quarta-feira, 2 de março de 2016

Trazendo para a discussão...

Texto 01: A Pátria Educadora passa a borracha
Que ligações haveria entre a depredação de uma escola em Valparaíso de Goiás, uma circular proibindo o acesso da imprensa às escolas públicas do DF e o ataque selvagem da PM do Paraná aos professores que buscavam defender seus direitos na Casa do Povo? Unindo as três pontas e analisando-as sob o prisma marqueteiro da Pátria Educadora, chegamos à triste conclusão de que o governo, de qualquer matiz ideológica, não tem a menor compreensão da importância desse setor para o país, talvez por desconhecer ainda a estreita relação entre educação e futuro.
 A diluição do prestígio profissional dos professores ao longo dos últimos anos está na base das rebeliões que se sucedem em várias escolas país afora. Ao reconhecer os professores, profissionais que nem o Estado valoriza e protege, os alunos se sentem encorajados não só para desafiá-los abertamente mas confrontá-los fisicamente, como tem acontecido com frequência. Acuados dentro e fora dos estabelecimentos de ensino, os professores vão perdendo espaço e a liberdade de atuação. A escola, antes um reduto sagrado, vedado a intromissões alheias ao ensino, transformou-se em espaço de disputas com cada elemento entrincheirado em um canto.
 Professores, alunos e Estado não se entendem. Os mais de 170 professores feridos com balas de borracha pela polícia do Paraná, marcam episódios de uma batalha, cuja a guerra esta longe de terminar. Ao usar porretes, balas e cães da raça pitbull para atacar os professores, a imagem que o Estado passa para a população, alunos incluídos, é que as tropas de choques estão agindo contra malfeitores e desordeiros comuns que devem ser barrados à força. Nem aos invasores de terras e prédios públicos é dado tamanho rigor. Observado em seu conjunto, a educação pública no Brasil reproduz o mesmo caos verificado hoje em todos os setores e atividades da máquina administrativa. Talvez seja o fato de reconhecer, de uma vez por todas, que a educação é uma necessidade humana séria demais para ser confiada a governos e a políticos de plantão. 
(Ari Cunha)


 01) Explique o duplo sentido do título:

      02) Qual é uma das causas do descaso do governo com a educação?


03) Que fragmento do texto mostra que a educação não é o único problema do país?

04) O autor também explica porque os alunos não respeitam o professor. Transcreva o trecho em que isso acontece: 


Texto 02: Quanto vale um professor?


           Na era do culto às celebridades, do elogio à desinteligência, da ânsia pelo fútil, do aplauso ao vazio, quanto vale um professor? Nada. Talvez menos que nada. Talvez seja um número negativo, uma subtração ao padrão de mundo que a maioria almeja.

Eu me considero uma eterna aluna da vida, uma estagiária da existência; e tive muitos mestres. Ainda os tenho. Daquilo que tenho aprendido, muito devo àqueles que, em sala de aula, transmitiram-me seus conhecimentos. Contudo, devo confessar que a postura dos meus verdadeiros mestres diante da vida foi o que sempre mais me ensinou.
Muitos dos meus professores ilustravam em seu currículo, de diversas formas, o ideário de suas vidas. Eles se viravam com seus baixos salários, lutando por melhor remuneração e melhores condições de trabalho. Eles tinham a audácia de se rebelar contra os ditames de nossos dias: contra a coisificação do homem e a tentativa capitalização das almas, negando-se a pactuar com a transformação dos outros em meros números, em objetos estatísticos que podem ou não nos auferir alguma vantagem patrimonial.

Sempre estudei em escola pública. Já tive aula em que o professor ditasse toda a matéria, pois o giz havia acabado. Já vi professor fazer vaquinha entre os colegas para comprar remédio de preço módico para o filho. Tive a oportunidade de ver a merenda negada ao professor, posto que o Ministério da Educação a distribuía, foi o que alegaram, apenas “para os alunos”.
Hoje, o professor, por mais que se desdobre, por mais que se dedique, por mais que tenha a sua carreira como prioritária, ganhará sempre pouco. Caso se valha apenas da docência, não terá patrimônio, não terá status, não será celebrado, não terá holofote dos veículos de comunicação. E, neste país, ainda prevalece a crença de que quem é celebridade é tudo. De que o bom profissional não é o honesto e probo: o bom é o rico.

           Isso é, implicitamente, ensinado aos nossos filhos. Ser bem sucedido é ter espaço na MTv, é ser badalado por revistas de fofocas, é ser visto de “Camaro amarelo”. Bonito é ser fotografado entre as celebridades. Ser grande é ser famoso, conhecido, não importa se para isso a pessoa tenha que “ordenhar” alguém em reality transmitido nacionalmente. Que importa se o cantor só fala uma frase na música inteira e a frase é de baixo calão? Ele é rico e famoso, e é isso o que importa.Muitos andam preocupados com a crise econômica, mas quem anda se ocupando da crise dos valores? Quem anda se dedicando ao conhecimento, à busca por novas leituras do mundo, à quebra, à ruptura do modelo desumano de sociedade que criamos? Quem se dedica a questionar padrões e a não cotejar o conformismo? Quem, além dos profissionais da Educação?
Por isso, quando vejo um professor sangrando ao legitimamente lutar por um direito seu, a minha alma sangra junto. Mas a ignorância que nos sangra não é capaz de drenar os nossos sonhos. Sabemos que o culto à celebridade, bem como o elogio à ignorância, não se sustenta se iluminado pela razão, uma vez acordada a sensibilidade de cada um.

Ser nada a uma geração onde o vazio é aplaudido de pé, remar contra o mar da mediocridade do mundo é uma glória sem preço. Em tempos como o nosso, ser menos é mais.
(Nara Núbia Ribeiro)

05) Que estratégia  argumentativa o autor usa para  iniciar seu texto?


06) Em "Eu me considero uma eterna aluna da vida, uma estagiária da existência; e tive muitos mestres". O conectivo destacado estabelece uma relação de:
(a)      Explicação                   (b) conclusão                     (c) oposição                  (d) adição

07) “Contudo, devo confessar que a postura dos meus verdadeiros mestres diante da vida foi o que sempre mais me ensinou”. O vocábulo destacado transmite a ideia de:
(a)      Adição                       (b) oposição                      (c) explicação             (d) conclusão

08) Explique o valor semântico das palavras destacadas no texto 02:

09) “Isso é, implicitamente, ensinado aos nossos filhos” (6º parágrafo). A que o pronome “isso” se refere?                                    

10) “Tive a oportunidade de ver a merenda negada ao professor, posto que o Ministério da Educação a distribuía, foi o que alegaram, apenas “para os alunos”.  Embora a  locução conjuntiva “posto que”  seja concessiva, a autora a usou como sinônimo de “já que”.  Nesse contexto, qual  a relação estabelecida?

11) Leia a tirinha do Armandinho a seguir e explique o que o povo pode fazer se começar a pensar! 

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