quarta-feira, 31 de maio de 2017

Você cairia no golpe do "cartão cronado"?!?



Preconceitos linguísticos à parte, sinceramente, até agora não sei se é pra gente rir ou chorar analisando a situação acima! Na dúvida, fiz ambas as coisas, confesso, e logo depois parti para a reflexão! 

Mesmo vivendo uma época, já há algum tempo, em que não se valoriza a Educação, muito pelo contrário, é inegável a importância da Língua Portuguesa, em se pelo menos se ter um domínio básico dela para conquistar os seus objetivos. 

O objetivo aqui era bem claro: aplicar um golpe! Querer lucrar em cima da inocência de alguns! Ainda bem que a pessoa abordada era esperta e dominava algumas regrinhas básicas, enquanto quem abordou deve ter fugido não só da escola, mas também da leitura de jornal, revista, de mundo. Digo isso porque meu pai não estudou mais do que a quarta série primária, porém, lia muito jornal, revista, livro, tudo o que lhe caía nas mãos... Conclusão: escrevia extremamente bem e de forma impecável. Não falo apenas de escolaridade, mas de cultura, de sabedoria! 

Até para ser golpista é preciso investir um pouquinho no estudo da própria Língua para não pagar esses micos... e fico me perguntando aqui se o receptor também tivesse essa prática, esses vícios... Você acha que ele cairia? Sim ou não? Por quê? Vamos confabular um pouquinho.... he he he 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Atividade sobre o texto "Oração de um povo sofrido", da Mônica Raouf El Bayeh


Oração de um povo sofrido 

Deus me livre dos corruptos. Dos vendidos. Dos que vendem. Dos que trocam seu povo honesto por qualquer propina e milhão.
Deus me livre dos sonsos e cínicos. Dos que riem e me arrombam a alma. Dos que ganham meu voto e me desprotegem. Dos que só pensam em seu tostão. 
Deus me livre dos que desviam, Tanto que levam a falências. Dos que deixam seu povo à míngua. Humilhado e sem salários
Deus me livre dos que fecham universidades e hospitais. Dos que sucateiam escolas. Dos que trocam seu povo por qualquer anel
Deus me livre das escolhas podres. De me contentar em escolher o menos pior. 
Deus me livre dos ruins. Dos corruptos. Dos sem lei. Dos sem culpa. Sem remorsos. Dos que maltratam por sentir prazer
Deus me livre da cara limpa que esconde a alma suja. Deus me livre da justiça injusta. Dos que olham e fingem não ver. Deus proteja os pobres. Esse povo que ninguém cuida. 
Deus me livre dos homicidas. Eleitos por um povo ingênuo. Deus me livre de todos eles. E perdoe o voto meu. 
Deus olhe por esse povo sofrido. E de volta a esperança que essa gente comeu. 

(Mônica Raouf El Bayeh)

01) Por que a aurora repetiu tantas vezes a expressão "Deus me livre" em seu texto? Isso tem algo a ver com o fato de ser uma "oração"? Justifique sua resposta: 

02) Copie do texto dois pares de antítese: 

03) Transcreva do texto uma espécie de causa e consequência, explicando seu raciocínio:

04) Circule no texto uma passagem que contenha um desvio gramatical, corrigindo-o: 

05) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

06) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto:

07) Invente você também agora a sua própria oração!

08) Utilizando o texto como estímulo, crie um texto que responda a esta pergunta: "Onde foi que nós erramos?"

Atividade sobre charges - Judiciário


01) O que a charge acima denuncia? Comente da forma mais completa possível, posicionando-se sobre esse assunto:

02) Que metáfora foi utilizada nela? Foi bem apropriada? Justifique sua resposta:

03) A opinião do chargista com relação ao Judiciário é bem clara. E quanto aos policiais? Você concorda com ele? Acredita que os policiais têm cumprido o seu papel? Explique: 

04) A pessoa que se encontrava na gaiola é qualquer trabalhador? Justifique sua resposta: 

05) Que solução imediata você acha que caberia nessa questão? E a longo prazo? 

06) Como fazer com que o Judiciário e a Polícia trabalhem juntos? Quais os interesses de cada um?

07) Que dois temas possíveis de redação poderiam ser retirados desta charge em especial? 




07) Que crítica a charge acima faz? Posicione-se com relação a isso: 

08) O que significa o fato de a Justiça estar com um olho coberto e um aberto representa? É o que acontece na realidade? Comente: 

09) Você acha que a Justiça deveria ser igual para todos ou deve ter "dois pesos e duas medidas"? Explique seu raciocínio:

10) O que a espada e a balança deveriam simbolizar? E o que tais objetos, de fato, têm representado? 



11) Explique o que você entendeu da charge acima:

12) O que revela a escolha de tais objetos? A que diferenças eles remetem? 



13) O que a charge acima denuncia, em especial? 

14) O que os remendos revelam? E por que eles só aparecem no "verso"? 



15) O que a charge acima denuncia? 

16) Você acha que o povo, de um modo geral, tem feito a sua parte? Tem cobrado? Como fazer a Justiça enxergar? 



17) O que a charge acima critica? Posicione-se sobre ela, explicando seu ponto de vista: 

18) Você acha que a Justiça tem seguido essa ordem que estão dando a ela? Justifique sua resposta, tentando citar situações que comprovem essa visão: 


19) O que se pode entender da charge acima? Você concorda com a visão do chargista? Por quê?

20) Como a Justiça pode se "libertar" e por que você acha que ela não faz isso? 


21) Qual a crítica presente na charge acima? Isso tem mesmo fundamento? Por quê? 

22) Por que será que a Justiça não se envergonha de toda essa exposição? Que vantagens ela pode estar tendo para ir contra muitos e a favor de poucos? 


23) Há alguma incoerência na charge acima? Justifique sua resposta: 

24) Por que há dinheiro para aumentar o salário de alguns e dizem que não há para aumentar o de outros? O que isso revela? Como resolver essa questão? 



25) O que a charge acima revela? Você concorda com ela? Justifique-se: 

26) Qual dos dois tipos de juízes você acha que tem errado mais? Qual deles prejudica mais a população? 

27) Por que o juiz e o político estão se tornando tããããão parecidos? 

28) Retire da charge um exemplo de vocativo: 



29) Que característica da Justiça a charge acima ataca, em especial? Você concorda com isso? Explique seu raciocínio: 

30) Relacione a charge em questão ao famoso ditado popular que diz que "a Justiça tarda, mas não falha", explicando: 



31) O que a charge acima critica e que relação isso tem com a manchete presente no jornal? 

32) Você concorda com a fala da personagem presente na charge? Explique, citando, se possível, alguns exemplos que levaram você a pensar dessa forma: 

33) O que TODAS as charges têm em comum e o que isso revela? Comente: 

34) Agrupe, em pares, as charges que abordam os temas de forma mais semelhante, mais próxima, explicando: 

35) De que charge você mais gostou? Por quê? 

36) Que recado você gostaria de dar para a Justiça, de um modo geral? Capriche!

37) A Justiça é representada por uma mulher, conforme você já deve ter notado. Como você interpreta isso: como uma forma preconceituosa de dizer que mulheres não resolvem nada ou a figura feminina é usada apenas por uma questão gramatical? Justifique sua opinião:


(Agradeço à Nalvinha, colega do grupo Arte e Manhas da Língua, pela questão 37!!!)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Atividade sobre a música "Querelas do Brasil", com Elis Regina


Querelas do Brasil

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil

Tapir, jabuti
Iliana, anamanda, ali, alaúde
Piau, ururau, aki, ataúde
Piá-carioca, porecramecrã
Jobim akarone, jobim-açu,

Uou, uou, uou
Pererê, camará, tororó, olerê
Piriri, ratatá, caratê, olará

O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil

Jereba, saci,
Caandradea, cunhãs, ariranha,aranha
Sertões, guimarães, bachianas, águas
Imarionaíma, arirariboia,
Na aura das maos de jobim-açu

Vou, vou, vou
Jererê, sarará, cururu, olerê
Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará
Do Brasil, S.O.S. ao Brasil. 

Tinhorão, urutu, sucuri
Ujobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Cachambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, olará

Do Brasil, S.O.S. ao Brasil
Cascadura, Água Santa, Acari
Ipanema e Nova Iguaçu.

(Maurício Tapajós e Aldir Blanc) 

01) Justifique o título utilizado na canção, explorando, principalmente, o vocábulo "Querelas":

02) Explique o porquê das duas grafias para uma mesma palavra:

03) Por que se poderia afirmar que "O Brazil está matando o Brasil"?

04) Que palavras são enumeradas na canção e com que intenção?

05) Retire do texto ao menos três exemplos de espécies da flora brasileira e três da fauna:

06) Há alguma característica da língua, nesses exemplos, que tenha chamado sua atenção?

07) Quem eram os Jobim, o Guimarães, o Mário e o Ari, citados na música? Com que finalidade?

08) Você sabe que "SOS" é um pedido de socorro. O que significa dizer que há "Do Brasil SOS ao Brasil"?

09) Que mensagem a música transmite? Comente:

10) Que espécie de denúncia o texto faz? Explique:

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Charges sobre Sistema Carcerário


01) Que problema social a charge denuncia?

02) A que os presídios são comparados? Por quê? Foi uma boa metáfora?

03) O que, segundo a charge, está prestes a acontecer?

04) Como resolver esse problema, em especial?

05) Por que os presídios se encontram superlotados: a quantidade de criminosos que aumentou ou a falta de investimento nessa área? Explique: 

06) Podemos afirmar que a charge a seguir é idêntica à anterior? De qual você gostou mais? Por quê?


07) A charge abaixo tem o mesmo sentido das anteriores? Mas qual metáfora foi usada desta vez? Foi mais apropriada ou não? Justifique sua resposta: 
08) Qual o efeito da charge abaixo, sobre esse mesmo tema? Que desfecho você acha que essa história teria que ter? E qual terá? Há diferenças? Comente: 


09) A charge abaixo dialoga com a anterior? Aponte semelhanças e diferenças entre ambas: 


10) O que a charge a seguir denuncia sobre o nosso sistema carcerário? O que você pensa a respeito disso? Comente: 


11) Que outra denúncia sobre o assunto em questão a charge abaixo faz? Posicione-se sobre isso, explicando bem o seu raciocínio: 


12) De que charge você mais gostou? Por quê?

13) Como resolver todos esses problemas levantados?

14) Aponte dois possíveis temas de redação acerca desse assunto:

domingo, 21 de maio de 2017

Atividade sobre o texto "A caminho do brejo", de Cora Ronái

A caminho do brejo 

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras. 

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.

Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contra-cheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais...
(Cora Ronái)
https://oglobo.globo.com/cultura/a-caminho-do-brejo-20606929

01) O que significa o termo "A vaca foi pro brejo"? Você costuma usá-la? 

02) Você acha que o nosso país ainda está a caminho mesmo do brejo ou já mergulhou nele? Justififque sua resposta: 

03) Qual a solução (imediata) para tirar o país do (caminho do) brejo? E as mais distantes? 

04) Posicione-se sobre as passagens destacadas no texto, explicando seu ponto de vista em cada uma delas:

05) Explique o porquê do emprego do demonstrativo "aquele" e afins no segundo parágrafo e o que isso, de certa forma, revela:

06) Explique as repetições da expressão "Um país vai para o brejo", presentes no texto:

07) De todos os "deslizes" citados na grande lista (e que não termina), qual foi o que você considerou mais grave? Por quê? 

08) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

09) Qual a SUA parcela de culpa nisso tudo? Comente: 

10) Associe o texto à charge abaixo: 

sábado, 20 de maio de 2017

Atividade com Charges - Desmatamento


01) O que a charge critica? Justifique sua resposta:

02) Por que a personagem está sentindo tanto calor? De quem é a culpa? Qual foi a "pista" para descobrir isso? 

03) Qual o problema denunciado pela charge? E qual seria a solução para esse problema? 

04) Encontre na charge um desvio gramatical, justificando e corrigindo-o: 

05) O que a expressão "Meu Deus", presente na charge, revela? A que classe gramatical ela pertence?

06) Qual a importância das árvores e do reflorestamento e o que isso tem a ver com a charge? 

07) Que mensagem podemos extrair desas charge? 

08) Que dois temas possíveis de redação podemos extrair da charge? 

09) A charge abaixo tem o mesmo sentido da charge inicial? Explique bem o seu raciocínio: 


10) Observe a imagem e a charge abaixo, comparando-as entre elas e também com a charge inicial. Qual delas vai mais além? Por quê? Comente: 



11) Qual a mensagem transmitida pela charge abaixo? 


12) O que a charge abaixo denuncia? Comente, posicionando-se sobre esse assunto:


13) De que charge você mais gostou? Explique a sua escolha: 

14) Nós também temos um papel importante na preservação do meio ambiente. Como você acha que pode, individualmente, ajudar? E coletivamente? 

15) Caso você fosse uma árvore sobrevivente ao desmatamento, que apelo faria ao homem? Tente fazer isso criando uma charge: 

(Agradecimento às amigas Maria Aparecida e Nalvinha pelas duas últimas questões!)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Trabalhando com Charges com meus alunos


Selecionei umas 36 charges para trabalhar com as minhas turmas e, nesta atividade, cada trio recebia uma e tinha que dizer o que ela criticava ou denunciava, elaborar três perguntas "inteligentes" (se não colocar assim alguns engraçadinhos perguntam quantas personagens têm na charge, se é homem ou mulher, essas coisaaaaas! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk) e responder a cada uma delas! Depois ainda tinha que descobrir dois possíveis temas de redação  para ela! 

O resultado foi super legal e tal atividade serviu para que eles perdessem um pouco o medo das charges, tão ricas, que equivalem a textos imensos, né? Eu amo trabalhar com esse gênero textual! E vocês?!? 

Então, a partir de hoje, vou disponibilizar algumas das charges escolhidas aqui, com perguntas que eu mesma elaborei e algumas, claro, aproveitei dos meus queridos e espertos alunos! Olha que chique! 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Charge para Produção Textual - Vícios


01) O que a charge acima denuncia? Como lidar com esse problema?

02) Quais as "pistas textuais" mais importantes para o entendimento dessa charge?

03) Quantos vícios são citados? Quais são eles?

04) De todos esses vícios, qual você acredita ser o mais perigoso? Por quê?

05) O que as coleiras representam? Tal metáfora foi bem empregada? Justifique sua resposta:

06) Elabore um texto dissertativo-argumentativo sobre tal tema, não se esquecendo, claro, de adicionar a ele as propostas de intervenção para esse problema apresentado: 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Atividade sobre o artigo de opinião "Um amor GG. Gorda, linda, amada e feliz. Por que não?", da Mìnica Raouf El Bayeh

Um amor GG. Gorda, linda, amada e feliz. Por que não?



- - Você tem um rosto lindo...

Se você é magra, fique feliz. É um elogio. Se você é gorda, pode se preparar. Essa frase é sibilada, traiçoeira. Só o início do rançoso discurso de sempre. Mais do mesmo. O velho discurso que, no fundo, quer dizer:

-- Ai que pena você ser gorda e desperdiçar um rosto tão bonito nesse corpo redondo.

Ou ainda:

-- Toma vergonha! De que adianta esse rosto tão bonito num corpo tão feio?

Assim são tratados os gordos. Como uns sem-vergonha. Com pouco caso e acidez. O interessante da situação é que outras pessoas têm suas características também. No entanto, são piedosamente poupadas de comentários desse tipo.

Baixinhos, por exemplo, não escutam: -- Você tem um rosto lindo, devia dar uma crescida. Altos não são abordados com frases: -- Você tem o rosto lindo, por que não encolhe um pouco?

Ser gorda é grande defeito? Falta de vergonha? De cuidado com a saúde, a aparência? Uma deliciosa opção de vida? Ou apenas uma feia sacaneada da mãe natureza?

Sim. A natureza é madrasta de gordos. Injusta. Fria e cruel. Enquanto comemos o equivalente a cinco cadernos universitários de folhas de alface, há magros que se esbaldam no rodízio de pizzas sem engordar meio grama.

Só de respirar fundo, já engordo meio quilo. Se inveja engordar, pode somar mais uns quilos extras aí na minha conta. Engordo de inveja dos que, sem regime, emagrecem mais em dois dias do que a gente em um mês inteiro de penúria e fome.

Sem falar nos odiosos que perdem a fome e definham quando estão com algum problema. Fala sério. Problemas existem para você mergulhar numa panela de brigadeiro e chorar lá dentro! Adoçando sua angústia sem ligar a mínima para que o mundo vai pensar. E, claro, sofrer ainda mais pelos quilos recém adquiridos.

Corpo gordo é feio? Por quê? Para quem? Aos olhos de quem? Nos bons tempos em que éramos moda, fomos musas. Pinturas, escrituras, escritos nos desejavam abertamente. Gorduchas eram vistas como frutas macias e suculentas. Mesmo fora de moda, ainda somos. Não se envergonhem de conferir.

Atração é bicho solto. Não segue regras, nem padrões. Não somos piores! Isso não existe. Merecemos os melhores, tanto quanto nossas amigas magras. Porque vejo o veneno escorrendo de bocas traiçoeiras que comentam pelas costas: -- Ele é muito bonito para ela.

Nossa moça de hoje está triste. Descrente dos homens e do amor. Seu coração GG não tem sido correspondido. Ela está cheia dos que só gostam da cara. Precisa de alguém que lhe goste por inteiro. Não decapitada num rosto bonito. Nem ser amada na promessa de um corpo futuro. Isso não é amor. Seu corpo já está esculpido. À moda antiga, à la Botticceli ou Botero. Uma gorducha sensual, por que não? Inteira e bonita, sim. De rosto, de corpo e de alma. Uma alma que anda murcha querendo uma parceria. E pode encontrar. Claro que pode. Há amor de todos os tamanhos. Só precisa é ficar atenta.

Moça, quem quer  te mudar, não te quer. Se você, um dia, resolver emagrecer, que seja por você. Nunca pelos outros. Gordinhos têm seus fãs também. Abra os olhos, sorria, se ilumine e acredite. Olhe em volta. Há pessoas lindas e magras na mesma busca que a sua. Solidão não sobe em balança. Cabe em qualquer um. Não se deixe encolher pelo preconceito. Forma é questão de gosto. Uns gostam de menores, outros de maiores. Uns de corpos mais angulosos, outros de curvas mais abundantes. Uns de carecas, outros de cabeludos de coque.

Não importa o jeito, peso, tamanho ou circunferência. Importa o sabor. Importa a doçura, a capacidade de encantar e deixar saudade. O que seria da pêra, se todos só gostassem do caqui?

Não se aflija, moça. Sempre há bons sapatos para pés animados. Acredite, há um para o seu número também. Um amor GG. Gorda, linda, amada e feliz. Por que não? Boa sorte.

(Monica Raouf El Bayeh – “Extra”, em 14/05/15)
https://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/um-amor-gg-gorda-linda-amada-feliz-por-que-nao-16152569.html

01) Copie do texto dois exemplos de opinião e um que corresponda a um fato:

02) Copie do texto seis exemplos de antítese, explicando seu raciocínio:

03) O que o texto critica? Justifique sua resposta:

04) A autora se considera gorda? Comprove sua resposta com uma passagem do texto:

05) Copie do texto uma passagem que comprova que ser gordo ou magro não necessariamente tem a ver com a quantidade de comida que se come, posicionando-se sobre essa questão:

06) Qual a “solução”, para a autora, dos problemas? Você percebeu ironia ou não presente nisso? Comente:

07) Justifique o emprego dos três porquês destacados no texto:

08) Transcreva do texto uma passagem que comprove que as gordinhas já foram associadas à beleza, segundo os padrões da sociedade, posicionando-se sobre isso:

09) Copie do texto um exemplo de vocativo, explicando a importância dele para o contexto:

10) Circule no texto uma palavra incorretamente acentuada, explicando o porquê:


11) Que mensagem o texto em questão lhe transmitiu? Comente: 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Atividade sobre a música "Meu guri", de Chico Buarque de Holanda


Meu guri

Quando, seu moço, nasceu meu rebento
não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
e eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
e na sua meninice ele um dia me disse
que chegava lá, olha lá!
Olha aí, ai o meu guri, olha aí,
olha aí, é o meu guri e ele chega.

Chega suado e veloz do batente
e traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço, 
que haja pescoço pra enfiar!
Me  trouxe uma bolsa já com tudo dentro
chave, caderneta, terço e patuá,
um lenço e uma penca de documentos
pra finalmente eu me identificar, olha aí!
Olha aí...

Chega no morro com o carregamento,
pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador.
Rezo até ele chegar cá no alto
essa onda de assalto tá um horror!
Eu consolo ele, ele me consola,
Boto ele no colo pra ele me ninar,
de repente acordo, olho pro lado
e o danado já foi trabalhar, olha aí!
Olha aí...

Chega estampado, manchete, retrato, 
com venda nos olhos, legenda e as iniciais.
Eu não entendo essa gente, seu moço, 
fazendo alvoroço demais. 
O guri no mato, acho que tá rindo,
acho que tá lindo de papo pro ar.
Desde o começo eu não lhe disse, seu moço?
Ele disse que  chegava lá, olha aí!
Olha aí...

(Chico Buarque de Holanda)

01) Justifique o título empregado na canção, aproveitando para sugerir um outro:

02) Copie do texto um vocativo, justificando sua resposta:

03) Existe, no texto, algum desvio gramatical? Se sim, qual? Explique:

04) Transcreva da música exemplos de oralidade:

05) Copie do texto dois eufemimos, explicando seu raciocínio:

06) Quem seria esse "seu moço" com quem o eu lírico conversa? Comente:

07) Quais são as evidências de que o guri não era quem a mãe pensava? Como elas são interpretadas? Você acha que é comum mães fazerem isso? 

08) O que a música, de certa forma, denuncia? O que você pensa com relação a isso?

09) Na última estrofe, o que a mãe pensa ao ver a foto do filho no jornal? O que realmente aconteceu?

10) Por que a bolsa que o guri deu à mãe já vinha "com tudo dentro"? O que você faria no lugar dela?

11) Copie do texto uma passagem que contém ironia, explicando:

12) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente:

Atividade sobre a música "Loka" - Simone & Simaria


Loka

Cadê você, que ninguém viu? 
Desapareceu, do nada sumiu
Tá por tentando esquecer
O cara safado que te fez sofrer

Cadê você? Onde se escondeu?
Por que sofre se ele não te mereceu?
Insiste em ficar em cima desse muro
Espera a mudança em quem não tem futuro

Deixa esse cara de lado
Você apenas escolheu o cara errado
Sofre no presente por causa do seu passado
Do que adianta chorar pelo leite derramado?

Põe aquela roupa e o batom
Entra no carro, amiga, aumenta o som

E bota uma moda boa
Vamos curtir a noite de patroa
Azarar uns boys, beijar na boca
Aproveitar a noite, ficar louca

Esquece ele e fica louca, louca, louca...

(Simone & Simaria)

01) Observe que, na música, há duas grafias para a palavra "louca". Qual seria a justificativa para isso? Explique seu raciocínio: 

02) A música emprega a linguagem formal ou informal? Justifique sua resposta, incluindo passagens do texto:

03) Qual a importância dos verbos no modo imperativo para o contexto apresentado?

04) Podemos afirmar que há traços do Romantismo, do Realismo ou de ambos no texto? Justifique sua resposta: 

05) A quem a música se dirige? Comente:

06) Que conselhos são dados? O que você pensa sobre eles? 

07) Há algum estrangeirismo no texto? Se sim, qual? O que isso revela?

08) Copie do texto um exemplo de vocativo, explicando o emprego do mesmo: 

09) Qual o significado da palavra em destaque no texto? Você costuma usá-la nesse sentido ou em outro? Qual? Comente:

10) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

11) Você agora vai se colocar no lugar de quem recebeu os conselhos dados e, de forma romântica, vai tentar responder a esse recado, sem deixar passar nenhum detalhe: 

12) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto:

13) Agora observe a paródia que fizeram em cima do clipe original e diga o que você achou, respondendo, principalmente, qual foi o objetivo dela, se isso foi ou não atingido e se achou engraçada ou ofensiva (justificando seu ponto de vista):


Gorda

Cadê você? Já desistiu?
Na academia, você sumiu.
Tá por aí tentando emagrecer, 
mas não consegue parar de comer.

Cadê você que não emagreceu?
E essa dieta que não procedeu?
Insiste em alimentando esse bucho,
Sai dessa vida que não tem futuro...

Deixa a gordura de lado
Você apenas escolheu o cardápio errado
Buchada de bode, isso é coisa do passado
Acho melhor te aconselhar
Ovo com frango desfiado

Baixe essa bola e mude o tom
Sou uma gordinha charmosa
Igual a Marrom
E me traga a comida boa
Que eu vou viver minha vida de patroa
Porque sou eu que mando na minha boca 
Eu sou feliz assim, eu sou é gooooorda! 

Pois traga essa comida boa
Que ela vive vida de patroa
Pois ela é quem manda na sua boca
Ela é feliz assim sendo gorda! 

Esqueça a dieta e fica gorda! Gorda! Gorda!
A Marília Mendonça também é gorda! Gorda! Gorda! 
Maiara e Maraísa também é gorda! Gorda! Gorda!
A Simone da Simaria também é gorda! Gorda! Gorda!

(Tirulipa)

14) Vale a pena fazer de tudo para ficar magra e corresponder aos padrões de beleza da sociedade, ainda que infeliz? Comente: 

Atividade sobre a crônica "O nariz", de Luís Fernando Veríssimo

O nariz

Era um dentista respeitadíssimo. Com seus quarenta e poucos anos, uma filha quase na faculdade. Um homem sério, sóbrio, sem opiniões surpreendentes, mas de uma sólida reputação como profissional e cidadão.  Um dia, apareceu em casa com um nariz postiço. Passado o susto, a mulher e a filha sorriram com fingida tolerância. Era um daqueles narizes de borracha de aros pretos, sobrancelhas e bigodes que fazem a pessoa ficar parecida com Groucho Marx. Mas o nosso dentista não estava imitando o Groucho Marx. Sentou-se à mesa de almoço – sempre almoçava em casa – com a retidão costumeira, quieto e algo distraído. Mas com um nariz postiço.
-- O que é isso? – perguntou a mulher depois da salada, sorrindo menos.
-- Isto o quê?
-- Esse nariz.
-- Ah, vi numa vitrina, entrei e comprei.
-- Logo você, papai...
Depois do almoço ele foi recostar-se no sofá da sala como fazia todos os dias. A mulher impacientou-se.
-- Tire esse negócio.
-- Por quê?
-- Brincadeira tem hora.
-- Mas isto não é brincadeira.
Sesteou com o nariz de borracha para o alto. Depois de meia hora, levantou-se e dirigiu-se para a porta. A mulher interpelou:
-- Aonde é que você vai?
-- Como, aonde é que eu vou? Vou voltar para o consultório.
-- Mas com esse nariz?
-- Eu não compreendo você – disse ele, olhando-a com censura através dos aros sem lentes. – Se fosse uma gravata nova, você não diria nada. Só porque é um nariz...
-- Pense nos vizinhos. Pense nos clientes.
Os clientes, realmente, não compreenderam o nariz de borracha. Deram risada: (“Logo o senhor, doutor...”), fizeram perguntas, mas terminaram a consulta intrigados e saíram do consultório com dúvidas.
-- Ele enlouqueceu?
-- Não sei – respondia a recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos. – Nunca vi “ele” assim.
Naquela noite, ele tomou seu chuveiro, como fazia sempre antes de dormir. Depois, vestiu o pijama e o nariz postiço e foi se deitar.
-- Você vai usar este nariz na cama? – perguntou a mulher.
-- Vou. Aliás, não vou mais tirar este nariz.
-- Mas, por quê?
-- Por que não?
Dormiu logo. A mulher passou a metade da noite olhando para o nariz de borracha. De madrugada começou a chorar baixinho. Ele enlouquecera. Era isto. Tudo estava acabado.  Uma carreira brilhante, uma reputação, um nome, uma família perfeita, tudo trocado por um nariz postiço.
-- Papai...
-- Sim, minha filha.
-- Podemos conversar?
-- Claro que podemos.
-- É sobre esse seu nariz...
-- O meu nariz, outra vez? Mas vocês só pensam nisso?
-- Papai, como é que nós não vamos pensar? De uma hora para outra, um homem como você resolve andar de nariz postiço e não quer que ninguém note?
-- O nariz é meu e vou continuar a usar.
-- Mas por quê, papai? Você não se dá conta de que se transformou no palhaço do prédio? Eu não posso mais encarar os vizinhos, de vergonha. A mamãe não tem mais vida social.
-- Não tem porque não quer...
-- Como é que ela vai sair na rua com um homem de nariz postiço?
-- Mas não sou “um homem”. Sou eu. O marido dela. O seu pai. Continuo o mesmo homem. Um nariz de borracha não faz nenhuma diferença.
-- Se não faz nenhuma diferença, então por que usar?
-- Se não faz diferença, por que não usar?
-- Mas, mas...
-- Minha filha.
-- Chega! Não quero mais conversar. Você não é mais meu pai!
A mulher e a filha saíram de casa. Ele perdeu todos os clientes. A recepcionista, que trabalhava com ele há 15 anos, pediu demissão. Não sabia o que esperar de um homem que usava nariz postiço. Evitava aproximar-se dele. Mandou o pedido de demissão pelo correio.  Os amigos mais chegados, numa última tentativa de salvar a sua reputação, o convenceram a consultar um psiquiatra.
-- Você vai concordar  -- disse o psiquiatra depois de concluir que não havia nada de errado com ele – que seu comportamento é um pouco estranho...
-- Estranho é o comportamento dos outros!  -- disse ele.  – Eu continuo o mesmo. Noventa e dois por cento do meu corpo continua o que era antes. Não mudei a maneira de vestir, nem de pensar, nem de me comportar. Continuo sendo um ótimo dentista, um bom marido, bom pai, contribuinte, sócio do Fluminense, tudo como antes. Mas as pessoas repudiam todo o resto por causa deste nariz. Um simples nariz de borracha. Quer dizer que eu não sou eu, eu sou o meu nariz?
-- É... – disse o psiquiatra. – Talvez você tenha razão...
O que é que você acha, leitor? Ele tem razão? Seja como for, não se entregou. Continua a usar nariz postiço. Porque agora não é mais uma questão de nariz. Agora é uma questão de princípios.

                                                                                                                        (Luís Fernando Veríssimo)

01) Justifique o título da crônica, aproveitando para sugerir um outro:

02) O que aconteceu de atípico na rotina que envolvia a personagem principal da história? O que isso revela? 

03) Transcreva um trecho em que o autor dialoga diretamente com o leitor, aproveitando para responder, sinceramente, à pergunta por feita: 

04) Copie do texto uma passagem que traz um desvio gramatical, explicando seu raciocínio e fazendo a devida adequação: 

05) Que mensagem o texto transmitiu? Comente: 

06) Localize no texto: 

a) dois numerais, classificando-os:
b) três adjetivos, dizendo a que palavra eles se referem: 
c) um pronome demonstrativo:
d) um pronome de tratamento:
e) um vocativo:
f) um advérbio de tempo: 
g) um pronome possessivo: 
h) um advérbio de dúvida: 

07) Qual é o sujeito do verbo que se encontra em negrito no primeiro parágrafo do texto? Classifique-o, justificando: 

08) Classifique a oração destacada no texto, justificando sua resposta: 

09) Justifique o emprego do porquê destacado no texto: 

10) Por que você acha que o homem cismou de usar o nariz, de uma hora para a outra? Como você reagiria se ele fosse um parente próximo? 

11) Um simples acessório poderia alterar o que as pessoas pensam sobre as outras? Por quê? 

12) Você achou o desfecho da história justo ou injusto? Justifique sua resposta: 

domingo, 14 de maio de 2017

Atividade sobre o conto "A moça tecelã", de Marina Colasanti


A moça tecelã

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço da cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. 
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acaba. 
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela. 
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para a frente e para trás, a moça passava seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando na sua vida.
Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
-- Uma casa melhor é necessária, -- disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, a pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. -- Por que ter casa, se podemos ter palácio?  -- perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates de prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre todos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
-- É para que ninguém saiba do tapete, -- disse. E antes de trancar a porta à chave advertiu: --- Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou, e espantado olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

(Marina Colasanti)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) O texto pode ser classificado como um conto de fada?  O que o assemelha a um e o que o diferencia? Comente:

03) Justifique com elementos do texto esta afirmação: “O tema predominante do conto é o trabalho feliz em função das necessidades básicas e legítimas em oposição ao trabalho estressante, que tece os caprichos da ambição alheia.”:

04) Em que o companheiro dela se diferencia do príncipe dos contos de fada?

05) Divida o texto narrativo em introdução, desenvolvimento e conclusão:

06) No início da narrativa, a personagem vivia feliz. Comprove essa afirmação com uma passagem do texto:

07) O que fez com que a jovem tecelã decidisse mudar seu estilo de vida?

08) A  maneira como o moço entrou pela porta mostrou, de certa forma, como era sua personalidade. Na sua opinião, o que a maneira como ele entrou indica? 

09) O que você imagina que o jovem disse à tecelã assim que entrou em sua vida?

10) Por que – de um dia para o outro – ela não pôde mais “chamar o sol” nem “arrematar o dia”?

11) Na sua opinião, existem pessoas que preferem ver o sol, a chuva, os pássaros a ter um palácio luxuoso? Comente:

12) Você acha que o marido chegou ou não a sentir que se dissipava? Justifique sua resposta:

13) Você acha que, mesmo decepcionada com o marido, valeu a pena tê-lo tecido? Por quê?

14) O tear da moça foi capaz de criar e destruir o companheiro, mas não pôde destecer aquilo que a tornou infeliz. O que foi?

15) Você acha que somos donos de nosso destino ou já nascemos predestinados? O que podemos tecer ou construir? O que podemos desfazer? Dê exemplos concretos e abstratos:

16) Quem você acha que tem o poder de fazer e desfazer a realidade?

17) Você acha que, depois do que ocorreu, a jovem voltou a tecer outras pessoas ou coisas? Quem? O quê?

18) Quanto ao fim do conto, pode-se afirmar que:

(  )  Repete o início, com apenas algumas construções diferentes.
(  )  Difere do início: lá a natureza é que faz a manhã; aqui é a moça que a tece.

19) Podemos dizer que o relacionamento entre a moça tecelã e seu marido era abusivo? Justifique sua resposta: 

20) O que você gostaria de tecer HOJE para a sua vida? Justifique sua resposta:

21) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

(Algumas questões foram generosamente acrescentadas pela amiga Maria Aparecida)