domingo, 21 de maio de 2017

Um texto beeeeeem interessante!

A caminho do brejo 

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras. 

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.

Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contra-cheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais...
(Cora Ronái)
https://oglobo.globo.com/cultura/a-caminho-do-brejo-20606929

01) O que significa o termo "A vaca foi pro brejo"? Você costuma usá-la? 

02) Você acha que o nosso país ainda está a caminho mesmo do brejo ou já mergulhou nele? Justififque sua resposta: 

03) Qual a solução (imediata) para tirar o país do (caminho do) brejo? E as mais distantes? 

04) Posicione-se sobre as passagens destacadas no texto, explicando seu ponto de vista em cada uma delas:

05) Explique o porquê do emprego do demonstrativo "aquele" e afins no segundo parágrafo e o que isso, de certa forma, revela:

06) Explique as repetições da expressão "Um país vai para o brejo", presentes no texto:

07) De todos os "deslizes" citados na grande lista (e que não termina), qual foi o que você considerou mais grave? Por quê? 

08) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

09) Qual a SUA parcela de culpa nisso tudo? Comente: 

10) Associe o texto à charge abaixo: 

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Feliz que tenha gostado, Estefânia! Obrigada pela visita e pelo recadinho! Volte sempre!

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