terça-feira, 28 de junho de 2016

ESTUPRO - Porque discutir sobre esse assunto nunca é demais...

Pelo fim da cultura do estupro 

Não é fácil ser mulher nesta sociedade. Os poucos anos de avanços e conquistas que tivemos não conseguem apagar a cultura machista, patriarcal e violenta que sempre envolveu a história das mulheres na humanidade.

Cidadãs de segunda classe, extensão da propriedade do homem, incapacitadas para decidir, as mulheres sempre foram maltratadas e desrespeitadas. Apesar de mudanças significativas na legislação, garantindo direitos, penalizando abusos, os ditos “costumes” ainda falam mais alto.

Só isso pode explicar os casos bárbaros de estupro a que estamos assistindo no Brasil, sendo o mais emblemático o do Rio de Janeiro em que mais de 30 homens abusaram de uma jovem de 16 anos, desacordada. Postaram fotos nas redes, fizeram comentários. A primeira ação do delegado do caso foi tentar minimizar, dizendo que precisava de mais evidências para saber se tinha sido caso de estupro!!! Ao ouvir a vítima novamente, o delegado fez-se acompanhar por mais três homens e quis saber se ela praticava sexo grupal!

É a velha tentativa de querer responsabilizar a vítima pelo crime. Afinal, se ela já tinha feito sexo em grupo, frequentava os bailes funks e não se vestia “decentemente”, o estupro estaria praticamente justificado. É bom lembrar que há muito pouco tempo livramos os nossos tribunais do argumento da “legítima defesa da honra” que permitiu o assassinato de muitas mulheres. Sempre surge, no final, a pergunta: “mas o que ela fez para merecer isso”?

A cultura prevalente é de que o homem pratique violência, com a finalidade de punir e corrigir comportamentos femininos que transgridem o papel esperado de mãe, esposa e dona de casa. “Culpa-se a vítima pela agressão, seja por não cumprir o papel doméstico que lhe foi atribuído, seja por ‘provocar’ a agressão dos homens nas ruas ou nos meios de transporte, por exibir seu corpo”, diz relatório do Mapa da Violência – homicídios de mulheres.

É injustificável, intolerável, que essa postura continue imperando entre nós. Ninguém ataca um homem porque ele anda sem camisa, mesmo que em praça pública.

Durante todo o final de semana as mulheres se mobilizaram, nas redes e nas ruas, mostrando indignação e cobrando atitude das autoridades. Os criminosos devem pagar, no Rio, no Piauí, em qualquer lugar. Pelo menos um avanço tivemos, o delegado machista não coordenará mais o caso, que agora fica a cargo da Delegacia da Criança e do Adolescente, comandada por uma mulher.

Penso que teremos tempos difíceis no Brasil daqui pra frente. O governo interino que comanda a Nação, não tem sensibilidade em relação à causa das mulheres, tampouco conhece e entende sua história. Retrocedeu e não deixou nenhuma mulher para sua equipe do primeiro escalão. É um recado claro: aqui vocês não terão vez!

Vamos resistir, como sempre fizemos! O respeito e o empoderamento às mulheres é condição essencial à democracia! Sem eles, esta será sempre estuprada!

(Gleisei Hoffmann)
(http://www.esmaelmorais.com.br/2016/05/gleisi-hoffmann-pelo-fim-da-cultura-do-estupro/)

01) Posicione-se já sobre a primeira afirmação do texto, usando o máximo de argumentos possíveis para defender a sua opinião:

02) No texto, há um dado que depois não foi confirmado. Qual? Corrija-o, explicando:

03) Você achou a postura do delegado realmente machista? Ele tentou deixar a vítima constrangida? Por quê? Comente: 

04) Transcreva do texto uma passagem que mostra diferença na forma de a sociedade tratar o homem e a mulher; justificando sua escolha: 

05) Segundo a autora do texto, qual o avanço que já tivemos com relação ao caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro? Há outros avanços, em sua opinião? Se sim, cite-os, explique-os: 

06) Você acha que as manifestações populares (várias) sobre esse caso tiveram alguma influência, algum peso, com relação à análise do mesmo? Comente:

07) Que comentários machistas você já ouviu sobre esse caso específico citado no texto, tentando culpar a menina estuprada? Cite-os: 

08) Que tipo de desfecho a autora escolheu para o seu texto? No que isso implica? Qual o efeito disso, considerando o contexto? 

09) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

10) Elabore mais duas questões sobre o texto lido: 

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