segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um conto africano...

Furos no Céu

Houve um tempo em que o Céu e a Terra eram muito próximos um do outro. Diziam que da torre do palácio se podia colher um ramalhete de nuvens, rabiscos de pássaros, carneirinhos saltitando...

Esta história aconteceu numa aldeia africana. Havia tanta luz naquele dia que duas mulheres pegaram seus pilões para amassar grãos de milho no quintal de casa. Elas diziam amar a claridade e o festejo da lua cheia. Tudo era muito mágico. 

Assim, trocavam mexericos e gargalhadas narrando histórias, que as levaram longe, longe. Naquele converseiro o tempo ia passando e as histórias se derramando, feito um rosário de ave-marias. Uma das mulheres, entusiasmada com a conversa, levantou a mão do pilão com tanta força e tao alto, que fez um furo no Céu. 

O Céu tomou um susto ao ver aquele furo e desabou a berrar. Elas de tão entretidas nem ouviram, continuaram em sua conversa, pisando nos seus pilões. 

Assim o infinito azul foi ganhando furos e mais furos. Aquelas mulheres jamais imaginavam que seus pilões iam transformando o Céu numa verdadeira peneira. O Céu irado, da cor das violetas, gritou mais que um tanto: 

-- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! 

O grito chamou a atenção das mulheres, que olharam para o alto e disseram: "Vai chover". Diziam uma para a outra: "Avia, avia, avia... Recolhe o milho e o pilão..." Parecia uma cantoria. 

Indignado, o Céu resolveu ordenar ao tambor em tom de autoridade:

"Toque alto, por favor!
Atravesse portas e janelas
Chegue aos ouvidos das piladeiras
Convidando-as a me olharem
Sob as sete luas que as iluminam."

Elas, encantadas pelo soar do tambor, aproveitaram para dançar. A cadência foi crescendo, crescendo, crescendo. O Céu achou bonita aquela dança, que alegrava o seu universo. Mas nada podia mudar sua decisão de separar-se da Terra. Ou subia ou ficava todo furado. Foi subindo, subindo, até chegar num lugar perfeito: nem tão perto que alguém pudesse tocá-lo com a mão do pilão, nem tão alto que ninguém pudesse vê-lo. 

E não é que ele sentiu saudades do tum-tum-tum do tambor, do barulho dos grãos no pilão, das histórias das mulheres e de suas canções?! Foi então que o Céu teve a ideia de transformar os furos que as mulheres haviam feito em estrelas, para que pudesse continuar espiando as coisas da terra.

Satisfeito, o Céu sorriu, E foi contando essa história de aldeia em aldeia, com a intenção de que ela se espalhasse pelo mundo e pudesse ser contada e recontada onde houvesse alguém para escutá-la. 

Assim, segundo os africanos, nasceram as estrelas do céu, pontinhos luminosos no azul, para iluminar a África. 

(Lenice Gomes) 

01) Em muitos contos, o narrador inicia situando o tempo e o espaço em que ocorrem os fatos. Identifique, no segundo parágrafo, as expressões adverbiais que expresssam essas informações:

02) Que tipo de narrador conta a história em questão? Justifique sua resposta com uma ou mais passagens do texto:

03) Identifique a protagonista e explique sua importância para o enredo:

04) Podemos afirmar que o enredo do conto é um mito de origem? Explique: 

05) Esse conto faz parte da tradição oral africana, que passa de geração para geração. Retire do texto uma parte em que isso fica claro: 

06) No sexto parágrafo, justifique o emprego do travessão: 

07) Qual o efeito de sentido provocado pelo alongamento do "i" na fala do Céu, que aparece destacada no texto?

08) Explique o efeito semântico conseguido através da repetição da palavra "crescendo" presente no décimo parágrafo:

09) Quando, em geral, se emprega o gerúndio? Se fosse "crescia, crescia, crescia" em vez de "crescendo, crescendo, crescendo", o efeito de sentido se manteria? Por quê?

10) Céu e Terra estão escritos no texto com letras iniciais maiúsculas. Por quê?

11) O conto retrata, pelo menos, três costumes de moradores de aldeias africanas. Quais?


12) O conto em questão foi extraído do livro acima. Descreva a ilustração da capa: 

13) No que você acha que a menina está pensando? Comente: 

14) Observando, especialmente, o semblante da menina e o jeito curioso do macaco, o que podemos imaginar que está acontecendo? 

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