domingo, 26 de julho de 2015

Atividade com a música "O silêncio", de Arnaldo Antunes


O silêncio

Antes de existir computador existia tevê

Antes de existir tevê existia luz elétrica
Antes de existir luz elétrica existia bicicleta
Antes de existir bicicleta existia enciclopédia
Antes de existir enciclopédia existia alfabeto
Antes de existir alfabeto existia a voz
Antes de existir a voz existia o silêncio

O silêncio
Foi a primeira coisa que existiu
Um silêncio que ninguém ouviu
Astro pelo céu em movimento
E o som do gelo derretendo
O barulho do cabelo em crescimento
E a música do vento
E a matéria em decomposição
A barriga digerindo o pão
Explosão de semente sob o chão
Diamante nascendo do carvão

Homem pedra planta bicho flor
Luz elétrica tevê computador
Batedeira, liquidificador
Vamos ouvir esse silêncio meu amor
Amplificado no amplificador
Do estetoscópio do doutor
No lado esquerdo do peito, esse tambor

(Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown)

01) Justifique o título presente na música acima, aproveitando para sugerir um outro:

02) Nos sete primeiros versos, o eu lírico faz uma retrospectiva no tempo. Como ele organizou esse retorno ao passado?

03) A que momento o eu-lírico pretendeu voltar e com que possível intenção?

04) O que representa a busca por esse silêncio e pelos sons mencionados no texto?

05) Como o eu lirico sugere o silêncio profundo nesse momento anterior à criação?

06) Ao referir-se à criação do mundo e ao fato de nada ainda existir, apenas o silêncio, o eu- lírico pode estar nos remetendo a que momento?

07) O texto apresenta uma gradação de invenções humanas. Enumere-as na ordem em que teriam surgido:

08) Identifique no texto a última invenção. Já houve outras após a citada? Justifique sua resposta:

09) Existe alguma figura de linguagem no verso "O silêncio que ninguém ouviu"? Explique seu raciocínio:

10) No final da canção, há um convite do eu lírico dirigido à mulher amada. Por que ele sugere a ela que ouçam juntos o silêncio que está no coração?

11) No último verso da canção, existe uma comparação. A que o tambor é comparado? Por quê? 

12) Cite dois pontos negativos e dois positivos em relação à tecnologia:

13) Por que às vezes o silêncio é muito importante em nossas vidas? Use bons argumentos:


14) O que o eu-lírico critica e o que ele valoriza? Explique: 


15) Que figura de linguagem encontra-se presente em "E o som do gelo derretendo"? Justifique sua resposta: 


16) Copie da canção alguns verbos no gerúndio e explique que efeito esse emprego acrescenta ao texto: 

17) Que mensagem a música transmite? Comente: 


(Participação especial das amigas Ruth Barbosa, Sinara Soares, Maria Regina
Fabi BehlingSandra Vitezi, Lourdes Galhardo, Zizi Cassemiro e Clécia Melo)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Atividade sobre o texto "Drogas, ou a grande angústia do século", de Zuenir Ventura

Drogas, ou a grande angústia do século

Qual é o principal medo deste fim de milênio? Será o medo do medo, a paranoia? O que há de comum entre os medos medievais e os de agora? Escrevendo sobre isso e tentando estabelecer um paralelo entre o ano 1000 e o ano 2000, o medievalista Georges Duby chegou à conclusão de que havia naquele distante começo de era cinco medos básicos: da miséria, do outro, das epidemias, da violência e do além.
Todos continuam presentes hoje no Brasil e no mundo, acrescidos de um novo, o medo das drogas - talvez o mais incontrolável, já que para os outros há sempre a esperança de um antídoto ou uma vacina, inclusive para a Aids, a última grande epidemia do século. Haverá "cura" para as drogas?
É fundamental o que está sendo feito contra elas no país neste momento. Tentar desmantelar a rede do narcotráfico, com suas conexões internas e externas, impedir a ação dos traficantes, botá-los na cadeia - combater tudo o que engrossa o caldo de cultura da violência urbana - é indispensável. Mas não é suficiente. A droga só será vencida quando começar a ser resolvida em casa, no interior da família, dentro de nós mesmos.
Muitas vezes, ela é uma aparente causa que esconde a verdadeira, como no caso desse exterminador do "Morumbi Shopping". A história é exemplar de uma atitude. A família -- porque fornecia ao filho assistência médica, custeava seu curso de Medicina e ainda o mantinha com boa mesada, contanto que ficasse à distância, bem longe do problema -- acreditava estar cumprindo seu papel.
O pai, chocado, disse que estava sentindo "o mesmo" que os pais das vítimas. "Meu filho está doente, e pai tem de ficar ao lado do filho mesmo que ele esteja errado, como o meu está." Os pais das vítimas com certeza prefeririam que ele tivesse ficado "ao lado" antes, porque assim, quem sabe, talvez pudesse ter evitado a desgraça.
Não lhe passou pela cabeça que a melhor maneira de aprisionar um esquizofrênico em seu inferno é entregá-lo a suas vozes interiores, a seus próprios demônios. Pode ser fácil dizer isso agora, depois que aconteceu, mas é fácil também jogar depois a culpa em cima de um filme desnorteador e das drogas, por mais que essa combinação faça mal à saúde mental dos jovens.
É evidente que alguém com aquelas graves perturbações psicológicas e mentais não deveria ser largado à própria sorte, ou pior, jogado nas mãos de um traficante, de drogas e de armas. É provável que ele fosse mais dependente da doença do que das drogas. Pesquisas e estudos avançados sobre o uso de tóxico indicam que um jovem se vicia e se torna dependente para escapar de uma vida insuportável, ou seja, para fugir do inferno, mais do que para ir em busca de um paraíso. E o mais grave é que muitas vezes ele é o sintoma manifesto de uma doença maior: a própria família.
A sociedade pode até saber o que fazer com os traficantes, mas ainda não sabe como lidar com as drogas -- e essa talvez seja a incerteza mais angustiante deste tão incerto final de século. Não adianta achar que a polícia vai resolver a questão. Ao contrário dos outros medos, a droga é um flagelo cujo vírus costuma estar dentro de casa.

(Zuenir Ventura - "Revista Época")

01) Justifique o título usado no texto:

02) Você concorda que "a sociedade não sabe o que fazer com as drogas”? Justifique sua resposta: 

03) Quais eram os cinco medos existentes na época medieval, segundo Georges Duby? 

04) Que medo foi acrescido a esses e que correspondem aos medos atuais? 

05) Por que o autor empregou aspas na palavra "cura", presente no segundo parágrafo?

06) Responda, sinceramente, à pergunta em que tal palavra da questão anterior consta: 

07) Copie do texto uma antítese, explicando seu raciocínio:

08) Transcreva do texto uma passagem que contenha uma expressão no sentido conotativo, explicando: 

09) Você acha que a história do exterminador do shopping, citado no texto, teria um outro desfecho se a família dele fosse mais presente em sua vida? Justifique sua resposta:

10) Que mensagem o texto transmite? Comente: