quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Para refletir sobre o GOLPE... ops, sobre o IMPEACHMENT!

A política é quase tão complexa e excitante quanto uma guerra - e não menos perigosa. Enquanto na guerra a pessoa só pode ser fuzilada uma vez, na política ela morre várias. Mas o que me parece curioso é ter visto a coragem de uma única mulher fazer isso no lugar de tantos homens. Uma mulher ter enfrentado uma casta de conluios corruptos de cabeça erguida. Sozinha. Diante da aristocracia branca. Masculina. Misógina. Conservadora. Covarde.

Dilma poderia ter tocado fogo no circo ou tentar apagar o incêndio. Poderia ainda abrir a caixa-preta do governo e constranger dezenas de ex-aliados. Poderia abaixar a cabeça, pedir desculpas e evitar falar em golpe, pois para muitos essa fala soa quase como um insulto, um ato de penitência temperado com lágrimas. Tudo isso talvez funcionaria. Mas com outro personagem. Na pele de Dilma, esses eventos soariam como falsos e artificiais. Coisa que ela está longe de ser. Sem se preocupar em espalhar gasolina e riscar o fósforo, a presidente optou pelo meio-termo no seu juízo final. Os estertores do processo indicavam que não havia mais esperança de virar votos, então ela escolheu o caminho do meio. Não confrontou os senadores, tampouco se curvou para pedir clemência.


Apesar das suas omissões, dos erros e das inconsistências jurídicas que contestam a viabilidade de seu governo, Dilma demonstrou coragem para ir até o fim. Diferentemente de muitos outros - homens, por sinal - tal como Collor e Eduardo Cunha, que renunciaram antes do desfecho. Em vez de se esconder, ela escolheu cair de pé na esperança de ser absolvida pela própria história. Escolheu esta posição porque sabe que ainda está viva e que o conflito está apenas começando. Aqueles que comemoram felizes a derrocada, saibam que enquanto as costas de uma mulher inocente cai sobre o solo, o fuzil avista agora um outro plano, talvez bem mais interessante que ela: o próprio povo. Você!


Ainda que haja previsões, nunca saberemos de fato o que nos espera daqui em diante. Mas o fato é que assim que as paixões da sedenta revanche partidária se assentarem, a realidade virá à tona. Seremos somente nós e eles de frente uns pros outros. Eles e nós. Os barões famintos. Não há mais intermédios para que você, enquanto povo, seja também fuzilado. Só espero humildemente que esteja preparado porque, ao contrário dos políticos, que possuem sete vidas, acredito que vc tenha só uma. Já no tocante à democracia e aos seus direitos - sobretudo se pertencer a uma minoria - aconselho que aprume as velas, resguarde os botes, confira as boias. Teremos que nadar meio mundo se quisermos alcançar de novo a Idade Média.

(Samuel Barroso)

01) Que dois elementos são comparados logo no primeiro parágrafo? Que características eles têm em comum? Você concorda com isso? Comente: 

02) Que título você daria a esse texto? Justifique sua resposta: 

03) Por que uma pessoa pode morrer várias vezes na política? Explique:

04) A quem se refere a passagem destacada no texto: "Uma mulher"? Esse nome a que ela se refere vem antes ou depois dela, no texto? O que é mais comum, geralmente? 

05) As duas expressões destacadas no segundo parágrafo estão no sentido denotativo ou conotativo? explique-as: 

06) O que seria "abrir a caixa preta do governo"? Por que você acha que a presidente Dilma não quis fazer isso até agora? O que você faria? Explique:

07) Que "caminho do meio" seria esse o escolhido pela Dilma? Posicione-se sobre essa questão, argumentando: 

08) Segundo o autor, quais foram os erros da Dilma? Você concorda ou não com ele? Por quê? 

09) Explique a passagem destacada no terceiro parágrafo do texto:

10) Por que os políticos têm sete vidas e o povo somente uma? 

11) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente:

12) Após lê-lo atentamente, o autor é contra ou a favor da Dilma? Justifique-se: 

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