terça-feira, 30 de abril de 2013

Atividade sobre o texto "Composição: Salário mínimo", de Jô Soares


Composição: Salário Mínimo

O salário mínimo é tão pequenininho que cabe até no meu bolso, é por isso que ele é chamado de mínimo, que quer dizer que menor não tem. 
meu pai diz que o salário mínimo é um dinheiro que não serve pra nada, mas na televisão o moço disse que só poder ser isso mesmo, e está acabado. Meu pai quase quebrou a televisão depois que o moço falou.
Meu pai anda chamando o salário mínimo de um outro nome, mas eu não vou dizer aqui, porque outro dia eu disse esse nome no recreio e a professora me deixou de castigo. 
O salário mínimo deve ser muito engraçado, porque quando falaram que ele tinha aumentado, lá em casa todo mundo deu risada. 
Meu pai disse que uma vez um homem que era presidente falou que se ganhasse salário mínimo dava um tiro na cabeça, mas eu acho que ele estava brincando, porque quem ganha salário mínimo não tem dinheiro pra comprar revólver. 
O meu pai não ganha salário mínimo, mas com o que ele ganha também não dá pra comprar muitos revólveres, a não ser de brinquedo e só de vez em quando. 
O meu avô é aposentado. Ele não faz nada, mas parece que já fez. Ouvi dizer que o salário mínimo não aumentou mais por causa dele. Eu não sabia que o meu avô era tão importante. Minha avó não é aposentada. Também, ela é muito velhinha, não dá pra ser mais nada. 
Lá em casa falaram que com esse salário minimo não vai dar mais pra comprar a cesta básica. Eu não sei muito bem o que é a cesta básica, mas parece que tem comida dentro. Se for, é só diminuir bastante o tamanho da cesta que aí cabe tudo. 
Ouvi meu tio desempregado dizendo que tem um livro chamado Constituição, onde está escrito que com o salário mínimo a pessoa tem que comer, morar numa casa, andar de condução, se vestir e uma porção de coisas. Coitado do meu tio. A falta de emprego está deixando ele doidinho. 
Quando eu crescer, não vou querer salário mínimo, mesmo que seja o dobro. Parece que ele é tão pequeno que mesmo que seja o dobro ele continua mínimo. 
A minha mesada é muito pequena, mas inda bem que ninguém inventou a mesada mínima, porque com o que a minha mãe me dá quase não dá pra comprar figurinha. 
Pronto. Isso é o que eu penso do tal salário mínimo. Espero que a professora dê uma boa nota porque ela é muito boazinha e merece ganhar muito mais do que todos os salários mínimos juntos.
Só mais uma coisa: se eu fosse presidente da República mudava o salário mínimo para um salário bem grande e chamava ele de salário máximo.
(Jô Soares)


01) Justifique o título dado ao texto, sugerindo um outro:

02) Por que podemos afirmar que o autor transgride o gênero textual chamado de crônica? Comente:

03) Enumere argumentos para que o texto seja considerado um exercício de redação:

04) Enumere argumentos para que o texto não seja considerado um exercício de redação escolar:

05) Que gênero textual serviu de base para o autor? Por que você acha que ele escolheu tal gênero?

06) Que efeitos ele procurou com essa escolha? Explique:

07) Que sequência tipológica é a predominante nesse texto? Por quê?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Atividade sobre a música "O cio da terra", de Milton Nascimento e Chico Buarque de Holanda


O cio da terra

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão.

(Milton Nascimento e Chico Buarque de Holanda) 

01) Justifique o título empregado na canção acima:

02) Em que sentido a expressão "cio da terra" foi utilizado?

03) Todos os verbos do texto estão no infinitivo. O que isso indica?

04) Explique se o verbo destacado no texto encontra-se no sentido denotativo ou conotativo:

05) Que mensagem a música transmite?

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Atividade sobre a obra "Futebol" - Cândido Portinari (1935)


01) O que as crianças estão fazendo?

02) A obra dá ideia de algo estático ou em movimento? Justifique sua resposta:

03) Justifique o título dado à obra, aproveitando para sugerir um outro:

04) O que a predominância da cor vermelha revela?

05) Justifique a presença dos animais na tela, mencionando se eles estão ou não interagindo com as crianças:

06) O que a cruz provavelmente está ali simbolizando?

07) Trata-se de um cenário rural ou urbano? Justifique sua resposta:

08) O que as árvores cortadas estão fazendo ali? O que isso simboliza?

09) Qual a preocupação política e social de Portinari em tal obra? Comente:

10) Que sentimentos e impressões a pintura desperta em você? 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Atividade sobre o texto "Surpresa no ar", de Luiz Galdino

Surpresa no ar

A mulher batia de tal forma o ferro contra a peça de roupa, que o filho não conseguia se concentrar na lição de casa. Geninho afastou a vista do caderno e ficou observando: os lábios comprimidos, a boca riscada de pequenas rugas verticais não deixavam dúvida: a mãe estava prestes a estourar.
-- Já terminou a lição? -- perguntou ela, pressentindo o olhar do filho. 
-- Não... Ainda não.
-- Que está esperando?
O garoto ajustou a caneta entre os dedos e voltou a examinar as questões. Entretanto, por mais que se esforçasse, a página do caderno permanecia em branco. Não conseguiria preenchê-la sem ajuda. 
O problema da mãe era outro. 
-- Parece castigo! -- reclamou ela, cheirando uma camisa. -- Quanto mais lavo, mais cheira! 
No seu canto, Geninho adivinhava que logo sobraria para o pai. E não demorou a ouvir a confirmação:
-- Eu juro que não entendo! O Eugênio trabalha feito um cavalo e não consegue tirar a gente desse buraco! 
-- Ele disse que a situação está difícil... -- defendeu o garoto.
-- É... Seu pai fala... E enquanto ele fala, os vizinhos progridem! -- retrucou ela, batendo na calça. 
-- Ele não se anima porque sabe que a senhora não gosta daqui. 
-- Não gosto mesmo! Tão perto de São Paulo, de São Bernardo, e a gente tinha que vir parar num buraco desses, onde o sol aparece uma vez por semana?!
Na cabeça da mãe, o pai se transformava no culpado até pelos dias de inverno. E se no verão os dias fossem muito quentes, ela o culparia também. 
-- O Eugênio não tem ambição. E quem não tem ambição não consegue nada! Como não ouvisse resposta, prosseguiu:
-- Vá lá fora e veja. Quero cair durinha se ele não estiver com o cigarrinho entre os dedos e a cabeça na lua! 
Geninho riu e aproveitou a sugestão para abandonar a tarefa. A caminho da porta pensou no quanto os dois se conheciam. E concordava com a imagem. O pai estaria sentado na banqueta de tronco, com o cigarro entre os dedos, o olhar perdido na direção da mata serrana ou tentando descobrir uma estrela entre a névoa úmida. 
Desta vez, porém, a vida pregou-lhe uma peça. Assim que botou os pés fora de casa, percebeu o engano. A surpresa não poderia ser maior. 
Parado no meio do quintal, o pai olhava para o alto. Entretanto não era uma estrela que ele observava, nem a lua. Sobre sua cabeça, a uma altura pouco superior à do telhado, oscilava levemente o estranho objeto luminoso. 
-- Pai, o que é isso? -- interrogou Geninho, admirado, agarrando-o pela cintura. 
-- Quieto, filho... Fique quieto...
Colado ao corpo do pai, Geninho levantou a vista até o ponto onde o objeto flutuava. O coração batia como um tambor e o corpo tremia de cima a baixo. A curiosidade, porém, venceu. Jamais havia visto algo semelhante. A parte inferior do objeto tinha a forma de uma bacia reluzente; e, em volta, luzes coloridas vermelhas, alaranjadas e amarelas, piscavam sem parar. 
-- Pai, isso aí... Isso aí parece...
-- Não digo nada, Geninho.
Ouviram, então, um zunido surdo, pouco mais que a vibração de um elástico distendido ou um zunzum de colmeia. Ao mesmo tempo as luzes coloridas começavam a piscar mais rápido, transformando-se num facho muito claro e brilhante. 
O objeto subiu verticalmente uns poucos metros, sem qualquer ruído que indicasse deslocamento. Em seguida, vibrou, como se fosse arrebentar em mil estilhaços, e desapareceu numa velocidade louca, raspando as árvores da Serra do Mar. 
(Luiz Galdino)

01) Justifique o título dado ao texto acima:

02) Posicione-se sobre a passagem destacada no texto, argumentando:

03) Circule todos os vocativos presentes no texto, explicando seu raciocínio:

04) Localize no texto uma antítese, justificando sua resposta:

05) Transcreva do texto uma comparação, explicando-a:

06) Copie do texto uma passagem com ideia de proporcionalidade:

07) Copie uma hipérbole do texto, explicando-a:

08) O que se pode deduzir do relacionamento da mãe e do pai de Geninho? Eles viviam bem? Comprove sua resposta com passagens do texto: 

09) Como você acha que o menino se sentia em relação aos pais? Comente, comprovando com passagens do texto:

10) Você acha que a mãe está certa ao atribuir a culpa da situação da família ao pai? Por quê?

11) Que objeto o pai e o filho viram no céu? Você acredita nisso? Justifique sua resposta:

12) Que mensagem o texto transmite?

Atividade sobre o texto "Soneto de contrição", de Vinícius de Moraes


 Soneto de contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa 

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

(Vinícius de Moraes)

01)  Justifique o título dado ao texto acima:

02) Por que o texto é um soneto?

03) Esse poema situa a mulher num plano superior, endeusada, e reserva ao sujeito poético masculino um papel submisso. A que tipo de cantiga medieval ele se assemelha? Por quê? 

04) Circule no texto um vocativo, explicando sua importância para o contexto:

05) Copie do poema uma passagem que dá ideia de proporcionalidade, explicando sua escolha:

06) Transcreva do texto uma comparação, justificando-se:

07) Localize no soneto uma metáfora, explicando o seu raciocínio:

08) Que mensagem o poema transmite?

Atividade sobre o texto "Meninos da periferia", de Sylvio Barreto

Meninos da periferia

Com a volta das eleições no Brasil, o Dr. Samuel candidatou-se a prefeito e foi eleito. 
Passado o primeiro impacto, Samuel ouviu a voz do subconsciente: "Samuel, e agora, o que você vai fazer?"
Nesse dia, prometeu a si mesmo: vou dar de mim tudo o que puder e farei um trabalho honesto para melhorar a vida do pessoal de Ibiraquera. 
Tomada a posse, convocou os vereadores eleitos, que se prontificaram a ajudá-lo no que fosse possível. Além disso, reuniu os moradores da cidade para discutir com eles as necessidades mais urgentes. 
Dona Rosinha, como era agora chamada, também estava se mexendo, reunindo as donas de casa, com a mesma finalidade.
Isso possibilitou o entrosamento de todos, para a salvação de Ibiraquera. As coisas começaram a acontecer... 
Ibiraquera não tinha médico nem no posto de saúde. Era o "seu" Bento, antigo proprietário da única farmácia, quem receitava tudo. Dentista também não havia. Professores, apenas três possuíam curso de magistério. 
Mesmo assim, Dr. Samuel e Dona Rosinha não desistiram e, reunião após reunião, veio o primeiro médico, já aposentado, primo de um dos moradores. Depois, um jovem dentista. 
Assim, devagar, o Dr. Samuel foi conseguindo profissionais de grau técnico para atender a população.
Entretanto, o que entristecia Dona Rosinha era que nenhum filho dela voltava com grau superior. 
Após uma pesquisa, verificou-se que os jovens que iam para as grandes cidades marginalizavam-se, por falta de instrução. 
Dona Rosinha comentou isso com o marido, pois precisavam mudar a  situação, para que os jovens da cidadezinha conseguissem melhores condições de vida e pudessem voltar para Ibiraquera, formados e trazendo reforço técnico e cultural. 
Dona Rosinha também comentou com o marido que havia muitas crianças na rua, sem nada para fazer, principalmente as da periferia, que aguardavam chegar aos quinze anos, a fim de irem para a cidade grande. Em busca de quê? 
Alguns dias após a reunião com os professores e vendo a necessidade dos alunos, o Dr. Samuel teve a feliz ideia de criar o "dia do padrinho". Padrinho? O que é isso?
Convocou os vereadores e toda a comunidade do comércio e demais autoridades e expôs o seu plano. Propôs que cada cidadão, que pudesse, aceitasse ser o padrinho de uma criança carente da escola ou da rua. Caberia ao padrinho orientar, olhar e manter o pequeno até sua formação. Isto até os quinze anos, e se fosse possível até mais para frente. Aquele que se destacasse deveria ser encaminhado e mantido na escola superior. 
Com o tempo, inúmeros jovens formados voltariam e contribuiriam para o progresso de Ibiraquera. A maioria da população concordou e dentro de cinco dias não se viam mais meninos vadiando e mendigando pelas ruas. O que se via era um vaivém de pequenos garotos e garotas desfilando com seus uniformes e livros debaixo do braço. 
Ibiraquera já começava a se tornar mais alegre e a população, mais unida e interessada, a mostrar os dotes de seus afilhados. 

(Sylvio Barreto)


01) Justifique o título do texto acima, aproveitando para sugerir um outro:

02) O que seria ouvir "a voz do subconsciente"? Você costuma ouvir muito a sua? Quando? 

03) Havia, na cidade, muitos problemas para se resolver? Quais, por exemplo? 

04) Quais eram as duas preocupações de Dona Rosinha, a esposa do prefeito? 

05) O que era o "dia do padrinho"? O que você achou dessa ideia? 

06) Que avaliação você faz do prefeito Dr. Samuel? Gostaria de tê-lo em sua cidade? Por quê? 

07) Justifique as aspas utilizadas no texto: 

08) Circule no texto um vocativo: 

09) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

10) Localize no texto:

a) dois substantivos próprios:
b) dois numerais, classificando-os:
c) um advérbio de intensidade:
d) dois adjetivos:
e) um advérbio de negação:
f) dois advérbios de tempo:
g) um pronome possessivo: 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Atividade sobre a música "Codinome Beija-Flor", do Cazuza


Codinome Beija-Flor

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-Flor
Não responda nunca, meu amor(nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-Flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

(Cazuza)

01) Justifique o título da canção, aproveitando para sugerir um outro:

02) Que informação os três primeiros versos nos trazem?

03) Que pessoas estão envolvidas nesse caso amoroso? Cite palavras do texto que comprovam sua resposta: 

04) Você acha que é possível "ficar amigos sem rancor" depois que o amor acaba? Justifique:

05) O motivo não é revelado claramente. O texto fornece alguma pista a respeito desse motivo? Qual? Que motivo seria esse?

06) Por que o motivo do rompimento não é revelado? Afinal, interessa ao eu lírico falar de quê?

07) Explique a ironia presentes nos versos em destaque no texto: 

08) Com que sentido o verbo DESTILAR foi usado na canção?

09) A passagem "Desperdiçando o meu mel / Devagarinho, flor em flor" encontra-se no sentido denotativo ou conotativo? Por quê?

10) O que sgnifica alguém ter "terceiras intenções"? 

11) Apesar de não sabermos exatamente de que o eu lírico protegia a pessoa, o fato de usar um codinome nos leva a pensar em quê?

12) Em que trecho há uma referência à fuga provocada pela dor? 

13) O que significa a metáfora do verso "dizer segredos de liquidificador"?

14) Que mensagem a música transmite? Comente: