terça-feira, 24 de junho de 2014

Atividade sobre o texto "A linha assanhada"

A linha assanhada

Era uma linha assanhada. Era tudo e quase nada. 
Era um retângulo, um quadrado, um círculo ou um triângulo. 
Era torta, reta, curva, semi-reta.
Nada sabia sobre Geometria, mas geometrava como ninguém.
Um dia virou cubo, se atrapalhou e quase virou tubo. 
Inventava e desinventava formas. 
Outro dia foi montanha.
Se desmanchou e virou céu. Se cansou e virou mar. 
Se aborreceu e virou sol.
Reta, curva, torta e quase certa. 
Certo dia imitou homem. 
Não gostou e virou bicho. Enrolou e se enroscou. 
Se contorceu pra endireitar.
Se engasgou pra consertar. E embaraçou. 
Virou um tanto de coisas.
Grandes, miúdas.
Acertou e desacertou.
Rolou pra lá e pra cá. 
Virou ponto e sossegou. 
Quando meu nome, num coração ela formou.

(Carlos Jorge)


01) Justifique o título dado ao texto: 

02) Copie do texto um neologismo, explicando seu raciocínio: 

03) Transcreva do texto uma antítese, justificando sua resposta:

04) Que mensagem o texto transmite? Comente:

05) De que passagem você mais gostou? Por quê? 

06) Agora é sua função ilustrar todos os momentos, em forma de um livrinho! Capriche! 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Atividade sobre a música "A seta e o alvo", de Paulinho Moska


A seta e o alvo

Eu falo de amor à vida
Você, de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você, de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta
Te chamo pra festa
Mas você só quer atingir sua meta
Sua meta.

É a seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: “te amo”
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço
Você pisa os pés na terra
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era
E o que era?

Era a seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade
Você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar

Eu corro todos os riscos
Você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade

É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre na meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?

(Paulinho Moska)



01) Em linhas gerais, podemos dizer que a canção contrapõe duas formas de ver a vida? Explique com suas palavras em que consistem essas duas visões:

02) O eu-lírico ilustra essas duas visões sobre a vida com as atitudes de duas pessoas.

a) Identifique um par de versos em que essas atitudes opostas são descritas de forma literal: 
b) Localize e copie um par de versos que, também retratando atitudes opostas, solicitam uma interpretação a partir do sentido conotativo da linguagem: 
c) Traduza as atitudes descritas nesse segundo par de versos para a linguagem denotativa;

03) Nos versos “Sua meta é a seta no alvo / mas o alvo, na certa, não te espera”, o eu-lírico sintetiza o principal argumento para afirmar que uma dessas visões sobre a vida é mais acertada que a outra. Que argumento é esse?

04) Em certa medida, a última estrofe da canção apresenta uma contradição. Explique por quê:

05) Ao contrapor duas visões de mundo a partir de atitudes de duas pessoas, optou-se por usar pronomes pessoais EU e VOCÊ.

a) É possível determinar quem são as pessoas retratadas na canção? 
b) Em que medida o efeito expressivo da canção está relacionado ao uso desses pronomes?

06) Justifique o título da canção, aproveitando para sugerir um outro: 

07) Que mensagem a música lhe transmitiu?

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Atividade sobre o cordel "Emigração e as consequências", de Patativa do Assaré

Emigração e as consequências

Nesse estilo popular
Nos meus singelos versinhos,
O leitor vai encontrar
Em vez de rosas, espinhos.
Na minha penosa lida
Conheço do mar da vida
As temerosas tormentas
Eu sou o poeta da roça
Tenho mão calosa e grossa
Do cabo das ferramentas.

Por força da natureza
Sou poeta nordestino 
Porém só conto a pobreza
Do meu mundo pequenino
Eu não sei contar as glórias
Nem também conto as vitórias
Do herói com seu brasão
Nem o mar com suas águas
Só sei contar minhas mágoas
E as mágoas de meu irmão.
[...]

Meu bom Jesus Nazareno
Pela vossa majestade
Fazei que cada pequeno
Que vaga pela cidade
Tenha boa proteção
Tenha em vez de uma prisão
Aquele medonho inferno
Que revolta e desconsola
Bom conforto e boa escola
Um lápis e o caderno. 

(Patativa do Assaré)

01) Justifique o título dado à poesia: 

02) Que metáforas existem no poema? A que elas se referem? 

03) Copie do texto passagens que revelam humildade do eu lírico: 

04) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

05) Localize no texto:

a) três adjetivos:
b) um pronome demonstrativo:
c) um pronome possessivo:
d) um substantivo próprio:
e) um advérbio de negação: 

Atividade sobre o texto "O homem; as viagens", de Carlos Drummond de Andrade


O homem: as viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno,
Chateia-se na Terra,
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a Lua
Desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
Planta bandeirola na Lua
Experimenta a Lua
Coloniza a Lua
Civiliza a Lua
Humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
Pisa em Marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus
Vê o visto – é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
Proclamar justiça junto com a injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do sola a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
(Carlos Drummond de Andrade)

01) O poeta insere palavras ou expressões da gíria, tornando assim, seu poema bem ao gosto popular.  Substitua as gírias abaixo por palavras equivalentes:

a) ... que lugar quadrado!  
b) O homem funde a cuca... 
c) ... repetir a fossa
d) ... que chato é o Sol. 

02) Ao poeta é facultativo transgredir certas normas. Chama-se isso de licença poética. Sabendo disso, explique o provável motivo para justificar as seguintes construções poéticas no texto de Drummond:

a) Col-onizar: 
b) Con-viver: 

03) Há casos em que o poeta até inventa palavras – neologismos!  Então tente, explorando o contexto, encontrar explicações para as seguintes invenções:

a)  Tever: 
b)  Insiderável: 
c) Dangerosíssimo:  

04) Nos versos de 9 a 13, os verbos aparecem com complementos; nos versos de 18 a 21, sem complementos; nos versos de 29 a 31, nem se mencionam mais os verbos, lê-se apenas “idem” (= a mesma coisa). Claro que o poeta tinha algum motivo para ir suprimindo palavras. O que será que ele quis dar a entender com isso? 

05) À medida em que o homem avança em suas conquistas, o poeta modifica as expressões “desce cauteloso na Lua”, “desce em Marte”, “põe o pé em Vênus”. Qual seria o motivo dessas alterações? 

06)  “O homem, bicho da Terra...” . Por que o poeta empregou o  termo bicho

07) “... se não for a Júpiter proclamar justiça com a injustiça”.  Por que o autor lembra justiça e injustiça em relação a Júpiter, não o fazendo com a Lua, Marte e Vênus? 

08) “...Sol, falso touro espanhol domado”. Por que o Sol é comparado a um “falso touro espanhol domado”? 

09) Releia o poema e responda:

a) Por que o homem parte para a conquista do espaço? 

b) Quais as consequências dessa conquista? 

c)  Qual a ideia central do texto? Que mensagem ele transmite? 

d) Em quantas partes é aconselhável dividir o poema e de que se trata cada uma dessas partes, cada uma dessas viagens? 

10) Responda às perguntas seguintes, justificando bem:

a) O que teria motivado o autor a escrever  o poema? 

b) Você concorda com os gastos exorbitantes para a conquista do espaço? Por quê?

c) O que é mais importante: o homem conquistar outros mundos ou conquistar a si mesmo?  Justifique-se: 

d) Em “...estará equipado?”, de que equipamento o homem precisa para a viagem de “si a si mesmo”? 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Atividade sobre notícia - O que as escolas não ensinam


01) Bill  Gates – o emissor – possui um receptor a quem ele aconselha. Quem é o receptor? Justifique:


02) Bill Gates, em uma conferência sobre “política educacional de vida fácil para as crianças”, aconselha os alunos a respeito da realidade do mundo extra-escolar, para que os mesmos possam tomar uma postura diferente da costumeira em relação à escola. Para tanto, ele se utiliza de verbos no infinitivo e no imperativo. Transcreva dois de cada tipo:

03) Em  uma das regras, Gates se  utiliza da ironia. Ironia é a figura de linguagem por meio da qual se enuncia algo mais do que o contexto permite ao receptor entender o oposto do que se está afirmando, é o mesmo que um deboche, uma crítica que, às vezes, recorre ao humor. Transcreva o trecho irônico.

04) Qual a função da palavra “mas” na regra 8? Justifique:

05) A palavra “assim” das regras 3 e 7 possui o mesmo sentido? Explique:

06) Construa uma frase em que a palavra “disposição” tenha um sentido diferente do que está no texto:

07) O texto pode ser classificado como texto de opinião ou dissertativo–argumentativo. Quem opina no texto e qual é a opinião do autor?

08) Qual das regras você achou mais interessante? Por quê?

09) Qual regra contradiz  a pedagogia da dependência  e/ou a aprovação automática?

10) Crie um parágrafo dissertativo-argumentativo acerca do tema extraído da notícia lida para, em seguida, produzir uma crônica que, de certa forma, dialogue com essa notícia de jornal! Capriche!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Atividade sobre a fábula "O escularápio", de Millôr Fernandes

O escularápio

Um escularápio foi chamado para tratar de uma rica senhora que sofria de catarata. Sendo, porém, desonesto, o nosso querido amigo, sempre que ia visitar a rica velha, furtava-lhe um objeto precioso. Quando acabaram os objetos preciosos, ele começou, despudoradamente, a levar-lhe também os móveis, um a um. 
Afinal, certo dia, não tendo mais o que roubar, deixou de visitar a velha. Mas, não contente com isso, sapecou-lhe em cima uma conta terrível, capaz de abalar mesmo a fortuna do mais rico catarático. 
A velha protestou, dizendo que não pagava, e a coisa foi para o tribunal. E foi no tribunal que a velha declarou o motivo de sua recusa em pagar. Disse: 
"Não posso pagar a conta do senhor escularápio, do doutor médico, porque eu estou com a vista pior do que quando ele começou a me tratar. No início do tratamento eu ainda via alguma coisa. Mas agora não consigo enxergar nem os móveis lá da sala". 

MORAL: A extrema desonestidade acaba visível mesmo para um cego. 
(Millôr Fernandes)

01) Justifique o título dado ao texto acima:, aproveitando para explicar bem o neologismo:

02) Explique por qual processo de formação de palavras ele foi formado:

03) Qual a finalidade discursiva de tal texto? Comente:

04) Copie do texto uma passagem que contém ironia, explicando seu raciocínio:

05) Dê um sinônimo para o advérbio destacado no texto, aproveitando para classificá-lo:

06) Que mensagem o texto transmite?

07) Posicione-se com relação à moral presente no texto:

08) Podemos afirmar que o texto é uma fábula? Justifique sua resposta:

09) Explique a presença das aspas no texto:

10) Crie uma espécie de final para o texto em questão:

11) O que ficou subentendido na fala da velhinha? O que isso revela?

12) Localize no texto:

a) três adjetivos:
b) um numeral:
c) um artigo definido:
d) um advérbio de negação:
e) um advérbio de intensidade:
f) um pronome possessivo:
g) um advérbio de lugar: