domingo, 25 de dezembro de 2016

Um ótimo texto para a gente refletir... Natal...

Se Jesus viesse hoje, sentava na sua mesa? 


Jesus nasceu pobre. Refugiado. Perseguido. Fugindo para não morrer. Em Belém. Mas podia ser em Alepo. Em lugares em guerra. Em favelas miseráveis. No sertão do Brasil sem água, nem recursos. Se Jesus nascesse hoje, talvez fosse refugiado. 

Seu presépio lindo. Coloridinho. Singelo. Disfarça o fato de que era uma hospedaria de animais. Um curral. Provavelmente fedorento. Não era um eco-berçário natureba. Era pobreza. Desconforto. Precariedade. 

Esse Jesus celebrado com presentes e fartura é outro. O Jesus que veio era pobre e pelos pobres. Era hétero, pelo que contam. Ia a festas. Transformava água em vinho. Mas jamais sentaria numa mesa junto com homofóbicos para sacanear e tripudiar os homossexuais que passassem nas ruas. Muito menos agredir, espancar. Mesmo que os homofóbicos frequentassem as missas de domingo. Mesmo que se confessassem. Ali, não estaria Jesus. 

Jesus não está no coração dos que cospem regras e leis sobre certo e errado. Mesmo que saibam os salmos de cor e andem com a Bíblia embaixo do braço. Por gente desse tipo, Jesus foi acusado e crucificado. Como tantos ainda são. 

Jesus veio numa família de uma mãe e dois pais. Jesus, veja que ironia, não nasceu em família tradicional cristã. Maria casou grávida. De um anjo, mas grávida. E se José, assustado, com medo de passar por corno, com medo do que as pessoas iriam falar, roesse a corda, Maria seria mãe solteira. Já tinha pensado nisso? 

Igrejas que cobram por milagres, ai não está Jesus. Terreiros que acolhem e abraçam os aflitos sem pedir um tostão em troca, ali nasce Jesus. 

Policiais que jogam bomba e balas de borracha em trabalhadores que lutam por seus direitos e salários, ali Jesus não está. Nem mesmo nos que trazem medalhinhas religiosas no peito. Povo passando humilhação, sem ter o que comer, aflito pela sobrevivência? É nessa mesa que Jesus está. Me arrisco a dizer que Jesus seria grevista. 

Jesus também não será encontrado em joalherias, em ilhas fisicais, mesmo para quem bate no peito e se diz cristão. Jesus está nos que morrem por falta de atendimento, de remédio, de segurança. Nas crianças sem direito à educação de qualidade. 

Jesus não está nos gabinetes de políticos. Jesus morreu entre dois ladrões. É verdade. Mas Jesus não faz conchavo. Se manteve íntegro. 

Jesus não está na Justiça injusta. Mesmo que na sala haja crucifixo na sala do tribunal. Jesus está nos injustiçados. Nos que clamam por justiça e a justiça cega não lhes enxerga. 

Que esse Jesus bebê que hoje se arrisca a nascer venha para nos lembrar que ele está nos perseguidos. Nos refugiados. Nos injustiçados. Nos que a gente, cheia de nojo, nem olha. Ali é que ele está. 

Jesus veio para ser visto no olhar dos que precisam. Naqueles que a gente se encolhe quando passam muito perto na rua. É fácil dizer que ama um Jesus limpinho, de cabelo claro e olho azul nas fotos. Mas se Jesus viesse hoje, favelado, refugiado, miserável, sentava na sua mesa? 

Que esse Natal seja de reflexão. De ação. Porque Jesus falava na cara. Não deixava passar. De mudança no templo de vendilhões. Sobretudo, de esperança. Porque Jesus nasceu sem nada para que a gente aprenda a pedir menos e a doar mais. A pedir menos e fazer mais. Pedir menos e ser mais. A pedir menos e ser feliz com o possível. A desesperar menos e se rechear com mais fé. Essa é a real necessidade. Sobreviver o dia a dia, apesar de tudo. Cair. Levantar. E recomeçar sempre. Esse é o verdadeiro Natal. O resto é só Papai Noel...

Feliz Natal para todos. 

(Mônica Raouf El Bayeh)
http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/se-jesus-viesse-hoje-sentava-na-sua-mesa-20692295.html#ixzz4UX3WORAI

- Aproveite para responder, sinceramente, à pergunta feita pela autora já no título do texto...!!! Não se esqueça de fazer isso em forma de um pequeno texto!!! Mãos à obra!!! 

Atividade sobre o texto "Caso de canário", de Carlos Drummond de Andrade


Caso de canário

Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
-- Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
-- Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
-- Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom; vá.
O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura: -- Vai, meu bem.
Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona, e dói ver a lenta agonia de um ser tão gracioso, que viveu para cantar.
-- Primeiro me tragam um vidro de éter, e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos, no pescoço.
E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rondando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
-- Ui!
Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
-- Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(Carlos Drummond de Andrade)


01) Justifique o título da crônica: 

02) Qual era o conflito dessa narrativa?

03) O que é "dar cabo" de alguém? Você já usou essa expressão?

04) Qual foi a solução encontrada para resolvê-lo? O que você achou disso?

05) O que provavelmente teria acontecido com o canário? 

06)  Por que o estrangulador também se sentiu ressuscitar? 

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Atividade sobre o texto "Os estudantes já estão escrevendo melhor?", de Zuenir Ventura


Os estudantes já estão escrevendo melhor?

O Ministério da Educação informa: ainda que tenham piorado em outros itens, os estudantes de ensino médio estão escrevendo melhor. No exame de redação a que foram submetidos pelo próprio MEC, eles obtiveram uma nota que equivale a 6 (na verdade, 60 pontos em 100), enquanto no ano passado a média foi 51. Tomara que a melhora não seja um acaso, mas uma tendência, porque a situação atual é péssima.
“As palavras andam apanhando muito, até mesmo na mão de quem devia saber o respeito que merecem”, escreveu o jornalista Luiz Garcia no livro O mundo, esse lírio, que acaba de sair e é um modelo de boa escrita. Os maus-tratos perpetrados pela imprensa o deixam particularmente irritado, embora a ocorrência seja geral: nas salas de aula, no Congresso, na televisão. Transgridem-se as regras da gramática como se fossem as leis de trânsito.
A “cabala contra a comunicação” se manifesta no vocabulário, na sintaxe e na semântica, ou seja, na forma e no sentido. “O significado das palavras”, diz Garcia, “é depreciado, desprezado, trocado, ignorado.” De fato, parece ter-se instalado na sociedade um grande desamor em relação à língua, que costuma ser desprezada com cínico despudor. É comum ouvir, depois de um atentado à gramática, a desculpa “errar é humano”, como se acertar fosse desumano.
Trata-se de um grave sintoma, como já advertiu George Orwell, que o autor cita: “A corrupção da política começa na corrupção da linguagem” (há uma variante do poeta mexicano Octavio Paz: “Quando uma sociedade se corrompe, a primeira coisa que se decompõe é a linguagem”).
Numa entrevista recente feita pela repórter Eliane Basdanachville, a professora mineira Magda Becker Soares lançou o conceito de “letramento”. Se alguém “sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada”. A simples aquisição do código escrito não basta, sob pena de cairmos no analfabetismo funcional, aquele segundo o qual a pessoa lê e escreve, mas não sabe fazer uso da leitura e da escrita.
Alega-se que, a exemplo de outros códigos, as regras gramaticais, de tão difíceis, parecem feitas para ser desrespeitadas, o que em parte é verdade. Ao longo da História, o beletrismo impôs modos artificiais de falar e escrever que, repudiados pelo bom senso, acabaram sendo substituídos pela prática oposta. Fugiu-se do
pedantismo para cair no barbarismo. Por que não recorrer agora ao meio-termo?
Para complicar o quadro, surgiu um novo elemento na história: a internet. Ela contribuiu para degradar ou para aperfeiçoar o uso da língua entre os jovens? Já que hoje se escreve mais, e isso é indiscutível, será que se escreve melhor? Até que ponto os e-mails, por preguiça ou economia, não estão estropiando a escrita? Uma leitora de 18 anos me escreveu a propósito de chats, condenando a prática de sua geração, que usa “expressões do tipo ‘vc’. ‘qd’, entre outros horrores (isso quando o assunto tem algum nexo)”.
Talvez ainda seja cedo para julgar a internet, mas pelo menos um álibi deve ser rejeitado: o de que se erra muito na rede por falta de tempo. É como a desculpa daquele jovem que, alegando estar com pressa, escreveu “preça”.
(Zuenir Ventura - "Revista Época")

01) Baseado em que fato o Ministério da Educação afirma que os estudantes do Ensino Médio estão escrevendo melhor? 

02) “Tomara que a melhora não seja um acaso, mas uma tendência...” com essa afirmação a autora acha que: 

(A) os estudantes não melhoraram
(B) os estudantes ainda vão piorar
(C) foi coincidência a melhora
(D) a situação é péssima, mas espera que melhore

03) De acordo com o jornalista Luiz Garcia só não podemos afirmar que: 

(A) As palavras estão sendo maltratadas.
(B) Os maus-tratos nas salas de aula o deixam particularmente irritado.
(C) O significado das palavras é desprezado
(D) As transgressões ocorrem na forma e no sentido.

04) “Transgridem as regras da gramática como se fossem as leis de trânsito.” Que tipo de informação fica implícita com esta afirmação? 

05) O texto aponta-nos alguns motivos para a desobediência às regras gramaticais. Assinale a opção que identifica a opinião da autora:

(A) O analfabetismo funcional
(B) As regras gramaticais são difíceis
(C) A internet
(D) Grande desamor em relação à língua

06) “É comum ouvir, depois de um atentado à gramática, a desculpa ‘errar é humano’...” por que a autora não aceita essa justificativa para os erros cometidos contra a gramática? 

07) De acordo com Zuenir, qual é o verdadeiro problema de comunicação das “expressões do tipo ‘vc’, ‘qd’, entre outros horrores” usados na internet?

08) Pedantismo e Barbarismo significam, respectivamente: 

(A) comum / desprezo
(B) artificialismo / jovem
(C) exagero / estrangeirismo
(D) linguagem / língua

09) "Tomara que a melhora não seja um acaso, mas uma tendência, porque a situação atual é péssima.” Identifique a relação de sentido estabelecida pelas conjunções destacadas.  

10) “Trata-se de um grave sintoma, como já advertiu George Orwell, que o autor cita:...” Identifique a relação de sentido estabelecida pela conjunção destacada.

11) Crie uma tese com base no tema do texto “Os estudantes já estão escrevendo melhor?”


(Participação especial da minha amiga Carmem Lucia Macedo)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Atividade sobre a música "A paz", de Roupa Nova


A paz

(É preciso pensar um pouco  nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!)

Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz já nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança
Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão. 

Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começaar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança 
Deixe que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão

Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz 

Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm
A lição pro futuro vem da alma e do coração 
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor
Se você começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão 
(Roupa Nova)

01) Justifique o título da música, aproveitando para sugerir um outro:

02)

03) Que mensagem a música transmite?

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Atividade sobre a música "Paz pela paz", de Nando Cordel


Paz pela paz

A paz no mundo
Começa em mim
Se tenho amor com certeza sou feliz
Se eu faço o bem ao meu irmão
Tenho a grandeza dentro do meu coração

Chegou a hora da gente construir a paz
Ninguém suporta mais o desamor

Paz pela paz
Pelas crianças
Paz pela paz
Pela floresta
Paz pela paz 
Pela coragem de mudar

Paz pela paz 
Pela Justiça
Paz pela paz
A liberdade
Paz pela paz 
Pela beleza de te amar 

(Nando Cordel)

01) Justifique o título emprego na música:

02) Você concorda que "a paz no mundo começa em mim"? Por quê?

03) Você acha que tem feito "bem ao seu irmão"? Cite alguns exemplos disso:

04) Que mensagem a música transmitiu?

05) De que parte da canção você mais gostou? Justifique sua resposta:

06) Agora você vai produzir um pequeno texto falando sobre coisas simples que nos trazem paz:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Atividade sobre o filme "Cegonhas - A história que não te contaram" (1 h 40 min)


Sinopse: Cegonhas entregam bebês... ou pelo menos costumavam. Agora elas entregam encomendas para a gigante global da internet Cornestore.com. Júnior, um dos principais entregadores da companhia, está prestes a ser promovido quando acidentalmente ativa a máquina que faz bebês, produzindo uma adorável e totalmente não autorizada bebê. Desesperado para entregar esse presentinho antes que o chefe descubra, Júnior e sua amiga Tulipa correm para fazer sua primeira entrega de bebês, em uma viagem selvagem e reveladora. Isso poderá fazer mais do que apenas iniciar uma família, mas também restaurar a verdadeira missão das cegonhas no mundo. 

01) Por que só existe uma humana na "Montanha das Cegonhas"? 

02) Por que nem sempre era fácil para as cegonhas entregarem os bebês? Quais eram os principais obstáculos? 

03) Por que um casal recebeu um celular em vez de um bebê? O que isso revela? 

04) Por que o Chefe Rocha queria que Júnior demitisse Tulipa? Ele conseguiu fazer isso? Por quê? 

05) Para que setor Tulipa foi transferida? Por quê? Com que objetivo? 

06) Por que a "órfã" Tulipa ficou falando sozinha no seu novo setor? 

07) Por que motivo o menino Nando pede um irmãozinho aos pais? Por que os pais parecem não gostar da ideia, inicialmente? 

08) O que Nando resolveu fazer? Funcionou? Explique:

09) Quem era Jasper? Você acha que ele, de fato, era um vilão? Justifique sua resposta:

10) O que a fala de Nando "pisca e eu já estou na faculdade" revela? Você acha que jsso acontece bastante em nossa sociedade ou é um caso isolado? Comente: 

11) Quais os planos de Tulipa se ela um dia fosse chefe? E os de Júnior?

12) Por que Tulipa, de fato, construiu o avião? E qual o motivo alegado ao Júnior? 

13) Por que num primeiro momento Tulipa abriu mão do seu sonho? Depois ela o realizou? Justifique sua resposta: 

14) Que nome Tulipa deu ao bebê? Que nome você daria?  Por quê?

15) Como Nando conseguiu a atenção dos seus pais? 

16) Por que Júnior evitava tanto segurar o bebê no colo? 

17) Quais os "poderes" da alcatéia? Que mensagem isso nos transmite no sentido de trabalhar coletivamente? 

18) De que parte do filme você mais gostou? Justifique sua resposta, aproveitando para desenhar tal parte:

19) Que mensagem o filme lhe transmitiu? Comente: 

20) Que nota, de 0 a 10, você daria a esse filme? Justifique sua resposta:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Atividade sobre o editorial "Rastro de escândalo"

Rastro de escândalo

Os bombeiros chegaram em menos de dez minutos. Eis a única informação positiva que se pode colher do noticiário sobre o incêndio no Instituto Butantan, em São Paulo, ocorrido no sábado.
Enquanto se avalia a dimensão dos prejuízos ao seu acervo científico, a maior do mundo na área, pupulam evidências de descaso na instituição.
Uma coleção iniciada há 120 anos, com cerca de 580 mil exemplares de animais, entre cobras, aranhas e escorpiões, estava depositada num galpão que possuía, como único recurso de combate ao fogo, extintores acionados manualmente. 
Sem um sistema adequado de prevenção, eram previsíveis os efeitos devastadores de qualquer faísca elétrica naquele ambiente, onde milhares de espécimes eram conservados em álcool.
Quanto custaria instalar dispositivos automáticos de combate ao fogo no local? O orçamento existia, e não era exorbitante: calcula-se que, por R$ 1 milhão, o sistema teria sido implantado.
Não é que faltasse verba. O Instituto Butantan recebeu, entre 2007 e 2008, tal montante de recursos para realizar obras de infraestrutura; foram utilizados para outros fins. A solicitação para equipamentos anti-incêndio, que teria sido feita, perdeu-se nos desvios da burocracia. 
Definitivamente, R$ 1 milhão não era tanto dinheiro. Em especial quando se toma conhecimento dos R$ 35 milhões que, segundo o Ministério Público, foram subtraídos da Fundação Butantan, braço operacional do instituto, por funcionários do seu segundo escalão. 
Os cientistas do Butantan agora tratam de avaliar a perda e de buscar, em instituições similares, ajuda para repará-la. 
Não é necessário, todavia, ser especialista em serpentes -- nem em investigações criminais -- para detectar nesse episódio o rastro, amplamente conhecido na administração pública, do descuido e do escândalo. 
(Folha de São Paulo - 20/05/10) 


01) O editorial manifesta o ponto de vista do jornal a respeito de um fato. Que fato é esse? 

02) Qual o ponto de vista do jornal a respeito desse fato?

03) Delimite no texto as suas três partes essenciais: introdução, desenvolvimento e conclusão:

04) Qual a tese (ou ideia principal) do texto?

05) Qual é a ideia desenvolvida no terceiro parágrafo? E no quarto?

06) No quinto parágrafo, que questionamento o jornal faz?

07) Qual é a resposta dada pelo próprio jornal a esse questionamento?

08) O editorial em questão apresenta uma conclusão do tipo síntese (resumo) ou do tipo proposta? Justifique sua resposta:

09) Que variedade linguística é adotada no texto?

10) Que pessoa gramatical predomina no texto? O que isso revela?