domingo, 3 de julho de 2016

Muuuuuuuuuuito bom texto!

Grevistas não são safados que não querem trabalhar

Voto é como compra na internet. Às vezes dá certo. Às vezes não dá, aí é um caos: vem, mas não é seu número, é muito grande, muito pequeno, a cor não é bem o que mostrava, vem, mas não funciona. No caso do Rio de Janeiro, parece que foi bem assim. Votamos buscando parceria. A propaganda era enganosa e o que veio mesmo foi um senhor de engenho.

Temos senhores de engenho. Os escravos, muitos de nós. No caso de hoje, os professores. Os professores fazem greve e são tratados como escravos fujões. Claro, como todo escravo atrevido, amarrados ao tronco para aprender a lição.

Vimos cenas de embrulhar o estômago de revolta. Nossos professores apanhando nas ruas como cão ladrão. Ninguém se revolta? Cães maltratados dão muito mais ibope no Facebook do que professores? Não é de se estranhar?

Os feitores, a PM, não percebem que são tão escravos quanto os professores. Também não têm suas necessidades básicas atendidas. Uns poucos já se revoltam com as péssimas condições de trabalho que lhe foram oferecidas na Copa.

Barão de Montesquieu dizia: "a injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos". Entenderam ou querem que eu desenhe? A PM sem alimentação e sem acomodação adequada se queixou. Não sei se chegaram a perceber o quanto são próximos dos professores. Em termos funcionais, quase irmãos. Mas ainda não conseguem a empatia necessária para se irmanar com grevistas.

Os escravos tinham quilombos, os professores não querem se esconder, querem denunciar. Porque é preciso denunciar o massacre que está sendo feito na Educação pública. Os desmandos sem noção que eles são obrigados a obedecer.

Professores estão sendo demitidos, considerados INAPTOS a exercer a função porque fizeram greve. Inaptos a quê? A fingir que está tudo bem? A se calar frente à pouca importância que os educadores têm nesse governo? Então INAPTIDÃO é a saúde de diagnosticar a doença! Inaptidão é vida e esperança de dias melhores. Educadores não podem ser vaquinhas de presépio. Há crianças sendo prejudicadas. Como se calar frente a isso?

As nossas crianças sem seus direitos mais básicos atendidos. Eles não precisam de crianças, precisam de números camuflados. Números que mostrem só felicidade. Povo burro, desinformado fica feliz mais facilmente. Professores só atrapalham esse processo de desinformação.

A chibata agora é no salário. Os contracheques dos professores vieram zerados. Numa clara falta de ordem, justiça ou critérios. Professores que exercem a mesma função receberam valores que oscilam de 123,00 a zero. Com base em que mesmo?

Nossa primeira reação é pensar:

- Bem feito. Não trabalharam. Querem receber pelo quê? Trabalho zero, salário zero.

É com esse tipo de apoio que o senhor de engenho conta. Só que não. Os professores grevistas nunca se negaram a trabalhar. Trabalharam nas ruas divulgando a educação doente, sendo depenada, silenciada, aviltada. Isso é trabalho.

Professor grevista não é um sem-vergonha que faz greve para fugir da escola prejudicando as criancinhas. Professores estão angustiados porque são eles que estão vivendo esse massacre dentro e fora da escola. A educação, não se enganem, dentro das escolas também está sendo tratada a balas de borracha. Alguém tem que denunciar.

Professor descontado não repõe aula. Que fique claro isso! Ele não vai trabalhar pelo que não recebeu. Você trabalharia pelo que não recebeu? Mais uma vez, os alunos estão sendo prejudicados. Não pela greve, mas pelo governo que parece estar se lixando para tudo isso.

Os professores grevistas não são safados que não querem trabalhar. São pessoas que querem trabalhar com condições adequadas de trabalho. Sem aquela máxima de fazem de conta que me pagam e faço de conta que ensino. Não tem faz de conta. O que tem que ter é: faz as contas.

Faz as contas de quantas crianças estão se perdendo, faz as contas de quantos analfabetos funcionais estão saindo da escola com diploma, faz as contas do que vocês governantes estão roubando dessa juventude.

(Mônica Raouf El Bayeh)
 (http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/grevistas-nao-sao-safados-que-nao-querem-trabalhar-13075839.html#ixzz4DOR46xVD)


01) A que a autora compara o voto? Que argumentos ela usa para nos convencer? Você concorda com ela? Justifique sua resposta:

02) Quem são os senhores de engenho? E os escravos? E os feitores? Quem é o "escravo da vez"? Por quê?

03) A que fato a autora se refere e que a deixou revoltada? Isso foi claramente mostrado nas mídias? Por quê? 

04) Quem você acha que é pior: os senhores de engenho ou os feitores? Justifique sua resposta: 

05) Posicione-se sobre a afirmação do Barão de Montesquieu, tão bem utilizada pela autora: 

06) Por que será que PM, assim como carteiros e bancários, ou qualquer outra categoria, quando fazem greve, não sofrem tanta pressão quanto os professores? 

07) Transcreva do quinto parágrafo uma passagem em que a autora é irônica, explicando: 

08) Qual a diferença que a autora aponta entre os escravos e os professores? O que você pensa a respeito disso? 

09) Em que parágrafo a autora sinaliza que tudo anda meio invertido hoje em dia? Comente: 

10) Na visão da autora, os professores grevistas estão sendo "vaquinhas de presépio" ou não? Quem, então, estaria sendo? Por quê? 

11) Quando a autora fala que "Há crianças sendo prejudicadas", quem seria o sujeito dessa ação? De quem você já ouviu tanto falar que é a culpa? Por quê? 

12) Que mensagem o texto lhe transmitiu? De que lado dessa guerra você, afinal, está? 

Aproveito o momento também para AGRADECER à já tão querida Mônica (me tornei FÃ!) por ser esse oásis em meio a taaaaaaaaaaaaaaaaaanto deserto! Se as porradas (literais da PMerda, e não literais -- mas que doem tanto quanto -- das mídias, de diretores, do (des)governo, de alguns pais desinformados, de alguns alunos preocupados...) doem, esse abraço dela foi SALVADOR, tão necessário! Obrigada, de coração. 

2 comentários:

  1. Que linda homenagem! Poxa, mt obrigada! Adorei! Nem sei como agradecer!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Menina, quem tem que agradecer, sempre, infinitamente, sou eu... somos todos os professores... somos os "escravos" que se recusam a sê-lo... E nossa alforria está intimamente ligada a você, a todo apoio. Obrigada mesmo!

      Excluir

Deixe aqui o seu comentário sobre o blog ou sobre esta postagem em especial!!! Vou amar saber o que você pensa!! Muito obrigada pela visita!!! Volte sempre!!!