segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Atividade sobre a fábula "Os animais e a peste", de Monteiro Lobato

Os animais e a peste

Em certo ano terrível de peste entre os animais, o leão, apreensivo, consultou um mono de barbas brancas.
-- Esta peste é um castigo do céu -- respondeu o mono, e o remédio é aplacarmos a cólera divina sacrificando aos deuses um de nós. 
-- Qual? -- perguntou o leão.
-- O mais carregado de crimes. 
O leão fechou os olhos, concentrou-se e, depois duma pausa, disse aos súditos reunidos em redor:
-- Amigos! É fora de dúvida que quem deve sacrificar-se sou eu. Cometi grandes crimes, matei centenas de veados, devorei inúmeras ovelhas e até vários pastores. Ofereço-me, pois, para o sacrifício necessário ao bem comum.
A raposa adiantou-se e disse:
-- Acho conveniente ouvir a confissão das outras feras. Porque, para mim, nada do que Vossa Majestade alegou constitui crime. Matar veados -- desprezíveis criaturas; devorar ovelhas -- mesquinho bicho de nenhuma importância; trucidar pastores -- raça vil, merecedora de extermínio! Nada disso é crime. São coisas que até muito honram o nosso virtuosíssimo rei leão.
Grandes aplausos abafaram as últimas palavras da bajuladora -- e o leão foi posto de lado como impróprio para o sacrifício. 
Apresentou-se em seguida o tigre e repete-se a cena. Acusa-se ele de mil crimes, mas a raposa prova que também o tigre era um anjo de inocência. 
E o mesmo aconteceu com todas as outras feras. 
Nisto chega a vez do burro. Adianta-se o pobre animal e diz:
-- A consciência só me acusa de haver comido uma folha de couve na horta do senhor vigário.
Os animais entreolharam-se. Era muito sério aquilo. A raposa toma a palavra:
-- Eis, amigos, o grande criminoso! Tão horrível o que ele nos conta, que é inútil prosseguirmos na investigação. A vítima a sacrificar-se aos deuses não pode ser outra, porque não pode haver crime maior do que furtar a sacratíssima couve do senhor vigário.
Toda a bicharada concordou e o triste burro foi unanimemente eleito para o sacrifício. 

Aos poderosos tudo se desculpa; aos miseráveis nada se perdoa. 
(Monteiro Lobato)

01) Por que está sendo realizado um julgamento?

02) O leão apresenta-see confessa seus crimes, mas a raposa defende-o veemente. 

a) Que argumento ela utiliza?
b) Que palavra foj utilizada para caracterizar a raposa?

03) Depois do leão, outros animais se apresentaram. Num certo momento, o narrador utiliza uma ironia para referir-se a uma das feras. Indique a passagem em que isso ocorre:

04) Na confissão do burro, o autor do texto usou uma palavra que nos transmite, antecipadamente, a noção de que ele é sincero e inocente. Que palavra é essa?

05) Em relação à confissão do burro:

a) Qual é a reação dos animais?
b) Qual é o significado dessa reação?

06) Em relação à raposa:

a) Que argumento ela usa para considerar o burro um grande criminoso?
b) Releia com atenção a última fala da raposa e responda: que palavra ela usa para realçar o "crime" do burro e condená-lo definitivamente?

07) Os animais concordaram, unanimemente, com o sacrifício do burro. Como você classificaria essa atitude? Justifique sua resposta:

08) Que tipos humanos os animais representam nesse texto? Cite o papel de cada um:

09) Podemos afirmar que esse texto é uma fábula? Por quê?

10) Analise a frase final, que resume a moralidade da história. Qual é a questão central exposta?

11) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Podemos dizer que ele é atual? 

12) Que sinal de pontuação é utilizado para indicar a fala do personagem?

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Atividade sobre Literatura de Cordel


Literatura de cordel

A literatura de cordel é uma espécie de poesia popular que é impressa e divulgada em folhetos ilustrados com o processo de xilogravura, que é a arte de gravar em madeira. É uma espécie de carimbo, no qual uma gravura é entalhada na madeira com auxílio de objeto cortante e, na sequência, utiliza-se de um rolo de borracha com tinta (normalmente preta), que penetra somente nas partes onde está a gravura (entalhe). Então a parte em que fica a gravura, é colocada em contato com a superfície a ser ilustrada. Após alguns minutos, retira-se a madeira, que deixa a imagem impregnada no local. Essa técnica é também chamada de impressão em alto relevo. 

Em Portugal, eram expostos para o povo amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas. A literatura de cordel chegou ao Brasil no século XVIII, através dos portugueses. Aos poucos, foi se tornando cada vez mais popular. 

Nos dias de hoje, podemos encontrar esse tipo de literatura principalmente na região Nordeste do Brasil. Ainda são vendidos em lonas ou malas estendidas em feiras populares. Uma das características desse tipo de produção é a manifestação da opinião do autor a respeito de algo dentro de sua sociedade. Os cordéis não têm a característica de serem impessoais ou imparciais, pelo contrário, na maioria das vezes usam várias técnicas de persuasão e convencimento para que o leitor acate a ideia proposta. Muitas vezes esses poemas são acompanhados de violas e recitados em praças com a presença do público. 

Um dos poetas mais famosos da literatura de cordel foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Existem também os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo, Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira. 

01) O que é literatura de cordel? Por que ela tem esse nome?

02) O que é xilogravura e qual a sua importância para a literatura de cordel?

03) Por que tal literatura é chamada de popular? 

04) Quais as principais características da literatura de cordel? 

05) Qual o poeta mais famoso que representa esse tipo de literatura? 

06) Dos nomes citados, quais você já tinha escutado falar? 

07) Em que região do Brasil tal literatura predomina? Por quê? 

Atividade sobre a música "De repente Califórnia", de Lulu Santos


De repente Califórnia

Garota, eu vou pra Califórnia
Viver a vida sobre as ondas
Vou ser artista de cinema
O meu destino é ser star

O vento beija meus cabelos
As ondas lambem minhas pernas
O sol abraça o meu corpo
Meu coração canta feliz

Eu dou a volta, pulo o muro
Mergulho no escuro
Sarto de banda
Na Califórnia é diferente
É muito mais do que um sonho

A vida passa lentamente
E a gente vai tão de repente
Tão de repente que não sente
Saudades do que já passou

Na minha vida ninguém manda não
Eu vou além desse sonho
Garota, eu vou pra Califórnia...

(Lulu Santos)

01) Justifique o título utilizado na canção:

02) Circule na música um vocativo, explicando seu raciocínio:

03) Justifique a presença de uma palavra em itálico no texto e diga o que ela significa:

04) Copie do texto duas prosopopéias, justificando:

05) Transcreva da música uma gíria, adequando à linguagem formal:

06) Que mensagem a música transmitiu?

07) Podemos afirmar que a passagem em negrito no texto corresponde a um pleonasmo? Justifique sua resposta da melhor maneira possível: 

08) Localize na canção:

a) um substantivo próprio:
b) um advérbio de tempo:
c) um pronome, classificando-o:
d) um advérbio de intensidade:
e) um artigo definido:

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Atividade sobre a música "O pequeno burguês", de Martinho da Vila


O pequeno burguês

Felicidade! 
Passei no vestibular!
Mas a faculdade
É particular
Particular!
Ela é particular.
Particular!
Ela é particular.
Livros tão caros
Tanta taxa pra pagar
Meu dinheiro muito raro
Alguém teve que emprestar
O meu dinheiro
Alguém teve que emprestar
Morei no subúrbio
Andei de trem atrasado
Do trabalho ia pra aula
Sem jantar e bem cansado
Mas lá em casa
À meia-noite
Tinha sempre a me esperar
Um punhado de problemas
E criança pra criar
Pra criar... 
E só criança pra criar!
Mas felizmente eu consegui me formar
Mas da minha formatura
Não cheguei participar
Faltou dinheiro pra beca
E também pro meu anel
Nem o diretor careca
Entregou o meu papel
O meu papel...
Meu canudo de papel
E depois de tantos anos
Só decepções, desenganos
Dizem que sou um burguês
Muito privilegiado
Mas burgueses são vocês
Eu não passo
De um pobre coitado
E quem quiser ser como eu
Vai ter é que penar um bocado
Um bom bocado! 
Vai penar um bocado
Um bom bocado! 

(Martinho da Vila)

01) Justifique o título dado à canção:

02) Qual o assunto abordado no texto? Comente:

03) Quais foram as dificuldades enfrentadas pelo eu lírico?

04) Você acha que esse personagem é um caso isolado ou representa muitas pessoas? Justifique sua resposta:

05) Que tipo de universitário não passa por esse tipo de obstáculo? Cite:

06) Como foi a vida dessa pessoa depois que ela se formou?

07) O que era o "canudo de papel" a que se refere a personagem? Por que ela não recebeu?

08) Vários versos foram começados pela conjunção "mas". O que ela significa? Que efeito essas repetições provocou no texto? 

09) Por que dizem que a personagem é privilegiada? Você concorda com isso? Explique:

10) Que mensagem a música transmite? Comente:

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Atividade sobre obras de arte com autorretratos - Frida Kahlo

A pintora mexicana Frida Kahlo sempre gostou de se retratar em suas pinturas, como nas duas obras selecionadas, que marcaram momentos bem dolorosos de sua vida, no corpo e na alma. Pesquise sobre esses momentos para ajudar a responder às questões sobre elas: 

("Coluna quebrada" - Frida Kahlo - 1944)

("As duas Fridas" - Frida Kahlo - 1939)


01) A que fato marcante na vida de Frida se refere a primeira obra? O que lhe deu essa "pista"? 

02) O que a paisagem revela sobre o estado de espírito da pintora? 

03) O que, na obra, remete à dor? Ela demonstra algum tipo de sofrimento?

04) Justifique o título das duas obras analisadas:

05) O que transmite a segunda obra em questão? Que análise se pode fazer dela?

06) Que duas Fridas seriam essas? Por quê? No que diferem? Estão interligadas?

07) De qual das duas obras você mais gostou? Por quê? 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Atividade sobre a música "Admirável gado novo", de Zé Ramalho


Admirável gado novo

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber

E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
sente a ferrugem lhe comer

Êeeeeeh! Oh! Oh! 
Vida de gado
Povo marcado
Êh! 
Povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal

E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou...

(Refrão)

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar

A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar
Não voam nem se pode flutuar

(Refrão)

(Zé Ramalho)

01) Justifique o título utilizado na canção:

02) A quem se refere o termo "Vocês", presente no verso "Vocês que fazem parte dessa massa"? Você se inclui? Por quê?

03) Posicione-se sobre o verso "E dar muito mais do que receber", justificando sua opinião:

04) Existe no texto alguma antítese? Se sim, qual? Explique:

05) Que "engrenagem" seria essa, de que o eu lírico fala? Comente:

06) A que corresponderia a "ferrugem"? Justifique sua resposta:

07) Explique o que você entendeu do refrão:

08) Transcreva as interjeições da música, dizendo o que elas expressam: 

09) Que mensagem a música lhe transmitiu? 

10) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto:

P.S.: Vale a pena trabalhar a intertextualidade com os alunos, utilizando também a música "Admirável chip novo", da cantora Pitty, cuja atividade também existe aqui no blog. Experimente! Só clicar no link! 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Atividade sobre o uso dos porquês


- Por que (separado e sem acento): deve ser usado no início das perguntas, diretas e indiretas, aindaque neste último caso haja dúvidas, ou como equivalente a "pelo qual" e suas variantes. 

Exemplos: Por que você não veio à festa? / Queria saber por que você não compareceu. 

- Por quê (separado e com acento): deve ser utilizado no final das interrogações  ou em isolado em frases. 

Exemplos: Você veio, por quê? / Você faltou ontem. Por quê? 

- Porque (junto e sem acento): utilizado nas respostas, pois corresponde à conjunção causal. 

Exemplo: Vim porque eu quis. 

- Porquê (junto e com acento): trata-se do substantivo, sinônimo de "motivo", então é o único que terá plural. 

Exemplo: Queria saber o porquê de ter vindo cedo. 

01) Complete as frases a seguir, preenchendo as lacunas coma forma adequada e justificando, para fixar:

a) Meu amor, fui sequestrado por um bando de terroristas, nem sei explicar _________________.

b) Tem gente que se acha honesta só ___________________ não sabia da mamata.

c) _________________ o ideal do aficionado da fotografia é possuir a melhor máquina para tirar fotos de miseráveis?

d) Nem sempre os motivos ______________ se luta são tão meritórios como parecem.

e) Qual o __________________ de Cabral ter descoberto o Brasil, se podia ter descoberto outro país?

f) A infância é a idade dos __________________.

g) Não sei ________________ ele usa chapéu se não tem cabeça para nada. 

h) Não trabalhamos _____________ gostamos, mas _____________ precisamos. 

i) Desconhecemos o __________________ da revolta dos policiais. 

j) Consegui o documento _____________ lutei todos esses anos. 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Atividade sobre a música "Marvin", dos Titãs


Marvin

Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro, era um grande coração;
Ganhava a vida com muito suor
Mas mesmo assim não podia ser pior;

Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar.
Mas Deus quis vê-lo no chão
Com as mãos levantadas pro céu
Implorando perdão.

Chorei, meu pai disse: "Boa sorte",
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:

"Marvin, agora é só você,
não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer".

Três dias depois de morrer
Meu pai, eu queria saber.
Mas não botava nem um pé na escola
Mamãe lembrava disso a toda hora.

Todo dia antes do sol sair
Eu trabalhava sem me distrair.
Às vezes acho que não vai dar pé.
Eu queria fugir, mas onde eu estiver
Eu sei muito bem o que ele quis dizer.
Meu pai, eu me lembro, não me deixa esquecer
Ele disse:

"Marvin, a vida é pra valer.
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor".

E então um dia uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho de um ano inteiro
E aos treze anos de idade eu sentia
todo o peso do mundo em
minhas costas
Eu queria jogar, mas perdi a aposta.
Trabalhava feito um burro nos campos
Só via carne se roubasse um frango.
Meu pai cuidava de toda a família
Sem perceber segui a mesma trilha
Toda noite minha mãe orava.

"Deus, era em nome da fome
que eu roubava".

Dez anos passaram, cresceram
meus irmãos
E os anjos levaram minha mãe
pelas mãos.
Chorei, meu pai disse: "Boa sorte”·
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte

E disse: "-- Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer".

-- Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor“

(Titãs)
  
01) Justifique o título usado em tal canção:

02) Utilize apenas adjetivos para caracterizar o Marvin, de acordo com as pistas dadas na música:

03) Que característica da vida de tal personagem impossibilitou sua ascensão social? Comente: 

04) Que transgressão à ordem social é confessado por Marvin? Como ele  se justifica?

05) “Mamãe lembrava disso a toda hora”. De que sua mãe se lembrava? Por quê?

06) Explique por que o pai de Marvin podia saber o destino do filho:

07) Você concorda com esse pai? É, de fato, impossível mudar o nosso destino? Justifique sua resposta: 

08) Que mensagem a música transmite? Comente: 

09) Localize no texto:

a) um substantivo próprio:
b) um advérbio de tempo:
c) um pronome possessivo:
d) um vocativo:
e) dois adjetivos:
f) dois numerais:

10) Copie do texto um eufemismo, dizendo o que ele representava: 

11) Explique o verso que se encontra em negrito no texto: 

12) A vida de Marvin não foi nada fácil, então como você acha que ele chegou à fase adulta e como sofreu ou superou as suas adversidades? Comente: