sábado, 28 de maio de 2016

ESTUPRO: o assunto que não quer parar...

Texto 01: 

Sobre o estupro coletivo: não é só porque "se fosse eu", é porque foi com ela


Se fosse sua filha. Sua mãe, irmã, tia, amiga. Se fosse você. Se. 

Eu sei que para os insensíveis é preciso usar essa técnica da projeção, jogá-los pela imaginação na cena do crime, pra ver se a empatia acontece. 

O estupro coletivo da menor de idade C.B.T.P., no dia 21 de maio, foi desumano, cruel, odioso. E real. Tem o vídeo. Os posts, os kkk,s de escárnio, os tweets, o selfie. Está tudo escancarado na nossa cara. Não tem como escapar da verdade. Aconteceu. Acontece. O tempo todo. 
Não adianta tentar voltar pra LalaLand, pro mundo de Oz, pra terra do Marshmallow cor-de-rosa. Não adianta elaborar absurdos na cabeça, tentar culpabilizar a vítima, julgar sua vida, reprovar seu comportamento. Isso é tudo manobra da mente para não aceitar que isso É REAL.

Nada vai esconder essa verdade do abuso, do machismo, da bandidagem criminosa, essa visão nojenta da mulher como objeto de posse, como brinquedo sexual, como carne para consumo. Que se perpetuará enquanto a gente não disser "BASTA!".

Há um imenso Brasil corrupto, um Brasil machista, um Brasil criminoso, que trafica, que abusa, que mata. Mas há um Brasil de pessoas desesperadas, mas ainda esperançosas, que quer lutar contra isso.

Vamos lutar. Vamos aderir. Vamos acabar com isso. Difícil? Muito. Mutíssimo, mas não impossível. Vamos pensar em lutar  contra o estupro, contra o abuso sexual de todo tipo, como um app que a gente baixa, instala e já sai usando. 

A gente tem, sim, tudo a ver com essa garota. Não precisa conjecturar ‘se fosse com você’, porque já é com você. Com você, comigo e com todos os que têm humanidade. Ela já  faz parte da nossa vida.

No museu Judaico de Berlim, no Vazio da Memória, há uma instalação com 10 mil caras sofridas feitas de ferro, que representam todas as vítimas do Holocausto. Quando você caminha sobre elas, o atrito das peças de ferro gera gritos, que ecoam pelo imenso pé direito totalmente vazio. É muito doloroso andar sobre caras, pisar naqueles rostos simulados. E aí você tem vontade de sair logo de lá, depressa. Mas quanto mais rápido tenta sair, mais gritos ecoam.

Hoje, antes de dormir, vamos deitar a cabeça no travesseiro e pensar nessa menina. E em todas as vítimas, de ontem e hoje. 

A única saída é decidir que, todos juntos, vamos lutar para impedir, ou ao menos, minimizar as vítimas de amanhã.

Abusadores. Estupradores. Não passarão.
(Rosana Hermann)


01) Você acha que há diferentes tratamentos dados quando é uma pessoa conhecida, desconhecida, próxima, distante? Por quê?

02) Qual a importância da conjunção condicional SE para o contexto do parágrafo introdutório do texto? 

03) Essa técnica citada pela autora funciona? Se sim, funciona com TODOS os insensíveis? Justifique sua resposta:

04) Copie do texto três adjetivos que sejam remetidos a um mesmo substantivo. Explicite-o, explicando seu raciocínio:

05) O que a autora utiliza como argumentos para demonstrar que ela não tem dúvida quanto ao estupro coletivo? Você concorda ou discorda dela? Comente:

06) No terceiro parágrafo, a autora utiliza dois dos três tempos verbais. Quais são eles? Qual ficou de fora? Este que ficou de fora foi com qual intenção? Explique:

07) Como, na prática, podemos dar um "BASTA!" para todos esses problemas citados pela autora no quinto parágrafo? 

08) Você concorda que existem dois Brasis? Qual é o predominante? De qual deles você faz parte? 

09) Por que o verbo destacado no texto está no singular e não no plural? Comente:

10) Que comparação a autora utiliza para mostrar que tentamos fugir depressa da dor, do incômodo, mas que isso não resolve? Posicione-se sobre isso:

11) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 


Texto 02: 


12) Transcreva do cartaz acima um advérbio de tempo: 

13) Explique o porquê da mulher estar com a boca tapada e o que isso revela:

14) Você acredita que "a culpa NUNCA é da vítima"? Ou acha que pode haver alguma exceção, eventualmente? Comente: 

Texto 03: 


15) Que mensagem a afirmação acima transmite? Posicione-se sobre ela, expondo seus argumentos: 

16) Que metáforas foram empregadas acima? Com que intenção? Comente: 

Texto 04:


17) Explique a charge acima, explorando todos os detalhes possíveis: 

18) Acrescente frases à charge que complementem a linguagem não-verbal:

Texto 05:

19) Explique a importância da conjunção adversativa MAS para o contexto, para entendermos o que há implícito na charge acima: 

20) Substitua o MAS por "argumentos" (ou desculpas) que dificultam as soluções para determinados problemas e que acabam incentivando a impunidade: 

2 comentários:

  1. Está inspirada!
    Discutir sobre esse tema nunca é demais!
    Parabéns!

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    Respostas
    1. Inspirada nada, estou é revoltada, indignada...
      Aí pra tentar uma catarse, eu tento inventar umas questões...
      Até porque tb estou sentindo falta das minhas turmas... das minhas aulas... mas a luta continua, tem que continuar! Sempre!

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