domingo, 25 de dezembro de 2016

Um ótimo texto para a gente refletir...

Se Jesus viesse hoje, sentava na sua mesa? 


Jesus nasceu pobre. Refugiado. Perseguido. Fugindo para não morrer. Em Belém. Mas podia ser em Alepo. Em lugares em guerra. Em favelas miseráveis. No sertão do Brasil sem água, nem recursos. Se Jesus nascesse hoje, talvez fosse refugiado. 

Seu presépio lindo. Coloridinho. Singelo. Disfarça o fato de que era uma hospedaria de animais. Um curral. Provavelmente fedorento. Não era um eco-berçário natureba. Era pobreza. Desconforto. Precariedade. 

Esse Jesus celebrado com presentes e fartura é outro. O Jesus que veio era pobre e pelos pobres. Era hétero, pelo que contam. Ia a festas. Transformava água em vinho. Mas jamais sentaria numa mesa junto com homofóbicos para sacanear e tripudiar os homossexuais que passassem nas ruas. Muito menos agredir, espancar. Mesmo que os homofóbicos frequentassem as missas de domingo. Mesmo que se confessassem. Ali, não estaria Jesus. 

Jesus não está no coração dos que cospem regras e leis sobre certo e errado. Mesmo que saibam os salmos de cor e andem com a Bíblia embaixo do braço. Por gente desse tipo, Jesus foi acusado e crucificado. Como tantos ainda são. 

Jesus veio numa família de uma mãe e dois pais. Jesus, veja que ironia, não nasceu em família tradicional cristã. Maria casou grávida. De um anjo, mas grávida. E se José, assustado, com medo de passar por corno, com medo do que as pessoas iriam falar, roesse a corda, Maria seria mãe solteira. Já tinha pensado nisso? 

Igrejas que cobram por milagres, ai não está Jesus. Terreiros que acolhem e abraçam os aflitos sem pedir um tostão em troca, ali nasce Jesus. 

Policiais que jogam bomba e balas de borracha em trabalhadores que lutam por seus direitos e salários, ali Jesus não está. Nem mesmo nos que trazem medalhinhas religiosas no peito. Povo passando humilhação, sem ter o que comer, aflito pela sobrevivência? É nessa mesa que Jesus está. Me arrisco a dizer que Jesus seria grevista. 

Jesus também não será encontrado em joalherias, em ilhas fisicais, mesmo para quem bate no peito e se diz cristão. Jesus está nos que morrem por falta de atendimento, de remédio, de segurança. Nas crianças sem direito à educação de qualidade. 

Jesus não está nos gabinetes de políticos. Jesus morreu entre dois ladrões. É verdade. Mas Jesus não faz conchavo. Se manteve íntegro. 

Jesus não está na Justiça injusta. Mesmo que na sala haja crucifixo na sala do tribunal. Jesus está nos injustiçados. Nos que clamam por justiça e a justiça cega não lhes enxerga. 

Que esse Jesus bebê que hoje se arrisca a nascer venha para nos lembrar que ele está nos perseguidos. Nos refugiados. Nos injustiçados. Nos que a gente, cheia de nojo, nem olha. Ali é que ele está. 

Jesus veio para ser visto no olhar dos que precisam. Naqueles que a gente se encolhe quando passam muito perto na rua. É fácil dizer que ama um Jesus limpinho, de cabelo claro e olho azul nas fotos. Mas se Jesus viesse hoje, favelado, refugiado, miserável, sentava na sua mesa? 

Que esse Natal seja de reflexão. De ação. Porque Jesus falava na cara. Não deixava passar. De mudança no templo de vendilhões. Sobretudo, de esperança. Porque Jesus nasceu sem nada para que a gente aprenda a pedir menos e a doar mais. A pedir menos e fazer mais. Pedir menos e ser mais. A pedir menos e ser feliz com o possível. A desesperar menos e se rechear com mais fé. Essa é a real necessidade. Sobreviver o dia a dia, apesar de tudo. Cair. Levantar. E recomeçar sempre. Esse é o verdadeiro Natal. O resto é só Papai Noel...

Feliz Natal para todos. 

(Mônica Raouf El Bayeh)
http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/se-jesus-viesse-hoje-sentava-na-sua-mesa-20692295.html#ixzz4UX3WORAI

- Aproveite para responder, sinceramente, à pergunta feita pela autora já no título do texto...!!! Não se esqueça de fazer isso em forma de um pequeno texto!!! Mãos à obra!!! 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Atividade sobre o filme "Cegonhas - A história que não te contaram" (1 h 40 min)


Sinopse: Cegonhas entregam bebês... ou pelo menos costumavam. Agora elas entregam encomendas para a gigante global da internet Cornestore.com. Júnior, um dos principais entregadores da companhia, está prestes a ser promovido quando acidentalmente ativa a máquina que faz bebês, produzindo uma adorável e totalmente não autorizada bebê. Desesperado para entregar esse presentinho antes que o chefe descubra, Júnior e sua amiga Tulipa correm para fazer sua primeira entrega de bebês, em uma viagem selvagem e reveladora. Isso poderá fazer mais do que apenas iniciar uma família, mas também restaurar a verdadeira missão das cegonhas no mundo. 

01) Por que só existe uma humana na "Montanha das Cegonhas"? 

02) Por que nem sempre era fácil para as cegonhas entregarem os bebês? Quais eram os principais obstáculos? 

03) Por que um casal recebeu um celular em vez de um bebê? O que isso revela? 

04) Por que o Chefe Rocha queria que Júnior demitisse Tulipa? Ele conseguiu fazer isso? Por quê? 

05) Para que setor Tulipa foi transferida? Por quê? Com que objetivo? 

06) Por que a "órfã" Tulipa ficou falando sozinha no seu novo setor? 

07) Por que motivo o menino Nando pede um irmãozinho aos pais? Por que os pais parecem não gostar da ideia, inicialmente? 

08) O que Nando resolveu fazer? Funcionou? Explique:

09) Quem era Jasper? Você acha que ele, de fato, era um vilão? Justifique sua resposta:

10) O que a fala de Nando "pisca e eu já estou na faculdade" revela? Você acha que jsso acontece bastante em nossa sociedade ou é um caso isolado? Comente: 

11) Quais os planos de Tulipa se ela um dia fosse chefe? E os de Júnior?

12) Por que Tulipa, de fato, construiu o avião? E qual o motivo alegado ao Júnior? 

13) Por que num primeiro momento Tulipa abriu mão do seu sonho? Depois ela o realizou? Justifique sua resposta: 

14) Que nome Tulipa deu ao bebê? Que nome você daria?  Por quê?

15) Como Nando conseguiu a atenção dos seus pais? 

16) Por que Júnior evitava tanto segurar o bebê no colo? 

17) Quais os "poderes" da alcatéia? Que mensagem isso nos transmite no sentido de trabalhar coletivamente? 

18) De que parte do filme você mais gostou? Justifique sua resposta, aproveitando para desenhar tal parte:

19) Que mensagem o filme lhe transmitiu? Comente: 

20) Que nota, de 0 a 10, você daria a esse filme? Justifique sua resposta:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Rastro de escândalo

Os bombeiros chegaram em menos de dez minutos. Eis a única informação positiva que se pode colher do noticiário sobre o incêndio no Instituto Butantan, em São Paulo, ocorrido no sábado.

Enquanto se avalia a dimensão dos prejuízos ao seu acervo científico, a maior do mundo na área, pupulam evidências de descaso na instituição.

Uma coleção iniciada há 120 anos, com cerca de 580 mil exemplares de animais, entre cobras, aranhas e escorpiões, estava depositada num galpão que possuía, como único recurso de combate ao fogo, extintores acionados manualmente. 

Sem um sistema adequado de prevenção, eram previsíveis os efeitos devastadores de qualquer faísca elétrica naquele ambiente, onde milhares de espécimes eram conservados em álcool.

Quanto custaria instalar dispositivos automáticos de combate ao fogo no local? O orçamento existia, e não era exorbitante: calcula-se que, por R$ 1 milhão, o sistema teria sido implantado.

Não é que faltasse verba. O Instituto Butantan recebeu, entre 2007 e 2008, tal montante de recursos para realizar obras de infraestrutura; foram utilizados para outros fins. A solicitação para equipamentos anti-incêndio, que teria sido feita, perdeu-se nos desvios da burocracia. 

Definitivamente, R$ 1 milhão não era tanto dinheiro. Em especial quando se toma conhecimento dos R$ 35 milhões que, segundo o Ministério Público, foram subtraídos da Fundação Butantan, braço operacional do instituto, por funcionários do seu segundo escalão. 

Os cientistas do Butantan agora tratam de avaliar a perda e de buscar, em instituições similares, ajuda para repará-la. 

Não é necessário, todavia, ser especialista em serpentes -- nem em investigações criminais -- para detectar nesse episódio o rastro, amplamente conhecido na administração pública, do descuido e do escândalo. 

(Folha de São Paulo - 20/05/10) 


01) O editorial manifesta o ponto de vista do jornal a respeito de um fato. Que fato é esse? 

02) Qual o ponto de vista do jornal a respeito desse fato?

03) Delimite no texto as suas três partes essenciais: introdução, desenvolvimento e conclusão:

04) Qual a tese (ou ideia principal) do texto?

05) Qual é a ideia desenvolvida no terceiro parágrafo? E no quarto?

06) No quinto parágrafo, que questionamento o jornal faz?

07) Qual é a resposta dada pelo próprio jornal a esse questionamento?

08) O editorial em questão apresenta uma conclusão do tipo síntese (resumo) ou do tipo proposta? Justifique sua resposta:

09) Que variedade linguística é adotada no texto?

10) Que pessoa gramatical predomina no texto? O que isso revela?

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Um conto africano...

Furos no Céu

Houve um tempo em que o Céu e a Terra eram muito próximos um do outro. Diziam que da torre do palácio se podia colher um ramalhete de nuvens, rabiscos de pássaros, carneirinhos saltitando...

Esta história aconteceu numa aldeia africana. Havia tanta luz naquele dia que duas mulheres pegaram seus pilões para amassar grãos de milho no quintal de casa. Elas diziam amar a claridade e o festejo da lua cheia. Tudo era muito mágico. 

Assim, trocavam mexericos e gargalhadas narrando histórias, que as levaram longe, longe. Naquele converseiro o tempo ia passando e as histórias se derramando, feito um rosário de ave-marias. Uma das mulheres, entusiasmada com a conversa, levantou a mão do pilão com tanta força e tao alto, que fez um furo no Céu. 

O Céu tomou um susto ao ver aquele furo e desabou a berrar. Elas de tão entretidas nem ouviram, continuaram em sua conversa, pisando nos seus pilões. 

Assim o infinito azul foi ganhando furos e mais furos. Aquelas mulheres jamais imaginavam que seus pilões iam transformando o Céu numa verdadeira peneira. O Céu irado, da cor das violetas, gritou mais que um tanto: 

-- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! 

O grito chamou a atenção das mulheres, que olharam para o alto e disseram: "Vai chover". Diziam uma para a outra: "Avia, avia, avia... Recolhe o milho e o pilão..." Parecia uma cantoria. 

Indignado, o Céu resolveu ordenar ao tambor em tom de autoridade:

"Toque alto, por favor!
Atravesse portas e janelas
Chegue aos ouvidos das piladeiras
Convidando-as a me olharem
Sob as sete luas que as iluminam."

Elas, encantadas pelo soar do tambor, aproveitaram para dançar. A cadência foi crescendo, crescendo, crescendo. O Céu achou bonita aquela dança, que alegrava o seu universo. Mas nada podia mudar sua decisão de separar-se da Terra. Ou subia ou ficava todo furado. Foi subindo, subindo, até chegar num lugar perfeito: nem tão perto que alguém pudesse tocá-lo com a mão do pilão, nem tão alto que ninguém pudesse vê-lo. 

E não é que ele sentiu saudades do tum-tum-tum do tambor, do barulho dos grãos no pilão, das histórias das mulheres e de suas canções?! Foi então que o Céu teve a ideia de transformar os furos que as mulheres haviam feito em estrelas, para que pudesse continuar espiando as coisas da terra.

Satisfeito, o Céu sorriu, E foi contando essa história de aldeia em aldeia, com a intenção de que ela se espalhasse pelo mundo e pudesse ser contada e recontada onde houvesse alguém para escutá-la. 

Assim, segundo os africanos, nasceram as estrelas do céu, pontinhos luminosos no azul, para iluminar a África. 

(Lenice Gomes) 

01) Em muitos contos, o narrador inicia situando o tempo e o espaço em que ocorrem os fatos. Identifique, no segundo parágrafo, as expressões adverbiais que expresssam essas informações:

02) Que tipo de narrador conta a história em questão? Justifique sua resposta com uma ou mais passagens do texto:

03) Identifique a protagonista e explique sua importância para o enredo:

04) Podemos afirmar que o enredo do conto é um mito de origem? Explique: 

05) Esse conto faz parte da tradição oral africana, que passa de geração para geração. Retire do texto uma parte em que isso fica claro: 

06) No sexto parágrafo, justifique o emprego do travessão: 

07) Qual o efeito de sentido provocado pelo alongamento do "i" na fala do Céu, que aparece destacada no texto?

08) Explique o efeito semântico conseguido através da repetição da palavra "crescendo" presente no décimo parágrafo:

09) Quando, em geral, se emprega o gerúndio? Se fosse "crescia, crescia, crescia" em vez de "crescendo, crescendo, crescendo", o efeito de sentido se manteria? Por quê?

10) Céu e Terra estão escritos no texto com letras iniciais maiúsculas. Por quê?

11) O conto retrata, pelo menos, três costumes de moradores de aldeias africanas. Quais?


12) O conto em questão foi extraído do livro acima. Descreva a ilustração da capa: 

13) No que você acha que a menina está pensando? Comente: 

14) Observando, especialmente, o semblante da menina e o jeito curioso do macaco, o que podemos imaginar que está acontecendo? 

domingo, 27 de novembro de 2016

Um pequeno conto saindo do forno...

Uma atividade que costuma dar muito certo é você fornecer os elementos básicos da narrativa e pedir aos alunos que produzam um pequeno conto (tais elementos fornecidos já encaminharão os alunos para a produção de um conto de animais). Por exemplo: 



-- Quem? Os ratos?
-- O quê? Decidiram chegar até o céu.
-- Onde? Na floresta.
-- Quando? Quando os bichos falavam.
-- Como? Subindo um em cima do outro.
-- Por quê? Queriam pegar a lua, que imagnavam ser um grande queijo. 

Mas você pode escolher qualquer trecho que achar que pode "dar pano pra manga"!!! Experimente!!! E, se possível, depois volte aqui para contar como foi, tá?!? 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Atividade sobre a música "Inútil" - Ultraje a rigor

A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente
A gente não sabemos nem escovar os dente
Tem gringo pensando que nóis é indignete

Inútil
A gente somos inútil

A gente faz carro e não sabe guiar
A gente faz trilho e não tem trem pra botar
A gente faz filho e não consegue criar
A gente pede grana e não consegue pagar

Inútil
A gente somos inútil

A gente faz música e não consegue gravar
A gente escreve livro e não consegue publicar
A gente escreve peça e não consegue encenar
A gente joga bola e não consegue ganhar

Inútil
A gente somos inútil

(Ultraje a rigor)


01) Na década de 1980, quando tal música fez muito sucesso, houve quem criticasse a letra pelos desvios em relação à normal-padrão. Você consegue identificar esses desvios? Destaque-os:

02) Outros já viram na linguagem dessa canção uma crítica. Que crítica é essa? A quem o eu poético se refere quando diz "a gente"?

03) Que problemas são criticados na música? Cite-os, colocando em uma escala de prioridade, de importância, para você:

04) Transcreva essa letra de música  para a linguagem comum, seguindo a norma culta, e, em seguida, observe qual das duas ficou com mais "potência", com maior carga semântica (explique):

05) Se você fizesse parte dessa banda, teria insistido em usar a norma-padrão? Explique por quê: 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Exercícios sobre Coerência

Leia os enunciados que seguem e diga se há ou não coerência. Caso ocorram incoerências, aponte-as:

a) Maria tinha feito o almoço, quando chegamos, mas ainda estava fazendo.

b) Pedro não foi ao shopping, entretanto,  estava doente.

c) A caturrita estava grávida.

d) Mário foi à solenidade, todavia, ele não fora convidado.

e) Mário foi à solenidade, todavia, ela não fora convidada.

f) Mário foi à solenidade, porque fora convidado.

g) Mário foi à solenidade, todavia, porque não foi convidado.

h) Mário foi à solenidade, todavia, porque não fora convidado, pediram-lhe que se retirasse.

i) Mário não foi à solenidade, embora tivesse sido convidado.

j) Aninha era uma menina que sonhava em possuir um patinete, sempre que via Paula brincando com o dela. Imaginava como seria bom se pudesse andar no patinete da amiga. Certo dia, Paula esqueceu-o na casa de Aninha, e esta resolveu brincar de bonecas.

sábado, 12 de novembro de 2016

Aquecendo os motores com HQ do Garfield!!!


A atividade acima foi usada hoje, em pleno sábado letivo, como "aquecimento" para a "Maratona de Matemática"!!! Os alunos tinham que recortar cada quadrinho e colá-los em uma outra folha, numa ordem que fizesse algum sentido para eles. Em seguida, tinham que criar falas e pensamentos para os balõezinhos, envolvendo, de alguma forma, o assunto à Matemática -- a protagonista do dia. 

Desta vez eu fiz com o Garfield, e misturei três histórias que nada tinham a ver uma com a outra, mas, pasmem, eles sempre conseguem fazer (e bem) as "costuras" necessárias (claro que a gente não precisa revelar que tem mais de uma história ali, se não já começarão a falar que é "missão impossível" ou qualquer coisa do gênero! he he he).

Você pode utilizar tirinhas do Hagar, do Recruta Zero... o que bem quiser! Todas funcionam muito bem! Recomendo! 

Foi super divertido! Os alunos participantes adoraram e eu também! 

Depois eu compartilho as outras atividades que também elaborei para este dia...!!! 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Atividade sobre a música "O verbo e a verba" - Lenine


Rosebud (O verbo e a verba) 

Dolores, Dólares...

O verbo saiu com os amigos
Pra bater um papo na esquina
A verba pagava a despesa, 
porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
por que foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
o verbo afogou sua mágoa e dormiu.

O verbo gastou saliva, 
de tanto falar pro nada,
a verba era fria e calada,
mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
e depois quando a verba chegou,
era tarde demais
o cadáver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
Lágrimas de hipocrisia

Dolores, Dólares...
Que dolor que me da los dólares
Dólares, dólares...
Que dolor, que dolor que me da...

(Lenine)

01) Explique o primeiro verso da música, com as palavras "Dolores" e "Doláres":

02) Explique o que você entendeu com os dois versos destacados no texto:

03) Verba é o feminino de verbo? Que ligação ambas as palavras têm? E na música?

04) Que mensagem a música lhe transmitiu? Comente:

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Autóctone (Luís Fernando Veríssimo)

A menina atirou o lápis sobre o caderno e ficou olhando para a rua. Era um belo dia de outono e ela precisava escrever uma composição com a palavra "autóctone". Era um dia perfeito de outono e ela precisava ficar ali e escrever uma composição com a palavra autóctone. E para o dia seguinte. Autóctone. 

Aquilo nao era uma palavra, era um empacamento. Um solavanco verbal. Uma frase com "autóctone" devia ter avisos desde o começo, como os que colocam nas estradas antes de curvas perigosas ou defeitos na pista: "Cuidado, autóctone adiante". Quem chegasse a "autóctone" sem estar preparado arriscava-se a capotar e cair fora do texto. "Autóctone" era uma ameaça para leitor desavisado. "Autóctone" devia ser proibido. Ainda mais num dia de outono. 

O que queria dizer "autóctone"?
Autóctone, autóctone... 
Aurélio! 
Autóctone. (Do gr. "autóchton" pelo lat "autochtone". Adj. 2 g.) 1. Que é oriundo da terra onde se encontra... 

Meu Deus, pensou a menina. Eu sou uma autóctone! Vivi todo este tempo sem saber que era uma autóctone. Era melhor não saber. Agora vou passar pelos outros com cara de autóctone. 

-- Minha filha -- diria a mãe. -- Que cara é essa?
Cara de autóctone. Não ia poder disfarçar. Confessaria para a sua melhor amiga, a Maura. 

-- Descobri uma coisa horrível a meu respeito. 
-- O quê? Conta! 
-- Eu sou uma autóctone.
-- Não! 
-- Sou.
-- E isso pega?
-- Não faz diferença. Você também é uma autóctone. 
-- Eu?

Mas depois de descobrir o que era "autóctone" Maura daria um pulo, de alegria, a nojenta. 

-- Eu não sou. Eu não nasci aqui! 

A menina faria a amiga jurar que não contaria para ninguém que ela era uma autóctone. 
Autóctone.

Como é que alguém podia usar aquela palavra numa frase? Uma pessoa nunca mais era a mesma depois de dizer "autóctone". A vida terminava de um lado e começava do outro lado da palavra "autóctone". A menina suspirou. O dia ficava cada vez mais lindo e a folha de caderno à sua frente ficava cada vez mais vazia. Autóctone. Um cachorro oriundo da terra em que se encontrava, seria um au-autóctone?

Que bobagem. Precisava pensar. Precisava encher a folha do caderno. 
Teve uma ideia. Escreveu:
"A pessoa pode ser autóctone ou não autóctone, dependendo do lugar onde estiver."
Leu o que tinha escrito e depois acrescentou: "Tem gente que emigra só para não ser autóctone".
Depois apagou tudo. A professora, obviamente, queria uma composição a favor de "autóctone", não contra. 
Começou outra vez:
"Nós, os autóctones..."

(Luís Fernando Veríssimo)

01) Você conhecia o significado da palavra que dá título ao texto? Justifique sua resposta:

02) Quantas vezes tal palavra aparece no texto? Qual o objetivo disso? Comente:

03) Que crítica é feita no texto em questão? Explique seu ponto de vista: 

04) A frase destacada no texto trata-se de um fato ou de uma opinião? Por quê? 

05) O que você escreveria utilizando a palavra "autóctone"? Mãos à obra... 

06) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 

domingo, 6 de novembro de 2016

Proposta de Redação do ENEM 2016 - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Nada de tema ter vazado antes de a prova do ENEM ocorrer! Todos eles foram meros boatos, para roubarem ainda mais a paz dos alunos e para tentarem abalar a credibilidade desse processo seletivo, como se já não bastasse o caos de ter, este ano, a inédita "segunda leva". 

Não, não serei hipócrita: não cheguei a cogitar, de fato, com insistência e consistência, o tema deste ano! Apostei em MOBILIDADE URBANA e em INCLUSÃO DOS DEFICIENTES ATRAVÉS DO ESPORTE. Não vi nenhum professor de Cursinho nem site também apostando FORTEMENTE no tema escolhido! O ENEM, mais uma vez, acerta no elemento surpresa, já uma característica! (além da problemática social)

Pra ser sincera, adorei o tema, por considerá-lo muuuuito necessário e, cá pra nós, virar um tema do ENEM é sempre uma excelente forma de se discutir bastante a respeito! Só achei muito "rasos" os textos motivadores, o que até estranhei. De fato, não motivaram ninguém... Sorte que o tema em si sim, cumpriu esse papel. E aqui estão eles: 

Textos motivadores

Texto I 

Em consonância com a Constituição da República Federativa do Brasil e com toda a legislação que assegura a liberdade de crença religiosa às pessoas, além de proteção e respeito às manifestações religiosas, a laicidade do Estado deve ser buscada, afastando a possibilidade de interferência de correntes religiosas em matérias sociais. políticas, culturais etc.


Texto II

O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis.


Texto III

CAPÍTULO I

Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso
Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo

Art 206 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa, impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. 
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência. 

(Código Penal Brasileiro)

Texto IV

Intolerância Religiosa no Brasil
Fiéis de religiões afro-brasileiras são as principais vítimas de discriminação 


Proposta de redação 

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil", apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

Para quem quiser ler um pouco mais sobre o tema, indico este site que é show de bola e tem textos, de fato, motivadores. Confiram:


sábado, 5 de novembro de 2016

"Não há vagas" (Ferreira Gullar)

O preço do feijão
Não cabe no poema.
O preço do arroz
não cabe no poema
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão.
O funcionário público 
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada 
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
-- porque o poema, senhores, 
está fechado:
"não vagas"
cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço.
O poema, senhores
não fede
nem cheira

(Ferreira Gullar)


01) Justifique o título do poema: 

02) Transcreva do texto um vocativo, explicando a quem, de fato, ele se refere: 

03) Que mensagem o poema nos transmite? 

04) Qual é a crítica presente no texto e a quem ela é direcionada? Explique: 

05) Diga a que classe de palavras cada vocábulo em destaque pertence:  

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A importância da doação de órgãos para a sociedade brasileira

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto  dissertativo-argumentativo em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema “A importância da doação de órgãos para a sociedade brasileira”. Apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 

Texto 01:


Texto 02: 


Texto 03: 


Texto 04: 

47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral

"Falta de conhecimento sobre irreversibilidade da morte encefálica é principal causa
de recusa de doação de órgãos".

Não é a falta de estrutura, mas a negativa familiar o principal motivo para que um órgão não seja doado no Brasil. De todas as mortes encefálicas e que, portanto, os órgãos poderiam ser transferidos para pacientes que correm risco de morte, pouco mais da metade se transforma em doação. O número é alto e cresceu de 41%, em 2012, para 47% em 2013, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

De acordo com o nefrologista José Medina Pestana, a principal justificativa das famílias para não doar órgãos é o fato de nunca terem conversado sobre o desejo de doar. “Por isso, insistimos que isso tem que ser assunto de família”, diz o integrante da ABTO.

Quando isso não é um assunto resolvido, cabe a uma equipe do hospital responsável pela captação de órgãos explicar à família que a morte encefálica já é a morte. Quando ela é decretada é porque ocorreu a parada definitiva e irreversível do cérebro e do tronco cerebral, o que provoca em poucos minutos a falência de todo o organismo.

No Hospital São Paulo, coube a uma integrante desta equipe conversar com a professora de língua portuguesa Gizele Caparroz de Almeida, 50 anos. Na festa de Ano Novo, seu marido, Varlei de Andrade, sentiu uma forte dor de cabeça. Era mais uma vítima de um AVC hemorrágico.

Na segunda-feira do dia 6 de janeiro deste ano, menos de uma semana após o AVC, Varlei morreu. “A gente não sabia o que era morte cerebral. A gente nunca tinha falado sobre doação de órgãos. Se tem um mito em família é o mito da morte. Ninguém está preparado para isto. Eu não estava”, lembra Gizele. 

“A enfermeira Tamires fez  muito mais que uma captação de órgãos. Foi um apoio psicológico para todos nós. Explicou o que estava acontecendo, o que era morte cerebral, respondeu nossas perguntas. É uma situação irreversível, mas não sabíamos disso e ainda tínhamos esperança que ele se recuperasse de uma espécie de coma. Principalmente minha filha mais nova ainda tinha muitas esperanças de que o pai sobrevivesse", lembra Gizele. 

Após a conversa - em que participaram Gizele, as duas filhas (de 14 e 20 anos), o sogro e a cunhada - o fígado, os rins e a pele de Varlei foram doados. A família não pode doar o coração, pois os remédios durante a internação de cinco dias comprometeu a doação do órgão.

“A doação é uma forma de transformar a dor em algo bom. As pessoas podem fazer algo bom de uma situação de extrema tristeza como esta que estou vivendo. Eu sei que é uma visão romântica, mas a doação ajuda a pensar que ele continua”, diz Gizele. “Estávamos casados há 25 anos, no ano passado fomos viajar, trocamos aliança. É uma dor imensa. A morte foi de uma hora para outra. A gente tem – e eu não vou falar tinha – uma família linda. Mas não tem ruptura quando se tem amor”, completa.

No início de março, Gizele voltou a dar aula. “Acho que é melhor não parar, né?”. Na primeira semana de aula os alunos fizeram um projeto sobre o acidente de Santa Maria, onde mais de 200 pessoas morreram. “Os meus alunos escreveram crônicas lindas sobre o que aconteceu e um dos temas abordados foi a necessidade de muitos receberem doação de pele. Não tinha banco suficiente no Brasil”, lembra.



Texto 05: 


Texto 06: 


Texto 07: 


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Voto Nulo: Irresponsabilidade ou Protesto?

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema proposto. Não se esqueça de apresentar proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto 01:

[…] Antes de tudo, diga-se que o voto nulo não é um ato contra a democracia. Pelo contrário: anular o voto, para além de significar vigoroso protesto contra os partidos e os políticos indesejáveis, que transformaram as eleições num jogo viciado, se afirma como uma recusa plena de múltiplas intenções e que atende às exigências das mais diversas camadas do eleitorado consciente. […] O mais positivo na prática do voto nulo é, sem sombra de dúvida, a possibilidade de o eleitor “interagir” no processo eleitoral, a partir da regra estabelecida de que, no segundo turno, se nenhum candidato conseguir a maioria (mais de 50% dos votos), a eleição está obrigatoriamente cancelada e um novo pleito será realizado. Melhor ainda: é automático o afastamento dos candidatos, pois eles não poderão mais concorrer à eleição e serão substituídos por novos nomes (não se trata aqui de devaneio: nas últimas eleições, conforme rezou a lei, 28 municípios do país tiveram suas eleições anuladas pelo imperativo do voto nulo).
PONTES, Ipojuca. Considerações sobre o voto nulo.
http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=4469

Texto 02:

[…] Folha: Essa reação, do voto nulo, pode ser amadurecimento? Ab’Saber: Tem aí um voto Pilatos, não sujo minhas mãos, que é um pouco imaturo. Mas a posição conflitante, que percebe o isolamento do espaço da política em relação à vida nacional, pode ser madura, no sentido de romper com a ideologia conservadora. Ela pode estar formulando uma crítica mais radical ao Brasil. Não é por acaso que é nesse momento de falência do PT que emerge o PCC. O espaço da política que desaparece da vida social é ocupado com uma intensidade maior, que pode ser a própria crítica. Desse ponto de vista, o voto nulo não é nada ingênuo. Há três dimensões do voto nulo: um moral, banal, regressivo; um voto republicano negativo e um voto crítico radical. LEITE, Fabiana. Voto nulo é política radical, diz psicanalista. In: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=397ASP002 (acesso em 21 set. 2006)
Roseli Aparecida de Sousa
(Professora de língua portuguesa no ensino médio)

Texto 03:

[…] Tanto quanto decidir a respeito do futuro do país, decido, ao votar, sobre quem eu sou. Qual o voto que me faz sentir mais racional? Mais realista? Mais crítico? Mais generoso com os pobres? Mais moderno? Escolho as minhas qualidades, tanto quanto as dos candidatos. […] No estado atual dos debates, a convicção ideológica torna-se menos uma questão de interesse do que de identidade; o voto é instrumento mais de autoafirmação que de atuação política. E são diversas as possibilidades para qualquer cidadão, hoje em dia, ter atuação política mais profunda e constante que o mero ato de teclar um número na urna. Insiste-se na “importância do voto”. Mas cada voto só será de fato importante se, na vida cotidiana, o eleitor — e não só o político eleito — souber honrá-lo também: e que mantenha em mente, ao longo de quatro anos, que, num dia qualquer de outubro, achou que era possível melhorar o país.

COELHO, Marcelo. Voto nulo, eleitor nem tanto.
In: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1309200625.htm

Texto 04:

O que é voto nulo? É considerado voto nulo quando o eleitor manifesta sua vontade de anular seu voto, digitando na urna um número que não seja correspondente a nenhum candidato ou partido político oficialmente registrados. No caso de uso de cédula de papel, é quando o eleitor faz qualquer marcação que não identifique de maneira clara o nome, ou o número do candidato, ou o número do partido político. O voto nulo é apenas registrado para fins de estatísticas e não é computado como voto válido, ou seja, não vai para nenhum candidato, partido político ou coligação.
Tira dúvidas. 

In: http://www.tse.gov.br/eleicoes/mesarios/html/faq.html#FAQ32

Texto 05:


Texto 06:


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Lembrança do mundo antigo", de Carlos Drummond de Andrade

Lembrança do mundo antigo

Clara passeava no jardim com as crianças,
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo em redor de Clara. 

As crianças olhavam para o céu: não era proibido. 
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos,
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!! 
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!! 

(Carlos Drummond de Andrade)

01) Em que tempo estão os verbos do texto?

02) O que indica o pretérito imperfeito? E perfeito? 

03) Qual a relação entre o emprego desses tempos verbais e o título da poesia?

04) É possível estabelecer uma relação entre o nome da personagem e o texto?

05) Como você classificaria os perigos temidos por Clara?

06) A poesia, ao recordar e descrever o mundo antigo, trabalha, nas entrelinhas, com um contraste, uma oposição. Qual seria o contraste?

07) Em "As crianças olhavam para o céu: não era proibido", atente para o jogo dos contrastes e para o ano em que ela foi publicada (1940), e responda: como poderia ser interpretado o verso destacado?

08) O texto apresenta elementos descritivos? Justifique sua resposta:

09) Faça um desenho que ilustre, em detalhes, o poema de Drummond: 

10) Faça a análise morfológica de cada palavra destacada no texto:

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Atividade sobre o curta "Menino de carvão" (31 minutos)


Sinopse: O curta conta a história de um menino que desde cedo foi obrigado a trabalhar duro fazendo carvão com o pai, sentindo na pele o sofrimento de um lugar desolado e da pobreza absoluta.

01) Justifique o título do vídeo, aproveitando para criar um outro:

02) O que mais atraiu a sua curiosidade no curta? Por quê?

03) Podemos afirmar que o pai do menino é machista? Justifique sua resposta:

04) O que o menino e a sua mãe foram fazer no cemitério? O que aconteceu com a criança, de fato?

05) O que o curta denuncia? Ele cumpriu com o seu papel?

06) Que mensagem o vídeo em questão lhe transmitiu? Comente:

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mas é claro que elas existem...

Charge 01: 

Charge 02: 


Charge 03:


Charge 04: 


Charge 05: 


Charge 06: 


Charge 07: 


Charge 08: 


Charge 09: 


Para refletir...


01) Que crítica encontra-se presente em cada uma das charges selecionadas? 

02) Aproveite para dar um título a cada uma delas: 

03) Qual charge você achou mais interessante? Por quê? 

04) Posicione-se sobre a reflexão presente na última imagem da leva...

Um soco no estômago mesmo...!!!



01) Responda, sinceramente, à primeira pergunta que aparece no vídeo acima:

02) Qual o objetivo do vídeo? Ele conseguiu cumprir com esse objetivo? Justifique sua resposta:

03) O que mais incomodou você no vídeo? Por quê?

04) Que mensagem o vídeo lhe transmitiu? Comente:

domingo, 30 de outubro de 2016

Atividade sobre a música "A Banda" - Chico Buarque



A Banda

Estava à toa na vida, 
o meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
cantando coisas de amor
A minha gente sofrida 
despediu-se da dor
Pra ver a banda passar, 
cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Pra ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Qu‘inda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar, 
cantando coisas de amor

Mas, para meu desencanto, 
o que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar 
depois que a banda passou
E cada qual no seu canto, 
em cada canto uma dor
Depois de a banda passar, 
cantando coisas de amor.

(Chico Buarque de Holanda)


01) Há exemplos de oralidade nessa letra de música? Se sim, copie-o(s):

02) Na segunda estrofe, há um mesmo verbo utilizado com sentidos diferentes. Que verbo é esse? Explique esses dois sentidos: 

03) Na última estrofe, explique os diferentes sentidos da palavra CANTO: 

04) Que mensagem a música lhe transmitiu? Comente: 

05) Faça a análise morfológica das palavras destacadas no texto: 

06) Agora você deverá transformar toda a música em uma HQ! Não deixe faltar nenhum detalhe! Capriche! 

sábado, 29 de outubro de 2016

"O Isolado" (Elias José)

Meu caro:

Quando você descer a serra, encontrará uma estrada larga e, depois, um trilho. Vá pelo trilho. Siga sempre em frente. Bem longe de tudo me encontrará. Ando escondido do mundo, mas abrirei as portas para você. Afinal, ainda há muita estima entre nós e isto me fará fazer a exceção. Apresentar um mundo bonito para todos, seria bom. Mas você vai ter pena ao notar como mudei. Não tenho bebidas para oferecer-lhe, talvez um cafezinho ou chá a gente consegue. Já não bebo e das coisas do passado só me restam um livro de Drummond e um disco da Bethânia. Estavam comigo e para aqui vieram também. Não tenho toca-discos, mas a voz vai penetrando pela sala, que é quarto e cozinha, toda vez que toco nele. A vista não me ajuda a ler versos, mas conheço cada página pelo tato. Minto, não há só o livro e o disco. Há também o retrato dela, de perfil, linda demais. A única lembrança dela, do que foi nosso. Ainda gosto muito de lembrar-me: nossas festas, nossas danças, as bebidas. Tudo tão perto-distante, tão longe-perto. Não conta para ela, nem diga que escrevi, que ainda existo. Ela também deve julgar que morri, não é verdade? Acho que morri mesmo. Depois do desastre, não tive mais coragem de me olhar no espelho. Falavam tanto de minha cara, julgando-me inconsciente. Senti as ataduras, as deformações. Fugi antes que algum conhecido chegasse ao hospital. Agora a barba cobre parte do rosto, o cabelo cresceu. Penso que logo ficarei completamente irreconhecível. Vou parecer mendigo ou louco. Penso em aparecer por aí. Vou me encostar nas paredes dos bares em que íamos para rever cada um, sem ser visto. 

Você, eu espero ver logo. Um abraço do sempre amigo. 

(Elias José)

01) De que sentimento este texto fala? Justifique sua resposta:

02) Há no texto um clima de saudade, de nostalgia. De que o autor sente saudade? Por quê?

03) Em dado momento, o autor fala de dois sentidos que são suplantados pelo tato. Quais são eles? Justifique: 

04) Há no texto a constante ausência de pessoas e coisas. O que está ausente na vida do autor?

05) Indiretamente, o autor deixa transparecer o que aconteceu com ele. O que foi? Como ele ficou, física e psicologicamente? 

06) Há uma frase nominal bastante poética no texto. Qual? Comente-a: 

07) O texto traz um parágrafo gigante, o que você sabe que é considerado uma inadequação. Divida o texto em mais parágrafos: 

08) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

09) Que conselho você daria ao autor da suposta carta?

10) Coloque-se no lugar do amigo que recebeu esta carta e, em seguida, responda-a, não deixando passar nenhum detalhe: 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Atividade sobre a música "Um homem também chora" - Gonzaguinha


Um homem também chora

Um homem também chora,
menina morena,
também deseja colo
palavras amenas.
Precisa de carinho,
Precisa de ternura.
Precisa de um abraço
 da própria candura.

Guerreiros são pessoas
são fortes
são frágeis
Guerreiros são meninos
no fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
que os torne refeitos

É triste ver este homem
guerreiro
menino
com a barra de seu tempo
por sobre seus ombros.
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
a dor que tem no peito
pois ama e ama
O homem se humilha
se castram seu sonho
seu sonho é sua vida
e vida é trabalho
e sem o seu trabalho
um homem não tem honra
e sem a sua honra
se morre
se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz...

(Gonzaguinha)

01) Com quem fala o eu lirico da música acima? Justifique sua resposta, com uma passagem do texto:

02) Segundo o texto, quem são os guerreiros? De que precisam?

03) Por que o autor diz que este homem é um "guerreiro menino"?

04) Explique os versos: "o homem se humilha / se castram seu sonho / seu sonho é sua vida":

05) Você concorda com o autor ao dizer que "a vida é trabalho"? Por quê? 

06) Por que o poeta diz que "não dá pra ser feliz"? 

07) Transcreva do texto um exemplo de antítese, explicando seu raciocínio:

08) Que mensagem a música lhe transmitiu? Explique:

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

"Você é um número" (Clarice Lispector)


Você é um número

Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque a partir do instante em que você nasce classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista tem carteira com número, e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento -- tudo é número. 

Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras tem o número da cadeira. 

É por isso que vou tomar aulas particulares de Matemática. Preciso saver coisas. Ou aulas de Física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de Matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral. 

Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.

Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio também recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número de recenseamento. Se é católico recebe número de batismo. No registro civil ou religioso você é numerado. Se possui personalidade jurídica tem. E quando morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também. 

Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás, é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número.

Uma amiga minha contou que no Alto Sertão de Pernambuco uma mulher estava com o filho doente, desidratado, foi ao Posto de Saúde. E recebeu a ficha número 10. Mas dentro do horário previsto pelo médico a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número 9. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados. 

Se há uma guerra, você é classificado por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica. 

Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si-mesmo é apenas o si-mesmo. 

E Deus não é número. 

Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número sexo, como um osso branco seco exposto ao sol. Meu número íntimo é 9. Só. 8. Só. 7. Só. Sem somá-los nem transformá-los em novecentos e oitenta e sete. Estou me classificando como um número? Não, a intimidade não deixa. Veja, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem? 

(Clarice Lispector)

01) Podemos afirmar que o texto acima é uma crônica? Justifique sua resposta:

02) Qual o assunto do texto abordado?

03) A autora já começa com uma advertência. Qual?

04) Qual a importância dessa advertência para o texto de um modo geral?

05) O texto todo gira em torno de uma enorme crítica ao ser humano em sociedade, mas em um dos parágrafos há uma crítica bem mais acentuada. Qual é esta crítica e a quem é dirigida? Você concorda? Por quê? 

06) Na sua opinião sincera, o protesto da autora é inútil? Justifique sua resposta:

07) Há diferença entre ser tratado pelo nome ou por um número? Explique seu ponto de vista:

08) Durante toda a exposição de seus pensamentos acerca dos números que rodeiam nossa vida, a autora confirma a todo instante que tudo é numerado. Apenas o que escapa de ser numerado, segundo ela? Ela tem certeza disso? 

09) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente:

10) O texto encerra-se com uma indagação. Reflita e tente escrever um pequeno texto, posicionando-se a respeito dessa questão.