terça-feira, 29 de março de 2016

Texto bem interessante do Freixo

Impeachment
Faço uma apologia ao diálogo. O mundo não pode ser dividido em coxinhas e petralhas. Não ergamos muros. Muros são surdos e podem soterrar a democracia.
Não é possível que as pessoas contrárias ao impeachment ou que criticam as atitudes do juiz Sérgio Moro, apesar da gravidade de todas as denúncias contra o governo, sejam simploriamente acusadas de defenderem a corrupção.
O combate à corrupção é fundamental, mas não pode ferir regras básicas do Estado democrático de Direito. As investigações não podem ser empurradas pela lógica do “custe o que custar”, violando os limites legais.
Nossa democracia é uma conquista recente que custou muito caro. Enfrentamos o chumbo de oito anos de Estado Novo e 21 anos de ditadura civil-militar. Todos somos responsáveis pela preservação do Estado democrático de Direito.
Por mais importantes que sejam as investigações da Lava Jato e por maior que seja o clamor popular, as instituições não podem agir sob o calor dos acontecimentos e atropelar os ritos legais em nome do combate à corrupção. Não é pelo governo, é pela democracia.
Todas as manifestações são legítimas, sejam de esquerda ou direita, verdes, amarelas ou vermelhas. As ruas são o espaço da política e das nossas diferenças, mas as instituições não podem funcionar sob o ímpeto da mesma lógica.
É preocupante ver um juiz trocar a toga pela carapuça de herói nacional e extrapolar as exigências de seu cargo, publicando notas de caráter político, autorizando e divulgando escutas telefônicas juridicamente questionáveis e vazando informações de forma seletiva. O conteúdo dos diálogos é tão importante quanto o modo como eles foram obtidos.
A democracia não é construída com heróis, mas com instituições fortes e equilibradas que funcionem de forma soberana e transparente e que atuem dentro dos limites das garantias constitucionais.
A crença no salvacionismo judiciário é perigosa porque tolera arbitrariedades e reflete não apenas o completo esvaziamento da política, mas a sua total negação.
O messianismo pode ser sedutor aos espíritos cansados, mas não nos conduzirá ao paraíso. A resposta para a crise não é judicialização, mas a reafirmação da política enquanto espaço do diálogo, do convívio da diferença e da construção pública.
Precisamos criar formas de baratear campanhas eleitorais, acabar com o sequestro da soberania pela oligarquia político-econômica, fortalecer a transparência e garantir a participação das pessoas nas decisões de interesse comum.
Democracia não combina com salvadores da pátria. Como dizia o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, pobre do povo que precisa de heróis. O futuro cabe a nós mesmos.
(Marcelo Freixo)


01) A que gênero textual pode-se enquadrar o texto  acima? Por quê?

02) Reconheça as relações de sentido estabelecidas pelos conectivos destacados no texto:

03) Explique o que o autor quis dizer com "O conteúdo dos diálogos é tão importante quanto o modo como eles foram obtidos":

04) O autor termina seu texto com a frase "O futuro cabe a nós mesmos". Você concorda com isso? Escreva um parágrafo dissertativo-argumentativo sobre esse tema: 

05) Transcreva uma frase do texto que apresenta a mesma crítica contida na charge a seguir, explicando seu raciocínio:

06) O que você achou do título? Que outro título você daria ao texto?

07) Posicione-se sobre a afirmação "Muros são surdos e podem soterrar a democracia":

08) Você concorda que "É preocupante ver um juiz trocar a toga pela carapuça de herói nacional"? Justifique sua resposta: 

09) Que aparentes soluções o  autor do texto propõe para sairmos dessa crise? E quais seriam as suas soluções, especialmente para este momento? 

10) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema abordado:


(Questões elaboradas pelas professoras Andreia Dequinha e Rosa Maria)

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