terça-feira, 19 de maio de 2015

Atividade sobre a crônica "Debaixo da ponte", de Carlos Drummond de Andrade


Debaixo da ponte

Moravam debaixo da ponte. Oficialmente, não é lugar onde se more, porém eles moravam. Ninguém lhes cobrava aluguel, imposto predial, taxa de condomínio: a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo. Não pagavam conta de luz e gás, porque luz e gás não consumiam. Não reclamavam contra falta d´água, raramente observada por baixo de pontes. Problema de lixo não tinham; podia ser atirado em qualquer parte, embora não conviesse atirá-lo em parte alguma, se dele vinham muitas vezes o vestuário, o alimento, objetos de casa. Viviam debaixo da ponte, podiam dar esse endereço a amigos, recebê-los, fazê-los desfrutar comodidades internas da ponte. 
À tarde surgiu precisamente um amigo que morava nem ele mesmo sabia onde, mas certamente morava: nem só a ponte é lugar de moradia para quem não dispõe de outro rancho. bancos confortáveis nos jardins, muito disputados; a calçada, um pouco menos propícia; a cavidade na pedra, o mato. Até o ar é uma casa, se soubermos habitá-lo, principalmente o ar da rua. O que morava não se sabe onde vinha visitar os de debaixo da ponte e trazer-lhes uma grande posta de carne. 
Nem todos os dias se pega uma posta de carne. Não basta procurá-la; é preciso que ela exista, o que costuma acontecer dentro de certas limitações de espaço e de lei. Aquela vinha até eles, debaixo da ponte, e não estavam sonhando, sentiam a presença física da ponte, o amigo rindo diante deles, a posta bem pegável, comível. Fora encontrada no vazadouro, supermercado para quem sabe frequentá-lo, e aqueles três o sabiam, de longa e olfativa ciência. 
Comê-la crua ou sem tempero não teria o mesmo gosto. Um de debaixo da ponte saiu à caça de sal. E havia sal jogado a um canto de rua, dentro da lata. Também o sal existe sob determinadas regras, mas pode tornar-se acessível conforme as circunstâncias. E a lata foi trazida para debaixo da ponte. 
Debaixo da ponte os três preparam comida. Debaixo da ponte a comeram. Não sendo operação diária, cada um saboreava duas vezes: a carne e a sensação de raridade da carne. E iriam aproveitar o resto do dia dormindo (pois não há coisa melhor, depois de um prazer, do que o prazer complementar do esquecimento), quando começaram a sentir dores. 
Dores que foram aumentando, mas podiam ser atribuídas ao espanto de alguma parte do organismo de cada um, vendo-se alimentado sem que lhe houvesse chegado notícia prévia de alimento. Dois morreram logo, o terceiro agoniza no hospital. Dizem uns que morreram da carne, dizem outros que do sal, pois era soda cáustica. Há duas vagas debaixo da ponte. 

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Justifique o título empregado no texto:

02) Que outro título você daria a ele?

03) O que se deve entender por "vazadouro", palavra empregada no texto?

04) O que seria alguém conhecer algo "de longa e olfativa ciência"?

05) Há, no texto, suposições sobre a causa da morte das pessoas. Qual delas você achou mais pertinente? Justifique sua resposta: 

06) Por que o autor repete inúmeras vezes no texto a expressão "debaixo da ponte"?

07) Por que não era conveniente atirar o lixo em alguma parte?

08) Qual o objetivo do autor ao dizer "Nem todos os dias se pega uma posta de carne"?

09) As dores que começaram a sentir após comerem a carne foram atribuídas inicialmente a quê?

10) No primeiro parágrafo, ao introduzir o cenário, o narrador já anuncia o envenenamento das pessoas. Que expressão reforça essa afirmativa?

11) O narrador não atribui nomes próprios às personagens, buscando apresentá-las como excluídas dos direitos de cidadania. Cite alguns exemplos que confirmem a afirmação: 

12) Em "Dizem que morreram da carne, dizem outros que do sal, pois era soda cáustica" e "Há duas vagas debaixo da ponte", o desfecho irônico do texto sugere o quê? 

13) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

14) O que você acha dos moradores de rua? Como solucionar essa problemática?

15) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada no texto:

16) Associe, de alguma forma, a crônica lida à charge a seguir:


sábado, 16 de maio de 2015

Atividade sobre a música "Carta de amor", de Jota Quest


Carta de amor

Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos, traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser 
Até eu mesmo que você vai entender

Posso brincar de descobrir desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos 
E até as minhas coisas fúteis
Posso tirar a sua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você eu tô tranquilo, tranquilo...

Agora o que vamos fazer?
Eu também não sei
Afinal, será que amar é mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Estou aprendendo também... 

(Jota Quest)

01) Justifique o título dado à canção:

02) Trata-se mesmo de uma carta? Justifique sua resposta:

03) Nos versos destacados na primeira estrofe podemos perceber alguma incoerência ou contradição? Explique seu raciocínio: 

04) O que o eu lírico sente de diferente com relação à pessoa amada? Comprove com uma (ou mais) passagem do texto: 

05) Que mensagem a música transmitiu? Comente:

06) Elabore duas questões interpretativas sobre a música, respondendo-as:

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Atividade sobre o texto "A águia e a galinha", de Leonardo Boff

A águia e a galinha

Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.  Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas.  Deu-lhe milho e ração própria para galinhas, embora a águia fosse o rei de todos os pássaros.
Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
-- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
-- De fato – disse o camponês.  – É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
-- Não – retrucou o naturalista.  – Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia.  Este coração a fará um dia voar às alturas.
-- Não, não. – insistiu o camponês. – Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
-- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando os grãos. E pulou para junto delas.
O camponês comentou:
-- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
-- Não – tornou a insistir o naturalista. – Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
-- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês sorriu e voltou à carga:
-- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
-- Não – respondeu firmemente o naturalista. – Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O Sol nascente dourava os picos das montanhas.
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
-- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do Sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...

(Leonardo Boff)

01) Justifique o título dado ao texto:

02) Podemos afirmar que o texto é uma fábula? Por quê? 

03) Qual o dilema existente entre o naturalista e o camponês? Com qual deles você concorda? E o autor do texto? 

04) Que teste resolveram fazer? Como o animal se saiu? Por que isso aconteceu? 

05) Por que na última tentativa a águia teve um comportamento diferente? 

06) Circule no texto um vocativo: 

07) Transcreva do texto uma antítese, explicando seu raciocínio: 

08) Copie do texto um exemplo de onomatopeia, dizendo a que ela se refere: 

09) Que mensagem o texto transmite? 

10) Diferencie uma águia de uma galinha, dizendo qual você é no momento: 

11) Localize no texto em questão:

a) um substantivo primitivo e um derivado, explicando seu raciocínio: 
b) três numerais, classificando-os:
c) um advérbio de negação:
d) dois advérbios de tempo:
e) um advérbio de modo: 
f) um advérbio de lugar:
g) um advérbio de intensidade: 
h) três verbos no modo imperativo: 
i) dois adjetivos, dizendo a que substantivos se referem: 

Atividade sobre o paradidático "Dom Casmurro", de Machado de Assis

Tenho muito carinho por esse livro machadiano, que li pela primeira vez no Ensino Médio, no segundo ano, a pedido da professora Leila Almeida! Confesso que não achei tão bom da primeira vez que li, talvez por ter lido "por obrigação" (que às vezes nos rouba um pouco até o prazer!), mas ela falava sobre ele com tanto entusiasmo e brilho nos olhos, que aquilo me contagiou de tal maneira que me senti desafiada a encontrar esse "algo mais" na história. Reli. E encontrei! Me apaixonei também pelo triângulo "Bentinho-Capitu-Escobar" e pela maneira única de Machado nos prender e nos convidar a sermos juízes, sem, contudo, o peso desse papel! 

Na faculdade, através de sorteio, esse livro novamente caiu para mim! Fiz um trabalho belíssimo sobre ele, com meu grupo, e tiramos a nota máxima! A querida professora Cristina Braga que solicitou. E depois o indiquei várias vezes, como professora, fazendo até "Júri simulado", com os alunos tendo que separar trechos do livro que incriminassem Capitu (usando o "garfinho do diabo") e outros que a absolvessem (usando a auréola do anjinho)! Boas recordações... aliás, ótimas, maravilhosas, ricas! Pena que, naqueles tempos, não era hábito fotografar, filmar, nada disso... sem falar que até hoje, em pleno auge da tecnologia, eu me esqueço de fazê-lo! 

Então hoje compartilho com vocês uma atividade simples que também já fiz sobre tal livro e espero que gostem e que tenha alguma serventia! 


Dom Casmurro

01) Levando em consideração a construção do romance “Dom Casmurro” (estrutura e focos narrativos),  como explicar que o narrador tenta unir as duas pontas de sua vida por meio da história recontada?

02) Por que Bentinho tem de ir para o seminário? Como é sua vida nesse lugar? Relate as impressões do narrador quando ele lá se encontra:

03) Que relações têm as personagens: Capitu, Betinho, Sancha e Escobar? Explicite a importância dessas personagens para o romance:

04) Quando da morte de Escobar, Bentinho tenta nos relatar as impressões que teve em relação à Capitu. Quais eram essas impressões? Como ele as descreve? Explicite o que ele pensa nesse momento:

05) O narrador entra em contato direto com o leitor em alguns momentos do romance. Relate dois momentos em que isso ocorre: 

06) Observe esse trecho tirado do livro: “Agora não há mais que levá-la a grandes pernadas, capítulo sobre capítulo, pouca emenda, pouca reflexão, tudo em resumo. Já esta página vale por meses, outras valerão por anos, e assim chegares ao final" (Cap. XCVII). Por que o narrador afirma isso?

07) Observe esse outro trecho: "Se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca" (Cap. CXLVIII). Qual é o perfil da personagem Capitu que nos chega por meio do narrador? De que modo o trecho retirado do livro antecipa a ideia que o narrador quer que tenhamos da personagem central feminina?

08) Releia os dois capítulos do livro que possuem o mesmo nome e explique essa possível semelhança, essa "costura": 

09) Que metáfora famosa foi usada na narrativa para se referir aos olhos de Capitu? 

10) Por que Bentinho e Capitu dão o nome de Ezequiel ao filho? 

11) Você acha que Capitu, afinal, traiu ou não Bentinho com Escobar? Justifique sua resposta, utilizando pelo menos três argumentos: 

12) Vocês devem se lembrar da narrativa de Otelo. De que modo essa peça de Shakespeare pode ser relacionada ao livro?

13) Que traços da Escola Literária Realista podem ser observados na obra? Cite dois traços exemplificando com passagens do livro:

14) Em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", o narrador Cubas afirma que o “o menino é pai do homem”. Percebemos isso também em “Dom Casmurro”. O que se quer dizer com essa afirmação? Explique pensando nos perfis de Bentinho e Capitu, na infância e na vida adulta deles: 

15) Associe a imagem a seguir à obra machadiana em questão, mencionando se isso iria ou não desfazer o mistério que dá a mágica ao livro: 

domingo, 10 de maio de 2015

Atividade sobre a obra de arte "Palmeiras" (1925), de Tarsila do Amaral


01) Justifique o título dado à obra de arte acima:

02) Trata-se de um espaço urbano ou rural? Por quê?

03) É um espaço eufórico (em harmonia com o mundo) ou disfórico (que gera desdém)?

04) Você acha que as palmeiras estão sendo protagonistasna obra? Justifique sua resposta:

05) Que características modernistas e brasileiras a obra apresenta?