terça-feira, 27 de agosto de 2013

Atividade sobre a crônica "Aprenda a chamar a polícia", de Luís Fernando Veríssimo

Aprenda a chamar a polícia

Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente. 
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. 
Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível. 
Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:
-- Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro de escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara! 
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos Direitos Humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo. 
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia. 
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
-- Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
-- Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.
(Luís Fernando Veríssimo)


01) Justifique o título dado à crônica:

02) Por que o narrador não ficou com medo do ladrão? O que você faria no lugar dele?

03) Por que você acha que falaram que não tinha nenhuma viatura por perto?

04) Com que intenção o narrador diz para a polícia que matou o ladrão? Funcionou? O que isso revela?

05) Você acha que a história foi real ou ficção? Por quê?

06) Que mensagem a crônica transmite?

07) Transcreva do texto um trecho carregado de humor, explicando:

08) Localize na crônica uma passagem que contenha ironia, justificando sua escolha:

09) Copie do texto três numerais, dizendo a importância deles para o contexto:

10) Que críticas sociais aparecem no texto? A quem? Justifique sua resposta:

11) Localize na crônica:

a) um advérbio de intensidade:
b) dois advérbios de modo:
c) um advérbio de lugar:
d) um advérbio de negação:
e) dois advérbios de tempo:
f) um advérbio de dúvida:

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Atividade sobre o texto "A casa dos pronomes", de Monteiro Lobato

A casa dos pronomes

-- Chega de Adjetivos -- gritou a menina. -- Eu não sei por que tenho grande simpatia pelos Pronomes, e queria visitá-los já. 
-- Muito fácil -- respondeu o rinoceronte. -- Eles moram naquelas casinhas aqui defronte. A primeira, e menor, é a casa dos Pronomes Pessoais. 
-- Ela é tão pequena... -- admirou-se Emília. 
-- Eles são só um punhadinho, e vivem lá como em república de estudantes. 
E todos se dirigiram para a casa dos Pronomes Pessoais enquanto Quindim ia explicando que os pronomes são palavras que também não possuem pernas e só se movimentam amarradas aos Verbos. 
Emília bateu na porta -- toque, toque, toque. 
Veio abrir o Pronome Eu.
-- Entrem, não façam cerimônia. 
Narizinho fez as apresentações. 
-- Tenho muito gosto em conhecê-los -- disse amavelmente o Pronome Eu. -- Aqui na nossa cidade o assunto do dia é justamente a presença dos meninos e deste famoso gramático africano. Vão entrando. Nada de cerimônias. E em seguida:
-- Pois é, meus caros. Nesta república vivemos a nossa vidinha, que é bem importante. Sem nós os homens não conseguiriam entender-se na terra.
-- Todas as outras palavras dizem o mesmo -- lembrou Emília.
-- E nenhuma está exagerando -- advertiu o Pronome Eu. Todas somos por igual importantes, porque somos por igual indispensáveis à expressão do pensamento dos homens. 
-- E os seus companheiros, os outros Pronomes Pessoais? -- perguntou Emília. 
-- Estão lá dentro, jantando. 
À mesa do refeitório achavam-se os pronomes Tu, Ele, Nós, Vós, Eles, Ela e Elas. Esses figurões eram servidos pelos Pronomes Oblíquos, que tinham o pescoço torto e lembravam concundinhas. Os meninos viram lá o Me, o Ti, o Migo, o Nos, o Te, o Tigo, o Vos, o Vosco, o O, o A, o Lhe, o Se, o Si e o Sigo -- quinze Pronomes Oblíquos. -- Sim senhor! Que luxo de criadagem! -- admirou-se Emília. -- Cada pronome tem a seu serviço vários criadinhos oblíquos... 
-- E ainda há outros serviçais, os Pronomes de Tratamento -- disse Eu. -- Lá no quintal estão tomando sol os Pronomes Fulano, Sicrano, Você, Vossa Senhoria, Vossa Excelência, Vossa Majestade e outros. -- E para que servem os senhores Pronomes Pessoais? -- perguntou a menina. 
-- Nós -- respondeu Eu -- servimos para substituir os Nomes das pessoas. Quando a Senhorita Narizinho diz Tu, referindo-se aqui a esta senhora boneca, está substituindo o Nome Emília pelo pronome Tu. 
Os meninos notaram um fato muito interessante -- a rivalidade entre o Tu e o Você. O pronome Você havia entrado do quintal e sentara-se à mesa com toda a brutalidade, empurrando o pobre pronome Tu do lugarzinho onde ele se achava. Via-se que um Pronome muito mais moço que Tu, e bastante cheio de si. Tinha ares de dono da casa.
-- Que há entre aqueles dois? -- perguntou Narizinho. -- Parece que são inimigos... 
-- Sim -- explicou o Pronome Eu. O meu velho irmão Tu anda muito aborrecido porque o tal Você apareceu e ainda a atropelá-lo para lhe tomar o lugar. 
-- Apareceu como? Donde veio?
-- Veio vindo... No começo havia o tratamento Vossa Mercê, dado aos reis unicamente. Depois passou a ser dado aps fidalgos e foi mudando de forma. Ficou uns tempos Vossemecê e depois passou a Vosmecê e finalmente como está hoje -- Você, entrando a ser alicado em vez do Tu, no tratamento familiar ou caseiro. No andar em que vai, creio que acabará expulsando o Tu para o bairro das palavras arcaicas, porque já no Brasil muito pouca gente emprega o Tu. Na língua inglesa aconteceu uma coisa assim. O Tu lá se chamava Thou e foi vencido pelo You, que é uma espécie de Você empregado para todo mundo, seja grande ou pequeno, pobre ou rico, rei ou vagabundo. -- Estou vendo -- disse a menina -- que não tirava os olhos de Você. Ele é moço e petulante, ao passo que o pobre Tu parece estar sofrendo de reumatismo. Veja que cara triste o coitado tem...
-- Pois o tal Tu -- disse Emília -- o que deve fazer é ir arruando a trouxa e pondo-se ao fresco. Nós lá no sítio conversando o dia inteiro e nunca temos ocasião de empregar um só Tu, salvo na palavra Tatu. Para nós o Tu já está velho coroca. 
E mudando de assunto:
-- Diga-me uma coisa, Senhor Eu. Está contente com a sua vidinha?
-- Muito -- respondeu Eu. -- Como os homens são criaturas sumamente egoístas, eu tenho vida regalada, porque represento todos os homens e todas as mulheres que existem, sendo pois tratado dum modo especial. Creio que não há palavra mais usada no mundo inteiro do que Eu. Quando uma criatura humana diz Eu, baba-se de gosto porque está falando de si própria. 

(Monteiro Lobato - "Emília no país da Gramática")

01) Justifique o título do texto acima:

02) Quais são os pronomes pessoais citados no texto e para que eles servem?

03) O que os diferencia dos pronomes oblíquos? Por que estes são considerados serviçais? 

04) Por que os pronomes não possuem pernas? O que eles fariam se as tivessem?

05) Copie do texto uma onomatopeia, explicando a que ela se refere:

06) Circule no texto um exemplo de vocativo, explicando seu raciocínio:

07) Há, no texto, uma palavra em negrito e observe que ela se encontra no grau diminutivo. O que ele revela: ironia, descaso, tamanho ou afeto? Por quê? 

08) Baseando-se na afirmação destacada no texto, relacione cada pronome pessoal do caso reto a seus respectivos serviçais (pronomes pessoais do caso oblíquo): 

09) Que pronome de tratamento, segundo o texto, sofreu algumas transformações? Explique-as: 

10) Por que o Tu e o Você são rivais? Qual dos dois é mais usado? 

11) Transcreva do texto três pares de antíteses, explicando seu raciocínio:

12) Para que é citada a língua inglesa no texto? Explique:

13) Por que o nome de todos os pronomes foi escrito com letra inicial maiúscula? 

14) O que você aprendeu com esse texto? 

Atividade sobre receita "Sanduíche de atum com maçã"

Sanduíche de atum com maçã

Ingredientes:

- 1 lata pequena de atum
- 1 colher (sopa) de azeite de oliva
- 1 pitada de pimenta-do-reino branca
- 1 maçã Fuji
- 1 colher (sopa) de vinagre de vinho branco
- 4 folhas de alface crespa
- 1 pão médio
- sal a gosto

Modo de fazer: 

Coloque em uma tigela o atum, o azeite de oliva, a pimenta-do-reino e o sal. Mexa vagarosamente com uma colher até obter uma mistura homogênea. Reserve. Lave a maçã, seque-a, corte-a em fatias finas e coloque-as em outra tigela. regue-as com o vinagre e reserve. Lave as folhas de alface, seque-as com toalha de papel. Reserve. Abra o pão no sentido horizontal. Em uma das metades, disponha as folhas de alface e as fatias de maçãs. Espalhe a pasta de atum e feche o sanduíche. Agora é só comer! 

Rendimentos: 

4 porções 


01) Você deverá ilustrar a comida presente nesta receita: 

02) Circule todos os verbos no modo imperativo encontrados na receita:

03) A receita foi clara? Houve alguma dúvida de como colocar em prática? Se sim, qual?

04) Tente fazer essa receita e, em seguida, diga que nota você daria a ela: 

Atividade sobre a crônica "Vó caiu na piscina", de Carlos Drummond de Andrade

Vó caiu na piscina

Noite na casa da serra, a luz apagou. Entra o garoto:
-- Pai, vó caiu na piscina.
-- Tudo bem, filho.
O garoto insiste:
-- Escutou o que eu falei, pai?
-- Escutei, e daí? Tudo bem.
-- Cê não vai lá?
-- Não estou com vontade de cair na piscina.
-- Mas ela tá lá...
-- Eu sei, você já me contou. Agora deixe seu pai fumar um cigarrinho descansado.
-- Tá escuro, pai.
-- Assim até é melhor.  Eu gosto de fumar no escuro. Daqui a pouco a luz volta. Se não voltar, dá no mesmo.  Pede à sua mãe pra acender a vela na sala. Eu fico aqui mesmo, sossegado.
-- Pai...
-- Meu filho, vá dormir. É melhor você deitar logo. Amanhã cedinho a gente volta pro Rio, e você custa muito a acordar. Não quero atrasar a descida por sua causa.
-- Vó ta com uma vela.
-- Pois então? Tudo bem. Depois ela acende.
-- Já tá acesa.
-- Se está acesa, não tem problema. Quando ela sair da piscina, ela pega a vela e volta direitinho pra casa. Não vai errar o caminho, a distância é pequena, e você sabe muito bem que sua avó não precisa de guia.
-- Por que cê não acredita no que eu digo?
-- Como não acredito? Acredito sim.
-- Cê não tá acreditando.
-- Você falou que a sua avó caiu na piscina, eu acreditei e disse: tudo bem. Que é que você queria que eu dissesse?
-- Não, pai, cê não acreditou ni mim.
-- Ah, você está me enchendo. Vamos acabar com isso. Eu acreditei, viu? Estou te dizendo que acreditei. Quantas vezes você quer que eu diga isso? Ou você acha que estou dizendo que acreditei, mas estou mentindo? Fique sabendo que seu pai não gosta de mentir.
-- Não te chamei de mentiroso.
-- Não chamou, mas está duvidando de mim.  Bem, não vamos discutir por causa de uma bobagem. Sua avó caiu na piscina, e daí? É um direito dela. Não tem nada de extraordinário cair na piscina. Eu só não caio porque estou meio resfriado.
-- Ô, pai, cê é de morte!
O garoto sai, desolado. Aquele velho não compreende mesmo nada. Daí a pouco chega a mãe:
-- Eduardo, você sabe que dona Marieta caiu na piscina?
-- Até você, Fátima? Não chega o Nelsinho vir com essa ladainha?
-- Eduardo, está escuro que nem breu, sua mãe tropeçou, escorregou e foi parar dentro da piscina, ouviu?  Está com a vela acesa na mão, pedindo que tirem ela de lá, Eduardo! Não pode sair sozinha, está com a roupa encharcada, pesando muito, e, se você não for depressa, ela vai ter uma coisa! Ela  morre, Eduardo!
-- Como? Por que aquele diabo não me disse isto? Ele falou apenas que ela tinha caído na piscina, não explicou que ela tinha tropeçado, escorregado e caído!
Saiu correndo, nem esperou a vela, tropeçou, quase que ia parar também dentro d´água:
-- Mamãe, me desculpe! O menino não me disse nada direito. Falou só que a senhora caiu na piscina. Eu pensei que a senhora estava se banhando.
-- Está bem, Eduardo – disse dona Marieta, safando-se da água pela mão do filho, e sempre empunhando a vela que conseguira manter acesa. – Mas de outra vez você vai prestar mais atenção no sentido dos verbos, ouviu? Nelsinho falou direito, você é que teve um acesso de burrice, meu filho!
(Carlos Drummond de Andrade)

 01)  “Mas de outra vez você vai prestar mais atenção no sentido dos verbos, ouviu?”
        Se você prestou bastante atenção ao sentido dos verbos, explique o significado do verbo CAIR em cada uma das frases seguintes: 

a) Pai, vó caiu na piscina. 
b) Não estou com vontade de cair na piscina.

02) Quando você leu logo o título do texto, como você havia entendido o verbo cair? Com o sentido da letra A ou da B? Por quê?  

03) Quantas personagens temos no texto? Qual o nome de cada um deles? Explique por alto quem é quem: 

04)  Onde aconteceu o episódio contado pelo cronista?  O que havia acontecido de especial no momento em que começou a história?  

05)  No texto, predomina o diálogo. Observe os sinais de pontuação e responda:

a)  Para que servem os dois-pontos?  
b)  Para que serve o travessão?

06) Copie do texto três exemplos da linguagem falada no dia-a-dia e que devem ser evitadas na escrita, adequando-as:  

07) Circule no texto dois exemplos de vocativo, explicando como os descobriu: 

08) Existe alguma interjeição no texto? Se sim, transcreva-a:  

09) Crie uma frase para o final do texto, para o filho responder à mãe. Você deverá utilizar obrigatoriamente um exemplo de sujeito composto nela! 

10) Que outro título você daria ao texto? 

11) O que você aprendeu com a leitura do texto? 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Atividade com a música "Beija eu", de Arnaldo Antunes e Marisa Monte



Beija eu

Seja eu, seja eu
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu.
Então deita e aceita eu.

Molha eu, seca eu
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu.

Beija eu, beija eu
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...

Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...

Seja eu, seja eu
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...

(Arnaldo Antunes e Marisa Monte)

01) Justifique o título empregado na canção: 

02) Há, na letra de música, pelo menos dois desvios, segundo a norma culta da Língua. Cite-os, “consertando” os mesmos:

03) Você acha que esse tipo de desvio é prejudicial à clareza da mensagem? Explique:

04) Esses desvios revelam necessariamente desconhecimento das regras da modalidade escrita? Onde, no texto, ele revela conhecer o uso do pronome oblíquo ME?

05) Transcreva do texto dois pares de antíteses, explicando o sentido nos versos:

06) Que mensagem se pode extrair de tal texto? Explique: