sábado, 6 de fevereiro de 2016

Ensaiando um retorno


O título da postagem de hoje remete a vários sentidos. Do menor ao mais abrangente, como numa gradação. Estou ensaiando, na verdade, vários retornos, simultâneos. Ensaiando voltar a blogar aqui neste cantinho e a interagir com tantos colegas, como já foi um dia, e como era bom! Como aprendi! Como fiz novas amizades! Ensaiando um retorno a um ano letivo que eu sinto que será sofrido, massacrante, em termos de (des)governo, mesmo com a animação zero e a tolerância menor ainda. Ruim quando a gente já inicia o ano cansada, esgotada! Ensaiando um retorno ao lecionar, de um modo geral, depois de, nas férias, com tantas porradas do Pezão, pensar seriamente em desistir dessa profissão que eu ainda amo tanto, apesar dos (tantos) desgastes. 

Tem sido um período muito complicado, conturbado, sofrido para quem, como eu, espera um mundo melhor, justo, em que seja valorizado o que é certo! Cansada de ver (e de certa forma aceitar) todo mundo dizer, em coro, que não tem mais jeito, que políticos são corruptos mesmo, que o salário do professor vai ser sempre essa porcaria (ou pode, ainda, piorar), que ser honesto não está com nada, que tudo no Brasil acaba em pizza pra uns, enquanto outros só se ferram! E como dói saber que eu faço parte desse último time: dos ferrados. Dói um pouco menos saber que ainda tento, a duras penas, combater as violências sofridas. 

Difícil parar para ensinar conceitos gramaticais a alunos, como sujeito, predicado, objeto direto, vocativo e tantos outros, quando é gritante que ele, muitas vezes, desconhece o básico do básico, como seus direitos, seus deveres, o que é ética, o que é ser cidadão, o que é se preocupar com o próximo... Ele é culpado? Alienado? Bandido? Mal educado? Não, ele apenas vê, o tempo todo, que tudo isso é relativo, que o recado que o mundo parece dar é que o errado é certo e vice-versa, numa inversão louca de valores. Ele vê que, como mercadorias, todo mundo tem um preço e não um valor. Ele vê, sem saber que é uma antítese ou até mesmo um paradoxo, que a Justiça geralmente é injusta e muitas vezes ela protege quem pode pagar e não quem tem razão. São muitas as incoerências! E preocupantes! 

Não estou dizendo que teoria não é importante, mas é da prática que precisamos, é da (re)ação. É da teoria ligada à prática, diária. Não é fácil, não mesmo, mas que Deus possa me renovar e renovar também todos aqueles que precisam, e que se sentem, por alguma razão, ou por várias, desmotivados, castrados, sem esperança. Que possamos, apesar das nossas falhas, ser exemplos para nossos alunos e que possamos explorar neles a criticidade, testar o seu caráter com assuntos polêmicos, informar, provocar mesmo, acima de tudo. Que seja um ser cada dia mais pensante, atuante, lutador, ciente do que é certo, mesmo que ser certo pareça estar andando na contramão do mundo. 





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