terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Atividade sobre a poesia "O açúcar", de Ferreira Gullar


O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
Nem escola,
Homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
Homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

                                                                           (Ferreira Gullar)


01) Quantas estrofes possui o poema? E quantos versos?  Justifique seu título: 

02) Há alguma espécie de rima presente no poema? Justifique sua resposta:

03) O poeta afirma que o açúcar percorreu um longo caminho até chegar para adoçar o café dele. Que caminho é esse? 

04) Na segunda estrofe do poema, o açúcar é comparado a várias coisas. Que ideia(s) transmite(m) essas comparações? 

05) Que contradição podemos perceber no final do texto? Explique-a da melhor forma possível: 

06) Retire do texto:

a) 03 substantivos próprios, justificando: 
b) 01 substantivo derivado, dizendo de qual palavra ele derivou:
c) 05 adjetivos, mencionando a que substantivos se referem:
d) 01 advérbio de negação e 01 de lugar: 
e) 01 pronome possessivo e 01 pronome demonstrativo: 

08) Analisando as duas primeiras estrofes, podemos dizer que, do ponto de vista de quem o consome, o açúcar lembra o quê? Comprove com palavras ou passagens do próprio texto:

09) Explique a passagem em negrito no poema, dizendo o que ela lhe transmitiu:

10) Copie do texto um exemplo de aposto, explicando seu raciocínio: 

11) Analise, morfologicamente (e de forma organizada!), as cinco palavras em destaque no texto: 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Atividade sobre o texto "Só de sacanagem", da Elisa Lucinda

Só de sacanagem

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela ainda que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam, entupidas de dinheiro, do meu dinheiro que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, meus avós e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filhinha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!

Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais, e mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

(Elisa Lucinda)


01) Justifique o título do texto, aproveitando para sugerir um outro:

02) Copie do texto exemplos de oralidade:

03) Circule no texto dois exemplos de vocativo, explicando seu raciocínio:

04) Que circunstância a conjunção em negrito no texto indica? 

05) Justifique as aspas utilizadas no texto: 

06) Explique por que existe no texto uma expressão em itálico: 

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente: