quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Atividade sobre o texto "Yes, nós temos Haloween", de Roberto Pompeu de Toledo


Yes, nós temos Halloween

Agora sim. Agora vamos. Um importante passo no rumo da inserção do Brasil no Primeiro Mundo foi dado nos últimos anos com o início da celebração, por aqui, da festa conhecida como Halloween. Sim, já há Halloween no Brasil. Em pleno Brasil lindo e trigueiro, para não dizer inzoneiro, este Brasil brasileiro, terra de vatapá, caruru e munguzá, havia na semana passada lojas vendendo roupas e chapéus de bruxa. Escolas promoviam festas alusivas à data. Casas noturnas anunciavam bailes comemorativos.


Crianças invadindo as casas e pedindo doces, senão fazem malvadezas: "Me dê um trato ou faço uma traquinagem!" Abóboras ocas, chapéus cônicos, vassouras voadoras. Dá para acreditar que isso esteja ocorrendo no Brasil, até ontem tão atrasado? Para os leitores que não sabem o que é Halloween, pois nem tudo é perfeito, ainda, no Brasil, trata-se daquele evento, na véspera do Dia de Todos os Santos, com o qual os americanos celebram o Dia das Bruxas. Pois agora já estamos quase iguais aos americanos. Temos Halloween. Yes, nós temos Halloween.



O fenômeno por enquanto circunscreve-se às áreas chiques de São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades. O povão ainda não chegou lá. Na verdade, o povão sempre chega atrasado. Em seu meio, ainda nem existe o hábito de colar adesivos com gracejos em inglês no automóvel. A rigor, a grande maioria nem tem automóvel. Portanto, mesmo se fosse a Miami e comprasse um adesivo, não teria onde colar.



O Halloween veio culminar uma série de avanços ultimamente experimentados pela boa sociedade brasileira. Já há lugares onde se pode pedir sorvete de vanilla, muito superior ao de baunilha. As redes de sorveteria "La Basque" e "Babuska" oferecem vanilla. Mesmo que a palavra seja de origem espanhola, foi incorporada pela língua inglesa, e os americanos a utilizam. Vale dizer que, no "La Basque" e na "Babuska", toma-se sorvete em inglês, o que impressiona muito mais ao paladar. Também há lojas que anunciam sales e oferecem produtos com preços 10% off, ou 20% off, o que é muito mais vantajoso do que uma simples liquidação que ofereça descontos equivalentes. E já se pode ligar para uma pizzaria que faça delivery, em vez de entrega, sem falar na inominável venda para viagem. Com a delivery, garantem-se rapidez e segurança no percurso.



Em certas esquinas de shopping center, olha-se em volta e só se vê inglês. Mergulha-se então na magia dos Ws e Ys, na simpatia do S. Esse Brasil, sim, dá gosto. Ele fazia por merecer o Halloween, que mesmo que fosse só uma palavra, sem significado, já nos conduziria a um mundo de encantamento, com sua formidável carga de Ls e Es duplos, enriquecido ainda por um W e um H como deve ser, não mudo e inútil, mas trabalhado desde o fundo da garganta, sem medo de ser ouvido. O Brasil que dá gosto é aquele que não parece Brasil. Não. O Brasil que dá gosto é aquele que não só não parece o Brasil, mas parece os Estados Unidos. É a este que, como numa vassoura de bruxa, nos transporta o Halloween.



Talvez o leitor tenha desconfiado de que se tentou fazer ironia, neste texto. Mas talvez não, dadas as deficiências do escriba. Então vai-se direto ao ponto: festejar o Halloween, no Brasil, é coisa de basbaques. Assim como saborear "vanilla", vender "off" e despachar "delivery". É coisa de imitadores. Ainda se fosse para imitar o que a civilização americana tem de fundamental, como o respeito à lei e à ética do trabalho, vá lá. Mas não - é para imitar pela rama, ciscando no que há de estéril e superficial. Ora, imitar, macaquear, querer igualar-se àquele que se considera superior pelas vãs artimanhas do arremedo não é apenas confessar-se inferior, nem falsificar-se a si mesmo como outros falsificam uísque. Antes, é uma das mais antigas e consistentes formas de ser tolo.

(Roberto Pompeu de Toledo)

01) Justifique o título empregado no texto em questão:

02) Observe que tal título faz referência a uma música famosa de Carmem Miranda, chamada "Yes, nós temos banana". Com que objetivo seria? 

03) No decorrer do texto há outras intertextualidades, ligadas a outras músicas conhecidas. Quais são essas músicas e as respectivas passagens? 

04) Qual o tema abordado no texto? 

05) Como o autor claramente se posiciona com relação a esse tema? Comente:

06) Por que algumas palavras apareceram no texto em itálico ou entre aspas?

07) Que mensagem o texto transmitiu? 

08) Posicione-se, sinceramente, sobre a polêmica abordada no texto, argumentando bem: 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Atividade sobre o texto "Tropeções da inteligência", de Rubem Alves


Tropeções da inteligência

Há a história dos dois ursos que caíram numa armadilha e foram levados para um circo. Um deles, com certeza mais inteligente que o outro, aprendeu logo a se equilibrar na bola e a andar no monocilo, o seu retrato começou a aparecer em cartazes e todo o mundo batia palmas: "Como é inteligente!" O outro, burro, ficava amuado num canto e, por mais que o treinador fizesse promessas e ameaças, não dava sinais de entender. Chamaram o psicólogo do circo e o diagnóstico veio rápido: "É inútil insistir. O QI é muito baixo..."
Ficou abandonado num canto, sem retratos e sem aplausos, urso burro, sem serventia... O tempo passou. Veio a crise econômica e o circo foi à falência. Concluíram que a coisa mais caridosa que se poderia fazer aos animais era devolvê-los às florestas de onde haviam sido tirados. E, assim, os dois ursos fizeram a longa viagem de volta. 
Estranho que, em meio à viagem, o urso tido como burro parece ter acordado da letargia, como se ele estivesse reconhecendo lugares velhos, odores familiares, enquanto seu amigo de QI alto brincava com a bola, último presente do circo. Finalmente chegaram e foram soltos. O urso burro sorriu, com aquele sorriso que só os ursos entendem, deu um urro de prazer e abraçou aquele mundo lindo de que nunca se esquecera. O urso inteligente subiu na sua bola e começou o número que sabia tão bem! Era só o que sabia fazer! Foi então que ele entendeu, em meio às memórias de gritos de crianças, cheiro de pipoca, música de banda, saltos de trapezistas e peixes mortos servidos na boca, que há uma inteligência que é boa para circo. O problema é que ela não presta para viver! 

(Rubem Alves)

01) Justifique o título empregado no texto:

02) Podemos afirmar que tal texto é uma fábula? Justifique sua resposta, inclusive com palavras do texto que serviram como "pistas textuais": 

03) Quais são as metáforas utilizadas no texto? Explique da melhor forma possível: 

04) Copie do texto uma passagem carregada de preconceito, justificando seu ponto de vista: 

05) Justifique o emprego das aspas no texto:

06) Transcreva do texto uma antítese, explicando-a:

07) Por que o circo foi à falência? O que isso revela, para o contexto?

08) Explique a passagem destacada no texto:

09) Interprete a parte final do texto, posicionando-se sobre ela:

10) Que mensagem o texto transmitiu? Comente:

11) Com que urso você se identificou mais? Por quê?

12) Qual a diferença entre inteligência e sabedoria? Qual delas você acha mais útil? Por quê?

13) Como o texto aborda a questão dos estereótipos? Como você lida com isso? 

14) Quantas frases compõem o texto? 

15) Divida o texto em períodos e em orações: 

16) Classifique, de forma organizada, todos os períodos do texto, justificando um a um: 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Atividade sobre o vídeo "O saber e o sabor", de Rubem Alves


01) Justifique o título dado ao vídeo acima:

02) Por que o sábio é um especialista em sabores? Você concorda com tal afirmação?

03) Segundo Rubem Alves, por que degustamos com todos os sentidos? O que você pensa sobre isso?

04) Por que ele usa Bach como exemplo? Foi um bom exemplo?

05) Que falha ele aponta nas escolas e nos vestibulares?

06) Que mensagem o vídeo transmite? Comente:

07) O que é mais importante para você: saber as teorias das comidas ou degustá-las? Justifique sua resposta:

08) Associe a imagem abaixo à proposta de Rubem Alves:


(Vídeo indicado pela minha querida amiga artemanhosa Irene Sena)

Atividade sobre a notícia "Cadela "entrega" dono assaltante à polícia"

Cadela "entrega" dono assaltante à polícia

Uma cadela vira-lata chamada Tuti acabou conduzindo a polícia à casa de um assaltante --  e proprietário do animal --, que havia arrombado uma escola em Esteio (na região metropolitana de Porto Alegre). 
A diretora da escola Augusto Meyer, Elizabeth Klein, chegou ao colégio na última segunda-feira e encontrou tudo revirado. Ela notou o desaparecimento de dois microscópios, um aparelho de som, um rádio e uma máquina de escrever.
No meio dos móveis, a diretora encontrou uma cadela pequena, que aparentemente latia de fome e sede. Elizabeth chamou os policiais, que soltaram a cadela e a seguiram. O animal acabou conduzindo a polícia a uma casa no bairro Água Verde. O dono não estava e os policiais esperaram no local, até que apareceu Claudir Oliveira. 
Dentro da casa de Claudir, a polícia achou os objetos roubados da escola. 
A delegada de polícia, Rosana Szansky, disse acreditar que Oliveira seja responsável por outros arrombamentos em Esteio. Ele disse à polícia que cometeu outros furtos, mas afirmou que também trabalha como pedreiro. 

(Folha de São Paulo)

01) Qual o sentido do verbo "entregar", presente no título da notícia?

02) Por que usaram aspas em tal palavra? 

03) Qual foi o crime ocorrido? Quem o praticou? Onde ocorreu?

04) Quem descobriu que a escola havia sido roubada? Como se chegou a essa conclusão?

05) O autor do crime cometeu uma grave falha, que acabou facilitando a sua prisão. Qual?

06) Qual foi o plano executado pela polícia para descobrir o criminoso? Ele funcionou? 

07) O roubo foi comprovado? Explique como isso aconteceu: 

08) Localize no texto:

a) dois substantivos compostos:
b) um sbstantivo próprio:
c) dois numerais:
d) um advérbio de negação:
e) dois substantivos comuns:  

sábado, 6 de outubro de 2012

Atividade sobre o texto "O poder da validação", de Stephen Kanitz


O poder da validação

Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super-confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho. Afinal, ninguém é de ferro. 
Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator relaxa e parte tranquilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam. 
Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança?
Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera. 
Segurança depende de um processo que chamo de "validação", embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.
Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, mais por bonito ou bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição. 
Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: "Você tem significado para mim". Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: "Gosto de você pelo que você é". Quem cunhou a frase "Por trás de um grande homem existe uma grande mulher" (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar. 
Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a nossa própria insegurança, que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o "máximo" que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o "máximo" são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos. 
Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se, ou dominar os outros em busca de poder. 
Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos. 
Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um "valeu, cara, valeu".
Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja. 

(Stephen Kanitz)

01) Justifique o título dado ao texto acima: 

02) Qual é o tema central do artigo de opinião? Justifique sua resposta:

03) Posicione-se sobre o tópico frasal em negrito no primeiro parágrafo: 

04) O que significa a expressão "ninguém é de ferro"? 

05) Qual é a tese defendida pelo autor? 

06) Que argumentos ele usa para sustentar essa tese?

07) Copie do texto uma antítese, explicando-a:

08) Responda, sinceramente, à pergunta em destaque no texto: 

09) Você concorda que segurança não depende da gente e sim do outro? Justifique sua resposta:

10) O que seria, para o autor, validar alguém? Isso faz algum sentido para você?

11) Que exemplos de validação são citados no texto? 

12) Posicione-se sobre a passagem sublinhada no texto, argumentando bem: 

13) Responda à pergunta feita no final do texto (embora ela seja retórica): 

14) Que conselho o autor dá aos seus leitores? 

15) Que mensagem o texto transmite? Comente:

16) Afinal, qual é o poder da validação? O que você pensa a respeito disso? 

(Atividade feita em parceria com a querida Fabi Behling