segunda-feira, 28 de julho de 2014

Atividade sobre o texto "Menino de rua", do Fernando Sabino

Menino de rua

Eram dez e meia da noite e eu ia saindo de casa quando um menino me abordou. Por um instante pensei que pedia dinheiro. Cheguei a lhe estender uma nota de dez cruzeiros, ele pareceu surpreendido, mas aceitou. Usava uma camisa velha e esburacada do Botafogo, o calção deixava à mostra as perninhas finas que mal se sustinham nos pés descalços. (...) Segurava uma pequena caixa de papelão já meio desmantelada.
- Que é mesmo que você pediu? Não foi dinheiro?
- Uma coberta.
- Uma coberta? Para quê?
- Pra eu dormir.
Realmente estava frio, mas onde ele queria que eu arranjasse uma coberta? O jeito era voltar em casa, descobrir uma coberta velha, trazer para ele. Foi o que fiz: apanhei uma colcha já usada mas ainda de serventia e lhe trouxe. Ele aceitou com naturalidade, sem me olhar nos olhos. Não parecia ter mais de nove anos, mas me disse que tinha treze.
- Onde é que você dorme?
- Num lugar ali - e fez um gesto vago para os lados de praça General Osório.
- Dorme sempre na rua? Não tem casa?
- Tenho.
- Onde?
- Em Austin.
- Onde fica isso? É longe daqui?
- Não é não. Fica no Estado do Rio.
- Por que você não vai pra casa?
Ele mordeu o lábio inferior, calado um instante, mas acabou respondendo:
- Mamãe me expulsou.
- Por quê? Alguma você andou fazendo.
- Não fiz nada não - Reagiu ele, de súbito veemente:
- Minha irmã é nervosa.
Quebrou o vidro da televisão e disse que fui eu. Então minha mãe me expulsou.
- Quando foi isso?
- Tem quase três anos.
- Três anos? E você nunca mais voltou?
- Voltei não.
- Como é que você viveu esse tempo todo? Que é que você come?
- Peço resto de comida.
- Pra que serve este papelão?
- Pra cobrir o chão de dormir.
- Você tem algum amigo?
- Não gosto de amigo não, que amigo faz trapalhada e a gente é que acaba preso.
O nome dele era Carlos Henrique.
- Volta pra casa, Carlos Henrique.
E fiz uma pequena pregação: mãe é sempre mãe, ela devia estar sentindo falta dele. Melhor em casa do que ficar aí na rua, sem ter onde dormir. A mãe trabalhava em Nova Iguaçu, ele me havia dito (...), mas ainda era pra ele a melhor solução. Não tinha nem nunca teve pai.
            - Você sabe ir até lá? 
Sei. Tomo o ônibus até a Central e lá pego o trem até Austin.
- Então vai mesmo, hein?
Ele prometeu ir assim que o dia clareasse. Para isso dei-lhe mais algum dinheiro e ele se afastou, com sua colcha e seus pedaços de papelão, esgueirando-se pelos cantos como um ratinho.
Não acredito que tenha ido. Certamente continuará rolando por aí mesmo, mais dia menos dia transformando em pivete, se exercitando na prática de pequenos furtos, em que, pelo jeito, ainda não se iniciou. (...)
(Fernando Sabino)

01) Justifique o título dado à crônica acima:

02) Quem são as personagens do texto e em que momento se dá o contato entre eles?

03) O que o garoto desejava? O que o narrador entendeu?

04) Que informações o narrador consegue extrair do garoto?

05) Que tipo de narrador foi usado nesse texto? Justifique com uma ou mais passagens:

06) Que mensagem o texto transmite?

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Atividade sobre o paradidático "O portão do paraíso, de Giselda Laporta Nicolelis


Sinopse: Taís ainda é uma criança. Uma menina de doze anos às portas da puberdade. Nada sabe senão brincar. Nada quer senão sonhar. Mas, ainda que não entenda direito, já é mulher. Aí chega o primo, com um sorriso bonito, um olhar, um abraço, um beijo, a euforia... E acontece algo que ela não percebe bem o que seja. Logo uma criança começa a se formar dentro daquela criança... 

01) Justifique o título dado ao livro, dizendo se há ou não nele uma ambiguidade: 

02) Qual o foco narrativo da história? Comprove com uma ou mais passagens do livro: 

03) Caracterize, com, no mínimo, 6 (seis) adjetivos cada uma das personagens:

a) Taís:

b) Dona Márcia:

c) Carminda: 

04) O que você pode dizer sobre as amigas de Taís?

05) O que você achou do comportamento de Gelcimar? 

06) De que parte da história você mais gostou? Por quê? 

07) É possível acontecer um caso como o de Taís em nossos dias? Justifique: 

08) Você poderia apontar "culpados" no drama da garota? Por quê? 

09) Que destino você daria a Taís? E como faria sua vida daqui pra frente? 

10) Que mensagem o livro transmite? 

Atividade com o texto "Receita de poema dadaísta", de Tristan Tzara

Receita de poema dadaísta

Pegue um jornal.
Pegue a tesoura. 
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo. 
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam este artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente. 
Tire em seguida cada pedaço um após o outro. 
Copie conscienciosamente na ordem em que as palavras são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você. 
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido                                                                                                                                                 do público. 

(Tristan Tzara)

01) Justifique o título dado ao poema acima:

02) O texto, de fato, pertence ao gênero RECEITA?

03) Circule no poema os verbos no modo imperativo, dizendo sua importância para o contexto:

04) Os dadaístas propunham a abolição da lógica. Como se expressa essa ideia no texto?

05) O poema revela total indiferença pela participação do leitor. Que trecho dele evidencia isso?

06) O que significa o verso "O poema se parecerá com você"?

07) Que mensagem o texto transmite? Comente:

08) O poema em questão justifica a afirmação de que "Dadá não significa nada"? Comente:

09) Que tal você seguir cada instrução do poema e fazer o SEU poema dadaísta?!?

terça-feira, 8 de julho de 2014

Atividade sobre cartum do Caulos - Involução?


01) Do que você se lembra quando vê a sequência acima? Justifique sua resposta:

02) A que corresponde o primeiro quadrinho?

03) O que a onomatopeia presente nele representa?

04) O que acontece nos três quadrinhos seguintes e por que isso ocorre?

05) O que o quinto e último quadrinho indica? Como solucionar esse problema? Ainda dá tempo?

06) Que mensagem o cartum transmitiu? O que você pensa a respeito disso? Comente:

Atividade "Brincando com os provérbios"

Brincando com os provérbios 

Você deverá descobrir de que provérbio original cada um desses abaixo veio: 

01) Os últimos serão... desclassificados! 
02) Quando um não quer... o outro vira de lado. 
03) Quem casa... se estrepa. 
04) Quem cedo madruga.. fica com sono o dia todo. 
05) Quem com ferro fere... não sabe como dói! 
06) Quem dá aos pobres... adeus! 
07) Quem espera... tem que ter paciência! 
08) Quem não arrisca... é porque não tem caneta! 
09) Quem ama o feio... cego é! 
10) Quem dá aos pobres... ainda tem que pagar motel. 
11) Quem não deve... não deve. 
12) Quem não tem cão... não caça! 
13) Quem ri por último... já riu! 
14) Quem ri por último... é retardado! 
15) Quem semeia vento... fica despenteado.
16) Quem tem boca... vai ao dentista.
17) Quem vê cara.. não vê o resto.
18) Águas passadas... já passaram. 
19) Se Maomé não vai à montanha... é porque vai à praia! 
20) Quem tudo quer... tudo tem! 
21) Alegria de pobre... é impossível.
22) Antes tarde do que.... mais tarde ainda! 
23) Cada macaco... com a sua macaca. 
24) De grão em grão... a galinha enche o saco.
25) Depois da tempestade... vem a gripe. 
26) Em casa de ferreiro... só tem ferro de passar. 
27) Devagar... nunca se chega a lugar nenhum. 
28) Em terra de cego... oculista passa fome. 
29) Filho de peixe... faz bolhinhas na água. 
30) O pior cego é aquele... que anda sem bengala. 
31) É dando que se... engravida. 
32) Há males que vêm... para desgraçar logo a vida. 
33) A fé remove montanhas... mas prefiro dinamite. 
34) Mais vale um pássaro na mão... a um cagando na nossa cabeça. 
35) Quem casa... se arrepende. 

Você pode, ainda, separar as duas partes dos provérbios acima e embaralhar. Cada um deverá procurar a outra parte... antes de fazer a primeira tarefa sugerida! O que acham? 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Atividade de correção de redação do ENEM 2013

O volante, o lobo do homem

Egoísmo, irresponsabilidade e traços mais do que meramente vestigiais de irracionalidade: essas são as únicas explicações cabíveis para tentar justificar o que leva uma pessoa que consome bebida alcoólica a dirigir e pôr em risco a sua e tantas outras vidas. A Lei Seca, que recentemente foi implantada no Brasil, tem o intuito de coibir a associação de álcool e direção, e de reduzir o número de mortes causadas por essa associação. Apesar de já mostrar alguns resultados, a lei demanda maior fiscalização, pois é preciso eliminar a habitual certeza de impunidade que há no país. 
Thomas Hobbes, filósofo inglês, dizia que o estado de natureza humano é um risco à sobrevivência da própria espécie, e que instituições do homem são essenciais para evitar o caos e a extinção da humanidade. A Lei Seca é uma dessas instituições. Mesmo cientes de que o álcool como droga neurodepressora altera a capacidade de raciocínio, reflexo e de coordenação motora, muitos motoristas, por comodidade e falta de responsabilidade, não demonstram o mínimo apreço ou zelo pela vida quando decidem dirigir após terem consumido bebida alcoólica. 
Apesar de já implantada, a Lei Seca ainda não atingiu o seu potencial. É preciso que haja um compartilhamento de responsabilidades entre Estado e sociedade para que os objetivos dessa lei sejam alcançados com maior eficácia. O Estado precisa destinar mais verbas à fiscalização, colocar mais policiais equipados com etilômetros nas vias para que os transgressores da lei sejam devidamente punidos. Também fazem-se necessários investimentos em palestras públicas que mostrem a realidade e o sofrimento das famílias que perderam entes em  acidentes relacionados ao uso de álcool, e os sobreviventes cujas sequelas trouxeram dificuldades crônicas para suas vidas. A Educação no Trânsito deveria ser inserida na grade curricular obrigatória das escolas para que crianças e adolescentes tenham contato e consciência das responsabilidades as quais é preciso ter como motorista, passageiro, ciclista ou pedestre. 
Como dizia Hobbes: "o homem é o lobo do homem". Portanto, a Lei Seca é um mecanismo essencial para que o homem não se torne,ao mesmo tempo, predador e presa de sua própria espécie. 

(Taíssa Gonçalves Leal)

01) Qual é o ponto de vista defendido pela autora do texto na introdução da redação acima?

02) A autora usou alguma citação de autoridade? Justifique sua resposta:

03) Ela fez exemplificação de atitudes humanas para reforçar a defesa de sua tese?

04) Podemos afirmar que houve exemplificação de conhecimentos científicos?

05) Houve alguma avaliação e/ou ressalva? Comente:

06) Na conclusão, que propostas foram apresentadas para solucionar o problema?

07) Qual a função das palavras e expressões destacadas no texto, respectivamente?

08) O título foi bem empregado? Justifique sua resposta: 

09) Que nota você daria em cada uma das cinco competências do ENEM? Justifique cada uma delas:

10) Que nota geral esse texto receberia, na sua opinião sincera? 

Atividade sobre a canção "Xote ecológico", de Luiz Gonzaga


Xote ecológico

Não posso respirar, não posso mais nadar 
A terra está morrendo, não dá mais pra plantar
Se plantar não nasce, se nasce não
Até pinga da boa é difícil de encontrar. 

Cadê a flor que estava aqui?
Poluição comeu.
E o peixe que é do mar?
Poluição comeu. 
E o verde onde que está?
Poluição comeu.
Nem o Chico Mendes sobreviveu. 

(Luiz Gonzaga)

01) Justifique o título da canção, aproveitando para sugerir um outro:

02) Que queixas o eu lírico faz na música? Qual delas você considera mais grave? Por quê?

03) Copie da canção marcas de oralidade:

04) Quem foi Chico Mendes? Por que ele foi citado no texto?

05) Que tipos de poluição são citados na canção? Enumere-os:

06) Qual o sentido do verbo em destaque no texto?

07) O verbo COMER está empregado no sentido denotativo ou conotativo? Justifique sua resposta:

08) Que mensagem a música transmite? Que alerta ela faz?

domingo, 6 de julho de 2014

Atividade com a música "Ai que saudade de Amélia", de Ataulfo Alves


Ai que saudade de Amélia

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem que eu sou um pobre rapaz

Você pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ah, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher!

Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer 
Quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se de fazer?!"

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade 

(Ataulfo Alves e Mário Lago)

01) Copie da canção trechos que confirmam que Amélia virou um sinônimo de mulher amorosa, passiva e serviçal:

02) Explique, com base nos trechos transcritos na questão anterior, o que faz com que Amélia seja vista dessa forma:

03) Esta música foi escrita em 1942. No que a mulher atual difere, basicamente, de Amélia? Você acha isso bom ou ruim? Comente: 

04) Copie da canção  duas interjeições, dizendo que sentimento ou emoção elas expressam:

05) Retire da canção um exemplo de vocativo:

06) A palavra em negrito no quarto verso da primeira estrofe é um adjetivo. Ele indica a condição financeira do eu lírico, a tristeza dele ("coitadismo") ou ambas as coisas? Justifique sua resposta: 

07) Que mensagem podemos extrair desse texto? 

08) Você gostaria de ser uma Amélia? Por quê? / Você gostaria de TER uma Amélia em sua vida? Por quê? 

09) Que crítica se faz à outra mulher, que é comparada à Amélia? Você concorda com ela? Comente:

10) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra destacada na canção:

P.S.: Existe uma música da cantora Pitty que faz um lindo trabalho de intertextualidade com tal música e que vale a pena conferir! Chama-se "Desconstruindo Amélia" e é só clicar no nome da música que o link levará você para a atividade elaborada sobre ela e também disponibilizada aqui no blog!