terça-feira, 26 de abril de 2016

Ainda sobre cuspidas na cara...

A defesa da cusparada, um retrocesso evolutivo

Triste momento nós estamos vivendo, onde o desespero por ter razão faz com que até cusparada seja tida como contra-argumento defensável. É simples, mas como vejo muitos adultos alfabetizados cometendo esse equívoco, faço questão de tentar explicar o absurdo inerente a essa forma de pensar. Começando pelo argumento mais utilizado, aquele que aceita a cusparada como um revide aceitável quando a vítima emite opiniões divergentes em tom agressivo. No caso, dois políticos dentro do Plenário da Câmara. Os dois já defenderam ditadores, os dois são extremistas em seus pontos de vista. Cada um deles tem o direito de expressar suas opiniões naquele local, por mais repulsivas que sejam. Se você os considera abjetos, perceba, eles foram eleitos pelo povo. Então, num exercício rápido de lógica, você pode constatar que o reflexo nunca será diferente do monstro que se posiciona na frente do espelho. 

Quando você defende uma cusparada dada por um deles no outro, afirmando que foi um revide impulsivo contra uma atitude de desrespeito, valorize o esforço de seus pais em sua educação primária, você está incoerentemente aplaudindo um gesto bestial como método honroso para granjear respeito. E os cuspes celebrados se multiplicam. O ator revoltado dá uma cusparada num casal que o agredia verbalmente em um restaurante, perdendo qualquer razão que poderia ter na discussão. E, ao invés de pedir desculpas públicas, afirma não se arrepender do ato impensado. Quando o ser humano deixa de pensar exatamente nos conflitos argumentativos, onde é levado a exercer essa habilidade que nos difere dos animais irracionais, ele está exercitando apenas o seu direito de ser imbecil. 

Você aprende a ler e a escrever, estuda décadas com plena dedicação, daí, quando chega o momento em que você é levado a utilizar eficientemente sua retórica para defender seu ponto de vista no calor da discussão, você dá uma cusparada. Você não tem que pedir perdão apenas pra quem recebeu no rosto a saliva expelida de sua boca, mas também pedir perdão aos seus professores, pedir perdão aos seus pais e aos filósofos que se erigiram ao longo da história como preceptores do, lamento dizer, dada a análise que faço no texto, superestimado gênero humano. Tenho absoluta certeza que irão aparecer comentários criticando minha visão sobre o tema, pessoas irão afirmar que estou dando mais importância ao cuspe do que à agressão verbal que o incitou, provavelmente as mesmas que repetem mantras tolos como “direitos humanos para humanos direitos”. Então já respondo aqui: Estude. Leia mais e fale menos. 

Quando o ser humano aceitar a selvageria como opção defensável na democracia, ele estará cavando sua própria sepultura existencial. Não há agressão brutal o bastante que não possa ser aniquilada pela força da palavra. A cusparada é o recurso dos desesperados e dos inseguros.

(Octavio Caruso)


01) Que fato(s) da atualidade serviu(serviram) como "estímulo", como base para esse texto ter sido escrito? 

02) Quais são os dois políticos indiretamente mencionados no texto? O que eles têm de diferente e o que eles têm em comum? 

03) A que ator o texto também se refere? Explique:

04) Copie do texto uma passagem que contenha uma certa ironia, explicando-a: 

05) Posicione-se sobre as passagens destacadas no texto, argumentando a fim de defender bem o seu ponto de vista! 

06) Qual a opinião do autor sobre as cuspidas? Quais os argumentos principais levantados por ele para defender essa opinião? 

07) Você já cuspiu em  alguém? Já sentiu vontade? Cuspiria? O que você pensa a respeito disso, de um modo geral? Comente: 

08) Você realmente acha que o maior problema foi a cuspida? Justifique sua resposta: 

09) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

10) Vale a pena dar uma refletida sobre o vídeo abaixo:



2 comentários:

  1. Respostas
    1. Que isso, menina! Ando tão desanimada...
      Mas obrigada pelo carinho de sempre!

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