terça-feira, 30 de junho de 2015

Um texto que vale a pena ser lido...

Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta

Cara elite,

Sei que não é fácil ser você. Nasci de você, cresci com você, estudei com você, trabalho com você. Resumindo: sou você. (Vou fazer uma camisa: “Je suis elite”). Sei que você (a gente) quer o bem do país.


Sei que era por bem que você não queria abolir a escravidão. “Se a gente tiver que pagar pelo serviço que os negros faziam de graça, o país vai quebrar.” Você não queria que o Brasil quebrasse. Você não precisava ficar nervoso: o Brasil não quebrou.

Sei que era por bem que você pediu um golpe em 64. Você tinha medo do Jango, tinha medo da reforma agrária, tinha medo da União Soviética. Sei que depois você se arrependeu, quando os generais começaram a matar seus filhos. Mas já era tarde.

Sei que você achou que o Collor era honesto. Sei que você achou (acha?) que o Lula é um braço das Farc, que é um braço do Foro de São Paulo, que é um braço do Fidel, que é um braço da Coreia do Norte. Sei que você ainda tem medo de um golpe comunista -mesmo com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Sei que você tem medo. E o seu medo faz sentido.

Não é fácil ser assaltado todo dia. Dá um ódio muito profundo (digo por experiência própria). A gente comprou um iPhone 6 com o suor do nosso rosto -e pagou muitos impostos. Sei que nessas horas dá uma vontade enorme de morar fora.

Você sabe que lá fora você pode abrir seu laptop na praça, pode deixar a porta aberta, a bicicleta sem cadeado. Mas lá fora, não esqueça, é você quem limpa a sua privada. Você já relacionou as duas coisas?

Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta. Nos países em que uma parte da população vive para lavar a privada de outra parte da população, a parte que tem sua privada lavada por outrem não pode abrir o laptop no metrô (quem disse isso foi o Daniel Duclos).

Não adianta intervenção militar, não adianta blindar todos os carros, não adianta reduzir a maioridade penal (SPOILER: isso nunca adiantou em lugar nenhum do mundo).

Sabe por que os milionários americanos doam tanto dinheiro? Não é por empatia pelos mais pobres. Tampouco tem a ver só com isenção fiscal. Doam porque sabem que, quanto mais gente rica no mundo, mais gente consumindo e menos gente esfaqueando por bens de consumo.

Um pobre menos pobre rende mais dinheiro para você e mais tranquilidade nos passeios de bicicleta. A gente quer o seu (o nosso) bem. É melhor ser a elite de um país rico do que a de um país pobre.

(Gregório Duvivier)
(http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/gregorio-duvivier-nos-paises-em-que-voce-lava-a-propria-privada-ninguem-mata-por-uma-bicicleta/)

domingo, 28 de junho de 2015

Análise de PROPAGANDA!


01) A propaganda dialoga com que história infantil? Qual foi a principal “pista”?

02) O que a propaganda denuncia? O que você pensa a respeito disso? Opine:

03) A propaganda em estudo vende um produto ou uma ideia? Por quê?

04) A quem se refere o pronome VOCÊ?

05) "Você não quer contar esta história para seus filhos, quer?" E se quisesse, e se precisasse, como seria? Utilize a narração e a descrição em seu reconto!

06) Observando a cena e fazendo uma analogia com o conto da Chapeuzinho Vermelho, quem seria o Lobo Mau ali? Por quê?

07) Qual o tema da propaganda analisada?

08) Você acha que a propaganda foi criativa? E convincente? Justifique sua resposta:

09) Qual a função de linguagem predominante na propaganda?

10) Responda à pergunta feita pela propaganda, da forma mais completa possível!

11) Em sua opinião, por que o autor fez uso dessa personagem infantil famosa na propaganda?

12) A que público essa propaganda se destina? Justifique sua resposta:



(Autores: Andreia Dequinha, Simone Maróstica, Nalva Kássia, Clécia Melo, Lourdes Galhardo)

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Uma CARTA de Jesus para Malafaia

Querido pastor,

Aqui quem fala é Jesus. Não costumo falar assim, diretamente - mas é que você não tem entendido minhas indiretas. Imagino que já tenha ouvido falar em mim - já que se intitula cristão. Durante um tempo achei que falasse de outro Jesus - talvez do DJ que namorava a Madonna - ou de outro Cristo -aquele que embrulha prédios pra presente - já que nunca recebi um centavo do dinheiro que você coleta em meu nome (nem quero receber, muito obrigado). Às vezes parece que você não me conhece.

Caso queira me conhecer mais, saiu uma biografia bem bacana a meu respeito. Chama-se Bíblia. Já está à venda nas melhores casas do ramo. Sei que você não gosta muito de ler, então pode pular todo o Velho Testamento. Só apareço na segunda temporada.

Se você ler direitinho vai perceber, pastor-deputado, que eu sou de esquerda. Tem uma hora do livro em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

Analisando a sua conta bancária, percebo que o senhor talvez não esteja familiarizado com um camelo ou com o buraco de uma agulha. Vou esclarecer a metáfora. Um camelo é 3.000 vezes maior do que o buraco de uma agulha. Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin - esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica. Distribuo pão e multiplico peixe - só depois é que ensino a pescar.

Se não quiser ler o livro, não tem problema. Basta olhar as imagens. Passei a vida descalço, pastor. Nunca fiz a barba. Eu abraçava leproso. E na época não existia álcool gel.

Fui crucificado com ladrões e disse, com todas as letras (Mateus, Lucas, todos estão de prova), que eles também iriam para o paraíso. Você acha mesmo que eu seria a favor da redução da maioridade penal?

Soube que vocês estão me esperando voltar à terra. Más notícias, pastor. Já voltei algumas vezes. Vocês é que não perceberam. Na Idade Média, voltei prostituta e cristãos me queimaram. Depois voltei negro e fui escravizado – os mesmos cristãos afirmavam que eu não tinha alma. Recentemente voltei transexual e morri espancado. Peço, por favor, que preste mais atenção à sua volta. Uma dica: olha para baixo. Agora mesmo, devo estar apanhando – de gente que segue o senhor.

(Gregório Duvivier - 23 de junho de 2015) 

domingo, 21 de junho de 2015

Atividade sobre a música "Casa no campo" - Zé Rodrix

             


Casa no campo

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa cantar muitos “rocks-rurais”

E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais.
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar
Do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo
E nada mais.
Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com amor
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal pau-a-pique, sapé
Onde eu possa guardar
Meus amigos e meus discos,
meus livros e nada mais.
                                                                                               (Zé Rodrix)

01) A casa de campo a que se refere o poeta é:

(   ) sonhada    (    ) real

Justifique sua resposta: 

02) “Onde eu possa cantar muitos rocks-rurais”. Sabendo-se que Zé Rodrix é cantor e compositor, o que ele deseja é:

(   ) mostrar que prefere a música moderna;
(   ) cantar as belezas do campo;
(   ) agradar ao público da cidade e do campo;
(   ) cantar o que mais lhe agrada;
(   ) imitar os compositores de rock do campo;

03) Qual o adjetivo abaixo que NÃO se refere à vida do poeta no campo?

(    ) campestre;
(    ) suburbana;
(    ) bucólica;
(    ) rústica;
(    ) agrícola;

04) “E tenha  somente a certeza / dos limites do corpo / e nada mais”. Entende-se pela expressão “limites do corpo” que o autor:

(    ) preocupa-se exclusivamente com sua família;
(    ) deseja adquirir mais saúde;
(    ) busca um ambiente físico mais saudável;
(    ) quer desligar-se dos problemas que o envolvem;
(    ) pretende que sua casa seja pequena e aconchegante;

05) Qual o verso que melhor exprime o desejo do autor de:

a) Independência ante as opiniões alheias: 

b) Despreocupação pelos problemas externos: 

c) Contato direto com a natureza: 

d) Amizade leal: 

e) Plena tranquilidade interior: 

06) “Eu quero a esperança de óculos”. Com esse verso, o autor pode querer expressas muitas ideias, fato normal em linguagem poética. Indique aquelas que você considera adequadas ao contexto:

(    ) que a esperança nunca se acabe;
(    ) que a esperança dure muito;
(    ) que a esperança ajude a ver melhor o mundo;
(    ) que a esperança lhe mostre toda a realidade;

07) “E um filho de cuca legal”. Este verso representa um outro desejo do poeta: que seu filho seja:

(    ) bastante inteligente;
(    ) normal;
(    ) de autênticas qualidades;
(    ) ajustado às leis;
(    ) bem educado;

08) “Eu quero plantar e colher com amor / a pimenta e o sal”. Nestes versos, os termos “colheita” e “sal” representam, respectivamente:

(    ) meio de sobrevivência – dificuldades da vida;
(    ) riqueza econômica – alimento para os animais;
(    ) manutenção – conservação;
(    ) abundância – prazeres da vida;
(    ) produção – consumo;

09) “Eu quero uma casa no campo / do tamanho ideal pau-a-piqe, sapé”. Entendemos que a casa do poeta então deve ser:

(    ) modesta;
(    ) confortável;
(    ) aconchegante;
(    ) envolvente;
(    ) tranquila;

10) “Onde eu possa guardar/ meus amigos e meus discos / meus livros e nada mais”; Em síntese, o que o poeta realmente deseja é:

(    ) uma vida descansada, sem preocupações monetárias;
(    ) uma existência calma, desejando encontrar-se consigo mesmo;
(    ) uma vida tranqüila, fora do barulho da cidade;
(    ) uma temporada de férias, quando possa cantar e ler sem preocupações;
(    ) encontrar no campo aquilo que ele não consegue na cidade grande.

11) Cite algumas vantagens e desvantagens da vida no campo:  
12) Cite algumas vantagens e desvantagens da vida na cidade: 

domingo, 14 de junho de 2015

Um texto para a gente refletir...

A assembleia


Contam que numa carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião de ferramentas para ajustar suas diferenças.

O martelo exerceu a presidência, porém a assembleia o notificou que tinha que renunciar. A causa? Fazia demasiado ruído! E, ademais, passava o tempo todo golpeando e fazendo barulho.

O martelo aceitou sua culpa, porém pediu que também fosse expulso o parafuso; disse que tinha que dar muitas voltas para que servisse para alguma coisa. Diante do ataque, o parafuso aceitou também, porém, por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Fez ver que era muito áspera em seu trato e sempre tinha atritos com os demais.

E a lixa ficou de acordo, com a condição de que fosse expulso o metro que sempre passava medindo aos demais segundo sua medida, como se fora o único perfeito.

Nesse momento, entrou o carpinteiro, pôs o avental e iniciou seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e parafuso. Finalmente e após horas de trabalho, a grosseira madeira inicial se converteu num lindo móvel.

Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembleia retomou a deliberação.

Foi então quando tomou a palavra o serrote, e disse: “ -- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, porém o carpinteiro trabalha com nossas qualidades. Isso é que nos torna valiosos. Assim que não pensemos em nossos pontos negativos e nos concentremos na utilidade dos nossos pontos positivos”.

A assembleia então chegou à conclusão que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para afinar e limar asperezas e observaram que o metro era preciso e exato. Se sentiram então uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Se sentiram orgulhosos de suas forças e de trabalhar juntos. Ocorre o mesmo com os seres humanos.

(Autor desconhecido)

Atividade sobre a música "Na sua estante" - Pitty

Na sua estante

Te vejo errando e isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar


Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícia
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia



E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu



E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu



Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia



E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu



E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu



Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar...

(Pitty)


01) Aponte na canção alguns exemplos de hiato, ditongo e dígrafo;

02) Retire do texto um verso que traz um exemplo de antítese, explicando: 

03) Destaque da canção: o emissor, o receptor e a mensagem:

04) Retire do texto exemplos típicos da linguagem coloquial, depois reescreva-os na forma culta:

05) Justifique explicando detalhadamente os versos: “--- Tô aproveitando cada segundo / Antes que isso aqui vire uma tragédia” 

06) "Só por hoje não vou tomar minha dose de você". Encontre seis formas diferentes de dizer o mesmo utilizando o sentido conotativo (três vezes) e o denotativo (três vezes):

07) Você concorda que só é pecado quando os nossos erros fazem outra(s) pessoa(s) sangrar? Justifique sua resposta:

08) O que você entende com a passagem “Vesti minha armadura”? Acredita que ela deva ser interpretada de maneira denotativa ou conotativa? Justifique:

09) Monte no mínimo seis quadrinhos em cima da música da Pitty. Circule depois algumas palavras formadas por derivação sufixal:

10) Na 1ª estrofe, há uma demonstração de amor do eu-lírico (uma menina)? Explique:

11) Na 2ª estrofe, a menina admite uma desilusão amorosa. 

a) Ela parece superar rápido esse momento? Por quê?

b) Por que ela sofre com as palavras de seu namorado em “Você acha que eu sou louca / Mas tudo vai se encaixar”?

12) Na 3ª estrofe, como a menina resolve mostrar para ele que ela tem o seu valor?

13) Na 4ª estrofe, ela se mostra mais determinada em que postura passar a ter. Explique.

14) Explique o sentido de cada um dos versos abaixo:

a) “Dessa vez eu já vesti minha armadura”

b) “Mas eu não ficaria bem na sua estante”

c) “Só por hoje não vou tomar minha dose de você”

d) “Cansei de chorar feridas que não se fecham”

e) “E essa abstinência uma hora vai passar...”