segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Atividade com o texto "Elonomio foi para a virla"

Elonomio foi para a virla

Elonomio era um crode delinado com a situação do místiro. Um dia, asterilando pela cidade, ele decidiu que não mais queria xuvarir no Brasil. Rufocou com vários amigos antes de revuar a decisão. Um deles falou sobre as rivales da Itália; outro disse que Portugal seria zimber. Mas, dentre todos os místiros da Virla, Elonomio tinha especial abrunato pela Alemanha. Foi assim que em 1985 ele decidiu ir duvinar lá. Hoje, Elo não é mais um chito delinado. Holeste trabalha com estiro milo numa grande sístia e tem um fito com liber salário. Elonomio está envelenido com uma bela crodiro e até é fati de dois crodinhos alemães. 

(Autor desconhecido)

01) Circule no texto todas as palavras desconhecidas: 

02) Tente substituir cada uma dessas palavras circuladas por palavras existentes em nossa Língua e que façam o texto ter sentido: 

domingo, 27 de outubro de 2013

Atividade sobre o texto "Tentação", de Clarice Lispector

Tentação

Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
Mas ambos eram comprometidos.
Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.
(Clarice Lispector)

01) Justifique o título do texto acima, aproveitando para sugerir um outro:

02) Quem são as personagens principais e como elas são? 

03) Onde se passa a história e como é esse lugar?

04) Qual frase do texto mostra algo marcante do cenário?

05) O que a frase “Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária” revela sobre o conflito da menina? 

06) Se a frase acima se refere à menina, por que o adjetivo RUIVO está no masculino?

07) Em “O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida”, do que a bolsa salvava?

08) Considerando as características da bolsa, ela era boa companhia para a menina?

09) Por que o narrador se refere ao cão como “um irmão em Grajaú”?

10) Qual trecho do texto mostra que o cachorro também se identifica com a menina?

11) O que o cachorro pode representar no texto?

12) O que significa a frase “Mas ambos eram comprometidos”? Comprove sua resposta da questão anterior com frases do texto:

13) Levando em consideração a relação entre o cachorro e a menina, e o fato de que ambos eram comprometidos, explique o que o título “Tentação” poderia indicar:

14) Qual seria o tema principal do texto? Justifique sua resposta:

15) Na sua opinião, é melhor que as pessoas sejam diferentes umas das outras, ou o ideal seria que todos fossem iguais? Por quê? 

16) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Atividade sobre o poema "A montanha", de Olavo Bilac

A montanha

Calma, entre os ventos, em lufadas cheias 
De um vago sussurrar de ladainha,
Sacerdotisa em prece, o vulto alteias
Do vale, quando a noite se avizinha.

Rezas entre os desertos e as areias
Sobre as florestas e a amplidão marinha,
E, ajoelhadas, rodeiam-te as aldeias,
Mudas servas aos pés de uma rainha. 

Ardes em holocausto de ternura,
E abres, piedosa, a solidão bravia
Para as águias e as nuvens, a acolhê-las

E invades, como num sonho, a imensa altura
-- Última a receber o adeus do dia
Primeira a ter a bênção das estrelas. 

(Olavo Bilac) 

01) Justifique o título dado ao poema acima:

02) Copie do texto uma comparação, explicando-a:

03) Transcreva do poema um par de antítese, justificando seu raciocínio:

04) Por que o texto é um soneto?

05) Que mensagem o poema transmite? Comente:

06) O emprego do adjetivo que inicia o soneto nos dá a ideia:

(A) da altura da montanha
(B) da beleza da montanha
(C) da grandiosidade da montanha
(D) da imobilidade da montanha

07) A passagem "... um vago sussurrar de ladainha" nos leva a pensar:

(A) no murmúrio das folhas sacudidas pelo vento.
(B) na altitude de prece das pessoas quando escalam uma montanha.
(C) na prece que todos fazem na hora da Ave-Maria.
(D) no vôo rasante das águias pelas copas das árvores.

08) Se abrirmos um dicionário, veremos que montanha é "uma grande massa de terra ou de rocha elevada acima do terreno que a cerca", portanto, a montanha de Olavo Bilac é: 

(A) possível.
(B) pura ficção.
(C) real.
(D) cópia da natureza. 

09) Assinale a expressão utilizada pelo autor que nos dá a ideia das dificuldades impostas pela natureza aos que desejam escalar uma montanha: 

(A) "... o vulto alteias"
(B) "... os desertos e as areias"
(C) "a solidão bravia"
(D) "ardes em holocausto de ternura"

10) Na passagem "E invades, como num sonho, a imensa altura", a palavra destacada significa que: 

(A) a montanha tende sempre a crescer para as alturas. 
(B) somente através do sonho podemos atingir o infinito.
(C) o homem, conquistando a Lua, superou os nossos sonhos.
(D) as naves espaciais resolveram os problemas e desejos do homem. 

11) Há um grupo de palavras essencialmente religiosas que o autor emprega em sentido comparativo no texto e trata-se de:

(A) sacerdotisa, prece, vulto, rezas.
(B) rezas, piedosa, ajoelhadas, bênção
(C) sacerdotisa, solidão, prece, adeus
(D) piedosa, ajoelhadas, bênção, estrelas

12) Daí se conclui que o poeta deve ou pode:

(A) pensar sempre em coisas possíveis.
(B) trabalhar com a imaginação, criando coisas acima das reais. 
(C) copiar a natureza como esta se apresenta.
(D) fotografar o real como uma câmera cinematográfica.