quarta-feira, 13 de julho de 2016

Vai mais uma atividade sobre CARTA aí?!?

Carta Verde


     Daniel e André, 

     Há dias venho tentando montar um texto que represente, no final, uma esperança. Porque não vejo no direito de esmagar na cabeça de vocês a crença que têm na possibilidade de um futuro. Quando ouço os dois a fazerem planos normais de criança – vou ser isto, vou ser aquilo - , planos que mudam a cada temporada e a cada nova descoberta, me ponho a pensar sobre se esse futuro vai existir. Ou de que modo vocês vão sobreviver.

     Quero contar pequenas histórias. O sentido delas será fácil perceber:

     Um dia, vocês nem tinham nascido ainda, sua mãe e eu compramos uma chácara. Pequeno pedaço de terra, imensamente verde. Nesse recanto, durante anos plantamos dezenas de árvores, cada uma com carinho e significado especiais.

     Lembro, por exemplo, uma viagem que fizemos a Minas. Paramos na estrada, no meio da manhã ensolarada, para que a Bia desse de mamar tranquilamente ao Daniel. Enquanto esperava, saí do carro e deparei, à beira da cerca, com uma árvore inteiramente florida. O chão, repleto de vagens secas. Apanhei várias delas, arrisquei plantar, vingaram, fizemos cercas e manchas de árvores floridas. A imagem que associo a estas árvores é a de alimento, nutrição.

     Naquela chácara, havia duas árvores diferentes, com um significado que transcende a tudo: um ipê e um pau-brasil, diretamente ligados à vida de vocês. Quando Daniel nasceu, um amigo chegado levou à maternidade aquele que acabou sendo o presente mais duradouro. Num vasinho, a muda de ipê com um cartão: "Que sua vida tenha a força e duração desta árvore". 

     Quando André nasceu, o avô materno levou a muda de um raríssimo pau-brasil, dizendo: "Que você via, enquanto ele viver.”

     À primeira vista, parecem profecias arriscadas, afinal as mudas poderiam não vingar. Mas a um olhar mais profundo, os dois presentes revelaram a imensa confiança que alguns homens têm na natureza e no que vem dela :o sentido de vida, eternidade, permanência e continuação.

     As árvores, meus meninos, desde o início do mundo tiveram o mais importante dos sentidos: o de representar a vida.

(Ignácio de Loyola Brandão)


01) A quem se destina a carta? O que lhe deu essa dica? 

02) Os filhos são adultos ou crianças? Justifique sua resposta utilizando uma passagem do texto:

03) Como o pai percebe que os filhos acreditam no futuro? 

04) O pai tem a mesma certeza que os filhos de que haverá futuro? Comente:

05) Na sua opinião, o que pode trazer ao pai a incerteza quanto à existência de um futuro? 

06) Mesmo não confiante, o pai resolve escrever uma carta que possa representar uma esperança. Por quê? 

07) Por que o autor associa às árvores a ideia de "alimento, nutrição"?  A que árvores ele está se referindo?

08) Qual a relação entre os meninos e as duas árvores? 

09) O pai cumpriu com o objetivo dele? Por quê? 

10) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

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