segunda-feira, 30 de maio de 2016

Artigo de Opinião sobre Sustentabilidade

Uma coisa grande mesmo

         Difícil falar de sustentabilidade para pessoas que não querem, não gostam e têm dificuldade de pensar no futuro. Mas a pauta do mundo hoje é essa, goste ou não, queira ou não. Porque sustentabilidade é isto: trazer o futuro para o presente. É resolver os seus problemas e realizar seus sonhos hoje sem comprometer os sonhos de quem ainda nem nasceu.
         Para quem é jovem e brasileiro, então, a dificuldade de incluir o futuro nas suas decisões é maior ainda. Vou explicar começando pelo que temos em comum: Brasil. Vivemos numa região do planeta que é muito boa e generosa com as nossas condições de vida. Para nós, humanos, para as plantas e para os animais.
         Aprendi isso no livro de Eduardo Giannetti, “O Valor do amanhã”. Ele diz que uma árvore No hemisfério norte, como por exemplo o carvalho, tem que armazenar energias no verão para atravessar o inverno, senão morre. Uma palmeira nos trópicos, onde o inverno é quente, não tem esse mecanismo de armazenagem porque não precisa.
         Isto é, nós, que vivemos nos trópicos, tendemos naturalmente a não esquentar a cabeça com o inverno, isto é, com o futuro. Daí para essa tendência virar atitude, cultura, estilo de vida, não custa nada. Conclusão: o brasileiro é cabeça fresca por natureza.
         O mesmo acontece quando temos pouca idade. Quando jovens, temos tanto para viver no presente e tanto futuro pela frente, que não temos nenhuma motivação nem espaço na cabeça para pensar no futuro. Dizem que o máximo de futuro que a maioria dos jovens consegue pensar é três ou quatro dias. Mais praticamente, o tempo da próxima balada ou o prazo para entregar o trabalho da escola.  
         Normal. De verdade, a gente só começa a pensar no futuro para valer quando casamos e temos filhos. Aí é que se começa a pensar sério na vida, fazer planos, poupar, essas coisas.
         Então, para jovens brasileiros, sustentabilidade é papo cabeça, abstrato, que só vira realidade quando vê crianças morrendo de falta de água, ursinho morrendo de falta de frio, peixe morrendo de falta de ar, floresta morrendo de falta de inteligência humana e boate fechando por falta de energia elétrica para a guitarra e o ar-condicionado.
         Estou falando isso para mostrar o tamanho do desafio para um jovem dos trópicos entender o que de fato está por trás da sustentabilidade e poder se preparar para contribuir na virada deste jogo que está pondo em risco o seu próprio futuro.
         Não adianta chorar o leite derramado, a árvore derrubada e colocar a culpa nas gerações passadas. É bola pra frente. Tem mais é que entender o que os outros não entenderam e reinventar nosso estilo de vida a partir de uma nova consciência. A nova consciência diz que o tamanho do “aqui, agora” tem que ser muito grande, tão grande que não fique nada de fora. Nenhuma criança, nenhum urso, nenhum buriti, ninguém, não importa se é do hemisfério norte ou sul, se é muçulmano ou judeu, se é do passado, do futuro ou do presente. Porque tudo é interdependente.
         É uma coisa grande mesmo. Muito maior do que o aqui, agora da minha geração, que muita gente entendeu que era pequeno e curto e acabou detonando sua saúde em poucos anos, destruindo sua vida e privando o futuro do seu talento. Muitos amigos, muitos músicos geniais foram destruídos por essa má compreensão do “aqui, agora”.
         Minha geração pagou caro para aprender, mas corrigiu o erro em tempo e colocou um big e um long na frente do here e do now. São só dois adjetivos, mas fazem toda a diferença ma hora de sonhar um sonho que não vira pesadelo, na hora de escolher uma profissão que não vira um mico.
         Vamos combinar: para sustentabilidade não existe futuro nem passado, só existe o presente, um presente eterno, um presente tão grande que só cabe na nossa consciência, e se está na consciência vira estilo de vida. Então, a saída é acordar para essa nova consciência. Como cantam Céu e Beto Villares na sua “Roda”: “Caiu na roda, ou acorda ou vai dançar”.

(Ricardo Guimarães – Revista MTV)

01) Qual o conceito fundamental que o artigo se propõe a divulgar?

02) Leia as definições de SUSTENTABILIDADE e SUSTENTÁVEL no Dicionário Houaiss, respectivamente: característica ou condição do que é sustentável; que pode ser sustentado, passível de sustentação.

a) Essas definições abarcam todos os sentidos com que o termo é utilizado no texto? Explique sua resposta:

b) O texto supõe que o conceito de sustentabilidade pode ser nebuloso para o leitor. Que estratégia é empregada já no primeiro parágrafo para garantir a eficiência da informação?

03) Ao explicar o desinteresse dos jovens brasileiros pela sustentabilidade, o autor apresenta duas justificativas:

a) Quais são elas?

b) A que característica dos jovens brasileiros cada justificativa está relacionada?

04) Releia o segundo e o terceiro parágrafos do texto.

a) O articulista afirma: “Aprendi isso no livro do Eduardo Giannetti, “O valor do amanhã”. A que informação apresentada no livro de Giannetti se refere o termo ISSO?

b) Que outro ensinamento, presente no mesmo livro, é reproduzido no artigo?

c) Quando o autor do artigo insere a referência a Eduardo Giannetti em seu texto, que tipo de argumento está usando? Que efeito sobre o leitor se espera com o uso desse tipo de argumento?

05) De acordo com o texto, as plantas e as pessoas que vivem nos trópicos se assemelham.

a) Em que se assemelham?

b) Essa ideia pode ser atribuída ao autor do livro “O valor do amanhã” ou é uma ideia do articulista que escreveu o artigo de opinião? Comente:

c) Ao definir as características das pessoas que vivem nos trópicos, o texto acaba, implicitamente, sugerindo as características de quem vive no hemisfério norte. Quais seriam elas?

d) Em sua opinião, essas características de fato se verificam? Explique sua resposta:

06) No quinto parágrafo, o que a expressão “dizem que” revela a respeito das fontes consultadas para a introdução, no texto, da ideia de que jovens só pensam no presente? Qual é a importância dos exemplos de balada e da entrega do trabalho escolar no desenvolvimento desse argumento?

07) De acordo com o que é apresentado ao longo dos parágrafos, pode-se dizer que o artigo “Uma coisa grande mesmo” se organiza em dois blocos principais.

a) O que é tratado em cada bloco?

b) Que parágrafo introduz o segundo momento?

c) A que se refere o pronome ISSO no início do oitavo parágrafo do texto?

d) De acordo com os parágrafos finais do texto, quais são as posturas que o jovem deve adotar “para contribuir na virada deste jogo que está pondo em risco o seu próprio futuro”?

08) A revista em que o artigo foi publicado dirige-se a um público jovem. Em seu texto, o articulista mostra empenho em atingir esse público? Explique:

09) O articulista faz parte do grupo com o qual se comunica? Justifique sua resposta com trechos do texto:

10) A referência a baladas e trabalhos escolares mostra a preocupação de se falar para um público leitor específico. Cite outras passagens do artigo em que os exemplos e as referências usadas também fazem parte do universo desse público leitor:

11) Além da faixa etária, que outras características podem ser associadas ao público para o qual o artigo foi escrito? Explique sua resposta:

12) O artigo de opinião tem por objetivo influenciar as ideias e o comportamento de seu leitor. Para alcançar esse objetivo, adula-o (seduzindo-o com elogios e acolhendo seus interesses e expectativas); choca-o (mostrando suas falhas e as consequências negativas de sua postura); orienta-o por meio da razão (analisando as vantagens e desvantagens de uma situação com o auxílio de dados concretos), entre outras estratégias.

a) Qual estratégia é adotada no artigo que você leu?

b) Transcreva trechos que comprovem sua resposta:

c) Em sua opinião, essa é uma estratégia eficaz para atingir o leitor?

13) Observe que o artigo generaliza o comportamento dos jovens. Em relação aos adultos, é diferente? Em relação à sustentabilidade, qual é o comportamento esperado por parte de um adulto que “pensa sério na vida, faz planos e poupa”? Esse comportamento se verifica na vida prática? Como os argumentos do texto poderiam ser alterados se o texto fosse escrito para um público leitor composto por adultos?

14) O título permite ao leitor antecipar o tema que será abordado no artigo? Por quê? Que outro título você daria?

15) Esse título seria adequado para uma notícia, uma reportagem e um artigo de divulgação científica? Explique sua resposta:

16) Transcreva do texto exemplos de frases feitas, ditados populares, frases feitas, gírias, explicando o que isso revela:

17) Releia o período que se encontra destacado no texto:

a) Identifique um desvio em relação à norma padrão do português escrito, “corrigindo-o”:

b) Esse uso está adequado a esse texto? Ele seria aceito na oralidade, por exemplo?

18) No artigo, são utilizadas algumas palavras em inglês. Isso afasta ou aproxima o artigo do público-alvo? Justifique-se:

19) O texto conseguiu o que ele queria? Justifique sua resposta da maneira mais completa possível:

20) Sobre que tema você gostaria de ler um artigo de opinião? E para de repente elaborar um? 

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