expressão a qual ele faz referência à alface é:

 (A) caxixe  (B) coisinha verde. (C) coisa bestinha. (D) Cucurbitácea reles. (E) Lactuca sativa.

13) “Eu sei que toda gente despreza o chuchu, a coisa mais bestinha que Deus pôs no mundo, "Cucurbitácea" reles que medra em qualquer beirada de quintal.” No trecho anterior, as ASPAS foram usadas na expressão grifada para informar que se trata de:

(A) ironia.  (B) populismo.  (C) estrangeirismo. (D) termo científico.  (E) ênfase na expressão.

14) Identifique a opinião do autor sobre o chuchu (transcreva): 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Atividade sobre a música "Enquanto houver sol", dos Titãs


Enquanto houver sol

Quando não houver saída 
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma ideia vale uma vida

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá...
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós 
Aonde Deus colocou

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá...
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol

(Sérgio Brito)

01) Justifique o título dado à música, dizendo que sensação ele (sozinho) transmite:

02) Essa sensação é mantida e confirmada na letra da música? Por quê?

03) Posicione-se sobre o verso destacado na primeira estrofe, argumentando:

04) O que significa haver "em cada um de nós algo de uma criança"? O que isso provoca?

05) Explique o que significam as reticências utilizadas no texto:

06) Interprete o verso sublinhado na quarta estrofe:

07) Você concorda que "É caminhando que se faz o caminho"? Justifique sua resposta:

08) Explique a passagem em destaque na quinta estrofe da canção:

09) A palavra "aonde" foi ou mão bem empregada no texto? Por quê?

10) Que mensagem a canção transmite? Comente:

11) Copie uma passagem da música que mais desperta otimismo:

12) Complete a frase "Enquanto houver sol... " com várias possibilidades:

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Atividade sobre o texto "Um homem de consciência", de Monteiro Lobato


Um homem de consciência 

Chamava-se João Teodoro, . O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro. 

Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor. 

Mas João Teodoro acompanhava com aperto do coração o deperecimento visível de sua Itaoca. 

"Isto já foi muito melhor", dizia consigo. "Já teve três médicos bem bons -- agora um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje maldá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está se acabando..."

João Teodoro entrou a incubar a ideia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível. 

"É isso", deliberou lá por dentro. "Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada, então arrumo a TROUXA e boto-me fora daqui." 

Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, se julgava capaz de nada... 

Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seriíssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que cai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado -- e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-dode Itaoca!...

João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou seu cavalo magro e partiu.

-- Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens? 

-- Vou-me embora -- respondeu o retirante. -- Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim. 

-- Mas, como? Agora que você está delegado?

-- Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado eu não moro. Adeus. E sumiu. 

(Monteiro Lobato)

01) O que significa o "só", presente na primeira frase do texto? 

02) Que outras palavras poderiam substituir, mantendo o mesmo sentido, honestíssimo, lealíssimo e seriíssimo, respectivamente? 

03) Quantas vezes aparece, no texto, o nome "João Teodoro"? O que isso significa?

04) Reescreva a passagem destacada no primeiro parágrafo do texto, a fim de evitar repetições do nome próprio: 

05) O que diferenciava o protagonista das outras pessoas? 

06) Copie do texto dois numerais, classificando-os:

07) Qual o tipo de narrador presente no texto lido? Comprove com uma passagem dele: 

08) O que as aspas sinalizam no texto em questão? 

09) Transcreva do texto três substantivos próprios:

10) O que a palavra sublinhada no texto significa? Elabore uma frase em que ela apareça com um outro significado (dizendo qual): 

11) Qual a intenção de se repetir o vocábulo NADA no trecho destacado no sétimo parágrafo? 

12) Explique o valor semântico do diminutivo em "ser delegado numa cidadezinha daquelas...":

13) Por que a palavra DELEGADO apareceu escrita da forma "de-le-ga-do", no texto?

14) Na passagem "Pela madrugada botou-as num burro", situada no final do texto, a palavra destacada substitui que outra? 

15) Circule no texto um exemplo de vocativo, explicando seu raciocínio: 

16) Como é caracterizada a cidade de Itaoca no texto?

17) O que significa, no contexto do conto, ser "um homem de consciência"? 

18) Que outro título você daria ao texto?

19) Que mensagem ele lhe transmitiu? Comente: 

20) Ilustre a passagem do conto de que você mais gostou: 

domingo, 9 de julho de 2017

Atividade sobre o filme "Histórias Cruzadas" (2 h 27 min)


Sinopse: Nos anos 60, no Mississipi, Skeeter é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Abileen Clark, a empregada da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista. Apesar das críticas, Skeeter e Abileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões. (Duração: 2 h 27 min)

01) Justifique o título do filme:

02) Qual é o tema dele? Identifique-o e comente como é retratado no filme:

03) Qual o objetivo da jovem jornalista Skeeter, ao concluir seus estudos e voltar a Jackson, uma pequena cidade no estado do Mississipi?

04) Qual foi sua primeira atividade profissional?

05) Que conflito Skeeter tinha com a sua mãe? Qual era a causa principal? 

06) Descreva psicologicamente a mãe de Skeeter:

07) A amiga de Skeeter, Hilly, criou um projeto de lei. Qual era o assunto desse projeto e por que ela o fez? 

08) Skeeter não concordou com tal projeto,por isso não o publicava no boletim. Após sofrer muita pressão por parte de Hilly, fez uma pequena "vingança" trocando uma palavra no anúncio de Hiller. Que brincadeira foi essa? Comente: 

09) O que aproximou Steeter de Abileen, a empregada de sua amiga? 

10) Skeeter foi aconselhada a escrever sobre algo que a incomodava. Sobre o que então resolveu escrever? 

11) O que lhe incomoda dentre tantos problemas que enfrentamos em nosso país? 

12) Em que Abillen e Minny ajudavam Skeeter? 

13) A princípio, Abileen não queria ajudar Skeeter, porém, ao assistir à pregação do pastor, mudou de ideia. Por quê?

14) Como era a vida de Minny? Comente: 

15) Que história do livro escrito por Skeeter você achou mais impressionante? Justifique sua escolha: 

16) Minny não queria contar para ninguém algo terrível que ela fez, mas acabou incluindo a história no livro por achar que seria uma segurança para elas. Que história é essa e por que incluí-la ajudaria a encobrir suas identidades verdadeiras? 

17) De que parte do filme você mais gostou? Por quê? 

18) Que mensagem o filme transmitiu? 

(Atividade criada em parceria com a amiga Rosa Maria Corrêa

terça-feira, 4 de julho de 2017

Atividade sobre a crônica "Menino", de Fernando Sabino

Menino

Menino, vem pra dentro, olha o sereno! Vai lavar essa mão! Já escovou os dentes? Toma a bênção a seu pai. Já pra cama! 
Onde aprendeu isso, menino? -- coisa mais feia. Toma modos. Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha a santa paciência. 
De quem você gosta mais: do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar. Desce daí, menino! Me prega cada susto... para com isso! Joga isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso. Que é que você andou arranjando? Quem te ensinou esses modos? Passe pra dentro. Isso não é gente para ficar andando com você.
Avise ao seu pai que o jantar tá na mesa. Você prometeu, tem de cumprir. Que é que você vai ser quando crescer? Não, chega: você já  repetiu duas vezes. Por que você está quieto aí? Alguma coisa está tramando... não anda descalço, já disse! -- vai calçar o sapato. Já tomou remédio? Tem de comer tudo, você está virando um palito. Quantas vezes já te disse para não mexer aqui? Esse barulho, menino! -- teu pai tá dormindo. Para com essa correria dentro de casa, vai brincar lá fora. Você vai acabar caindo daí. Pede licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder à sua irmã? Se não fizer, fica de castigo. Segura o garfo direito. Põe a camisa pra dentro da calça. Fica perguntando, tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu te dou. Depois eu deixo. Depois eu te levo. Depois eu conto. Agora não, depois! 
Deixa seu pai descansar -- ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo que ele faz é para seu bem. Olha aí, vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja. Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado. Chora não, filhinho, mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais. 
Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não, e não, e não! Ah, é assim? -- pois você vai ver só quando seu pai chegar. Não fale de boca cheia. Junta a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem. Você ainda é muito pequeno pra saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de você. Cala essa boca! Você precisa cortar esse cabelo. 
Sorvete não pode, você tá resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim você se machuca. Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer? Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu te dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro pra jogar fora? Toma juízo, menino! 
Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos? Agora não, depois, tenho mais o que fazer. Não fica triste não, depois mamãe te dá outro. Você teve saudades de mim? Vou contar só mais uma, tá na hora de dormir. Vem que a mamãe te leva pra caminha. Mamãe te ama, viu! Dá um beijo aqui. Dorme com Deus, meu filho! 

(Fernando Sabino)

01) Justifique o título dado à crônica acima, dizendo que outro você daria:

02) Circule no texto todos os vocativos: 

03) Como o texto foi construído? Como você percebeu isso?

04) Quem parece ser o(a) autor(a) de todas essas frases? Por quê? 

05) Copie do texto um exemplo de ordem, explicando seu raciocínio:

06) Localize na crônica um exemplo de ameaça, justificando:

07) Copie do texto um elogio, explicando seu raciocínio:

08) Transcreva do texto marcas de oralidade, dizendo sua importância para o contexto: 

09) Escolha cinco frases e crie cinco pequenos contextos para utilizá-las: 

10) Que mensagem o texto transmite? 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Atividade sobre o texto "Repolhos iguais", da Lya Luft


Repolhos iguais

Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos: ser diferente, sobretudo ser original, é defeito. Parece perigoso. E, se formos diferentes, quem sabe aqui e ali uma medicaçãozinha ajuda. 
Alguém é mais triste? Remédio nele. Deprimido? Remédio nele (ainda que tenha acabado de perder uma pessoa amada, um emprego, a saúde). Mais gordinho? Dieta nele. Mais alto? Remédio na adolescência para parar de crescer. Mais relaxado na escola? Esse é normal. Mais estudioso, estudioso demais? A gente se preocupa, vai virar nerd (se for  menina, vai demorar a conseguir marido).
Não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo: meninas usam o mesmo cabelo, a mesma roupa, os mesmos trejeitos; meninos, aquele boné virado. Igualdade antes de tudo, quando a graça, o poder, a força estão na diversidade. Narizes iguais, bocas iguais, sobrancelhas iguais, posturas iguais. 
Não se pode mais reprovar crianças e jovens na escola, pois são todos iguais. Serão? É feio, ou vergonhoso, ter mais talento, ser mais sonhador, ter mais sorte, sucesso, trabalhar mais e melhor. 
Vamos igualar tudo, como lavouras de repolhos, se possível... iguais. E assim, com tudo o que pode ser controlado com remédios, nos tornamos uma geração medicada. Não todos -- deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista, e respeitando o fato de que para muitos os remédios são uma necessidade --, mas uma parcela crescente da população é habitualmente medicada. 
Remédios para pressão alta, para dormir, para acordar, para equilibrar as emoções, para emagrecer, para ter músculos, para ter um desempenho sexual fantástico, para ter a ilusão de estar com 30 anos quando se tem 70. Faz alguns anos reina entre nós o diagnóstico de déficit de atenção para um número assustador de crianças.
Não sou psiquiatra, mas a esta altura de minha vida criei e acompanhei e vi muitas crianças mais agitadas, ou distraídas, mas nem por isso precisadas de medicação a torto e a direito. Fala-se, não sei em que lugar deste mundo doido, em botar Ritalina na merenda das escolas públicas. Tal fúria de igualitarismo esconde uma ideologia tola e falsa. 
Se déssemos a 100 pessoas a mesma quantidade de dinheiro, e as mesmas oportunidades, em dois anos todas teriam destino diferente: algumas multiplicariam o dinheiro; outras o esbanjariam; outros o guardariam; outras ainda o dedicariam ao bem (ou ao mal) alheio. 
Então, quem sabe, querer apaziguar todas as crianças e jovens com medicamentos para que não estorvem os professores já desesperados por falta de estímulo e condições, ou para permitir aos pais se preocuparem menos, ou ajudar as babás enquanto os pais trabalham ou fazem academia ou simplesmente viajam, nem valerá a pena. 
Teremos mais crianças e jovens aturdidos, crianças e jovens mais violentos e inquietos quando a medicação for suspensa. Bastam, para desatenção, agitação e tantas dificuldades, relacionadas, as circunstâncias de vida atual. 
Recentemente, uma pediatra experiente me relatou que a cada tantos anos aparecem em seu consultório mais crianças confusas, atônitas, agitadas demais, algumas apenas sofrendo por separações e novos casamentos, em que os filhos, que não querem se separar de ninguém, são puxados de um lado para o outro, sem casa fixa, um centro de referência, um casal de pais sempre os mesmos. 
Quem as traz são mães ou pais em igual estado. Correrias, compromissos, ansiedade por estar na crista da onda, por participar e ser o primeiro, por não ficar para trás, por não ser ignorado, por cumprir os horários, as prescrições, os comandos, tudo o que tantas pressões sociais e culturais ordenam, realmente estão nos tornando eternos angustiados e permanentes aflitos. 
Mudar de vida é difícil. Em lugar de correr mais, parar para pensar, roubar alguns minutos para olhar, contemplar, meditar, também é difícil, pois é fugir do padrão. Então seguimos em frente, nervosos com nossos filhos mais nervosos. Haja psicólogo, psiquiatra e medicamento para sermos todos uns repolhos iguais.

(Lya Luft - "Revista Veja" - São Paulo)

01) No fragmento "Não se pode mais reprovar crianças e jovens na escola, pois são todos iguais. Serão?", a estrutura em destaque traduz: 

(A) a dúvida em relação à veracidade dessa igualdade que tanto se busca. 
(B) a importância que a sociedade moderna atribui à diversidade.
(C) uma crítica às escolas que ainda admitem a reprovação.
(D) a ideia de um futuro próximo em que ocorrerá a supervalorização do igualitarismo.

02) Com base na leitura do texto, considere as afirmativas seguintes e assinale com V as verdadeiras e com F, as falsas: 

(   ) Existe, hoje, uma banalização do uso de medicamentos, os quais atuam como instrumentos de cura nas situações mais inusitadas.
(   ) A fragilidade dos laços afetivos na família, respaldada pela diversidade de pressões sociais e culturais, tem responsabilidade na angústia e na aflição que caracterizam, atualmente, as pessoas. 
(    ) A fuga ao padrão pré-estabelecido é difícil porque significa posicionar-se contra a corrente. 
(    ) A igualdade só traz benefícios às pessoas, pois evita os conflitos. 
(    ) Na ansiedade de obedecer aos padrões impostos pela sociedade, as pessoas têm-se esquecido de que a diversidade é a condição da ação humana. 

A sequência CORRETA é:

(A) V - F - V - F - V
(B) F - V - F - V - F 
(C) V - V - V - F - V
(D) F - F - F - V - V

03) Sabemos que um título bem empregado valoriza um texto. Isso ocorreu com o texto em questão? Copie do texto uma passagem que justifique o emprego de tal título: 

04) Que outro título você daria ao texto? 

05) Qual a "solução" mais utilizada para adequar as pessoas que ousam ser diferentes? O que você pensa sobre isso? Justifique sua resposta:

06) Transcreva do texto uma passagem que utiliza a linguagem coloquial: 

07) Qual o sentido da conjunção na passagem "Não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo"? 

08) Qual a função das passagens entre parênteses, situadas no segundo parágrafo? 

09) Por que a autora afirma que, para a sociedade, ser original parece ser perigoso? O que você pensa a respeito disso? Comente: 

10) Por que a palavra "nerd" aparece em itálico no texto? 

11) O texto faz uma crítica ao uso exagerado de remédios. Retire um trecho que comprove tal afirmação: 

12) Que recurso foi utilizado na passagem "Narizes iguais, bocas iguais, sobrancelhas iguais, posturas iguais" e com que objetivo? 

13) Podemos afirmar que há ironia no trecho "Vamos igualar tudo, como lavouras de repolhos, se possível... iguais"? Justifique sua resposta:

14)  No trecho acima, determine o valor semântico das conjunções COMO e SE: 

15) Retire do terceiro parágrafo: 

a) um trecho em que se usa a vírgula para separar itens de uma enumeração:

b) um trecho em que se empregou a vírgula para omitir um verbo: 

16) Posicione-se sobre a passagem "Fala-se, não sei em que lugar deste mundo louco, em botar Ritalina na merenda das escolas públicas", apontando a palavra ali presente que expressa OPINIÃO da autora: 

17) O que a autora quis dizer com a informação "Não sou psiquiatra"? 

18) Você se considera um "repolho igual"? Justifique sua resposta: 

19) No oitavo parágrafo, a autora usa como exemplo um valor monetário dado, de igual forma, a várias pessoas. Imagine que esse valor seja de R$ 1000,00.

a) O que você faria se recebesse tal quantia? 

b) O que você imagina que seus pais fariam se recebessem essa quantia? 

c) De que forma essa passagem confirma a ideia de que nem todos são iguais? 

20) Afinal, o texto lido é um artigo de opinião ou um editorial? Justifique sua resposta: 

21) Transcreva do texto um exemplo de polissíndeto, explicando seu raciocínio:

22) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

23) A partir da leitura do texto, analise as seguintes proposições:

I - A autora critica a tendência generalista de igualitarismo vazio e sem sentido.
II - A autora critica a atuação dos médicos pela prescrição excessiva de medicamentos.
III - A autora critica os pais pela falta de compromisso com os filhos.
IV - A autora critica os filhos pela falta de controle emocional.

Assinale a alternativa CORRETA:

(A) Somente as proposições I e II são corretas.
(B) Somente as proposições I e III são corretas.
(C) Somente as proposições II e IV são corretas.
(D) Somente as proposições III e IV são corretas.

24) O texto apresenta várias estratégias argumentativas. Considere as proposições:

I – O trecho “vamos igualar tudo, como lavouras de repolhos, se possível… iguais. E assim, com tudo o que pode ser controlado com remédios, nos tornamos uma geração medicada. Não todos – deixo sempre aberto o espaço da exceção para ser realista, e respeitando o fato de que para muitos os remédios são uma necessidade -, mas uma parcela crescente da população é habitualmente medicada.”-->  indica uma restrição, que evidencia cautela por parte da autora.

II – O fragmento “não sou psiquiatra, mas a esta altura de minha vida criei e acompanhei e vi muitas crianças mais agitadas, ou distraídas, mas nem por isso precisadas de medicação a torto e a direito.” --> revela uma contra-argumentação a uma reação de leitor que poderia desautorizar o posicionamento da autora.

III – O emprego do plural em “não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo”--> constitui estratégia para envolver o leitor na situação comentada.

IV – O fragmento “recentemente, uma pediatra experiente me relatou...” --> mostra que a autora relata a posição de um especialista, que se diferencia de seu posicionamento.

V – O fragmento “mudar de vida é difícil.” -->  evidencia a falta de conhecimento da autora sobre as alternativas para o redimensionamento da problemática discutida no texto.

Assinale a alternativa CORRETA:

(A) Somente as proposições I, II e IV são corretas.
(B) Somente as proposições I, II e III são corretas.
(C) Somente as proposições II, IV e V são corretas.
(D) Somente as proposições III, IV e V são corretas.

25) As alternativas apresentam segmentos em que a autora exprime opinião pessoal ou posicionamento crítico, EXCETO:

(A) “Não se pode mais reprovar crianças e jovens na escola, pois são todos iguais. Serão?”
(B) “Remédios para pressão alta, para dormir, para acordar, para equilibrar as emoções, para emagrecer, para ter músculos”
(C) “Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos: ser diferente, sobretudo ser original, é defeito. Parece perigoso.”
(D) “Então seguimos em frente, nervosos com nossos filhos mais nervosos. Haja psicólogo, psiquiatra e medicamento para sermos todos uns repolhos iguais.”

26) Em relação à análise dos sinais de pontuação destacados nos trechos, as alternativas são corretas, EXCETO:

(A) [...] “algumas multiplicariam o dinheiro; outras o esbanjariam; outras o guardariam; outras ainda o dedicariam ao bem (ou ao mal) alheio”. O ponto-e-vírgula separa orações coordenadas não unidas por conjunção, que guardem relação entre si.

(B) “Não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo: meninas usam o mesmo cabelo, a mesma roupa, os mesmos trejeitos; meninos, aquele boné virado” Os dois-pontos introduzem argumentos que respaldam o que foi afirmado anteriormente no texto.

(C) “[...] outras ainda o dedicariam ao bem (ou ao mal) alheio”. Os parênteses separam uma indicação de comentário/reflexão feito pela autora.

 (D) “E, se formos diferentes, quem sabe aqui e ali uma medicaçãozinha ajuda.”. As vírgulas foram empregadas para indicar a elipse de um termo.

27) Todos os trechos justificam o título do texto, EXCETO:

(A) “Quem as traz são mães ou pais em igual estado.”.
(B) “Não podemos, mas queremos tornar tudo homogêneo”.
(C) “algumas multiplicariam o dinheiro; outras o esbanjariam; outras o guardariam”.
(D) “reina entre nós o diagnóstico de déficit de atenção para um número assustador de crianças”.

28) Leia o trecho: “Não se pode mais reprovar crianças e jovens na escola, pois são todos iguais. Serão? É feio, ou vergonhoso, ter mais talento, ser mais sonhador, ter mais sorte, sucesso, trabalhar mais e melhor.”. É correto inferir do texto, EXCETO:

(A) A autora critica o sistema educacional.
(B) A autora defende a ideologia das diferenças.
(C) A autora zela pelo tratamento igualitário a todos.
(D) A autora reconhece o mérito daqueles que se destacam.

29) O trecho “Fala-se, não sei em que lugar deste mundo louco, em botar Ritalina na merenda das escolas públicas. Tal fúria de igualitarismo esconde uma ideologia tola e falsa.” evidencia que a autora:

(A) mostra que toda ideologia traz prejuízos para a sociedade.
(B) procura se isentar de um compromisso em relação à informação absurda.
(C) critica o fato de as escolas tentarem diminuir a heterogeneidade entre estudantes.
(D) busca preservar os médicos que receitam Ritalina como estratégia para acalmar as crianças.

30) “Remédios para pressão alta, para dormir, para acordar, para equilibrar as emoções, para emagrecer, para ter músculos, para ter um desempenho sexual fantástico, para ter a ilusão de estar com 30 anos quando se tem 70.”.

No trecho acima é CORRETO afirmar que a disposição estrutural dos elementos:

(A) Vai do necessário ao aparente.
(B) Valoriza o envelhecimento saudável.
(C) Reconhece a importância da aparência.
(D) Mostra a dependência aos medicamentos.

31) Em “Sempre me impressiona o impulso geral de igualar a todos: ser diferente, sobretudo ser original, é defeito.”, o emprego de “sobretudo”, nesse fragmento, indica que a autora:

(A) Valoriza a ideia de “ser diferente”.
(B) Descarta a importância de “ser original”.
(C) Considera que “ser diferente” e “ser original” são sinônimos.
(D) Indica uma escala em que “ser original” é mais do que “ser diferente”.

32) De que forma a tirinha do Armandinho, a seguir, dialoga com o texto? Ela reforça ou contradiz a visão da autora? Justifique sua resposta:


(Participação especial das amigas Lívia Ramos e Aparecida Ferreira de Carvalho
na elaboração de algumas questões!)