segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Vamos discutir um pouco sobre o caso do ex-goleiro Bruno?!?

TEXTO 01:

Se Bruno não apagaria nada, é sinal de que faria tudo de novo? 

O goleiro Bruno foi liberado da cadeia, veja só, a tempo de pular o carnaval! Bruno, que foi condenado a vinte e dois anos e três meses de prisão, foi solto após seis anos e sete meses preso. Menos da metade. Achou que foi rápido? Está chocado? Era para ter sido antes ainda. Atrasou! O alvará foi parar na comarca errada. O ministro responsável pela liberação do alvará, Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), admite que a decisão não foi "politicamente correta", mas alega que agiu de acordo com a lei. Não é mesmo? 

Sabe o que é politicamente correto? É ser justo com todos. É a Justiça ter a mesma lisura e velocidade para todos. Pobres e ricos. Famosos e desconhecidos. Não só os mesmos de sempre. A lei que se apressa para ser justa com Bruno, o suspeito de um crime horroroso, é a mesma que falha com Elisa Samúdio e a dor de sua família. Esse é nosso enorme problema: a lei brasileira. Cega, com as mãos ocupadas com uma balança, aparentemente desregulada, nossa lei não percebe o que acontece em volta. Ignora, principalmente, os pobres. Os trabalhadores honestos que lutam e nem sempre são respeitados em seus direitos. As mulheres vítimas de agressões. Os desvalidos em geral. Para uns, a lei é veloz. Outros morrem e não a veem. Uns a conseguem com uma facilidade que choca. Outros, nunca. Nossa lei precisava de uma ajuda. Um cão guia? Uma bengala? Sinais sonoros? Algo que a guiasse pelo caminho do bem. Sem tantos tropeços. 

Ouvimos diariamente as declarações mais descaradas. Na tela, nas páginas dos jornais, não se vê dó, piedade ou culpa. No caso do Bruno, o deboche choca:  "-- Mesmo que recebesse pena de prisão perpétua, não ia trazer a vítima de volta." Mas a vítima não estava só sumida? Não era o que ele falava? Se ela não volta, é sinal de que ele sabe que ela está morta? Como ele tem essa certeza agora? Estranho, não? 

A prisão de um criminoso não serve para trazer de volta quem ele, supostamente, matou. Isso é de um cinismo grotesco. A prisão de criminosos serve para proteger os que não matam por nenhum motivo. Os que resolvem suas questões de forma honesta. Serve para a gente poder olhar nossos filhos nos olhos e dizer para eles que todo ato tem retorno. Que tudo tem seu preço. Que o que machuca o outro não pode ser feito. Que é preciso seguir leis e regras. 

A grande questão nossa é que há pessoas que, por várias questões, acabam presas. Mas têm a chance de se recuperar. E merecem essa oportunidade. Outras não se recuperarão jamais. O Brasil não está preparado para lidar com certos tipos de criminosos, Principalmente com os que agem friamente. Calculadamente. Sem a menor empatia pela dor alheia. Sem a mínima preocupação pela humilhação que causam. Os descritos pelos livros de psicopatologia como psicopatas. Psicopatas podem ser goleiros, políticos, qualquer coisa. Se caracterizam por parecerem muito simpáticos, maneiros. Queridos do povo, até. No fundo, são cruéis. Burlam, dão jeitinho, abrem portas por meios escusos. Tiram quem precisar da frente. Do jeito que for preciso. Podem acabar com a vida de uma pessoa num piscar de olhos. Ou de muitos, levando estados inteiros à falência. Eles não ligam. Não têm dentro delas a capacidade de empatia pela dor alheia. Passam atropelando quem ou o que estiver na frente. Seu desejo é prioridade absoluta. E isso não tem cura. Não tem jeito. 

O que ele fala sobre seu passado? "-- Eu não apagaria nada". Se não apagaria nada, então é porque faria de novo? Por que não? Essa pessoa é suspeita de matar uma moça. Mãe de seu filho. Não estamos falando de uma pessoa num momento de raiva. Estamos falando de um assassinato premeditado. Frio. Com sinais de tortura e requintes de crueldade. Nossas leis são porosas, esburacadas. Com brechas por onde passam impunes os piores criminosos. Dói ver que estamos num país sem punição, que beneficia criminosos. E ensina que tudo pode. Educar por aqui é difícílimo. Como dar limites quando tudo pode? 

Bruno quer voltar à vida. Nem duvido que ele volte ao Flamengo. Nem duvido que ainda seja recebido com festa e aplaudido pela torcida. Afinal, ele é bom goleiro. É preciso garantir o campeonato. Evitar frangos. É o que importa. É? Mundo esquisito esse! 

Elisa era nova. Devia querer viver mais. Tinha um filho para criar. Um bebê. Não pode ver o filho crescer. Do suspeito, nem há remorso, nem há culpa. Nem a menor empatia pelo filho que ficou órfão. Bruno quer voltar à vida? Que bom que ele pode. Elisa também queria. Mas, que pena, não pode mais. 

(Mônica Raoufl El Bayeh - Jornal "Extra" - 26/02/17)


01) O que, para você, seria "politicamente correto" no caso do goleiro Bruno? Comente: 

02) Por que você acha que a autora fez questão de colocar nome e sobrenome de quem soltou o Bruno? Esse dado deveria, segundo você, ser omitido? 

03) Transcreva do texto uma passagem carregada de ironia, explicando-a: 

04) Copie do texto duas antíteses, explicando sua importância para o contexto: 

05) Sublinhe no texto a parte que mais mexeu com você, de alguma forma, explicando o porquê: 

06) Como você se sentiu com essa liberação do ex-goleiro Bruno? O que você pensa sobre isso? Comente:

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

08) Posicione-se sobre as duas passagens destacadas no texto, explicitando sua opinião:

09) Mesmo se a pessoa tiver um excelente comportamento, você acha que deveria cumprir apenas uma parte da pena indicada? Por quê?

10) Pelas pistas textuais, você acha que a autora pensa que vale a pena dar uma segunda chance ao Bruno? Comprove com uma ou mais passagens do texto:

11) Você contrataria o Bruno como goleiro? Daria uma segunda chance a ele? Justifique sua resposta:

12) Até que ponto se deve (ou não) separar o lado profissional do lado pessoal? Comente:

13) Tente responder à pergunta feita no título do texto em questão (e retomada no texto), explicando o seu raciocínio:

14) O que você gostaria de dizer ao ex-goleiro Bruno? 

Atividade sobre a crônica "Exigências da vida moderna", de Luis Fernando Veríssimo

Exigências da vida moderna

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. 
E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. 
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes. 
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que, aos bilhões, ajudam a digestão). 
Cada dia uma Aspirina, previne infarto. 
Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o quê, mas faz bem. 
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. 
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver. 
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. 
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia... E não se esqueça de escovar os dentes depois de comer. 
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e, enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. 
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. 
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito. 
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. 
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações. 
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo -- e nem estou falando e sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! 
Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. 
Chame os amigos junto com os seus pais. 
Beba o vinho, coma a mãe e a banana junto com sua mulher... na sua cama. 
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal... Tchau! 
Viva a vida com bom humor!!!

(Luís Fernando Veríssimo)

01) Justifique o título dado à crônica:

02) Explique a função dos parênteses usados no texto:

03) Que tipo de linguagem foi usado na crônica? Justifique sua resposta:

04) Circule todos os numerais do texto, classificando-os e dizendo a sua importância para o contexto:

05) Copie da crônica quatro substantivos próprios, dizendo que efeito isso causa:

06) Transcreva do texto uma passagem carregada de humor:

07) Localize na crônica um trecho que revela um certo exagero:

08) Copie do texto um desvio gramatical, explicando-o:

09) Qual o objetivo do autor ao comparar as amizades com plantinhas? Que efeito isso causou?

10) Copie do texto uma passagem altamente irônica:

11) Qual o objetivo geral do texto? Comente:

12) Que mensagem o texto transmite? Que conselho o autor dá? O que você pensa com relação a isso? 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Atividade sobre a crônica "Inferno Nacional", do Stanislaw Ponte Preta

Inferno nacional

A historinha abaixo transcrita surgiu no folclore de Belo Horizonte e foi contada lá, numa versão política. Não é o nosso caso. Vai contada aqui no seu mais puro estilo folclórico, sem maiores rodeiros. Diz que era uma vez um camarada que abotoou o paletó. Em vida o falecido foi muito dado à falcatrua, chegou a ser candidato a vereador e, ao morrer, nem conversou: foi direto para o inferno. Em lá chegando, pediu audiência a Satanás e perguntou:
-- Qual é o lance aqui?
Satanás explicou que o inferno estava dividido em diversos departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não precisava ficar no departamento administrado pelo seu país de origem. Podia ficar no departamento do país que escolhesse. Ele agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher seu departamento. 
Está claro que saiu do gabinete do diabo e foi logo para o departamento dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o inferninho que lhe caberia para toda a eternidade. Entrou no departamento dos Estados Unidos e perguntou como era o regime ali. 
-- Quinhentas chibatadas pela manhã, depois passar duas horas num forno de duzentos graus. Na parte da tarde: ficar numa geladeira de cem graus abaixo de zero até três horas, e voltar ao forno de duzentos graus. 
O falecido ficou besta e tratou de cair fora, em busca de um departamento menos rigoroso. Esteve no inferno da Rússia, no do Japão, no da França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que tudo era igual: a divisão em departamento era apenas para facilitar o serviço no inferno, mas em todo lugar o regime era o mesmo: quinhentas chibatadas pela manhã, forno de duzentos graus durante o dia e geladeira de cem graus abaixo de zero pela tarde. 
O falecido já caminhava desconsolado por uma rua infernal, quando viu um departamento escrito na porta: Brasil E notou que a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos. Pensou com suas chaminhas: "Aqui tem peixe por debaixo do angu". Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os enfileirados menos tristes. O camarada da frente fingia que não ouvia, mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem a atenção, disse baixinho: 
-- Fica na moita, e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de trinta e cinco graus por dia. 
-- E as quinhentas chibatadas? -- peguntou o falecido. 
-- Ah... o sujeito encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e cai fora. 

(Stanislaw Ponte Preta)

01) Justifique o título dado à crônica:

02) Qual é a ideia central do texto? Comente:

03) Qual o desejo principal do protagonista?

04) Que modo ele encontra para satisfazer esse desejo?

05) Qual foi o obstáculo encontrado?

06) Que "pecado" aparece no texto para o falecido ir para o inferno? O que você pensa com relação a isso?

07) Por que quando o falecido saiu do gabinete do Diabo procurou, em primeiro lugar, o departamento dos Estados Unidos?

08) O que fez com que o protagonista desistisse de frequentar o departamento daquele país? 

09) A expressão "pensou com suas chaminhas" refere-se a qual expressão da nossa língua? 

10) O que essa expressão significa? Por que ela foi modificada? 

11) Transcreva do texto o trecho que mostra que a organização dentro do inferno obedecia a regras comuns e pré-estabelecidas:

12) Por que o colega de fila do departamento brasileiro não queria explicar os motivos de haver mais gente na fila? Provavelmente, o que ele temia? 

13) O que significa a expressão "teria peixe por debaixo do angu"? Você costuma usá-la? 

14) Que detalhe fez o falecido desconfiar do departamento do Brasil e recorrer à expressão acima? 

15) Ao explicar os motivos de haver uma fila tão grande no departamento brasileiro, o personagem revela duas críticas comuns feitas em relação do Brasil. Que críticas são essas?

16) Copie do texto pelo menos três exemplos de linguagem coloquial: 

17) Tal crônica foi escrita há mais de trinta anos. Os problemas nela apontados ainda estão presentes no nosso país? Explique: 

18) Cite cinco motivos pelos quais você permaneceria aqui no Brasil e cinco pelos quais faria as malas e partiria para outro lugar: 

19) Você concorda com a visão desacreditada do sistema brasileiro, de que nada funciona aqui no Brasil? Justifique sua resposta:

20) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Atividade sobre a música "Chiclete com banana", de Jackson do Pandeiro


 Chiclete com banana 

Eu só ponho bip-bop
No meu samba
Quando Tio Sam pegar o tamborim
Quando ele pegar no pandeiro 
E no zabumba
Quando ele aprender 
Que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana
Chicletes eu misturo com banana
E o meu samba vai ficar assim:

Tirurururururururu bop-be-bop-be-bop

Quero ver a grande confusão
É o samba-rock, meu irmão 

É o samba-rock, meu irmão
Mas em compensação
Eu quero ver um boogie-woogie
De pandeiro e violão 
Eu quero ver o Tio Sam
De frigideira 
Numa batucada brasileira

(Jackson do Pandeiro) 

01) Justifique o título da música: 

02) O que é um bip-bop? 

03) O que é um boogie-woogie? 

04) Quem é o Tio Sam? Por que ele foi citado na canção? 

05) Circule na música um vocativo: 

06) Que misturas o eu lírico pretende fazer? O que isso revela? 

07) Explique o que o verso em destaque na música significa: 

08) Diferencie você samba de rumba: 

09) Que mensagem a canção transmite? Comente: 

10) Podemos afirmar que a música tem um ar nacionalista? Por quê? 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Atividade sobre "A fábula da convivência" - Porco-espinho (Autor Desconhecido)



A fábula da convivência

Durante uma era glacial, quando parte do globo terrestre estava coberto por gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil. Foi então que uma manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim cada um podia sentir o calor do corpo do outro e todos juntos, bem unidos, aqueciam-se mutuamente naquele inverno tenebroso. Porém, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que ofereciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. Então todos se afastaram. Feridos, magoados e sofridos, dispersaram-se por não suportarem por mais tempo os espinhos de seus semelhantes. Doía muito
Mas essa não foi a melhor solução, porque, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com medo, com cuidado, de forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro -- mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos recíprocos. Assim suportaram, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram!  

(Autor Desconhecido)

01) Justifique o título empregado:

02) Por que podemos afirmar que tal texto é uma fábula?

03) Que metáfora existe no texto? Justifique sua resposta: 

04) Que lição de moral podemos extrair do texto? 

05) Diga a que classe gramatical pertence cada uma das palavras em destaque no texto: 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A greve das mulheres dos PMs. Quando as mulheres resolvem agir.


A greve das mulheres dos PMs

PMs morrem toda semana. Falta segurança, falta preparo. Falta salário. Respeito. Escalas de trabalho justas e dentro da lei. Como fazer valer seus direitos sem ter direito à greve? Eles nada podem fazer. Mas os parentes podem! Bingo! Eis a grande descoberta.

É duro ver a pessoa amada sair, sem saber se volta vivo. Duro trabalhar e não ter o que comer. Ver os filhos pedindo e não ter dinheiro para atender. Por essas e por outras questões, as mulheres dos PMs resolveram agir.

Com cadeiras de praia, café, suco, lanchinhos. Diria que quase um piquenique. Elas acamparam em frente aos batalhões. Se organizaram para impedir a saída dos PMs dos batalhões.

Centenas? Milhares? Não muitas. Menos de meia dúzia de gatas pingadas. Em alguns batalhões, apenas quatro! Certamente, não o suficiente para impedir o que quer que fosse. Na fila para o show do Justin Bieber, que só acontece em março, tem mais que isso.

Homens fortes, tão valentes, aquartelados por poucas mulheres? Um spray de pimenta? Aquele que eles usam com os grevistas? Ou uma bomba? Uma só. Não botava todo mundo para correr rapidinho? Botava. Mas a questão não é essa. Podia ser uma mulher só. Ou duas, como as que esvaziaram os pneus da viatura sob o olhar complacente dos PMs. Nada seria feito. O bloqueio é simbólico. A resistência possível.

Uma espécie de vamos brincar de faz de conta. Elas fazem de conta que mandam. Eles, que obedecem. A gente, que acredita. Quando a lei nos rouba direitos, é preciso de artifícios. E esse foi até bem esperto. Eles precisam dessas mulheres. Elas são o escudo protetor. O disfarce da greve.

Sou a favor da luta por mais respeito. Sou a favor da luta de peito aberto pelos direitos duramente conquistados durante anos. De todos os trabalhadores. Inclusive os da PM, que costuma atrapalhar bastante a greve alheia.

Mas uma dúvida me atormenta: Se, em vez de mulheres de PMs, fossem professores? Aposentados? Funcionários outros do mesmo estado? Sobreviventes do mesmo abandono? Seriam tratados com a mesma paciência?

Ou seriam arrastados pelo chão, com spray de pimenta na cara? Com bombas, como tantos já foram? Enxotados como vira-latas mais uma vez?

Em casos de PM, é razoavelmente tranquilo deixar os parentes permanecerem na porta do batalhão. Afinal, pense bem, quem vai agredir a família dos PMs? Quem enfrentaria? Quem peitaria tal atitude? Quem teria tamanha coragem?

Os professores, talvez, em revanche? Não. Professores lutam com giz. Com o poder da palavra. São seres de paz. Não dariam esse tipo de troco. Bandidos também não ousariam tanto. Então é seguro. Tranquilo. Conveniente.

Toda paralisação traz prejuízos. Faz parte. É a moeda que cada um tem. O Rio que já vive em plena violência, tem piorado bastante. O que me choca, nessa situação, não é o aumento da violência. Faz parte do combo da greve.

Me choca é o apoio das pessoas, na televisão. Essas pessoas tão boazinhas, compreensivas e tolerantes, onde estavam nas greves dos professores que eu não vi? Ou a Educação não é importante? Por que ninguém luta junto quando o assunto é Educação?

A greve é necessária? Sim. As de todos os funcionários do Estado. Por isso, queridos PMs, é hora de deixar nascer um mínimo de empatia. Sofremos igual. Estamos todos no mesmo buraco.

É hora de pensar sobre respeito aos outros grevistas que, na falta de parentes, vão pessoalmente brigar pelo que querem. Que colocam a cara a tapa. E que têm sofrido muito.

Somos todos vítimas, amigos. Todos nós. Indignados com a mesma corrupção. Desconsiderados pelo mesmo desgovernos. Calejados com tanta truculência. Mas partidos, separados, não chegaremos a lugar nenhum.

O poder que nos joga uns contra os outros é o mesmo que nos despe de tudo o que é nosso como direito. Que nos mata sem saúde, sem segurança. Que rouba das nossas crianças um futuro digno e melhor.

O inimigo é outro. Estamos do mesmo lado. Estamos juntos nessa. Somos escravos do mesmo senhor. Basta. O momento é de união. Imagina a gente na mesma luta? O estrago ia ser bom!
Troque as bombas pelo aperto de mão. Baixe a guarda. E o escudo. Olhe a gente no olho. Faz de conta que a gente é parente. A vida já está tão difícil. Um pouco de delicadeza só faz bem. Afinal, simpatia é quase amor.

(Mônica Raouf El Bayeh - Jornal "Extra" - 12/02/17)


01) A autora parece ser contra ou a favor da greve indireta dos PMs? Comente com elemento(s) do próprio texto: 

02) A que a palavra sublinhada no texto se refere? A que classe de palavras ela pertence? 

03) Responda, sinceramente, à pergunta feita no oitavo parágrafo? Justifique sua resposta: 

04) Copie uma passagem do texto em que há ironia, explicando: 

05) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente: 

06) Explique a passagem destacada no quinto parágrafo: 

07)  Que aparente "incoerência" é levantada pela autora no texto? Por que você acha que ela ocorre? 

08) Circule no texto um exemplo de vocativo, explicando seu raciocínio: 

09) De alguma maneira a charge abaixo dialoga com o texto lido? O que você pensa a respeito disso? Justifique sua resposta: 


10) Que crítica encontra-se embutida na charge a seguir? Podemos afirmar que há ironia presente nela? Explique: 



11) Relacione a charge acima à situação da greve de PM que ocorreu no Espírito Santo e o fato de o próprio povo se aproveitar disso para saquear lojas: 

12) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema em questão, utilizando o máximo de argumentos que conseguir para defender o seu ponto de vista: 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Atividade com a música "Tudo que acontece de ruim é para melhorar", do Paulinho Moska


Tudo que acontece de ruim é para melhorar

É tão difícil a gente caminhar
Quando uma estrada não está mais
E ter que construir o próprio chão
Com as incertezas que tiver

Em cada curva pra lá e pra
Qualquer desvio pode transformar
A ponta de um universo em explosão
Coisas pr' um futuro que vier

E tudo que foi dor um dia 
Noutro dia será dia de continuar
Caminhando sob o sol
Até o amor se reinventar
Vida que a gente aprende
Tudo que acontece de ruim é para melhorar
É para melhorar...

(Paulinho Moska) 

01) Posicione-se sobre o título da canção, explicando seu raciocínio:

02) Há elementos que remetem à oralidade? Se sim, quais? Justifique sua resposta:

03) Transcreva um ou mais versos da música que tenha(m) lhe tocado de forma especial, explicando, se possível, tal escolha: 

04) Que sentimento a leitura do texto como um todo mais lhe transmitiu? Por quê?

05) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Explique:

06) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra em destaque na referida canção:

07) Como você ilustraria essa canção? Mãos à obra!

08) Elabore uma listinha com ações que cada pessoa pode fazer, diariamente, para ajudar a melhorar o mundo: