segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Atividade sobre a Lenda do Saci Pererê - Folclore


A lenda do Saci Pererê

O Saci Pererê (ou simplesmente Saci) é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Possui até um dia em sua homenagem, criado em 2003, pelo deputado Aldo Rebelo, através do Projeto de Lei Federal 2.479. Trata-se do dia 31 de outubro, mas só em 2005 que tal data foi oficializada e surgiu para tentar diminuir a importância da comemoração do Haloween (Dia das Bruxas americano), que nada tem a ver com a nossa história nem com a nossa cultura, e valorizar as nossas raízes e tradições (nacionalismo). 
Provavelmente tal lenda surgiu entre povos indígenas da região Sul do Brasil, ainda durante o período colonial (possivelmente no final do século XVIII) e ele era representado por um menino indígena de cor morena, cabelos vermelhos e com um rabo, que vivia aprontando travessuras na floresta e ficando invisível para confundir os caçadores. 
Porém, ao migrar para o Norte do país, o mito e o personagem sofreram modificações, ao receberem influências da cultura africana. O Saci, então, transformou-se num jovem negro com uma perna só, pois havia perdido a outra numa luta de capoeira. Passou a ser representado usando um gorro vermelho (com poderes mágicos) e um cachimbo, típico da cultura africana e até os dias atuais ele é assim retratado. Um dos hábitos do Saci é pedir fogo aos viajantes para poder acender seu pito. 
O comportamento brincalhão é a marca registrada desse personagem folclórico, passa o tempo todo aprontando travessuras nas matas e nas casas. Assusta viajantes e pede fogo para acender o seu cachimbo, esconde objetos domésticos (principalmente dedais das costureiras), emite ruídos, assusta bois no pasto, dá nó nas crinas dos cavalos, troca sal por açúcar e vice-versa, etc. Apesar de todas as brincadeiras, ele não tem o objetivo de prejudicar alguém ou fazer o mal. Ele só deseja mesmo é se divertir! 
Diz o mito que ele se desloca dentro de redemoinhos de vento, e, para capturá-lo, é necessário jogar uma peneira sobre eles. Após o feito, deve-se tirar o gorro e prender o saci dentro de uma garrafa e colocar uma cruz na tampa. Somente dessa forma ele obedecerá a seu "proprietário". 
Além das brincadeiras que apronta, ele é um excelente conhecedor das ervas da floresta, da fabricação de chás e medicamentos feitos com plantas. Controla e guarda os segredos e todos esses conhecimentos. Todos que penetram nas florestas em busca dessas ervas, devem, de acordo com a mitologia, pedir sua autorização. Caso contrário, se transformará em mais uma vítima de suas travessuras. 
A crença neste personagem ainda é muito forte na região interior do Brasil. Em volta das fogueiras, os mais velhos contam suas experiências com o saci aos mais novos, e, através da cultura oral, o mito vai se perpetuando. Porém, ele chegou aos grandes centros urbanos através da Literatura, da televisão e das histórias em quadrinhos. 
Quem primeiro retratou o Saci de forma brilhante na literatura infantil foi o escritor Monteiro Lobato, nas histórias maravilhosas do "Sítio do Pica-Pau Amarelo", em que ele aparecia com frequência. Também apareceu em vários momentos das HQs do "Chico Bento", de Maurício de Souza. 

AQUI você pode ler mais algumas curiosidades sobre o Saci! Confira! 


01) Você sabia da existência do Dia do Saci? O que você pensa a respeito disso?

02) Como capturar um Saci? 

03) Qual a característica mais marcante do Saci Pererê? 

04) Como o Saci teria perdido uma de suas pernas? Você já tinha escutado falar nisso? 

05) Faça um desenho bem bonito de como é o Saci para você, no seu imaginário: 

06) Elabore uma entrevista com o Saci Pererê, tentando responder a todas as curiosidades sobre ele: 

07) Crie um Quiz bem divertido sobre o tema estudado: 

08) De qual curiosidade sobre o Saci você mais gostou? Por quê? 

09) Por que o Saci é considerado um elemento tipicamente brasileiro? 


10) Que crítica é feita na charge acima? O que você pensa a respeito disso? Comente: 

11) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentantivo tentando convencer as pessoas de que o Saci nos representa muito mais do que qualquer Haloween

12) Para se inspirar, ouça a música do Saci Pererê, da Turma do Folclore: 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Atividade sobre a música "Já sei namorar", dos Tribalistas


Já sei namorar

Já sei namorar
Já sei beijar de língua
Agora só me resta sonhar
Já sei onde ir 
Já sei onde ficar
Agora só me falta sair

Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo 
E todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo 
E todo mundo é meu também

Já sei namorar
Já sei chutar a bola
Agora só me falta ganhar
Não tenho juiz
Se você quer a vida em jogo
Eu quero é ser feliz

Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo 
E todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo 
E todo mundo é meu também

Tô te querendo como ninguém
Tô te querendo como Deus quiser
Tô te querendo como eu te quero
Tô te querendo como se quer 

(Tribalistas)

01) Justifique o título dado á canção:

02) Que versos indicam que o eu lírico tem um projeto de vida? 

03) Que significado você atribui ao verso destacado no texto? 

04) Copie da música uma antítese, explicando seu raciocínio: 

05) Por que provavelmente o eu lírico recorre a ela? 

06) Você se considera de "todo mundo" ou "de ninguém"? Por quê? 

07) Copie do texto uma anáfora e uma aliteração, dizendo que efeito elas fornecem ao texto: 

08) Que mensagem a música transmite? 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Atividade sobre a música "Bem que se quis", de Marisa Monte


Bem que se quis


Bem que se quis
Depois de tudo ainda ser feliz

Mas não caminhos pra voltar.
E o quê que a vida fez da nossa vida?
O quê que a gente não faz por amor...
Mas tanto faz,
Já me esqueci de te esquecer
Porque o teu desejo é meu melhor prazer

E o meu destino é querer sempre mais
A minha estrada corre pro teu mar
Agora vem pra perto, vem
Vem depressa, vem sem fim, dentro de mim

Que eu quero sentir o teu corpo pesando
Sobre o meu
Vem, meu amor, vem pra mim,
Me abraça devagar,
Me beija e me faz esquecer.
Bem que se quis
Depois de tudo ainda ser feliz

Mas ja não há caminhos pra voltar.
E o quê que a vida fez da nossa vida?
O quê que gente não faz por amor?
Mas tanto faz,
Já me esqueci de te esquecer 
Porque o teu

(Marisa Monte)

01) Justifique o título empregado na canção acima:

02) O que seria o "depois de tudo", mencionado na música e que se encontra subentendido?

03) O eu lírico pensa em reatar o relacionamento? Justifique com uma passagem do texto:

04) Copie do texto exemplos de oralidade:

05) Transcreva da canção um vocativo, justificando:

06) Explique o verso que se encontra em negrito na letra de música:

07) Que mensagem a música transmite?

08) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto:

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Atividade sobre o filme "A Onda" (1 hora e 41 minutos)


Sinopse: Em uma escola da Alemanha, alunos têm de escolher entre duas disciplinas eletivas, uma sobre anarquia e a outra sobre autocracia. O professor Rainer Wenger é colocado para dar aulas sobre autocracia, mesmo sendo contra sua vontade. Após alguns minutos da primeira aula, ele decide, para exemplificar melhor aos alunos, formar um governo fascista dentro da sala de aula. Eles dão o nome de "A Onda" ao movimento, e escolhem um uniforme e até mesmo uma saudação. Só que o professor acaba perdendo o controle da situação, e os alunos começam a propagar "A Onda" pela cidade, tornando o projeto da escola um movimento real. Quando as coisas começam a ficar sérias e fanáticas demais, Wenger tenta acabar com "A Onda", mas aí já é tarde demais!  

01) Qual o principal tema do filme em questão? Justifique sua resposta:

02) De que personagem do filme você mais gostou? Por quê?

03) Uma das questões levantadas pelo professor para introduzir a discussão sobre a temática do curso foi “qual é o primeiro requisito para que uma ditadura possa se desenvolver”. Como você responderia a essa questão? 

04) Qual parte do filme você considerou mais interessante? Comente:

05) Dê um exemplo ocorrido na História que se assemelhe ao que aconteceu no filme, explicando seu raciocínio:

06) Seria possível atualmente a existência de alguma forma de poder parecida ou equivalente a que foi mostrada no filme? Justifique sua resposta:


07) O filme tem como ponto de partida o curso sobre AUTOCRACIA, ministrada pelo professor Rainer. Como ele é desenvolvido no filme? Explique:

08) Em que momento você acha que tudo ficou fora de controle? De quem foi a culpa? Comente: 
09) Como você analisa o comportamento do personagem Tim, ao demonstrar grande entusiasmo diante das propostas do professor?

10) Que mensagem o filme lhe transmitiu? 

Atividade sobre a música "Samba do Approach", de Zeca Baleiro


Samba do Approach

Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat 
Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tec
Toda hora rola um insight
Já fui fã do jethro tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash
Fica ligada no link
Que eu vou confessar my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho Engov
Eu tirei o meu green card
E fui pra Miami Beach
Posso não ser pop star
Mas já sou um noveau riche
Eu tenho sex-appeal
Saca só meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Quero jogar no dream team 
De dia um macho man
 E de noite um drag queen

(Zeca Baleiro)

01) Justifique o título dado à canção:

02) Por que existem na música palavras em itálico? 

03) Com que intenção o autor teria usado tantos estrangeirismos na canção? 

04) Que crítica encontra-se embutida na letra de música? 

05) Que mensagem a música transmite?

06) Sua tarefa agora é tentar substituir todos os estrangeirismos por palavras equivalentes na nossa língua e depois deverá comparar e mencionar as principais diferenças levantadas: 

domingo, 16 de agosto de 2015

Atividade sobre a crônica "Selfie-se quem puder!", de Márcio Castro


Selfie-se quem puder! 

Sorria! Você está sendo fotografado. Por você. 

É bacaninha. É até divertido. Solitário ou em grupo. É moderno. E quem ainda não fez, que dispare o primeiro flash.
O selfie está aí, bem na nossa cara! Uma ação que poderia ter nome em português. Mas se você a concebe usando um smartphone, para em seguida fazer um upload e promovê-la na web, que tolice a minha querer chamá-la de autorretrato. É selfie e pronto. Pronto? Peraê... Deixa eu ajeitar minha franja e olhar pro lado, fora da lente, tipo um Stevie Wonder displicente. Atenção... Click! Click??? Não necessariamente. Você escolhe o som. Pode ser tek, plin, ploft... depende do seu smart. Click era na época das máquinas com rolinhos de filme -- que jamais fizeram click, é bom que se diga. 
Por falar em máquinas fotográficas da vovó, questões de ordem puramente anatômica sepultaram definitivamente o uso da Polaroid para fins de selfie, concorda? Sim, porque afinal somente alguém com braços de macaco pra evitar o choque da foto com a própria cara. No fundo, bem no fundo, eu até gostaria. Não de ver você engolindo o registro que acabou de fazer, mas acho que tem selfie demais por aí. 
Acordando? Selfie com remela no olho. Tomando café da manhã? Selfie com requeijão no canto da boca. Indo pro trabalho? Selfie no elevador, para logo em seguida, selfie no retrovisor do carro. Ainda não tive notícias, mas a consequência deste último muito em breve há de se chamar selfie com supercílio aberto. E o dia só está começando... haja bateria! Afinal, registro sem divulgação não faz o menor sentido. Divulgação sem comentário alheio é preocupante e te faz ficar revendo a foto em busca de algum defeito. E se nem umazinha curtida tiver, é a prova cabal que ninguém além de você gosta de você. Isso consome energias. 
Falei do macaco linhas acima, mas penso que no mundo animal -- em se tratando de auto-promoção pura e simples -- nosso desejo mesmo era ser um polvo. Imagina! Oito câmeras na mão, registros simultâneos em ângulos distintos. Perto, longe, muito longe. A glória de sermos nossos próprios paparazzi. Pobre do T-Rex que, tentando entrar na brincadeira, só conseguiria registrar o próprio queixo. Mas voltando ao ambiente onde #nemtodossomosmacacos (exceção feita aos de auditório), uma das coisas que mais me incomoda no selfie, além do culto à própria imagem, não é o resultado da foto, muito menos o fato. É o ato. Ver a pessoa clicando-se é deprimente. Aquele braço esticaaaaaaado, acompanhado de um sorriso também esticaaaaado, somados à reativação daquela velha brincadeira de criança me dá uma angúúústia... Estátua!!!!! 
Ok, eu já fiz e devo continuar fazendo meus selfies, mas com um mínimo de coerência, porque pensa comigo: Se o selfie é um registro fotográfico de você, feito por você, é normal imaginar que este ocorra num espaço onde só esteja... você. Daí, fazer selfie em público não faz sentido algum. É muito mais fácil chegar pra alguém e pedir: "-- Tira uma foto minha?". Sou desse tempo. Gostava desse tempo. Ajudava na socialização, na geração de relacionamentos, ainda que estes tivessem a duração de um click. 
Selfie é legal. Curtir selfie é positivo. Mas tenho saudade do negativo. 
(Márcio Castro)

01) Justifique o título do texto, dizendo com que expressão original ele dialoga: 

02) O texto começa com frases que fazem referências a jargões. Quais são elas e a que expressões elas se relacionam?

03) Qual é a crítica que o autor faz com relação aos selfies?

04) O que é deprimente, na opinião dele? Comente:

05) O que não faz sentido, em relação aos selfies e o que é preocupante, segundo o texto? 

06) Por que, para o autor, não faz sentido fazer selfie em público? 

07) Se fôssemos animais, por qual animal teríamos preferência, segundo o autor? Por quê? 

08) Por que existem, no texto, algumas palavras em itálico? 

09) Transcreva do texto algumas onomatopeias, explicando que som elas ali representam: 

10) Com que intenção o autor repetiu vogais em algumas palavras? Localize-as: 

11) Podemos afirmar que existe uma ambiguidade na palavra NEGATIVO, no final da crônica? Por quê? 

12) Copie do texto dois pares de antítese, explicando seu raciocínio: 

13) Transcreva do texto marcas de oralidade, dizendo sua importância para o contexto: 

14) Existe uma ambiguidade na passagem "bem na nossa cara!", localizada no começo do texto? Justifique sua resposta: 

15) Copie do texto uma passagem carregada de ironia, explicando-a: 

16) Posicione-se sobre o assunto abordado no texto, argumentando e defendendo claramente o seu ponto de vista: 

17) Você faz muito uso dos selfies? O que pensa a respeito disso? 

18) Liste pelo menos dez tópicos interessantes sobre esse assunto, para esquentar um debate: 

19) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

20) Localize no texto:

a) dois numerais, classificando-os:
b) dois substantivos próprios:
c) um advérbio de afirmação:
d) um advérbio de negação:
e) um advérbio de tempo:
f) dois adjetivos, dizendo a que substantivos eles se referem: 









21) O que todas as charges e tirinhas acima êm em comum? E o que elas têm em comum com o texto lido? 

22) Numere-as e diga o que cada uma critica, dizendo depois de qual delas você mais gostou e o porquê:


23) Que tal você se descrever em poucas palavras e desenhar como seria seu selfie?!? 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Atividade sobre obra de arte de Salvador Dali


("Criança geopolítica assistindo ao nascimento do novo homem" - Salvador Dali)

01) No centro da imagem está o Planeta Terra, com seus continentes. O formato do planeta lembra o de um ovo, porém sua casca é mole. Na parte inferior, há uma forma vermelha que lembra tanto uma lágrima de sangue quanto um embrião. 

a) Em nossa cultura, qual é o sentido simbólico normalmente associado ao ovo?
b) O que está nascendo desse ovo / planeta?

02) Observe que, à frente do planeta, estão uma mulher e uma criança nuas. A mulher aponta para a figura que sai do ovo, enquanto a criança olha atentamente a figura. 

a) O que provavelmente significa o gesto da mulher?
b) Pela expressão corporal da criança, que tipo de sensação ou sentimento ela deve estar tendo?

03) O que o quadro representa? Comente:

04) A paisagem, com seus contrastes, transmite uma impressão positiva ou negativa? Por quê?

05) Da África escorre uma lágrima, assim como do extremo sul da América. Considerando que o quadro retrata uma situação de parto, de nascimento do novo homem, qual é a razão das lágrimas? 

06) O quadro foi pintado em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, e repare que o ser humano que nasce não é um bebê, mas uma pessoa feita, adulta. 

a) Considerando o contexto em que o quadro foi pintado, qual o significado dele naquele momento?
b) Por que o ser humano que nasce é um adulto?
c) Considerando o momento histórico que estamos vivendo hoje, você acha que o quadro continua atual? Justifique sua resposta: 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Atividade sobre texto "Venenos de Deus, remédios do Diabo", de Mia Couto


O texto gerador a seguir é um trecho do romance “Venenos de Deus, remédios do diabo: as incuráveis vidas de Vila Cacimba”, do moçambicano Mia Couto. Integra, portanto, o romance de literaturas africanas. No trecho abaixo, apresenta-se um diálogo entre Bartolomeu Sozinho (ex-mecânico naval da Companhia de Navegação Colonial e nativo de Vila Cacimba, uma vila imaginária em Moçambique) e Dr. Sidónio Rosa (médico local, de nacionalidade portuguesa).

Venenos de Deus, remédios do diabo: as incuráveis vidas de Vila Cacimba

– Noutro dia, você zangou-se comigo porque eu não o chamava pelo seu nome inteiro. Mas eu conheço o seu segredo.
– Não tenho segredos. Quem tem segredos são as mulheres.
– O seu nome é Tsotsi. Bartolomeu Tsotsi.
– Quem lhe contou isso? De certeza que foi o cabrão do Administrador.
Acabrunhado, Bartolomeu aceitou. Primeiro, foram os outros que lhe mudaram o nome, no baptismo. Depois, quando pôde voltar a ser ele mesmo, já tinha aprendido a ter vergonha de seu nome original. Ele se colonizara a si mesmo. E Tsotsi dera origem a Sozinho [Bartolomeu Sozinho].
– Eu sonhava ser mecânico, para consertar o mundo. Mas aqui para nós que ninguém nos ouve: um mecânico pode chamar-se Tsotsi?
Ini nkabe dziua.
– Ah, o Doutor já anda a aprender a língua deles?
– Deles? Afinal, já não é a sua língua?
– Não sei, eu já nem sei...
O português confessa sentir inveja de não ter duas línguas. E poder usar uma delas para perder o passado. E outra para ludibriar o presente.
– A propósito de língua, sabe uma coisa, Doutor Sidonho? Eu já me estou a desmulatar.
E exibe a língua, olhos cerrados, boca escancarada. O médico franze o sobrolho, confrangido: a mucosa está coberta de fungos, formando uma placa esbranquiçada.
– Quais fungos? – reage Bartolomeu. – Eu estou é a ficar branco de língua, deve ser porque só falo português...
O riso degenera em tosse e o português se afasta, cauteloso, daquele foco contaminoso. [...]
O médico olha para o parapeito e estremece de ver tão frágil, tão transitório aquele que é seu único amigo em Vila Cacimba. O aro da janela surge como uma moldura da derradeira fotografia desse teimoso mecânico reformado.
– Posso fazer-lhe uma pergunta íntima?
– Depende – responde o português.
– O senhor já alguma vez desmaiou, Doutor?
– Sim.
– Eu gostava muito de desmaiar. Não queria morrer sem desmaiar.
O desmaio é uma morte preguiçosa, um falecimento de duração temporária. O português, que era um guarda-fronteira da Vida, que facilitasse uma escapadela dessas, uma breve perda de sentidos.
– Me receite um remédio para eu desmaiar.
O português ri-se. Também a ele lhe apetecia uma intermitente ilucidez, uma pausa na obrigação de existir.
– Uma marretada na cabeça é a única coisa que me ocorre.
Riem-se. Rir junto é melhor que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso. [...]

(Mia Couto)

01) Identidade nacional representa um conjunto de sentimentos que fazem com que um indivíduo se sinta parte de uma sociedade ou nação. A língua é um importante elemento na constituição da identidade de um povo, pois ela permite reconhecer membros da comunidade, diferenciar estrangeiros e transmitir tradições. No texto, podemos perceber uma certa crise de identidade por parte do personagem africano Bartolomeu, obrigado a conviver com duas línguas. Com base nessas informações, responda:

a)    De que países eram essas duas línguas?
b)    Selecione um fragmento do texto que confirme essa crise de identidade de Bartolomeu:
c)    Por que o doutor confessa sentir inveja de não ter duas línguas?

02) O personagem Bartolomeu Tsotsi demonstra ter vergonha de seu nome e não valorizar sua identidade pessoal através de suas falas. Isso pode denotar uma desvalorização de sua identidade nacional, uma vez que quem somos está ligado a nossa identidade nacional. Essa afirmativa está associada ao fato de que, enquanto indivíduos, pertencemos a determinada cultura. Por meio do trecho a seguir, o narrador expressa a desvalorização do personagem Bartolomeu: “Ele se colonizara a si mesmo”. Nesse trecho, o verbo “colonizara” foi utilizado referindo-se a um elemento diferente do usual, ampliando seu sentido.

a) Explique o sentido adquirido pelo verbo no texto.
b) Outros verbos foram utilizados no texto com aspectos temporais diferentes dos usuais. Transcreva um trecho que exemplifique esta afirmação:

03) Os elementos de cosmovisão africana – visão de mundo e opiniões do povo – são temas recorrentes na literatura. Alguns destes elementos são os seguintes:

- Ancestralidade / Culto aos ancestrais, que resume todos os elementos que estruturam a cosmovisão africana, fazendo uma ponte imediata com a história e a memória no desejo de não esquecer o passado. 
- Religiosidade, que, mais do que religião, é um exercício permanente de respeito à vida e doação ao próximo.
- Liberdade, um dos maiores anseios do povo, que tanto sofreu com seu passado de escravidão.

Tais elementos representam alguns dos mais importantes valores na construção da identidade nacional do povo africano.

Assinale a opção que contenha (1) o elemento da cosmovisão africana contemplado no Texto Gerador 1 e (2) uma forma de conquistar esse elemento segundo Bartolomeu Sozinho:
(a) (1) Religiosidade / (2) Ter duas línguas
(b) (1) Ancestralidade / (2) Desmulatar
(c) (1) Liberdade / (2) Ter duas línguas
(d) (1) Religiosidade / (2) Desmaiar
(e) (1) Liberdade / (2) Desmaiar

04) A cosmovisão de um povo relaciona-se à forma como esse povo concebe o mundo e age para transformá-lo. Alguns aspectos da cosmovisão africana estão dispostos abaixo e compõem a cultura afrobrasileira. Reconheça qual dos aspectos da cosmovisão africana tem maior destaque no trecho:

"Riem-se. Rir junto é melhor que falar a mesma língua."

(A) Ancestralidade.
(B) Musicalidade.
(C) Religiosidade.
(D) Socialização.
(E) Oralidade. 

05) Dois conceitos ocupam lugar estratégico nos estudos de cultura negra: negritude e africanidade. Vejamos esses conceitos por meio do quadro abaixo: 


Negritude
Africanidade
Tem sua origem nas primeiras décadas do século XIX, no contexto de uma espécie de renascimento negro. Representa uma busca pela revalorização das raízes culturais africanas, crioulas e populares.
Engloba a cultura, a arte, a língua, as tradições, as instituições, as crenças e as visões de mundo do povo africano.


Como vemos, negritude e africanidade são conceitos interrelacionados.
O diálogo entre Bartolomeu Sozinho e Dr. Sidónio Rosa revela, entre outras questões, que o negro e nativo reconhece no branco europeu qualidades e superioridades que inveja e deseja para si. Tomando-se essa informação como ponto de partida, destaque alguns elementos do texto associados ao conceito de africanidade.

06) Você já sentiu vontade de consertar o mundo? Como seria isso, basicamente? Comente: 

Atividade sobre o soneto "A Jesus Cristo Nosso Senhor", de Gregório de Matos


A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queiras, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

(Gregório de Matos Guerra) 

01) O texto é um soneto. Por quê?

02) Trata-se de uma poesia lírica, satírica ou religiosa? Justifique:

03) Há uma oposição mais forte no texto. Qual? Explique:

04) Por que podemos dizer que há uma espécie de chantagem do eu lírico com relação a Deus?

05) Identifique os versos em que Deus é chantageado:

06) Destaque dos dois quartetos versos que comprovam o esforço do eu  lírico em ser perdoado:

07) Identifique o tema do poema lido:

08) Circule no soneto um vocativo, dizendo a importância dele para o contexto:

09) Copie do texto uma passagem que dá ideia de proporcionalidade, explicando: 

10) Por que podemos afirmar que é um texto barroco? 

11) Que mensagem o soneto transmite? Comente: 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Atividade sobre a música "Toda forma de amor", de Lulu Santos


Toda forma de amor

Eu não pedi pra nascer
Eu não nasci pra perder
Nem vou sobrar de vítima
Das circunstâncias

Eu tô plugado na vida
Eu tô curando a ferida
Às vezes eu me sinto 
Uma mola encolhida

Você é bem como eu
Conhece o que é ser assim
Só que nesta história
Ninguém sabe o fim

Você não leva pra casa
E só traz o que quer
Eu sou teu homem
Você é minha mulher

E a gente vive junto
E a gente se dá bem
Não desejamos mal 
A quase ninguém

E a gente vai à luta
E conhece a dor
Consideramos justa
Toda forma de amor 

(Lulu Santos)

01) Justifique o título da música:

02) Copie da canção uma espécie de gíria, dizendo que palavra mais formal poderia colocar no lugar:

03) Transcreva da música uma passagem que revela que o eu lírico saiu de uma decepção amorosa:

04) Copie do texto uma metáfora, explicando-a:

05) Que mensagem a canção lhe transmitiu?

06) Você já se sentiu "uma mola encolhida"? Comente:

07) Você também considera "justa toda forma de amor? Justifique sua resposta:

08) Explique os versos destacados na canção, respectivamente:

09) Localize no texto uma antítese, explicando:

10) Existe na música alguma ambiguidade? Justifique sua resposta:

Atividade sobre quadras populares - Folclore

Quadra 01

Você me mandou cantar
Pensando que eu não sabia
Pois eu sou que nem cigarra
Canto sempre todo dia. 

Quadra 02

Lá no fundo do quintal
Tem um tacho de melado
Quem não sabe cantar verso
É melhor ficar calado. 

Quadra 03

A roseira quando nasce
Toma conta do jardim
Eu também ando buscando
Quem tome conta de mim.

Quadra 04

Eu amo a quem não me quer
E desprezo a quem me ama
Fujo de quem me procura
Quero bem a quem me engana.

Quadra 05

Batata não tem caroço
Bananeira não tem nó
Pai e mãe é muito bom
Barriga cheia é melhor.

Quadra 06  

O fiado já morreu
Foi com o dono enterrado
Quem quiser beber cachaça
Que pague adiantado. 

Quadra 07

Menina dos olhos grandes
Não olha tanto pra mim
Se não queres meu amor
Por que me olhas assim?

Quadra 08

Se o raio não queimou
Se o gado não comeu
Em cima daquele morro
Tem o capim que nasceu. 

Quadra 09

Já fui galo, já cantei
Já fui dono do terreiro
Não me importo que outros cantem 
Onde eu já cantei primeiro. 

Quadra 10

Uma velha muito velha
Mais velha que o meu chapéu
Foi pedida em casamento 
Levantou as mãos aos céus. 

01) De qual das quadras acima você gostou mais? Por quê? 

02) De qual delas você menos curtiu? Justifique sua resposta: 

03) Tente ilustrar de forma bem criativa cada uma das quadras: 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Atividade sobre a música "Quem de nós dois", da Ana Carolina


Quem de nós dois

Eu e você 
Não é assim tão complicado
Não é difícil perceber
Quem de nós dois
Vai dizer que é impossível
O amor acontecer

Se eu disser que já não sinto nada
Que a estrada sem você é mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara
Eu conheço teu sorriso
Leio o teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
Que eu já nem preciso

Sinto dizer que amo mesmo
Tá ruim pra disfarçar
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos

No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contramão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada...

E cada vez que eu fujo
Eu me aproximo mais
E te perder de vista assim
É ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro

Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar o sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na sua vida

Eu procurei qualquer desculpa
Pra não te encarar
Pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar

Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós não me interessa
Se eu tento esconder meias verdades
Você conhece o meu sorriso
Lê o meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
Que eu já nem preciso

(Ana Carolina)

01) Justifique o título empregado na canção:

02) Quantas estrofes a música possui? E versos?

03) Compare os versos destacados nas duas estrofes e diga o que eles possuem de diferente:

04) Por que a pessoa riria da cara do eu lírico?

05) Copie dois exemplos de oralidade:

06) O que é a frase ficar pelo avesso? Isso já aconteceu com você?

07) Que mensagem a música lhe transmitiu? Comente:

08) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra sublinhada no texto:

domingo, 2 de agosto de 2015

Atividade sobre a música "Meu caro amigo", de Chico Buarque de Holanda


Meu caro amigo

Meu caro amigo, me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando noticias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui 'tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando, que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo, eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muitosamba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui 'tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai  cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando, que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão 

Meu caro amigo, eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui 'tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente 'tá engolindo casa sapo no caminho
E a gente vai se amando, que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo, eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui 'tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo pessoal
Adeus.

(Francis Hime e Chico Buarque de Holanda) 

01) Justifique o título da canção acima:

02) O que significa dizer que "a coisa aqui 'tá preta"? 

03) A que tipo de "ajudas" o eu lírico recorre para aguentar essa situação? 

04) Transcreva da música uma antítese, explicando seu raciocínio: 

05) Pela música, o que nunca faltava aqui no nosso país? Você concorda com isso?

06) O que é "engolir sapo"? Que "sapos" dá para perceber na música que estão engolindo? 

07) Que problemas são denunciados na música? Cite-os: 

08) Copie do texto exemplos fortes de oralidade, dizendo sua importância para o contexto: 

09) Por que existem palavras em itálico no texto?

10) Circule no texto um exemplo de vocativo, explicando seu raciocínio: 

11) Podemos dizer que tal música se assemelha a uma carta? Justifique sua resposta: 

12) Há um verso no texto capaz de resumir toda a mensagem transmitida. Aponte-o: 

13) Tal canção foi gravada em 1976 e ela fala da situação do Brasil naquela época. De lá pra cá muita coisa mudou? Comente: 

14) Que mensagem a canção transmitiu? 

15) Localize no texto:

a) dois substantivos próprios:
b) um pronome possessivo:
c) três substantivos comuns:
d) um substantivo composto:
e) um pronome indefinido:
f) dois adjetivos: