domingo, 25 de dezembro de 2016

Um ótimo texto para a gente refletir... Natal...

Se Jesus viesse hoje, sentava na sua mesa? 


Jesus nasceu pobre. Refugiado. Perseguido. Fugindo para não morrer. Em Belém. Mas podia ser em Alepo. Em lugares em guerra. Em favelas miseráveis. No sertão do Brasil sem água, nem recursos. Se Jesus nascesse hoje, talvez fosse refugiado. 

Seu presépio lindo. Coloridinho. Singelo. Disfarça o fato de que era uma hospedaria de animais. Um curral. Provavelmente fedorento. Não era um eco-berçário natureba. Era pobreza. Desconforto. Precariedade. 

Esse Jesus celebrado com presentes e fartura é outro. O Jesus que veio era pobre e pelos pobres. Era hétero, pelo que contam. Ia a festas. Transformava água em vinho. Mas jamais sentaria numa mesa junto com homofóbicos para sacanear e tripudiar os homossexuais que passassem nas ruas. Muito menos agredir, espancar. Mesmo que os homofóbicos frequentassem as missas de domingo. Mesmo que se confessassem. Ali, não estaria Jesus. 

Jesus não está no coração dos que cospem regras e leis sobre certo e errado. Mesmo que saibam os salmos de cor e andem com a Bíblia embaixo do braço. Por gente desse tipo, Jesus foi acusado e crucificado. Como tantos ainda são. 

Jesus veio numa família de uma mãe e dois pais. Jesus, veja que ironia, não nasceu em família tradicional cristã. Maria casou grávida. De um anjo, mas grávida. E se José, assustado, com medo de passar por corno, com medo do que as pessoas iriam falar, roesse a corda, Maria seria mãe solteira. Já tinha pensado nisso? 

Igrejas que cobram por milagres, ai não está Jesus. Terreiros que acolhem e abraçam os aflitos sem pedir um tostão em troca, ali nasce Jesus. 

Policiais que jogam bomba e balas de borracha em trabalhadores que lutam por seus direitos e salários, ali Jesus não está. Nem mesmo nos que trazem medalhinhas religiosas no peito. Povo passando humilhação, sem ter o que comer, aflito pela sobrevivência? É nessa mesa que Jesus está. Me arrisco a dizer que Jesus seria grevista. 

Jesus também não será encontrado em joalherias, em ilhas fisicais, mesmo para quem bate no peito e se diz cristão. Jesus está nos que morrem por falta de atendimento, de remédio, de segurança. Nas crianças sem direito à educação de qualidade. 

Jesus não está nos gabinetes de políticos. Jesus morreu entre dois ladrões. É verdade. Mas Jesus não faz conchavo. Se manteve íntegro. 

Jesus não está na Justiça injusta. Mesmo que na sala haja crucifixo na sala do tribunal. Jesus está nos injustiçados. Nos que clamam por justiça e a justiça cega não lhes enxerga. 

Que esse Jesus bebê que hoje se arrisca a nascer venha para nos lembrar que ele está nos perseguidos. Nos refugiados. Nos injustiçados. Nos que a gente, cheia de nojo, nem olha. Ali é que ele está. 

Jesus veio para ser visto no olhar dos que precisam. Naqueles que a gente se encolhe quando passam muito perto na rua. É fácil dizer que ama um Jesus limpinho, de cabelo claro e olho azul nas fotos. Mas se Jesus viesse hoje, favelado, refugiado, miserável, sentava na sua mesa? 

Que esse Natal seja de reflexão. De ação. Porque Jesus falava na cara. Não deixava passar. De mudança no templo de vendilhões. Sobretudo, de esperança. Porque Jesus nasceu sem nada para que a gente aprenda a pedir menos e a doar mais. A pedir menos e fazer mais. Pedir menos e ser mais. A pedir menos e ser feliz com o possível. A desesperar menos e se rechear com mais fé. Essa é a real necessidade. Sobreviver o dia a dia, apesar de tudo. Cair. Levantar. E recomeçar sempre. Esse é o verdadeiro Natal. O resto é só Papai Noel...

Feliz Natal para todos. 

(Mônica Raouf El Bayeh)
http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/se-jesus-viesse-hoje-sentava-na-sua-mesa-20692295.html#ixzz4UX3WORAI

- Aproveite para responder, sinceramente, à pergunta feita pela autora já no título do texto...!!! Não se esqueça de fazer isso em forma de um pequeno texto!!! Mãos à obra!!! 

Atividade sobre o texto "Caso de canário", de Carlos Drummond de Andrade


Caso de canário

Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
-- Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
-- Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
-- Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom; vá.
O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura: -- Vai, meu bem.
Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona, e dói ver a lenta agonia de um ser tão gracioso, que viveu para cantar.
-- Primeiro me tragam um vidro de éter, e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos, no pescoço.
E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rondando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
-- Ui!
Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
-- Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(Carlos Drummond de Andrade)


01) Justifique o título da crônica: 

02) Qual era o conflito dessa narrativa?

03) O que é "dar cabo" de alguém? Você já usou essa expressão?

04) Qual foi a solução encontrada para resolvê-lo? O que você achou disso?

05) O que provavelmente teria acontecido com o canário? 

06)  Por que o estrangulador também se sentiu ressuscitar? 

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Atividade sobre o texto "Os estudantes já estão escrevendo melhor?", de Zuenir Ventura


Os estudantes já estão escrevendo melhor?

O Ministério da Educação informa: ainda que tenham piorado em outros itens, os estudantes de ensino médio estão escrevendo melhor. No exame de redação a que foram submetidos pelo próprio MEC, eles obtiveram uma nota que equivale a 6 (na verdade, 60 pontos em 100), enquanto no ano passado a média foi 51. Tomara que a melhora não seja um acaso, mas uma tendência, porque a situação atual é péssima.
“As palavras andam apanhando muito, até mesmo na mão de quem devia saber o respeito que merecem”, escreveu o jornalista Luiz Garcia no livro O mundo, esse lírio, que acaba de sair e é um modelo de boa escrita. Os maus-tratos perpetrados pela imprensa o deixam particularmente irritado, embora a ocorrência seja geral: nas salas de aula, no Congresso, na televisão. Transgridem-se as regras da gramática como se fossem as leis de trânsito.
A “cabala contra a comunicação” se manifesta no vocabulário, na sintaxe e na semântica, ou seja, na forma e no sentido. “O significado das palavras”, diz Garcia, “é depreciado, desprezado, trocado, ignorado.” De fato, parece ter-se instalado na sociedade um grande desamor em relação à língua, que costuma ser desprezada com cínico despudor. É comum ouvir, depois de um atentado à gramática, a desculpa “errar é humano”, como se acertar fosse desumano.
Trata-se de um grave sintoma, como já advertiu George Orwell, que o autor cita: “A corrupção da política começa na corrupção da linguagem” (há uma variante do poeta mexicano Octavio Paz: “Quando uma sociedade se corrompe, a primeira coisa que se decompõe é a linguagem”).
Numa entrevista recente feita pela repórter Eliane Basdanachville, a professora mineira Magda Becker Soares lançou o conceito de “letramento”. Se alguém “sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada”. A simples aquisição do código escrito não basta, sob pena de cairmos no analfabetismo funcional, aquele segundo o qual a pessoa lê e escreve, mas não sabe fazer uso da leitura e da escrita.
Alega-se que, a exemplo de outros códigos, as regras gramaticais, de tão difíceis, parecem feitas para ser desrespeitadas, o que em parte é verdade. Ao longo da História, o beletrismo impôs modos artificiais de falar e escrever que, repudiados pelo bom senso, acabaram sendo substituídos pela prática oposta. Fugiu-se do
pedantismo para cair no barbarismo. Por que não recorrer agora ao meio-termo?
Para complicar o quadro, surgiu um novo elemento na história: a internet. Ela contribuiu para degradar ou para aperfeiçoar o uso da língua entre os jovens? Já que hoje se escreve mais, e isso é indiscutível, será que se escreve melhor? Até que ponto os e-mails, por preguiça ou economia, não estão estropiando a escrita? Uma leitora de 18 anos me escreveu a propósito de chats, condenando a prática de sua geração, que usa “expressões do tipo ‘vc’. ‘qd’, entre outros horrores (isso quando o assunto tem algum nexo)”.
Talvez ainda seja cedo para julgar a internet, mas pelo menos um álibi deve ser rejeitado: o de que se erra muito na rede por falta de tempo. É como a desculpa daquele jovem que, alegando estar com pressa, escreveu “preça”.
(Zuenir Ventura - "Revista Época")

01) Baseado em que fato o Ministério da Educação afirma que os estudantes do Ensino Médio estão escrevendo melhor? 

02) “Tomara que a melhora não seja um acaso, mas uma tendência...” com essa afirmação a autora acha que: 

(A) os estudantes não melhoraram
(B) os estudantes ainda vão piorar
(C) foi coincidência a melhora
(D) a situação é péssima, mas espera que melhore

03) De acordo com o jornalista Luiz Garcia só não podemos afirmar que: 

(A) As palavras estão sendo maltratadas.
(B) Os maus-tratos nas salas de aula o deixam particularmente irritado.
(C) O significado das palavras é desprezado
(D) As transgressões ocorrem na forma e no sentido.

04) “Transgridem as regras da gramática como se fossem as leis de trânsito.” Que tipo de informação fica implícita com esta afirmação? 

05) O texto aponta-nos alguns motivos para a desobediência às regras gramaticais. Assinale a opção que identifica a opinião da autora:

(A) O analfabetismo funcional
(B) As regras gramaticais são difíceis
(C) A internet
(D) Grande desamor em relação à língua

06) “É comum ouvir, depois de um atentado à gramática, a desculpa ‘errar é humano’...” por que a autora não aceita essa justificativa para os erros cometidos contra a gramática? 

07) De acordo com Zuenir, qual é o verdadeiro problema de comunicação das “expressões do tipo ‘vc’, ‘qd’, entre outros horrores” usados na internet?

08) Pedantismo e Barbarismo significam, respectivamente: 

(A) comum / desprezo
(B) artificialismo / jovem
(C) exagero / estrangeirismo
(D) linguagem / língua

09) "Tomara que a melhora não seja um acaso, mas uma tendência, porque a situação atual é péssima.” Identifique a relação de sentido estabelecida pelas conjunções destacadas.  

10) “Trata-se de um grave sintoma, como já advertiu George Orwell, que o autor cita:...” Identifique a relação de sentido estabelecida pela conjunção destacada.

11) Crie uma tese com base no tema do texto “Os estudantes já estão escrevendo melhor?”


(Participação especial da minha amiga Carmem Lucia Macedo)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Atividade sobre a música "A paz", de Roupa Nova


A paz

(É preciso pensar um pouco  nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!)

Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz já nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança
Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão. 

Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começaar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança 
Deixe que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão

Só o amor muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz 

Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm
A lição pro futuro vem da alma e do coração 
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor
Se você começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão 
(Roupa Nova)

01) Justifique o título da música, aproveitando para sugerir um outro:

02)

03) Que mensagem a música transmite?

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Atividade sobre a música "Paz pela paz", de Nando Cordel


Paz pela paz

A paz no mundo
Começa em mim
Se tenho amor com certeza sou feliz
Se eu faço o bem ao meu irmão
Tenho a grandeza dentro do meu coração

Chegou a hora da gente construir a paz
Ninguém suporta mais o desamor

Paz pela paz
Pelas crianças
Paz pela paz
Pela floresta
Paz pela paz 
Pela coragem de mudar

Paz pela paz 
Pela Justiça
Paz pela paz
A liberdade
Paz pela paz 
Pela beleza de te amar 

(Nando Cordel)

01) Justifique o título emprego na música:

02) Você concorda que "a paz no mundo começa em mim"? Por quê?

03) Você acha que tem feito "bem ao seu irmão"? Cite alguns exemplos disso:

04) Que mensagem a música transmitiu?

05) De que parte da canção você mais gostou? Justifique sua resposta:

06) Agora você vai produzir um pequeno texto falando sobre coisas simples que nos trazem paz:

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Atividade sobre o filme "Cegonhas - A história que não te contaram" (1 h 40 min)


Sinopse: Cegonhas entregam bebês... ou pelo menos costumavam. Agora elas entregam encomendas para a gigante global da internet Cornestore.com. Júnior, um dos principais entregadores da companhia, está prestes a ser promovido quando acidentalmente ativa a máquina que faz bebês, produzindo uma adorável e totalmente não autorizada bebê. Desesperado para entregar esse presentinho antes que o chefe descubra, Júnior e sua amiga Tulipa correm para fazer sua primeira entrega de bebês, em uma viagem selvagem e reveladora. Isso poderá fazer mais do que apenas iniciar uma família, mas também restaurar a verdadeira missão das cegonhas no mundo. 

01) Por que só existe uma humana na "Montanha das Cegonhas"? 

02) Por que nem sempre era fácil para as cegonhas entregarem os bebês? Quais eram os principais obstáculos? 

03) Por que um casal recebeu um celular em vez de um bebê? O que isso revela? 

04) Por que o Chefe Rocha queria que Júnior demitisse Tulipa? Ele conseguiu fazer isso? Por quê? 

05) Para que setor Tulipa foi transferida? Por quê? Com que objetivo? 

06) Por que a "órfã" Tulipa ficou falando sozinha no seu novo setor? 

07) Por que motivo o menino Nando pede um irmãozinho aos pais? Por que os pais parecem não gostar da ideia, inicialmente? 

08) O que Nando resolveu fazer? Funcionou? Explique:

09) Quem era Jasper? Você acha que ele, de fato, era um vilão? Justifique sua resposta:

10) O que a fala de Nando "pisca e eu já estou na faculdade" revela? Você acha que jsso acontece bastante em nossa sociedade ou é um caso isolado? Comente: 

11) Quais os planos de Tulipa se ela um dia fosse chefe? E os de Júnior?

12) Por que Tulipa, de fato, construiu o avião? E qual o motivo alegado ao Júnior? 

13) Por que num primeiro momento Tulipa abriu mão do seu sonho? Depois ela o realizou? Justifique sua resposta: 

14) Que nome Tulipa deu ao bebê? Que nome você daria?  Por quê?

15) Como Nando conseguiu a atenção dos seus pais? 

16) Por que Júnior evitava tanto segurar o bebê no colo? 

17) Quais os "poderes" da alcatéia? Que mensagem isso nos transmite no sentido de trabalhar coletivamente? 

18) De que parte do filme você mais gostou? Justifique sua resposta, aproveitando para desenhar tal parte:

19) Que mensagem o filme lhe transmitiu? Comente: 

20) Que nota, de 0 a 10, você daria a esse filme? Justifique sua resposta:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Atividade sobre o editorial "Rastro de escândalo"

Rastro de escândalo

Os bombeiros chegaram em menos de dez minutos. Eis a única informação positiva que se pode colher do noticiário sobre o incêndio no Instituto Butantan, em São Paulo, ocorrido no sábado.
Enquanto se avalia a dimensão dos prejuízos ao seu acervo científico, a maior do mundo na área, pupulam evidências de descaso na instituição.
Uma coleção iniciada há 120 anos, com cerca de 580 mil exemplares de animais, entre cobras, aranhas e escorpiões, estava depositada num galpão que possuía, como único recurso de combate ao fogo, extintores acionados manualmente. 
Sem um sistema adequado de prevenção, eram previsíveis os efeitos devastadores de qualquer faísca elétrica naquele ambiente, onde milhares de espécimes eram conservados em álcool.
Quanto custaria instalar dispositivos automáticos de combate ao fogo no local? O orçamento existia, e não era exorbitante: calcula-se que, por R$ 1 milhão, o sistema teria sido implantado.
Não é que faltasse verba. O Instituto Butantan recebeu, entre 2007 e 2008, tal montante de recursos para realizar obras de infraestrutura; foram utilizados para outros fins. A solicitação para equipamentos anti-incêndio, que teria sido feita, perdeu-se nos desvios da burocracia. 
Definitivamente, R$ 1 milhão não era tanto dinheiro. Em especial quando se toma conhecimento dos R$ 35 milhões que, segundo o Ministério Público, foram subtraídos da Fundação Butantan, braço operacional do instituto, por funcionários do seu segundo escalão. 
Os cientistas do Butantan agora tratam de avaliar a perda e de buscar, em instituições similares, ajuda para repará-la. 
Não é necessário, todavia, ser especialista em serpentes -- nem em investigações criminais -- para detectar nesse episódio o rastro, amplamente conhecido na administração pública, do descuido e do escândalo. 
(Folha de São Paulo - 20/05/10) 


01) O editorial manifesta o ponto de vista do jornal a respeito de um fato. Que fato é esse? 

02) Qual o ponto de vista do jornal a respeito desse fato?

03) Delimite no texto as suas três partes essenciais: introdução, desenvolvimento e conclusão:

04) Qual a tese (ou ideia principal) do texto?

05) Qual é a ideia desenvolvida no terceiro parágrafo? E no quarto?

06) No quinto parágrafo, que questionamento o jornal faz?

07) Qual é a resposta dada pelo próprio jornal a esse questionamento?

08) O editorial em questão apresenta uma conclusão do tipo síntese (resumo) ou do tipo proposta? Justifique sua resposta:

09) Que variedade linguística é adotada no texto?

10) Que pessoa gramatical predomina no texto? O que isso revela?

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Atividade sobre a música "Giz", de Legião Urbana


Giz

Mesmo sem te ver

Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém 
Aparecer ou quando quero
Quando quero

Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro

Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz
Mas tudo bem
Tudo bem
Tudo bem
Tudo bem
Tudo bem
Tudo bem
Lá vem, lá vem

Lá vem de novo
Acho que estou gostando de alguém
E é

(Legião Urbana)

01) Justifique o título da música:

02) O que significa "Acaba o giz"?

03) O que significa "tem tijolo de construção"?

04) Compare os dois materiais citados nas questões anteriores. A que conclusão você chegou? Qual dos dois você prefere? 

05) O que transmite o verso que se encontra em negrito na música? Comente:

06) O que significa "desenhar toda a calçada"? Está no sentido denotativo, conotativo ou ambos? Justifique sua resposta: 

07) De que passagem você mais gostou? Por quê?

08) Que mensagem ela transmite?

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Atividade sobre conto africano "Furos no céu", de Lenice Gomes

Furos no Céu

Houve um tempo em que o Céu e a Terra eram muito próximos um do outro. Diziam que da torre do palácio se podia colher um ramalhete de nuvens, rabiscos de pássaros, carneirinhos saltitando...

Esta história aconteceu numa aldeia africana. Havia tanta luz naquele dia que duas mulheres pegaram seus pilões para amassar grãos de milho no quintal de casa. Elas diziam amar a claridade e o festejo da lua cheia. Tudo era muito mágico. 

Assim, trocavam mexericos e gargalhadas narrando histórias, que as levaram longe, longe. Naquele converseiro o tempo ia passando e as histórias se derramando, feito um rosário de ave-marias. Uma das mulheres, entusiasmada com a conversa, levantou a mão do pilão com tanta força e tao alto, que fez um furo no Céu. 

O Céu tomou um susto ao ver aquele furo e desabou a berrar. Elas de tão entretidas nem ouviram, continuaram em sua conversa, pisando nos seus pilões. 

Assim o infinito azul foi ganhando furos e mais furos. Aquelas mulheres jamais imaginavam que seus pilões iam transformando o Céu numa verdadeira peneira. O Céu irado, da cor das violetas, gritou mais que um tanto: 

-- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! 

O grito chamou a atenção das mulheres, que olharam para o alto e disseram: "Vai chover". Diziam uma para a outra: "Avia, avia, avia... Recolhe o milho e o pilão..." Parecia uma cantoria. 

Indignado, o Céu resolveu ordenar ao tambor em tom de autoridade:

"Toque alto, por favor!
Atravesse portas e janelas
Chegue aos ouvidos das piladeiras
Convidando-as a me olharem
Sob as sete luas que as iluminam."

Elas, encantadas pelo soar do tambor, aproveitaram para dançar. A cadência foi crescendo, crescendo, crescendo. O Céu achou bonita aquela dança, que alegrava o seu universo. Mas nada podia mudar sua decisão de separar-se da Terra. Ou subia ou ficava todo furado. Foi subindo, subindo, até chegar num lugar perfeito: nem tão perto que alguém pudesse tocá-lo com a mão do pilão, nem tão alto que ninguém pudesse vê-lo. 

E não é que ele sentiu saudades do tum-tum-tum do tambor, do barulho dos grãos no pilão, das histórias das mulheres e de suas canções?! Foi então que o Céu teve a ideia de transformar os furos que as mulheres haviam feito em estrelas, para que pudesse continuar espiando as coisas da terra.

Satisfeito, o Céu sorriu, E foi contando essa história de aldeia em aldeia, com a intenção de que ela se espalhasse pelo mundo e pudesse ser contada e recontada onde houvesse alguém para escutá-la. 

Assim, segundo os africanos, nasceram as estrelas do céu, pontinhos luminosos no azul, para iluminar a África. 

(Lenice Gomes) 

01) Em muitos contos, o narrador inicia situando o tempo e o espaço em que ocorrem os fatos. Identifique, no segundo parágrafo, as expressões adverbiais que expresssam essas informações:

02) Que tipo de narrador conta a história em questão? Justifique sua resposta com uma ou mais passagens do texto:

03) Identifique a protagonista e explique sua importância para o enredo:

04) Podemos afirmar que o enredo do conto é um mito de origem? Explique: 

05) Esse conto faz parte da tradição oral africana, que passa de geração para geração. Retire do texto uma parte em que isso fica claro: 

06) No sexto parágrafo, justifique o emprego do travessão: 

07) Qual o efeito de sentido provocado pelo alongamento do "i" na fala do Céu, que aparece destacada no texto?

08) Explique o efeito semântico conseguido através da repetição da palavra "crescendo" presente no décimo parágrafo:

09) Quando, em geral, se emprega o gerúndio? Se fosse "crescia, crescia, crescia" em vez de "crescendo, crescendo, crescendo", o efeito de sentido se manteria? Por quê?

10) Céu e Terra estão escritos no texto com letras iniciais maiúsculas. Por quê?

11) O conto retrata, pelo menos, três costumes de moradores de aldeias africanas. Quais?


12) O conto em questão foi extraído do livro acima. Descreva a ilustração da capa: 

13) No que você acha que a menina está pensando? Comente: 

14) Observando, especialmente, o semblante da menina e o jeito curioso do macaco, o que podemos imaginar que está acontecendo? 

Atividade sobre Anúncio Publicitário - "Saia e Batavo"


01) Qual é a marca anunciada? E qual é o produto em questão?

02) Copie todos os verbos no modo imperativo, explicando a importância dos mesmos para o contexto:

03) O que essas placas amarelas costumam representar? E no anúncio?

04) Que palavra se encontra com sentido polissêmico? Justifique sua resposta: 

05) Transcreva do anúncio uma antítese, explicando bem:

06) Existe alguma ambiguidade na passagem "Pense light"? Explique: 

07) Qual o público-alvo que o anúncio deseja atingir? Por quê? 

08) Por que o enunciado da placa é criativo? 

09) Que frases presentes nela possuem duplo sentido? Cite-as: 

10) Que mensagem o anúncio transmite? Comente: 

domingo, 27 de novembro de 2016

Um pequeno conto saindo do forno...

Uma atividade que costuma dar muito certo é você fornecer os elementos básicos da narrativa e pedir aos alunos que produzam um pequeno conto (tais elementos fornecidos já encaminharão os alunos para a produção de um conto de animais). Por exemplo: 



-- Quem? Os ratos?
-- O quê? Decidiram chegar até o céu.
-- Onde? Na floresta.
-- Quando? Quando os bichos falavam.
-- Como? Subindo um em cima do outro.
-- Por quê? Queriam pegar a lua, que imagnavam ser um grande queijo. 

Mas você pode escolher qualquer trecho que achar que pode "dar pano pra manga"!!! Experimente!!! E, se possível, depois volte aqui para contar como foi, tá?!? 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Atividade sobre o poema "Cidadezinha", de Mário Quintana

Cidadezinha

Cidadezinha cheia de graça
Tão pequenina que até causa dó! 
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...

Nuvens que venham, nuvens e asas,
Não param nunca nem um segundo...
E fica a torre, sobre as velhas casas, 
Fica cismando como é vasto o mundo! 

Eu que de longe venho perdido, 
Sem pouso fixo (a triste sina!)
Ah, quem me dera ter lá nascido! 

Lá toda a vida pode morar! 
Cidadezinha... Tão pequenina
Que toda cabe num só olhar... 

(Mário Quintana) 

01) Justifique o título dado ao poema:

02) Circule no texto todos os diminutivos, explicando o que eles expressam:

03) Que snetimento o eu lírico demonstra ter pela cidade? Ele nasceu lá?

04) O que significa a passagem "sem pouso fixo"?

05) Do que se lamenta o eu lírico? O que você pensa a respeito disso?

06) Transcreva do poema uma personificação, explicando bem:

07) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

08) Que sentimento o poema despertou em você? Justifique sua resposta:

09) Copie do texto uma interjeição, dizendo o que ela expressa:

10) Explique a forte presença das reticências no texto: 

11) Como você imagina que é a tal cidadezinha descrita? Ilustre-a:

12) Localize no poema:

a) um advérbio de intensidade:
b) dois pronomes possessivos:
c) um numeral: 
d) um advérbio de negação:
e) um adjetivo:
f) um advérbio de lugar:

domingo, 20 de novembro de 2016

Atividade sobre a música "Racismo é burrice", de Gabriel O Pensador


Racismo é burrice

Salve, meu irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação 
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união,
Mas demonstra claramente, infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente
Esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A elite que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice!

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O que que importa se ele é nordestino e você não?
O que que importa se ele é preto e você é branco? 
Aliás, branco no Brasil é difícil,
Porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olha pra trás
Olhe a nossa história, os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram, o tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor 
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois, como eu já disse, racismo é burrice! 
Dê à ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral! 

Racismo é burrice! 

Negro e nordestino constroem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento
Ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia
Graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tira a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria 
O juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado! 
Porque se ele passa fome, sabe como é 
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice! 

O racismo é burrice, mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista, na verdade, é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não para pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que tiram bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância 
E o que s crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo --
Eu digo nenhum tipo de racismo --
Se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo
Que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo, meu irmão,
Seja do povão ou da "elite"
Não participe,
Pois como eu já disse: racismo é burrice!
Como eu já disse: racismo é burrice! 

Racismo é burrice! 

E se você é mais um burro, não me leve a mal 
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu:
É você! 

(Gabriel O Pensador)

01) Justifique o título da música em questão:

02) Qual o principal problema social retratado nessa canção?

03) Segundo o autor, porque racismo é burrice? Você concorda com ele? Comente:

04) Por que o preconceito é uma herança cultural?

05) Você acha que preconceito é mesmo transmitido de pai pra filho? Justifique sua resposta:

06) O que, segundo a música, é fazer uma "lavagem cerebral"?

07) Como a "elite" lida com essa questão do preconceito? Comente:

08) Por que, segundo a música, ninguém discriminaria um juiz como o Lalau e um PC Farias?

09) Quem é o mais burro do que o racista? Por quê? Você concorda com isso?

10) Muitas pessoas dizem que não têm preconceito. Você acredita nisso? Por quê?

11) Qual a opinião do autor sobre piadas de negros? E qual é a SUA opinião? Consegue rir delas?

12) Por que o autor diz que ele não  fará em ninguém uma "lavagem cerebral"?

13) Que pedido o autor faz às pessoas?

14) Que mensagem a música transmite? Comente: 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Atividade com a música "Inútil" , do Ultraje a rigor


Inútil

A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente
A gente não sabemos nem escovar os dente
Tem gringo pensando que nóis é indigente

Inútil
A gente somos inútil

A gente faz carro e não sabe guiar
A gente faz trilho e não tem trem pra botar
A gente faz filho e não consegue criar
A gente pede grana e não consegue pagar

Inútil
A gente somos inútil

A gente faz música e não consegue gravar
A gente escreve livro e não consegue publicar
A gente escreve peça e não consegue encenar
A gente joga bola e não consegue ganhar

Inútil
A gente somos inútil

(Ultraje a rigor)


01) Justifique o título dado à música: 

02) Na década de 1980, quando tal música fez muito sucesso, houve quem criticasse a letra pelos desvios em relação à norma padrão. Você consegue identificar esses desvios? Destaque-os:

03) Você acredita que tais desvios são mesmo um problema? Justifique sua resposta:

04) Algumas pessoas já viram na linguagem dessa canção uma crítica. Que crítica é essa? A quem o eu poético se refere quando diz "a gente"?

05) Que problemas são criticados na música? Cite-os, colocando em uma escala de prioridade, de importância, para você:

06) Por que em alguns momentos a concordância verbal é acertada? O que isso revela? 

07) Que mensagem a música transmite? Comente: 

08) De que verso você mais gostou? Por quê? 

09) Transcreva essa letra de música  para a linguagem comum, seguindo a norma culta, e, em seguida, observe qual das duas ficou com mais "potência", com maior carga semântica, explicando bem o seu ponto de vista:

10) Se você fizesse parte dessa banda, teria insistido em usar a norma-padrão? Explique por quê: 

11) Copie da música fortes marcas de oralidade: 

12) Diga a que classe gramatical cada palavra destacada pertence: 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Exercícios sobre Coerência

Leia os enunciados que seguem e diga se há ou não coerência. Caso ocorram incoerências, aponte-as:

a) Maria tinha feito o almoço, quando chegamos, mas ainda estava fazendo.

b) Pedro não foi ao shopping, entretanto,  estava doente.

c) A caturrita estava grávida.

d) Mário foi à solenidade, todavia, ele não fora convidado.

e) Mário foi à solenidade, todavia, ela não fora convidada.

f) Mário foi à solenidade, porque fora convidado.

g) Mário foi à solenidade, todavia, porque não foi convidado.

h) Mário foi à solenidade, todavia, porque não fora convidado, pediram-lhe que se retirasse.

i) Mário não foi à solenidade, embora tivesse sido convidado.

j) Aninha era uma menina que sonhava em possuir um patinete, sempre que via Paula brincando com o dela. Imaginava como seria bom se pudesse andar no patinete da amiga. Certo dia, Paula esqueceu-o na casa de Aninha, e esta resolveu brincar de bonecas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Atividade sobre a música "Tudo bem", de Lulu Santos


Tudo bem 

Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei

Tanta farpa, tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver

Hoje eu não consigo mais lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei

Tantos bons quantos maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem

(Lulu Santos)

01) Justifique o título dado à música:

02) Podemos dizer que no primeiro verso da canção existe uma hipérbole? Justifique sua resposta:

03) Explique os dois versos em destaque na primeira estrofe:

04) Pelo contexto, as palavras "pedras", "barranco" e "farpa" encontram-se no sentido denotativo ou conotativo? Por quê? 

05)  Por que existe uma expressão na música que se encontra entre aspas? De que outra forma ela poderia aparecer? O que tal expressão significa? 

06) Interprete os versos destacados na terceira estrofe, aproveitando para mencionar se existe ali denotação ou conotação, justificando: 

07) Copie do texto uma antítese, justificando seu raciocínio:

08) Explique a metáfora que se encontra em negrito no texto:

09) O que seria a cura para o eu lírico? Você acha que isso é possível? Por quê?

10) Que mensagem a canção transmitiu?

sábado, 12 de novembro de 2016

Atividade com HQs do Garfield - Produção textual


A atividade acima foi usada hoje, em pleno sábado letivo, como "aquecimento" para a "Maratona de Matemática"!!! Os alunos tinham que recortar cada quadrinho e colá-los em uma outra folha, numa ordem que fizesse algum sentido para eles (observe que não há UMA certa, e sim váááááárias possibilidades!). Em seguida, tinham que criar falas e pensamentos para os balõezinhos, envolvendo, de alguma forma, o assunto com a  Matemática -- que era a protagonista do dia (mas pode fazer utilizando qualquer tema -- de redação, por exemplo -- ou até mesmo deixar o tema livre! Tudo é válido, já que o importante é testar a criatividade do aluno e fazê-lo encarar qualquer desafio! 

Desta vez eu fiz com o Garfield, e misturei três histórias que nada tinham a ver uma com a outra, mas, pasmem, eles sempre conseguem fazer (e bem) as "costuras" necessárias (claro que a gente não precisa revelar que tem mais de uma história ali, se não já começarão a falar que é "missão impossível" ou qualquer coisa do gênero! he he he).

Você pode utilizar tirinhas do Hagar, do Recruta Zero... o que bem quiser! Todas funcionam muito bem! Recomendo! E dá um certo trabalho elaborar, pois tem que imprimir as várias HQs, passar liquid paper nos balões, recortar, depois colar tudo em uma folha A4... mas o resultado vale super a pena! É só não ter preguiça, coisa que não deveria fazer parte da vida de ninguém, muito menos de professor, né? Enfim... 

Foi super divertido! Os alunos participantes adoraram e eu também! 

Depois eu compartilho as outras atividades que também elaborei para este dia...!!! ;-)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Atividade com a música "O verbo e a verba", de Lenine


Rosebud (O verbo e a verba) 

Dolores, Dólares...

O verbo saiu com os amigos
Pra bater um papo na esquina
A verba pagava a despesa, 
porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
por que foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
o verbo afogou sua mágoa e dormiu.

O verbo gastou saliva, 
de tanto falar pro nada,
a verba era fria e calada,
mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
e depois quando a verba chegou,
era tarde demais
o cadáver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
Lágrimas de hipocrisia

Dolores, Dólares...
Que dolor que me da los dólares
Dólares, dólares...
Que dolor, que dolor que me da...

(Lenine)

01) Explique o primeiro verso da música, com as palavras "Dolores" e "Doláres":

02) Explique o que você entendeu com os dois versos destacados no texto:

03) Verba é o feminino de verbo? Que ligação ambas as palavras têm? E na música?

04) Que mensagem a música lhe transmitiu? Comente:

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Atividade sobre o texto "Autóctone", do Luís Fernando Veríssimo

Autóctone

A menina atirou o lápis sobre o caderno e ficou olhando para a rua. Era um belo dia de outono e ela precisava escrever uma composição com a palavra "autóctone". Era um dia perfeito de outono e ela precisava ficar ali e escrever uma composição com a palavra autóctone. E para o dia seguinte. Autóctone. 
Aquilo nao era uma palavra, era um empacamento. Um solavanco verbal. Uma frase com "autóctone" devia ter avisos desde o começo, como os que colocam nas estradas antes de curvas perigosas ou defeitos na pista: "Cuidado, autóctone adiante". Quem chegasse a "autóctone" sem estar preparado arriscava-se a capotar e cair fora do texto. "Autóctone" era uma ameaça para leitor desavisado. "Autóctone" devia ser proibido. Ainda mais num dia de outono. 
O que queria dizer "autóctone"?
Autóctone, autóctone... 
Aurélio! 
Autóctone. (Do gr. "autóchton" pelo lat "autochtone". Adj. 2 g.) 1. Que é oriundo da terra onde se encontra... 
Meu Deus, pensou a menina. Eu sou uma autóctone! Vivi todo este tempo sem saber que era uma autóctone. Era melhor não saber. Agora vou passar pelos outros com cara de autóctone. 
-- Minha filha -- diria a mãe. -- Que cara é essa?
Cara de autóctone. Não ia poder disfarçar. Confessaria para a sua melhor amiga, a Maura. 
-- Descobri uma coisa horrível a meu respeito. 
-- O quê? Conta! 
-- Eu sou uma autóctone.
-- Não! 
-- Sou.
-- E isso pega?
-- Não faz diferença. Você também é uma autóctone. 
-- Eu?
Mas depois de descobrir o que era "autóctone" Maura daria um pulo, de alegria, a nojenta. 
-- Eu não sou. Eu não nasci aqui! 
A menina faria a amiga jurar que não contaria para ninguém que ela era uma autóctone. 
Autóctone.
Como é que alguém podia usar aquela palavra numa frase? Uma pessoa nunca mais era a mesma depois de dizer "autóctone". A vida terminava de um lado e começava do outro lado da palavra "autóctone". A menina suspirou. O dia ficava cada vez mais lindo e a folha de caderno à sua frente ficava cada vez mais vazia. Autóctone. Um cachorro oriundo da terra em que se encontrava, seria um au-autóctone?
Que bobagem. Precisava pensar. Precisava encher a folha do caderno. 
Teve uma ideia. Escreveu:
"A pessoa pode ser autóctone ou não autóctone, dependendo do lugar onde estiver."
Leu o que tinha escrito e depois acrescentou: "Tem gente que emigra só para não ser autóctone".
Depois apagou tudo. A professora, obviamente, queria uma composição a favor de "autóctone", não contra. 
Começou outra vez:
"Nós, os autóctones..."

(Luís Fernando Veríssimo)

01) Você conhecia o significado da palavra que dá título ao texto? Justifique sua resposta:

02) Quantas vezes tal palavra aparece no texto? Qual o objetivo disso? Comente:

03) Que crítica é feita no texto em questão? Explique seu ponto de vista: 

04) A frase destacada no texto trata-se de um fato ou de uma opinião? Por quê? 

05) O que você escreveria utilizando a palavra "autóctone"? Mãos à obra... 

06) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

domingo, 6 de novembro de 2016

Proposta de Redação do ENEM 2016 - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Nada de tema ter vazado antes de a prova do ENEM ocorrer! Todos eles foram meros boatos, para roubarem ainda mais a paz dos alunos e para tentarem abalar a credibilidade desse processo seletivo, como se já não bastasse o caos de ter, este ano, a inédita "segunda leva". 

Não, não serei hipócrita: não cheguei a cogitar, de fato, com insistência e consistência, o tema deste ano! Apostei em MOBILIDADE URBANA e em INCLUSÃO DOS DEFICIENTES ATRAVÉS DO ESPORTE. Não vi nenhum professor de Cursinho nem site também apostando FORTEMENTE no tema escolhido! O ENEM, mais uma vez, acerta no elemento surpresa, já uma característica! (além da problemática social)

Pra ser sincera, adorei o tema, por considerá-lo muuuuito necessário e, cá pra nós, virar um tema do ENEM é sempre uma excelente forma de se discutir bastante a respeito! Só achei muito "rasos" os textos motivadores, o que até estranhei. De fato, não motivaram ninguém... Sorte que o tema em si sim, cumpriu esse papel. E aqui estão eles: 

Textos motivadores

Texto I 

Em consonância com a Constituição da República Federativa do Brasil e com toda a legislação que assegura a liberdade de crença religiosa às pessoas, além de proteção e respeito às manifestações religiosas, a laicidade do Estado deve ser buscada, afastando a possibilidade de interferência de correntes religiosas em matérias sociais. políticas, culturais etc.


Texto II

O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis.


Texto III

CAPÍTULO I

Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso
Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo

Art 206 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa, impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. 
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência. 

(Código Penal Brasileiro)

Texto IV

Intolerância Religiosa no Brasil
Fiéis de religiões afro-brasileiras são as principais vítimas de discriminação 


Proposta de redação 

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil", apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

Para quem quiser ler um pouco mais sobre o tema, indico este site que é show de bola e tem textos, de fato, motivadores. Confiram:


sábado, 5 de novembro de 2016

Atividade com o texto "Não há vagas", do Ferreira Gullar


Não há vagas

O preço do feijão
Não cabe no poema.
O preço do arroz
não cabe no poema
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público 
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada 
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
-- porque o poema, senhores, 
está fechado:
"não vagas"
cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço.
O poema, senhores
não fede
nem cheira

(Ferreira Gullar)

01) Justifique o título do poema: 

02) Qual o assunto do texto? Comente:

03) Transcreva dele um vocativo, explicando a quem, de fato, ele se refere: 

04) Onde costuma aparecer a frase "Não há vagas" e com que objetivo?

05) O que seria um "homem sem estômago"? Explique:

06) Explique o que seria "a mulher de nuvens":

07) O que seria uma "fruta sem preço"? E por que ela se difere das outras?

08) O que significa a expressão "Não fede nem cheira"? Você costuma utilizá-la?

09) Resumidamente, o que caberia no poema? E o que não caberia?

10) Você percebe alguma ironia no texto? Justifique sua resposta:

11) Que mensagem o poema nos transmite? 

12) Qual é a crítica presente no texto e a quem ela é direcionada? Explique:

13) Que características do Modernismo encontram-se presentes no poema? Comente: 

14) Diga a que classe de palavras cada vocábulo em destaque pertence:  

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Proposta de redação: "A importância da doação de órgãos para a sociedade brasileira"

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto  dissertativo-argumentativo em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema “A importância da doação de órgãos para a sociedade brasileira”. Apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 

Texto 01:


Texto 02: 


Texto 03: 


Texto 04: 

47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral

"Falta de conhecimento sobre irreversibilidade da morte encefálica é principal causa
de recusa de doação de órgãos".

Não é a falta de estrutura, mas a negativa familiar o principal motivo para que um órgão não seja doado no Brasil. De todas as mortes encefálicas e que, portanto, os órgãos poderiam ser transferidos para pacientes que correm risco de morte, pouco mais da metade se transforma em doação. O número é alto e cresceu de 41%, em 2012, para 47% em 2013, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

De acordo com o nefrologista José Medina Pestana, a principal justificativa das famílias para não doar órgãos é o fato de nunca terem conversado sobre o desejo de doar. “Por isso, insistimos que isso tem que ser assunto de família”, diz o integrante da ABTO.

Quando isso não é um assunto resolvido, cabe a uma equipe do hospital responsável pela captação de órgãos explicar à família que a morte encefálica já é a morte. Quando ela é decretada é porque ocorreu a parada definitiva e irreversível do cérebro e do tronco cerebral, o que provoca em poucos minutos a falência de todo o organismo.

No Hospital São Paulo, coube a uma integrante desta equipe conversar com a professora de língua portuguesa Gizele Caparroz de Almeida, 50 anos. Na festa de Ano Novo, seu marido, Varlei de Andrade, sentiu uma forte dor de cabeça. Era mais uma vítima de um AVC hemorrágico.

Na segunda-feira do dia 6 de janeiro deste ano, menos de uma semana após o AVC, Varlei morreu. “A gente não sabia o que era morte cerebral. A gente nunca tinha falado sobre doação de órgãos. Se tem um mito em família é o mito da morte. Ninguém está preparado para isto. Eu não estava”, lembra Gizele. 

“A enfermeira Tamires fez  muito mais que uma captação de órgãos. Foi um apoio psicológico para todos nós. Explicou o que estava acontecendo, o que era morte cerebral, respondeu nossas perguntas. É uma situação irreversível, mas não sabíamos disso e ainda tínhamos esperança que ele se recuperasse de uma espécie de coma. Principalmente minha filha mais nova ainda tinha muitas esperanças de que o pai sobrevivesse", lembra Gizele. 

Após a conversa - em que participaram Gizele, as duas filhas (de 14 e 20 anos), o sogro e a cunhada - o fígado, os rins e a pele de Varlei foram doados. A família não pode doar o coração, pois os remédios durante a internação de cinco dias comprometeu a doação do órgão.

“A doação é uma forma de transformar a dor em algo bom. As pessoas podem fazer algo bom de uma situação de extrema tristeza como esta que estou vivendo. Eu sei que é uma visão romântica, mas a doação ajuda a pensar que ele continua”, diz Gizele. “Estávamos casados há 25 anos, no ano passado fomos viajar, trocamos aliança. É uma dor imensa. A morte foi de uma hora para outra. A gente tem – e eu não vou falar tinha – uma família linda. Mas não tem ruptura quando se tem amor”, completa.

No início de março, Gizele voltou a dar aula. “Acho que é melhor não parar, né?”. Na primeira semana de aula os alunos fizeram um projeto sobre o acidente de Santa Maria, onde mais de 200 pessoas morreram. “Os meus alunos escreveram crônicas lindas sobre o que aconteceu e um dos temas abordados foi a necessidade de muitos receberem doação de pele. Não tinha banco suficiente no Brasil”, lembra.



Texto 05: 


Texto 06: 


Texto 07: