terça-feira, 17 de julho de 2012

Atividade sobre música explicando o Pré-Modernismo

Pré-Modernismo

Passadismo já passou 
Lá vem o Pré-Modernismo
Fase de transição
Antes do Modernismo

Busca linguagem mais simples
Chamada coloquial
Realidade brasileira
Denúncia do social

É o Novo Regionalismo
Modernismo vindo aos poucos
Enfoque nos suburbanos,
Sertanejos e caboclos

Euclides da Cunha é rebuscado
Autor de "Os Sertões"
Onde denuncia a miséria
Fanatismo e mais questões

Refrão!

Lima Barreto, oprimido,
Viveu muito revoltado
Por ser mulato e alcoólatra
Se achava discriminado

Traços autobiográficos
A sua obra tem
Linguagem objetiva, informal
Muito simples também

Em "Policarpo Quaresma"
Critica o nacionalismo
Os desmandos da república
E o patético ufanismo

Refrão!

Monteiro Lobato foi
Grande escritor do Brasil
Fez das personagens do "Sítio"
Famosa criação infantil

Em "Urupês" ele acusa
Jeca Tatu de indolente
Mas reconhece que o mesmo
Era um caboclo doente

Refrão!

(Autor desconhecido)

01) O que você entende por "passadismo"? 

02) Por que o Pré-Modernismo é considerado uma fase de transição, se nenhum outro estilo literário teve, propriamente dito? 

03) Que características dessa fase literária são mencionados na música? 

04) Que autores são citados e quais as suas respectivas obras? 

05) Justifique todas as aspas utilizadas na canção: 

06) Até que ponto você acha que a vida pessoal de cada autor influencia a sua obra? Comente: 

07) Explique, com suas palavras, o que você entendeu do Pré-Modernismo e o que achou mais importante:

08) Invente um ritmo bem legal para cantar a música analisada: 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Atividade sobre a crônica "Uma galinha", da Clarice Lispector


Uma galinha

Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.
Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
Foi, pois, uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.
Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.
Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se pode­ria contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que, morrendo uma, surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.
Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal, porém, conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:
— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!
— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.
Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.
Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.
Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.
Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.
(Clarice Lispector)

01) Justifique o título dado ao texto, aproveitando para sugerir um outro:

02) Reveja as falas de dois personagens do conto:

Fala da menina: “— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!”
Fala do pai: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!"

a) Explique a argumentação usada pela menina para que a mãe desistisse de matar a galinha:

b) Descreva o sentimento do pai em relação à galinha e explique o motivo:

03) O texto se inicia com a frase “Era uma galinha de domingo.”, que tem dupla função: marcar o tempo da narrativa e caracterizar a personagem principal do texto. Explique o sentido dessa frase em relação à caracterização da personagem:

04) Releia esta parte do texto:

“Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu.”

a) Até esse momento da história, há diferença entre o olhar do narrador e o olhar da família sobre a galinha? Explique e justifique sua resposta com trechos retirados do texto.

b) “Foi então que aconteceu”. Este momento é muito importante para a narrativa. O que muda na visão do narrador e na visão da família a respeito da galinha? Essa mudança permanece até o final do conto?

05) Retire do texto duas antíteses, explicando seu raciocínio: 

06) Copie da crônica uma parte em que GALINHA parece ter um sentido metafórico, explicando:

07) Interprete a passagem em destaque na crônica, posicionando-se sobre ela: 

08) O que significa a expressão "dar de ombros"? Você costuma usá-la? 

09) O que mudou, para e na galinha, com a maternidade? Explique: 

10) Que mensagem o texto transmite? Comente: 

11) O final da história foi inesperado? Por quê? O que ele revela? 

12) Que crítica social encontra-se presente na crônica? Justifique sua resposta: 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Atividade Carta & Arte - Variação

Desta vez não deu tempo de pedir para os alunos criarem a cartinha para depois desenharem a que receberam porque o tempo foi curto: só uma aula em vez de duas, então... 

Entreguei a todos esta mesma cartinha, já pronta, para que todos pudessem desenhar, seguindo as solicitações para a releitura da obra. Mesmo sendo a mesma base (a obra "Vendedor de frutas", de Tarsila do Amaral), nenhuma nova obra fica igual à anterior! Garanto! Divirta-se! 


São Pedro da Aldeia, 07 de outubro de 2007.

Querida Tarsila do Amaral,

Como vai essa minha artista preferida? Espero que esta carta a encontre bem e feliz.
Primeiramente gostaria de lhe dizer que sou uma grande admiradora do seu trabalho e reconheço o seu extraordinário talento.
Estou aqui com a sua obra “O vendedor de frutas” e gostaria de lhe fazer uma encomenda utilizando a mesma como modelo e propondo, se não se importar, algumas mudanças.
Primeiro, o barco em que se encontra o vendedor é muito pequeno, então, por favor, gostaria que o fizesse maior, caso contrário as frutas acabariam caindo no mar e o pobre rapaz teria um prejuízo danado! Aliás, esse mar também poderia ser mais claro, caindo para um verde, como daquelas ilhas paradisíacas em que se é possível até ver alguns peixinhos no fundo.
Gostaria também de trocar as frutas. Em vez de abacaxi, melões e laranjas, colocaria maçãs, bananas, morangos e melancias. O pássaro poderia ser um autêntico tucano e a camisa do vendedor bem que poderia ser a camisa do Brasil, com aquelas cores bem alegres!
Trocaria as palmeiras lá do fundo por bananeiras e coqueiros. A casa do fundo seria retirada e entre os morros colocaria um sol bem amarelo. Ao lado tem outra ilha, com uma igreja, e, cá entre nós, não é um bom lugar para ela, visto que a maioria que a frequenta deve ser já idosa e deve ter dificuldade para subir aquele morro. Que tal darmos um jeito nisso?
Bom, espero que aceite todas as minhas sugestões de mudança e que faça contato para que possamos negociar sobre o preço e também sobre o envio dessa sua mais nova criação artística, que, se me permite a intromissão, poderia se chamar “Um vendedor tipicamente brasileiro”. O que me diz, grande artista?

Um grande abraço dessa sua eterna fã,
Julimere Pereira