quarta-feira, 29 de março de 2017

Atividade de arte e criatividade: "O Monstrinho"

Minha amiga Flávia Damas, ex-ce-len-te professora de Artes, que vive inventando moda, me passou uma atividade que eu adorei, por isso aqui compartilho, e ainda, de quebra, fiz com o meu filhote Miguel, de 7 anos e com a amiguinha dele, a Laura, de 9 anos (e também criei o meu monstrinho, claro!). 

Prepare-se para só escutar e desenhar o que vai pedindo! Cada um desenha o seu! 

01) Tem uma cabeça em forma de círculo bem grande;
02) Tem três olhos;
03) Usa óculos;
04) Seu nariz é uma vassoura;
05) Sua boca é um barco;
06) Seu cabelo é um cacho de banana;
07) Seu chapéu é um avião;
08) Uma de suas orelhas é um sol;
09) A outra orelha é sua fruta predileta;
10) Seu pescoço é uma escada;
11) Sua barriga é uma forma geométrica qualquer;
12) Um de seus braços é um utensílio utilizado na cozinha;
13) O outro braço é um objeto que há em seu quarto;
14) Uma das suas pernas é um objeto utilizado no banheiro;
15) A outra perna é um objeto que há na sala de aula;
16) O monstro adora comer, e sua barriga é transparente. Ele comeu um prédio e um bichinho de estimação. 

Desenhado o bichinho, o professor pode sugerir que as crianças escrevam sobre o seu monstrinho. 
Sugestões de perguntas:

01) Qual o nome de seu monstrinho?
02) De onde ele veio?
03) O que veio fazer aqui?
04) Ele vai ficar aqui por quanto tempo?
05) Onde ele está morando?
06) O que ele mais gosta de fazer?
07) Ele encontrou amigos?
08) As pessoas gostam dele?
09) Ele é um monstrinho bom ou mau?
10) O que ele gosta de comer? 
11) Quando ele vai retornar para o lugar de onde veio?

O meu monstrinho: 



Minha história sobre ele: 

O meu monstrinho se chama Sebastião, vulgo Tião ou Titi. Ele veio de Plutão e veio atrás de uma namorada bem bonita. Para isso, pretende ficar uns mil anos por aqui, e ficará debaixo da cama do menino mais bonito do Planeta Terra. 

Ele gosta de dançar "Deu onda" e de sambar e encontrou alguns amigos. As pessoas gostam dele, porque é um monstrinnho bom, só que gosta de comer tudo o que vê pela frente: prédios, flores, animais, objetos...

E só vai retornar quando sua namorada finalmente aparecer! 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Cartaz sobre Voluntariado!



01) A que gênero textual pertence o texto acima? Qual a principal finalidade do gênero, de um modo geral?  

02) Qual a finalidade específica deste texto em questão?

03) Qua a função de linguagem presente na passagem "Faça a diferença! Seja um voluntário!"? O que lhe serviu de "pista textual" para chegar a essa conclusão? 

04) Qual o objetivo da suposta correção feita na frase central do texto? Ela surtiu efeito, na sua opinião? 

05) Qual era a frase antes da correção? Dá para ler? 

06) Qual o intuito da nova frase? Ele foi alcançado? Justifique sua resposta:

07) O que você pensa a respeito do trabalho voluntário? Já prestou algum? Comente:

08) Por que ainda são tão poucas pessoas que se dedicam a esse tipo de trabalho? O que fazer para mudar esse quadro?  

Vamos discutir mais um pouquinho?!?

Não se pode banalizar a maldade.
Lugar de bandido rico não pode ser em casa. É na cadeia.



       Adriana Ancelmo é liberada para cuidar dos filhos em casa. Os filhos precisam muito dela, coitada. Quando ela participou de falcatruas, sabia exatamente o que estava fazendo... pensou nos filhos? Não. Nem nos dela, nem nos nossos.

As presas pobres, solteiras, viúvas, abandonadas, com filhos pequenos, vão ser liberadas? Com a mesma eficiência e rapidez da senhora Justiça? Mãe é importante, não é? E as que morreram sem direito à saúde? As crianças que, pelo dinheiro desviado, ficaram órfãs? Os pequenos que morreram por falta de condições de tratamentos adequados e dignos? Isso é assassinato. Não tem outro nome. Adriana Ancelmo é homicida. Ela e seus amigos roubaram saúde, esperanças de cura. Roubaram vidas e tempo de vida. Esbanjaram, tripudiaram. Agora ela vai para casa? Tomar champanhe? Comer do bom e do melhor? Isso não é prisão domiciliar. Isso são férias. Isso é prêmio.

Vivemos num país em que lugar de bandido pobre é na cadeia. Lugar de bandido rico é onde ele quiser. Isso é deboche com quem é honesto. Bruno solto. Adriana em férias na sua prisão domiciliar. Tudo dentro da legalidade. Uma legalidade torta, míope e tendenciosa. Que só aparece quando o réu é rico. Enquanto Bruno é liberado com eficiência, quantos presos pobres, muitos inclusive inocentes, estão ainda vendo o sol nascer quadrado sem que a Justiça sequer se coce? Um criminoso tão cruel que nunca devolveu o corpo da vítima. Imagina o que é não saber onde está o corpo da sua filha? Imagina uma pessoa não ter o direito de ser enterrada em paz? É de uma maldade infinita. Ter Bruno como ídolo é mostrar que tudo pode e a vida não vale nada. Ser bom goleiro basta para ser admirado.

Você levaria seu filho para tirar foto com uma pessoa assim? Se fosse um zoológico, até entenderia. -- Olha ali a cobra! -- Tira foto. Se fosse para mostrar Bruno preso e dizer: -- Viu? Aprenda! Isso não se faz. Ok. Mas livre, feliz e contratado e dizendo que não é bandido? Não me parece bom exemplo para criancinhas. Inocente? Bruno, vamos brincar de bingo. Pega uns feijões aí. Cada palavra que servir você vai marcando. Está nos dicionários. Bandido - nome masculino. Pessoa que pratica atividades ilegais e criminosas; malfeitor; criminoso. Pessoa sem caráter. Quadrilheiro, desalmado, homicida. Bingou? Bingou! E de cartela cheia! Bruno, não vou te enganar. Você é bandido, sim. Não fui eu que disse. Foi o dicionário. E a Justiça que te condenou a vinte e dois anos e três meses de prisão. Condenação que, pelo jeito, não vai ser cumprida, né? Imagine seu filho animado dizendo: -- Quando crescer, quero ser igual ao Bruno! Você não se preocuparia? É isso. Essa pessoa não pode ser modelo para nossas crianças.


Tirar selfie com Bruno é um sintoma. A ponta do iceberg. O estrago é muito maior. Estamos no meio de uma crise de valores. De quem é valorizado. Do que presta ou não. Nossos ídolos são criaturas muito esquisitas. De gente com comportamento duvidoso, de moral torta. E a gente bate palma.

Os pais que levam a criança para tirar retrato com Bruno não são diferentes dos que chegam na escola botando banca e desrespeitando professor. Dos que acham que os filhos estão sempre certos. E fazem curvas nas regras para que elas só valham sempre a seu favor. E dos seus filhos, claro. São seres do tipo: - O que que tem? A defesa perfeita. Além das desculpas que fazem o pior réu parecer um coitadinho inocente. Estamos criando monstros. Crianças sem valores. Sem ética. Sem empatia. Sem um pingo de senso moral. Expõem e se expõem sem pudores. Sem reservas. Sem pensar em consequências. Elas aprendem que mentir dá bom retorno. Que roubar não tem problema. Que adultos e colegas não precisam ser respeitados. Que o umbigo delas é o centro do universo. Tudo pode. Tudo é permitido. Pior. Com a falta de regras, na verdade, é recompensado. Batem, humilham, tripudiam de colegas, funcionários, professores. Sabe o que acontece? Nada. Não há respeito pelo outro. Só pelos próprios desejos. Crianças sem limites. Más. Insuportáveis. Pequenos Brunos. Está certo tirar foto junto. Agora até entendo.

Alunos trabalham no ponto morto. Copiam deveres dos outros. Não participam, só colocam nomes nos trabalhos alheios. Colam a prova toda. A resposta, já combinada, deixada no banheiro. Ou passada pelo celular no estojo. Vigora a lei do menor esforço. Escolas esvaziadas com a crise, no medo de perder alunos, se tornam permissivas. Aprovam sem nota, nem mérito. Curvam-se a qualquer ordem dos pais. Que, cientes disso, se organizam para o ataque em bandos irracionais de WhatsApp. Quem não educa, deseduca. Cria pequenos ditadores. Crianças com egos inflados que mentem sem pestanejar. Torcem verdades. Riem na nossa cara.

Reparem. A carne é de papelão. O leite vem contaminado. Os legumes cheios de agrotóxico. Os governadores desgovernam. As pessoas não sentem culpa, remorsos. Envenenam. Enganam. Sem dó. Não há mais limites para a maldade humana. Para o desrespeito ao outro. Enganar e tirar vantagem. Lucrar. Esses são os verbos do momento. É a banalização do mal. Matar, sequestrar, torturar, desviar verbas, corromper é normal. A gente deu defeito. Alguma coisa deu muito errado na raça humana. A vontade é de dar o sinal e saltar. Nessa impossibilidade, é preciso lutar. Mostrar para nossos meninos que não pode ser assim.

É preciso lutar hoje, para que nossos filhos tenham direito a um mundo melhor. Onde Brunos não ousem matar. Mesmo sendo ótimos goleiros. Onde corruptos confraternizem, sim. Com as quentinhas da cadeia. Onde cadeias sejam um lugar não só de bandido pobre. Mas, principalmente de bandido rico também. Porque esses fazem um estrago muito maior.

Ser pai, mãe, exige gastar menos tempo nas telas de celulares e laptops. Olhar nos olhos dos filhos. Sentar do lado. Estar junto. Agarrar, abraçar, fazer cosquinha. Eles reclamam, mas gostam. Estar presente. Dizer NÃO. Botar limite. Dar castigo, se for o caso. Fazer filho é uma delícia. Ter filho é razoavelmente fácil. Criar um ser decente, esse é o maior desafio. Dá trabalho. Cansa. Tem horas que é chato. Que irrita. Que a vontade é dizer SIM e se livrar logo da criatura. Mas eles dependem de nós. Eles testam, para ver até onde podem ir. Até onde nosso discurso é coeso. Até onde a gente acredita no que fala. Eles testam porque querem limites. Precisam disso.

Filho é como água. Sem os limites para servir de continente, se espalham e se perdem. Por isso é preciso estar do lado. Perto. Acompanhar. Puxar assunto. Dizer que ama. É preciso. Para ontem. Filho melhora a gente. E a gente melhora com o filho. Filho é crescimento. É embate. É amor. É por eles que a gente acorda a cada dia. E se supera mesmo quando tudo é espinho. E a gente anda descalço. Mas leva eles no colo. Eles serão nossos. Amados. E para sempre. Então é melhor caprichar agora.
(Mônica Raouf El Bayeh – Jornal “Extra” – 19/03/17)

01) Transcreva do texto três passagens carregadas de ironia:

02) Copie uma pergunta retórica do texto, explicando seu raciocínio:

03) Posicione-se sobre a passagem destacada no segundo parágrafo do texto, explicando bem:

04) Dê a sua sincera opinião sobre o trecho em destaque no terceiro parágrafo, comentando:

05) Qual a sua opinião sobre as outras duas passagens situadas ainda no terceiro parágrafo?

06) O que significa a expressão “vendo o sol nascer quadrado”, empregada no texto?

07) Responda à pergunta que inicia o quarto parágrafo do texto:

08) Posicione-se acerca da passagem  destacada no quarto parágrafo, justificando seu ponto de vista:

09) O que você tem a comentar sobre o sexto parágrafo? O que gostaria de complementar ou discordar, contrapor?

10) Podemos afirmar que a passagem em destaque no sétimo parágrafo traz uma antítese? Explique:

11) Você concorda ou não com a parte em negrito presente no oitavo parágrafo? Por quê?

12) Copie do texto um par de antítese:

13) Há algum desvio gramatical presente no último trecho destacado no texto? Explique:

14) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente: 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Falando, ainda, sobre o goleiro Bruno...

TEXTO 02: 

Bruno está feliz. Leve. Solto, em todos os sentidos. 
Este fato despertou horror em uns e euforia em outros. 

1 - O olhar de Bruno. Já repararam? É um olhar frio. Calculado. De quem não se arrepende do que fez. Olhar de quem crê na impunidade safada que cobre esse país. Na certeza absoluta de quem não voltará para a cadeia. Tranquilo, ele começa a refazer a vida. Coisa que só quem está vivo pode fazer. Só quem está vivo. Entendeu, ou quer que eu desenhe? 

2 - Você também quer uma selfie com Bruno? Bruno ainda tem fãs! A euforia com que Bruno é defendido por fãs me embrulhou o estômago. Bruno era bom goleiro. Ok. Eu me lembro disso. O Flamengo brilhava. O que as pessoas esquecem é que na vida a gente escolhe. Escolhe ações, paga as reações. Bruno estava rico. A pensão para o filho Bruninho ia sair no xixi. Ele podia pagar sem sentir. Não ia lhe empobrecer em nada. 

Ele escolheu mandar matar Elisa. Houve depoimento de que talvez tivesse mandado matar o menino também. Ele escolheu o crime. Como se não houvesse justiça para se discutir, se chegar a acordos. Ele escolheu o risco. De ser pego. De ser descoberto. De acabar na prisão. Foi escolha dele. Ele mandou sequestrar. Maltratar. Torturar. Matar. A mulher que era a mãe de seu filho. E ainda tem fãs? Tem. Acredite, tem. Vi pessoas defendendo esse homem com unhas e dentes: 

-- Antes de mais nada, a gente tem que agradecer ao Bruno por tudo o que ele fez pelo Flamengo. 

Engraçado. Por quê? Quando ele escolheu tirar a vida de outra pessoa, ele não pensou no Flamengo. Não se preocupou com a falta que faria. E fez. Ele se lixou para o time. Para os fãs. Ou será que ele fez o que fez na certeza de ser protegido? Na confiança de que um goleiro tão bom não ficaria preso porque faria falta? 

Ouvi na época da Copa pessoas lamentando o fato de ele estar preso. Ouvi pessoas sugerindo que ele fosse solto para jogar na seleção. Ele, com certeza, estaria convocado. Foi dele a escolha pelo crime. Foi ele que preferiu não ficar com o time e com os torcedores. 

-- Não há provas contra Bruno. 

Oi? Não há provas? E o sangue no carro? As confissões dos criminosos amigos dele? As peças de roupa da Elisa com ele? A namorada da época que ficou com o bebê? Há provas. Não há cadáver. Porque a moça virou ração para cachorro. Com requintes de crueldade. Imagina a dor de uma família não poder enterrar uma filha com um mínimo de dignidade? Imagina o vácuo? A angústia de passar por isso? Pois é. 

Quem fala uma coisa dessas deve ser fã mesmo. É bem igual a ele. A mesma falra de dó. De empatia. A mesma alma gelada de quem não sabe o que é sentir junto. Sofrer junto. 

-- Ele já cumpriu o que devia. 

Quem tira uma vida, tira tudo. Ele deixou um filho sem mãe. Uma mãe sem filha. Essa é uma dívida eterna. De dor. De estrago. De desrespeito. O rombo que ele causou na vida dessas pessoas é uma dívida que não tem preço. No Brasil, ela tem tempo. E esse tempo não foi cumprido não. Então ele não cumpriu o que devia. 

3 - Ela era puta! Eu li isso. Não acreditei. Li de novo. Assim a pessoa defendia Bruno. E eu pergunto: e daí? Elisa era garota de programa. Fez filmes pornôs. Elisa não era santa. E Bruno sabia. Conhecia bem. Se há uma coisa que Bruno não é é santo também. Bruno sabia exatamente com quem estava. Sexo é coisa feita a dois. Se não tem outro nome. Ele era Maria Chuteira? Então cabia a ele o cuidado para não ser pego no golpe da barriga. Para toda barriga que cresce com um filho dentro, houve um pinto que não fez questão de se proteger. Não é mesmo? Elisa podia ser o que fosse. Não importa. Não justifica. A vida era dela. De mais ninguém. A ninguém cabe julgar. Nem condenar. Nada justifica a morte de uma pessoa. Nada. Nunca. 

Sabe o que é mais triste? Todas essas frases foram de mulheres. As mulheres são as que mais atacam as próprias mulheres. As que mais crucificam. As que apontam dedo acusando. Já não basta a sociedade machista? A gente também vai se esculachar? Quem será por nós, mulheres, então? Com quem poderemos contar? 

4 - O advogado pediu um exame de DNA para confirmar paternidade. Mas, vem cá, se era para pedir exame de DNA por que não pediram logo, antes de matar a moça? Já imaginou se o filho não for dele? O estrago que ele fez à toa? 

5 - Bruno se diz desejado por dez clubes de futebol de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Entre eles, Bangu. Eu acho que Bangu é bom. Com sorte, já joga em casa. Não tem deslocamento. Gasto com transporte. O que eu não vi é se é o 1 ou o 2. 

6 - Agora é a hora de ele viver a vida dele, em liberdade -- afirmou o advogado ao EXTRA. O que você sente lendo isso? O que essa frase desperta em você? Em mim, sobe revolta. Uma tristeza. Uma sensação de que está tudo largado mesmo. Estamos à deriva. Num país sem lei. Sem ordem. Sem justiça. 

Bruno  tem direito à lierdade porque não foi julgado? Se Bruno, famoso, do Flamengo, não foi julgado, imagine os pobres, os desconhecidos. Quantos injustiçados e com casos bem menos graves ainda estão encarcerados? Os que não têm como pagar advogados caros? Até quando viverão sem vida e sem liberdade? 

Escrevam aí. Não preciso nem usar minha bola de cristal. Madame Mônica prevê. Bruno vai ficar solto. Não volta mais para a cadeia. Mais um homem protegido pela justiça injusta. Nossa Justiça de olhos vendados. MachistaEle vai arrumar time para jogar. Um time que não ligue para ética, moral, justiça. Só para gols, bola na rede, vitórias certas. Um time que se preze não contrata pessoas assim. Ele vai entrar em campo e vai ter gente sem noção gritando: -- Ah, o campeão voltou! Aplaudindo, gritando, torcendo, sem ligar para o que passou, Dizendo coisas como: -- Já são águas passadas. -- Ele já pagou o que deve. -- Não houve provas. 

O certo seria ninguém ir ao estádio. Boicotar o time. O patrocinador do time. Fazer um auê. Mas estamos num país em que se vota nos mesmos. Em políticos que aprontam tanto que conseguiram falir estados inteiros. E que daqui a pouco estarão livres de novo. Eles sabem disso. Prontos a desfrutar de rica liberdade. 

Estamos num país em que milhares de pessoas vão às ruas atrás dos blocos da Anitta e da Preta Gil. E não vão protestar pela falta dos seus salários, da saúde, da educação. Antigamente davam "pão e circo"; hoje nem pão dão mais. Mas o povo se ilude com o circo. E está tudo bem. Não é à toa que Bruno foi solto no Carnaval. Povo feliz, nas ruas. Tudo certo. Só mais um sem pagar pelo que fez. 

Sou a favor do Carnaval. Sempre. E da luta. E da vida. De todos! É preciso lutar por uma justiça justa. Enquanto as pessoas que matam e que agridem não tiverem justiça, a vida de todos nós está em risco. Não se iluda. Nada é longe da gente. Homens que se protegem, esquecem que têm filhas, irmãs, mães. Qualquer um pode virar ração de cachorro, sabia? O que isso provoca em você? 


01) O que seria, já no texto, o duplo sentido para a passagem "solto, em todos os sentidos", empregado pela autora? Você concorda com isso? 

02) Copie uma passagem já no título que comprove que o assunto em questão é polêmico e que divide bem as opiniões das pessoas, aproveitando para dizer qual é a sua: 

03) Quando a expressão destacada no primeiro parágrafo costuma ser usada? Qual a função dela no texto? 

04) Por que a palavra "selfie" apareceu em itálico no texto? Você tiraria uma com o ex-goleiro? Por quê? 

05) Por que a passagem destacada no segundo parágrafo trouxe o verbo no passado? 

06) Explique, posicionando-se, a passagem destacada no terceiro parágrafo: 

07) Transcreva do texto duas passagens carregadas de ironia, explicando seu raciocínio: 

08) Copie do texto passagens que indicam a presença da linguagem coloquial: 

09) Posicione-se com relação às passagens destacadas no nono e no décimo parágrafos, explicando bem: 

10) Observe a passagem destacada no item 03 e responda: você acha que é motivo para alguém ser assassinada? Justifique sua resposta: 

11) Ainda no item 03, observe a palavra em destaque e repetida. Por que outra palavra ela poderia ser substituída sem causar prejuízo à frase? 

12) Na expressão "Se não tem outro nome", destacada no texto, que nome teria? Justifique sua resposta:

13) No décimo segundo parágrafo, o que a opinião em destaque demonstra? Você concorda ou discorda? Por quê? 

14) Concorde ou não com a passagem destacada no décimo terceiro parágrafo, explicando seu ponto de vista: 

15) No parágrafo 18, posicione-se sobre a passagem nele destacada, comentando sua opinião: 

16) Retire do texto um exemplo de antítese, explicando: 

17) Na última passagem destacada do texto podemos afirmar que há nela uma redundância? Por quê? 

18) Observe a última palavra destacada no texto (justiça) e substitua por outra que caberia ainda mais no contexto, explicando o porquê: 

19) O texto 01 ou o texto 02 foi mais agressivo, mais forte? De que texto você gostou mais? Por quê? 

20) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

21) Explique o que a charge abaixo tem em comum com o texto lido:



22) Relacione, de alguma forma, a charge abaixo ao texto lido, explicando seu raciocínio:



domingo, 5 de março de 2017

Atividade sobre o filme "O Lorax - Em busca da trúfula perdida"


Sinopse: O menino Ted descobriu que o sonho de sua paixão, a bela Audrey, é conhecer uma árvore de verdade, já que se trata de algo em extinção. Disposto a realizar esse desejo, ele embarca numa aventura por uma terra desconhecida, cheia de cor, natureza e árvores, e lá conhece também o simpático e ao mesmo rabugento Lorax, uma criatura preocupada com o futuro do seu próprio mundo. (Duração: 1 h 35 min)

01) Quem são os principais personagens do filme? De qual você gostou mais? Por quê? 

02) Em que lugar se passa a história? 

03) Qual o tema principal do filme em questão? Justifique sua resposta: 

04) Qual o objetivo principal do filme? Ele foi alcançado? Explique: 

05) De que parte do filme você mais gostou? Por quê? 

06) Que mensagem o filme lhe transmitiu? 

07) De 0 a 10, que nota você daria a esse filme? Justifique sua resposta: 

sexta-feira, 3 de março de 2017

"A peste da Janice" (15 minutos)


Sinopse: A história de Virgínia e Janice, duas meninas de 8 anos, começando um novo ano escolar. Janice é filha da faxineira da escola e vítima do preconceito de todas as meninas, menos de Virgínia, com quem começa a esboçar um relacionamento. Esta consegue, por exemplo, conciliar a relação com a turma e a amizade secreta com Janice, mas quando se vê envolvida nas brincadeiras cruéis da turma com Janice tem de tomar partido: deve deixar claro, afinal, de que lado está. 

01) Com base no curta, caracterize as duas personagens principais utilizando cinco adjetivos para cada uma delas:

02) Por que você acha que escolheram a Janice como alvo do bullying? 

03) Explique o título do curta: 

04) O que você faria no lugar da Janice? Você já presenciou algum caso de bullying, participou de algum ou foi vítima dele? Justifique sua resposta: 

05) Você acha que a mãe de Janice agiu bem ao negar o pedido da filha? Por quê? 

06) O que você achou do comportamento de Virgínia? Justifique sua resposta: 

07) A professora percebeu as situações de bullying? Tratou devidamente o problema? O que ela deveria fazer, na sua opinião? Comente: 

08) Que parte do curta mais incomodou você? Por quê? 

09) Que mensagem o curta lhe transmitiu? Comente: 

10) Há um duplo sentido no título do curta? Se sim, qual? Explique essa aparente ambiguidade e a provável intenção disso: 

11) Crie um final para o curta, focando nas duas personagens principais, deixando claro de que lado a Virgínia ficou: 

O menino-passarinho

Da turma, Daniel era o mais gordo. Ainda que sob protestos, ele crescera pelos lados, elastecendo um círculo de carnes. Em seu rosto largo destacavam-se sobrancelhas peludas, que se uniam simetricamente num ponto de inflexão, ficando a sobrancelha esquerda e a sobrancelha direita ligadas como asas dum pássaro, movendo-se no espaço da fronte. Essa união desairosa o incomodava. Se ele tivesse ultrapassado aquele momento crítico em que rapazinhos e mocinhas se entreolham, pesquisam-se, em que as mudanças no corpo, na face, são mudanças de revelação, Daniel teria sobrevivido àqueles elos de siamesas. Mas as sobrancelhas para Daniel não eram propriamente uma revelação, porque há muito vinham sendo anunciadas. Se pudesse, naquela quadra da sua vida, teria feito uma cirurgia. Uma nova face, de quaisquer outras sobrancelhas, finas, ralas, densas, espessas, não importava, desde que fossem gêmeas cada qual a seu canto. Ele se sentia, ou melhor, os meninos e meninas faziam-no sentir-se um rapaz anormal, em razão de se acompanhar do que achavam anormais enfeites sobre a testa. E enfeites muito salientes, cerrados, que se apresentavam à frente, antes que dissesse, "eu sou Dabiel". Enfeites incapazes de disfarce. A não ser que se colocasse permanentemente de perfil. 

Em outra pessoa aquelas sobrancelhas viriam a ser um distintivo de elegância, mas em Daniel... Ele era gordo, carregava a fama de ser um quase idiota. Quem é tido como insignificante já traz em si a sua zombaria. O grupo de alunos se tornava coeso, punha-se mais camarada na eleição de Daniel para o divertimento. Que julgavam tão inocente:

-- Daniel, tira essa máscara. Tira essa máscara, Daniel! 

E num requinte de inocência, um do grupo virava-se para as mocinhas: 

-- Quem quer, quem quer um quilo das sobrancelhas de Daniel? 

Ele não se escondia, não descia para um buraco, porque era impossível sumir por entre os sinais do seu rosto. A classe toda numa gargalhada geral estourava. 

As meninas, a princípio tímidas, terminaram por aderir a esse tipo de malhação. Porque era malhado, Daniel transformara-se involuntariamente no contato entre moças e rapazes, que antes mal se relacionavam. A cada troça as mocinhas dobravam a risada. Ruborizavam-se. Os rapazes, sentindo a terra fértil, acercavam-se mais estreitamente. Um banquete. 

Desse banquete Iara não participava. Entre a alegria ruidosa ela estendia olhos silenciosos para Daniel. Ele baixava a cabeça. Talvez ela fosse a única pessoa da turma que o olhava como um todo, inteiro. Ele furtava ainda mais o rosto. Isso deixava Iara indignada: por que em meio a toda aquela zombaria era ele o envergonhado?! Iara sentia uma indignação, muda, apenas sentimento, de sentimento que fere somente a quem o possui, porque não encontra meios ou argumentos para se exteriorizar. Como, com que palavras, com que forças levantar-se e falar mais alto que a selvageria? Como dizer, "turma, isso não se faz"? Como argumentar, "não se acanham de zombar de um colega, a quem vocês mesmos transformaram num coitado? A vergonha que ele sente deveria ser nossa", como dizê-lo? Para se expressar assim era preciso que Iara tivesse mais que catorze anos, e também um cajado, forte, com poderes de bater e emitir raios de um profeta. Impossível. Ainda que tais meios tivesse, ainda assim seria derrubada. Pois não é próprio do grosseiro se comprazer na grosseria? A grosseria não suporta qualquer alteamento. Revolta-se, quando importunada. 

Em verdade, nessa indignação muda, Iaara possuía, ela mesma, um quê de resgurdo à troça.  

Seu pai era um louco, um desequilibrado, que vivia a falar sozinho, a pregar um evangelho raivoso nas ruas, na praça, a todos e a ninguém. A causa imediata de sua pregação era sempre uma pequena contrariedade, real ou imaginária, mas de qualquer forma desenvolvida até as raias da explosão. Que explodia, deixando um dilema para as vítimas: ou concordavam com as suas palavras, e nesse caso atingiam a salvação, ou caso contrário emborcariam de cabeça, atingindo as profundas, sem remédio ou absolvição. 

Ele não tinha nome, era o Pastor do bairro. E tinha a mania insuportável de ficar no portão do Ginásio, à espera angustiada da filha. Calvo, de bigodes bastos, metido sempre num casaco de frio, ainda que o sol infernizasse a tarde. Vez por outra ia até a porta da sala. Mergulhava a cabeça de olhos grados, e perguntava somente a ela, por cima de toda a turma: "já acabou?". E voltava ao portão, em passos miúdos, rápidos. Ah, que não lhe levassem a filha, sabia da fama do Ginásio, e daqueles meninos: taras, tarados, demônios. Fincava os pés na vigilância do pátio, dos muros, das janelas. 

Não fosse a suave altivez de Iara, há muito ela teria caído nas graças da zombaria. Tivesse ao menos um ar resignado e ter-lhe-iam caído em cima, até arrancar-lhe a pele. Ao aparecimento do pai ela erguia o semblante para o quadro-negro, surda, parecendo a Daniel com a mesma expressão severa de Joana D´Arc nos quadros. Risinhos abafados corriam, mas não prosperavam. 

Ela era bela, suavemente bela. Pequenina, morena, de olhos amendoados. A mulher que seria já estava aos cartorze anos organizada. Essa certeza vinha menos do corpo que da expressão maduro do rosto. Que banhava, essa expressão madura, todo o seu corpo. Ela era aquela menina que se namorava, que se abraçava fortemente, degustável, sem pressa, até o fim dos dias. 

Daniel comia-a, com os olhos. Desastrado que era, ao invés de soprar, quebrava o prato pelas beiras. 

Como um acréscimo a seu natural, Daniel perdia, definitivamente, o senso da realidade ao sentir pelo faro, pelos ouvidos, pelo perfume, a presença de Iara. Inchava o peito, girava nos calcanhares de modo a ficar de perfil, como um Napoleão de hospício, para demonstrar que não a via. Mas aquele moreno hudu o atordoava. Quando em casa idealizava seus próximos atos, prometia-se que ela receberia a demonstração do seu afeto. Num repente virava-se, lá, aqui estava ela, à margem de toda agitação, quieta. Como um raio lembrava-se da própria testa, mas era necessário demonstrar-lhe o próprio afeto: cuspia-lhe um cumprimento, rápido, como uma bala, arremessada por um aceno bruto de queixo: "Ôi!". E tornava à posição napoleônica, ouvindo, discutindo não sabia o quê, porque nada ouvia, nada falava do que lhe vinha à mente, que era a presença morena, loucamente morena, daquela pele que um dia sonhava distantemente, perdidamente tocar com as mãos. 

-- Daniel, você está me ouvindo?

O colega, irritado, chegava-se ao pé do seu ouvido, para baixá-lo do além: 

-- Você já viu mulher nua? Bem cabeluda, você já viu uma?

-- Sim, claro... a ruiva não é como a morena. 

Estremecia. Ia sentar-se a um canto, isolado. Era necessário agir. Mas o que era o agir? As pernas suavam. Uma algidez progressiva ia-lhe tomando os membros. Os planos de ação rápida, arquitetados lá dentro do cérebro, naquele lugar íntimo, no pontinho escuro onde o voo é livre para todas as coisas ridículas, risíveis, burras, vaidosas, de superstição, de crime, de vingança, roubo e vontade, enfim, naquela célula privatíssima onde o sonho não se envergonha de sonhar, naquele pontinho que imagina, tudo que ele gerasse era incompatível com a sua pessoa. Ele, Daniel, sonhava para outro Daniel. O Daniel sonhado não era para o Daniel materializado. Por que não fazia a corte como os outros? Nem como os outros, qualquer corte que fosse algo mais que recolher a cara envergonhada quando Iara descia até ele os humaníssimos olhos? Haveria alguma estrada, alguma ponte invisível, que ninguém visse, somente eles dois, que o levasse até ela? 

Se ele fosse magro, se não mangassem dele, se tivesse dinheiro no bolso, se tivesse futuro, isto seria uma ponte. Se ao menos tivesse sobrancelhas de gente. Suas calças não guardavam vinco. A camisa não lhe descia, verticalmente, por entre as caçãs. Ela apenas era puxada, repuxada, naquela barriga. Se ao menos fosse como Gilvan, como Aciole -- eles eram olhados, eles podiam ter as meninas que quisessem, num assobio. Elas abanavam o rabo, como cadelas. Eles têm um rosto bonito, de galã de cinema. Como seria feliz se tivesse o corpo deles... eles têm músculos, são atletas, pulam obstáculos, mostram-se num porte... Eles têm peito de homem. Onde está a mulher que não consigam? Por que a miséria não gosta da miséria? isso fere. Por que a miséria detesta e pisa a miséria? 

Num belo dia, Daniel entrou no Ginásio de sobrancelhas raspadas. Ou melhor, ele amputou o corpo, o ponto onde se uniam as duas asas do pássaro. Ou melhor, pensando em amputar o corpo, inabilmente foi mais longe, amputou também pedaços à esquerda e à direita das asas, fez sumir os pedaços que a natureza fazia cair rumo a um encontro. Melhor, no que sobrou, diminuiu o volume, a espessura dos pelos, ou das plumas. Melhor, finalmente, tirou plumas abaixo e acima das articulações, reduzindo-as a finas linhas. 

A crurgia deu nascimento a dois pontos de interrogação deitados, quase a dois acentos circunflexos incompletos, sem acomodação. 

O turno da tarde, o Ginásio inteiro se levantou. Daniel não conseguia sentar-se em uma cadeira. Ficava rodando, com sua cara gorda de palhaço, por entre a turba excitada. "Mulherzinha, mulherzinha", vinha em gritos agudos, vaias, risadas, de início uma passarada de praga, depois uma massa compacta, "Mulherzinha!". Estrondavam. Num gesto reflexo, Daniel punha as mãos sobre o rosto, protegia a cabeça como um ser em queda, como um suicida em arrependimento tardio que se lançou do alto de um arranha-céu. 

Não se pode dizer que pensava, mas seu arrependimento tardio parecia tão somente dizer, "em que deu, Daniel, em que deu o teu sonho impossível de te fazer aceito". Ao que outra voz respondia, na mesma escuridão, por entre seu corpo aos soluçõs, "agora o teu sonho se vai, Daniel. antes houvesses feito do que era impossível uma hemorragia". 

Com solenidade, os professores arrastaram-no para a secretaria. Uma procissão de meninos seguiu-os. 

na secretaria, diante daquele ser cabisbaixo, dona Augusta mandou que ele erguesse o rosto. A medo obedeceu: tinha o rosto úmido, inchado, com as inscrições esborrachadas na testa. A diretora então, em seu natural prosaico, achou por bem ajeitar-lhe as interrogações deitadas sobre os olhos, enfeixando-as numa única interrogação:

-- Por que você nunca usou um boné, Daniel?

E assinou sua expulsão. 
(Urariano Mota)

12) O que o texto acima tem em comum com o curta a que você assistiu? Comente: 

13) O que mais incomodou você no texto? Justifique sua resposta: 

14) A atitude dos professores e da diretora foi correta? Por quê? 

15) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

16) Elabore um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema "COMO ACABAR COM O BULLYING NAS ESCOLAS": 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Victor, da dupla "Victor & Léo", bateu mesmo na sua mulher grávida?

Poliana, mulher de Victor, da dupla "Victor & Léo", disse que foi jogada ao chão e chutada por ele. Após a briga, barrada na porta da própria casa. Impedida de sair por um segurança e pela irmã do cantor. Imagina a aflição?! Ela foi salva por uma vizinha, que chamou o elevador para ela. Victor bateu mesmo na sua mulher grávida? Olhando assim na tevê, a criatura tão linda, simpática, carismática, a gente não acha. Tão bonzinho no programa de criancinhas, né? Será que bateria? 

Então devo avisar a vocês que batedores de mulheres não são os ogros que a gente imagina. Eles são bem vestidos, simpáticos, carismáticos, boa pinta. Lembram-se do Pedro Paulo, amigo do Eduardo Paes? Então! Se fazem de super bonzinhos. Educados. Cara de bons moços. É dentro de casa que a parte agressiva aparece. Só dentro de casa. Na rua, uns fofos. Para uso externo, uma delícia. Dignos de participarem de programas de criancinhas. Vai viver com ele, depois me conta. 

É dentro de quatro paredes que a máscara cai. Que a violência brota. Pelos menores motivos. E muitas, muitas vezes. Agressores de mulheres não batem uma vez. Batem muitas. Agridem oralmente. Humilham. Massacram sem uma mancha roxa. Murcham a alma e a autoestima da mulher. Por que elas aguentam? Porque depois eles se acalmam. Dizem que amam. E, como canta o próprio Victor na música "Vai me perdoando": "Vai me perdoando esse meu jeito estranho. Eu sei que fez você sofrer. Vai me perdoando..."

Elas, massacradas, ficam em dúvida. Perdoam. Eles dizem que elas não encontrarão ninguém. Ou ninguém melhor do que eles. Porque elas já se sentem um lixo e acham mesmo que não vão achar. Que não têm outra saída. Muitas não têm família, amigos, suporte afetivo. Muitas se calam para que os outros não descubram. Por vergonha. Por medo. Agressores botam medo. 

Um dia elas se cansam. Ou um dia o medo de ser morta ultrapassa a vergonha de falar, de pedir ajuda. Nesse dia, elas correm. Vão à polícia. Se expõem. E aí o que seria o princípio de um alívio, vira pesadelo. Depois da denúncia, ela volta pra onde? Para a casa do agressor que é sua também? No mesmo teto? Como? A mulher agredida que denuncia o agressor tem contra ela o marido, os amigos do marido, a família do marido. No triste caso aqui, os fãs do marido. Ela é a má. A megera. A bruxa. Pior: o sangue esfria. O prejuízo aparece. Ela se vê exposta. Todo mundo comentando. O programa de criancinhas já não quer mais ele lá. Uma grana a menos. Um bebê chegando. Até que seja para contar na pensão, em caso de separação, já é um prejuízo, pensa bem. 

É essa pressão, numa alma dolorida, que faz a vítima voltar atrás e desmentir sua denúncia. O que sempre acaba dando um resultado patético. Lembram-se da mulher de Pedro Paulo, que acabou quase dizendo que ela se bateu? É assim. Pergunte às mulheres vítimas de maus tratos sobre seus hematomas. Elas esbarraram. Caíram da escada. Só um tombo bem feio. Seria engraçado, se não fosse tão triste. 

Em sua conta do Instagram, Poliana diz: 

1- "Em Belo Horizonte não tenho parentes ou amigos, estava distante da minha cidade natal e, após a discussão com minha sogra, sem sentir o apoio do Victor, que tentou me conter, vi na polícia um lugar em que me senti amparada." Você está angustiada, na falta de um ombro amigo, dá um pulinho rápido na DP para dar uma desabafada. É o primeiro lugar que te vem à cabeça, não é? Confessa! Quantas vezes você já foi conversar com um desconhecido policial amigo na DP? 

2- "Em momento algum considerei que tivesse ocorrido qualquer crime." Uma denúncia sem crime? Existe isso? Se não tem crime, vai tomar sorvete na esquina. Esfriar a cabeça. Na polícia? 

3- "Fez perícia no IML para comprovar a inexistência de qualquer lesão feita pelo marido." Se não há o que comprovar, não se vai ao IML. Os peritos têm mais o que fazer. 

4- "Victor não me machucou e nunca me machucaria". Ele jogou sem força? Chutou de leve? 

5- "Não tinha interesse na apuração de natureza penal." Não tinha mesmo. Não tenho estatísticas. Mas, no meu consultório, a enorme maioria das mulheres que procura a polícia, faz a denúncia, o exame no IML. E guardam para sempre. Sem pensar em usar. Em continuar a questão. Elas denunciam como forma de mostrar que não mais aceitarão as agressões. Que não ficarão caídas. Que agora estão em pé. Tentando ficar inteiras. E não aceitarão continuar sofrendo. Na maioria das vezes dá certo. O agressor amansa um pouco. Ameaça, mas elas refrescam sua memória e eles botam o rabo entre as pernas. Pode ser que não haja mais agressões. Pode. Muitos casos se resolvem assim. Sem continuar a questão penal. Não é sempre. Muitas são as mulheres que morrem vítimas dos homens com quem vivem. Por isso esse caso é importante. Todos são. Lamentavelmente vemos os casos de violência doméstica tratados como assunto menor. Não são. Mulheres são assassinadas todos os dias. Esse assunto é grave. Urgente. Não podemos fechar os olhos. 

O goleiro Bruno, solto recentemente, é um exemplo bem claro de como assassinatos de mulheres não são levados a sério neste país. 

"-- Tem que ver o motivo."
" -- Alguma ela fez."

Mentira. Nada justifica a agressão. Nada justifica nenhuma agressão. Temos que parar de julgar as vítimas e proteger os criminosos. 

"-- A mulher é dele."

Nenhuma mulher é de ninguém. Não somos objetos. Nem posse de ninguém. Alguém já viu certificado de registro de mulheres? Somos mulheres. Sou de ninguém. Sou de quem eu quiser. Provisoriamente e olhe lá. Eu sou minha dona. Ninguém me manda. 

"-- Ela apanha porque gosta. Sem vergonha."

Dobre a língua. Mulheres agredidas não são sem vergonha. Muitas não têm como se sustentar. Nem onde morar com seus filhos. Vemos homens com esse discurso. Podre. Para eles valemos menos. Somos inferiores? Objetos de prazer? Não nessa condição. Vida de mulher vale menos? É isso em que a Justiça acredita? Porque é assim que ela age. Ninguém vale menos. Ninguém é menos. Por nada. Nenhum motivo. Nós mulheres pedidos ajuda. Justiça, abra os olhos. Largue essa balança desregulada e machista. Dá um colinho pra gente. Proteja. Acolha. Você é mulher também. Não se esqueça mais disso.

Triste é ver mulheres reproduzindo o discurso machista. Acusando suas irmãs. Mulheres, se não formos nós, quem nos protegerá? Hoje é Poliana. E amanhã? Quem garante que não é você? Sua filha? Sua mãe? Parece que a gente vale menos. Que pode estuprar, passar a mão, se esfregar, agredir, falar o que bem quiser e tudo bem. Não pode. Não vai poder mais. A gente não vai mais calar. Nem abaixar a cabeça envergonhada. Todos juntos somos fortes. Somos mais e melhores. Vamos reagir. Vamos nos ajudar. Vamos ser uma pela outra. E fazer a diferença. Vamos ensinar aos nossos filhos, nossos alunos, nossas crianças. Nada justifica. Bater não vale. Não pode. Apanhar também não. 

(Mônica Raouf El Bayeh -  Jornal "Extra" - 28/02/17)
(http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/victor-da-dupla-victor-leo-bateu-mesmo-na-sua-mulher-gravida-20990707.html)


01) A autora do texto acima, já no título, nos faz uma pergunta. Qual? Ela conseguiu, direta ou indiretamente, responder a essa pergunta? Comente, utilizando passagens do próprio texto:

02) E você? Que resposta daria a essa mesma pergunta? Justifique sua resposta:

03) Posicione-se sobre as passagens destacadas no texto, argumentando bem:

04) Por que motivo você acha que a autora utilizou versos da própria música da dupla? Explique:

05) Copie uma passagem do texto em que podemos notar uma ironia, explicando seu raciocínio:

06) Que paralelo a autora fez entre o caso envolvendo o cantor Victor e o goleiro Bruno? O que você pensa a respeito disso? Comente:

07) Segundo a autora, o que é mais triste ainda do que o discurso machista vindo dos homens? O que você pensa sobre isso? Justifique sua resposta:

08) Que mensagem o texto da Mônica lhe transmitiu?

09) Você acha que deve haver espaço, principalmente em cargos públicos, para pessoas que agridem as outras? Justifique sua resposta:

10) O fato de o texto ter sido escrito por uma mulher tem alguma relação com o ponto de vista defendido? Comente:

11) Se houve mesmo a agressão: o que você faria no lugar da Poliana? E se não houve a agressão: o que você faria no lugar do Victor?

12) Que recado você gostaria de enviar para a Poliana? E para o Victor?